Já estão criticando o filme por "ser político".
Mas quem disse que o ideal de um filme é ser "apolítico"?
Sem nem entrar no mérito de toda obra de arte ser necessariamente política, teria como uma cine-biografia de um político profissional não ser um filme político?
Que não gostem do Lula, beleza. Que militem contra e façam oposição, beleza. Ridículo é reclamar que comédias são engraçadas e que filmes de terror são muito aterrorizantes.
* * *
É complicado biografia de biografado vivo. Certo está o Ruy Castro, que exige tempo mínimo de morte e diz que biografado vivo é anti-higiênico.
Mais complicado ainda é cine-biografia de biografado vivo e no poder. Como toda bajulação excessiva, chega a ser brega e de mau-gosto. Não é arte e dificilmente será um bom filme sob qualquer aspecto. Pior ainda, dá munição a conservadores de todo país, ao gerar uma série de questões delicadas sobre financiamento e retorno institucional.
Entretanto, se a lei permite que empresas tanto patrocinem campanhas políticas quanto filmes, então não há problema nem legal nem ético de patrocinarem a cine-biografia de um político.
* * *
Na verdade, tenho uma única crítica: o filme é um desperdício. Em 2010, não vai beneficiar nem Lula nem Dilma. Por mim, faria o lançamento em meados de 2013, como pontapé inicial da campanha Lula 2014.
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