O melhor da relação a distância é a masturbação sem culpa.
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Quando estou no Brasil, com a namorada, eu não me masturbo. Namoro uma mulher linda e inteligente, tarada e fetichista, que desperta o meu tesão o dia todo. Se tenho a possibilidade de sexo incrível quando quiser, a masturbação solitária (além de perder a graça na comparação) me parece um pouco como fraudá-la. Minha energia sexual também lhe pertence: se gasto minha libido sozinho, vai sobrar menos pra ela. Me sentiria mesquinho, egoísta, mimado.
É como fazer uma boquinha antes do jantar: seu apetite não será o mesmo. Estarei menos empolgado e ansioso por sexo, mais preguiçoso e acomodado, a ereção vai durar menos, vou gozar mais rápido, vou ejacular pouco.
Quando estou nos Estados Unidos, monástico e sem comer ninguém, meu único pequeno e ínfimo consolo é poder me masturbar à vontade, sem culpa nem preocupação, sem sonegar nada à mulher que eu amo.
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Esse foi o post. Abaixo, apêndices, disclaimers e esclarecimentos:
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Realmente, quase ninguém entendeu a primeira frase. Muita gente achou que era porque, morando fora,
diminuíam as chances de ser pego em flagrante.
Pego em flagrante? Pego em flagrante fazendo o quê? Desde quando masturbar-se é errado? Sou adulto, pago minhas contas, bato quantas punhetas quiser. Além do mais, no Brasil, moro sozinho: pra namorada me flagrar, ela teria que arrombar a porta. Nos EUA, divido apartamento com duas pessoas: seria muito mais provável de acontecer.
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Outros disseram:
Essa história de culpa de masturbação pq depois terá performance pior é coisa de homem. Acho que mulher, quanto mais se masturba, mais tarada fica. // tenho uma amiga que diz que vai fazer uma 'eliana's' (dedinhos, saca?) eu acho demais fazer eliana's, e realmente fico muuuuuito mais tarada. minhas energias se renovam elianando.
Confesso que dei uma risada ao ler isso. Oras, claro que com mulher é diferente. Alguma vez em disse que homens e mulheres são iguais? Estou falando de mim. E, caso não tenham reparado, sei que às vezes tenho uns tiques femininos, mas sou homem, tá?
Senão, daqui a pouco, se eu disser que não uso sunga pra não passar vergonha com ereções fora de hora, vocês vão responder:
Essa história de ereção fora de hora é coisa de homem. Comigo isso nunca aconteceu!
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Um homem afirmou:
Duas punhetinhas à tarde, tipo antes do almoço, ou uma hora depois do almoço, melhoram minha performance à noite. eu fico com tesão e gozo menos rápido (já que gastei boa parte da munição). o caso é que fico com mais controle sobre a vontade de gozar, algo assim. mas tem que ser à tarde. e têm que ser duas. uma só é pouco (acabo gozando rápido e ficando rapidamente sem vontade de mais na hora de transar), e três, aí sim, normalmente acaba sendo muito (perco a energia pra mais).
De fato, conheço muitos homens, especialmente no final da adolescência e começo da casa dos vinte, que se masturbam logo antes de saírem com uma mulher. Sem essa liberação do excesso de libido, ficam tão nervosos, tão super-excitados, tão sob o controle da cabeça de baixo, que acabam fazendo coisas que normalmente não fariam por puro desespero sexual. Além isso, ao evitar que se vá com tanta sede ao pote, a punhetinha prévia também previne a ejaculação precoce. Dependendo do homem, existe uma vantagem adicional: por ficar menos ansioso para gozar, ele passa a prestar mais atenção às necessidades da parceira.
Já recomendei esse santo remédio para mais de um adolescente estressado.
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Por fim, tem gente que até conhece meu corpo, minhas inseguranças e meus tabus melhor que eu:
corre o risco de não ter a 'performance' esperada, já que gastou boa parte de sua energia... também acredito que seja uma nóia muuuito boba... falamos mais de sexo/abertamente atualmente, mas os tabus/inseguranças ainda continuam.
Tenho 35 anos e me conheço bastante bem. Existem outros corpos, mas eu só tenho esse. Talvez pra vocês, fontes jorrantes de porra e de libido, não faça diferença (eu duvido só um pouquinho); pra mim, faz.
Se como um hamburguer meia hora antes do almoço, meu apetite não será o mesmo. Se subo correndo quatro andares de escada, meu fôlego para dar aula será menor. Se bato uma punhetinha de tarde, minha performance à noite será pior: terei menos libido, menos resistência, menos ejaculação, gozo mais rápido.
Não há insegurança nem tabu nisso: a diferença entre o sexo horas-depois-de-uma-masturbação e o sexo depois-de-vários-dias-sem-gozar é exponencial e gritante.
Quem duvida, faça o teste e compartilhe os resultados.
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De fato, "culpa" é modo de dizer. Nunca senti culpa de me masturbar. Aliás, nunca sinto culpa de nada. Faço tudo o que quero, na hora que quero, do jeito que eu quero. De acordo com minha filosofia de vida egocêntrica, meu próprio capricho me exime de culpa. Mesmo que dê merda depois, eu penso:
"é, mas o que importa é que naquela hora eu queria muito fazer, fui lá e fiz, foda-se o resto!"
Então, não tenho culpa de me masturbar porque ou, 1) eu não me masturbo porque acho melhor conservar minha libido, ou, 2) me masturbo e foda-se o resto, porque é bom demais e eu mereço esse prazer.
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Gustavo Gitti, um dos escritores sobre relacionamentos que mais admiro, toca nesse assunto em um de seus melhores textos, A nova geração de homens mimados:
O que é bastante saudável na adolescência deveria ganhar outro enfoque quando viramos homens. Qual o sentido em ejacular sozinho um dia antes de encontrar sua namorada? Por que desperdiçar na tela do computador a potência que você poderia usar com uma mulher? O cara ejacula o tempo inteiro e depois reclama que não consegue prolongar a penetração com a namorada! O homem que goza sozinho quase todo dia, qual mente ele está cultivando? O que você acha que ele vai desejar quando for para a cama com uma mulher? Se temos o hábito de ficar nos agradando, focando apenas em nossas sensações, é isso que vamos continuar fazendo diante de uma mulher pelada.
Eu não tenho moralismos. Tudo depende das prioridades de cada um. Nada de errado com aquelas pessoas que só se preocupam com seu próprio prazer, mas eu diria que ter um relacionamento fixo é talvez a forma mais complicada de gozar regularmente. Para quem só quer gozar e pronto, a masturbação é mesmo a melhor solução. Ou uma cabra, uma boneca inflável, prostitutas, essas coisas.
Um relacionamento amoroso com outro ser humano é muito mais profundo e interessante, complexo e altruísta do que uma simples busca pelo gozo individual. Se tenho uma parceira sexual fixa, minha libido não é somente minha, mas pertence a ela também. Ser casal é isso. 
Muitas vezes, as pessoas acham que estão fazendo sexo, mas é somente masturbação sincronizada e simultânea. Na masturbação, o foco é em si mesmo. Já o sexo é a experiência social, gregária e coletiva por excelência: eu sou ela, ela sou eu, nosso prazer é um só.
Ou, como diria Cathy, "I am Heathcliff."
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Em resposta ao Gitti, minha queridíssima e tesudíssima amiga B. também escreveu um texto sensacional:
Eu assumo: sou uma masturbadora. Adoro! No entanto, fiz coro com o o autor quando ele levantou o lado nocivo da história. ... A compulsão, a idealização compulsiva de fodas fantásticas, com mulheres super-hiper-ultra idealizadas, ícones pornôs, podem levar a uma enorme solidão e frustração quando confrontada com a realidade. A não realização do que é idealizado pode ... acabar frustrando e criando cada vez mais expectativas, pessoas intransigentes e sem filtro de realidade. E acreditem, isso não é regra e nem exceção. É mais comum do que possam imaginar… Ao longo da vida já esbarrei com assumidos masturbadores que se revelavam posteriomente (na pior das hipóteses) ejaculadores precoces, amantes insensíveis e/ou egoístas, ou até mesmo os desiludidos e inconformados que chegavam a assumir: “Putz, foi bom, gozei maravilhosamente, foi uma delícia, mas…” (porque sempre tem um “mas”…) Isso tudo tendo como base de comparação suas fantasias mais solitárias.
Esse argumento, apesar de perigossíssimo e muito utilizado pelos moralistas para atacar a pornografia, não deixa de ter uma certa razão e a B. fez bem em puxá-lo.
A B., o Gitti e eu não somos nem um pouco moralistas. Escrevemos sobre sexo livre, fetiche, poliamor. A masturbação é uma forma excelente de conhecer o próprio corpo e se auto-gratificar. Entretanto, quando exagerada, pode levar a perda de libido, expectativas irreais, excesso de individualismo e retração social.
Pra mim, masturbação é como bolo de chocolate.
É uma delícia que, em si, não faz mal. Se pudesse, comeria várias vezes por dia. Entretanto, além de ser nocivo nessa quantidade, pode tirar meu apetite para comidas melhores e mais saudáveis. Deixo então para só comer quanto tenho desejo, assim quando bate aquela vontade forte, e aproveito ao máximo cada migalhinha.
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Se o sexo com sua parceira não for infinitamente melhor do que uma punhetinha rápida... porra, que relacionamento de merda, hein? Vale mais a pena você matar sua necessidade de companhia feminina com amigas do sexo oposto, e resolver seu tesão com cabras, bonecas infláveis e prostitutas.
Sua vida será infinitamente mais simples e prazeirosa, e sua ex-parceira estará livre para procurar um relacionamento de verdade.
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Sempre que faço qualquer tipo de afirmação enfática, me aparece algum idiota pra dizer, em tom de revolta:
"Bem, essa é a SUA opinião, não é?!"
Invariavelmente, eu respondo:
"Não, não, essa é a opinião daquele careca que vai passando ali do outro lado da rua. Agora, eu vou dar a sua opinião. A minha mesmo eu estou deixando para o final, para causar mais impacto..."
Pois bem, amigo leitor idiota indignado: estou aqui, no meu blog, que você não foi obrigado a ler, falando da minha vida, do meu pau, do meu relacionamento. Não estou cagando regra pra você. Eu sei que você é outra pessoa, que seu contexto é outro, que você dá vinte em uma noite sem sair de dentro. Sim, sim. Parabéns. Mas estou só falando de mim. Você faça como achar melhor e que Baco lhe abençoe.
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http://twitter.com/AlexCastroLLL
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