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Meu irmão Luiz Biajoni, autor de Sexo Anal e Buceta e um dos melhores escritores brasileiros em atividade, está adaptando para romance o roteiro do filme "Elvis e Madona", de Marcelo Lafitte, sobre o caso de amor entre uma travesti e uma lésbica. Como o Biajoni é um caipira do interior de São Paulo e a história se passa em Copacabana, estou ajudando a cariocar o enredo.
Um dia, se o mundo for um lugar justo e louco, assim como publicaram recentemente os manuscritos originais do On the Road, também publicarão o primeiro rascunho do romance Elvis e Madona escrito em paulistês e minhas anotações sacaneando o Bia e passando tudo pra carioquês, trocando as coxinhas por joelhos, as sucarias por casas de suco, os periferias por baixadas, as minas por gatas ("no rio, dá pena de morte falar mina sem ser no contexto estrito de mineração"), um motel no Leblon por outro em Botafogo e, mais importante, eliminando uma hilária menção às "esquinas da Barra da Tijuca".
Devíamos publicar uma edição limitada pela Os Vira-Lata e vender por uma fortuna. Valeria a pena.
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Com vocês, em primeiríssima mão, um dos meus trechos preferidos, sobre o day after da primeira transa.
Primeiro, o travesti Madona:
Madona acordou com uma sensação de nunca. Respirou fundo primeiro, quase antes de abrir os olhos. Invocou alguns santos, vasculhou a mente atrás de alguma reza braba, fez figa cerebral para que tudo aquilo que estava ali bem vívido na memória não passasse de sonho. Sim, em breve tudo se desvaneceria, aquele sonho que lhe fizera o terror e o deleite durante a madrugada. Sonho ou pesadelo? Deleite ou delírio cruel? Abriu os olhos, temor fugidio, segundo suspiro, era real! Ela estava no sofá, sem roupas e com o pau melado. O pau! Ela pensou assim mesmo: “estou com o pau melado”. Teve um susto arrepiante quando usou a palavra “pau” para tratar de seu próprio membro – há trinta anos só o chamava de “pirulitinho”!
E, agora, a lésbica Elvis:
Enquanto trotava; a câmera pendurada no pescoço, balançando; o sol batendo já na cara; os olhos ainda meio remelentos; a boca seca, sem café ou escova; os cabelos desgrenhados; os pensamentos indesejados brotando rápido, era aquilo que tinha na mente, aquilo tudo que tinha acontecido.
Ela tinha transado. Com. Um. Homem. Quer dizer, não era exatamente um homem, mas... era! Tecnicamente, era. Ela gostava de mulheres, sempre gostou, desde os doze anos quando beijou um menino e vomitou. Desde o dia quando deu carona para a Julinha, a menina mais bonita do colégio, elas tinham catorze ou quinze anos e bastou o contato dos peitos da menina nas suas costas, as pernas abertas raspando o sexo na calcinha, enquanto a mobilete trepidava pelas ruas de paralelepípedos de Poços, para que ela gozasse e quase levasse as duas para o asfalto.
E, agora, resolvida e trintona, ela tinha tido uma relação sexual com um homem. Ela tinha sido penetrada por um pau de verdade! Não era um consolo, não era um vibrador manipulado por uma gata peituda e gostosa: era um pau com um saco e um cara junto.
Não é lindo? Estava com uma amiga aqui em casa, li alto pra ela e também adorou. Alguém mais poderia ter escrito esses trechos? Depois de somente três livros, o Biajoni já tem um estilo tão próprio que os parágrafos acima só podem pertencer a ele, e a mais ninguém. São inconfundíveis.
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Outra coisa: o Bia exigiu liberdade completa na novelização do roteiro e, obviamente, o louco mudou tudo. O romance vai ser uma coisa e o filme outra, partindo das mesmas premissas e com os mesmos personagens, mas indo em direções completamente biajônicas. Escreveu o Bia no MSN:
vinguei todos os autores que reclamam que os diretores mudam os livros!
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Com vocês, o trailer do filme, estourando nas telas do Brasil em breve:
Compre os livros do Biajoni:
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