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Preconceito contra a Classe Média

Me surpreenderam as relações de alguns leitores quando se fala de classe média. Então, pergunto:

1) Você acha que existe preconceito contra a classe média no Brasil?

E, mais importante, caso você se idenfique como pertencente à classe média:

2) Já se sentiu vítima de preconceito e discriminação por ser da classe média? Como foi isso? De quem partiu essa agressão? Como isso afetou negativamente a sua vida?

Por favor, deixe o seu depoimento. É sério. Eu quero saber.

10 Principais Diferenças Entre os Milionários e a Classe Média, As

 

03.11.09


Categorias: Economia, Política

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Eric

1 - Existe, mas não um preconceito no sentido econômico ou social, mas, se pudermos chamar dessa forma, filosófico. Em outras palavras, não há uma manifestação efetiva de repúdio à classe média em estabelecimentos comerciais, para a escolha de empregos, no elevador de um prédio etc. Em compensação, no mundo acadêmico, ela é tratada como a fonte de todos os males, apesar de ser formada em um bom quinhão por trabalhadores assalariados e gerar um grande recolhimento de tributos. Curiosamente, a "elite" é muito menos alvejada pelas críticas, apesar de ser, em tese, mais danosa a uma sociedade (os países com maior desenvolvimento são formados, em regra, por uma grande fatia de "classe média", com pequenas classes "pobre" e "elite").
2 - Meio que respondi a segunda pergunta acima. Então, a resposta é (e deverá ser para a maioria das pessoas) não. Ou melhor, como falei, não no sentido tradicional do preconceito, como descrevi acima. O preconceito é mais conceitual, buscando criar culpa. Na verdade, desde a infância, há uma doutrinação pelos professores de que a classe média é a fonte de todos os males, em regra com uma interpretação pra lá de equivocada de eventos históricos, como a Revolução Francesa.

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 19:34



Comentário de: Roger Moreira

Já aconteceu sim. Semana passada mesmo, fui ver uma casa a venda em um condomínio fechado. Só que eu fui num carro popular. O vendedor me atendeu muitíssimo bem, só que na saída, ao ver o carro que eu estava usando, fez o seguinte comentário: "Olha, se você for ver financiamento, pra esse tipo de imóvel vc teria que ter no mínimo uma renda mensal de tanto". Mais engraçado foi o tom de voz dele, uma mistura de "desculpe acabar com suas esperanças" com "puxa, será que esse cara não tinha noção do preço das casas aqui?". Agora, o que o sujeito não sabe é que na hora quem sentiu pena dele fui eu. Tem que ser muito tolinho pra fazer um comentário daqueles. Muito mesmo.

Agora, já teve o contrário também. Certa vez me interessei por uma menina que, descobri depois, a família era pobre. A mãe da menina só faltou me por pra fora da casa, pra ela era certeza que boa coisa eu não podia estar querendo com a filha dela, afinal, onde já se viu um cara com dinheiro interessado em menina pobre.


PermalinkPermalink 03.11.09 @ 19:52



Comentário de: Alexandre · http://www.nadasou.wordpress.com

Sim, existe, embora seja mais ameno e mais raro do que o preconceito em sentido oposto.
Às vezes ele se parece muito com um recalque de indivíduos específicos supostamente menos favorecidos que eu. Parece que eles estão se antecipando ao "meu" preconceito e logo me atacam preventivamente (como puderem).
Existem expressões pejorativas como "soltar pipa no ventilador" (quando eu, por exemplo, soltava pipa no jardim, o que é um pouco babaca, mas não limitava minha experiência com a pipa), ou ter sido criado "com o leitinho da fazenda" (quando o leite que sempre tomei é o mesmo leite consumido pelos meus interlocutores, aquele do mercado) que se aplicam frequentemente a membros da classe média.

Outras vezes tratam você agressivamente, como se fosse ativamente culpado pela desigualdade social, coisa que, obviamente, você não é.


Não estou aqui querendo defender a classe média, que considero hiperpreconceituosa, mas tive que responder a sua pergunta.

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 20:19



Comentário de: jean · http://novasvisoes.com.br/wp/?cat=17

Eu vive o contrário com a classe média, então vivo sempre em alerta p/ alguma bizarrice que a classe média aponte. É mais um gato escaldado do que um pré-conceito.

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 20:24



Comentário de: Eric

Só para "levantar mais uma lebre", o que é a classe média? Qual o critério para definir quem faz parte dela?

Se for, como é o comum, o critério de renda, temos de a classe média, fazendo uma aproximação dos critérios da FGV e do IBGE, seria quem ganha entre 1.000 e 5.000 reais, o que, acredito, seja a maioria esmagadora de todos os leitores aqui. Então, leio com um pouco de ceticismo quem diz odiar a classe média neste espaço.

Se o critério for o da burguesia (Bourgeoisie), remeto a minha colocação acima sobre a interpretação quiçá errônea sobre eventos históricos.

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 20:52



Comentário de: Fernando

Definitivamente existe. O pobre brasileiro é extremamente ressentido, qualquer sinal de boa condição financeira é visto com absoluta desconfiança.

Eu posso citar duas formas desse preconceito: uma é essa coisa que o Alexandre comentou, de jovem de classe média ter que ouvir dos da periferia comentários como o do leite da fazenda, ou as famosas expressões "filhinho-de-papai/mamãe" etc;
Outra é essa coisa de ridicularizar o consumo da classe média: se o cara compra um Civic em 60x ("se tivesse dinheiro mesmo comprava um Porsche/pagava a vista, é fudido e tá querendo dar uma de bacana" como se fosse errado usar crédito), ou se usa marcas associadas com a classe média.

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 21:08



Comentário de: Karina

Falar em classe média, dependendo do contexto, é meio ridícularizante. Parece que a gente está falando de quem não tem muito noção da realidade nem do que é riqueza, nem do que é pobreza. Sabe quando a gente fala em criança superprotegida criada em playgroud de prédio? Na prática, porém, acho que a classe média não sofre quase nenhum preconceito. Nem no ambiente da classe alta, nem do ambiente da classe baixa.Eu, pelo menos, nunca senti. O preconceito com relação à classe média me parece só de argumentos, não de fatos.
Ao mesmo tempo, eu sempre tenho a impressão de que quase todo mundo se considera classe média. Mesmo aqueles que eu considero pobres se referem a si mesmos como classe média. Mesmo aqueles que eu considero ricos. A exceção são os miseráveis ou os podres de ricos.
Eu quase sempre acho que sou de classe média e sempre me classifico assim quando converso com os outros. Às vezes, porém, bem lá no íntimo, eu me sinto classe alta, embora não tenha um barco com 40 pés, seja assalariada e receba salário com menos de cinco dígitos.

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 21:29



Comentário de: Alan · http://jogadonumcanto.blogspot.com

Estou pasmo! Acabei de descobrir que faço parte da classe média!

Mas deixando de lado essa efusão toda, chego a um impasse: como posso saber se fui discriminado por ser classe média se nem eu mesmo o sabia?

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 21:36



Comentário de: Talita

Às vezes as pessoas dividem o mundo de forma bem maniqueísta, colocando os ricos como os "vilões" da humanidade, os pobres como as "vítimas" e a classe média como a parte "burra" que não entende ou não quer entender a gravidade da grande luta de classes do universo rs.

Mas, como já disseram, isso fica só na retórica. Na prática acho difícil alguém sofrer na pele um preconceito só por ser de classe média. Tanto que todo mundo adora se dizer classe média né? Mesmo quando a pessoa é mais rica ela se diz classe média como se fosse pra alertar: "não me odeie pq eu tenho dinheiro, eu tb trabalho, sou proletário, ralo muito!"

É o que eu acho...

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 22:03




Duas boas perguntas, Alex. Eu sinto que o pessoal que pensa que existe preconceito contra a classe média é o mesmo que pensa que racismo existe sim, mas da parte dos negros! Ou que o homem branco e hetero, tadinho, é o mais discriminado. É o mesmo pessoal que acha que usar camiseta de 100% negro é a mesma coisa de camiseta 100% branco. É o pessoal que não acredita que seja privilegiado.
O padrão é classe média. O padrão é o "normal", é o que a maior parte quer ser. Por isso, não acredito em preconceito contra o padrão, qualquer padrão.
Ao mesmo tempo, dá pra delinear um padrão de comportamento de certa parte da classe média (como faz, muito bem, o Classe Média Way of Life). Isso não é discriminar, é generalizar.
E outra coisinha: no governo Lula, pela primeira vez na história, temos a maioria da população como classe média: 52%. Então há muita gente nova, estreante, na classe média. Essa classe média C é bem diferente da B. Inclusive, aposto como a B olha feio pra C. Mas a C não olha feio pra B. A C gostaria de ser a B.

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 22:03



Comentário de: Rafael · http://www.estadodearte.wordpress.com

Preconceito enquanto classe média? Se alguem um dia manifestou preconceito nesse sentido contra mim, eu não senti nem um pouquinho.

Donde se conclui que eu não conheço ninguem das classes multitrilhardárias.

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 22:11



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Olha, considerando que classe média é um conceito muito fora da realidade na definição do Alex e do criador do blog lá, chega a ser complicado responder. Classe média é quem ganha entre 1.000 e 5.000 reais (renda familiar), ou quem tem certos bens de consumo em casa (critério ABEP).

De qualquer forma, eu nunca me senti preterida em entrevistas de emprego, ou discriminada em estabelecimentos comerciais por ser de classe média. Mas gente com renda e vida similar à minha já fez discurso de dimensão “fidelista” sobre o absurdo de pagar 5 reais em uma long neck. Marilenas Chiauís existem aos montes nesse país.

Mas é aquela coisa: toda vez que saímos do “nosso grupo” (seja qual for) e entramos em outro grupo sem adaptação, vai haver discriminação. Isso vale desde universidades (USP x UNESP) até classes sociais.

Ainda assim, vale uma história engraçada, se não fosse trágica (em especial para o Alex que adora falar em oprimidos e opressores): meu pai me liga da aula de inglês um sábado desse ano. Diz que seu carro não está andando e pede para que eu vá buscá-lo. Eis o motivo: entra na escola de inglês uma mocinha extremamente perturbada. Ela quase fora assaltada e viu o bandido tentando abrir o carro do meu pai (ainda bem que não conseguiu). O bandido foi até ela. Falou que passasse a bolsa. Ela começou a chorar, dizer que precisava pegar ônibus, etc. Até que o bandido (depois de pegar a bolsa da menina) perguntou onde ela morava. Ela disse um bairro de, digamos, “classe média baixa”. O ladrão devolveu a bolsa. Ela correu e entrou na primeira porta que viu aberta.

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 22:14



Comentário de: Vanessa · http://www.vanprates.blogspot.com

Preconceito contra uma classe? Nossa, isso é demais de forte.
Classe mérdia AINDA...Ufa(passando a mão na testa suada). Não, não há.

Há os mais variados preconceitos, mas contra o indivíduo e por alguma 'razão'. Mas por pertencer a classe média??? Ah, impossível!

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 22:31



Comentário de: Edso FJ · http://meadiciona.com/dazudoo/

(acompanho o blog pelo google reader, mas é a primeira vez que comento aqui)

Nunca vi nenhum lugar que definisse "classe média" com base em renda e outroa fatores. Acho que a palavra "média" é bem mais "tá na média geral, perto da norma, da maioria". A maioria pode ser a maioria o ambiente em que se vive, de onde se conclui que o cara que tem iate de 40 pés se acha classe média porque todos os seus amigos também tem.

Mas deixando de ser chato e respondendo à pergunta, segundo um teste da veja (é, eu sei, é estranho; mas tó o link: http://bit.ly/44jKi), eu sou da classe B2. E não, ninguém nunca me encheu o saco por isso. Nem nada pior que encher o saco.

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 22:34



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Edso

IBGE, FGV e ABEP definem classe média.

E a média não pode ser medida pela frequencia (ou seja, todo mundo perto é que é a média). Quem mede assim está usando moda, que também é uma medida estatística, não média. E moda de uma amostra pouco representativa (um grupo de amigos).

O próprio Alex usa uma medida de moda quando quer definir média. Ele usa o que ele acha que é classe média. Não necessariamente o que é.

Por isso acho engraçado esse ódio dele (e de tanta gente) contra a classe média, essa aglomeração de mais de 52% da população brasileira que engloba advogados e empregadas domésticas.


PermalinkPermalink 03.11.09 @ 22:49



Comentário de: Adriana Karnal · http://anndixson.blogspot.com

Lola, não é pq adoro seu blog,mas estou com vc!

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 23:44



Comentário de: Alex Castro Email

carol, duas perguntas:

1, o q faz vc pensar q tenho odio da classe media?? me dá um exemplo...

2, o que faz vc pensar que eu nao sei a definição de classe media do IBGE? é com essa definicao que eu dialogo sempre q falo de classe media, ue. nao conheco outra definição a usar... se vc conhece, me avisa... quem define classes sociais no brasil é o ibge, nao tem como fugir disso...

PermalinkPermalink 03.11.09 @ 23:51




Putz, Edso, esse teste da Veja (que na realidade não é dela), vou te contar... Eu trabalhei por um breve período fazendo pesquisa de mercado pro Ibope, em 1990. E o jeito da gente avaliar a classe social do entrevistado era com esse teste, que já tava defasado vinte anos atrás. Hoje, então... Eles nem atualizaram! Ainda falam em vídeo ao invés de dvd! Em rádio! Em TV a cores! É uma piada. 20 anos atrás, um bem de consumo que a classe média tinha, e os pobres não, era microondas. Hoje é internet em casa! Mas não, eles continuam falando em aspirador de pó... E em chefe de família, claro.

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 01:24



Comentário de: aiaiai

Nunca senti preconceito quando eu era classe média. Hoje, vejo que quem é classe média me olha com um pouco de preconceito...mas como eles acham que eu sou muito mais rica do que sou, me tratam sempre muito bem.
Como na verdade eu tenho uma vida fora do padrão, sinto que as pessoas ficam confusas...ora acham que eu sou rica, ora acham que sou pobre, portanto, acho que não sirvo para estatística.
Falando do geral, acho que existe preconceito contra classe média no brasil, mais ou menos como existe preconceito contra loura (é loura, é burra). Sabe, o pessoal fala mal mas tá doido para ser igual kkkkkkkkkk

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 04:37



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Pô, Alex... tu chamas a classe média de classe mérdia, generalizando e achincalhando no pior estilo "preto, pobre e puta", e vens dizer que não sabes se existe preconceito contra a classe média?

Tu és um exemplo cabal e gritante de quem nutre este tipo de preconceito. Se fizeres o exercício de ler teus próprios textos com o olhar de um leitor crítico e não de um autor engajado, perceberás.

.

.

.

Tô começando a achar que existe um preconceito estrutural e constitutivo contra a classe média na blogosfera... :)

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 05:29



Comentário de: Marcio Goncalves

O problema eh que o se chama de Classe Media no Brasil nao eh classe media - eh classe B2 e A2 segundo IBGE - ou seja, a elite do pais (sim, eu sei que tem pessoas bem mais ricas que eles mas sao estatisticamente infimos).

Nao tem absolutamente nada de "media" ai.

Se convencionou a chamar de classe media pq eh a unica classe que se aproxima em posses e comportamento daquela que serve de modelo de "classe media" p/ o resto do mundo - a classe media americana.

A verdadeira classe media, se valendo de dados estatisticos, seria coniderada pobre por essa dita classe media.

Nao eh a toa que saiu uma materia (foi na Veja? Folha? esqueci..) sobre o fato de que a dita classe media nao se considera classe media, mas pobre.




PermalinkPermalink 04.11.09 @ 06:03



Comentário de: Lucélia

Ai gente, vamos esquecer esse critério de renda que define classe média. Todo mundo sabe que o Lula "baixou o critério" salarial para encaixar mais gente como classe média e dizer que o país evoluiu muito. Venhamos e convenhamos, uma família de 04 pessoas com renda de R$1.000,00 é diferente de outra família com renda de R$5.000,00. Com R$1.000,00, a família de 04 pessoas praticamente passa fome. Ainda mais se tiver de pagar aluguel.

Classe média é quem estudou todos os filhos em escola particular. É quem compra carro popular em 60x. É quem vai ao shopping para fazer compras fora das lojas de departamento. É quem pede pizza toda sexta-feira. É quem ainda tem dinheiro pra lazer no final do mês. É quem viaja nas férias, seja pro Nordeste ou pra Bariloche.É quem pode por os filhos no cursinho de inglês ou de judô.

Pobre que é pobre, classe C mesmo não tem grana pra nada disso. Pobre nunca tem dinheiro pra lazer. E quando tem, já separa aquela graninha pra sair em apenas 01 final de semana por mês.

Classe média sofre sim preconceito. Mas é aquele preconceito invejoso da classe C, que um dia sonha em chegar lá. Rico também tem preconceito contra a classe média. Acha todos um bando de trouxas que se pensam alguma coisa.

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 08:09



Comentário de: aiaiai

Puxa,
vivendo e aprendendo...eu não sabia que o "lula baixou o critério salarial"...
Eu não entendi isso, Lucélia, dá uma explicada para a gente, pleaaasssseee!

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 08:39



Comentário de: Filipe Duarte

Acontece algo muito engraçado na universidade pública que estudo.

o cara estudou a vida toda em colégio particular, nunca precisou trabalhar ( e quando trabalhava o dinheiro ia totalmente para ele), ae passou no vestibular, ele se põe como a resistência da pobreza, criticando estudantes de escolas/faculdades como playboy ou pequeno burgues.

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 08:59



Comentário de: Iara · http://foifeitopraisso.blogspot.com

Acho que quando a gente fala "classe média", fala de duas coisas diferentes. Uma e a renda, outra é uma suposta mentalidade mais estreita e/ou conservadora. Eu realmente duvido que alguém tenha preconceito contra quem tem uma renda razoável. Numa boa? Nem quem é pobre. Alguém pode ter inveja porque gostaria de ter aquele padrão de vida, então não é um sentimento de repulsa, como o racismo e a homofobia.
Agora, em relação à suposta estreiteza de pensamento "classe média", não acho que debatê-la seja preconceito. Quando eu critico as idéias de alguém depois de ouvi-las, não estou expressando preconceito, mas desacordo, o que não tem nada de condenável. Assim, um blog como o "classe média way of life" só sacaneia aquele que veste a carapuça. Particularmente, não gosto muito do texto deles, acho que usam lá generalizações das mais manjadas. Mas apesar de ter tido renda de classe média a minha vida inteira, não me ofendo com nada ali. Porque, tenho quase certeza de que os autores, leitores, comentaristas, etc, tem também renda de classe média, na sua maioria.

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 09:22



Comentário de: Fabian

Não costumo olhar a sociedade separada por classes, e muito menos tento me encaixar em alguma dessas denominações que só servem para diminuir o sujeito a algumas caracteristicas generalizantes. Nada mais preconceituoso do que isso.
Uma vez contei a alguns amigos que estava pegando a mulher que trabalhva com a minha avó e um deles se ofendeu porque disse que a mãe dele foi durante 20 anos assediada por um patrão escroto dessa tal classe média que eu fazia parte.
Não me ofendi justamente porque nunca olhei pra ele como da classe a,b ou c e sim como um cara que conheci com seus defeitos e suas coisas boas também e só isso.
A mãe dele, nem conheci, o patrão, também não...mas a moça da casa da minha avó sim e eu tava pegando porque ela tinha tesão e eu também e não pela relação de dominação que, sim existe ainda mais nesse Brasil moralista, hipócrita.
O que faz girar o mundo são individuos e não classes, então tá na hora de mudar o olhar...

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 09:42



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Alex, só para constar: respondi aos seus dois posts, este e o outro, numa atualização desse post meu: http://jorgenobre.unblog.fr/2009/10/28/os-preconceitos-dos-outros

A demora foi por falta de tempo, mesmo. Foi o único motivo. Vou sair de férias nesse mês e quero deixar o serviço todo em dia.

Mas eu sou a favor das cotas nas universidades públicas. As cotas raciais irão desmoralizar a universidade pública. E para o Brasil começa a dar certo é preciso acabar com a universidade pública. A universidade pública é a saúva moderna: ou o Brasíl acaba com a universidade pública ou a universidade pública acaba com o Brasil. Temos que acabar com essas saúvas. E as cotas raciais serão nosso tamanduá! Vamos defender as cotas, Alex, eu te apoio nessa!

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 11:47



Comentário de: Fabio

Que bosta é essa de preconceito contra a classe média? Que porra é essa de classe média? É o lumpen-proletariado? Fala sério! O que é sentir esse preconceito? Complexo de filho do meio? Qual o limite da riqueza e da pobreza? Alguém aí se sente eternamente deslocado? Bem-vindo ao mundo. Em meus tempos de criança, pensava que o ideal do mundo é que todo mundo fosse classe média. Afinal, todo mundo poderia se sentira em casa saindo da zona sul e indo a uma feijoada no cacique de ramos, para depois comparecer a uma degustação de Barca Velha 93 em uma mansão na Gávea, pagando a pechincha de R$2500,00 por cabeça.

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 12:39



Comentário de: Edson FJ · http://meadiciona.com/dazudoo/

errei meu próprio nome no meu primeiro comentário lala'

Só assim, do jeito que eu falei de "média" ser o que é comum no meio em que se vive não exatamente como indicador social que defina classe média (que eu nem sabia que existia), mas como percepção pessoal. Se for ver quem se diz classe média, meldels. É todo mundo!

E quando fiz o teste, atualizei videocassete pra dvd. E, como chefe de família, contei minha mãe, mesmo imaginando (claro) que eles queriam a escolaridade do "homem da casa". Não que isso tenha resolvido muita coisa, mas é o único lugar que achei uma definição de classe mais objetiva e simples de calcular.

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 13:43



Comentário de: lucas

alex,

seguindo a idéia de classe média do ibge, em diferentes fases da minha vida já sofri preconceito por ser pobre, classe média e rico. já sofri preconceito por ser branco e também já sofri preconceito por ser de uma família com integrantes negros.

enfim, acho que existe preconceito, em níveis diferentes, contra praticamente qualquer coisa.

agora, em termos de consequencias negativas para a vítima, o preconceito contra a classe média me parece bem fraco, se comparado aos preconceitos raciais ou contra os pobres.

o que eu acho mais interessante, é que as pessoas com maior preconceito contra classe média que conheci eram da classe média.

talvez seja só coincidência, mas as pessoas mais ricas que conheci na minha vida foram as menos preconceituosas, em todos os sentidos.

enfim, acho que o preconceito genérico contra "toda a classe média" é um problema bem maior para quem o pratica (normalmente gente da classe média que quer parecer mais inteligente, politizada e culta do que é;) do que para quem sofre.

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 14:59



Comentário de: Lucélia

A FGV tem como referência a faixa de renda familiar entre R$ 1.061,00 e R$ 4.591,00 para definir o ingresso na classe média, concluindo que esta representava 44% da população em 2002 e representa, agora, 52%.

Porém o que pouca gente sabe, é que a FGV considera apenas as 06 capitais brasileiras mais populosas (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre), que representam APENAS 2/3 do PIB. O critério usado pela FGV foi a RENDA FAMILIAR TOTAL e não a renda familiar per capita (por cabeça)como faz o IPEA. Então, meus caros, se sua família é composta de 02 pessoas que ganham, no total R$1.200,00 (R$600,00 por cabeça), vocês são jogados no mesmo balaio daquela família que ganha R$4.500,00 e que também é composta de apenas 02 pessoas.

O engraçado é que antes de 2002 o critério utilizado era o do IPEA (renda per capita) e não este aí da FGV (renda por família). E o mais engraçado é que na hora de classificar miseráveis a FGV usa o critério da ONU. Ou seja, miserável é quem vive com menos de U$1,00 por dia.

Segundo o IBGE o salário médio mensal caiu 4,4% em 05 anos (2000 a 2005). Se isso aconteceu, como é possível que os pobres tenham ascendido à classe média, se no período apurado a renda diminuiu?
Veja que estamos considerando apenas o fator renda e nestas pesquisas (IBGE, FGV e IPEA) não foi considerado o poder de compra, que aumentou devido a facilidade do crédito até 2008 (antes da crise mundial).

Pra completar essa salada vale lembrar que o DIEESE considera o valor de R$2.014,73 o salário mínimo ideal para suprir todas as necessidades da pessoa (moradia, saúde, lazer, educação...). Aquilo lá que consta na Constituição.

Ou seja, tudo não passa de uma farsa do governo pra enganar trouxa.

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 15:24



Comentário de: Kitagawa

Coisa que de fato existe é o preconceito de classe, que perpassa todas as classes. Nem sempre se trata exatamente de um preconceito, pois se baseia naquilo que de fato define cada classe: a renda. A partir daí, claro, abre-se uma gama enorme de potenciais preconceitos, como o rico achar que um sujeito, por ser de classe média, não sabe se portar adequadamente em ambientes finos, e por aí vai.
No caso do Alex, o preconceito do qual ele poderia ser acusado é a presunção de que um sujeito, por ser de classe média, é alinhado a certa linha de pensamento retrógrado, conservador. Na verdade, ele faz uma generalização, quase uma caricatura, que na prática não traz consequencias sérias pra ninguém. Eu sou de classe média, não me incluo nessa generalização do Alex, mas não me sinto ofendido, e sei muito bem que mesmo que alguém me julgue um reacionario por ser de classe média, isso não me trará consequencias mais sérias. Ao contrário de outros tipos de preconceitos que trazem consequencias serias para as vitimas no nivel da vida concreta, preconceitos que injustamente as marginalizam, as humilham, as privam de direitos fundamentais, fulminam sua auto estima, cerram oportunidades de ascender socialmente, e a todo momento criam obstáculo para uma existencia autonoma como qualquer pessoa branca heterossexual tem o privilégio de usufruir.

Enfim, Nobre, essa é a diferença, a diferença são as consequencias. Ofensivo é vc dizer que quem mais sofre com o racismo é o proprio racista. E as vitimas não sofrem? Quer trocar de lugar? Sua vida seria a mesma se vc tivesse pele escura?

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 15:50



Comentário de: Amora

Gente, só um aparte... esse tal de Kitagawa escreve tão bem! Dá gosto ver como ele desenvolve sua linha de raciocínio, de uma maneira tão sucinta, tão acertada... Tô virando fã!

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 16:35



Comentário de: Alex Castro Email

eu escrevo esse blog só pra saber o que o Kitagawa vai dizer.

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 16:54



Comentário de: aiaiai

Alex,
segundo a lucelia não existe preconceito e nem classe média, é tudo invenção do lula
kkkkkkkkkkkkkkkkk
Portanto, suas perguntas não tem sentido
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 17:00



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com/

"Já se sentiu vítima de preconceito e discriminação por ser da classe média?"
Muitas vezes. Por pessoas acima e abaixo de mim.

"Como foi isso? De quem partiu essa agressão?"
Por exemplo, meu primeiro emprego, aos 14, foi pacoteiro de supermercado. Sou o 3° de 6 filhos; meu pai tinha um bom emprego, mas 35 anos atrás não era como agora. Nunca tive mesada, mas morava numa casa grande, meu pai tinha carro grande, &c, mas o dinheiro não dava. Ele queria q eu "começasse por baixo" e já ganhasse uma graninha. Qdo abriu um grande supermercado a ~1km de casa, tirei carteira profissional e peguei o emprego. Trabalhei lá 3-4 meses (depois fui ser office-boy por 2-3 anos). Uma vez, no refeitório do supermercado, conversando com os outros pacoteiros sobre dinheiro (ie, gojetas e salários), um deles disse, falando de mim: "Esse cara é mais rico do q nós." Ele sabia onde eu morava (não vá tirando conclusões: era uma das quatro únicas casas numa rua de terra, com mato ao lado e à frente). Comecei a entender por que alguns outros meninos de minha idade me olhavam feio e às vezes queriam puxar briga. Eu era mais alto, e sempre q um vinha me chutar a canela, eu simplesmente pegava o cara pelos ombros, dava uma rasteira e o depositava no chão. Claro, não acho q a animosidae era só pq eu era "mais rico" do q eles; com certeza, meu jeito de ser era diferente do deles: eu não fazia parte daquele grupo.

"Como isso afetou negativamente a sua vida?"
The scales fell from my eyes. Não sei se isso foi negativo ou positivo. Essa ocasião foi uma dentre muitas q foi aos poucos me convencendo de q não existe comunicação possível entre pessoas de classes diferentes. É por isso q, em público, se conversa tanto de futebol. Depois de várias situações bastante parecidas, desisti. Não há amizade possível. Vc escreveu um livro sobre a possibilidade de amizade entre um homem e uma mulher. Essa é fácil. Descubra um jeito de criar uma amizade duradoura entre pessoas de classes diferentes e vc ganha o Nobel. Acho q só na internet.

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 18:54



Comentário de: Vanessa · http://www.vanprates.blogspot.com

Aiaiai,

Pior que a Lucélia só o Golgo, que está todinho se sentindo vítima de preconceito.
Ô, Alex, tu não tem rédeas nos dedos, pô. Seu preconceituoso!

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 20:38



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Alex.

Não que você não saiba o que é classe média por qualquer critério estatístico. Aliás, mesmo que não soubesse um pesquisada no Google seria suficiente.

A questão é que você coloca a classe média em seus textos como opressora e outros grupos (muitos dos quais também classe média) como oprimidos. E destila ironia contra esses supostos opressores, como se eles devessem algo ao grupo de oprimidos. Além disso, você acaba tomando como exemplo seu círculo social (moda de uma amostra pouco representativa) para descrever os bens e comportamentos do que você denomina classe média.

E sempre que leio seus exemplos, acho que vivo em outro planeta, ou que você vive. Talvez porque o meu círculo social classe média do interior de São Paulo seja mesmo de um planeta diferente do círculo social do Alex classe alta do Rio de Janeiro.

O que eu entendo dos seus textos sobre esse assunto é: a nossa classe média é opressora e tem valores que contribuem com essa opressão e por isso devem alguma coisa aos supostos oprimidos.

É o tipo de discurso que eu rejeito, pois ao meu ver é irrealista e impreciso.

E se você não odeia a classe média (peguei pesado), é certo que também não simpatiza com a mesma.

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 20:56



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Lola
Eu trabalho com pesquisa de mercado, além de já ter usado o critério em trabalhos acadêmicos e posso afirmar: os critérios que contam mais pontos (número de carros, de banheiros e grau de instrução do chefe de família) acabam sim colocando a pessoa em uma classe social que bate com a renda dela. Nem precisaria contar DVD, geladeira, essas coisas, para diferenciar alguém da classe C de alguém da classe A.

No mais, a metodologia usada é bastante criteriosa. Antes de decidirem o que ser levado em conta, o pessoal da ABEP faz um levantamento de bens de consumo de diversas famílias nas principais regiões metropolitanas do país. E a renda de cada classe modifica-se por estado, mesmo dentro desse critério.

Ou seja, mesmo que você ache o critério estranho, matematicamente ele é bastante compreensível. É baseado em dados e nos bens considerados relevantes.

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 21:02



Comentário de: Glauber Kist

Kitagawa falou tudo, acabou a discussão. Voltem todos para suas casas.

heheh

E eu só venho nesse blog para ler o que o Kitagawa diz :)

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 21:32



Comentário de: alex castro

Além disso, você acaba tomando como exemplo seu círculo social (moda de uma amostra pouco representativa) para descrever os bens e comportamentos do que você denomina classe média. ... círculo social do Alex classe alta do Rio de Janeiro.

nao, carol, qd eu falo de classe media, eu quero dizer classe media. quando falo de classe alta, eu quero dizer classe alta. tem varios e varios posts onde eu faco essa distincao claramente, demonstrando que eu estou sempre considerando e pensando isso a questao da amostragem.

ver, por exemplo, esse post abaixo e todos da serie sobre privilegios:

http://www.interney.net/blogs/lll/2009/10/22/machismo_e_economia/

E se você não odeia a classe média (peguei pesado), é certo que também não simpatiza com a mesma.

hhahahaha, nao simpatizo com a classe media as apposed to what? com quem eu simpatizo? alguem jah viu post aqui defendendo que pobre eh santo, q pobre eh lindo, etc, ou defendendo os ricos? eu hein. simpatizo ou dessimpatizo com todos igualmente. nossa classe media nao eh nem um pouco menos ridicula que nossos pobres ou nossos ricos.

vc eh que deve estar vestindo umas carapucas aih...

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 21:37



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Eu não afirmei que você simpatizasse com alguém. Aliás, por que precisa ser "opposed to" qualquer coisa?

E, de fato, eu acho que me encaixo em alguns desses esteriótipos criticados pelos que falam mal desse grupo "classe média". Não estou me referindo diretamente a você ou ao blog classe media (onde entrei uma só vez).

Tenho algumas opiniões que muitos que "amam odiar" a classe média ridicularizam e essas opiniões não são pautadas em "preconceito" ou "elitismo".

So?

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 21:46



Comentário de: Jr Punketone

esse eu vou tentar responder no seu estilo, Alex:
1) o que é classe média? vamos usar como base a teoria defasada do IBGE, calcada em bens de consumo, faixa salarial da família e coisas do tipo?
2) minha resposta às suas perguntas: digamos que classe média é uma média entre o topo e a base da sociedade, grosso modo... então que tal a resposta mais simples possível? Ou seja, a classe média sofre um tipo de preconceito mediano, advindo, em média, de pessoas da mesma classe e que, em média, afeta as vidas do agressor e da vítima de forma mediana. Esta agressão é resolvida através de soluções medianas condizentes com os valores médios sustentados pela classe média. Desta maneira, em média, procura-se a definição de um equilíbrio médio que mantenha o agressor e a vítima integrados à uma sociedade "médiamente" organizada.

Até!

PermalinkPermalink 04.11.09 @ 21:49



Comentário de: João Ricardo · http://berimbeat.wordpress.com

Outra coisa que sempre falam por aí é que a classe média é formadora de opinião.

Classe média forma opinião de quem? Só se for do Jorge Nobre

PermalinkPermalink 05.11.09 @ 00:08



Comentário de: B473m4

1)Sim, e começou simplesmente porque a classe (em uma grande maioria) tem preconceitos com quase todas as minorias.
Aliás, pelo que entendi do seu eu-lírico nos teus posts você é uma das exceções nisso.
Geralmente quem é de classe média pensa que preto é sinônimo de bandido/favelado (sim, porque favelado pra quem é da classe é sinõnimo de bandido também u_____u)

2) Posso ser considerado de classe média, mas nunca sofri preconceito não, até porque eu não costumo me misturar com o povo do meu padrão, porque esse povo me acha comuna por ser feminista D: (taí outro tipo de gente que eles costumam odiar)
E por ser admirador da filosofia anarquista então... xD

E eu achei curiosa essa inversão de preconceitos, afinal quem é do padrão, quem é privilegiado aqui é da classe, e portanto de quem originalmente partem os preconceitos. As minorias praticamente só sabem ser discriminadas e discriminar outras minorias.

Eu, por ser homem branco hétero de classe média, sou visto como alguém "normal" enquanto que uma pessoa fora desse padrão é... bem, não é, simplesmente.

PermalinkPermalink 05.11.09 @ 08:54



Comentário de: Lucélia

Para ai.ai.ai...

Em momento algum eu disse que não existe classe média. Como também NÃO DISSE que não existe preconceito.Pelo contrário. Você peca na interpretação do português mais básico.

O que eu disse, e reafirmo, é que o critério que a FGV usa para classificar a classe média é irreal e impreciso. Existe sim uma classe média, que pode ser definida por seu poder de consumo,seus hábitos, costumes e até pelo seu pensamento pequeno-burguês (desculpe, eu não resistí ao uso desse termo).

Quanto ao governo Lula (incluindo seus aliados), é bastante tendencioso ao divulgar dados que maquiam a real situação econômica do país. Ou você acha que todos aqueles índices de desemprego, aumento da renda e escolaridade são mesmo reais? Você acredita no que vê no Jornal Nacional? Aff!

PermalinkPermalink 05.11.09 @ 08:59



Comentário de: cris · http://quitanda2008.wordpress.com

reitero o que a amora falou sobre o kitagawa, ai ai.

PermalinkPermalink 05.11.09 @ 09:57



Comentário de: Transeunte

Ora vejam só, Kitagawa arrasando corações hehehe


“A partir daí, claro, abre-se uma gama enorme de potenciais preconceitos, como o rico achar que um sujeito, por ser de classe média, não sabe se portar adequadamente em ambientes finos, e por aí vai.”

Como esse mundo é engraçado... li o que você escreveu bem depois de ter lido isso:
“Geysi é uma garota pobre, da periferia de Diadema. Trabalha, ou trabalhava, num mercadinho do bairro. É visível que não tem grande traquejo social. Nota-se isso na sua fala, na sua gramática.”

Parece que casa com o que você disse ein? Tirei daqui ó:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/de-homens-e-chimpanzes/

Obs: Por sinal, alguém sabe como faço para “esconder” um link como uma palavra? Tipo como faz o Alex no meio dos artigos...

PermalinkPermalink 05.11.09 @ 16:45



Comentário de: Julia · http://innuendoblues.blogspot.com/

Se classe média só ganha até 5000 reais (me surpreendi, achei que era bem mais - uns 10, pelo menos), eu conheço pouquíssimas pessoas de classe média. O resto é classe alta mesmo.

As pessoas têm uma ânsia por se colocarem no meio. Vejo mais gente rica dizendo que é classe média do que gente pobre dizendo que é classe média. Conheço uma guria que só a mãe dela já ganha 4800, o pai dela é concursado e deve ganhar mais uns 5000 FÁCIL, totlizando quase dez mil reais - o que pra mim é um absurdo de muito dinheiro, tô falando sério. No entanto, ela se irrita horrores se alguém menciona que ela tem muita grana, só que... sei lá... como é que eu digo... pô, você tem muita grana. Você pode comprar o que bem entende e preço nunca te impediu te fazer nada. É tão difícil simplesmente dizer "sim, eu tenho dinheiro e só tô pedindo pra tu pagar de mim de calhordagem mesmo"? Pra que insistir na propaganda? Não entendo, honestamente. Fingir que não tem dinheiro só faz com que as pessoas pensem "ah tá, só o teu sapato e a tua calça já pagam os meus estudos por dois meses". Se a consciência da pessoa pesa tanto assim, mentir que é "classe média" realmente a alivia?

Enfim. A classe média que está representada no classemedialifestyle (adorei, aliás) é bem diferente da classe média do IBGE, pra mim. Minha mãe ganha 3400 reais, sustenta sozinha quatro pessoas, e nós vivemos muito bem, obrigada, sem problema algum (pô, eu realmente acho que 3400 é um dinheiro fantástico e se eu chegar a ganhar isso quando morar sozinha com o marido vou ficar bem contente, palavra); e mesmo assim não temos como comprar um super carro (sequer temos) ou coisas assim. E preconceito por estar nessa classe eu creio que nunca sofri; não estou considerando que seja um preconceito, propriamente dizendo, quando alguém fica "ai, caralho, você é rica" porque isso não me ofende, apenas não é verdade e eu posso lidar com essa "ofensa". Acho difícil que alguém da classe-alta-que-se-diz-média (5000 pra cima) também tenha sofrido um preconceito que se diferisse muito de "ah, que é que tu sabe, tu é rico", e dar a essa frase a qualidade de preconceito é desconsiderar tudo que isso pode significar: por que alguém desconsidera a opinião de uma pessoa rica? Tem base isso? etc. Não sei. Estou escrevendo bem conforme vou pensando no assunto e acho que não estou respondendo às perguntas, mas elucidando como penso que funciona.

Resumindo: não creio que a classe média sofra um preconceito tão prejudicial assim. A coisa mais prejudicial é quando confundem a classe média com gente que parece cagar dinheiro, e mesmo isso não sei se é tão preocupante quanto confundirem pessoas pobres com pessoas de classe média e pensarem "ah, eles têm dinheiro, danem-se".

PermalinkPermalink 05.11.09 @ 20:46



Comentário de: Te

Kitagawa tranquilo e infalível como Bruce Lee!

PermalinkPermalink 05.11.09 @ 20:53



Comentário de: Te

Marcio Gonçalves, foi na Folha que saiu uma reportagem onde foram até Vila Kennedy (nos cafundós do Rio de Janeiro, um lugar feio pra caramba parecido com a periferia paulistana) e disseram a alguns moradores que eles eram considerados de classe média pela FGV. Eles discordaram respondendo mais ou menos assim: "Classe média eu? Moro num bairro sem lazer, sem transporte público decente. Só por que ganho R$1.500 e tenho máquina de lavar e televisão em casa?". E a reportagem teorizou que as pessoas tem em mente a classe média americana, que mora em subúrbios impecáveis com belas casas de dois andares.

Dava um estudo antropológico: como as pessoas reagem à definição alheia da classe social a que pertencem. Os moradores da Vila Kennedy, os ricos.

PermalinkPermalink 05.11.09 @ 21:18



Comentário de: João

Não tem nada a ver com o assunto, mas gostaria muito de ouvir seus pensamentos sobre a questão proposta pelo Eden Wiedemann aqui: http://www.umpassinhoafrente.com.br/2009/11/03/ladro-tem-mais-que-apanhar-feito-tapete-sujo/#comments

PermalinkPermalink 06.11.09 @ 16:18



Comentário de: Nch

Claro que tem, e acho que há principalmente duas correntes: a dos esquerdistas, que acham que as pessoas da classe média são "vendidas", deslumbradas, que desprezam os pobres. (O que no Brasil chamam de burguesia não é outra coisa que a classe média bem de vida. Os ricos recebem outros nomes: elite, socialites, baronato, etc...)

E a da própria classe média. É raro encontrar uma pessoa que não adoooore desprezar jovens de classe média, por exemplo. É sempre aquele papo do playboyzinho que não precisa trabalhar ou do garoto mimado de apartamento, que aqui em Curitiba chamam de piá de prédio. Muitos dos comentários anteriores mostram isso.

Ou então, a pessoa quer se mostrar mais distinta, mais culta do que a média e refere-se à classe média pra tratar da mentalidade ordinária das pessoas comuns.

PermalinkPermalink 06.11.09 @ 19:17



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Kitagawa:

"No caso do Alex, o preconceito do qual ele poderia ser acusado é a presunção de que um sujeito, por ser de classe média, é alinhado a certa linha de pensamento retrógrado, conservador. Na verdade, ele faz uma generalização, quase uma caricatura, que na prática não traz consequencias sérias pra ninguém." (Kitagawa)

Ninguém quem, cara-amarela?

Achas pouca coisa que um conjunto de opiniões e posições políticas sejam ridicularizadas e descartadas como ilegítimas sem avaliação de mérito pelo simples fato de serem rotuladas como "classe média", "pequeno-burguesas" ou similares?

Tinha que ser coisa de negão... ops, de classe média... ops, de japonês...

[Aviso Anti-Aporrinhação (também conhecido como "disclaimer"): a última frase acima pretende ilustrar o argumento anterior demonstrando que toda generalização deste tipo é ofensiva e inadeuqada. Mas é óbvio que sempre vai aparecer quem diga que "não é a mesma coisa" e que o seu preconceito é válido, enquanto o dos outros não é.]

[OBS: tá ficando chato ter que dizer o óbvio para poder conversar com a turma do esquerdofilautoritariamente correto...]

PermalinkPermalink 07.11.09 @ 14:28



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Vanessa::

"Pior que a Lucélia só o Golgo, que está todinho se sentindo vítima de preconceito." (Vanessa)

Por que tu não vais ridicularizar os negros que se sentem vítimas de preconceito?

Só é respeitável enquanto vítima de preconceito aquela vítima do preconceito que tu avalizas?

Se tu achas que os negros são vítimas de preconceito, então esse é realmente um problema válido, mas se tu achas que os classe média não são vítimas de preconceito, então quando eles reclamam é frescura deles?

Hmmm... muito justo... "meu umbigo e meus valores são o centro do mundo, eu que decido qual vítima pode se queixar ou não conforme minha visão de mundo".

Arrã.

PermalinkPermalink 07.11.09 @ 14:39



Comentário de: Vanessa · http://www.vanprates.blogspot.com

Golgo,

A opressão é dada em cima deles(negros), não em cima de brancos, não em cima de classe-média...

não existe preconceito inverso. quer dizer, não tem o mesmo sentido.

'preconceitos dirigidos a minoria são bastante diferentes daquelas de preconceitos dirigidos a grupos dominantes pelas minorias, em geral como auto-defesa [...]

'além disso, têm a prerrogativa, em função de sua condição como membros do grupo racialmente dominante, de pleitear garantias'

- o que é preconceito?
dicionário de sociologia, allan johnson.

PermalinkPermalink 07.11.09 @ 19:14



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Vanessa:

Reafirmar tua posição e citar quem pensa igual não responde meus questionamentos:

Só é respeitável enquanto vítima de preconceito aquela vítima do preconceito que tu avalizas?

Se tu achas que os negros são vítimas de preconceito, então esse é realmente um problema válido, mas se tu achas que os classe média não são vítimas de preconceito, então quando eles reclamam é frescura deles?

Quem decide se está sofrendo ou não... não é a vítima?

Outra coisa:

"'preconceitos dirigidos a minoria são bastante diferentes daquelas de preconceitos dirigidos a grupos dominantes pelas minorias, em geral como auto-defesa [...]"

Segundo os dados do IBGE, as mulheres são maioria no Brasil. Que bom que existe base sociológica sólida segundo tua citação para deixar claro de uma vez por todas que quem busca vantagens indevidas são as feministas, pois requerem privilégios para a maioria!

:)


PermalinkPermalink 08.11.09 @ 00:13



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Touché, feministas! :)

PermalinkPermalink 08.11.09 @ 00:14



Comentário de: Vanessa · http://www.vanprates.blogspot.com

não leve a palavra 'minoria' tão ao pé da letra...

não é minoria em relação a números, Golgo

;)


PermalinkPermalink 08.11.09 @ 01:32



Comentário de: mani · http://www.manamani.wordpress.com

alex, no meio de uma conversa por email uma amiga comentou que você está escrevendo um livro sobre empregadas domésticas.eu tenho algumas coisas a dizer sobre o assunto, se vc se interessar.

PermalinkPermalink 08.11.09 @ 07:55



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Vanessa:

Quando interessa, vale o conceito. Quando não interessa, não é bem assim. Feministas e teóricos do "racismo estrutural" sempre tem uma maneira ad hoc de explicar o inexplicável, justificar o injustificável, dizer que o igual é diferente e o diferente é igual...

PermalinkPermalink 09.11.09 @ 04:03



Comentário de: Norman Chap · http://normanchap.wordpress.com

O preconceito, para ser preconceito, não precisa oprimir ou causar prejuízo àquele que é alvo dela. Dizer que japonês é bom em matemática, p. ex., é um preconceito. E ponto.

PermalinkPermalink 10.11.09 @ 00:34



Comentário de: Carolina

Eu não sei exatamente o que é classe média. Sempre tem preconceito das classes mais altas com as mais baixas. Esse preconceito contra a classe média é da claase "alta" ou da própria média? Se for da alta é natural, as coisas são assim mesmo. Se for da própria média é apenas estranho.

PermalinkPermalink 10.11.09 @ 12:17



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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
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  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
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  • 45. Nabuco, Joaquim. Minha Formação. [Brasil, 1899] Jul.
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