Há uma coisa que nunca falha: quem é muito contra certos preconceitos acaba sempre adotando outros, tão ruins ou piores. Eu diria mesmo que quanto mais dedicação contra alguns preconceitos mais facilmente você adota outros. Quase se pode dizer quando seus novos preconceitos começam: é quando você faz ou diz uma grande merda sem perceber, apenas por preconceito.
Uma grande merda é o que vi no blog do Alex Castro, sobre Júlio Severo. ... O Júlio Severo não é católico. É até anti. Não se trata de rotular. Trata-se de pesquisar e constatar. O Alex chamou Júlio de católico – ou melhor, chamou o blog do Júlio de “site católico”. Por que o Alex fez isso? É que o Alex tem preconceito social (contra a classe “mérdia”), religioso (contra os cristãos em geral e contra católicos em particular) e ideológico (contra conservadores). O Alex debate muito contra conservadores de classe “mérdia” sobre os preconceitos contra negros, mulheres e gays. Daí, ele acha que quem discorda dele sobre preconceito são católicos conservadores de classe “mérdia”. O que é preconceito…
É quase a mesma coisa que um policial suspeitar mais dos negros que dos brancos – já que topa mais com bandidos negros que com bandidos brancos. Quase. Quase porque é pior: um tira muitas vezes não tem como eliminar a suspeita sem pelo menos revistar o negro, mas ao Alex bastava 5 minutos de Google para saber a religião do Júlio. Se o Alex estivesse mesmo interessado em conhecer o assunto de que fala, em vez de simplesmente rotular quem discorda dele.
Os preconceitos religioso, social e ideológico também são piores que os preconceitos raciais e sexuais por outro motivo: no primeiro caso, o preconceituoso tem orgulho de sua ideologia, religião (ou falta de) e classe e tem prazer em depreciar os demais. No segundo, há muita vergonha nesses preconceitos. Racistas e, principalmente, homofóbicos sofrem muito por não poderem agir com naturalidade com negros e gays. E isso nem é pela patrulha politicamente correta: é muitas vezes um caso de atração ou identificação reprimida. Muitos racistas têm sangue negro e se envergonham disso. Muitos homofóbicos são gays reprimidos. E por isso sofrem mais do que pela patrulha politicamente correta, que na verdade é uma boa desculpa para eles justificarem e manterem seus preconceitos: Eu até acho que eles sofreriam mais, se deixados em paz. É da natureza: quem tem preconceito racial ou sexual, sofre. Quem tem preconceito religioso, social e ideológico faz sofrer aos outros.
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Nunca li Dawkins, que sempre me pareceu um ateu militante, algo que desprezo um pouco, mas Freud em O Futuro de uma Ilusão já falou tudo o que eu sempre quis dizer sobre religião.
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O texto acima foi publicado no blog do Jorge Nobre. Por enquanto, há dois comentários, ambos comentados pelo Jorge, abaixo:
Fabio Marton disse: "Você quer saber, acho que o preconceito não é com católico, é com evangélico. O Alex vê um conservador religioso sendo levado mais ou menos a sério, e escrevendo mais ou menos articuladamente, não consegue imaginar que o cara não seja católico."
Resposta do Jorge: É uma hipotese. Bem, o fato é que o Alex deveria se informar melhor um pouco antes de sair por aí rotulando. E nem custava muita coisa, só alguns minutos de google. Note que eu nem entrei no mérito do Júlio ter dito ou não besteira, porque eu não tive tempo de ler os links que o Alex escolheu. Talvez eu faça isso logo.
Tiago disse: "Ele já se tornou ridículo há muito tempo."
Resposta do Jorge: "Eu não o levo a sério, de qualquer forma. Escrevo no blog dele para me divertir."
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As duas melhores Bíblias em português, de Jerusalém e do Peregrino. Disparado. Recomendo. Amo as duas e carrego pra onde vou.
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E fiquei aqui pensando: tirando os absurdos cômicos do texto, o Jorge levantou um ponto interessante. Fiz o post meio nas coxas, juntando links e citações basicamente pra encher linguiça no blog sem não precisar escrever, e presumi rapidamente que Júlio Severo fosse católico. E não era. Hmm.
E, depois disso, o Fábio (vulgo NotTupy) matou a charada. Fui educado em escola e universidade católicas. Li a Bíblia de cabo a rabo três vezes, em duas edições de estudo católicas (Jerusalém e Peregrino). Já conversei longamente sobre exegêse e literatura bíblica com pensadores, teólogos e literatos bíblicos que respeito muito e que me respeitam: mas todos ou católicos ou judeus. Minhas experiências tentando ter as mesmas conversas com protestante foram sempre desastrosas.
Então, realmente, sou forçado a concordar: se vejo um cristão minimamente articulado e não enlouquecido, presumo que seja católico.
Pra não falar, claro, do maior de todos os preconceitos, sempre latente e raramente articulado, que só admito com alguma hesitação: tirando pessoas de outras épocas que viviam em outros contextos, de fato não dá pra respeitar intelectualmente, de verdade, com admiração inexpurgada, alguém que acredite em amigos imaginários. A gente respeita, gosta, ama, conversa, transa, mas sempre dando aquele desconto, fazendo aquela ressalva mental:
Sim, ele garante que as ações vão subir, mas vamos lembrar que esse é um cara que, se pegar câncer, vai implorar pra ser curado pelo mesmo amigo imaginário que liberou o Holocausto, a Escravidão e a Peste Bubônica. Hmmm.
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Apesar do que dizem as más línguas, Idelber e eu discordamos em quase tudo. Mas teve uma frase que ele escreveu que foi tão linda, tão catártica, que me deu vontade de aplaudir aqui sozinho em casa, cheguei a levantar o punho e fazer "yesss!". A frase em si não tem nada de mais: poderia ter sido dita por qualquer adolescente raivosinho. O que importa é o contexto. Pra ler o texto inteiro, cliquem na frase:
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Dito isso, sou ateu (leia a Prisão Religião) e a Bíblia é meu livro preferido (A Bíblia como Literatura). Leia também: Pessoas-que-Acreditam-em-Coisas.

Esse é o melhor livro para quem quer ler a Bíblia como literatura, e não como aquele livro chato que Tia Candinha sempre carrega pra cima e baixo. Depois desse Guia, você nunca mais vai encarar a Bíblia do mesmo jeito.
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