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Nosso Racismo É Um Crime Perfeito: Kabengele Munanga

Racismo LLLHoje, tinha outro post, sobre o ódio da classe mérdia ao Lula e talz, mas já que ontem dei voz ao alucinado do Magnoli, achei que hoje era justo dar voz ao seu oposto. Kabengele Munanga, professor da USP, estudioso do racismo, imigrante africano que buscou asilo e cidadania em nosso país, deu essa belíssima entrevista à Revista Fórum. Abaixo, alguns trechos:

Meus filhos estudaram em escola particular, Colégio Equipe, onde estudavam filhos de alguns colegas professores. Eu não ia buscá-los na escola, e quando saíam para tomar ônibus e voltar para casa com alguns colegas que eram brancos, eles eram os únicos a ser revistados. No entanto, a condição social era a mesma e estudavam no mesmo colégio. Por que só eles podiam ser suspeitos e revistados pela polícia? Essa situação eu não posso contar quantas vezes vi acontecer. Lembro que meu filho mais velho, que hoje é ator, quando comprou o primeiro carro dele, não sei quantas vezes ele foi parado pela polícia. Sempre apontando a arma para ele para mostrar o documento. Ele foi instruído para não discutir e dizer que os documentos estão no porta-luvas, senão podem pensar que ele vai sacar uma arma. Na realidade, era suspeito de ser ladrão do próprio carro que ele comprou com o trabalho dele. Meus filhos até hoje não saem de casa para atravessar a rua sem documento. São adultos e criaram esse hábito, porque até você provar que não é ladrão... A geografia do seu corpo não indica isso. ...Gota de Sangue, Uma: História do Pensamento Racial

Nos EUA era mais fácil porque começava pelas leis. A primeira reivindicação: o fim das leis racistas. Depois, se luta para implementar políticas públicas que busquem a promoção da igualdade racial. Aqui é mais difícil, porque não tinha lei nem pra discriminar, nem pra proteger. As leis pra proteger estão na nova Constituição que diz que o racismo é um crime inafiançável. Antes disso tinha a lei Afonso Arinos, de 1951. De acordo com essa lei, a prática do racismo não era um crime, era uma contravenção. A população negra e indígena viveu muito tempo sem leis nem para discriminar nem para proteger. ...

Além do mais, o critério de cota no Brasil é diferente dos EUA. Nos EUA, começaram com um critério fixo e nato. Basta você nascer negro. No Brasil não. Se a gente analisar a história, com exceção da UnB, que tem suas razões, em todas as universidades brasileiras que entraram pelo critério das cotas, usaram o critério étnico-racial combinado com o critério econômico. O ponto de partida é a escola pública. Nos EUA não foi isso. Só que a imprensa não quer enxergar, todo mundo quer dizer que cota é simplesmente racial. Não é. Isso é mentira, tem que ver como funciona em todas as universidades. É necessário fazer um certo controle, senão não adianta aplicar as cotas. No entanto, se mantém a ideia de que, pelas pesquisas quantitativas, do IBGE, do Ipea, dos índices do Pnud, mostram que o abismo em matéria de educação entre negros e brancos é muito grande. Se a gente considerar isso então tem que ter uma política de mudança. É nesse sentido que se defende uma política de cotas.

O racismo é cotidiano na sociedade brasileira. As pessoas que estão contra cotas pensam como se o racismo não tivesse existido na sociedade, não estivesse criando vítimas. Se alguém comprovar que não tem mais racismo no Brasil, não devemos mais falar em cotas para negros. Deveríamos falar só de classes sociais. Mas como o racismo ainda existe, então não há como você tratar igualmente as pessoas que são vítimas de racismo e da questão econômica em relação àquelas que não sofrem esse tipo de preconceito. A própria pesquisa do IPEA mostra que se não mudar esse quadro, os negros vão levar muitos e muitos anos para chegar aonde estão os brancos em matéria de educação. Os que são contra cotas ainda dão o argumento de que qualquer política de diferença por parte do governo no Brasil seria uma política de reconhecimento das raças e isso seria um retrocesso, que teríamos conflitos, como os que aconteciam nos EUA.

Fórum - Que é o argumento do Demétrio Magnoli.

Kabengele - Isso é muito falso, porque já temos a experiência, alguns falam de mais de 70 universidades públicas, outros falam em 80. Já ouviu falar de conflitos raciais em algum lugar, linchamentos raciais? Não existe. É claro que houve manifestações numa universidade ou outra, umas pichações, "negro, volta pra senzala". Mas isso não se caracteriza como conflito racial. Isso é uma maneira de horrorizar a população, projetar conflitos que na realidade não vão existir. ...

Cada vez que se toca nas políticas concretas de mudança, vem um discurso. Mas você não resolve os problemas sociais somente com a retórica. Quanto tempo se fala da qualidade da escola pública? Estou aqui no Brasil há 34 anos. Desde que cheguei aqui, a escola pública mudou em algum lugar? Não, mas o discurso continua. "Ah, é só mudar a escola pública." Os mesmos que dizem isso colocam os seus filhos na escola particular e sabem que a escola pública é ruim. Poderiam eles, como autoridades, dar melhor exemplo e colocar os filhos deles em escola pública e lutar pelas leis, bom salário para os educadores, laboratórios, segurança. Mas a coisa só fica no nível da retórica. Rediscutindo a Mestiçagem no Brasil

E tem esse argumento legalista, "porque a cota é uma inconstitucionalidade, porque não há racismo no Brasil". Há juristas que dizem que a igualdade da qual fala a Constituição é uma igualdade formal, mas tem a igualdade material. É essa igualdade material que é visada pelas políticas de ação afirmativa. Não basta dizer que somos todos iguais. Isso é importante, mas você tem que dar os meios e isso se faz com as políticas públicas. Muitos disseram que as cotas nas universidades iriam atingir a excelência universitária. Está comprovado que os alunos cotistas tiveram um rendimento igual ou superior aos outros. Então a excelência não foi prejudicada. Aliás, é curioso falar de mérito como se nosso vestibular fosse exemplo de democracia e de mérito. Mérito significa simplesmente que você coloca como ponto de partida as pessoas no mesmo nível. Quando as pessoas não são iguais, não se pode colocar no ponto de partida para concorrer igualmente. É como você pegar uma pessoa com um fusquinha e outro com um Mercedes, colocar na mesma linha de partida e ver qual o carro mais veloz. O aluno que vem da escola pública, da periferia, de péssima qualidade, e o aluno que vem de escola particular de boa qualidade, partindo do mesmo ponto, é claro que os que vêm de uma boa escola vão ter uma nota superior. Se um aluno que vem de um Pueri Domus, Liceu Pasteur, tira nota 8, esse que vem da periferia e tirou nota 5 teve uma caminhada muito longa. Essa nota 5 pode ser mais significativa do que a nota 7 ou 8. Dando oportunidade ao aluno, ele não vai decepcionar.Racismo LLL

Foi isso que aconteceu, deram oportunidade. As cotas são aplicadas desde 2003. Nestes sete anos, quantos jovens beneficiados pelas cotas terminaram o curso universitário e quantos anos o Brasil levaria para formar o tanto de negros sem cotas? Talvez 20 ou mais. Isso são coisas concretas para as quais as pessoas fecham os olhos. ...

O racismo é uma ideologia. A ideologia só pode ser reproduzida se as próprias vítimas aceitam, a introjetam, naturalizam essa ideologia. Além das próprias vítimas, outros cidadãos também, que discriminam e acham que são superiores aos outros, que têm direito de ocupar os melhores lugares na sociedade. Se não reunir essas duas condições, o racismo não pode ser reproduzido como ideologia, mas toda educação que nós recebemos é para poder reproduzi-la.

Há negros que introduziram isso, que alienaram sua humanidade, que acham que são mesmo inferiores e o branco tem todo o direito de ocupar os postos de comando. Como também tem os brancos que introjetaram isso e acham mesmo que são superiores por natureza. Mas para você lutar contra essa ideia não bastam as leis, que são repressivas, só vão punir. Tem que educar também. A educação é um instrumento muito importante de mudança de mentalidade e o brasileiro foi educado para não assumir seus preconceitos. O Florestan Fernandes dizia que um dos problemas dos brasileiros é o “preconceito de ter preconceito de ter preconceito”. O brasileiro nunca vai aceitar que é preconceituoso. Foi educado para não aceitar isso. Como se diz, na casa de enforcado não se fala de corda. ...

Quando a Folha de S. Paulo fez aquela pesquisa de opinião em 1995, perguntaram para muitos brasileiros se existe racismo no Brasil. Mais de 80% disseram que sim. Perguntaram para as mesmas pessoas: "você já discriminou alguém?". A maioria disse que não. Significa que há racismo, mas sem racistas. Ele está no ar... Como você vai combater isso? Muitas vezes o brasileiro chega a dizer ao negro que reage: "você que é complexado, o problema está na sua cabeça". Ele rejeita a culpa e coloca na própria vítima. Já ouviu falar de crime perfeito? Nosso racismo é um crime perfeito, porque a própria vítima é que é responsável pelo seu racismo, quem comentou não tem nenhum problema.

A entrevista completa é riquíssima e vale a pena ser lida. (via Bruno, via Camila)

* * *

Leia Também

- A polêmica entre Demétrio Magnoli e Kabengele MunangaRacismo LLL

* * *

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09.10.09


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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Alessandra · http://alessandrasouza.blogspot

"As pessoas que estão contra cotas pensam como se o racismo não tivesse existido na sociedade, não estivesse criando vítimas."

Porque essa mania de achar que quem é contra cotas é racista ou está com a cabeça enterrada na areia? Nunca ocorreu para esse cara que muita gente simplesmente acha essa uma forma ruim de tentar resolver o problema? Babaquice.

"Mérito significa simplesmente que você coloca como ponto de partida as pessoas no mesmo nível."

Huh, não. Eu vejo mérito como a medida do resultado, não do processo. O mérito relativo existe, e até pode ser considerado, mas não pode ser colocado acima de critérios objetivos.

"Está comprovado que os alunos cotistas tiveram um rendimento igual ou superior aos outros."

Adoraria ver essa pesquisa. Todo mundo fala isso, mas eu nunca vi um único dado sequer. Muito menos alguma informação de como a tal pesquisa foi feita e com quais critérios.

Enfim, só observando.

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 09:50



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alessandra,
Falou bem. O Brasil precisa é de dados. Preconceito é tudo aquilo q a gente pensa sem todos os dados.

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 10:14



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

“eles eram os únicos a ser revistados. No entanto, a condição social era a mesma e estudavam no mesmo colégio”
Ah sim claro, não temos como dizer que o racismo não existe porque eles (os negros) sempre são revistados em algum lugar. Um dia, eu que sou branca, entrei em uma loja de cosméticos, era uma loja muito chique e a minha roupa não ajudava muito naquela ocasião. Mas como eu tinha dinheiro para comprar caso eu quisesse, entrei mesmo assim, andei pela loja e não vi muita coisa que me interessasse. Percebi que a gerente da loja mandou um funcionário ficar atento quanto a minha presença, porque eu vestida daquela forma tão simples em uma loja tão chique, não poderia estar com boas intenções.Me senti muito humilhada,serio mesmo,me senti triste,descriminada,e adivinhem só! os meus antepassados não foram escravizados.Eu só tava com cara de pobre,é isso que acontece na verdade.Por conta das desigualdades herdadas e pelo negro ser quem mais sofre com isso ,fixou a imagem de pobre no negro,acontece que não são só os negros que são pobres,a maioria sim,mais também existe muito branco pobre que é descriminado,Isso não é racismo isso é preconceito sobre uma pessoa que aparenta ser de uma classe social desfavorecida.Ela sendo ou não,só parecer já basta.

“As pessoas que estão contra cotas pensam como se o racismo não tivesse existido na sociedade, não estivesse criando vítimas.”
Ah quer dizer que o racismo existio no passado, e ele esta criando vitimas até hoje,olha realmente pelo que vejo,vou morrer de argumentar aqui, e não vou conseguir mostrar que racismo não existe, pois vocês querem que ele exista vocês querem criar um problema para depois tentar solucioná-lo.
Eu não sou contra as cotas não, sou a favor de tudo que venha beneficiar as pessoas em geral, não sou a favor do negro, sou a favor do ser humano que sofre de alguma forma por causa de alguma coisa. E se a cota é o melhor que podemos fazer no momento, pois bem, então que façamos. Mas não é a Solução não é essa. E sim a solução é mudar a escola Publica, e só mudaremos a escola publica quando não mais existir a escola particular.

“Se alguém comprovar que não tem mais racismo no Brasil, não devemos mais falar em cotas para negros. Deveríamos falar só de classes sociais”
O racismo não existe, meu texto desde o inicio tenta provar isso, mais vocês são incrédulos ( homens de pouca fé rs´s) o que eu posso fazer?
Deveríamos mesmo falar só sobre classes sociais,a propósito deveríamos ter só uma classe social .

“““ Ah, é só mudar a escola pública.” Os mesmos que dizem isso colocam os seus filhos na escola particular e sabem que a escola pública é ruim”
Por isso eu sou contra a escola publica .

“Nosso racismo é um crime perfeito, porque a própria vítima é que é responsável pelo seu racismo, quem comentou não tem nenhum problema.”

E outra vez a velha estória:
Eu sou negro então sofro com racismo, oh Deus até quando?
Eu sou branco então sou racista, oh Deus me perdoe!

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 11:04



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Mas eu sou contra as universidades particulares, as cotas raciais só existem por conta das universidades particulares. E para o Brasil começar a dar certo é preciso acabar com a universidade particular. A universidade particular é a saúva moderna: Ou o Brasil acaba com a Universidade particular ou a universidade particular acaba com o Brasil. Temos que acabar com essas saúvas. E as cotas raciais serão nosso tamamduá! Vamos defender as cotas. Alex eu te apoio nessa!

Porque eu acho isso?... Ah vc´s já sabem!

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 11:05



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Pois é, Alex, eu sou a favor das cotas não por achar que elas vão diminuir o racismo - muito provavelmente será o contrário. Eu sou a favor das cotas por que... ah, já expliquei aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

Mas eu fico pensando: então os meninos têm que mostrar o documento a toda hora só porque são negros? oh, tadinhos!

Que grande sacrifício!

Seria bom se todos os policiais fossem negros. Provavelmente, tratariam os negros do mesmo jeito. Só que não daria para acusar a polícia de racismo.

Sabe o que fico pensando: Como o Alex (que deve detestar a maneira, digamos, "policial" de tratar os negros) consegue ser a favor do controle de armas. Isso significa que só a policia terá armas. E os negros terão que contar com a policia para se defender. Será que os negros poderão contar com a policia para garantir suas vidas? Será que não seria melhor os negros honestos terem o direito de portar armas?

Vejam como são as coisas, leitores do Alex: eu, o racista, sou a favor dos negros terem direito a portar armas porque não podem confiar na polícia. Alex, o inimigo dos racistas, é contra o direito dos negros terem suas armas, e acha que a vida deles deve depender da policia racista.

Imagino um mundo onde o Alex fizesse as leis em um país e eu no país vizinho. Acho que em alguns anos os negros do país do Alex iriam começar a imigrar para o meu país...

Para terminar por hoje, essa maravilha: Hoje, tinha outro post, sobre o ódio da classe mérdia ao Lula e talz... Eu não sei de onde ele tirou essa. As pesquisas, até onde eu sei, mostram a maioria da classe média aprovando o Lula. Eu até evito falar do Lula para meus amigos porque sei que vou fatalmente encontrar alguém para defender o molusco, em uma discussão chata!

Isso é preconceito e grande, Alex. Por que é errado a policia presumir que todo negro é ladrão e não é errado presumir que toda a classe média é inimiga do Lula? A maioria dos negros é honesta, a maioria da classe média aprova o Lula.

Bem, pelo menos o Alex não é autoridade policial e não pode ser prepotente contra a classe média, como a policia é prepotente contra os negros. Mas é só essa vantagem. Ele incentiva quem quer ser prepotente contra a classe média, assim como os racistas incentivam quem quer ser prepotente contra os negros. Lamentável.

E o Alex nem comenta o fato que, assim como o Brasil é racista, a raça negra é homofábica. Triste, não é, Alex, um mundo com tantas verdades dolorosas...

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 11:31



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Mas eu sou a favor das cotas nas universidades públicas. As cotas raciais irão desmoralizar a universidade pública. E para o Brasil começa a dar certo é preciso acabar com a universidade pública. A universidade pública é a saúva moderna: ou o Brasíl acaba com a universidade pública ou a universidade pública acaba com o Brasil. Temos que acabar com essas saúvas. E as cotas raciais serão nosso tamanduá! Vamos defender as cotas, Alex, eu te apoio nessa!

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 11:32



Comentário de: Haline · http://www.halinices.blogspot.com

Alex, eu adoro seus posts sobre racismo. Me esclarece muito. E as indicações de livro também.

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 11:42



Comentário de: Haline · http://www.halinices.blogspot.com

Alex, eu adoro seus posts sobre racismo. Me esclarece muito. E as indicações de livro também. bjobjo

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 11:43



Comentário de: Samuel

Ao meu ver as cotas publicas é uma maneira que encontraram de reparar um dano histórico, com o problema de favorecer um em detrimento do outro. A dúvida é se vai igualar ou só trocar os lados, ninguém vota a favor do próprio prejuízo.

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 12:47



Comentário de: Arthur

É engraçado que até 1888 existia raça no Brasil, de repente parou de existir.

A raça pra justificar massacres, ocupações, escravidão servia, mas não serve pra justificar reparação.

É claro que cada individuo é diferente do outro e unico, mas dizer que a unica coisa que é une os negros no Brasil e tornam eles um grupo é a cor é absurdo.

Não é uma coencidencia que o grupo tenha os piores indicadores sociais. Eles como um grupo são segurados na base da piramide.

As desvantagens de ser indentificado como pobre pela sua cor da pele são graves e obvias.

Mesmo que o individuo não escolha se afirmar parte de uma raça, ele invariavelmente será visto como parte de uma raça. Não é uma escolha dele.

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 15:16



Comentário de: Arthur

Sobre os dados sobre desenpenho de alunos cotistas, faltou vontade de procurar só.

O google pipoca de reportagens sobre as pesquisas, não sei exatamente como essas coisas funcionam, mas acho que a universidade deve disponibilizar esse tipo de pesquisa sem problemas

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 15:38



Comentário de: Alex Castro Email

jorge

Seria bom se todos os policiais fossem negros. Provavelmente, tratariam os negros do mesmo jeito. Só que não daria para acusar a polícia de racismo.

ué, daria sim. pq nao?

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 16:29



Comentário de: Lauren · http://acordeiquesonhava.blogspot.com

AHAHAHAHAHHAHA

adorei o segundo comentário da Indy.

Alex, vc tem os comentaristas maaaais engraçados do mundo, parabéns!

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 16:41



Comentário de: João Bosco

E depois que cursarem uma universidade, como vão conseguir emprego? haverá cota para afrodescendentes nas empresas?

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 20:45



Comentário de: Luis

minha professora ja fez isso. olha aí jorge..

http://www.cadernocrh.ufba.br/viewarticle.php?id=156

hoje ela ta acompanhando alunos cotistas daqui da ufba. parece que o pessoal q entrou no 1 vestibular ta concluindo agora. mas se a galera ta com pressa, é só pesquisar no google outras pesquisas ja feitas..

PermalinkPermalink 10.10.09 @ 03:11



Comentário de: Duda Mendes

"Nosso racismo é um crime perfeito, porque a própria vítima é que é responsável pelo seu racismo, quem comentou não tem nenhum problema"

Racismo não é crime! Crime é preconceito relacionado a raça, cor e outros...

vide http://www.advogado.adv.br/artigos/2000/edisonmaluf/crimesderacismo.htm

PermalinkPermalink 10.10.09 @ 10:14



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

jorge

Seria bom se todos os policiais fossem negros. Provavelmente, tratariam os negros do mesmo jeito. Só que não daria para acusar a polícia de racismo.

ué, daria sim. pq nao?


Você diria então, Alex, que se um pai negro e uma mãe negra dão palmadas no filho negro, eles são racistas?

PermalinkPermalink 10.10.09 @ 19:52



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Mas eu sou a favor das cotas nas universidades públicas. As cotas raciais irão desmoralizar a universidade pública. E para o Brasil começa a dar certo é preciso acabar com a universidade pública. A universidade pública é a saúva moderna: ou o Brasíl acaba com a universidade pública ou a universidade pública acaba com o Brasil. Temos que acabar com essas saúvas. E as cotas raciais serão nosso tamanduá! Vamos defender as cotas, Alex, eu te apoio nessa!

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 10.10.09 @ 19:53



Comentário de: Alex Castro Email

jorge, se vc acha q negros nao podem ser racistas contra negros (ou latinos contra latinos, ou q mulheres não podem ser machistas, etc), entao vc de fato nao entendeu nada. :) e essa sua pergunta idiota é corta-assunto, não dá nem pra responder.

PermalinkPermalink 10.10.09 @ 19:55



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Ah Alex eu é que nao entendi nada agora,quando eu disse que os proprios negros eram racistas voce discordou ou pelo menos deu a entender.Agora vc diz que sim,que negros podem ser racistas e que mulheres podem ser machistas (realmente podem)só falta dizer que os gays são homofobicos rs´s tá eu exagerei.
Eu só nao te entendo Alex só isso.

PermalinkPermalink 10.10.09 @ 21:17



Comentário de: Alex Castro Email

indy,

gays tb PODEM ser homofobos, sim.

Em se tratando de grupos discriminados, eu diria q é até razoavelmente comum que gays sejam homofóbos, mulheres machistas ou negros racistas. Essas pessoas tb sao influenciadas e crescem saturadas pela ideologia dominante que repete o tempo todo que são feios, indesejaveis, fracos, burros, desviantes. Naturalmente, muitos indivíduos acabam comprando essa ideologia e passam a odiar a si mesmos, odiar quem sao, odiar o que representam, odiar sua cor, seu gênero, sua orientação sexual.

Qual é a dificuldade?

PermalinkPermalink 10.10.09 @ 21:22



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Ortografia essa é minha difilculdade rs´s

Valeu pelo homofobos,eu realmente não sabia,eu sou muito burra,pretendo deixar de ser,e aqui é um ótimo lugar pra isso.Tirando os micos é bom estar aqui.
Com o tempo agente se entende.

P.S: Voce nao sabe o "monstro" que esta criando

PermalinkPermalink 10.10.09 @ 21:35



Comentário de: Hugo

Pois eh, o Alex as seen on the blog ta ficando igual os liberals estilo Ayers, Clinton, Obama, etc - com um desprezo apolineo pela classe média que trabalha, paga seus impostos em dia, observa as leis e tem uma moral tradicional.

Algo como um "quem nao concorda com as ideias esquerdinhas" eh:
-- alucinado(comment no caso do autor do Uma Gota de Sangue)
-- burro ; como ele se refere ao Galgo
-- tá de má fé.

Mas o blog fica interessante; seja pra ver a transformacao do Alexandre Cruz Almeida em Alex Castro; seja para admirar o fator Legião- realmente devem ter muitos ali dentro pra conciliar a fase prisões com a fase atual, ou até mesmo para especular se afinal ele nao e um adepto sinistro no meio de um insight role(http://nineangles.wordpress.com/introduction-to-insight-roles/) preparando o terreno pra Vindex.

PermalinkPermalink 10.10.09 @ 22:30



Comentário de: Alex Castro Email

Algo como um "quem nao concorda com as ideias esquerdinhas" eh:
-- alucinado(comment no caso do autor do Uma Gota de Sangue)
-- burro ; como ele se refere ao Galgo
-- tá de má fé.


Isso só é verdade na sua fantasia, Hugo. Só aqui nesse blog tem varios comentaristas usuais que sempre discordam de mim e que nao sao, e nem nunca foram chamados, de nenhuma dessas tres coisas...

Paulo FYI, Alessandra, Doutor plausivel, a carol... E esses sao só alguns dos que andaram comentando nos posts mais recentes...

O Ali Kamel tb não é nenhuma das 3 coisas acima, e nem mts dos intelectuais anti-cotas, como por exemplo o Manolo Florentino, que foi meu orientador e é um pesquisador genial sobre a escravidão, etc etc.

O fato do Golgo ser burro e do Jorge Nobre e do Magnoli serem alucinados nao quer dizer que eu acho isso de todo mundo q discorda de mim. Cada caso é um caso.

PermalinkPermalink 10.10.09 @ 22:42



Comentário de: Marcio E. Goncalves

Revisionismo historico, Alex? Tu esta parecendo aquele pessoal da Esquerda que odiava o Paulo Francis - dai ele morreu e surgiu o Diogo Mainardi e passaram a falar "Ah, Paulo Francis pelo menos era inteligente".

Olha o que vc escreveu sobre o livro do Kamel:

"Na mesma linha de Senhor dos Anéis e Crônicas de Nárnia, o romance de fantasia Não Somos Racistas, de Ali Kamel, se passa em uma terra mítica e utópica, onde não existe racismo e impera a mais estrita meritocracia.

O livro é polivalente: pode ser lido tanto como humor ("rárá! não acredito que esse cara falou mesmo isso!") ou terror ("e pensar que esse homem é o diretor de jornalismo da Globo!", mas é diversão sempre garantida."

Ou seja, antes ele era um maluco que fantasia a realidade brasileira, alguem inepto para ser diretor de jornalismo da Globo.

Mas agora, como tu resolveu detona ro Demetrio e fica feio falar que tu eh tao enviesado, o Kamel vira um intelectual serio, logico e racional.

Decida-se.

PermalinkPermalink 11.10.09 @ 01:05



Comentário de: Alex Castro Email

Hmmmm... Em que parte do trecho acima eu digo que o Kamel é ou burro, ou louco, ou está de má-fé? Eu discordo violentamente do livro, acho que ele retrata o Brasil como se fosse uma utopia racial sim, acho q ele é perigoso, mas NADA disso quer dizer que acho q seja burro, louco, ou tenha má-fé...

Ler os meus comentarios e colocar essas palavras na minha boca, sim, é coisa de gente que acha que todo mundo que discorda deles é burro, louco ou de má-fé, e, pior, acha q todo mundo é assim tb.

E, por outro lado, sim. O Magnoli é tao pior que fez o Kamel parecer bem melhor na comparação sim....

PermalinkPermalink 11.10.09 @ 01:19



Comentário de: Hugo

Alex,

Hum...e' verdade, tem varias casos que nao cabem na minha categorizacao. Nao e' que eu tive um momento percepcao seletiva via bias previo?

Ok, granted.

Mas fico curioso: onde e que vc achou "alucinacao" no Magnoli? Eu nao vi nada demais - ele so nega o arcabouco do adversario; e é isso que se faz em debate academico, quando a divergencia e grande.

Debater com o marxista se a mais valia e justa ou nao ja e conceder a vitoria ao vermelho, tem-se que negar o proprio conceito de mais valia e/ou sua aplicabilidade.

O que vi na entrevista do Magnoli foi basicamente o ataque ao conceito de multiculturalismo. E foi spot on, pq e' o plano de fundo de quase todas as ideias e argumentos dos defensores de cotas. Ou voce conhece muitos casos em que a defesa das cotas nao tem multiculturalismo como uma premissa?

PermalinkPermalink 11.10.09 @ 01:25



Comentário de: Alex Castro Email

hugo,

sinceramente, nao sei nem o q vc quer dizer com "multiculturalismo". Pra mim, esse termo nao quer dizer nada, virou um adjetivo sem sentido que a direita conservadora atira contra seus adversarios - assim como "neoliberal" é um adjetivo sem sentido que a esquerda atira contra seus desafetos. Assim como nunca ouvi ninguem se definir como neoliberal, tb nunca ouvi ninguem se definir multiculturalista. Alias, estou aqui há cinco anos nas entranhas da besta, em uma universidade do liberal establishment americano, e nunca ouvi essa palavra em nenhuma classe, nem nunca a usei... entao, juro q nao sei o q quer dizer....

sobre o magnoli ser alucinado, vou ter q citar outro comentario meu, do post anterior, q vc bem podia ter lido:

"eu acho que o magnoli não só não dá nenhuma bola dentro, como é completamente alucinado e deslocado da realidade na maioria dos pontos. Ao contrario, por exemplo, do Kamel, de quem discordo mas é sempre lógico e racional.

mas o Magnoli, pra mim, está no nivel do comentario classico que fizeram aqui, de que a policia parar mais preto nao é racismo pq preto tende a ser mais pobres e os pobres tendem mais a ser bandidos. tem certas coisas q nao respondem. e eu com certeza nao me rebaixaria a bater boca com o Magnoli, ou mesmo a explicar pra um terceiro pq ele é alucinado.

achei engracado pq a camila chegou aqui em casa no fim de semana, passei o video pra ela, e ela comecou a coçar a cabeça, e disse, alex, esse homem nao faz NENHUM sentido, é assim mesmo ou sou eu que sou burrinha?, e eu falei, não, é assim mesmo, o louco é ele... ....

vou só dizer qual foi a pior da entrevista. várias e várias vezes ele diz que raças não existem biologicamente e diz (em tom de quem descarta o assunto) que são 'apenas' criação política, q são um discurso político.

oras, se raças existissem biologicamente, elas seriam problemas dos biólogos. justamente pq nao existem biologicamente, justamente por serem um discurso político, é que pertencem ao campo de estudo da Sociologia, caraio.

o cara fala que raça nao é biologico, é político, como se algo ser político fizesse dele menos real, menos palpável. como é que um cara desses pode se dizer sociólogo?

enfim, vai daí pra baixo.

sobre isso, eu já escrevi aqui:
http://www.interney.net/blogs/lll/2009/01/27/existe_isso_de_raca/ "

PermalinkPermalink 11.10.09 @ 01:38



Comentário de: Hugo

Alex,

"eu acho que o magnoli não só não dá nenhuma bola dentro, como é completamente alucinado e deslocado da realidade na maioria dos pontos. Ao contrario, por exemplo, do Kamel, de quem discordo mas é sempre lógico e racional.

Uai, acima vc so chamou o cara de cabeca de melao e cara de mamao, oras! Pra quem le, permanece o misterio de PORQUE o Magnoli e' "alucinado e deslocado da realidade" - mesmo contrapondo com o Kamel.

Mas...acho que vc ta tendo ma vontade com o Magnoli e tirando do contexto esse trecho da entrevista, se eu estiver me lembrando bem da entrevista.

Anyway...'night...

PermalinkPermalink 11.10.09 @ 02:06



Comentário de: Hugo

Acima no meu post = quoted part; nao o post precedente.

PermalinkPermalink 11.10.09 @ 02:07



Comentário de: Alex Castro Email

hugo,

para quem quer saber PQ acho o magnoli alucinado, eu postei os videos da entrevista... se ver a entrevista nao te convenceu, nada q eu possa falar vai ajudar....

PermalinkPermalink 11.10.09 @ 02:12



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

jorge, se vc acha q negros nao podem ser racistas contra negros (ou latinos contra latinos, ou q mulheres não podem ser machistas, etc), entao vc de fato nao entendeu nada. :) e essa sua pergunta idiota é corta-assunto, não dá nem pra responder.

Vou escrever de outro jeito então, Alex, para você entender melhor o que eu quero dizer: Você diria então, Alex, que se um pai negro e uma mãe negra têm um filho negro e adotam um menino branco, e dão palmadas no filho negro mas não batem no filho branco, eles são racistas?

PermalinkPermalink 11.10.09 @ 10:00



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Mas eu sou a favor das cotas nas universidades públicas. As cotas raciais irão desmoralizar a universidade pública. E para o Brasil começa a dar certo é preciso acabar com a universidade pública. A universidade pública é a saúva moderna: ou o Brasíl acaba com a universidade pública ou a universidade pública acaba com o Brasil. Temos que acabar com essas saúvas. E as cotas raciais serão nosso tamanduá! Vamos defender as cotas, Alex, eu te apoio nessa!

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 11.10.09 @ 10:02



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Terminei o livro do Magnoli, que está sendo criticado pelo Munanga. Não comentei antes porque ainda não tinha chegado à parte que o Magnoli trata do contexto racial do Brasil, e o foco aqui não é ficar discutindo o conflito de hutus e tutsis em Ruanda (que achei que ele abordou muito bem, por sinal).

Ia escrever uma resenha para postar aqui, mas ficou tão extensa que publiquei no meu próprio blog, quem quiser ir lá e ler e depois comentar aqui no LLL, fique à vontade (oh o jabá! Alex, sorry, mas ficou grande mesmo).

Basicamente, a conclusão que o leitor pode tirar do livro é a seguinte: tentar trazer uma política americana e sul-africana, de “uma gota de sangue define a raça negra” é absurdo no Brasil. É negar que o país tenha tido uma história própria e assumir que exista uma “raça negra” unificada, biológica (como alguns estudos que corroboram a idéia das cotas e das políticas de saúde voltadas para a população negra) ou cultural. Também significa menosprezar a mestiçagem e tratar todos aqueles que não foram “brancos puros” como “negros”. E isso é um potencial caldeirão de conflitos.
Usando o argumento do Magnoli (não da Carol) para contestar o do Muganda, dá para dizer o seguinte:

1- A tal pesquisa do ÌPEA, que ele cita, é enviesada, pois junta “negros e pardos” contra “brancos”, excluindo outros grupos e mascarando diferenças regionais e diferenças entre negros e pardos.

2- O critério para cotas não é objetivo, porque alguns usam a tal “gota de sangue”, outros usam um critério “psicológico” (por exemplo, perguntando ao candidato se ele já sofreu preconceito ou se já namorou algum negro) e outros ainda usam a auto-declaração.

3- Ele simplesmente não fala de preconceito do tipo “negros são mais revistados por policiais que brancos”. Isso não está no livro.

4- Ele rejeita o próprio conceito de raça. Para ele não faz sentido dividir a população brasileira, que é tão miscigenada e tão diferente em termos regionais e culturais (adendo meu) em dois grupos majoritários: “brancos” e “negros” (que inclui pardos), sendo um “opressor” e outro “oprimido” quando existem distribuições diferentes de renda entre diferentes
grupos entre diferentes regiões.

No que eu discordo do Magnoli: que ele viajou em algumas coisas (meio conspiração), que ele não abordou o aspecto consuetudinário do preconceito (e deveria ter abordado) e que ele descarta que grupos diferentes têm culturas diferentes.

No que eu concordo com o Magnoli: é artificial agrupar um monte de coisa em um grupo só, que a África como unidade é um mito, que a história passou a ser ensinada recentemente de forma a criar e corroborar com tal mito e que dividir um país que tem unidade cultural grande em dois grupos é sim um caldeirão de onde podem sair muitos conflitos. Eu sou meio em cima do muro em relação a cotas de qualquer tipo, mas tendo a achar que cotas sociais não seriam de todo mal. De qualquer forma, concordo com ele em relação ao perigo de isso tudo (cotas raciais e outras políticas racialistas) levarem a uma divisão profunda na sociedade brasileira, que é bastante prejudicial.

Sobre o Munanga, concordo com a Alessandra: essa história de quem é contra cota ser automaticamente racista ou “com a cabeça enterrada na areia” é dose. É como um dos posts do “Stuff White People Like” (que descobri aqui no LLL): “brancos votam em Obama, pois se você não votar, então você é racista” (para quem não entende o Ironic mode: on, começa a chegar ao ponto em que ninguém pode discordar de uma minoria).

Abs

PermalinkPermalink 11.10.09 @ 21:18



Comentário de: Jaques

Desculpem, estou chegando agora, o tema é interessantíssimo, e os detalhes mais ainda.

Enfim, penso que a entrevista de Magnoli seria melhor analisada e de forma mais interessante se dessem um "close" na "técnica" jornalística da magnífica entrevistadora da Globo News.

Ela, com seus (pre)conceitos ligados a todo vapor, não conseguiu entender bulhufas do que o cara falava, independentemente do embasamento e da correção (ou não) das idéias de Magnoli.

Na verdade, ela pareceu uma versão televisiva do espécime asno-letrado.
Provavelmente, trabalha na SEPPIR. Ou quer ir trabalhar lá.
Vai engrossar as fileiras das idéias pré-moldadas, tacanhas e homogêneas.

Pareceu claramente que Magnoli percebeu o intelecto de sua entrevistadora na 1ª pergunta, e não teve mais saco de explicar coisa nenhuma.

Dado o contexto de ter na frente uma entrevistadora dogmática, que veio preparada para uma guerra, e querendo ser a entrevistada, Magnoli apenas tratou de brincar e ironizar os preconceitos, as idéias curtinhas e vigentes, e o dogmatismo que ela exalava em cada pergunta-réplica que ela "usava", tentando defender seu sistema óbvio e mediocrizado de ver o mundo.

E nem isso, as gozações de Magnoli, a coitada percebeu...

Ao fim e ao cabo, ela só fez reverberar uma ladainha de idéias corriqueiras, e não menos equivocadas só por isso.

Não sei quem é Camila, mas esse trecho foi lapidar; desculpe mas não pude conter:
"achei engracado pq a camila chegou aqui em casa no fim de semana, passei o video pra ela, e ela comecou a coçar a cabeça, e disse, alex, esse homem nao faz NENHUM sentido, é assim mesmo ou sou eu que sou burrinha?, e eu falei, não, é assim mesmo, o louco é ele... ...."

Duplica e exemplifica bem a perplexidade da nossa heróica entrevistadora... Camila não é mesmo a entrevistadora daquele Milênio?

Bem, a entrevista não diz quase nada sobre as idéias de Magnoli, pois ele apenas enunciou algumas delas, e se restringiu apenas a bloquear a entrevistadora.

Se fosse menos elegante, teria saído do set e encerrado a entrevista na 2ª intervenção da entrevistadora.

Não sei se já postaram aqui esses links, de blogs que tiveram percepção similar.
Segue:

http://flanelapaulistana.com/?p=4291

http://procristination.blogspot.com/2009/09/o-conceito-de-raca-entrevista-do.html

Não me refirindo às "classes", mas usando a referência: intelectual "merdiana" é uma "mérdia" mesmo...

Uma pena, porque o Milênio geralmente produz boas entrevistas.
Essa moça, coitada, vai penar para ter outra oportunidade no rodízio que eles fazem com os entrevistadores.

PermalinkPermalink 11.10.09 @ 23:06




"Porque essa mania de achar que quem é contra cotas é racista ou está com a cabeça enterrada na areia? Nunca ocorreu para esse cara que muita gente simplesmente acha essa uma forma ruim de tentar resolver o problema? Babaquice." (Alessandra)

"Eu vejo mérito como a medida do resultado, não do processo. O mérito relativo existe, e até pode ser considerado, mas não pode ser colocado acima de critérios objetivos." (Alessandra)

Impressionante o quanto eu e a Alessandra pensamos igual nestes e em vários outros itens que comentamos. :|


PermalinkPermalink 12.10.09 @ 22:28




"O fato do Golgo ser burro e do Jorge Nobre e do Magnoli serem alucinados nao quer dizer que eu acho isso de todo mundo q discorda de mim. Cada caso é um caso." (Alex Castro)

Alex, se tu soubesses o quanto eu rio quando tu me chamas de burro, acho que me chamarias de burro mais vezes só para fazer uma boa ação e me divertir. :)

PermalinkPermalink 12.10.09 @ 22:31



Comentário de: ratapulgo crioulo · http://orabolas.blogspot.com/

Olha, Alexandre, acho o Magnoli equivocado em princípio (e grosseiro às vezes), mas ainda não estou convencido que é má fé.

Tenho acompanhado há bastante tempo essa questão, e o que ele não consegue responder claramente (nem os críticos das cotas) é:

Como dar condições razoavelmente iguais para quem sofre na pele, literalmente, o preconceito de cor?

Pois se pobre sofre, pobre e preto sofre duplamente. O que fazer?

Aí é que faltam as respostas, pois a cota social (para os que concordam) não resolvem o duplo handicap do combo preto-pobre.

PermalinkPermalink 14.10.09 @ 06:28



Comentário de: ratapulgo mameluco · http://orabolas.blogspot.com/

A única coisa em que concordo (parcialmente) com o Magnoli é que as cotas de cor não apenas levantam o véu do preconceito existente - que acredito ser sua postura, Ale - mas também podem reforçar esse preconceito. É sempre um risco. Acho que aí ele tem um ponto. Pena que o Demétrio fique se equilibrando apenas nele.

O Kabenguele em sua excelente entrevista à Forum mnimiza bastante esse reforço do preconceito pré-existente. Não sei.

Acho que precisaríamos de estudos quantitativos e qualitativos reais a esse respeito nos locais onde as cotas já estão sendo implantadas.

PermalinkPermalink 14.10.09 @ 06:38



Comentário de: Bárbara Chagas

Amei esse texto ... simplesmente mostra a nossa realidadee e é isso aeee .. fazer o quê ? racismo por todaa a parteee .. mais uma dia quando JESUS voltar .. tudo va mudar" ee comoo vai !!!

Beeeeijooos !

PermalinkPermalink 02.11.09 @ 18:09



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  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
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  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
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  • 45. Nabuco, Joaquim. Minha Formação. [Brasil, 1899] Jul.
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