"Mas Afinal Qual É a Solução?"

Nas minhas aulas de humanas, seja como aluno ou como professor, depois de uma discussão particularmente quente sobre qualquer problema atual, sempre tem algum aluno que levanta o braço e pergunta:

"Tá, professor. Entendemos o problema. Priorizar as raças é ruim porque fortalece o racismo mas promover a mestiçagem é ruim porque estigmatiza quem quer assumir suas raízes. Mas qual é a solução então? Qual é a resposta? O que fazemos?"

Imagino que muitos leitores aqui devem ter sentido a mesma frustração. Em um primeiro momento, parecem pessoas práticas e de bom-senso, de saco cheia de tanta punhetação intelectual acadêmica, e que querem simplesmente sair na rua e resolver o problema, oras. Vivas pra eles!

Mas, se você pára e pensa, pode concluir que o que falta a essas pessoas é justamente parar e pensar. Então, um comentário que parece inócuo e positivo acaba se revelando perigoso, ao sugerir:

- Incompreensão sobre como funciona uma aula ou sobre qual é a função de uma universidade;
- Incapacidade ou indisposição para discussão, reflexão ou diálogo, ou seja, para buscar suas próprias conclusões;
- Ansiedade por respostas prontas e simples, e por ações concretas e fáceis de realizar.

Pra mim, parecem ser os candidatos ideais para compor uma multidão ensandecida, um partido fascista, um exército invasor, uma igreja evangélica.

Vai chegando o final da aula, e estão todos ali me olhando ansiosos, de lápis em punho, esperando pela resposta certa, querendo saber "afinal o que devem fazer!", e a impressão que tenho é que aceitariam qualquer besteira que eu falasse, desde que coubesse em uma frase e fosse fácil de decorar. Que bastaria dizer

Enfim, a culpa é toda dos brancos malvados e a solução é dar porrada neles. Agora!

e pelo menos a metade mais ingênua e influenciável da classe começaria imediatamente a dar porrada na outra.

  Professora, É pra Ler ou Entender? DINORA MACHADO MELO  Memórias de Professoras: História e Histórias MARIA TERESA DE ASSUNCAO FREITAS

* * *

Então, depois de uma longa e frutífera discussão sobre um tema profundo e complexo, algum aluno sempre pede pela solução, pela resposta certa, pra saber o que fazer. E, assustadoramente, metade da sala balança a cabeça, em silenciosa concordância.

Quando respondo que não existe solução, que não sei a resposta certa e que não vou lhes dizer o que fazer, outro alguém sempre retruca:

Então, de que adiantou? Pra que ficamos duas horas aqui perdendo nosso tempo? Isso [querendo dizer essa aula, minha matéria, a disciplina, a própria universidade, a vida, sei lá] não serve pra nada!

E eu:

Mas se eu lhes dissesse o que fazer, então serviria pra alguma coisa? Eu acho que, pior do que não servir pra nada, seria extremamente perigoso. É pra isso que vocês vêm à universidade? Pra que qualquer um, só porque tem um doutorado e passou num concurso, lhes diga o que fazer? Vocês não querem chegar às suas próprias conclusões? Aliás, não acham que, sendo parte da mínima elite com educação universitária na Brasil, que têm obrigação de chegar às suas próprias conclusões?

E, vocês vão achar que é punch-line, ou licença poética, mas depois desse discurso sempre tem alguém de cara sonolenta que levanta o braço lá detrás e pergunta, de verdade, na lata:

Tá, professor, mas afinal, o que é que é pra colocar no teste?

E eu respondo, exausto:

Se eu perguntar "qual é a solução para o problema do racismo no Brasil?" vocês podem responder que eu mesmo disse que não sei qual é a solução. Mas acho que vou fazer uma pergunta um pouquinho mais difícil que essa... Talvez relacionada, hmm, com as leituras, quem sabe...?

  Psicologia para Professores DAVID FONTANA       Professores: Entre o Prazer e o Sofrimento, Os CLAUDINE BLANCHARD-LAVILLE

* * *

Dos termos de uso do LLL:

O LLL não é um blog rosadinho, fofinho, politicamente correto. O LLL não se envolve em blogagens coletivas, caga pro Dia da Terra, não é nem um pouco vegano. O LLL não tem musiquinhas, selinhos, fotinhas de bichinhos e bebezinhos. O LLL não é um lugar seguro, um blog onde você possa entrar tranquilo e ficar confortável. O LLL está sempre tentando mexer com a sua cabeça, destruir suas certezas, te mostrar outras possibilidades. O LLL faz pouco da esquerda, faz pouco da direita, faz pouco de si mesmo e faz pouco de você também, se vier falar besteiras nos comentários. O LLL não se leva a sério e não te leva a sério. O LLL deixa você falar o que quiser, mas só pra te dar corda pra se enforcar. No LLL, você fala, mas por sua conta e risco. No LLL, não vale chorar e falar que eu não avisei. No LLL, você pode sair de joelho ralado e nariz sangrando.

Muita gente considera esse ambiente estimulante. Outros, desagradável. O fundamental é que ninguém é obrigado a ler e, menos ainda, comentar e se expor. Depois não reclamem.

 Promoção Submarino  Promoção Submarino  Promoção Submarino

* * *

Leia também:
- Vendemos Problemas, Não Soluções
- Dar Aulas de Literatura

* * *

Racismo LLLSérie Você É um Privilegiado? (Convite para Reflexão Individual)
I - A Invisibilidade do Privilégio
II - O Ônus da Elite
III - Os Privilégios da Classe Média
IV - Brasil, Meritocracia de Todos!

Adendos:
I - Culpa, Racismo e Privilégio ("Somos Nós os Culpados?")
II - Governo, Raça e Privilégio
III - "Mas Afinal Qual É a Solução?"

* * *

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* * *

Abaixo, recomendação máxima, um dos livros mais lindos, humanos, abertos, libertários, grandes!, que eu já tive o privilégio de ler:

  Pedagogia do Oprimido

 Promoção Submarino

 

07.10.09


Categorias: Comportamento, Política


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Comentários:


Comentário de: Blog Mallmal · http://www.mallmal.blogspot.com

É por pérolas como essa que o Alex é o cara que muita gente ama odiar.

O Alex é como um bobo da corte filosofesco, que fala para o rei que ele está nu.

Parei há algum tempo de brigar com o Alex nos comentários depois que entendi esse posicionamento dele.

O Alex não se presume certo, não se presume visionário. Ele quer apenas fazer pensar, o que é sempre bom.

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 10:17



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Mas há solução, Alex: deixar cada um viver como quiser, escolher as companhias que mais lhe agradar, e respeitar suas preferências desde que não incomode os outros. O tal negócio: "meu direito acaba onde o do meu vizinho começa". Ou, como dizia o imperador pagão Marco Aurélio (e nenhum dos ignaros que tentaram se meter comigo outro dia foi capaz de recordar isso), "Não faça aos outros o que você não quiser que os outros te façam". Essa é a melhor solução - na verdade, a única. Se todos agirem assim, continaremos a ter racismo e muitos negros continuarão a ser prejudicados, mas a convivência das pessoas em sociedade será a melhor possível.

Se o cara quer "Priorizar as raças" e casar com uma mulher de sua cor, deixe ele! Se o cara quer "promover a mestiçagem" e casar com mulher de cor diferente, deixe ele também! Se os quatro quiserem fazer uma suruba, deixe-os se foderem em paz! Eis aí, a solução imperfeita, mas a única!

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 10:21



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Mas eu sou a favor das cotas nas universidades públicas. As cotas raciais irão desmoralizar a universidade pública. E para o Brasil começa a dar certo é preciso acabar com a universidade pública. A universidade pública é a saúva moderna: ou o Brasíl acaba com a universidade pública ou a universidade pública acaba com o Brasil. Temos que acabar com essas saúvas. E as cotas raciais serão nosso tamanduá! Vamos defender as cotas, Alex, eu te apoio nessa!

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 10:22



Comentário de: Lucélia

Punhetação intelectual é ótimo! Rí horrores!!! Alex, quando entrei na faculdade achei que o povo era mais "selecionado" no quesito intelectualidade, mas ví que não. Da porta pra dentro e da porta pra fora é a mesma coisa.

É que nem quando o cara vai no psicanalista e quer que o cara dê a solução pra ele só porque tá pagando.

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 10:34



Comentário de: Vitor

Alex (e Lucélia, por tabela), engraçado que isso adquire um desdobramento interessante na minha graduação, que é em Psicologia. Até porque a gente, num consultório, vai fazer bem parecido com isso o que você fez dentro da sala de aula, só que a nível individual, em primeira instância.

Mas você vê, o ponto não é as pessoas que vão a um consultório perguntar A Solução (até porque elas pelo menos vão, já é alguma coisa), mas é que isso também está nitidamente presente até na graduação de quem se espera que esteja preparado pra lidar com essa pergunta.

Esse pessoal todo parece que tem mais intimidade com o que não pode fazer do que com o que pode.

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 12:04



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Ah esta bem Alex, agora fale alguma coisa da qual não saibamos. A solução é não existir solução. Vocês professores são tão... Alunos.
Fico imaginando a cara dos alunos, tipo, não sabem o que fazer. O engraçado é que se um aluno soubesse a solução, tal formula secreta, se um aluno realmente soubesse o que fazer, ele seria chamado de louco. O professor soltaria uma risada daquelas que destrói os sonhos de qualquer um. E pensaria: Poxa vida como eu não pensei nisso antes, não posso deixar esse menino me desautorizar, não aqui, não assim, não na minha aula, e quanto ao meu Doutorado e quanto ao meu concurso. Então o professor enrola e a classe diz: Que Burro, dá zero pra ele! A verdade é que não queremos soluções, nós não precisamos delas, nos precisamos de problemas, tipo, só o caos liberta.

P.S 1: Tanta lenga- lenga, pra dizer o que todo o mundo em todo o tempo já sabe.
P.S 2: Pra dizer que fodeu tudo!


PermalinkPermalink 07.10.09 @ 16:31



Comentário de: Manuel Carreiro · http://manuelcarreiro.com

Passei pelo mesmo problema enquanto lecionei.

Ninguém mais quer refletir, conhecer pela aventura da caminhada -

querem tudo pronto e mastigado, querem decorar fórmulas e sair por aí, as arrotando a torto e direito.

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 16:35



Comentário de: Alex Castro Email

A verdade é que não queremos soluções, nós não precisamos delas, nos precisamos de problemas, tipo, só o caos liberta.

vc está enganada, indy. temos muitos problemas e precisamos de soluções pra todos eles. a questão é que não cabe a professor ditar aos alunos quais sao as solucoes dos problemas da vida... Não cabe ao professor substituir a reflexao dos alunos e suas buscas pessoais por soluções, por uma solução facil que caiba no teste.

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 16:39



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Pra variar né Alex, estranho vai ser o dia em que eu não estiver enganada.
Não cabe ao professor ditar o que é pra fazer, porque simplesmente ele não sabe o que fazer. Todas as ideologias somem no primeiro passo rumo à estabilidade financeira, ao longo de nossa caminhada rumo ao sucesso pessoal, se importar com o outro se torna tão obsoleto. Demasiadamente humanos, a nossa capacidade de ir do altruísmo ao egoísmo é inegável.
É fácil ser generoso quando se tem muito, o difícil é se ver assim.
“Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer”

Somos na verdade seis bilhões de pessoas, e cada uma com as suas seis camisas. Umas de marcas outras da promoção, ainda assim apenas camisas.

http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/2003_06_01_liberallibertariolibertino_archive.html#95818112

P.S: Se devagar se vai ao longe, divagando pelo que vejo, não chego a lugar nenhum.

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 17:17



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

e o link é esse aqui:

http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/2005/11/piada-parbola-tudo-relativo.html

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 17:20



Comentário de: Alex Castro Email

indy, eu te leio e te leio, e nao sei onde vc quer chegar.

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 17:29



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Sorry Alex, mas isso que vc escreveu eh uma bela falacia.

Logico que propor solucoes nao significa propor "a" solucao. Afinal, na maioria dos casos o que chamamos de solucao eh composto de muitas partes de varias propostas.

Mas querer ficar nessa de so "definir o problema" eh coisa sim de professor de faculdade que nunca vai ser cobrado por resultados reais.

E olha que eu nem estou discordando que eh perigoso propor solucoes, ainda mais quando seu publico eh um bando de teenagers sem maturidade. Mas, e esse eh um enorme Mas, dizer que esse perigo justifica essa masturbacao intelectual eh bobagem.

90% do problema eh entender a solucao. Reclamar e apontar aonde as coisas precisam melhorar quase sempre eh facil, mesmo num assunto delicado como esse.

Por isso que te disse que vc precisa ler a biografia do Clarence Thomas...

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 17:34



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Simples Mortal que sois vós (rs´s)

Eu sei onde vou chegar,a questão é,quem é digno de vir comigo (rs´s)nao se preocupem,nao agora,nao neste milênio.

P.S: Eu sou doida,nao liguem pra mim.


PermalinkPermalink 07.10.09 @ 17:38



Comentário de: Alex Castro Email

paulo,

E olha que eu nem estou discordando que eh perigoso propor solucoes, ainda mais quando seu publico eh um bando de teenagers sem maturidade. Mas, e esse eh um enorme Mas, dizer que esse perigo justifica essa masturbacao intelectual eh bobagem.

eu nao sei bem se entendi o que vc chama de masturbação intelectual, ou qual foi a minha falacia, ou do que foi que vc discordou... mas parece que vc concorda comigo....

entao, vc discordou exatamente do que?

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 17:50



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

A questão é onde eu quero chegar, vamos a minha lista de objetivos:


• Eu quero a paz mundial (parece coisa de miss né, mais é verdade) e vou trabalhar pra isso. Um mundo onde as religiões se respeitem, onde uma não tente desautorizar a outra. Onde ser ateu é tão lindo quanto caminhar sobre as águas.
• Eu quero uma sociedade igualitária, onde não exista nada privado sim tudo publico. E quando digo nada é nada mesmo, nada de escolas particulares, nada de hospitais particulares, nada de clubes somente para sócios, nada de elites, um mundo onde ser padeiro é tão importante quanto ser medico. Transportes coletivos, nada de pessoas ostentando carrões de luxo, nada disso, e casas de um mesmo padrão, nada de gramado do vizinho mais verde que o meu, é claro que tem o individualismo de cada um, as cores e os objetos decorativos ficam a critério deles (rs´s)
• Educação de qualidade, onde desde o maternal, as crianças aprendam o conceito básico do Criacionismo e do Darwinismo, não necessariamente nessa ordem. E não me venham dizer, que é muita coisa pra cabeça das criançinhas, pois não é, é comprovado cientificamente que uma criança de 05 anos tem mais facilidade de aprender 05 idiomas diferentes, do que um adulto ou um adolescente. E outra elas não estão na idade de querer saber o porquê das coisas, pois então vamos responder de todas as formas e de todos os ângulos vamos utilizar as respostas que dispomos. É melhor do que falar: ah porque é assim e pronto, depois a criança cresce e ta lá com seus 40 anos de vida, e ainda não sabe que raio veio fazer na terra.

Isso é só uma previa,só um resumo de como vai ser a era indyamariana (rs´s)

Por fim eu quero reconhecimento:

Em vida eu quero ganhar o Nobel da paz
Depois de morta eu quero:
Uma data comemorativa em meu nome, feriado não, porque torna as pessoas preguiçosas.

Quero escolas com o meu nome e ruas também, avenidas é melhor (rs´s)

E eu quero pessoas felizes por ser o que são e por morarem onde moram.

Eu quero pro mundo, o que o mundo não quis pra mim.

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 18:25



Comentário de: Te

Ansiedade por uma solução pronta tipo produto das Organizações Tabajara que promete "Os seus problemas acabaram!" deu no Holocausto: apareceu um maluco jogando a culpa da quebra da economia alemã nos judeus avarentos e especuladores. Ele disse que tomar seus bens e matar todos eles era a solução do problema. E a maioria do povo acreditou no que o maluco disse.

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 20:04



Comentário de: Alessandra · http://alessandrasouza.blogspot.com

Alex, acho que o que todo mundo está dizendo, e eu mesma já pensei, é que você está aí, na sua missão em fazer o povo pensar e indiretamente instigando todo mundo a pensar em possíveis soluções, e agir para mudar esse mundo injusto e tudo isso, mas quando alguém vira para você e pergunta "mas e você, Alex, que você vai fazer para mudar isso tudo?" sua única resposta é justamente dizer isso, que já está conscientizando todo mundo e com o resto vocês que se virem. E não que discutir essas coisas seja pouco, mas ok, então ficamos aqui todo mundo conscientizando todo mundo, ficando indignados juntos e dizendo que isso tudo tem que mudar com a nossa cara séria. Como disse o Paulo, rola até um kumbaya. Sou obrigada a concordar que parece masturbação mental sim, ou no mínimo que você está meio que tirando a bunda da seringa.

Mas claro, o barraco é seu e você faz o que quiser.

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 21:56



Comentário de: Alex Castro Email

Ale,

mas quando alguém vira para você e pergunta "mas e você, Alex, que você vai fazer para mudar isso tudo?"

hahahah. mas nunca, nunca, nunca, em 15 anos de dar aulas e 7 de blog, nunca ninguém me fez essa pergunta.

a pergunta ao que o post se refere é muito diferente. o que os alunos, e os leitores do blog, sempre perguntam é:

mas entao qual é a solução?

então é pra fazer o quê?

ah, entao quer dizer que vc quer que eu faça [isso ou aquilo]?

etc

mas eu ainda nao entendi qual é a definição de vcs de masturbação mental. a nao ser que vcs estejam mudando de assunto, eu estou falando de uma situação de sala de aula...

o que é, pra vcs, uma aula de história/sociologia/literatura com masturbação mental ou sem masturbação mental? qual é a diferença? em que momento uma aula de antropologia SEM masturbação mental vira uma aula de antropologia COM masturbação mental? alias, o que É masturbação mental?

agora eu fiquei REALMENTE curioso pra saber...

mas eu adianto que fica parecendo, assim por alto, que "masturbação mental", na boca de vocês, é um termo genérico negativo que funciona mais ou menos como sinonimo de "reflexão/discussão".

se nao é, tudo bem. mas então me digam o que é, por favor...

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 22:13



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

" indy, eu te leio e te leio, e nao sei onde vc quer chegar." (Alex Castro)

Hehehehe... então o feitiço virou contra o feiticeiro! :-)

Dá-lhe Indy! :-)

[Rindo muito.]

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 22:14



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Alex:

Eu assino embaixo do que a Alessandra escreveu.

Eu nunca dou aula sobre um assunto sobre o qual eu não tenha posição firmada. E atiro a minha solução na cara dos alunos como o Chacrinha jogava bacalhau na platéia: quem quiser pegar, pega, quem não quiser, se abaixa e deixa acertar na cara do sujeito que está atrás, quem achar isso muito ruim, que junte o bacalhau do chão e atire na minha cara de volta ou vá lamber sabão.

Eu não dou aula em pós-graduação para ensinar a pensar. Isso é função da tia da creche e da professorinha do ensino fundamental, no máximo ainda dá pra dar um polimento no ensino médio.

O animal que cair na minha mão numa pós-graduação sem saber pensar - sem saber se defender do bacalhau que eu jogar - vai engolir o que eu achar que ele deve comer. A época de fazer sinapse, de aprender a pensar e de formar senso crítico acaba muito antes de entrar no pós-graduação, então, antes o meu meme do que o de outro formador de opinião.


PermalinkPermalink 07.10.09 @ 22:33



Comentário de: Manuel Carreiro · http://manuelcarreiro.com

medo. muito medo depois do que li acima.

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 22:45



Comentário de: Alex Castro Email

é, golgo, tu não durava uma semana em nenhuma universidade ou escola séria.

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 22:58



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Se eu concordasse com o Jorge Nobre, colocaria, após cada comentário meu, um comentário dizendo "Mas eu sou a favor do Golgo dando aulas na Universidade Pública" etc. etc...

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 00:02




Ha ha, muito boa essa, Adam. De fato, pra acabar com as universidades públicas, um Golgo seria muito mais eficiente que as cotas...

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 00:14



Comentário de: Kitagawa

O Paulo iria mudar logo de idéia se soubesse que, sim, o Alex propoe a solução: votar no PSTU!!


PermalinkPermalink 08.10.09 @ 08:57



Comentário de: Kitagawa

Propor uma solução muitas vezes pode ser não mais que doutrinação. Problemas complexos exigem soluções imperfeitas, imperfeitas porque fatalmente alguém vai se sentir lesado no final. A escolha da solução "menos pior" passa por questões subjetivas sobre o que afinal é mais importante, é mais justo. Mesmo assim, nada disso implica na eficácia da solução. Enfim, não tem resposta certa, ou, pelo menos, não existe resposta unica.

A indy propoe suas soluções: um lugar com liberdade de credo, mas sem liberdade economica. Uma educação multifacetada, onde se ensinaria segundo as doutrinas liberais, comunistas, cristãs, budista, nazista, cientologicas, tudo. Mas como ensinar as virtudes do liberalismo se nessa sua sociedade perfeita é proibido a propriedade privada? Essa sociedade dela seria democratica? Se é democratica, o que fazer se a maioria quiser ter seus proprios carros? Ou suas proprias escolas que ensinam susa proprias ideologias?

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 09:38



Comentário de: João Paulo Cursino · http://sratoz.wordpress.com

É muito fácil ter um sistema onde todo o mundo pode fazer o que quiser quando ninguém tem poder de fazer realmente nada.

Aliás, isso está em 1984, onde ele diz que às massas se permite a liberdade de pensamento porque elas não pensam nada.

E garanto a vocês uma coisa: se Golgo me aplicasse uma prova, eu passava. Ia conseguir enganá-lo direitinho, convencendo-o de acreditar em sua solução.

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 10:01



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Ha ha ha ha... Eu sou a favor do Adam e da Lola darem aulas nas universidades públicas também. Pelos mesmos motivos. Um abraço, Adam. Um beijão, Lola.

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 10:38



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Mas eu sou a favor das cotas nas universidades públicas. As cotas raciais irão desmoralizar a universidade pública. E para o Brasil começa a dar certo é preciso acabar com a universidade pública. A universidade pública é a saúva moderna: ou o Brasíl acaba com a universidade pública ou a universidade pública acaba com o Brasil. Temos que acabar com essas saúvas. E as cotas raciais serão nosso tamanduá! Vamos defender as cotas, Alex, eu te apoio nessa!

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 10:38



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Kitagawa,

De que liberdade econômica você esta falando, da liberdade de uns terem mais e outros menos?
E eu não vejo como poderia ensinar doutrinas nazista, já pensou: como acabar com negros e judeus em 10 lições,isso não existe,você é que não quer entender.
Não é proibida a propriedade privada, ela simplesmente não existe. Bom os carros, pois então, vai ser melhor assim, acredite, melhor para todos até para o meio ambiente. E se a maioria quiser se elitizar não é? O engraçado é que elites não são feitas pela maioria, então não há perigo disso acontecer. Democracia, eu não sei por que precisamos de democracia, pra escolher por quem queremos ser roubados?
O foco nessa minha sociedade são as crianças e a educação que elas recebem, cada político corrupto, cada assassino, cada facínora já foi criança um dia, e se tivessem recebido a devida educação, se tivesse seus valores fundamentados em um alicerce de ética e de respeito, eles não se tornariam o que são hoje. A educação tem que voltar a ser um prazer para os alunos e não uma obrigação. Em um mundo onde se estuda para trabalhar menos e ganhar mais, eles (os alunos) não tinham como dar certo mesmo. A escola tem que ser um lugar agradável, nada de carteiras quebradas, salas em péssimas condições e professores descontentes com os salários recebidos. Parece impossível eu sei, vocês estão ai perplexos, pois não foram criados assim e muito menos eu .E é claro que temos condições financeiras de ter tudo isso e muito mais se quisermos, se realmente quisermos.Gasta-se bilhões em defesa,quando na verdade nem são atacados,gasta-se milhões em explorações espaciais quando não compreendemos nem o espaço em que vivemos .Não sabemos priorizar as coisas,essa é a verdade.

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 10:58



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Ei Alex, já que vamos lutar contra os preconceitos, vamos também lutar contra a homofobia.

Créteil Bébel VS Paris Foot Gay

Par Patrice Remy le jeudi 8 octobre 2009, 08:05

Le choix du Créteil Bébel de refuser toute rencontre avec le Paris Foot Gay au motif que les uns sont musulmans pratiquants et les autres homosexuels fait couler beaucoup d’encre et alimente la polémique

Une telle décision n’a rien de surprenant pour un observateur averti, d’une religion que l’on s’évertue à faire passer pour tolérante, seuls les idiots utiles, les chantres de la tolérance à sens unique n’ont apparemment pas saisi la démarche du Créteil Bébel qui ne fait que respecter les préceptes islamiques pourtant bien présents dans le livre saint musulman, que le Créteil Bébel ne fait que rappeler courtoisement dans le mail envoyé au Paris Foot gay (PFG).

« Désolé mais par rapport au nom de votre équipe et conformément aux principes de notre équipe, qui est une équipe de musulmans pratiquants, nous ne pouvons jouer contre vous, nos convictions sont de loin plus importantes qu’un simple match de foot, encore une fois excusez-nous de vous avoir prévenu si tard »

L'islam considère l'homosexualité comme étant un péché contre l'ordre établi par Dieu. La charia condamne fortement l'homosexualité dans toutes les écoles juridiques et prescrit la peine de mort comme sanction en cas de pratique.

Mais aqui, Alex: http://www.mediaslibres.com/tribune/post/2009/10/08/Creteil-Bebel-VS-Paris-Foot-Gay

Será que o Bebel tem maioria de negros? Se tiver, é mais uma prova que a raça negra é homofóbica. (Se podem usar os números para mostrar que os brasileiros são racistas, e eu não discordo disso, também podemos usar os números para mostrar que a raça negra é homofóbica...)

E viva eu, viva a Indy, viva o Adam, viva a Lola, viva o Golgo, viva o Cursino, viva tu! Viva o rabo do tatu!

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 11:15



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Mas eu sou a favor das cotas nas universidades públicas. As cotas raciais irão desmoralizar a universidade pública. E para o Brasil começa a dar certo é preciso acabar com a universidade pública. A universidade pública é a saúva moderna: ou o Brasíl acaba com a universidade pública ou a universidade pública acaba com o Brasil. Temos que acabar com essas saúvas. E as cotas raciais serão nosso tamanduá! Vamos defender as cotas, Alex, eu te apoio nessa!

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 11:16



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Ah Jorge Nobre eu sou contra a universidade privada rs´s

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 11:21




Não por isso, seu Jorge... Se tudo der certo, a partir de fevereiro estarei lecionando na Universidade Federal do Ceará. Aí, se vc quiser, pode mudar seu discurso único de ser "a favor das cotas raciais porque elas vão destruir as universidades públicas" para "a favor das cotas e da Lolinha para, juntas, destruirem as universidades públicas". O Alex pode até incluir seu recado no blog apocalíptico dele: a partir de fevereiro, as universidades públicas começam a acabar. É o começo do fim!

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 14:05



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Alex

O que vc esta fazendo nessa sua serie, que eh chamar um problema mas fugir de qualquer forma de ao menos tentar explicar quais solucoes vc acha que seriam necessarias, eh masturbacao intelectual.

Todas as dificuldades que existem quando tentamos propor solucoes a um problema (que eu concordo existem) nao podem ser usadas como desculpa.

Mas agora vc ja colocou um discurso do LBJ... Acho que a espera pela sua real opiniao vai acabar logo ;-)

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 15:20



Comentário de: Alex Castro Email

Paulo,

hhmm, deixa eu ver se eu entendi. O post está falando de uma situação de sala de aula. Vc acha entao que qq aula q fale de um problema sem dar as solucoes do problema é masturbação intelectual, é isso?

entao, toda aula de sociologia, historia, antropologia, literatura, todas elas, por definicao, sao masturbação intelectual?

ou entao, hmm, vc gostaria que seu filho estudasse numa escola ou numa universidade onde nao apenas todos os professores sao esquerdinhas (sempre sao, vc sabe) como ainda por cima enfiam goela abaixo do seu filho as SUAS solucoes esquerdistas pra resolver os problemas do mundo?

ou entao, hm hmm, falando de blog, vc preferia q esse fosse um blog de propor solucoes? assim como se fosse um blog-taxista, que no trajeto daqui-ali resolve todos os problemas do mundo? hj, meu post sobre como solucionar o racismo. amanhã, vou dar a solucão para o aquecimento global. Depois de amanhã, vou explicar como resolver a universidade pública, etc. Hmmm, era isso mesmo que vc queria ler?

explica pra mim...

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 15:27



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Ora Alex! Toda vez que nos proponhamos a debater sobre um determinado assunto, creio eu que a finalidade seja chegar a uma conclusão, e depois de todas as teorias formadas temos por obrigação colocá-las em pratica. Eu invisto meu tempo no LLL porque sei que vai sair coisa que preste daqui, eu poderia estar em um blog de moda em um blog de futilidades publicas que também me fazem feliz vez ou outra. Mas ainda não é o suficiente debater sobre um assunto e não o resolver, isso é apenas se debater.
Aos poucos eu vou entendendo vocês, cada um aqui, tem uma solução, mesmo quando dizem que não tem. Soluções têm aos milhares de milhões por ai, o difícil é aceitar uma delas que seja. Quando alguém propõe uma solução o que é que fazemos? Procuramos o problema da solução, e vira uma bola de neve.

Enquanto vocês verem as soluções como um elefante branco, não irão aceitar, Vocês declinam as ofertas simplesmente por acharem que não lhes Servem. É uma honra, é bonito e majestoso, mais não cabe na minha sala, muito obrigado.
As elites não pretendem abdicar de coisa alguma em função dos não elitizados, e esses mesmos não elitizados, quando por um acidente de percurso acabam se tornando elite ,passam a agir da mesma forma.

Masturbação intelectual frustrada essa aqui, ninguém goza no final.

A verdade é que a juventude esta inerte e os velhos não se aborrecem, os homens não querem lutar, e as mulheres querem casar,elas sempre querem.E eu perco meu tempo escrevendo coisas que ninguém vai ouvir,mas eu prefiro perder o tempo,prefiro perder ao invés de investir,Não se faz nada com o que se tem,sempre queremos outro carro outra casa,outra vida outra farsa.


PermalinkPermalink 08.10.09 @ 16:35



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Alex,

Nao gosto de ficar repetindo o que eu ja escrevi mas vou tentar de novo: vc nao pode comparar historia com sociologia, nem mesmo um blog a uma aula de universidade.

Logico que vc pode dizer que o seu blog eh tao imparcial quanto uma aula deveria ser. Eu poderia te perguntar porque vc basicamente chamou o Demétrio Magnoli de louco quando sua idea eh nao fazer esse tipo de 'cagamento de regras'. Mas isso de lado, acho que eh obvio que um blog eh simplesmente uma ferramenta de discussao. Vc expoe sua opiniao, outras pessoas comentam. E o que eu estou dizendo eh que, na minha opiniao, vc falar que racismo existe e eh um problema eh uma masturbacao intelectual. O Demétrio Magnoli tambem acha que racismo existe. Entao porque vc acha que a solucao dele (a teoria de negacao da raca eh por si so uma tentativa de solucao) eh errada?

Enfim, eu nao vou ficar entrando em bate boca para explicar porque eu acho que vc esta parado no meio do caminho. Acho que vc sabe bem disso, e sua ideia eh que vc nao pode entrar em detalhes porque nao quer 'ostracize' pessoas que leem seus textos.

Mas minha aposta eh que mais hora menos hora vc chega aonde eu estou falando. Ou vc eh a favor de affirmative action ou nao eh. Ficar em cima do muro gritando com os dois lados so funciona por um periodo curto.... Ja ja os dois lados comecam a te deixar pra la...

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 17:22



Comentário de: alex castro

Alex

Logico que vc pode dizer que o seu blog eh tao imparcial quanto uma aula deveria ser.

hmm, meu blog NAO é imparcial, nem acho que uma aula POSSA ser imparcial, especialmente em humanas. é impossível. e nem mesmo desejável.

Eu poderia te perguntar porque vc basicamente chamou o Demétrio Magnoli de louco quando sua idea eh nao fazer esse tipo de 'cagamento de regras'.

chamar alguém de louco não é cagar regra. cagar regra é dizer "façam isso, façam aquilo" etc. eu tomo mt cuidado com as coisas q falo publicamente. chamei o demétrio magnoli de louco perigoso, e chamaria de novo, com base nessa entrevista que ele deu e que está disponibilizada no post. ele está falando sobre a minha área, sobre coisas que entendo e que pesquisei, e não está falando coisa com coisa. o Kamel, por exemplo, eu discordo dele até a morte, mas é um intelectual sério, que sabe escrever e argumentar. o Magnoli, por essa entrevista, parece que nem mesmo cursou Sociologia. Eu, q nao tenho nem doutorado!, nao me rebaixaria a discutir com o Magnoli, pois ele me parece francamente alucinado. Isso nao é cagar-regras. É minha opinião profissional. Assino embaixo.

Alias, a relação é a mesma, digamos, entre vc e eu, e eu e o Golgo. Você é inteligente, sabe ler e sabe escrever. Mais importante, vc nunca coloca palavras na minha boca. Eu respeito vc, e gosto de vc, e por mais q a gente discorde até a morte, eu vou sempre te ouvir, te ler com cuidado e te responder com sinceridade. Já o Golgo mal sabe ler e não fala coisa com coisa, ele pode escrever aqui a vontade que eu não vou ficar debatendo com ele.

Acho que vc sabe bem disso, e sua ideia eh que vc nao pode entrar em detalhes porque nao quer 'ostracize' pessoas que leem seus textos.

hahahhahaa, ai paulo. vc lê o LLL há anos, lê as minhas posições, vê o modo como respondo aos comentários, e vc ainda acho que nao faço o que quer que seja pra nao ostracizar os leitores????

Ou vc eh a favor de affirmative action ou nao eh. Ficar em cima do muro gritando com os dois lados so funciona por um periodo curto....

eu nunca fiquei em cima do muro sobre isso. em 2003 ou 2004, me manifestei claramente contra. em 2007, publicamente de novo, dei o braço a torcer, admiti q estava errado e passei a apoiar. E, recentemente, em 2009, reescrevi o post de 2007 para basicamente reafirmar a posição. Os textos mais antigos vc encontra nos arquivos, o mais recente está aqui:

http://www.interney.net/blogs/lll/2009/01/21/o_peso_da_historia/

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 18:14



Comentário de: Victor

Alex,

A descrição do modo que seus alunos se comportam diante de uma discussão realmente se torna uma denúncia dessa tendência um pouco quanto infantil de se priorizar, no pensamento dos alunos, a finalidade prática e solucionadora dos problemas.

Quanto a sua reação, eu meio que simpatizo com ela. A ideia de fomentar no aluno a visão crítica sobre as própias infantilizacões de seu pensamento(parágrafo anterior) e a ideia de que somente através da reflexão e dialogo haveria um posicionamento original e íntegro da pessoa é algo nobre, porém, por si so, nada eficaz. Espero que haja pelo menos um indivíduo sensato na sua classe que compartilhe de sua opinião.

Indy: Você conseguiu ganhar DE MIM o emblema "Socialista utópica com complexo de Messias". Como estou sem saco para discorrer sobre a descrição, deixarei ela assinalada.

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 18:46



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Victor,

“Socialista utópico com complexo de messias “ (muito boa essa,rindo muito aqui)

No mundo de hoje, quanto mais messias você tenta ser ,mais anticristo você se torna .

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 18:58



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com/

Alex,
Ué? ¿Vc acha q a relação aqui de blogueiro-leitor inclui a de professor-aluno? Hmm. Não é assim q eu vejo, não. :D

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 20:03



Comentário de: alex castro

bem, plausivel, o post é sobre salas de aula...

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 20:54



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com/

É?

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 21:16



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

¿Vc acha q a relação aqui de blogueiro-leitor inclui a de professor-aluno?


Ué, Plausível, chuto que a relação blogueiro-leitor é criada pelos dois, e pode também incluir uma relação professor-aluno. Não acha?

PermalinkPermalink 08.10.09 @ 22:27



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

" é, golgo, tu não durava uma semana em nenhuma universidade ou escola séria." (Alex Castro)

Talvez por isso eu tenha recebido convites de uma pequena e duas grandes universidades para lecionar? :)

Aceitei o convite da menor delas, que me ofereceu a disciplina mais divertida, dei aula um tempo, mas enchi o saco, o pessoal chega muito despreparado.

Agora sim tu vais te assustar, Alex: eu estou programando um currículo de pré-escola e ensino fundamental. Nessa fase é que é bom lecionar, porque o que se põe firmemente dentro de um cérebro humano entre os zero e os oito anos de idade fica lá a vida inteira, nem com muita terapia se elimina. :)

E, embora eu ainda esteja avaliando os prós e contras, existe uma grande chance que eu abra uma escola nos próximos anos. ;)


PermalinkPermalink 09.10.09 @ 01:46



Comentário de: Alex Castro Email

nada me surpreende nesse mundo

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 01:54



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

"Se eu concordasse com o Jorge Nobre, colocaria, após cada comentário meu, um comentário dizendo "Mas eu sou a favor do Golgo dando aulas na Universidade Pública" etc. etc..." (Adam)

HUAHUAHUAHUAHUA!!!

Verdade seja dita, se todas as pauladas que eu levo na internet fossem assim, eu faria um esforço para escrever mais só para promover o bom humor. :)

"Ha ha, muito boa essa, Adam. De fato, pra acabar com as universidades públicas, um Golgo seria muito mais eficiente que as cotas..." (Lola)

Se fosse assim eu não seria convidado a voltar a dar aulas onde lecionei, certo?

"E garanto a vocês uma coisa: se Golgo me aplicasse uma prova, eu passava. Ia conseguir enganá-lo direitinho, convencendo-o de acreditar em sua solução." (Cursino)

Fiquei curioso: como achas que farias isso?

Eu procuro avaliar conhecimento e raciocínio lógico, dificilmente peço opiniões em provas a não ser para avaliar a capacidade do aluno defender sua posição de modo coerente e bem estruturado.

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 01:59



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Alex:

Se tiveres interesse em conhecer os princípios básicos de engenharia cerebral que vão embasar o currículo, avisa que eu explico.

(Já me conheces o suficiente para saber que estou falando sério, certo?)

PermalinkPermalink 09.10.09 @ 02:03



Comentário de: Beatriz

Alex,
Seus alunos provavelmente passaram a vida se fodendo quando ousaram chegar às próprias conclusões e expressá-las. Aos poucos essa repressão compromete seriamente a capacidade de pensar por si mesmo. Eu sei porque passei por esse processo e estou tentando me livrar da lavagem cerebral por assim dizer. Como você espera que seus alunos pensem por si mesmos se no fim você tem o poder de dizer se eles estão certos ou errados? Se um aluno concluir que a solução é matar todos os brancos estará tudo bem?
E se ele concluir que realmente existe superioridade de raça, tendo ouvido tudo o que se discutiu em aula?
Fora os professores universitários que dizem que o importante é argumentar, que existe uma variedade de posições e na hora da prova só aceitam o que eles próprios pensam. Esses são os piores, porque têm preguiça de explicitar a sua posição e na hora da prova o aluno tem de psicografar a resposta. Quem acredita no papo politicamente correto se ferra. Não estou dizendo que você é assim, mas seus alunos podem ter passado maus bocados pensando por si próprios. É possível que eles não confiem em você.

PermalinkPermalink 10.10.09 @ 12:54



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Alex

Na minh opiniao a diferenca entre 'cagar regras' e expressar uma opiniao sobre qualquer assunto eh nula. Sao duas maneiras de nao ser imparcial, e so sao diferentes em apresentacao.

E uma coisa: Vc falou que "nem eu que nao tenho doutorado"... vc acha que nao o valor da opiniao de alguem eh baseado nos titulos da pessoa? Eu acho isso um absurdo.

E por ultimo, se vc se diz a favor de quotas quer dizer que vc eh a favor sim da intervencao do governo na area. Acho que essa foi minha pergunta inicial, ha uns 4 posts atras... Alias, invariavelmente esse vai ser o resultado de qualquer ideologia que tenda a achar vitimas perpetuas como vc faz...

Se vc me mandar seu endereco eu te mando o livro do Thomas. Terminei de ler, e realmente a historia e experiencia dele (como o segundo juiz negro da suprema corte) mostra que sua visao de como 'solucionar' o racismo esta errada. Eu deveria mandar uma copia para o tal Kabengele Munanga...

PermalinkPermalink 10.10.09 @ 16:59



Comentário de: Danila dourado

boa tarde...

vasculhando bolgs encontrei este teu... me chamou atenção o nome e logo mais as postagens, já o coloquei em favoritos aqui.. parabéns!!

Gostei do debate em tua aula p chegar a solução de "problemas sociais", pois, bem facil é falar nos tais problemas e dificil é encontrar a solução... acredito muito q o verdadeiro professor é aquele q deixa o aluno com duvidas e não q lhe entrega a resposta pronta...


bjus e muito axéeeeeee

PermalinkPermalink 02.02.10 @ 18:52



Comentário de: M

acho muito chato conversar com pessoas que já tem uma posição firmada sobre um assunto e não gostam de levantar ou respeitar diferentes pontos de vista... perco a vontade de falar, sério mesmo. =/

Gostei daqui
Beijos

PermalinkPermalink 14.02.12 @ 00:48



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