A leitora Carol não gostou das generalizações do meu texto:
Eu gosto do jeito que você argumenta, mas acho complicado você fazer algumas conclusões generalizantes sem aprofundar o contexto. Pode ser que, porque eu pense de forma bastante fundada em dados (pela minha própria formação), mas pode ser também que você extrapole algumas conclusões sem o devido contexto.
Se assistirem um filme de mistério buscando por piadas, pode até ser que encontrem uma ou outra, mas provavelmente vão sair frustrados. Mais importante, a busca pelas piadas que o filme não se propôs fazer vai distraí-los do suspense que o filme de fato oferece. Os textos do LLL não são científicos. Todos os exemplos são meramente ilustrativos e não sugerem ou implicam extrapolações exaustivas que esgotem outras possibilidades. Se os textos têm algum valor, vocês não vão encontrá-lo buscando por coisas que os textos não se propuseram oferecer.
Não é possível produzir nenhuma forma de conhecimento sem generalizações. Tenho um conhecido que considerava cada fato, cada objeto, cada ser vivo, na sua mais absoluta especificidade, mas na prática, isso tornava-o incapaz do mais simples raciocínio.
Na preguiça de escrever mais sobre isso (sabe como é, todo carioca é preguiçoso), cito o texto de um colega paulista (sabe como é, esse povo trabalhador que sustenta o Brasil):
Um grande momento na vida de uma pessoa de inteligência mediana acontece quando ela descobre que generalizações não cobrem todos os casos específicos. A excitação causada por essa descoberta e o prazer inocente em simplesmente pensar na existência de exceções o deixa incapaz, durante algumas décadas, de entender generalizações simples - de tal forma que se alguém disser que "a maior parte das mulheres chamadas Joana são morenas", ele é capaz de levantar e dizer de um jeito sabido que conhece uma Joana que não é morena.
Pelo menos pelo que eu vejo em jornais e fóruns na internet, a vida mental de muitas pessoas consiste numa única coisa, numa espécie de cacoete, que é pensar automaticamente em exceções sempre que ouvem uma tentativa de formulação de uma tendência geral. Essas exceções lhes causam tanto prazer que ficam um pouco tontos, um pouco distraídos, talvez, e assumem que a existência dessas exceções nega a tendência geral que acabaram de ouvir.
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