Brasil, Meritocracia de Todos! (Você É um Privilegiado?, 4)

Racismo LLLQuando digo que o Brasil não é um país meritocrático, sempre surge na conversa o proverbial negro-favelado-trabalhador, que venceu todos os desafios da vida com muito esforço e muito estudo, e hoje é presidente de multinacional e tem duas loiras na garagem. E é mentira? Não, claro que não. Existem muitos casos assim. Mas e daí? É um em um milhão.

Sabem por que o Brasil não é um país meritocrático? Porque ninguém faz o caminho inverso. Sim, é possível que um favelado brilhante se torne presidente de empresa. Mas e as antas bem-nascidas?

Estudei na Escola Americana do Rio, na época a mais cara do Brasil. Um bom terço da minha turma era composto de gente inapelavelmente burra. Incompetentes, pouco articulados, preguiçosos, mal acostumados. Quantos deles vocês acham que hoje estão varrendo o chão? Nenhum. Mesmo o mais imbecil conseguiu passar no vestibular das Faculdades Integradas Tico e Teco, formou-se mal e mal advogado, e então, dependendo do nível de riqueza, ou o pai montou escritório e contratou gente competente pra dar suporte, ou o tio arranjou um emprego low-profile na empresa onde trabalha, ou um ex-colega de sala agora vereador chamou pra ser aspone. De qualquer modo, nem o mais inepto filho privilegiado da classe média vai parar ali onde seria o destino comum dos negros favelados - menos a excepcional exceção que vira presidente da Bic, claro.

Se você não se sente um privilegiado, pense nisso. Se conseguiu o seu primeiro emprego porque seu tio era dono da padaria, ou porque seu melhor amigo era concursado da Petrobrás e soube de uma vaga pra contratado, ou porque falava alemão fluente que aprendeu nos seis meses de intercâmbio em Berlim, você já está léguas e léguas a frente da grossa maioria dos brasileiros.

Um dos grandes empecilhos para o progresso pessoal e profissional de um jovem favelado é o simples fato de que todos seus amigos e parentes também tendem a ser favelados subempregados.

O manto de privilégios que cobre e protege a nossa classe média é tão espesso que basta o simples fato de você SER da classe média, e ter amigos e conhecidos e parentes na classe média, para que isso já lhe abra portas e lhe conceda oportunidades totalmente fora do alcance da maioria dos brasileiros.

O favelado mais excepcional entre os excepcionais, se vencer todas as armadilhas da vida, pode teoricamente conseguir cursar uma Federal, abrir uma empresa, ficar rico - mas só se ele não errar nunca, se nunca cair em tentação, se nunca for morto de bala perdida ou torturado pela polícia, e tiver muita, muita sorte. Já na classe média, não existem erros tão grandes, nem preguiça nem inépcia, capazes de transformar alguém em favelado faxineiro: na pior das hipóteses, dá-se um jeito. Sempre pode ser assistente administrativo do escritório do padrinho, balconista da videolocadora do tio, fica tranquilo, compadre, dá-se um jeito, ele não é nenhum gênio, mas é meu primo, e família é família, não?

É por isso, entre outras coisas, que o Brasil não é um país meritocrático. É por isso, aliás, que o próprio conceito de meritocracia não faz nenhum sentido, pois meu mérito individual nunca é só meu, mas está sempre corrompido ou viciado pelos méritos acumulados dos meus antepassados, na minha família, dos meus compatriotas. É por isso, entre outras coisas, que mesmo um cidadão de classe média baixa, daqueles que fala coisas como "é um absurdo eu gastar uma fortuna em escola particular e plano de saúde, e depois ainda ser escorchado pelo governo que não faz nada por mim!", ainda assim é um tremendo de um privilegiado em comparação à massa de cidadãos brasileiros que não teriam renda pra pagar nem escola particular e nem plano de saúde.

Em um país escroto, injusto e desigual como o nosso, não é preciso ter lancha de 40 pés ou ilha particular pra ser um privilegiado. Se você está aqui, lendo esse blog, ao invés de lavando chão pra ganhar salário mínimo, provavelmente é um privilegiado também.

* * *

Capitalismo de Compadres

Estudo recente do IPEA decifra alguns números sobre o nosso capitalismo de compadres. Para os mais pobres, nem adianta ser mais escolarizado, pois continuam por fora das redes de contatos e apadrinhamento que protegem a classe média. Nas palavras do presidente do IPEA:

É estranha a interpretação de que quanto maior a escolaridade (do trabalhador), maior é a chance de emprego, porque isso não ocorre com os mais pobres. ... Há uma barreira, do ponto de vista da inserção, para trabalhadores pobres, apesar da escolaridade. É o chamado QI, ou quem indica. Isso não ocorre com os menos escolarizados, porque esses não dependem das relações sociais para conseguir emprego.

Leia mais:
- O IPEA, o antropólogo e o capitalismo de compadres
- Capitalismo de acesso
- Ipea revela que os mais escolarizados engrossam as filas de desempregados

 Igualdade e Meritocracia: a Ética do Desempenho Socidades Modernas Mediocracia ou Meritocracia
"Igualdade e Meritocracia: a Ética do Desempenho Socidades Modernas", de Livia Barbosa & "Mediocracia ou Meritocracia", de Robert D'Alanjis

* * *

As crianças, por não conhecer nada de diferente, aceitam a realidade como ela é. Para a criança privilegiada, seus privilégios são tão naturais que ela pensa que todo mundo os têm.

Então, um dia, por qualquer motivo (talvez lendo um blog), baixa aquela consciência da enormidade dos seus privilégios. De quanta coisa você tem ou teve que outros nunca tiveram.

Em um segundo momento, consciente de todos seus privilégios, você pára de reclamar dos privilégios que não possui e, mais importante, pára de lutar por mais privilégios.

Por fim, percebendo que somente isso não basta, mesmo que a custa de alguns sacrifícios pessoais, você começa a repassar alguns desses privilégios para quem nunca teve nenhum.

E assim o mundo começa a mudar.

* * *

É impossível amadurecer sem ao mesmo tempo desnaturalizar o mundo, sem perceber que a sociedade, as instituições, a língua, nada disso caiu pronto do céu e que foram criados ao longo de processos históricos que não tiveram necessariamente um final feliz.

Nosso mundo atual não é o único possível. A maneira como organizamos nossa economia, nossa postura em relação às raças, a maneira como nos vestimos, literalmente tudo, poderia ter sido diferente - e ainda pode ser, se quisermos.

* * *

Racismo LLLSérie Você É um Privilegiado? (Convite para Reflexão Individual)
I - A Invisibilidade do Privilégio
II - O Ônus da Elite
III - Os Privilégios da Classe Média
IV - Brasil, Meritocracia de Todos!

Adendos:
I - Culpa, Racismo e Privilégio ("Somos Nós os Culpados?")
II - Governo, Raça e Privilégio
III - "Mas Afinal Qual É a Solução?"

* * *

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02.10.09


Categorias: Política, Raça


Posts similares:
Culpa, Racismo e Privilégio ("Somos Nós os Culpados?")
O Ônus da Elite (Vocę É um Privilegiado?, 2)
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Comentários:


Comentário de: Marcos Vinícius Almeida · http://prosacom.blogspot.com/

...

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 01:24



Comentário de: Samara

Porra, cara, ainda fico surpresa com o quanto você é bom nisso. Beijos gaúchos.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 01:46



Comentário de: Leo · http://lmonasterio.blogspot.com

Alex, concordo com vc que o Brasil nao eh meritocratico. COntudo, essas interpretacoes sobre diferenciais de desemprego nao servem para isso. Coisas tecnicas e coisa e tal.
Abracos,
Leo, que trabalha vc sabe aonde.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 01:52



Comentário de: Manuel Carreiro · http://manuelcarreiro.com

"E é mentira? Não, claro que não. Existem muitos casos assim. Mas e daí? É um em um milhão."

Alex, esse trecho ficou estranho.

Acho que entendi o que você quis dizer - eu também conheço um punhado desses casos, e eles continuam um em um milhão.

Talvez ficasse melhor "claro que esses casos acontecem bastante, mas são raros".

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 03:16



Comentário de: Manuel Carreiro · http://manuelcarreiro.com

Esse texto me fez pensar muito, cara. Confesso que fiquei até chateado pensando nisso tudo.

Vamos ver se consigo transformar minha chateação em ação.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 03:25



Comentário de: Alex Castro Email

manuel, mas ficou chateado com o que exatamente?

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 03:30



Comentário de: Manuel Carreiro · http://manuelcarreiro.com

Com o fato de me sentir um privilegiado (ainda que falido, espero que temporariamente) e não fazer nada a respeito. Essa impotência me chateia.

Não que seu texto seja panfletário (na acepção pejorativa que em que andam usando o termo) - mas ele toca em pontos importantes que me incomodaram.

E se me incomodaram, bem, eu acho que isso é bom.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 04:07



Comentário de: Rubão · http://boemiosnodiva.blogspot.com

Bravo!

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 07:56



Comentário de: Tiago Lorenzo

A série está ótima.

Foi bom ver, que com o tempo, outra dimensão da "libertinagem" ganhou lugar no blog.
Agora não somente a "libertinagem individual" tem seu belo lugar de honra, mas também a "libertinagem social" vai ganhando seu espaço... :D

Muito bom ver isso. :D

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 11:05



Comentário de: Josué

Essa questão do capitalismo de compadres é um dos pontos chaves que exclui a população negra do acesso a mil coisas. Um exemplo: Eu tive uma namorada branca, bem branquinha. O pai dela não tinha nem o Ensino Fundamental, mas ganhava uma grana boa como eletricista de máquinas pesadas, e a mãe tinha Ensino Médio e ganhava uma graninha com trabalhos administrativos, contábeis etc. - ambos filhos de famílias pobres. Já na infância de minha ex-namorada, o pai dela teve uma doença muito grave e não pôde mais trabalhar. Eles, que eram tipo uma classe média suburbana, ficaram pobres até o pai morrer, quando ela tinha 16 anos.

Bom, o caso é que, mesmo nessa situação de pobreza que ela viveu durante a maior parte da vida, ela conseguiu uma bolsa de estudos numa numa excelente escola em Petrópolis para fazer o 2o grau. E era uma turma só de bolsistas, ou seja, só da galera pobre ou classe média bem baixa.

Sabe quantos negros tinham na turma dela, uma turma de 30 ou 40 pobres/classe média baixa que consegui bolsa? UMA.

E não venha me dizer que Petrópolis não tem negro, que é colonização alemã, porque eu passei 4 anos e meio frequentando aquela cidade, e a proporção de pretos é bem alta, possivelmente metade da cidade.

Se, num país em que o valor do trabalho é grande, como os EUA, os pretos já têm de se provar muito mais do que os brancos, num país de apadrinhamentos (tradição ibérica!) como o Brasil, é mil vezes mais difícil um preto chegar lá. Porque, se as relações sociais têm um peso maior, o racismo (que TODOS carregam consigo) se torna um fator ainda mais relevante.

Sugestão de leitura sobre o assunto: "Claros e escuros", do grande, maior, esplêndido, inalcançável Muniz Sodré (e qualquer outro livro dele sobre negritudes; aliás, sobre qualquer coisa, porque até o livro dele sobre ficção científica é excelente). Mas, no "Claros e Escuros" tem um capítulo (o 2) só sobre o lance do apadrinhamento.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 11:47



Comentário de: Josué

aliás, tem o "claros e escuros" aí na latin american library da tulane.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 11:49



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

“Alex, por um mundo onde cada negro tenha duas loiras na garagem”

Bonito isso me emocionou, sério, muito altruísta você. Isso é o que eu chamo de utopia.
Ora Alex as antas bem nascidas são as antas bem nascidas, elas não precisam fazer nada mesmo. Sabe por que fazemos algo pelo mundo? Pra termos um mundo melhor, quando o nosso mundo é o melhor possível não nos restam muitas coisas a fazer (as antas bem nascidas pensam assim). Gosto quando tu falas dos seus tempos áureos, não deixa de ser um pouco saudosista. E nepotismo é um fato, vai me dizer que nunca tentaste indicar alguém pra alguma coisa? hum...
Eu consegui meu primeiro emprego pelo programa do SENAI, isso me torna uma privilegiada? É eu acho que não, mas tenho amigas que são umas verdadeiras antas e que não estão nem ai pra situação sociopolítica e socioeconômica do país, elas definitivamente preferem saber sobre os Jonas Brothers. Elas estão necessariamente erradas? Não. E por mais incrível e obvio que pareça, elas trabalham pros seus parentes, quando não pros próprios pais.E não posso dizer que acho isso terrível ,pois eu não acho,quisera eu ter parentes assim .
E as desigualdades herdadas não nos ajudam muito nessa historia de racismo estrutural.
O Brasil ta todo errado e nos sabemos disso, mas o que estamos fazendo pra melhorá-lo? Ou melhor, o que podemos fazer? Eu me faço essa pergunta desde a terceira serie, foi quando eu assisti a uma palestra sobre sociologia. Sou muito preocupada com o meio ambiente e com tudo em geral, tudo que torna uma pessoa politicamente correta. Mas só isso me basta? Se preocupar e não agir, não muda muita coisa,desejar que as coisas mudem não vai acionar o “the secret “ não é assim que acontece,precisa-se de tempo para derrubar uma dinastia e levantar outra ,estamos na tênua linha entre a ascensão e a decadência,sempre.
Eu faço parte da massa de brasileiros que não tem possibilidade alguma de pagar um curso particular que seja, E desde criança o meu plano de saúde é não ficar doente, tenho alergia a fila do SUS. E eu estou lendo e postando em seu blog ao invés de estar trabalhando, mas isso não muda o fato de eu ganhar um salário mínimo, e ai Alex eu sou ou não sou uma privilegiada?

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 11:53



Comentário de: Jampa · http://http//www.ooxymore.blogspot.com

Ouvi dizer que Sartre dizia que somos seres condenados à liberdade. Somos condenados, dessa forma, nesse "livre arbitrio que nos é imposto", a ler seu blogue e admitir nosso privilégio de ter tempo para ler blogues que falem sobre nosso privilégio. Falo aqui do meu privilégio como exemplo de reflexão sobre a culpa socialmente camuflada de "tantas coisas que são valores de classe média".

Todo mérito em terra desigual será castigado. E isso porque o "mérito" é necessáriamente fruto do filtro que seliciona as "cateogorias dignas de operar as qualidades" de quem adquire o "mérito".

Sou filho de um privilégio que se deu ao mesmo tempo em que evoluia meu "mérito". Filho de metalurgico que virou sindicalista e fundador do PT, cresci em ambiente pobre. Ao mesmo tempo, por conta da carreira política de meu pai, que crescia na mesma medida do PT, tive acesso a escolas particulares de relativo bom nível. Por consciência social ou coisa que o valha, meu pai não quis a principio sair do bairro onde moravamos. Vivi assim entre a escola de classe média (cheia de amigos com seus futuros gloriosos, inclusive até voluntariosos quanto a "questão dos pobres")e os amigos do bairro (estudantes de escolas públicas, com a coisa do futuro não tendo lá grande importância).
Fui péssimo aluno. Fadado ao fracasso e ao descaso de deboche dos professores... Era inapelavelmente burro. O quanto disso incorporei? O papel da escola não é mesmo esse de inculcar o "mérito" e o "demérito" em crianças quase indefesas? Mas não isso que estava em jogo ali, meu fracasso seria já naquela época, algo diferente do fracasso de meus amigos de bairro. Se não acabasse o segundo grau, já havia me tornado filho de fulano de tal, deputado... com acesso a outras possibilidades mediocráticas oriundas de minha mediocridade escolar.
Mas eu já dispunha por alguma razão de uma vontade interna de entender porque meu destino se traçava de maneira diferente do dos meus amigos de bairro. Consegui de maneira conturbada passar num vestibular de universidade federal. O pouco concorrido de ciências sociais, garantido sem dúvida pelo contato com a escola particular.
A morte de muitos de meus amigos de bairro ainda hoje é parte do peso do meu privilégio que carrego comigo. Fruto da história recente de "novos privilegiados" do país carrego comigo na minha condição de classe média o demérito de ser um homem que aceitou talvez com demasiada facilidade a falsa meritocracia à brasileira. Onde todo mérito esconde o fosso social onde estão expostas nossas piores vegonhas. Parabéns pela sequências de posts.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 12:23



Comentário de: Anna May

Brilhante Post. Tive o maior CR da faculdade e não consegui estágio na área: era sempre preterida por colegas mediocres, mas cujos pais ou tios eram jornalistas do veículo de comunicação, ou cujos pais eram empresários e gastavam milhões de reais por ano em publicidade nos jornais/revistas e editoras do grupo. Enfim, mifu por falta desta rede de contatos.

E ninguém tem coragem de tocar no assunto, botar o dedo na ferida. Mais uma vez, parabéns pela audácia. Tenho orgulho de acompanhar o seu blog.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 12:50



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com/

Alex,
Sei não. Li tudo isso e pensei "what else is new?" Não quero dizer q o q vc diz não é novidade. Quero dizer q não é novidade q haja alguém dizendo essas coisas – coisas q apenas apaziguam a consciência com uma possibilidade de redenção e nunca se efetivam na realidade do dia-a-dia.

Somos macacos, lembra? Passe algumas horas observando macacos e essas idealizações de ética racial e altruísmo social vão desmoronar como paredes de pó. É bonito e tal; mas é apenas um platonismo, um adubo à hipocrisia.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 12:51



Comentário de: Alex Castro Email

hmm...

a anna diz:

"E ninguém tem coragem de tocar no assunto, botar o dedo na ferida. Mais uma vez, parabéns pela audácia."

o plausivel diz:

"Li tudo isso e pensei "what else is new?" Não quero dizer q o q vc diz não é novidade. Quero dizer q não é novidade q haja alguém dizendo essas coisas"

decidam-se, pessoas! :)

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 13:13



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

É Alex hoje parece ser o dia das postagens contraditórias nesse blog.
Começou com você e se espalhou pelos comentaristas. Meu avô dizia que quando começamos a nos contradizer era o momento de se calar, de uma vez que não dispunha de argumentos.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 13:27



Comentário de: Alex Castro Email

Indy: "e ai Alex eu sou ou não sou uma privilegiada?"

nao sei, indy. quem sou eu pra apontar o dedo pra vc e dizer q vc é isso ou aquilo? vc q sabe...

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 13:28



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Então eu nao sou,e nem adianta dizer que sou,porque eu sei a verdade sobre mim,demorei 18 anos pra descobrire e agora nao deixo ninguem me convencer do contrario.
Eu gosto de me imaginar,heroina de mim mesmo.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 13:45



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com/

Alex,
"decidam-se, pessoas!"

Bom, a República tem 2300 anos. A fórmula q o grande pensador achou pra anular todos os privilégios e corrupções adjuntas foi propôr uma casta meritocrática de governantes. Ou seja, nem o problema nem as soluções fantasiosas são novidade.

Deve-se levar em consideração a visão de q os problemas existem JUSTAMENTE pq existem as idealizações impraticáveis. Se as pessoas aceitassem sua natureza hipócrita em vez de ficar sonhando mirabolâncias, talvez fosse melhor. Mas essa TAMBÉM é uma idealização. Nunca vai acontecer. A civilização tá fadada a re-encenar infindavelmente o conflito entre o ideal e o real. Tou fora. Já aceitei q a vida é uma merda, embora engraçadíssima.

Note q na própria República, Platão se viu obrigado a abolir o humor e risada. Sintomático, não?

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 14:07



Comentário de: Haline · http://www.halinices.blogspot.com

fala a verdade alex, a indy é criação sua né? pls, conta pra gente!

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 14:19



Comentário de: Ana

Plausivel, não, não somos macacos, somos primatas, ok. Mas fazemos parte da familia dos antropoides ou homminidae e macacos não.

E mesmo falando sobre eles, vc precisa atualizar seus estudos sobre o comportamento de primatas, existe autruismo, reparação, e varias coisas do tipo. Procura os trabalhos do Frans de Waal pra vc ver, os com bonobos são bem interessantes, alias.

Sem contar a bobagem que é achar que somos exatamente iguais aos nossos primos, não somos, organizações sociais diferentes, fisiologia, morfologia, etc. tbm diferentes.Cada especie de primta possui caracteristicas proprias.

Mas dá uma estudada antes de falar coisas absurdamente bobas como essas.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 17:08



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Ai gente! Vc´s não existem...
Macacos, primatas, antropóides ou homini...alguma coisa rsrs´s
Então foda-se,não precisamos discutir sobre sociologia ou antropologia ou sobre todos as logias ,somos macacos e primatas e ....
Ah antes que eu me esqueça,só nós os brancos somos primatas,os negros são criação divina
we are human shit!

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 17:24



Comentário de: Fabiana

Sério, cara, fiquei meio sem palavras depois que eu terminei de ler esse texto. Nem sei o que comentar direito. Só tô escrevendo aqui pra parecer miguxa e elogiar mesmo.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 17:32



Comentário de: Ana

Sabe Alex, falando sobre os textos, toda essa série sobre privilégios tem me feito pensar muito. Se eu ainda tivesse um blog teria feito posts sobre o assunto, fica grande demais pra comentario.

Várias coisas eu já vinha pensando, matutando aqui com meu botões, mas vc me deu uma nova forma de olhar isso, e como falaram ai em cima dá uma angustia grande.

De um lado já me sabia privilegiada, exceto por ser mulher, jã discutia que aparentemente o único jeito de um homem entender de leve o que mulheres e negros passam é ele ser fumante hj em dia.

De outro lado, quando vc pediu a reflexão pessoal, parei pra pensar mesmo em que coisas eu sou privilegiada e em quais não, e me descobri numa situação muito particular, que em nada muda ou acrescenta ao pensar socialmente nos privilégios, mas que faz muita diferençca pra mim.

Veja, eu poderia ser usada como estudo de caso do que se fala de familias privilegiadas na historia do Brasil, não tanto pela grana que atualmente é mais curta, mas ainda assim me mantem na classe alta. Só que por alguns motivos estranhos, que não vem ao caso aqui, eu não tenho as beneses que normalmente seriam incluidas com essa posição, tenho algumas, mas não aquelas mais obvias e faceis de medir.

E sabe o que angustia? ver quantas magoas e ressentimentos e sensação de perda, de começar o jogo com cartas ruins, vêm com essa ausencia de privilégios esperados, é isso que é naturalização de privilégios...

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 18:11



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com/

Ana,
Claaaro q sei q essas coisas são mais complicadas, &c &c, mas tbm claaaro q usei a palavra 'macaco' num sentido amplo. Eu poderia ter começado "somos mamíferos, lembra?" e mesmo assim o q eu disse taria longe de ser uma "coisa absurdamente boba".

Aliás, ¿VC já observou macacos/chimpazés/primatas? Note q eu não falei de 'altruísmo' genérico, mas de 'altruísmo social'. Vc não vê macacos de um lado da montanha sendo altruístas com os do outro lado.

Há uma abissal diferença entre 'direito/vantagem conquistado/a' e 'direito/vantagem disponibilizado/a'. Todos – desde o filhinho-de-papai até o mais radical ativista negro – preferem o segundo, pq, claro, o primeiro dá mais trabalho. Ninguém é bobo.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 18:31



Comentário de: Alex Castro Email

gente,

eu agradeço muito os elogios. textos como esses sao realmente dificeis de escrever. dificeis tanto no lado tecnico, de desenvolver um argumento coerente que seja ao mesmo tempo sofisticado e acessível, quanto no lado de uma certa viagem interior pela propria historia da minha vida, dos meus privilegios e obrigacoes. Penso que sao textos que eu nao poderia escrever no brasil, q necessitam um certo distanciamento e, só por isso, já teria valido a pena morar fora.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 18:54



Comentário de: Roger Moreira

você está trabalhando com sensibilização. no fundo sabe que, quem está bem, não tem lá muito motivo pra se preocupar com o resto e que a idéia de dever não tem amparo fático. então, para defender uma ética de generosidade ou apela pro argumento religioso ou trabalha um humanismo deste viés.

pra mim, tudo bem, concordo que o mundo seria melhor. só não acho que o jeito humano permita, e falo de todos, quem está por baixo e quem está por cima.

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 19:23



Comentário de: Bruno Pinheiro · http://miudorecruzado.blogspot.com

Alex,

Muito precisas as suas críticas, como,aliás, têm sido em todos os posts da série.

(E obrigado pelos links)

PS: Ainda não li o prefácio do outro blog.Tô numa correria danada. Assim que eu o ler eu deixo um comentário lá.

Um abraço

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 21:29



Comentário de: Flávia Stefani · http://www.namoradoimaginario.com

É por isso que eu te amo, Alex. Por isso e por "Mulher de um homem só", cuja leitura terminei essa semana e adorei.

:*

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 21:49



Comentário de: Manuel Carreiro · http://manuelcarreiro.com

Olha que beleza esse texto do Gustavo Bernardo (UERJ)

http://www.dubitoergosum.xpg.com.br/a445.htm

PermalinkPermalink 03.10.09 @ 03:55



Comentário de: Luiz Aquino · http://hajaluz.webluz.net

Alex meu caro. Concordo quando você diz que a possibilidade de um rico se tornar pobre é bem menor do que ocorrer o inverso. Porém isso não é causado por nenhuma lei social. É um fato natural que vai ocorrer com o pobre que se torna rico, dificilmente seus filhos torna-se-ão pobres também.

Seu raciocínio possui exemplos muito particulares que você julga ser uma regra geral. Veja esse por exemplo:

"Um dos grandes empecilhos para o progresso pessoal e profissional de um jovem favelado é o simples fato de que todos seus amigos e parentes também tendem a ser favelados subempregados."

Por viver em situação de risco durante a minha infância e adolescência posso lhe afirmar que as coisas não são tão extremas. Existem pessoas de classe média em qualquer bairro pobre.

Existem oportunidades na favela, mas como você vai compreender isso?

Eu não me proponho a entender coisas básicas que você entende, mesmo que você me explique milhões de vezes não vou entender, na faculdade por exemplo meus colegas gastavam um salário mínimo em uma noite, isso é algo incompreensível para mim...

Não há solução da questão social quando se encara mérito e privilégio como fatores excludentes. As pessoas possuem privilégios por causa do mérito. Esse mérito pode ser até comprado com dinheiro como foi o caso dos nossos coronéis, que mau há nessa prática quando ela é legitimada por toda a sociedade?

Uma boa ilustração desse raciocínio é o fato de chamarmos médicos e advogados de doutores, mesmo sem que eles obtenham a titulação para tal.

Nossa sociedade é injusta sim. Não por uma força invisível, existe um fator concreto que é a aceitação e a própria defesa da sociedade, inclusive a mais sofrida, faz dessa injustiça.

Alex. Já trabalhei no front com adolescentes carentes e fiz vários questionamentos. Briguei com todas as forças para que eles mudassem sua mentalidade de classe dominada para dominante, mas em todas as ocasiões que fiz tal tentativa percebi que a mudança não é desejada ou perseguida, a não ser por uma minoria que assim como eu acreditou nela.

Existe uma minoria que não aceita ser desfavorecida, e é essa minoria que muda sua vida e a sua condição social, não há nada de estranho nisso, é a lógica da existência humana...

PermalinkPermalink 03.10.09 @ 08:08



Comentário de: Duda Mendes

Meus caros. A desigualdade é que sustenta a sociedade. Podem falar que é necessária a igualdade de condições, mas isso é BALELA. Nem quem defende tal igualdade de condições quer isso, pois, no fundo é um privilegiado que EXPLORA a condição do outro, que não tem o provilégio e precisa sobreviver...quem faz a coleta de lixo? quem faz a faxina? quem limpa a latrina? e se todos eles tivessem igualdade de condições? o diplomado, o pós-graduado, o mestre topariam fazer o serviço "sujo"? melhor, o diplomado, o pós-graduado, o mestre toparia pagar 50% do seu salário para sua empregada doméstica? é muito bonitinho falar em igualdade de condições estando no lado privilegiado...é muito bonitinho o discursinho politicamente correto...vamos lá, menos hipocrisia e mais fato...

PermalinkPermalink 03.10.09 @ 10:03



Comentário de: Eduardo

Excelente. Valeu mesmo! A série toda é ótima mas esta quarta parte é a melhor. O cara burro e rico que não cai de padrão, é perfeita. Parabéns.

PermalinkPermalink 03.10.09 @ 11:57



Comentário de: ta chao

numa sociedade um pouco mais civilizada e justa,onde a diferença entre os maiores e menores salarios não seja gritante, os empregos como gari ou empregada domestica talvez não sejam tão discriminadas. ou seja, as ocupações acima citadas são discriminadas em consequecia da sociedade extremamente desigual em que vivemos. e que mal há se um mestre, diplomado pagar "50 %" de seus ganhos a uma faxineira, ele paga se fosse necessário, caso contrário,pode ele mesmo fazer a faxina, simples. e é assim que funciona nas sociedades menos desiguais.

PermalinkPermalink 03.10.09 @ 12:43




ta chao
As "sociedades menos desiguais" são possíveis pq existem as "mais desiguais", onde as primeiras terceirizam a "produção incansável de bebês pobres". Veja o linque.

PermalinkPermalink 03.10.09 @ 12:52



Comentário de: Sams

Alex,
Concordo com o a sua descriçao do que ocorre no Brasil sim, mas essa coisa da meritocracia ir no sentido inverso, vc vê isso nos EUA? Eu nunca vi isso em lugar nenhum. Para mim a grande diferença é que há muito mais oportunidades de emprego (e menos favorecimento, sim) em lugares como EUA e UK, que sao os que conheço melhor. Mas, de novo, noto essas diferenças num sentido só, nao no outro.

PermalinkPermalink 03.10.09 @ 18:13



Comentário de: ta chao

as sociedades menos desiguais estão no topo da hierarquia capitalista ( países dito desenvolvidos ), certo? taí é instintivo deduzir que o capitalismo funciona graças aos explorados das sociedades mais desiguais ( se eu tenho dinheiro, boto as pessoas para trabalharem para mim ). não tem como capitalismo trinufar num teorico, "utópico" mundo igualitário.

PermalinkPermalink 04.10.09 @ 12:26



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Alex
Eu gosto do jeito que você argumenta, mas acho complicado você fazer algumas conclusões generalizantes sem aprofundar o contexto. Pode ser que, porque eu pense de forma bastante fundada em dados (pela minha própria formação), mas pode ser também que você extrapole algumas conclusões sem o devido contexto. O caso do “nunca vi ninguém fazer o caminho inverso” é exemplar.

Bem ou mal, a economia do país cresceu muito da década de 60 para cá (mesmo com todos os erros que vários governantes cometeram). Fala-se que na década de 60, mais ou menos 60% da população eram de miseráveis. Hoje está em menos de 15%.

Não me lembro da fonte, pois estou citando dados de cabeça. Mas até pretendo escrever sobre isso no meu blog e postar os dados certinhos. De qualquer forma, dá para dizer que, talvez exceto nos governos Sarney e Collor, a situação econômica do Brasil melhorou, ou em crescimento, ou em estabilização, ou em redução da desigualdade (cada governo acabou focando em uma coisa ou duas coisas diferentes). Assim, como houve melhora geral da população, a chance de conhecermos alguém que tenha piorado é muito menor que a chance de conhecermos alguém que tenha melhorado de situação.

Sobre a questão de alguém ser empregado porque conhece mais gente que tem condições de empregá-lo, eu concordo que isso exista. Mas não vejo nenhum conflito ético nisso, quando não é feito na esfera do dinheiro público. Porque quem está arcando com o risco de ter um funcionário péssimo é quem contratou. E a pessoa está arriscando o próprio dinheiro apostando na incompetência alheia. No mais, pelo que vejo por aí, isso vale bastante para “balconista de locadora” (que desenvolve um trabalho simples), mas vale muito pouco para cargos técnicos avançados (engenheiros de toda sorte) ou cargos que exijam decisões. Caso contrário, não existiriam tantos processos seletivos complicados em empresas ou tantos cursos de especialização.

Ou seja, mesmo que a pessoa consiga um emprego por indicação (o que acontece muito), ela só vai subir se for digna de merecimento. Ou a empresa corre o sério de risco de perder seus clientes e seu lucro.

Além disso, você conclui seu texto dizendo: “Por fim, percebendo que somente isso não basta, mesmo que a custa de alguns sacrifícios pessoais, você começa a repassar alguns desses privilégios para quem nunca teve nenhum”. Pois bem, não é exatamente essa a função dos impostos? EXATAMENTE! Tirar de quem tem mais para distribuir para quem tem menos na forma de saúde pública, educação, programas sociais, transferência direta de rendas, etc.

Mas alguém pode até alegar: “oras, mas o governo não faz a parte dele”. Entendo e até concordo que não faz tudo o que poderia e deveria ser feito, visto o tanto de dinheiro disponível. Mas quem vota nos governantes? São tanto os “privilegiados” quanto os “não privilegiados”.

Eu sinto, mas eu não concordo com uma “obrigação moral” em ser altruísta. O altruísmo é louvável e admiro quem pratique. Mas, definitivamente, ninguém tem obrigação de fazê-lo. Até porque existem já impostos que poderiam ser interpretados como uma espécie de “altruísmo forçado”. E é justo que haja impostos. Mas não é justo que, depois de todas as obrigações cumpridas, as pessoas tenham que se sentir culpadas por terem economizado para fazerem aquela “viagem dos sonhos” só porque o Jornal Nacional mostra as mazelas da falta de saneamento básico no Maranhão.

Até por isso eu acho que discutir o que você chama de privilégios, sem discutir políticas públicas e dados econômicos, é um pouco infrutífero: poucas pessoas vão abrir mão da rendinha extra que proporciona certos prazeres (um jantar de vez em quando, uma viagem de fim de ano, um vestido novo para a festa de formatura – coisas tão naturais que deveriam ser normais para TODOS) porque elas têm um pouco a mais que outras pessoas. Altruísmo só é fácil de fazer quando existe MUITO dinheiro sobrando.

PermalinkPermalink 04.10.09 @ 15:46



Comentário de: ta chao

"Altruísmo só é fácil de fazer quando existe MUITO dinheiro sobrando."

Na minha concepção e observação cotidiana, vejo exatemente o contrário da frase acima. os que costumam exercer altruísmo muitas vezes não têm condições financeiras superiores aos que recebem o ato caridoso.

o que diferencia um rico de um pobre? o rico gosta e dá muito mais valor ao dinheiro que o pobre......simples, né?

PermalinkPermalink 04.10.09 @ 16:23



Comentário de: Alex Castro Email

carol,

o meu texto não é científico. os exemplos não querem provar nada, eles são meramente ilustrativos. se você lê os posts desse blog do mesmo jeito que lê um paper de economia, buscando pelos dados empíricos que sustentam as conclusões, você não apenas vai se frustrar e perder seu tempo como não vai conseguir enxergar o verdadeiro valor do texto ou mesmo se ele tem algum.

é como vc ver uma comédia procurando pelos momentos de terror: vc não só NÃO vai encontrar nenhum momento de terror como também, provavelmente, não vai conseguir perceber as piadas, e não vai nem mesmo poder julgar se o filme funciona como comédia ou não.

não é possível produzir nenhuma forma de conhecimento sem generalizações. tenho um amigo que via cada coisa na sua especificidade e nunca generalizava nada... vc pode ler aqui o que aconteceu com ele:

http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/2007/11/o-tempo-em-funes-e-menard-de-borges.html

http://www.literatura.us/borges/funes.html

Ah, e sobre generalizações, esse aqui é o melhor texto que conheço:

http://www.apostos.com/soaressilva/2008/04/continuo_obcecado_com_a_estupi.html

"Um grande momento na vida de uma pessoa de inteligência mediana acontece quando ela descobre que generalizações não cobrem todos os casos específicos. A excitação causada por essa descoberta e o prazer inocente em simplesmente pensar na existência de exceções o deixa incapaz, durante algumas décadas, de entender generalizações simples - de tal forma que se alguém disser que "a maior parte das mulheres chamadas Joana são morenas", ele é capaz de levantar e dizer de um jeito sabido que conhece uma Joana que não é morena.

Pelo menos pelo que eu vejo em jornais e fóruns na internet, a vida mental de muitas pessoas consiste numa única coisa, numa espécie de cacoete, que é pensar automaticamente em exceções sempre que ouvem uma tentativa de formulação de uma tendência geral. Essas exceções lhes causam tanto prazer que ficam um pouco tontos, um pouco distraídos, talvez, e assumem que a existência dessas exceções nega a tendência geral que acabaram de ouvir.

PermalinkPermalink 04.10.09 @ 16:36



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Quando digo que o Brasil não é um país meritocrático, sempre surge na conversa o proverbial negro-favelado-trabalhador, que venceu todos os desafios da vida com muito esforço e muito estudo, e hoje é presidente de multinacional e tem duas loiras na garagem. E é mentira? Não, claro que não. Existem muitos casos assim. Mas e daí? É um em um milhão.

Sim, mas isso acontece no mundo inteiro, não só no Brasil. Em outros países, a maioria, é ainda pior do que o Brasil, nisso.

Você conhece algum país do mundo onde a elite não cuide do interesse e do futuro de seus membros, muitas vezes com dinheiro público?

PermalinkPermalink 04.10.09 @ 19:37



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Mas eu sou a favor das cotas nas universidades públicas. As cotas raciais irão desmoralizar a universidade pública. E para o Brasil começa a dar certo é preciso acabar com a universidade pública. A universidade pública é a saúva moderna: ou o Brasíl acaba com a universidade pública ou a universidade pública acaba com o Brasil. Temos que acabar com essas saúvas. E as cotas raciais serão nosso tamanduá! Vamos defender as cotas, Alex, eu te apoio nessa!

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 04.10.09 @ 19:38



Comentário de: Alex Castro Email

Jorge,

me diga como vc interpreta a seguinte frase, tirada do meu texto:

É por isso, aliás, que o próprio conceito de meritocracia não faz nenhum sentido, pois meu mérito individual nunca é só meu, mas está sempre corrompido ou viciado pelos méritos acumulados dos meus antepassados, na minha família, dos meus compatriotas.

PermalinkPermalink 04.10.09 @ 19:44



Comentário de: ta chao

acabei de ver no Fantástico: A atriz Camila Pitanga, que interpretará uma auxiliar de limpeza na novela, ficou num shopping, devidamente uniformizada e sendo filmada. resultado: pouquissímas pessoas a viram ou reconheceram. a Camila atribuiu, justificou o ocorrido pelo fato de o uniforme representar uma capa invisível.....tá vendo, mesmo quando a classe média privilegiada encarna a menos favorecida por pouco tempo, a unica coisa que consegue é uma desculpa mais do que esfarrapada para justificar o fato. será que se ela tivesse com um "uniforme" branco de uma Doutora, a mesma capa invisível exerceria o mesmo efeito? sempre achei que a classe artística tem uma visão social mais plena......ledo engano.

PermalinkPermalink 04.10.09 @ 21:18



Comentário de: ta chao

ou será que a Camila sabendo que a reportagem passa no Fantástico, achou por bem não aprofundar demais a polêmica, para não criar discussões num programa feito para não pensar..........

PermalinkPermalink 04.10.09 @ 21:23



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Alex

Peraí. Para começar, eu fiz EXATAMENTE o contrário da busca pela exceção. Eu dei um contexto para generalização que você vez, argumentando que o fundamento que você usou para fazê-la estava equivocado (ou seja, que é difícil alguém que era rico ficar pobre por causa de uma rede de contatos e supostos privilégios). Eu sei muito bem que exceções são exceções.

No mais, é claro que um blog não é uma plataforma de artigos acadêmicos (pelo menos esse blog não). Mas você sugere em seus posts que as pessoas pensem se são ou não privilegiadas (e leva o leitor a pensar que é, quando passa por algumas situações) e sugere uma solução.

Agora, quando ligamos um conceito a outro por meio de uma explicação para um fato, é melhor que essa explicação seja um pouco fundamentada. Não significa que seja obrigatório, mas é melhor que seja.

Eu não achei a sua fundamentada e decidi dar a fundamentação para a generalização. Qual o problema nisso? No fim das contas, nem estava conrtradizendo o seu argumento (que é difícil um rico ficar pobre), só estava dando uma motivação, pois discordei da sua. E modéstia a parte, a minha fundamentação é mais realista, pois é baseada em dados (aliás, os números certinhos já estão no meu blog agora, em um post que não tem lá muito a ver com esse).

No fundo, eu tentei fazer uma contribuição. Você pode tomar isso como hostilidade, é um direito seu. Mas você pode também ver isso como um acréscimo de empiricismo a uma interpretação puramente lógica (a sua). Você pode ver isso como uma chatice metodológica também. Ou pode simplesmente ver que as coisas não acontecem unicamente da forma como a sua área de estudos interpreta.

Enfim, ache o que quiser, mas tente de vez em quando não tomar como hostilidade uma contribuição de alguém que pensa (não o conteúdo do argumento em si, mas a forma de pensar mesmo) de forma diferente.

Abs.

PermalinkPermalink 04.10.09 @ 22:27



Comentário de: Alex Castro Email

eu juro q nao tomei nada como hostilidade, nao achei que vc foi hostil e nem fui hostil de volta. :)

o texto do ASS eu sempre cito quando se fala de generalizaçao e nao quer dizer q eu ache q vc tem o cacoete da exceção, pq vc nunca fez nada disso... nao faria nenhum sentido...

PermalinkPermalink 04.10.09 @ 22:31



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Ta Chao.

Existem altruísmos e altruísmos. E todos são louváveis. Só acho que a maioria de nós, que somos da classe média, não temos mesmo muitas condições (nem pré-disposição) de abrir mão de uns poucos luxos que fazem a vida muito mais divertida para doar o que temos. Ou seja: não conheço NINGUÉM que abra mão da viagem para a praia no ano novo para pagar as mensalidades da escola de uma criança favelada. Só faz isso quem tem dinheiro para as duas coisas.

Agora, altruísmo (se é que isso não pode ser chamado só de boa educação) como ajudar um idoso a subir no ônibus, eu vejo gente de todas as classes sociais fazendo. E que bom que é assim.

PermalinkPermalink 04.10.09 @ 22:33



Comentário de: servidor

deve ser que o blogueiro Alex Castro raciocinou
eu era rico e empobreci...
ôpa! vamos distribuir! vamos distribuir a riqueza!
altruismo já!

PermalinkPermalink 05.10.09 @ 10:20



Comentário de: Lucélia

Pra mim este texto já "fechou" a série sobre Privilégios.Foi perfeito.Acho que todas as nuances já vieram à tona.

Essa questão do Q.I (quem indica) funciona em todas as classes sociais. Nós pobres, classe C,também indicamos pessoas. A diferença é que a indicação não vai mudar a vida do indicado. O candidato vai permanecer no mesmo status quo, continuando a ser balconista, faxineiro, pedreiro...É natural que cada um venha a defender aqueles do seu bando. Isso acontece também com outros animais.

Não acho que os ricos estejam dispostos a serem altruístas, porque de certa forma, (e em especial a classe média) tem medo de cair de onde estão para um patamar inferior. Aliás, eles nem se dão conta de que estão neste patamar.Sempre acham que estão aquém do esperado. Em geral, pensam assim "ninguém me ajudou a estar onde estou, porque eu deveria ajudar alguém? Se o cara não consegue chegar até aqui é porque é burro, preguiçoso, não gosta de estudar, fica contando com ajuda do governo e enchendo o mundo de filhos. Além do mais, se eu tenho algum privilégio, foi porque papai lutou muito pra nos dar conforto". Sempre haverá uma justificativa pra corroborar com a teoria de que pobre é pobre porque merece. Quem nasce envolto em oportunidades (leia-se, escolhas) acha que TODO MUNDO também tem oportunidades. Se vc não tem direito a escolhas, não tem oportunidade, não tem liberdade. E sem liberdade o seu pensamento, o seu conhecimento sobre o mundo, se torna limitado. É por isso que quanto mais pobre, mais alienado se é. O miserável está ocupado demais em se manter vivo, não tem condições de "pensar" em seu papel social,origens de sua condição e etc. Quem ganha bolsa família quer ir correndo ao mercado comprar o leite, não quer nem saber de onde saiu o dinheiro, porque receber aquilo...

PermalinkPermalink 05.10.09 @ 11:38



Comentário de: ta chao

Carol

Sou da área médica, tenho um padrão de vida e renda muito superior à média brasileira, não sou altruísta, não pratico boas ações por falta de iniciativa. agora não é por eu não praticar altruísmo que quero usar como justificativa das possíveis viagens para praia que não faria se tiver que ajudar alguem. pra começar exercer altruísmo não significa baixar padão de vida.... a gente contribui com o que é possível sem se sacrificar.... bem, é o que eu acho!

PermalinkPermalink 05.10.09 @ 15:02



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Ta chao,

Mas é isso mesmo, como você disse: "a gente contribui com o que é possível sem se sacrificar". Na verdade escrevi aquele monte (poder de síntese ZERO para mim) para dizer exatamente isso: que as pessoas não vão abrir mão de algum "privilégio" para dar a outras pessoas voluntariamente. A maioria não.

A gente só dá o que realmente sobra. Tempo ou dinheiro.

Alex.

Ok, eu achei que você pudesse ter tomado meu comentário da forma errada!

Abs.

PermalinkPermalink 05.10.09 @ 16:35



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

É por isso, aliás, que o próprio conceito de meritocracia não faz nenhum sentido, pois meu mérito individual nunca é só meu, mas está sempre corrompido ou viciado pelos méritos acumulados dos meus antepassados, na minha família, dos meus compatriotas.

Se dissesse que não faz muito sentido, eu poderia concordar. Mas dizer que não faz nenhum sentido é demais. Se assim fosse, todos os que nascessem ricos morreriam ricos, e todos os que nascessem pobres morreriam pobres. Vale alguma coisa, o mérito individual.

O conceito de meritocracia é sem sentido, sim, mas é por outra razão: é que "cracia" é para uma forma de governo (democracia, aristocracia, teocracia...).

Alias, são dois termos de raízes diferentes: merito vem do latim, cracia do grego. meritocracia é uma palavra mestiça como a maioria da população brasileira.

Enfim, meritocracia significa que quem está no poder é porque merece, fez mais e melhor do que os outros, e isso não acontece muito em nenhum país do mundo. Pode até acontecer de vez em quando alguém de valor chegar a uma posição de destaque no governo, mas isso é raro. É regra é que os canalhas governem os covardes. Em todos os sistemas.

Acho que quem criou o termo "meritocracia" não era uma pessoa muto profunda. Você sabe quem foi o criador desse termo, Alex? Utopia é um termo criado por Thomas Morus. E meritocracia?

PermalinkPermalink 05.10.09 @ 17:15



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Mas eu sou a favor das cotas nas universidades públicas. As cotas raciais irão desmoralizar a universidade pública. E para o Brasil começa a dar certo é preciso acabar com a universidade pública. A universidade pública é a saúva moderna: ou o Brasíl acaba com a universidade pública ou a universidade pública acaba com o Brasil. Temos que acabar com essas saúvas. E as cotas raciais serão nosso tamanduá! Vamos defender as cotas, Alex, eu te apoio nessa!

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 05.10.09 @ 17:18



Comentário de: Fran

Excelente post! E toca num ponto que embora eu ache que é o mais importante, é o menos comentado, pelo que estou vendo. Lemos, refletimos, concordamos, uau, sim, é isso mesmo! E agora? O que é que vamos fazer a respeito? E sem essa de entrar no discurso pessimista do "ah, não adianta": ah, mas a estrutura social é assim mesmo, ou o homem é que é assim mesmo, ou o Brasil, os governantes, ou o altruísmo que é alienígena demais ao modo de viver da classe média e portanto ninguém vai fazer. A galera tinha que parar de teorias e se mexer.

É uma questão de referêncial. Não dá pra almejar um mundo perfeito, com tudo lindo, pq isso não existe. A idéia não é salvar o cara ferrado, isso não é pra agora, mas sim aquele que mais um POUQUINHO, um empurrãozinho, já conseguiria andar com as proprias pernas e passar a ajuda adiante. É pouco? Pra esse cara, não. Ninguém vai abrir mão do que tem, nem de viagem de fim de ano, vai é gerar mais.

O SUS, que todo mundo fala mal, tá fazendo uma diferença incrível (não na utopia mundo-perfeito, mas na vida real de quem precisa dele). E o princípio do SUS que mais gosto é o da Equidade. Tratamento desigual para quem precisa mais, pq só podemos começar a falar de igualdade qdo todo mundo chegar a um patamar minimo. Fulaninho precisa de transplante de coração, que custa 1000 antibióticos, pois ele vai receber.

Gente, participem da campanha do leite, vão ler livro pra criançada nas escolas, dar palestra de higiene, aula de computação, reforço escolar, parto humanizado, o que quiserem...sou da área médica e já cansei de ver como o apoio e o contato com uma mentalidade diferente é o que faltava pro carinha ter gana de ir mais longe. E só mais uma coisa: escolaridade pode até não dar mais emprego, mais dá qualidade de vida.

Desculpa o discurso, mas se mexam gente...

PermalinkPermalink 05.10.09 @ 21:49



Comentário de: Ruben · http://chaveseafilosofia.blogspot.com

Parabéns , excelente, me fez pensar um bocado.

PermalinkPermalink 06.10.09 @ 20:43



Comentário de: ta chao

É isso Fran, fazer o bem a alguém não necessariamente envolve despender dinheiro, mas muitas vezes apenas doar um pouco do seu tempo de ócio e levar o conforto espiritual às pessoas que necessitam, isso é altruismo que com certeza não atrapalha as férias de verão na praia...... sinto um certo mal estar de admitir que não fui capaz até hoje de fazer esse pouco para me doar.......bom, nnunca é tarde para começar.

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 10:09



Comentário de: Gisele

Alex, não sei se vc já leu, mas esse assunto é bem abordado no livro "O que faz os ricos ricos", de Marcelo Medeiros, pesquisador da UnB. É um estudo sobre a desigualdade, que desconstrói esse tipo de mito da forma como você expôs.

PermalinkPermalink 11.10.09 @ 20:42



Comentário de: vivian

Excelente texto.
Excelente.

Somente venho para agradecer suas postagens e disponibilizar conteúdo dessa maneira, tão bem pensada e escrita.

Parabéns.

PermalinkPermalink 23.02.12 @ 18:16



Comentário de: Paulo Jacob

Poxa, achei legal o texto, mas gostaria de fazer uma observaçao. Ao ler o texto, fiquei com a impressao de que deveria existir de fato uma meritocracia que levasse os talentosos ao paraiso e os nao talentosos a "varrer o chao". Pessoalmente, gostaria muito de viver em uma sociedade na qual varrer o chao fosse algo digno. Nao gostei dessa polarizaçao do mundo entre talentosos e nao-talentosos. Somos todos humanos. Um exemplo tosco: o Romario foi mais dedicado, mas disciplinado do que o Dunga como jogador? Um tinha talento, o outro nem tanto. Talentos sao parcamente distribuidos, e deveriam ser encarados como eventos estatisticos de "sorte" para contribuir com o coletivo. A falta de talento, a baixa capacidade intelectual nao deveria significar que a pessoa deva ser condenada "a vida favela". Ninguem deveria viver em favelas, simplesmente ninguem.

Mas o texto toca no ponto crucial: o pobre que vence na vida eh a excessao que confirma a regra. E ele nao pode errar, nao pode ter "azar", ter doença grave no caminho, etc, precisa acertar 100%. Eu vou morrer sonhando com uma sociedade na qual valorizamos o ser humano, seja ele inteligente ou burro, um pouco mais trabalhador ou nao, mas sem condenar as pessoas a favela por nascerem sem talentos.

Meritocracia aplicada ao peh da letra sairia de um sistema "igual" para o que existe hoje nos EUA. Lah tambem acesso a universidades de ponta eh restrito a nata da classe media local, apesar o "blue collar" ter mais chances. Meritocracia sozinha nao resolveria nada.

PermalinkPermalink 13.03.12 @ 06:49



Comentário de: Thiago Sá

Só queria dizer parabéns pela série de textos.
Excelentes.

PermalinkPermalink 15.03.12 @ 17:19



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