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A Invisibilidade do Privilégio (Você É um Privilegiado?, 1)

Racismo LLLUm dos corolários positivos da ética de trabalho protestante aqui nos Estados Unidos é que ninguém tem medo de se dizer rico. De fato, ser rico é uma prova de que você trabalhou duro, fez tudo certo e tem Deus do seu lado. Se, por um lado, essa cultura estigmatiza e quase criminaliza a pobreza (afinal, em uma sociedade "perfeitamente meritocrática" onde "todos têm chances iguais" só os mais ineptos e preguiçosos vão ser pobres), por outro ela institucionaliza a filantropia. Ao se definir como rico, o indivíduo também se percebe como privilegiado (ainda que por merecimento) e, consequentemente, existe uma certa percepção de obrigação de ajudar os menos privilegiados.

Não se conhece milionário americano que não doe parte significativa de sua fortuna para fins filantrópicos. Entre os americanos classe média que conheço, tanto de esquerda quanto de direita, tanto reacionários quanto progressistas, todos doam muito do seu tempo e alguma parte de sua renda para projetos assistenciais e filantrópicos. Nos EUA, o dinheiro é visto como recompensa por trabalho duro mas também, no melhor estilo Homem-Aranha, como uma espécie de super-poder que traz consigo algumas responsabilidades.

A situação no Brasil não poderia ser mais diferente. Nossa cultura católica ao mesmo tempo em que estimula uma certa ostentação da riqueza (comparem uma igreja católica e uma luterana), também estigmatiza a riqueza como um pecado mortal. Aqui, uma grande fortuna é sempre suspeita: no imaginário popular, o milionário não é alguém que trabalhou mais duro do que todos, mas provavelmente um grande corrupto, um bandido, alguém com esqueletos no armário.

Na década de 80, quando meu pai ia me buscar no colégio com carros que nem o mais milionário dos brasileiros tinha, o xingamento que os colegas me gritavam era: "filho de bicheiro". Sem entrar no mérito da honestidade ou não da fortuna do meu pai, a primeira reação instintiva do brasileiro ao ser confrontado com riqueza desproporcional é sempre associá-la à contravenção, não ao trabalho.

A classe média-alta brasileira fica presa num paradoxo esquizofrênico no qual ela se vê obrigada a reclamar de falta de dinheiro o tempo todo ("esses impostos escorchantes!" etc) ao mesmo tempo em que não pode deixar de trocar de carro todo ano, senão pega mal na firma ("o que é que vão pensar de mim!" etc).

 História Natural dos Ricos Suave é a Noite
À esquerda, um livrinho sensacional e divertidíssimo, uma verdadeira etnografia antropológica dos ricos enquanto tribo, seus hábitos e seus costumes. À direita, um dos melhores romances sobre o dinheiro e seu efeito na vida das pessoas.

* * *

Ninguém É Rico no Brasil

Eu, que sempre fui educado pra saber que era rico, que tinha privilégios que quase ninguém teve e que esses privilégios traziam certas obrigações (entre elas, a de não ostentar), ficava constantemente chocado de conversar com amigos igualmente ricos e perceber que nenhum deles se considerava rico. Nenhum. Aliás, a palavra era feíssima.

Diálogo verídico acontecido em uma lancha de 40 pés em Angra. Estou conversando com meu amigo, menciono en passant que somos os dois ricos ("porque nós os ricos" etc) e ele pára tudo, corta a frase no meio, interrompe o assunto e diz que não, imagina!, ele e sua família não são ricos! E eu, só não mais surpreso por essa denegação ser tão comum, respondo:

"Mas João Paulo! Acabamos de sair de sua casa com pier que vale sei lá quantos milhões, estamos na sua lancha de 40 pés que você acabou de trocar ano passado e estamos indo pra um restaurante em uma ilha comer um almoço que provavelmente vai custar mais de mil reais! Como é que você não é rico?!"

E começam os malabarismos verbais:

"Bem, você veja, não somos ricos, meu pai trabalhou muito, mas é assalariado, conseguiu economizar, temos um certo conforto, é verdade, mas não somos ricos."

Por fim, o abacaxi é fatalmente passado adiante:

"Rico é o Carlos Eduardo, que tem um iate de 60 pés e é dono da própria ilha. Ele sim é rico, Alex."

Podem ficar certos de que, mais tarde, Carlos Eduardo também negou peremptoriamente ser rico. Pra ele, sua família também tinha tido a sorte de uma vida confortável, estavam "bem", sabe?, mas rico mesmo era um outro amigo nosso, o Luis Felipe. Infelizmente, não lembro mais o que o Luis Felipe possuía para marcá-lo como rico. Talvez Belize.

 República das Elites,  Elite: Ontem, Hoje e Sempre

* * *

O Peixe e a Água

Enfim, sei bem que a maioria dos leitores não está nesse nível de privilégio - muito menos eu, que hoje sou pobre de marré-de-si e tive que vir pro exterior pra conseguir ganhar a vida, com uma bolsa de estudos que me coloca bem pouco acima da linha de pobreza oficial nos EUA.

E, apesar de ter demonstrado no parágrafo anterior que sou fluente no discurso chorador-de-miséria da classe média, eu ainda assim tenho uma noção profunda da extensão dos meus privilégios.

Mas entendo porque meus amigos ricos não se achavam ricos. Pelo mesmo motivo, nossa elite não se vê como elite e nossos privilegiados não se vêem como privilegiados. Ou, como disse a Lola, por exemplo, os homens não entendem que é um privilégio não ter medo de morrer quase diariamente.

Quando você cresce rodeado por algo - nesse caso, privilégio - aquilo vira a regra contra a qual o mundo é comparado. Nossa vida é sempre a normal, ou melhor, a normativa: as outras é que são menos ou mais alguma coisa.

Além disso, a maioria das pessoas olha pra cima, e não pra baixo: compram a Caras e assistem programas de fofocas pra saber como é a vida dos ricos e dos famosos, mas evitam cruzar olhares com o mendigo da rua ou com o pivete do sinal e, com certeza, nunca pararam para conversar com eles e ouvir suas histórias.

Então, o processo funciona mais ou menos assim: você evita os mais pobres (por serem francamente desagradáveis, não?), considera sua vida normativa, e só conhece em detalhes as rotinas dos mais ricos. Resultado: você não se acha nem rico nem privilegiado nem de elite; privilegiado é o Luciano Huck, que tem uma jacuzzi em cada cômodo da casa! Sério, eu vi na Caras.

Por outro lado, pergunte às pessoas que trabalham de voluntários em favelas: a cada vez que saem de lá, se sentem privilegiadas somente por ter água encanada!

Por isso, no post original pedindo a reflexão sobre o privilégio, eu pedi que vocês se comparassem com quem tem menos, e não com quem tem mais. Depois de ler o depoimento do leitor Josué sobre as dificuldades que enfrentou por ser negro, o Henrique comentou:

Me sinto bem aceito e adequado a frequentar qualquer espaço, entrar em qualquer loja, qualquer sala de professor, perguntar o que eu quiser e costumo ser bem tratado. Vejo que negros não gozam desse 'respeito automático'. Só fica um pouco difícil ver como privilégio uma coisa que me parece tão natural, a impressão é de que isso falta a eles e não que sobra para nós... É uma impressão logo destruída pelos primeiros raciocínios, mas que existe...

O peixe não enxerga a água justamente por ter vivido toda a sua vida rodeado por ela: só dá por sua falta quando está se debatendo no convés do barco.

Convido meus leitores a tentarem perceber a água que os rodeia *antes* de chegarem no convés - antes que as consequências das desigualdades sociais brasileiras explodam em suas caras.

O principal objetivo desses textos é fazer com que você desnaturalize tudo o que lhe parecia mais natural.

* * *

Série Você É um Privilegiado? (Convite para Reflexão Individual)
I - A Invisibilidade do Privilégio
II - O Ônus da Elite
III - Os Privilégios da Classe Média
IV - Brasil, Meritocracia de Todos!

Adendos:
I - Culpa, Racismo e Privilégio ("Somos Nós os Culpados?")
II - Governo, Raça e Privilégio
III - "Mas Afinal Qual É a Solução?"

* * *Racismo LLL

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22.09.09


Categorias: Comportamento, Política, Raça

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E se alguém perguntar pro Luciano Hulk se ele é rico, quanto vc quer apostar que ele vai negar? Vai dizer algo como "Rico não, jamais! Consegui alcançar um bom padrão de vida, mas não dá pra parar de trabalhar etc etc etc".
Essa negação da riqueza sempre me impressionou. É só ver o que sai nos jornais quando um crime é cometido numa mansão: "no bairro de classe média alta tal"... Rico aqui é classe média alta! Sempre.
Lembro bem de um dia em que eu e outros amigos estávamos conversando sobre o confisco da poupança do Collor, de como fomos (ou não fomos) atingidos. E de repente uma amiga diz: "Isso prejudicou muito a gente, que é classe média". E eu tive que interromper e perguntar: "Como assim, A GENTE É CLASSE MÉ;DIA? O seu pai é um dos maiores empresários da América Latina, vc mora numa cobertura duplex, tem um iate, se casou com um primo pra não dividir a fortuna da família... Vc não é classe média!". Mas ela ainda acha que é. Assim como ela acha que, quando era bem jovem e queria ser jornalista, conseguiu estágio na Veja por mérito e competência, não porque as empresas da família eram grandes anunciantes da revista.
Será que a consciência pesa demais e é por isso que as pessoas não assumem seus privilégios?

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 20:48



Comentário de: Jorge Martins · http://www.detestogenteinteligente.com.br

É impressionante, Alex, como você coloca em palavras alguns dos sentimentos que tenho.
Escrevi, em meu doentio blog, há alguns dias, um texto que dialoga com a temática do seu - chamado o elogio da pobreza. Seria um prazer para que mim que você o lesse.

http://www.detestogenteinteligente.com.br/2009/09/o-elogio-da-pobreza.html

O assunto me interessa tão profundamente, esse endeusamento do discurso de "sou pobrinho", que em outro post falei mais claramente:

http://www.detestogenteinteligente.com.br/2009/05/senna-morreu.html

E, cara, mais uma vez, é um prazer contar com suas cutucadas constantes na consciência.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 20:56



Comentário de: Vanessa · http://www.vanprates.blogspot.com

Jorge,

Mas é pena que nem todas as consciências consigam verdadeiramente serem cutucadas...Há uma resistência impressionante.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 23:07



Comentário de: cavalca · http://pergunteaocavalca.trecosetrapos.org

O cerumano é um bicho escroto mesmo, haha.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 23:37



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Bom, esse texto esta bom. Concordo com varios pontos. O maior erro dos outros textos foi tentar basear a origem do que vc chama priveligios em raca, e alem disso achar que essas diferencas podem ser corrigidas por medidas obrigatorias impostas por governos.

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 01:22



Comentário de: Alex Castro Email

Paulo,

eu NUNCA disse que a origem do "que eu chamo de privilégio" é a raça ou o racismo...

NUNCA clamei por ação ou envolvimento do governo.... nunca houve um post no LLL dizendo "porque eu acho que o governo deve se envolver!", "onde está o governo que não se envolve?", "etc etc.

eu sinceramente nao sei de onde vcs tiram essas coisas...

o que eu acho sim é que existem vários tipos de privilégio... em nossa sociedade, ser homem, ser branco, ser heterossexual, ser rico traz uma penca de privilégios que são invisiveis a essas pessoas mas que só se tornam visíveis quando comparados aos problemas e limitações que enfrentam os não-brancos, os não-heterossexuais, as mulheres e os pobres....

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 02:48



Comentário de: Gustavo B.

Muito bom. E cada vez eu me convenço mais q é vc q escreve esse blog:

http://classemediawayoflife.blogspot.com/2009/04/dica-004-nunca-admitir-que-e-rico.html

:)

Esse também vale a pena:

http://classemediawayoflife.blogspot.com/2009/09/dica-029-afirmar-que-nao-existe-racismo.html




PermalinkPermalink 23.09.09 @ 06:39



Comentário de: Amora

Eu lí todos os posts do tema Privilégio. Achei que vc fosse fazer um texto mais "profundo" a respeito. Achei este seu post muito do preguiçoso. Daqueles textos que a gente escreve no ônibus, indo pra casa... Você consegue fazer melhor que isso Alex.

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 08:34



Comentário de: Haline · http://www.halinices.blogspot.com

Sei bem o que é isso. Usei durante muito tempo esse discurso do "sou pobre". Pq dá vergonha de ter tantos privilégios e estar cercada de gente realmente pobre. Até que participei de um projeto de ciclo de leituras e educação no morro do Pavão. E daí não podia mais usar o discurso. Pq eu viraria uma louca negando minha condição classe média. E foi meio dolorido. Pq eu não podia mais reclamar.

Na minha família existe o discurso “sou negro” por causa dos antepassados razoavelmente próximos. Bonito a gente reconhecer nossos antepassados e não querer se dizer completamente branco né? Contanto que não se esqueça que É branco. Que é privilegiado. E que ninguém sabe dos seus antepassados qdo olha sua cor, seu cabelo e etc. Senão a gente vira o jogo. “ah, mas também sou negro, quero minha cota na universidade”, pelamor né.

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 11:21



Comentário de: Lucas

Sei lá, eu tentei pensar se sou ou não privilegiado e deu a impressão de ter "começado do nada e ter ido para lugar nenhum", ou seja, não sei responder.

Eu penso assim: Mais de 90% das pessoas tem água encanada, eu sou um privilegiado pq tenho água encanada? Ou aqui na minha região (que mais de 90% são brancos) eu sou privilegiado por ser branco? Sei lá, acho que não.

Sempre que eu penso no assunto padronizo tudo nos 50%, por exemplo: Se estou entre os 10% mais bem sucedidos em alguma coisa (Por exemplo), eu até penso que tive algum privilégio na situação... Mas daí eu logo mudo de opinião.

Você propõe reflexões muito difíceis. :D


PermalinkPermalink 23.09.09 @ 11:44



Comentário de: Lucas

Olha aí, já me confundi com a história dos 10%.

O que eu quero dizer que eu só me dou ao trabalho de pensar se sou ou não privilegiado, quando estou pelo menos entre os 49% mais bem sucedidos em alguma coisa (Com margem de erro), mas sempre costumo mudar minha opinião.

Não gosto de me sentir uma pessoa "diferente".

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 11:48



Comentário de: Te

A última coluna do João Ximenes Braga no O Globo (Uma elite, por favor) fala justamente da diferença das elites americana e brasileira. Ele, com aquele jeito escrachado e cínico, fala que mesmo que os eventos de caridade sejam pra fazer o social e pras mulheres arranjarem marido rico (recomendando a quem busca um que vá a esses eventos), os americanos tem uma elite de verdade, que reconhece que é privilegiada.

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 12:28



Comentário de: Alex Castro Email

vcs sempre me surpreendem. acordei agora, vim ver os comentarios esperando, literalmente, qualquer coisa e esse aqui foi o que mais me surpreendeu, especialmente em um texto longo e articulado como esse:

Achei que vc fosse fazer um texto mais "profundo" a respeito. Achei este seu post muito do preguiçoso. Daqueles textos que a gente escreve no ônibus, indo pra casa...

entao tá, né.

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 13:08



Comentário de: Caio

Sobre a 1a. parte do texto, tem uma boa descricao em Max Weber "A ética protestante e o espírito do capitalismo"

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 13:34



Comentário de: Alexandre · http://nadasou.wordpress.com

Essa é uma das raras vezes em que, num texto desse tamanho, eu concordo com absolutamente tudo do que está escrito. E sempre enfrentei esse mesmo problema ao tratar de riqueza e benefícios com amigos da mesma "classe", os quais, como foi dito, se negam a reconhecer a própria situação de forma ridícula.
Incluo nesse grupo 99% da minha própria família nas gerações acima da minha. Meus irmãos e alguns primos parecem ter mais bom senso e noção das estatísticas (bem como onde estamos nelas).
Vou recortar os principais argumentos desse texto pra ter na manga em discussões desse tipo. Em geral eu nem toco no assunto, mas...

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 14:16



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Como assim Alex? Vc ja disse que eh a favor de cotas e de varias formas de affirmative action - incluindo paying reparations para descendentes de escravos, certo?

Da onde vc acha que viriam essas medidas?

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 14:37



Comentário de: Alex Castro Email

paulo, paulo....

logo vc, um liberal, perguntando uma coisa dessas?

ué, pq nao pode partir das proprias pessoas? das proprias instituiçoes? das proprias empresas?

logo vc, um liberal das antigas, dando a entender que a sociedade só faz qualquer coisa se o governo mandar?

já trabalhei em uma empresa de call centers onde boa parte dos funcionarios tinha algum tipo de dificuldade de locomoção. embora desconfie que o governo deva dar algum tipo de beneficio (confesso q não faço ideia), minha pergunta é: e precisa?

se minha empresa é de call center e meus funcionarios vao ficar sentados o dia inteiro falando no telefone, nao me custa nada, e nao é necessário intervencao estatal, pra eu ter uma politica de priorizar a contratação de cadeirantes, por exemplo.

e etc etc.

a nao ser, claro, que vc ache q as pessoas só mexem a bunda pra fazer o que acham certo quando o governo manda....

muitas das universidades, no brasil e nos eua, q adotaram politicas de ação afirmativa o fizeram independentemente, por decisao propria, nao por imposicao de seus governos....

e, de qualquer modo, essa questao nao me importa. o objetivo dos posts é abrir os olhos dos leitores e faze-los refletir sobre o problema. não estou falando aqui de solucoes, e menos ainda de politicas governamentais. isso é entre cada cidadão e seus representantes no legislativo.

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 14:50



Comentário de: Iara

Pois é, Alex. Meus pais são, ambos, oriundo de famílias muito pobres. Por uma combinação de oportunidade e mérito, conseguiram dar aos filhos um padrão de vida mais confortável. Daí que mesmo eu sendo a única da turma que não tinha um tênis Nike (usava aquele Rainha horroroso sem cadarço...), sempre tive consciêcia da minha condição. Porque a minha referência não eram os coleguinhas que passavam férias na Disney: eram os meus primos, que nunca tinham visto o mar.

Não acho que seus posts tenham a ver com expiação de culpa, não. Não me sinto culpada por nada. Mas acho que é importante pensar e porque tem gente por aí trabalhando tanto ou mais do que eu e não consegue ter o mínimo conforto. Simples assim.

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 15:28



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Come on man, vc esta tentando fazer aqueles truques de debate que so extendem a discussao.

Logico que individuos podem fazer muita coisa, mas quando vc fala em reparations eh logico que vc esta falando em medida de um governo.

E eu iria alem, acho que se vc for olhar instituicoes de caridade vc vera que essas nao fazem distincao entre racas. Se vc eh branco e pobre vc recebe a mesma sopa na fila da igreja que vc recebe sendo negro.

Eu sei que vc esta nessa de dizer que so quer chamar atencao ao problema e tal, mas sinceramente eh uma confusao de ideias tao grande que nao da muito para discutir. Ora vc diz que o negocio eh ajudar os menos favorecidos e outra hora vc diz que o problema eh a falta de consciencia sobre como negros sao discriminados. Ora eh um problema da sociedade brasileira e ora eh um problema individual.

Fica dificil saber exatamente qual eh o ponto em discussao...

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 16:57



Comentário de: Alex Castro Email

Paulo

Eu sei que vc esta nessa de dizer que so quer chamar atencao ao problema e tal, mas sinceramente eh uma confusao de ideias tao grande que nao da muito para discutir. Ora vc diz que o negocio eh ajudar os menos favorecidos e outra hora vc diz que o problema eh a falta de consciencia sobre como negros sao discriminados.

sim, eu falo essas duas coisas, ue. e elas lá são auto-excludentes?

e digo mais, não só falta de consciencia sobre como os negros sao discriminados, mas tb mulheres, pobres, homossexuais. Por isso que o tema do privilégio é mais amplo e engloba todos esses debates. Mas no fundo estou falando da mesma coisa.

Ora eh um problema da sociedade brasileira e ora eh um problema individual.

hmm, eu nunca falei q era um problema individual. nunca disse que deveriamos encontrar e educar os nossos racistas individuais... sempre falei que o problema era o racismo institucional, historico, constitutivo da nossa sociedade...

mas estou falando para os individuos, claro, para os leitores individuais desse blog - ateh que pq nao dá pra falar pra sociedade como um todo...

Fica dificil saber exatamente qual eh o ponto em discussao...

hmm, depende do que vc está falando, ue. cada post tem um ponto especifico a demonstrar ou discutir, mas existem caracteristicas intrinsecas que estao em todos os meus textos:

- eu nunca digo que o racismo eh um problema individual, mas sempre institucional e constitutivo;

- eu nunca clamo ou proponho politicas publicas, alias, nunca falo de governo;

- eu nunca aponto dedos pra dizer que alguem é ou nao é racista;

- eu nunca ofereço soluções, mas sempre levanto problemas.

por exemplo, sim, eu acho que os descendentes de escravos merecem reparações, mas fiquei por aí. não advoguei nenhuma proposta concreta pra isso, nenhuma solucao, nada. não disse que o governo tem que se envolver nem como.

e ainda ressaltei que embora eu apóie as cotas, acho que sao uma solucao falha, mas que é o melhor que se conseguiu arranjar por enquanto. se alguém tiver uma ideia melhor, eu estou ouvindo.

se vc quiser discutir politicas publicas, ou refletir sobre o que o governo deve ou nao fazer, ou como o governo deve ou nao interferir nessas questões, fique livre, os comentarios estao abertos a todos os leitores e a todos os assuntos.

mas vc estará inaugurando um NOVO tema, pq eu NUNCA falei nisso nem entrei no mérito dessas questões...

e é engraçado vc dizer que isso é um "truque pra estender o debate!" :) hahahhaha! na pior das hipoteses, é um truque pra limitar o debate, pq estou dizendo claramente que nesse lodaçal eu nao vou entrar, mas fiquem a vontade pra entrar vocês, eu fico aqui do seco olhando. :)

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 17:45



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
"embora eu apóie as cotas e ache que são uma solução falha, é o melhor que se conseguiu arranjar por enquanto"

Ah não. O melhor q se conseguiu arranjar por enquanto é NÃO fazer as cotas. :D

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 20:30



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Eu não entendo essa vergonha que não é vergonha de ser rico no Brasil.

Ter um iate e dizer que não é rico é dose.

O que eu realmente queria saber (e se algupem souber informar, por favor, entre em contato ou poste aí;) é quando essa coisa da vergonha da ostentação começou.

Porque, pelo que leio, na época colonial isso era normal. Mas hoje em dia dizer que comprou uma calça cara porque é de marca soa absurdo para o ouvido da maioria (ainda que trocentas pessoas comprem).

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 21:58



Comentário de: Marcio E. Goncalves

Nossa, finalmente um bom texto novamente aqui! Alex em sua velha forma.

Texto na mira - eu ja tive conversas hilarias com meu pai tentando explicar para ele que somos ricos hahaha

Curioso que um de seus principais argumentos eh que ele era pobre e trabalhou muito para estar onde esta - de novo ha a ligacao de "Ser rico" e ser corrupto. Para ele aceitar ser rico seria como dizer que eh desonesto. Um insulto.

Ha uma total falta de nocao no Brasil do que realmente eh a "elite" e quem eh a classe media. O que se convencional chamar de "classe media" no pais na verdade eh a elite mas eles nao sabem.

A divisao que o IBGE faz de classe social coloca como A2 uma familia de 4 pessoas com renda mensal acima de 6 mil reais por mes (pelo menos era essa a classificacao em 2006-2007 quando estudava Marketing).

Veja que A2 eh a classe "mais alta" que eles contam, pq acima disso eh insignificante em termos estatisticos no pais.

Oras, um casal de funcionarios publicos de nivel medio (digamos 3,500 reais pro mes cada) ganha mais do que isso juntos - e tenho certeza que se consideram pobres ou classe media baixa.

Seu casal amigo de funcionarios publicos de nivel superior entao, com cada um ganhando usn 15 mil por mes, ja estao quase 4x o valor minimo para ser "elite" e ainda assim negariam ate morrer que sao "ricos" ja que "rico" para eles eh, sei la, Donald Trump apenas.

Eh por essa e por outras que eu rio muito quando vejo o pessoal bradando contra a "elite" do Brasil - em geral eles sao parte dela.

(Isso tudo tambem cria o absurdo de funcionarios publicos que ganham quase 20mil por mes em um pais com salario minimo de 500 terem a cara de pau de fazerem greve)

PermalinkPermalink 24.09.09 @ 03:18



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Sei não, Márcio. Pra mim, essa história de rico e pobre é a mesma de negro e branco. São só duas palavras absolutas usadas pra definir milhares de nuances e obviamente vai haver contradições. Acho q muita gente claramente muito mais rica do q a média insiste q não é rica pq na verdade querem dizer "Ainda não sou suficientemente rico."

Ninguém vai me levar a sério, claro, mas tbm acho q uma boa parte do fenômeno apontado pelo Alex se deve à sonoridade chinfrim da palavra "rico". Ô palavrinha feia. Rhrhiiiku. Ninguém gosta. Parece nome de verme de pé.
"¿Por que vc tá mancando?"
"Tou com rico."

PermalinkPermalink 24.09.09 @ 06:44



Comentário de: Marcio E. Goncalves

Acho que a questao eh um pouco alem da semantica ou sonoridade das palavras. A meu ver eh algo relacionado a...cultura pop.

Brasileiro "rico" (ou seja, o tal A2 p/ cima do IBGE) cresce com uma nocao de "classe media" tirada da Globo e de filmes americanos.

Oras, no Brasil em geral vive desse jeito apenas a galera A2 p/ cima. Logo, eles nunca vao se achar ricos.

Afinal, eles vivem como o pessoal do Friends ou Seinfeld, nao como o pessoal do Barrados no Baile.

O ponto que eu achei importante no texto do Alex eh que essa falta de nocao do brasileiro quanto a sua posicao na piramide social (independente do rotulo rico ou pobre) cria situacoes ridiculas no Brasil, principalmente no funcionalismo publico.

Como citei, pessoas ganhando 20mil por mes alem de trocentas regalias, posando de oprimidas e exploradas e entrando em greve. E o pior de tudo eh que a maior parte delas se acha sinceramente oprimida e que ganha pouco.

Ou os membros da esquerda festiva bradando contra a elite, sendo que em 99% dos casos eles (ou seus pais) sao a "elite".





PermalinkPermalink 24.09.09 @ 07:31



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Márcio,
O q vc diz é verdade, até onde vai. Mas é comum a gente achar q vive num tempo culturalmente específico, e não é assim. O mesmíssimo fenômeno aparece num conto de, se não me engano, Antônio Alcântara Machado, da década de 20; outro q citou coisas parecidas, na mesma década, foi Lima Barreto.

PermalinkPermalink 24.09.09 @ 07:55



Comentário de: Duda Mendes

"Aqui, uma grande fortuna é sempre suspeita: no imaginário popular, o milionário não é alguém que trabalhou mais duro do que todos, mas provavelmente um grande corrupto, um bandido, alguém com esqueletos no armário."

Para ficar rico a condição principal é explorar, algo ou alguém. Se explorar algo ou alguém é atitude honesta, ótimo.

PermalinkPermalink 24.09.09 @ 10:32



Comentário de: lucas

alex,

você diz que nunca defende ações do governo nem as sugere, mas as cotas nas universidades públicas não são outra coisa. pouco importa se a decisão foi tomada pela reitoria ou pelo lula, é uma ação que usa a força do estado para retirar recursos da população em geral e aplicar a propósitos específicos. queira ou não, quando toca nesse assunto está abrindo a porta para esse debate. por isso os comentaristas, com razão, insistem nesse ponto. enquanto você não entender isso, ficar tirando o corpo fora e repetir mil vezes que você nunca fala sobre esse assunto não vai adiantar.

quanto à sua discussão sobre os privilégios, você está confundindo noções diferntes:

privilegiado enquanto alguém que, por qualquer motivo, recebeu ou obteve mais de algum recurso que a média.

privilegiado enquanto alguém que de alguma forma se beneficia da discriminação contra grupos aos quais não pertence ou a favor de grupos aos quais pertence.

a elite americana certamente se reconhece como privilegiada no primeiro sentido, mas não necessariamente no segundo. a idéia de retribuir à comunidade, tão comum nos milhonários americanos, não está relacionada a dar de volta algo que foi tirado, ou compensar qualquer coisa, mas apenas na obrigação moral humanitária de ajudar seus semelhantes.

mas quando você fala sobre aquilo que conquistamos por pertencer à "cor certa" ou "bairro certo", você está se referindo ao segundo tipo.

como já foi demonstrado por diversos economistas, a discriminação é prejudicial a todos, embora em níveis diferentes, sejam ou não os discriminados. alguém pode até ficar numa posição relativa melhor por conta da discriminação, mas muito provavelmente o saldo da discriminação em sua situação absoluta é negativo.

assim, não vejo qualquer motivo para tentar convencer as pessoas da mentira de que as pessoas deveriam se sentir culpadas por aquilo que tem, e de que tem a obrigação de realizar alguma reparação Às outras.

nesse posts você demonstrou seu racismo, de acreditar que necessariamente todo aquele que pertence à "raça certa" é privilegiado em detrimento dos outros, e ainda que é incapaz de perceber isso.

além desse preconceito racial, que você já havia demonstrado inúmeras vezes, deixou mais claro o seu preconceito social. toma meia dúzia de pessoas que conhece para fazer afirmações gerais sobre os brasileiros, em especial os que não são pobres.

você deve ser a única pessoa no brasil que consegue ver as coisas com clareza, mesmo sem apresentar qualquer argumento coerente para suas visões. mas, afinal, não há porque perder tempo argumentando: quem discorda de você o faz apenas por uma deficiência sócio-racial, o que demonstra por si só que você está certo.

seus posts obviamente não tem a intenção de "abrir os olhos" de ninguém, mas no máximo servir como um espaço para que pessoas que "compreendem o quanto são privilegiadas" (embora não proponham nada de objetivo para fazer) possam escarnecer do restante da "classe média" e se sentirem superiores.




PermalinkPermalink 24.09.09 @ 12:10



Comentário de: João

Bom, sou branco, carioca e moro no leblon. Me considero privilegiado sim, pois a condição financeira de minha família me permitiu estudar onde estudei (e entrar na univ. pública que cursei) e morar onde moro. Contudo, não me considero rico. Pago as contas com (certa) dificuldade, não sobra muito para a poupança, mas ao mesmo tempo, não abro mão de determinados luxos. Well, talvez eu seja mesmo rico. Não muito e definitivamente muito menos do que a maior parte dos ricos, mas rico anyway.

PermalinkPermalink 24.09.09 @ 15:48



Comentário de: mai

"Aqui, uma grande fortuna é sempre suspeita: no imaginário popular, o milionário não é alguém que trabalhou mais duro do que todos, mas provavelmente um grande corrupto, um bandido, alguém com esqueletos no armário."

Para ficar rico a condição principal é explorar, algo ou alguém. Se explorar algo ou alguém é atitude honesta, ótimo. [2]

no mais, achei ótimo o texto.

PermalinkPermalink 24.09.09 @ 16:20



Comentário de: Alex Castro Email

Mai,

Nao entendi. No mais o que? Vc concorda ou discorda do trecho citado? Pelo comentario do(a) Duda que vc copiou, parece que concorda... Entao, fiquei sem entender...

vc concorda ou discorda que, no Brasil, a riqueza é associada com corrupção, bandidagem, ter esqueletos no armário, exploração, etc? Se concorda com isso, entao concorda com o meu texto, ue.

PermalinkPermalink 24.09.09 @ 16:44



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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
  • 73. Diamond, Jared. The Third Chimpanzee. The Evolution and Future of the Human Animal. [EUA, 1992] Set.
  • 72. Suzuki, Daisetz Teitaro. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Set.
  • 71. Skidmore, Thomas E. Black into White. Race and Nationality in Brazilian Thought. [EUA, 1974] Set. (TulBib)
  • 70. Peter Pauper Press. Zen Buddhism. [EUA, 1959] Set.
  • 69. Ventura, Roberto. Estilo Tropical. História Cultural e Polêmicas Literárias no Brasil, 1870-1914. [Brasil, 1991] Ago. (TulBib)
  • 68. Freyre, Gilberto. Casa Grande & Senzala. [Brasil, 1933] Ago.
  • 67. Andrade, Carlos Drummond et al. Elenco de Cronistas Brasileiros. [Brasil, c.1950-2000] Ago.
  • 66. Veríssimo, Luis Fernando. Histórias Brasileiras de Verão. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 65. Veríssimo, Luis Fernando. Novas Comédias da Vida Privada. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 64. Rodrigues, Nelson. O Óbvio Ululante. Primeiras Confissões. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 63. Lispector, Clarice. A Descoberta do Mundo. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 62. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1900-1920] Ago.
  • 61. Alencar, José de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1860] Ago.
  • 60. Machado de Assis, Joaquim Maria. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1870-1900] Ago.
  • 59. Mankell, Henning. The Fifth Woman. [Suécia, 2000] Ago.15
  • 58. Mankell, Henning. The Man Who Smiled. [Suécia, 1994] Ago.10
  • 57. Lindsay, Jeff. Dexter in the Dark. [EUA, 1997] Ago.
  • 56. Couto, Mia. A Varanda do Frangipani. [Moçambique, 1996] Ago.
  • 55. Coutinho, Odilon Ribeiro. Gilberto Freyre ou O Ideário Brasileiro. [Brasil, 2005] Ago.
  • 54. Albuquerque, Roberto Cavalcanti de. Gilberto Freyre e a Invenção do Brasil. [Brasil, 2000] Ago.
  • 53. Chacon, Vamireh. A Construção da Brasilidade. Gilberto Freyre e sua Geração. [Brasil, 2001] Ago.
  • 52. Araujo, Ricardo Benzaquen de. Guerra e Paz. Casa Grande & Senzala e a Obra de Gilberto Freyre nos Anos 30. [Brasil, 1994] Jul.
  • 51. Schwarcz, Lilia Moritz. O Espetáculo ds Raças. Cientistas, Instituições e Questão Racial no Brasil, 1870-1930. [Brasil, 1993] Jul.
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  • 49. Bosi, Alfredo. Dialética da Colonização. [Brasil, 1992] Jul.
  • 48. Salles, Ricardo. Nostalgia Imperial. A Formação da Identidade Nacional no Brasil do Segundo Reinado. [Brasil, 1996] Jul.
  • 47. Salles, Ricardo. Joaquim Nabuco. Um Pensador do Império. [Brasil, 2002] Jul.
  • 46. Nabuco, Joaquim. O Abolicionismo. [Brasil, 1883] Jul.
  • 45. Nabuco, Joaquim. Minha Formação. [Brasil, 1899] Jul.
  • 44. Weber, João Hernesto. A Nação e o Paraíso. A Construção da Nacionalidade na Historiografia Literária Brasileira. [Brasil, 1997] Jul.
  • 43. Gofman, Rosane & Eny Lea Gass. Empregadas e Patroas. Uma Relação de Amor. [Brasil, 1998] Jul.
  • 42. Graham, Sandra Lauderdale. Proteção e Obediência. Criadas e seus Patrões no Rio de Janeiro, 1860-1910. [EUA, 1988] Jul.
  • 41. Maio, Marcos Chor. Raça, Ciência e Sociedade. [Brasil, 1996] Jun.
  • 40. Almeida, Luana Chnaiderman de. Entremeios e Entretempos. Aproximações ao Filme Shoah de Claude Lanzmann. [Brasil, 2006] Jun.
  • 39. Levi, Primo. É Isto Um Homem? [Itália, 1946] Jun.
  • 38. Sartre, Jean-Paul. A Questão Judaica. [França, 1946] Jun.29
  • 37. Costa, Angela Marques da e Lilia Moritz Schwarcz. 1890-1914. No Tempo das Certezas. [Brasil, 2000] Jun.
  • 36. Holanda, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. [Brasil, 1934] Jun.9
  • 35. Villa, Marco Antonio. Canudos. O Povo da Terra. [Brasil, 1995] Jun.7
  • 34. Brandão, Adelino. Euclides da Cunha e a Questão Racial no Brasil. A Antropologia de Os Sertões. [Brasil, 1990] Jun.6
  • 33. Moura, Clóvis. Introdução ao Pensamento de Euclides da Cunha. [Brasil, 1964] Jun.6
  • 32. Lima, Luiz Costa. Terra Ignota: a Construção de Os Sertões. [Brasil, 1997] Jun.5
  • 31. Bernucci, Leopoldo M. A Imitação dos Sentidos: Prógonos, Contemporâneos e Epígonos de Euclides da Cunha. [Brasil, 1995] Jun.4
  • 30. Lima, Luiz Costa. Euclides da Cunha, Contrastes e Confrontos no Brasil. [Brasil, 2000] Jun.4
  • 29. Haddon, Mark. O Estranho Caso do Cachorro Morto. [Reino Unido, 2005] Mai.
  • 28. Guilherme, Paulo. Goleiros: Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1. [Brasil, 2006] Mai.
  • 27. Krakauer, Jon. Na Natureza Selvagem: a Dramática História de um Jovem Aventureiro. [EUA, 1996] Mai.
  • 26. Cunha, Euclides da. Os Sertões. Campanha de Canudos. [Brasil, 1902] Mai.
  • 25. Wilder, Thornton. Bridge of San Luis Rey. [EUA, 1927] Mai.
  • 24. João de Patmos. Apocalipse. [Grécia, c.séc.I] Abr.
  • 23. Manzano, Juan Francisco. Autobiografia de un Esclavo. [Cuba, 1836] Abr.
  • 22. Castelnau, Francis de. Entrevistas com Escravos Africanos na Bahia Oitocentista. [Brasil, séc.XIX] Abr.
  • 21. Suzuki, Daisetz Teitaro. Introdução ao Zen Budismo. [Japão, 1934] Mai.
  • 20. Goethe, Johann Wolfgang Von. Faust. [Alemanha, 1832] Mai.
  • 19. Lisboa, Adriana. Rakushisha. [Brasil, 2007] Abr.
  • 18. Tezza, Cristovão. O Filho Eterno. [Brasil, 2007] Abr.
  • 17. Piñon, Nélida, A República dos Sonhos. [Brasil, 1984] Abr.
  • 16. Fanon, François. Black Skin, White Masks. [Martinica, 1952] Abr.
  • 15. Rheda, Regina. Pau de Arara Classe Turística. [Brasil, 1993] Abr.
  • 14. Guillory, John. Cultural Capital. The Problem of Literary Canon Formation. [EUA, 1993] Mar.7-10.
  • 13. Fonseca, Rubem. Feliz Ano Novo. [Brasil, 1975] Mar.11
  • 12. Butler, Octavia. Kindred. [Estados Unidos, 1979] Mar.7
  • 11. Ribeiro, João Ubaldo. Viva o Povo Brasileiro. [Brasil, 1984] Fev.
  • 10. Lispector, Clarice. Laços de Família. [Brasil, 1960] Fev.
  • 9. Veiga, José J. A Hora dos Ruminantes. [Brasil, 1966] Fev.
  • 8. Ramos, Graciliano. Vidas Secas. [Brasil, 1938] Jan.
  • 7. Pinto, Fernão Mendes. Peregrinações. [Portugal, séc.XVI] Fev.- (TulBib)
  • 6. Antunes, Antonio Lobo. O Esplendor de Portugal. [Portugal, 1997] Fev.-
  • 5. Santos, Gislene Aparecida dos. A Invenção do Ser Negro. Um Percurso das Idéias que Naturalizaram a Inferioridade dos Negros. [Brasil, 2002] Fev. (TulBib)
  • 4. Scott, Rebecca J. e outros. The Abolition of Slavery and the Aftermath of Emancipation in Brazil. [EUA, 1988] Fev.
  • 3. Moura, Clovis. O Negro: de Bom Escravo a Mau Cidadão? [Brasil, 1977] Fev. (TulBib)
  • 2. Suassuna, Ariano. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. [Brasil, 1971] Jan. (Releitura)
  • 1. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Clara dos Anjos. [Brasil, 1922] Jan.

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