Você É um Privilegiado? (Convite para Reflexão Individual)

O objetivo da série Raça não é promover no leitor uma reflexão individual sobre seu racismo enquanto pessoa, mas sim compreender melhor como funciona o racismo institucional e constitutivo da sociedade brasileira. Se essa reflexão for feita, cada um também vai naturalmente refletir sobre seu papel individual nesse estado de coisas - sem que seja preciso instituir uma caça às bruxas nem pelos "racistas" de verdade e muito menos pelos racistas dentro de nós.

Entretanto, existe uma uma reflexão individual que convido meus leitores a fazer. Mesmo que você discorde de tudo o que escrevo, te proponho que coloque suas objeções de lado e pense sobre essa questão como se fosse pela primeira vez.

Você é um privilegiado?

Pense em tudo o que tem - e não no que não tem. Se compare com quem tem MENOS - e não com quem tem MAIS. Reflita em tudo o que conseguiu não por mérito exclusivamente seu, mas por ser filho de quem é, por morar no bairro certo, por ser da cor mais apropriada.

Ou seja: você está no time dos que receberam mais do que a média e, portanto, pode abrir mão de algumas regalias em prol de quem não teve as mesmas oportunidades? Ou recebeu menos do que média e, portanto, ainda precisa de todas as vantagens que puder agarrar?

O que acha? Quem é você?

Primeiro, quero ouvir suas opiniões por alguns dias. Chamem os amigos pra virem responder também. Juro que me comporto e não vou fazer pouco de ninguém. Depois, publico meu texto desenvolvendo o assunto.

* * *

Série Você É um Privilegiado? (Convite para Reflexão Individual)
I - A Invisibilidade do Privilégio
II - O Ônus da Elite
III - Os Privilégios da Classe Média
IV - Brasil, Meritocracia de Todos!

Adendos:
I - Culpa, Racismo e Privilégio ("Somos Nós os Culpados?")
II - Governo, Raça e Privilégio
III - "Mas Afinal Qual É a Solução?"Racismo LLL

* * *

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 República das Elites,  Elite: Ontem, Hoje e Sempre

 

20.09.09


Categorias: Raça


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Comentários:


Comentário de: La Luna

Bom, vamos lá.
Eu tenho a cor certa, ja tive o corpo certo, hoje tenho o cerebro certo.
Tenho mais que a maioria, mais não abriria mão de nada por alguém que não teve as mesmas chances.
Ainda preciso de das minhas chances ja que logo também não terei a idade certa.
Sua pergunta e muito binária, eu acho que existem pessoas com a cor certa que ralaram pacas, sem falar que luto diariamente contra a misognia na minha profissão.
Mais os negros que conheço são megas bem sucedidos sem serem jogador de futebol.
Alias minha atual gerente e negra e mulher e ela está lá não porque estudou mais que eu mais pq a empresa tem ação afirmativa, otimo ela agarrou a chance dela, agora deixa eu agarrar a minha

PermalinkPermalink 20.09.09 @ 20:22



Comentário de: Alex Castro Email

já me arrependi de ter prometido não fazer pouco de ninguém mas vou ficar caladinho e bem-comportado.

PermalinkPermalink 20.09.09 @ 21:10



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
Antes de eu responder, por favor me informe pra que serve a vida. Qdo eu souber o objetivo da vida, aí vou poder saber se sou privilegiado ou não.

PermalinkPermalink 20.09.09 @ 21:35



Comentário de: Alex Castro Email

fugir da reflexão com um sofisma tb é um modo bem revelador de se colocar nela...

PermalinkPermalink 20.09.09 @ 21:37



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Eu sou privilegiado em relação a quem nasceu no Haiti, mas sou desprivilegiado em relação a quem nasceu no Estados Unidos.

PermalinkPermalink 20.09.09 @ 21:43



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Mas eu sou a favor das cotas nas universidades públicas. As cotas raciais irão desmoralizar a universidade pública. E para o Brasil começa a dar certo é preciso acabar com a universidade pública. A universidade pública é a saúva moderna: ou o Brasíl acaba com a universidade pública ou a universidade pública acaba com o Brasil. Temos que acabar com essas saúvas. E as cotas raciais serão nosso tamanduá! Vamos defender as cotas, Alex, eu te apoio nessa!

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 20.09.09 @ 21:45



Comentário de: La Luna

Huahuahuahua
Sabia que vc ia ficar irritado.

PermalinkPermalink 20.09.09 @ 22:04



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
Parece um sofisma, mas é uma pergunta legítima.

Pois qdo vc fala em "privilégio", ¿vc tá falando de quê? Dinheiro e poder? ¿É disso q vc tá falando?

Pq, por exemplo, eu me sinto privilegiadíssimo em minha capacidade de não alterar meu humor, de tar sempre calmo e atento, mesmo em situações em q pessoas q têm 10, 20 ou 100 vezes mais dinheiro e poder do q eu imediatamente perdem toda compostura, gritam, ralham e ficam uma pilha de nervos. Sou assim pq sinceramente não sei pra que serve a vida.

Mas se vc me GARANTIR q o objetivo da vida é ter "sucesso", dinheiro e poder, aí posso dizer como tou nessa parada.

Claro tbm q minha resposta é não um sofisma mas um comentário à pergunta, a toda essa supervalorização do sucesso, dinheiro, poder e prazer implícita na própria base de toda discussão sobre racismo.

Advogo, tal como R.Rorty, q o pior – se não o único – mal q se pode praticar é a crueldade. O resto são acomodações temporárias entre pessoas e grupos sociais.

PermalinkPermalink 20.09.09 @ 22:29



Comentário de: Leo · http://lmonasterio.blogspot.com

Sou terrivelmente privilegiado. (Um câncer de fígado precoce com um longo período de sofrimento, contudo, pode trazer o universo ao equilíbrio).



PermalinkPermalink 20.09.09 @ 22:55



Comentário de: Felipe

Extremamente privilegiado. Não que seja herdeiro de classe alta, mas certamente nasci sob a égide da classe média galopante e tenho muitos privilégios: uma casa grande, um carro pelo qual não paguei e cuja gasolina sai do bolso do meu pai, roupas novas, vida noturna, cursinho, universidade pública, etc. Ser privilegiado, no entanto, não me afastou de causas com as quais simpatizo (e defendo abertamente, e donde modifico minha vida e minhas perspectivas), de esquerda: raça, gênero, sexualidade, classe. Cada vez mais sigo na reflexão daquilo de que posso abrir mão, mas sei como será dolorido.

PermalinkPermalink 20.09.09 @ 23:17




Sei que sou privilegiada por ser branca e de classe média, mas não me sinto privilegiada por ser mulher. Pelo contrário:
http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2008/12/durma-se-com-um-privilgio-desses.html
Então, escrevi o texto acima (sobre privilégio masculino) em dezembro, e semana passada escrevi um sobre privilégio branco, que espero publicar esta semana. Considero essa reflexão importantíssima.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 00:14



Comentário de: Precioso

Bairro "errado", não herdei nada material mas tive a mãe correta. Minha cor, segundo o que você escreve, deve ser a "adequada", já que nunca senti o peso dela. Mamãe é branca, papai era descendente de índios. Pele vermelha.

Hoje tenho muito mais do que a média dos colegas de infância, e eu credito isso a mamãe que, apesar do ambiente, sempre foi muito culta, me ensinou a ler enquanto eu almoçava sentado no chão da sala sem piso, forrado com jornal. Se sacrificou para me dar o que ela achava mais importante. Educação.

Lá em casa não havia televisão. Não por escolha, mas por falta de grana. Mamãe nos contava histórias para nos distrair. Lia livros. Lembro do dia em que disse que já estava na hora de histórias "adultas", e leu para nós O Conde de Monte Cristo, depois, Volta ao Mundo em 80 Dias, Pequeno Príncipe, O Velho Testamento. Nunca mais perdi esse hábito.

Eu desperdicei muitas oportunidades, mas agarrei outras. E digo, com pesar, que infelizmente não sou capaz de abrir mão de regalias conquistadas em prol de um irmão.

Estudei em uma Universidade Federal, não entrei por cota. Nem tenho uma opinião muito concreta sobre ela. Sei que irá encontrar uma forma de encontrar alguma prova de racismo, mas não me importo.

E você Alex? Já se hospedou em uma suite mais barata e doou a diferença? Já cancelou uma viagem e comprou livros para algum menino? Deixou de comprar cerveja ou cigarros e comprou almoço para alguém que viu com fome?

Eu não.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 00:48



Comentário de: Alex Castro Email

plausivel,

o interessante de uma pergunta ampla e aberta é que cada um entende e responde como quer. :)

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 01:57



Comentário de: Josué

Eu sou negro, pensando o termo politicamente. Sou alguém que sofre racismo. Mas, pra dar uma ideia do meu fenótipo, saiba que sou um mulato claro.

Minha mãe é negra, de família pobre, e meu pai é branco, de família de classe média.

Se eu sou privilegiado? Por um lado, sim: estudei numa excelente escola católica da zona sul do Rio de Janeiro; fiz curso de inglês quando criança, essas coisas. Nunca tive luxo, carro, viagens, não frequentava clube, nada disso, mas, em termos de educação, tive do bom e do melhor. E sou homem. E sou heterossexual. Isso me abriu muitas portas, especialmente em termos de emprego.

Por outro lado, nasci com a cor errada, como já escrevi acima. Então, por exemplo: mesmo sendo melhor aluno do que muitos em minha faculdade, lembro-me de uma situação em que tive de provar meu valor MUITO mais do que alguns outros numa disputa de monitoria, por exemplo. Na primeira vez que fui falar com a professora para obter as informações sobre o concurso, ela imediatamente fechou a cara para mim e simplesmente não me deu as informações que eu precisava porque achou que eu fosse um aluno ruim, com formação educacional fraca, como é comum nos cursos de Letras, mesmo nas federais. No mesmo dia, uma amiga minha, moça rica, bem nascida e branca, e que escrevia muito mal, muito mal mesmo, teve as portas imediatamente abertas para ela. Adivinha quem ficou com a monitoria? Ela, claro. Processo de entrevista lima mesmo quem nasce com a cor errada, por melhor que você se coloque. A professora precisou de mais um ano me conhecendo (fiz duas matérias com ela), vendo bons trabalhos e provas para que ela tivesse CERTEZA de que eu era um bom aluno e, então, no ano seguinte, consegui a bolsa.

Sou um desprivilegiado por, por exemplo, pouco ter me visto representado nas aulas de História do Brasil; ou na televisão; ou nos jornais; ou nas lojas e restaurantes que eu pude frequentar. Isso, evidentemente, é algo que muitas vezes me fez ter dúvidas se eu, de fato, poderia ser o que eu quisesse na minha vida. Se eu não vejo pessoas como eu, é claro que fico prejudicado. Tudo fica estranho. Em muitas situações, sempre precisei ter mais cuidado do que colegas brancos, porque uma escorregadela reverberava com mais potência sobre mim do que sobre os colegas da cor certa. E isso tudo, aos poucos, gera estresse, evidentemente. O olhar de desconfiança pode ser como uma flecha.

Eu poderia enumerar muitos casos, muitos mesmo, em que fui afastado - simbolicamente e literalmente - de determinados espaços por ser da cor errada.

Num saldo geral, entretanto, acho que SOU UM PRIVILEGIADO. Mas não por causa da grana e dos lugares em que pude estar, mesmo com essas dificuldades pontuais.

Acho que a grande diferença na minha vida foi o fato de minha mãe ser uma mulher consciente sobre a questão racial; ter sido de movimentos negros; o que me gerou segurança suficiente para, mesmo nos momentos em que me balançavam, eu pudesse colocar a cabeça no lugar e saber que, afinal, eu tinha direito às mesmas oportunidades que os outros tinham. Isso combateu o mal maior da auto-estima relacionada ao estigma da ascendência africana, e me permitiu usufruir com mais liberdade, com maior potencial, o que a minha grana, meu sexo e minha orientação sexual (e outras coisas, possivelmente) me ofereciam.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 02:06



Comentário de: Henrique Cartaxo · http://multimidiacartaxo.blogspot.com

O reflexo inicial foi pensar onde estou agora: estou na universidade pública (e, meu deus, o que é esse Jorge Nobre?), e comecei acreditando que os méritos foram meus. Não sou muito rico, nem sou pobre, e isso já me coloca acima da média. A situação em que cresci foi a de não ter que me preocupar, nunca faltou nada e ainda sobrou pra certas regalias e luxos.

O privilégio que isso me proporciona é o tempo. Um cara que está ligeiramente abaixo de mim na escala econômica já não tem o tempo que eu tenho pra ficar refletindo, inventando arte, estudando. É bem por pouco mesmo que eu não preciso, nesse momento, ter um emprego pra viver. Isso é valiosíssimo. E acho que se não tivesse esse tempo eu não estaria aqui.

Então sou privilegiado.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 02:12



Comentário de: Henrique Cartaxo · http://multimidiacartaxo.blogspot.com

Depois de ler o comentário de Josué, quero acrescentar:

Me sinto bem aceito e adequado a frequentar qualquer espaço, entrar em qualquer loja, qualquer sala de professor, perguntar o que eu quiser e costumo ser bem tratado. Vejo que negros não gozam desse 'respeito automático'.

Só fica um pouco difícil ver como privilégio uma coisa que me parece tão natural, a impressão é de que isso falta a eles e não que sobra para nós... É uma impressão logo destruída pelos primeiros raciocínios, mas que existe...

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 02:23



Comentário de: Alex Castro Email

harry... quer dizer... henrique, ;)

o privilegio, pra quem desfruta dele, é como a água pro peixe: ele é invisível pq acaba se tornando um "dado" que nos circunda...

Do post A Invisibilidade do Racismo:

Numa sociedade racialmente estruturada e profundamente desigual, as únicas pessoas que são psicologicamente capazes de negar a centralidade do racismo são justamente aquelas que pertencem à raça privilegiada: a raça, para eles, torna-se invisível porque o mundo é estruturado em função deles; eles são a norma em oposição a qual são medidas as pessoas de outras raças ("esses outros tem raça, não eu!"). Assim como o peixe não vê a água, os membros da raça dominante não vêem o racismo.

http://www.interney.net/blogs/lll/2008/12/19/a_invisibilidade_do_racismo/

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 02:28



Comentário de: Menina Eva · http://www.interney.net/blogs/cintaliga

Sou privilegiada por ter nascido filha de pais cultos.

Por ter ganho uma bolsa pra estudar em uma colégio particular.

Por ter dificuldade pra escrever quando pequena e ter tido uma mãe que puxava por mim, me passando exercícios extras de caligrafia. Ter dificuldades em matemática e física e ser filha de engenheiro.

Por ter tido dezenas de livros e revistas, e explicações sobre eles.

Sou da cor certa; o único incômodo que sofro por ter cara ibérica numa terra de morenos é o fato de todo mundo perguntar de onde eu sou, e não acreditar quando eu digo que sou de Manaus mesmo.

Não sou privilegiada por haver nascido e crescido em Manaus. Caso houvesse nascido e crescido em São Paulo, ou no Rio, ou na Bahia, eu teria mais chances de trabalhar como atriz profissional.

Acho que não abriria mão dos meus privilégios. Quero meus filhos sendo criados como eu fui.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 08:01



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Teressante, né, como se confunde 'privilégio' e 'sorte'.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 08:27



Comentário de: João Paulo Cursino · http://sratoz.wordpress.com

Sorte eu tive de ter tido (e ainda tenho) um pai que trabalhava feito um burro de carga e, apesar de nascido em família pobre, ter estudado à noite e se matado pra trazer um pouco mais de conforto, livros e cultura aos filhos. Sorte eu tive na medida em que ele me orientou.

Privilégio eu tive na medida em que, toda vez em que fui avaliado para ingresso em alguma instituição ou para ganhar nota, nunca souberam qual era minha cor. Sim, porque os professores não sabiam quem era eu no meio de tantos nomes. Mas também tive privilégio no momento em que, quando os colegas me censuraram a participação em aula, não foi por causa da minha cor.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 09:18



Comentário de: Amora.

Eu sou negra e tenho 26 anos. Mas a sociedade me considera branca, porque eu sou morena clara, da cor da Camila Pitanga.Minha primeira e única bicicleta foi ganhada aos 15 anos e eu nunca tive video-game.Mas nunca passei fome. Faltou roupa, sapato, diversão. Mas meus pais eram orgulhosos e eu sempre andei limpinha, penteada e arrumada.Eu sou pobre, filha de um pedreiro e de uma cozinheira. Meu pai tem a 4º série do primário e minha mãe chegou a 8º série e eu sempre estudei em escola pública. Eles não esperavam que eu chegasse a faculdade. Eu cheguei...mas tive que sair. Passei numa faculdade pública que aderiu ao sistema de cotas para quem estudou a vida inteira em escola pública.Fui a 1º pessoa da minha família a entrar numa faculdade, considerando toda a parentela, inclusive tios e primos de 3º grau. Ok, eu agarrei a oportunidade. Mas tive que soltá-la, pois trabalhando de 8:00 às 18:00 hs só chegava atrasada na facu, devido ao trânsito de uma hora e meia. Eu vislumbrei o paraíso, mas não era boa o bastante para estar lá.Não tinha grana pra bancar os projetos caros do meu curso de Desenho Industrial.Meus colegas eram a nata da sociedade belorizontina (Aff!).Conclusão: larguei a faculdade. Todavia, eu estudei pra caramba! E a despeito de toda a sociedade e até da minha família (que não sonhou nada pra mim) eu conseguí passar em um concurso público da Prefeitura de Belo Horizonte. Não é o melhor salário do mundo, mas eu tiro líquido R$870,00. Isso é muito mais do que meu amigos conseguiram, aqueles que cresceram comigo em iguais condições (ou falta de condições).Eu economizei 50% do meu salário, às vezes mais, e junto com meu noivo (igualmente pobre) comprei um apartamento de 64m2 financiado. A despeito do que todos pensavam, principalmente a minha família, eu não vou casar e morar de aluguel como 95% dos meus familiares.Eu não tive gravidez na adolescência como 90% das minhas primas e primos. Eu sou melhor que os meu pares? Não.Eu sou apenas uma pessoa mediana, mas sempre fui considerada arrogante, pretenciosa e orgulhosa. E devido a essas "características" eu me recuso a viver de migalhas. Eu sou bonita e poderia ter arrumado um homem pra me "encostar". Mas eu sou orgulhosa demais pra isso e preferí vencer pelo trabalho. Como ninguém nunca esperou nada de mim, não sofrí a pressão de ter que provar alguma coisa pra alguém. O único incentivo que recebí nesses 26 anos de vida foi a frase que minha mãe me disse, repetidas vezes: "O que é seu é seu, o que é dos outros é dos outros.Não tome nada dos outros, nem deixem que tomem de você". Tá aí, tô tascando a minha parte no queijo.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 10:16



Comentário de: Blog Mallmal · http://www.mallmal.blogspot.com

Fala sério, Alex. Cobrar pedágio por "facilidades" que não foram solicitadas (como cor da pele e nível sócio-econômico da família) é demais.

Funciona assim: Quem é mais rico, paga mais imposto. O governo, que subsidie faculdade para pessoas pobres, ou negras, ou whatever. E elas que façam vestibular.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 10:19



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

É uma pergunta complicada, não consigo pensar em todos os aspectos, mas vou tentar uma primeira resposta...

Meu maior privilégio foi o apoio dos Minha família era pobre: vivi a primeira infância em uma invasão e, mesmo quando ganhamos um imóvel, a qualidade de vida era bem baixa. Mas a casa vivia cheia de livros e meu pai sempre sentava conosco para ajudar nos estudos; creio que foi isso que me fez crescer mais que meus vizinhos.

Quanto à cor da pele, sou meio privilegiado: creio que seria vítima de vários preconceitos se eu, por exemplo, usasse bermudas e camisetas de hip hop; como nunca gostei dessas roupas, acabei "promovido". Na verdade, tive o privilégio de gostar de coisas de "bom garoto": leitura, igreja, ciências etc.

Senti mais preconceito ao entrar na Universidade de Brasília: havia regras tácitas, expressões e etiqueta entre meus colegas de curso que eu não conhecia. Entretanto, isso nem chegou a prejudicar: não me importava sobre o que achavam de mim. De qualquer forma, acho que o problema não era sobre minha cor ou origem social, mas minha falta de tato: encontrei meu círculo social, grandes amigos, que, ainda assim, eram geralmente mais ricos e mais claros de pele.

Posso pensar muito mais sobre o assunto ainda, não fui exaustivo e deve imaginar como é confuso para um "leigo" pensar nisso :) Se lembrar de algo mais, comento depois.

Sobre abrir mão dos privilégios que tive, não o faria, agora, na maior parte dos casos. Porque:

- já cedi os privilégios dos quais abriria mão (e.g. emprego público, maiores salários, cursinhos comunitários, cotas no vestibular*).

- não dá para ceder alguns outros - como é que eu poderia "ceder" meus pais para outra criança?

- abrir mão de vários privilégios os cederia para gente que teve ainda mais oportunidades.

- mereci a maior parte do que consegui após a adolescência.

- posso colaborar mais sem ceder algum privilégio, como ajudando alunos carentes ou fazendo doações e serviços voluntários; não que eu o faça, mas acho que seria mais efetivo do que, digamos, "dar" a vaga que tive na universidade.

Ficou meio grande, mas espero ter transmitido a idéia. Não sou muito bom com as palavras, então pode ter ficado confuso; qualquer dúvida, é só perguntar :)

* Quando fiz o primeiro vestibular, não havia cotas, mas eu não as usaria mesmo assim. De qualquer forma, no outro vestibular em que passei, não o prestei sob as cotas.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 10:53



Comentário de: Amora.

Essa questão de ceder ou não ceder está sendo colocada aqui de maneira errônea. Ora, sabemos muito bem que ceder significa dar de bom grado o que tenho. Isso não pode ser esperado de um ser humano, nem mesmo de um animal, porque vai contra a regra básica da biologia que é a sobrevivência do mais apto. Se eu cedo estou favorecendo alguém que no futuro pode vir a ser melhor do que eu( em algum aspecto) e ameaçar a minha sobrevivência. Não sejamos hipócritas e falemos de "justiça social" ao invés de falarmos de ceder, contribuir e etc. Se houvesse bases para que o socialismo fosse implantado no Brasil eu estaria plenamente de acordo. Levaria debaixo do braço o meu livrinho do Manifesto Comunista como minha bíblia. Mas estamos no Capitalismo e aqui ninguém cede nada pra ninguém.Tudo tem que ser tomado à força. É claro que o PRIVILEGIADO jamais vai abrir mão, ainda que de uma parte ínfima, do seu privilégio para permitir a ascenção social do DESFAVORECIDO. Este é quem tem que tomar "à força" a sua fatia do bolo. O problema é que o povo entende "tomar à força" como assaltar, sequestrar, roubar, meter a mão... e não com medidas políticas incisivas como: não votar,ir pras ruas reinvindicar,ajudar os que estão fudidos como você...

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 11:33



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Só uma correção: no meu comentário, onde se lê "Meu maior privilégio foi o apoio dos Minha família era pobre" leia-se "Meu maior privilégio foi o apoio dos meus pais. Minha família era pobre"

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 12:31



Comentário de: Josué

Ah, sim, eu não respondi se abriria mão dos meus privilégios, né? Bom, eu não tomaria essa iniciativa, digamos. E, sinceramente, isso é normal por parte de qualquer ser humano. É por isso que o sangue tem que rolar, como você disse, é por isso que precisa haver confronto político, é por isso que temos de fazer pressão, sensibilizar etc.

Então, eu não tomaria a iniciativa de passar adiante um privilégio meu, mas certamente paro para ouvir e cedo quando alguém reclama e me mostra que estou com mais do que devo, e que esse alguém está com menos do que seria justo.

Só para dar um exemplo concreto: eu acharia justo perder uma vaga de emprego para alguém que tivesse um currículo bom o suficiente e que fosse mais escuro do que eu (porque quanto mais escuro, menos são os caminhos abertos), ou se fosse uma mulher negra.

Mas é aquilo: sou um ser humano. Acharia justo, mas também ficaria chateado. Essa balança é que é sempre complicada.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 13:15



Comentário de: cris · http://quitanda2008.wordpress.com

[o comentário da amora me emocionou]

eu me considero alguém bastante privilegiada. muito mesmo. meus pais não foram para a faculdade; meu pai era militar na épocada ditadura e foi cassado e anistiado na década de 90; minha mãe nem chegou a fazer o 'ginasial'. mas lá em casa sempre teve muitos livros - meu pai adora ler - e todo mundo frequentou aulas de piano, balé, judô, violão, essas coisas. eu e meus 3 irmãos sempre estudamos em escolas públicas. fizemos faculdades federais e todos passamos em bons concursos. mas na minha casa nunca teve roupa de marca nem videogame. tinha era comida farta e boa educação, porque meus pais corriam atrás. meus pais sempre me ensinaram a não relcamar da vida, mas a correr atrás. nunca foram de nos 'fazer as vontades', eu nunca tive mesada, essas coisas que a meninada de hoje exige. quando vejo gente que teve mais privilégios que eu reclamando que acha absurdo assinar a carteira da empregada doméstica ou dizendo que ganha mal - 'afinal, olha só quanto ganha um juiz' [ao que eu penso: o céu é o limite...] - tenho vontade de esquecer as boas maneiras que meus pais incutiram em mim e dizer uns impropérios. acho que é só, alex [e estou louca para ler a tua reflexão]. bjs!

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 13:16



Comentário de: Rachel

Eu sou mega priviligegiada porque nasci na hora certa. Minha vó era miserável, minha mãe ja nasceu melhor (suburbana) e eu chegeui na hora classe média. Morei 4 anos nos EUA (la eu era classe média baixa, 3 pessoas em um quarto, mas ser pobre lá é fichinha). Pude estudar em escola particular e hoje viver do Inglês que aprendi fora.
Não conheço gente poderosa, mas conheço gente util.
Não tenho nada do que reclamar.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 13:44



Comentário de: Haline · http://www.halinices.blogspot.com

Eu acho tão facil essa resposta. Não precisa de reflexão, basta se comparar com o estereotipo do privilégio: homem, branco, classe média, heterossexual. Logo, mulheres, negros, pobres e homossexuais tem sim alguma desvantagem. E esse papo de “mas minha gerente é negra”, “mas meu diretor é gay”, pls né. Coisa de jardim de infância.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 14:18



Comentário de: Alex Castro Email

Teressante, né, como se confunde 'privilégio' e 'sorte'.

Teressante, né, como vc distingue 'privilégio' e 'sorte'.

aliás, qual é a diferença?

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 15:16



Comentário de: Amora.

Alex,

Sorte é quando a competência encontra a oportunidade.Privilégio é ter a "sorte" de se tornar competente.

Sorte é vc ser um executivo mega competente da Pepsi e estar doidinho pra trabalhar na Coca-Cola. Aí, participando de um congresso de bebidas você começa a bater papo com um head hunter da Coca e ele vai com a sua cara e te contrata. Ou seja, estar no lugar certo na hora certa.

Privilégio é você poder se tornar esse executivo mega competente.

Concluindo... o privilégio gera a sorte e não o contrário.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 15:46



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Ufa. Depois de meses de posts e discussoes que se repetem vc chegou no fundo do problema.

E o Plausivel matou a pau. Alias, ele so mostrou o quao facil eh tirar todos esses layers que vc colocou em volta do que vc chama de 'racismo' e chegar no ponto final de que, well, pessoas sao diferentes.

Sim, eu sou branco e por isso sou tratado melhor do que se fosse preto. Pelo menos no pais aonde nasci... Agora, sera que eu seria melhor tratado ainda se eu nao fosse tao branco? Ou se eu fosse mais alto? Sera que se eu fosse menos inteligente (and therefore menos 'geek') eu teria arranjado mais namoradas? Ou sera que seriam menos?

Eu sei que eh coisa de amaericano mas eh por causa da total impossibilidade de se definir conceitos basicos em volta dessas questoes que o objetivo de uma sociedade tem que ser a equivalencia legal. A constituicao americana so funciona porque define pouco, e diz que cada um tem o direito a pursuit of happiness, and not happiness itself.

Eu sei que vc ta focando no Brasil mas a discussao eh basicamente a mesma. A historia racista dos 2 paises acabou, e como lidar com o atual momento (que ainda eh influenciado pelo racismo anterior) eh um problema dificil.

Mas acho que eh um problema que so pode ser resolvido com tempo e educacao, e nao com esquemas de redistribuicao de dinheiro e oportunidade. Acho sim que esse tipo de coisa vai prolongar o problema ao inves de soluciona-lo.

[]s

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 15:57



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Bom, isso depende muito.

Sou mulher e branca, mas nunca fui muito bonita. Ser bonita poderia ser considerado um privilégio, acredito eu.

Meu pais saíram da m*rd*, trabalharam e estudaram muito para poderem me dar uma vida típica de classe média (escola particular, curso de inglês, esportes, etc.)

Mas quando olho minha trajetória profissinal, constato: tudo o que consegui foi por mérito próprio. As coisas aconteceram porque alguém que conhecia meu trabalho indicou ou ainda porque alguém que viu que eu era responsável e dedicada na faculdade me contratou.

Consegui empregos porque fui responsável em outros empregos (e convenhamos, muita gente não cumpre prazos, chega atrasado, etc etc etc. e depois reclama que não é reconhecido no emprego... mas enfim).

Assim sendo, não possso dizer que ser isso ou aquilo me atrapalhou. Hoje até vejo que algumas atitudes que considerei "machistas" não eram bem isso. Era incompatibilidade pessoal mesmo, com pessoas do trabalho, o que é perfeitamente normal (ainda que não agradável).

Não vejo como ser mulher (que muitos chamam de fator limitante) possa me limitar em alguma coisa. Tenho plena noção de minhas capacidades e o que consigo (ou não consigo) conquistar a partir delas.

Se for para me considerar uma privilegiada, posso dizer que tenho (pois ainda agem assim) pais amorosos que me incentivam e que tenho a sorte de amar o que faço e não ser por demair preguiçosa.

De qualquer forma, há coisas que podem ser equalizadas, há coisas que não. Como equalizar os "privilégios" dos que tiveram pais ótimos e dos que não tiveram? Criando uma lei para não deixarem os pais criarem mais os filhos?

Como minimizar os "privilégios" dos bonitos sobre os feios? Dos altos sobre os baixos? Dos inteligentes sobre os mais lerdinhos?

Enfim, é muito complicado falar sobre privilégios. Entendo que o Estado tem de partir do princípio que todos estejam no mesmo patamar e que queira, de certa forma, compensar grupos que não estão.

Mas a questão é: sempre vai haver privilegiados, porque assim é o mundo: alguns são mais adaptados que outros. O que dá para mudar é a característica do privilégio. Hoje, considera-se que uma pessoa possa ser da cor certa. Mas qualquer um pode estar na altura errada.

Enfim, quando a gente extrapola essa noção de "eu tive mais chance ou menos chance que os outros", a gente começa a entrar em um terreno muito complicado.

Abs.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 16:49



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
"Teressante, né, como vc distingue 'privilégio' e 'sorte'. aliás, qual é a diferença?"

Pra mim, a sorte engloba tudo q acontece por acaso, ie, 99% de tudo. Vários desses "privilégios" mencionados são acasos favoráveis, q se resumem a "ter a sorte de nascer e crescer numa situação q favorece vc se tornar aquilo q deseja ou aquilo q vc no fundo É." Já o privilégio per se é algo concedido a vc seja por mérito, seja por injustiça, ou algum outro fator q coloca vc artificialmente numa MINORIA favorecida, e não numa situação genérica, tipo "meus pais foram supimpa".

Faço essa distinção pq existe mesmo a distinção entre:
(1) (particípio passado) Fulano FOI privilegiado na distribuição de verba pq é amante da diretora.
(2) (adjetivo, sentido figurado) Fulano É um privilegiado: tem 90 anos e ainda enxerga perfeitamente sem óculos.

Hoje, em várias línguas, se usa o adjetivo figurado com o significado negativista do particípio. Esse é o sentido q vc usou e q os comentaristas tão usando – em q "ter SORTE" é visto como injustiça por quem não tem, e então, pra enfatizar a aparente aleatoriedade da SORTE, usa-se a palavra 'privilégio' pra dar a ela uma conotação ruim. Pra mim, 'privilégio' adquiriu esse sentido negativista por DESPEITO contra a sorte dos outros.

Qto a mim, digo com todas as letras q tive o AZAR de "nascer e crescer numa situação q DESfavorecia eu me tornar aquilo q desejava e aquilo q no fundo SOU", um teórico da música. Levei 30 anos pra me desvencilhar de minhas origens na indústria metalúrgica, mais uns 15 anos pra ir catando os cacos e agora, aos 51, tou semi-perdido no meio de todo o lixo q foi se juntando a minha volta esses anos todos.

Se alguém me chamar de 'privilegiado', leva um piparote no cucuruto pra aprender a distinguir alhos de bugalhos.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 17:23



Comentário de: Alex Castro Email

Pra mim, a sorte engloba tudo q acontece por acaso, ie, 99% de tudo.

plausivel,

eu gostei dessa sua teoria pq ela simplifica muito o mundo, nao? putz, eh uma delicia...

machismo? nada disso, minha filha, ele é que teve a sorte de nascer homem, vc q teve o azar de nascer mulher q aguente...

racismo? nada disso, meu nego, ele é que teve a sorte de nascer branco, vc q teve o azar de nascer negro q aguente...

etc etc

putz, adorei. super prático.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 17:40



Comentário de: Eduardo

Se eu sou privilegiado racialmente, socialmente? Sim, eu sou. Agora, Alex, se a intenção não é promover uma reflexão individual, por que que eu, privilegiado, deveria abrir mãos das facilidades que a minha condição oferece? Se a intenção é compreendermos como funciona esse racismo institucional, e eu espero ter compreendido, não entendi por que eu, individualmente, deveria lutar a favor da igualdade. Digo, institucionalmente falando, eu trago comigo todos os benefícios inerentes à minha condição, mas individualmente falando, não é senão através do sentimento de dívida que eu me mobilizo para mudar essa situação.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 17:40



Comentário de: lucas

hmmm... interessante conceito, esse de quem "recebeu mais do que a média, portanto pode abrir mão de algumas regalias".
mais interessante é o de quem "recebeu menos e precisa de todas as vantagens que puder agarrar".

mais interessante ainda é só perceber que o autor do blog partiu de um post em que perguntava ao leitor em qual das duas categorias se encontra, só para chegar no comentário em que deixa claro que já sabe a resposta: branco é privilegiado e tem que abrir mão de suas "regalias".

e mais, o branco nem tem o direito de ter opinião - não está "psicologicamente preparado" para perceber a realidade.

(se alguém escrevesse que os negros são psicologicamente incapazes para perceber a realidade, seria enquadrado pro crime de racismo. mas, sei lá, vai ver isso é uma daquelas "falsas simetrias" né?)

agora só fica faltando o sapientissimo autor do blog especificar quanto os brancos devem abrir mão de suas "regalias". ou pelo menos indicar os integrantes do tribunal que decidiria caso a caso o quanto cada branco é privileigiado. e, claro, tem que estabelecer pra onde mandar os brancos que discordarem...

afinal, porque deixar o trabalho inacabado?





PermalinkPermalink 21.09.09 @ 18:17



Comentário de: Kitagawa

Acho que podemos fazer um paralelo do racismo e com outra grande chaga da nossa sociedade, e que parece igualmente estar acima das individualidades e da lei: a corrupção. Sim, pois a corrupção, principalmente no que se refere aos processos politco-partidarios, está tão entranhada que parece inutil sair apontando o dedo, pois quem aponta também deve. Não adianta falar que corrupção é feio, mal adianta aprimorar as leis, fato é que o sistema como ele se configura hoje depende da corrupção para funcionar, assim como o nosso racismo é pedra fundamental sobre a qual nossa sociedade se define. Qualquer ação que vise reconfigura-la já fomenta a histeria conservadora dos privilegiados.

O "por que devo abrir mão de meus privilegios?" é recorrente aqui. É o que dizem os politicos, é o que diziam escravocratas e é que diziam também os aristocratas. O que acontece no congresso é emblematico: politicos batendo os pes por privilegios (no mal sentido) que eles mesmos se deram. A elite branca tem tanta dificuldade de reconhecer que a sociedade que eles configuram é racista quanto os politicos tem de se reconhecrem como filhos da puta que fazem festa com o dinheiro publico. É a tal ilusão patrimonialista que aflige por exemplo o GOlgo e sua metafora vagabunda do elevador (ele acha que a universidade publica é dele, tanto quanto so 50 reais do seu bolso).

Podemos ficar abismados com o Apartheid, com o sistema de castas da India, mas, ei!, nossa sociedade na pratica é tão absurda quanto. Não podemos nos iludir achando vivemos numa meritocracia quando até um ET que de uma bizoiada por essas bandas vai sacar que nossa sociedade se hierarquiza racialmente e que é corrupta tanto no micro quanto no macro.

bah, tenho que sair agora.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 18:26



Comentário de: Alex Castro Email

lucas,

e como eu jurei não fazer pouco de nenhum leitor nesse post, e não dá pra te responder a serio, infelizmente vc vai ter q ficar sem resposta...

pensarei duas vezes antes de me comprometer com promessas bobas como essa no futuro.

abraços,

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 18:31



Comentário de: Alex Castro Email

kita,

pô, q apartheid que nada. vc nao ouviu o plausivel? é que uns tiveram a sorte de nascer brancos, e outros tiveram o azar de nascer pretos, ué. pura questão de sorte, oras.

e vcs aí quebrando a cabeça com besteira...!

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 18:34



Comentário de: lucas

o problema como toda tentativa de garantir uma distribuição supostamente mais justa de renda ou oportunidades através do Estado é que se supõe que o poder estará nas mãos sempre de alguém com boas intenções - isto é com as minhas intenções.

mas, em uma democracia, mesmo que você acredite que o Estado deveria ajudar, digamos, os negros, tem que contar com a possibilidade de que um dia estará no poder alguém que ache que o estado deve beneficiar outro grupo, digamos, os brancos.

se damos ao Estado poder para dizer quanto brancos no máximo pode haver em uma sala de aula, devemos estar preparados para que um dia esteja no poder quem pense que não pode haver um único negro.

a única solução para isso seria garantir que quem está no poder está sempre a favor de quem achamos merecedores de proteção. ou seja, acabar com a democracia, impedindo a oposição de assumir a qualquer preço.

(qualquer semelhança com a atitude dos chavistas com a oposição é puro acaso)

e uma vez derrubada a democracia, quem garante o que acontecerá?

numa democracia o melhor que podemos fazer é impedir que o Estado crie mais desigualdade.

toda vez que alguém tenta usar o Estado para garantir a igualdade de condições consegue apenas gerar mais desigualdade e menos liberdade.

por isso as contituições democraticas tem artigos especificos contra a discriminação, e não a admitem mesmo quando são supostamente "positivas"


PermalinkPermalink 21.09.09 @ 18:39



Comentário de: lucas

alex,

por, mim, fique a vontade para descumprir a promessa só no meu caso.

aliás, provavelmente eu nem vou entender sua replica mesmo, já que a cor da minha pele compromete o meu preparo psicologico...

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 18:42



Comentário de: Alex Castro Email

Não vejo como ser mulher (que muitos chamam de fator limitante) possa me limitar em alguma coisa. ...

Mas a questão é: sempre vai haver privilegiados, porque assim é o mundo: alguns são mais adaptados que outros. ...

Enfim, quando a gente extrapola essa noção de "eu tive mais chance ou menos chance que os outros", a gente começa a entrar em um terreno muito complicado.


Carol,

se vc acha que, no Brasil de hj, ser mulher não é um fator limitante, eu só posso te pedir pra, pro favor, prestar mais atenção no mundo a sua volta.

esse seu discurso de que "sempre vão haver privilegiados" é muito simples de fazer e tb muito perigoso. por exemplo, sempre vao haver roubos e assassinatos, isso eu posso te garantir, mas então o que vc sugere? que paremos de tentar encontrar e punir os culpados?

vc pode dizer que sempre vao haver privilégios, que sempre vai haver corrupção, que sempre vai haver preconceito, etc etc. isso tudo é mt facil de falar, mas e daí?

e depois vc finaliza dizendo que o lugar pra onde estou levando a conversa é um terreno muito complicado.

olha, eu concordo. o terreno pra onde estou levando a conversa é realmente muito complicado - especialmente em oposição ao argumento simplista de "bem, sempre vai haver etc etc".

mas e daí? o que vc sugere? q a gente evite os territorios complicados e fiquemos com os argumentos simples e simplistas?

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 18:43



Comentário de: Alex Castro Email

lucas,

eu nao sei vc, mas eu nao gosto de governo e sempre presumo que o governo é corrupto, ineficiente e, enfim, escroto.

a discussao das cotas, por exemplo, nao tem nada a ver com governo. cada universidade, como entidade autonoma que é, deve poder decidir que tipos de alunos quer aprovar e aceitar.

se eu falo de cotas e vcs escutam "ingerencia do governo", ou coisas assim, vcs é que estao enfiando o governo no meio da discussao, nao eu.

vc é que deu uma delirada aí, falando de chavismo, de impedir a oposição de chegar ao poder, um super delirio macro que nao sei de onde veio e que, q eu saiba, nao tem nada a ver com a conversa....

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 18:47



Comentário de: lucas

alex,

eu dei uma off-topicada completa mesmo.

mas permitir que universidades sustentadas com dinheiro publico escolham quantos negros e brancos deve haver na sala de aula - e se aprovamos leis que estabelecem essa obrigatoriedade - estamos sim falando de ingerencia do governo.

mas enfim, sem entrar no merito, foi só uma viajada sobre a idéia esquerdista de resolver a desigualdade do mundo pelo estado. não disse que era uma critica a vocÊ. a critica a sua posição está no outro comentário.




PermalinkPermalink 21.09.09 @ 18:54



Comentário de: Alex Castro Email

tá, mas cuidado com algumas coisas. no brasil, por exemplo, as univs publicas tem uma margem de manobra bem grande em relacao ao governo e sao, em larga medida, autonomas. entao, se alguma univ federal maluca decidir fazer alguma doideira, pode bem que essa doideira foi feita a revelia do governo...

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 18:57



Comentário de: lucas

alex,

só que se abre precedente para o governo criar politicas baseadas em raça da mesma forma, e também para politicas inversas por parte de outras universidades. o meu ponto é que se criamos uma cota a favor de negros, criamos o precedente para cotas contra os negros.

mesmo que partamos da ideia de que as cotas para negros são justas (de que eu discordo), é uma estratégia perigosa, que abre as portas para o efeito oposto, a menos que a oposição seja impedida de chegar ao poder, seja na união, seja na reitoria.

enfim, fecha parenteses.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 19:04



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
"gostei dessa sua teoria pq ela simplifica muito o mundo"

Pelo contrário, entender e aceitar o acaso como atuante e definidor complica tudo. A responsabilidade verdadeira só se desenvolve no vácuo. Simples é enganchar as frustrações a buscas por bodes-expiatórios pra saciar o culpismo natural no ser humano – uma tradição milenar.

"ele é que teve a sorte de nascer homem/branco, vc q teve o azar de nascer mulher/negra q agüente"

Esse "q agüente" é um no sequitur teu. ¿;Desde qdo nascer numa situação significa aceitá-la como um dado imutável? Vc pode ter o azar de nascer escravo, mas pode ter a sorte de nascer inteligente e capaz de transcender a escravidão, ou a sorte de conseguir escapar. Vc sabe disso. Minha objeção é contra a palavra 'privilégio' pra designar o q é apenas sorte.

Outra coisa é q vc pode tar numa cruzada contra o racismo, fato elogiável q demonstra teus bons sentimentos e pode te trazer muitas alegrias numa brilhante carreira acadêmica ou mesmo política. Mas nem se incomode em começar uma cruzada contra o acaso. Sorry, não vai rolar. D

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 19:12



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
"q apartheid que nada. vc nao ouviu o plausivel? é que uns tiveram a sorte de nascer brancos, e outros tiveram o azar de nascer pretos, ué. pura questão de sorte"

Puts, deturpou legal o q eu disse. HAHAHAHA

Acho q vc tem estado tão entretido nessa discussão de branco e negro q agora vc só tá enxergando em branco e preto. Faço votos de uma recuperação rápida e indolor. )

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 19:22



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Alex, acho que eu não fui clara (escrevi um monte e disse pouco, na verdade).

A questão é: É necessário definir o que é um privilégio antes de fazermos uma política afirmativa. Ou mesmo antes de fazermos uma política re-distributiva, usando impostos.

Um outro problema que surge quando falamos em privilégios é que, ao tentarmos extingui-los, podemos abusar um pouquinho do poder do público sobre o individual. É a questão: é um privilégio ter pais que incentivem a ler. Para as crianças que não têm, qual a solução? Eu não sei dar uma resposta, mas acho que isso tem que ser levado em consideração. E com certeza alguém vai dizer: "vamos então deixar as crianças serem cuidadas pelo Estado" (e sim, sempre tem um louco).

E como o Lucas disse, o Estado é controlado por pessoas.

Assim, sempre que alguém evoca essa questão de privilégios, é preciso analisar BEM o que é efetivamente um privilégio. E mais: quais privilégios devem ser subtraídos de uns para melhorar a igualdade para todos.

Eu sinceramente acho que existem coisas que são inatas e que acabam sendo oportunidades. Acabar com isso seria também péssimo para a coletividade. Deixar de dar oportunidades (porque ele é gênio e portanto não parte do mesmo patamar que o resto de nós) para um gênio não vai fazer os outros serem mais inteligentes.

Na questão dos negros é um pouco diferente, porque é um grupo que não tem a mesma oportunidade, não um indivíduo. E um grupo que é medido por uma característica irrelevante para seu desempenho como profissional ou pessoal (a cor da pele).

De qualquer forma, é um terreno complicado porque cada um vai achar o outro um privilegiado, visto que ninguém está a fim de abrir mão de seu quinhão.

Como eu disse: em muitos casos, isso é subjetivo.

E sobre ser mulher: para mim nunca fez diferença profissionalmente. E sinceramente, não vejo o machismo pintado assim como muitas pessoas o pintam. No âmbito familiar, até vejo um pouco, mas bem... nós escolhemos com quem vamos nos relacionar intimamente, não? E profissionalmente o que eu vejo é minhas conhecidAs recém formadas conseguindo emprego muito mais rápido que os conhecidOs.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 19:38



Comentário de: alex castro

plausivel,

eu sou ateu. acho que o acaso e a sorte sao as forças mais poderosas do universo. por adorar estudar e entender o efeito do acaso, por exemplo, eu odeio xadrez e adoro gamao, pois nesse segundo jogo a sua tecnica e habilidade precisam sempre lidar com o acaso dos dados.

o problema eh q, de fato, como o acaso permeia tudo, ele já se torna um dado da equacao. nao dá pra fazer politica publica, por exemplo, tendo como base o acaso...

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 19:46



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

E em um ponto devo concordar com o Plausível: é necessário diferenciar privilégio de sorte.

Nascer bonito, inteligente, etc. é sorte. Nascer na Suécia é sorte. Se um Sueco consegue coisas mais facilmente que um Italiano no BRASIL, por seu sueco (condição absolutamente hipotética) isso seria um privilégio do Sueco.

Mas é certo que há pessoas que pensem que nascer um Sueco na Suécia seja um privilégio (e é uma boa mesmo). E que nascer no Zimbábue seja uma completa injustiça com o nascido. Mas e aí? Vamos tirar o sucesso do sueco? Ou vamos melhorar a condição do cara do Zimbábue? (confesso não ter a mínima idéia de como se chama quem nasce no Zimbábue)

Por isso é um terreno complicado. E coisas complicadas, antes de decisões, na minha opinião, precisam de MUITA análise.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 19:46



Comentário de: alex castro

lucas,

se abre esse precedente, entao melhor ainda. eu acho que está mais do que na hora do governo se envolver nessa questao e tentar corrigir, no braço, seculos e seculos de injustica - ainda mais considerando que, como dá pra ler nos comentarios do LLL, para os brasileiros que NAO sofrem essa injustica está tudo mt bom e nao precisa mudar nada...

entao, me parece o exemplo de cenario ideal no qual uma intervencao do governo faz sentido e, ainda bem, o governo lula (q nao recebeu meu voto, alias) estah ativo nesse fronte.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 19:48



Comentário de: alex castro

carol,

eu to tentando ver as coisas de modo complexo e vc está simplificando. por exemplo, se nascer na suecia é sorte e no zimbabue é azar... bem, pq isso é visto assim? isso é um dado do universo ou é culturalmente construido?

é como falar que é azar nascer feio e sorte nascer bonito... mas quem é que decide o que é feio e o que é bonito? de onde surgiu esse padrao?

leia o post sobre estetica e racismo, essa discussão está toda lá...

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 19:52



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Alex, independente de quais forem os padrões, sempre vai haver algo bom ou algo ruim, bonito ou feio, etc.

Eu só tentei relativizar e dizer que isso pode ser subjetivo em alguns casos. E se for subjetivo, uma intervenção com força de lei é demais autoritário para o meu gosto (e meu senso de liberdade).

Na verdade acabei desvirtuando bastante do tema do racismo. Mas eu sempre acho que antes de resolver qualquer coisa de "cima para baixo" (ou seja, governo brasileiro - população brasileira) sem a devida discussão pode acarretar em graves problemas.

E convenhamos, no Brasil, são pouquíssimos os congressistas eleitos por suas opiniões, que dirá aqueles que buscam ouvir seu eleitores.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 20:04



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
"ele é que teve a sorte de nascer homem/branco, vc q teve o azar de nascer mulher/negra q agüente"

Tem mais uma coisa q deixei de dizer pq é muito trivial

¿Quem é esse "ele" q pré-existe a seu próprio nascimento e ENTÃO tem sorte de nascer homem/branco? ¿Quem é essa "ela" q pré-existe a seu próprio nascimento e ENTÃO tem azar de nascer mulher/negra?

¿Ninguém mais tem identidade, orgulho de ser o q é, catso? ¿Todo mundo quer viver q nem homem e q nem branco? Eu consideraria motivo de vergonha querer "ser" algo q não sou. ¿Vamos todos agora pensar e agir como euaenses? ¿Eles venceram, então?

Eu sou jazzista-MPBista, ou seja, toco música q é um amálgama de negro e europeu. Veja as coisas maravilhosas q os negros criaram nos Euá e no Brasil, apenas por não se curvarem aos padrões da Europa.

Agora não. Agora todo mundo quer ter "privilégios": ou seja, todo mundo quer se humilhar aceitando ser o q não é, contanto q bem remunerado.

HAHAHAHAHAHA

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 21:24



Comentário de: Vanessa · http://www.vanprates.blogspot.com

Okei, sem simplificar e sem se atrelar nos pormenores...
Praticidade total aqui, vamos lá.

Bem, tive a sorte de nascer branca, loira e de olhos azuis, pois isso realmente me proporcionou muuuitos previlégios. Já vi pessoas de 'mais sorrisos' e com 'muitíssima-mais-disposição' pra mim do que pra uma amiga negra.

Outra, se eu estiver de trapo, ninguém irá me acusar de supeita, no máximo, de coitada, de perdida ou de insana, mas não de 'elemento estranho'.

Também tenho o previlégio de - além de branca,- estar dentro do dito modelo tetra-pak de beleza. E isso, acreditem ou não, rende empregos(até os administrativos) e olhares(mesmo que esse olhar seja de objetificação).

E claro, ser mulher é sim um desprivilégio, mas ser mulher e negra é isso ao cubo.

Ou seja, estou muito bem com a minha situação, mas claro, partindo da sua lógica de análise...

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 21:51



Comentário de: alex castro

Mas eu sempre acho que antes de resolver qualquer coisa de "cima para baixo" (ou seja, governo brasileiro - população brasileira) sem a devida discussão pode acarretar em graves problemas.

mas... carol... eu juro q nao entendo nada... vc e o lucas falaram a mesma coisa... mas veja...

eu nao sou do governo... nao estou escrevendo uma carta pro meu senador... nao estou propondo novas leis, nao estou propondo politicas publicas, nao estou propondo intervencao estatal... vc nao vai ver nada nos meus textos dizendo: "pq o governo tem que se meter", "pq deveria haver uma lei", etc

estou bem na etapa que vc chama de "devida discussao", perguntando aos meus leitores como eles se sentem e tentando fazer com que tomem noção de o quanto sao privilegiados, e, ao inves de entrar nessa discussao, algumas pessoas estão colocando os carros na frente dos bois e falando de governo isso, e governo aquilo, pq o governo nao deve se meter, pq a democracia esta em perigo, pq o chavez eh um ditador etc etc

e eu queria só falar: calma, gente. voltem aqui pro chao. vcs estao mt macro e eu estou muito micro. por enquanto, estou só perguntando se vcs são privilegiados. isso já é complexo o bastante sem a gente, ao mesmo tempo, tentar discutir politica publica e o papel do estado.

depois, caso a gente decida alguma coisa, vcs podem escrever para seus deputados e senadores e propor novas leis...

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 21:52



Comentário de: Vanessa · http://www.vanprates.blogspot.com

Concordo, Alex

O lance é começar no mais singelo, mais cotidiano, mais casual, e depois sim partir pras complexidades...

Não adianta ficar analisando a dualidade do belo, do privilégio e do caralho à quatro...Isso acaba dificultando o próprio diálogo proposto.

Esse olhar de análise do fora pra dentro, de cima pra baixo, do muito grande, deixo nas mãos dos teóricos(não que não haja um por aqui). O bacana aqui é fazer exatamente o contrário: ir da prática/realidade pra teoria...


PermalinkPermalink 21.09.09 @ 22:37



Comentário de: João Paulo · http://sratoz.wordpress.com

Privilégio - privi-légio - sempre entendi essa palavra como "uma lei que se aplica privativamente, a apenas uma pessoa; só vale para ela". Ou seja, o privilegiado tem o que ninguém mais tem, que é o benefício de uma regra que foi construída socialmente, apenas para ele. Uma espécie de estatuto pessoal, fora da vala comum.

Já a sorte seria: você não tem uma regra que valha só para você, não é um privilegiado, é uma "pessoa comum", mas aí o Gato de Schroedinger sorri para você e acontece algo completamente fortuito para seu benefício.

Entretanto, definir se aquilo é sorte ou não -- isso pode ser cultural. Teve sorte em ser chamado para comandar a Pepsi? Depende de quanto valor se dá a isso. Se não tem valor, então não foi sorte nenhuma.

Eu acho.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 22:44



Comentário de: Dani

No Brasil eu sou morena, nos EUA ou na Europa eu certamente seria negra, mas aqui isso certamente não é um problema. Sou um bicho meio vira-latas, mistura de tudo o que é gente (índio, negro, português, francês e libanês, aff!).
Durante a minha infância, meus pais (mãe - 4a série do primário / pai - 1o da família a ter o curso superior)literalmente vendiam o almoço para comprar o jantar e não cheguei a passar fome, mas passei longos anos comendo arroz+feijão+qualquer coisa que alguma alma bondosa doava pra gente.
Felizmente vim com alguns opcionais de fábrica e tinha muita facilidade na escola. Acabei fazendo o 1o grau com bolsa de estudos (num colégio way out of my league) e o 2o grau em colégio técnico público.
Aprendi inglês traduzindo letras de música (meu pai me proibia de cantar qualquer coisa que não soubesse a letra) e descolei não me lembro como um desconto pra fazer o nível avançado.
Trabalho desde os 15 anos e aos 17, quando falei para os meus vizinhos na COHAB que iria prestar vestibular para a USP fui motivo de troça: que garota mais sem noção, não sabe seu lugar no mundo.
Estudando em um curso integral e trabalhando ao mesmo tempo, vivia na corda bamba, ora pegando umas DP´s, ora dando umas vaciladas no trabalho.
Engenharia civil é um mundo machista: não importava saber mais que os velhotes, eu era mulher, e portanto só tinha uma serventia no mundo.
Acabei a graduação, casada e com uma filha, também vendendo o almoço para comprar o jantar.
Mas tive a sorte (e a cara de pau) de me candidatar a uma vaga que exigia qualificações que eu não tinha, para um emprego numa área aparentemente desconhecida.
Hoje dá pra dizer que me dei bem. Trabalho fazendo coisas que eu gosto, viajando bastante, aprendendo idiomas, conhecendo coisas diferentes. Ganho por mês muito mais do que meu pai, por mais que tenha ralado, ganhava por ano.
Ando de carro, pago colégio particular para minha filha, tenho TV a cabo em casa, consigo comprar os livros que eu gosto...
Fui privilegiada? Talvez pela genética, que me deu uns neurônios, talvez pela minha avó, que quando faltava comida lá em casa fazia uma vaquinha pra comprar carne moída lá em casa.
Dividiria meus privilégios com alguém? Como assim? Que privilégios? Minha bolsa de estudos do 1o grau? Minha herança (uma dívida de R$3000 de uma conta corrente que meu pai esqueceu de fechar antes de falecer)?
Hoje ajudo quem eu posso. Paguei a inscrição do vestibular da filha da empregada de casa (que tem carteira assinada, férias, 13o, cesta básica, horário para entrar e para sair). Adotei um adulto para custear a alfabetização.
Eu me sinto 0% culpada por todos os luxos que eu posso me dar hoje, meus pais e eu já pagamos por eles.

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 23:10




Acho que tem muita gente aqui que não entende o que é privilégio, e vc não explicou o que é, Alex. Posso humildemente recomendar o meu post sobre privilégio masculino? Talvez possa esclarecer algumas coisinhas:
http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2008/12/durma-se-com-um-privilgio-desses.html
Por exemplo, ficar culpando governos pelos privilégios que temos mostra que vocês não querem assumir que são privilegiados. A maior parte dos privilégios não têm nada a ver com governos (qualquer governo). Um homem poder sair na rua a qualquer hora do dia e da noite sem medo de ser estuprado é típico do privilégio masculino. Como um homem vai “ceder” esse privilégio? Não vai. Aliás, é um erro achar que privilégios podem ser cedidos ou transferidos. O que precisa ser feito é uma reflexão sobre esses privilégios. Boa parte dos homens sequer imagina que o meu exemplinho básico constitui um grande privilégio masculino. Nunca pararam pra pensar no assunto. Mas assumir que esse privilégio existe é um primeiro passo para constatar que o mundo é preconceituoso. Porque isso é o que mais vejo aqui nos comentários deste blog, a negação do racismo, como se o Alex tivesse “inventado” o racismo por total falta do que fazer, e fica esfregando essa ficção na nossa cara. Normal. Meu blog é feminista e vivo recebendo comentários de homens que querem me convencer que esse tal de machismo não existe, é pura paranoia minha. Talvez, se eles compreendessem que têm privilégios, aceitariam que o mundo é machista. Só então dá pra mudar alguma coisa, porque pra quê querer mudar um mundo que está indo tão bem? Se machismo, racismo, homofobia, classismo etc não existem, podemos continuar tudo como está. Em time que tá ganhando não se mexe, não é mesmo?
E olha só como é a inversão das coisas. Alguém pede uma reflexão sobre privilégios, e uma moça diz que não se sente limitada por ser mulher. Vc tá partindo do pressuposto errado, Carol. Pense nos privilégios que é ser homem, não nas desvantagens de ser mulher. Não estamos falando de limitações, mas de privilégios. Limitações se superam. Entende a diferença?

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 23:18



Comentário de: Dana

Eu sou privilegiada porque eu me considero uma pessoa feliz. Sou feliz com o que tenho (pra uns, muito, pra outros, muito pouco). Não convivo com muitas pessoas que se consideram felizes e por isso acho que estou em certa "vantagem" perante a elas, mesmo que elas achem que sou uma alienada.
Mas a minha felicidade é reflexo da condição de branca, bem de vida e relativamente bem instruída, sem dúvidas.
Tem mulher pobre, negra e deficiente física que é feliz. Porque eu não seria?
Tem homem rico, branco, saudável que não é feliz...
E eu sou a Poliana. Estou sempre sorrindo e acho tudo bom, mesmo quando penso estar diante de coisas horríveis do mundo.
Puta privilégio achar a vida linda.
Grande beijo

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 02:04



Comentário de: Hugo

Alex,

Ja parou pra pensar em usar os seus criterios "estruturais" e estatisticos para analisar homens e mulheres?

Homem morre mais em todas as idades, adoece mais, sofre mais de stress, pressao e cobranca por perfomance, tem menos verba publica pra cuidar da saude(incluindo pesquisa), perde a priori a guarda dos filhos em caso de divorcio, tem mais chance de tomar tiro, ser preso, ser condenado, ter que largar os estudos, e o unico que vai pra guerra, e por ai vai...

Vale a pena conhecer o trabalho do Warren Farrell. http://www.warrenfarrell.org/

E o trabalho do Walter Block sepulta a ladainha de que mulher ganha menos que homem em funcao de discriminacao. Basicamente, mulher solteira e sem filhos ganha o mesmo tanto que os caras na mesma idade - o que ele mostra e que os anos que uma mulher com filho fica fora do mercado e' que decrescem o salario medio, nao "discriminacao". Claro, como bom revolucionario voce pode dizer que ela ter que parar para cuidar da prole e' prova do machismo estrutural, hehehehe...

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 02:24



Comentário de: Hugo

do Farrel: "If men are paid more for the same work, why would anyone hire a man?" - a frase que qualquer pessoa com QI>30 se pergunta quando ouve o mito da diferenca de pagamento baseada em discriminacao...


PermalinkPermalink 22.09.09 @ 02:27



Comentário de: Alex Castro Email

do Farrel: "If men are paid more for the same work, why would anyone hire a man?"

hugo,

engraçado isso, pois eu já ouvi de muitos empresários e executivos uma variação do seguinte argumento:

"é claro que mulher ganha menos. as mulheres, mesmo se ganhando bem, com boas perspectivas de carreira e sendo bem tratadas, muitas vezes largam o emprego quando se apaixonam, ou pra casar, ou pra acompanhar o marido que mudou de cidade, ou pra ter filho. já um homem, se vc o pagar bem, lhe der boas perspectivas de carreira e o tratar bem, pode ter quase certeza que ele jamais vai largar o emprego por razões pessoais - somente por outro emprego que pague melhor e vc sempre vai ter a chance de cobrir a oferta.

entao, dado que ao contratar uma funcionaria mulher, vc corre um risco muito maior de ela largar o emprego sem mais nem menos e vc desperdiçar tudo o que investiu treinando-a, faz muito sentido e é economicamente justo que elas ganhem menos que os homens."

alias, a pergunta do Farrel é falaciosa pois parece que o empresario é obrigado a pagar mais pro homem do que para a mulher, quando, na verdade, é uma escolha dele.

uma pergunta melhor e não-falaciosa seria: "por que um empresario decidiria pagar mais a um homem do que a uma mulher?"

entao, em resposta a pergunta do Farrel, um empresario contrataria um homem por um salario maior do que pagaria a uma mulher na mesma função por considerar/perceber/achar que o homem representa um risco menor do que a mulher.

se essa crença por parte do empresário é correta ou não, aí já são outros quinhentos.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 02:44




Ah, que pena, eu estive superocupado nos dois últimos dias e não pude acompanhar o papo aqui. Como tenho que acordar cedo, nem vou poder ler tudo agora, mas quero dar dois pitacos:

1) Alex, adorei a tua promessa de se comportar e o cumprimento dela apesar da confissão de arrependimento. :) Ri muito aqui.

2) Kitagawa, metabunda vagáfora é a puriu que pata. (Ahhh... fazia tempo que estava esperando uma oportunidade para usar essa). :) A analogia do elevador é cristalina.

Falou, o travesseiro chama, hoje tenho que acordar às onze da madrugada.

Abraços a todos e até breve!

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 02:52



Comentário de: Alex Castro Email

A analogia do elevador é cristalina.

Arthur, concordo que a analogia do elevador é realmente cristalina. Mas talvez não do jeito que vc pensa.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 03:17



Comentário de: Amora.

É claro que ser mulher é muito mais desvantajoso. Tudo bem que os homens morrem mais cedo, mas isso é uma coisa biologicamente explicável. Devido aos altos níveis de testosterona os homens são mais impulsivos, se arriscam mais...eles foram biologicamente preparados pra isso; já que os machos não geram filhotes eles precisam se arriscar mais, competindo com outros machos pela fêmea, status no grupo, posição...Todo macho morre mais cedo na natureza e não só os homens. Aff, isso é tão óbvio! Por ser mulher vejo do ponto de vista MENOS PRIVILEGIADO da espécie.Se vc dá pra quem quiser é vagaba, homem é garanhão. Se vc é durona e impõe sua vontade, te chamam de adjetivos sexistas como sapata ou "ela é assim porque não tem macho que lhe coma". A chance de vc sofrer assalto, roubo, estupro e apanhar de homem é muito maior. Se vc engravida,o ônus de criar um filho fica com vc, porque implicitamente a sociedade acredita que a mãe é quem educa, cuida, acalenta, guia...Se quiser ter filhos terá que interromper a carreia e voltando ao trabalho corre o risco de perder seu posto, ainda que te mantenham no emprego. A mulher, hoje em dia, sofre tanta pressão quanto o homem.Hoje é feio ser dona de casa, é quase um atestado de vagabundice. Você tem que ser bem sucedida, bonita, boa de cama, cidadã...

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 08:34



Comentário de: Amora.

O que os PRIVILEGIADOS precisam entender é que, mesmo não querendo, terão que dividir o bolo, pois os DESFAVORECIDOS estão ameaçados na sua sobrevivência.Os mortos de fome já não tem mais nada a perder e por isso vão em busca da sua sobrevivência, já que estão na subvivência. Exemplo disso é o alto índice de violência nas grandes capitais. Quando não se tem mais nada a perder aí é que a revolução começa. E eu espero que ela aconteça logo.O bolsa-família e outros "bolsas" serve exatamente para "acalmar" essa massa de desvalidos, para que eles não se armem e ataquem essa dita classe média. A classe média é a escória da sociedade; tem pobreza de espírito e se acham muito melhores do que a classe C. Se agarram à sua meia-dúzia de bens, como um náufrago se agarra ao bote salva vidas esperando que o governo venha lhe salvar. Viajam para Bariloche em 7x e acham que a ditadura tem que voltar.É patético!

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 08:43



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

O q esta discussão demonstra é q, entre uma metonímia e outra, entre um sentido figurado e outro, a capacidade q têm as discussões em português de gororobar a língua transformam qqer discussão num samba-do-crioulo-doido.

Se 'privilégio' não é a palavra q designa uma regalia q se aplica artificialmente a uma só pessoa ou a uma minoria ínfima, então ¿q palavra é essa? ¿Como é q vcs vão dizer ISSO sem confundir com essa gororoba q virou a palavra 'privilegiado' nesta discussão? ¿Q aconteceu com as palavras 'conquista', 'regalia', 'prerrogativa', 'vantagem', 'direito', 'sorte'?

Tem gente aqui dando a 'privilégio' o sentido de 'ausência de desvantagens'... ¿Agora tenho o privilégio de conseguir curvar meu dedo mindinho sem curvar meu anelar? HAHAHAHAHAHA

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 09:09



Comentário de: Alex Castro Email

O q esta discussão demonstra é q, entre uma metonímia e outra, entre um sentido figurado e outro, a capacidade q têm as discussões em português de gororobar a língua transformam qqer discussão num samba-do-crioulo-doido.

Sensacional. Primeiro, não existem privilegiados pq é tudo questão de sorte. Agora, é pq é tudo culpa da língua portuguesa.

A gente só sabe com certeza que a culpa nunca é nossa! Ufa! Assim não precisamos fazer nada... Talvez só uma reforma ortográfica...

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 09:33



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
Vc tá confundindo o q digo sobre o assunto com o q digo sobre o q dizem sobre o assunto. :D

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 10:46



Comentário de: lucas

alex,

não entendi muito bem sua posição então. não gosta do governo, desconfia dele, mas espera que ele resolva no braço as desigualdades. você se importaria de esclarecer?

a idéia dos privilegiados e dos pobrezinhos explorados parte do principio errado - de que a sociedade, a economia, etc. são jogos de soma zero.

como se quem teve a oportunidade de sei lá, estudar numa escola melhor por que seus pais pagaram por ela tivessem de alguma forma tomado essa oportunidade dos que não a tiveram, e por isso estivessem em dívida. não é verdade. não vou perder o tempo tentando te convencer disso, existe uma imensa literatura a respeito que você deve conhecer pelo menos em parte.

usar o estado para resolver a desigualdade das oportunidades só cria a condição em que o acesso ao que deveria ser um direito universal passa a ser mediado pelo pertencimento a um grupo politicamente organizado, e ao reconhecimento pelas lideranças políticas desse grupo.

dito isto, não discordo de que tenhamos que lutar sempre contra a desigualdade de direitos, que sim, é uma realidade cotidiana no brasil. mas não se atinge essa igualdade retirando direitos de quem tem mais para dar a quem tem menos. e sim universalizando os direitos.

o caso da polícia me parece característico. ela é sim, em muitas situações, racista. só que eu acho a solução para esse problema não está em algo completamente não relacionado como vagas na universidade, e sim no enfrentamento do problema onde ele ocorre.

agora, não venha dizer que eu devo ou tenho culpa em relação ao que alguém fez no século XIX, só por que não costumo ser parado pela polícia!

sobre o seu comentário para o (in)plausível acima: "A gente só sabe com certeza que a culpa nunca é nossa! Ufa! Assim não precisamos fazer nada..."
eu não sei se a culpa não é "nossa", só sei que a culpa não é minha. e não importa o quanto você possa se sentir culpado, tentar impor a divisão dessa culpa não melhora em nada a sua situação.



PermalinkPermalink 22.09.09 @ 11:35



Comentário de: Nessa · http://garotacocacola.wordpress.com

esse Hugo é um idiota. =D
(eu tinha que escrever isso, pqp)

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 12:01



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Alex, entendo que a idéia aqui é discutir uma situação e, como eu disse, sei que extrapolei o assunto.

Mas é que quando falamos de ditos privilégios, como eu disse, é um conceito subjetivo em muitos pontos. E sim, sempre haverá um louco que vai querer definir sozinho que é o injustiçado e qual a "solução mágica" para corrigir isso. E muitas vezes esse louco é ouvido. Mas eu mesma disse: foi extrapolação do assunto.

Lola, então, eu continuo achando que privilégio é algo que deveria ser "fora do comum". Espera-se que todos tenhamos segurança, espera-se igualdade de direitos...

Quando eu falo que ser mulher não me atrapalha é porque NO MEU CASO nunca atrapalhou mesmo. Acompanho seu blog (gosto muito, aliás) e até tem gente que pode me chamar de feminista, considerando minhas visões sobre uma série de coisas.

Mas nem por isso me sinto privilegiada. Pois pais amorosos, educação de qualidade, reconhecimento por mérito, etc etc etc deveria ser regra para todos.

Não acho que devamos nos sentir priviliegiados por nossas conquistas (ou pelas conquistas dos que lutaram para que tivéssemos uma vida melhor). Devemos nos colocar no lugar de quem não teve as mesmas oportunidades, sim, mas em hipótese alguma nos sentirmos culpados por isso (se as conquistas foram éticas, óbvio).

Por fim, a discussão foi interessante, ainda que eu ache que tenha acrescentado pouco aos outros textos sobre a série sobre racismo do Alex. Os primeiros realmente fizeram com que grande parte dos leitores refletisse de "fora para dentro", ou seja, analisando situações concretas e objetivas para entender o quão racista é a sociedade.

Já a discussão tomou um rumo, que, ao meu ver (interpretação sempre tem viés subjetivo) colocou os "privilegiados" como devedores morais, de alguma forma, aos ditos "desfavorecidos". E ao menos conseguimos chegar a uma definição do que é privilégio e quando se aplica. E eu não me sinto devedora de ninguém só porque tive uma vida sem grandes perrengues financeiros (ou seja: casa, comida e escola de relativa qualidade garantidas).

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 13:50



Comentário de: Alex Castro Email

Por fim, a discussão foi interessante, ainda que eu ache que tenha acrescentado pouco aos outros textos sobre a série sobre racismo do Alex. Os primeiros realmente fizeram com que grande parte dos leitores refletisse de "fora para dentro", ou seja, analisando situações concretas e objetivas para entender o quão racista é a sociedade.

carol,

poxa, mas o texto nem comecou ainda! por enquanto, esse post aqui foi soh pra instigar os leitores a pensar sobre o assunto e pedir opiniões. o meu texto sobre privilegio eu nem postei ainda, e vc ja acha q nao está bom?? :)

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 14:35



Comentário de: Alex Castro Email

não entendi muito bem sua posição então. não gosta do governo, desconfia dele, mas espera que ele resolva no braço as desigualdades. você se importaria de esclarecer?

rapaz, lá vai vc de novo. onde foi q eu disse q espero que o governo resolva QUALQUER problema? não espero nada do governo....

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 14:37



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Alex, por isso que falei que a discussão é que não levou a grandes conclusões!

Mas aguardo seu texto. Concordando ou discordando, gosto muito da forma como expõe as coisas.

Abs.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 15:48



Comentário de: lucas

alex,

tá ficando complicado:

"acho que está mais do que na hora do governo se envolver nessa questao e tentar corrigir, no braço, seculos e seculos de injustica"

"entao, me parece o exemplo de cenario ideal no qual uma intervencao do governo faz sentido e, ainda bem, o governo lula (q nao recebeu meu voto, alias) estah ativo nesse fronte."

"onde foi q eu disse q espero que o governo resolva QUALQUER problema?"

?!?!?

será que tem dois alex comentando e eu não sabia???

sinceramente, me perdi. não sei mais do que você está falando. não faz sentido nenhum.

espero que eu esteja sofrendo apenas o efeito psicológico da pele branca.

se você tiver pena desse pobre privilegiado e der alguma explicação sobre o que você realmente acha, em vez de ficar repetindo que eu cito coisas que você não disse, talvez eu consiga entender.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 16:32



Comentário de: lucas

hmmm... seriam o Alex Castro e o alex castro pessoas diferentes? isso explicaria muita coisa...

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 16:41



Comentário de: Alex Castro Email

Lucas,

vc escreveu:

não entendi muito bem sua posição então. não gosta do governo, desconfia dele, mas espera que ele resolva no braço as desigualdades.

minha resposta a isso é: realmente, não, eu não espero que o governo resolva nada, nem confio nele pra resolver nada.

acho bom que se envolva sim, e acho que já não era sem tempo, mas não espero (querendo dizer, nao tenho expectativa alguma) que resolva nada, nem acho que teria obrigação de fazer alguma coisa nessa área.

eu sou do tipo que sempre prefere que as pessoas, as empresas e as universidades se conscientizem por si mesmas desses problemas e tomem as atitudes que julguem sensatas por conta própria, sem precisar o governo baixar decreto ou se envolver.

por isso, aliás, estou aqui, em cima do meu caixote, tentando abrir os olhos dos meus leitores para o problema ao invés de escrevendo uma carta para o meu deputado pedindo por mais uma nova lei....

nao vejo qual seja a incongruencia entre eu não esperar que o governo se envolva em uma questão, mas ficar feliz de ele se envolver...

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 16:42



Comentário de: lucas

alex,

agora ficou bem melhor. viu como fica mais fácil quando a gente explica?

continuo achando que para os meus argumentos tanto faz você achar bom que o governo haja, quanto você esperar que ele haja. a minha posição é que não é bom que ele haja, nem que tenha a possibilidade de agir nessa direção. aliás, eu sou dos que acha que o governo deve ter sempre o menor escopo de ação possível. a desgraça é definir esse "possível"...

não há mesmo incoerência da sua parte entre "não esperar" e "achar bom".

eu realmente não tinha entendido, e acho que outras pessoas também poderiam ter ficado com a dúvida sem essa nova explicação sobre suas idéias.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 16:51



Comentário de: Alex Castro Email

hugo,

A explicacao q eu dei pra pergunta falaciosa do Farrell é a explicação dada por quase todos os economistas que conheço para a discrepância de salarios entre homens e mulheres - discrepância essa facilmente verificavel empiricamente across the board por todo mundo, menos por um alucinado como esse Farrell que fez um livro claramente polêmico pra aparecer...

e, sinceramente, acho meio ridiculo esses argumentos de homens dizendo que nao existe machismo, brancos dizendo que nao existe racismo, esse povo falando sobre o que nao sabe e o que nao sentiu na pele...

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 16:54



Comentário de: lucas

nossa...
lapso total meu, aja do verbo agir e não haja do verbo haver, nas 3 vezes.
eu costumo cometer erros, mas esse foi de chorar...

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 16:57



Comentário de: Iara

Sou privilegiada porque nasci numa família com uma estrutura bacana, isso pra mim é indiscutível. Posso ficar um bom tempo sem trabalhar que não morreria de fome e isso não é por mérito meu. Se o meu pai tem uma aposentadoria modesta, mas que me permitiria encher meu bucho de arroz com feijão e frango mesmo se eu não trabalhasse, não dá pra negar que eu sou da classe privilegiada. Se trabalho desde os 17 anos, se morava na periferia até outro dia, se até hoje ando de ônibus, se o meu conforto é conseguido com muito esforço, isso só me faz um pouco menos privilegiada que alguns.

Quem olha pra mim não vê a avó negra, só a minha pele branca e o meu cabelo liso. Então, apesar de ser afrodescendente também, nunca vou ser discriminada por conta disso.

Mas, ó, ser mulher ainda é muito complicado. Então, na conta dos Privilégios x Perrengues, tô em 2x1.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 18:04



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Iara disse: "Sou privilegiada porque nasci numa família com uma estrutura bacana, isso pra mim é indiscutível."
Mó samba-do-crioulo-doido, cara. ¿Como esperar q milhões de pessoas entrem num acordo sobre um assunto complexo se nem sequer usam a mesma palavra pra designar a mesma coisa?

Outro assunto:

Farrell disse: "If men are paid more for the same work, why would anyone hire a man?"
Alex Castro disse: a pergunta do Farrel é falaciosa pois parece que o empresario é obrigado a pagar mais pro homem do que para a mulher, quando, na verdade, é uma escolha dele. uma pergunta melhor e não-falaciosa seria: "por que um empresario decidiria pagar mais a um homem do que a uma mulher?"

Alex,
Acho q tem uma falácia aí no q vc disse. A palavra 'would' pode tar no mesmo campo de 'decidir' e 'escolher'. 'Would tem a ver com 'will', q é usado pro futuro mas tbm é sinônimo de 'vontade', como em 'last will and testament'. O parentesco entre os dois 'wills' fica claro em frases como:

The car won't start. = O carro não quer pegar.

Então "Why would anyone hire a man?" tbm quer dizer "¿Por que alguém iria querer empregar um homem?", interpretação q tem tudo a ver com o argumento dele.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 18:39



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Ou
The car wouldn't start. = O carro não queria pegar.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 18:41



Comentário de: Alex Castro Email

¿Como esperar q milhões de pessoas entrem num acordo sobre um assunto complexo se nem sequer usam a mesma palavra pra designar a mesma coisa?

ué, nao entendi. a humanidade nunca entrou em acordo sobre nada, quem seria louco de achar que vai entrar em acordo justamente sobre "o que é privilégio"? eu hein.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 18:45



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
ué, nao entendi. a humanidade nunca entrou em acordo sobre nada

Mas vc fala em "políticas públicas" com uma certa expectativa de q resolva algo. Então, pra vc, não é a humanidade q precisa entrar em acordo sobre o racismo, é o público e o poder público.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 18:58



Comentário de: Alex Castro Email

Mas vc fala em "políticas públicas" com uma certa expectativa de q resolva algo. Então, pra vc, não é a humanidade q precisa entrar em acordo sobre o racismo, é o público e o poder público.

crianças, criancas, se vcs nao querem responder, não respondam, mas não coloquem palavras na minha boca.

nao estou falando, pedindo ou propondo políticas publicas. estou somente perguntando aos meus leitores se se sentem privilegiados - e, sim, tb fiz a pergunta sem definir "privilégio" pq grande parte da resposta é ver como cada pessoa define isso para si.

se vocês não querem responder, beleza. se querem falar sobre politicas publicas e governo, tb beleza, pq nos comentarios pode-se falar de tudo.

só não venham dizer QUE EU estou falando de uma coisa q nao estou falando...

estou propondo uma reflexao individual (está no proprio título!) e não um debate sobre politicas publicas.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 19:09



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
"só não venham dizer QUE EU estou falando de uma coisa q nao estou falando..."

"nao dá pra fazer politica publica, por exemplo, tendo como base o acaso... "

"dá pra ver bem q a conclusão q vc sempre parece propor é q é melhor mesmo adotar a hipocrisia como projeto nacional e não falar mais nisso...."

Entrelinhas, entrelinhas...

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 19:41



Comentário de: alex castro

cada um projeta o que quer nas entrelinhas do texto q leu...

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 19:44



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
cada um projeta o que quer nas entrelinhas do texto q leu...

É. Mas ajuda bastante qdo vc diz q não dá pra fazer política pública baseado no acaso (eu só tava questionando o uso da palavra 'privilégio'; vc q falou em pol.pub.); ou qdo vc fala de um projeto nacional (???) em resposta à minha percepção de q o sistema de cotas vai potencializar a hipocrisia.

Ou seja, tem coisas q vc não tá explicitando em teu discurso mas q, pelo andar da carruagem, várias pessoas percebem. If it walks like a duck and quacks like a duck, then it probably IS a duck.

Lembro q meu intuito aqui não é tergiversar ou minar o anti-racismo (mesmo pq não é um assunto close to my heart; e não vejo QQER solução prática ou praticável além de dar uma de Mao-Tsé-Tung e forçar todos a usarem uniformes). Só digo coisas pra afiar vc. Mas se vc falar sempre em termos genéricos ('racismo estrutural', 'privilegiado-samba-do-crioulo-doido' &c), então sempre vai precisar enfiar ad-hocs "não é disso q tou falando", "crianças, não usei essa palavra" &c nos comentários – gerando visitas &c, mas tornando tudo mais atritivo.

Restaurante bom é aquele em q o número de mesas é igual ao número de garçons.

PermalinkPermalink 22.09.09 @ 20:20



Comentário de: Hugo

Alex,

"A explicacao q eu dei pra pergunta falaciosa do Farrell é a explicação dada por quase todos os economistas que conheço para a discrepância de salarios entre homens e mulheres".

Ok, seu campo e historia e literatura...Mas uma hora talvez vc goste de ler Block e outros anarco-caps para descobrir uma legiao de outros argumentos economicos; muitos mais convincentes...

"e, sinceramente, acho meio ridiculo esses argumentos de homens dizendo que nao existe machismo, brancos dizendo que nao existe racismo, esse povo falando sobre o que nao sabe e o que nao sentiu na pele..."

Pode ser muito pior, pensa bem: homens brancos falando sobre racismo e machismo, sem terem sofrido na pele nem um nem outro! Um projecao sem experiencia! Quase uma psicose!

Quale cara, que te deu? "Farrel escreveu so pra aparecer", "quem nao viveu na pele nao ta qualificado/entitled? para analisar"...tsk,tsk...sem duvida, no seu retorno ao BR vc vai poder ir para USP ou pra UFRJ, ficar ao lado da Chaui e do Sader, essas sumidades que tem o mesmo estilo de avaliacao do trabalho alheio, a mesma vastidao de fontes, a mesma sofisticacao intelectual com o trabalho de linha divergente e claro, o mesmo impeto vermelho...

Cya Liberal, Libertine, Revolutionary....




PermalinkPermalink 23.09.09 @ 00:02



Comentário de: Hugo

Se algum dia vc for escrever algo nearly academic(eu sei que isso e um blog post), pelamordedeus, le pelo menos intro dos trabalhos da Christina Hoff Sommers, do Herb Goldberg, e de outros "que so querem aparecer".

Off topic: O thomas Sowell, negao, ex-pobre, e well, male;m ta entitled pra esculachar politica afirmativa e gente vendo racismo onde nao tem?

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 00:14



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Hugo,
Gostei desse Thomas Sowell.

Alex,
¿Já viu isto:
Thomas Sowell - Gender Bias and Income Disparity: A Myth?

http://www.youtube.com/watch?v=8EK6Y1X_xa4
?

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 00:43



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Se bem q nessa mesma entrevista, esse Sowell tava cantando de galo 6 meses antes daquela crise toda. Ele fala umas bobagens tbm.

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 01:02



Comentário de: Alex Castro Email

hugo,

for the record, a chaui e o sader são dois intelectuais lamentaveis. só uma leitura delirante pode te fazer ver qualquer ponto de contato entre qualquer texto do LLL e o pensamento desses dois.

mas, como digo, vcs adoram colocar palavras na minha boca...

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 03:02



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,

Vc disse, várias vezes:
eu sinceramente nao sei de onde vcs tiram essas coisas...

vcs adoram colocar palavras na minha boca...


Tbm disse, por exemplo:
eu nunca falei em mao invisivel, em culpa e nem em intencao

Mas...

A gente só sabe com certeza que a culpa nunca é nossa! Ufa! Assim não precisamos fazer nada...

Pode ser q vc nunca tenha feito um texto SOBRE a culpa, ou q nunca tenha apontado o dedo diretamente na cara de um comentador neste blogue. Vc é cool enough pra não cair nessa. Mas tem uma subjacência muito forte de culpismo rolando em teus textos, q talvez nem vc mesmo perceba ou queira perceber, e q só aflora em atos falhos como o q citei acima, ou tangencialmente, como abaixo:

esse seu discurso de que "sempre vão haver privilegiados" é muito simples de fazer e tb muito perigoso. por exemplo, sempre vao haver roubos e assassinatos, isso eu posso te garantir, mas então o que vc sugere? que paremos de tentar encontrar e punir os culpados?

nossa sociedade foi engendrada por uma elite racista, classista, hierarquizada, machista, paternalista, hipócrita e autoritária


Ou seja, não adianta vc dizer q nunca usou a palavra 'culpa', q "nunca disse isso" &c. Vc tá supondo q não existe no leitor uma subjetividade capaz de inferir TUA subjetividade, q tua subjetividade tá imune a insights alheios. Não é algo fácil de aceitar por um vaidoso auto-declarado, mas se vc pretende algum dia disseminar tuas idéias mais largamente (e mais lucrativamente), é bom vc explicitar melhor tuas motivações e sentimentos, a princípio pra vc mesmo.

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 08:01



Comentário de: Alex Castro Email

plausivel,

eu digo e repito que quem está falando de culpa é vc. eu não me sinto culpado de nada. (alias, três coisas q nunca/rarissimamente sinto são culpa, vergonha, arrependimento.)

não acho q ninguem é culpado por nada que não tenha feito. nenhum branco de hj é culpado pela escravidão. nenhum brasileiro classe média é culpado pela organização desigual da sociedade.

isso não quer dizer que não temos a responsabilidade e talvez até a obrigação de ajudar a resolver esses problemas HOJE mas isso é MUITO MUITO diferente de sermos culpados por esses problemas

o seu problema, alias, é que suas entrelinhas são longas demais, aparentemente cabe muita coisa nelas. :)

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 13:12



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
Tbm eu não tou falando de sentimento de culpa em vc. Jamais. Tou é falando q a tônica toda de teus textos parece muitas vezes ter partido de, ou ter se tornado em, uma busca por culpados – consciente ou inconsciente, clara ou velada –, e a motivação disso e o sentimento por trás disso é o q seria bom vc explicitar melhor – MESMO q estes não sejam preponderantes, pois o assunto racismo é carregado demais pra ser tratado com vaguidões e ad hocs
q dão margem a trocentos atritos desnecessários e mal-entendidos desagradáveis.

"o seu problema, alias, é que suas entrelinhas são longas demais, aparentemente cabe muita coisa nelas"

É bem possível. Deve ser da idade. Mas é tbm um voto genuíno pra q vc chegue a algum lugar com isso tudo (um lugar plausível, claro).

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 14:11



Comentário de: Alex Castro Email

plausivel,

como eu ja falei mil vezes, nao existem culpados do racismo brasileiro, pois eh um problema grande demais e antigo demais.

como também já falei, essa busca pelo mitico racista malvado que enfia a mao na cara dos negros acaba se tornando uma fuga do verdadeiro problema: é mais fácil encontrar e depois prender, matar, sei lá, meia duzia de malvados, do que parar e refletir sobre o racismo estrutural que constitui a nossa sociedade....

agora... as pessoas sempre vao colocar no texto o que elas querem... eu sou bem claro, sempre sempre, de que nao existem culpados, de que nao estou falando de racistas individuais, de que nao adianta ficar apontando dedos pra fulano chamando-o de racista, mas os leitores, inclusive vc e eu, sempre vai tirar do texto somente o que quiserem e puderem....

PermalinkPermalink 23.09.09 @ 14:53





"como eu ja falei mil vezes, nao existem culpados do racismo brasileiro, pois eh um problema grande demais e antigo demais." (Alex Castro)

Ah, que beleza. Já que ninguém é culpado, todo mundo é inocente. Já que todo mundo é inocente, ninguém precisa mudar. E já que ninguém precisa mudar, chega de falar desse assunto chato. :)

"como também já falei, essa busca pelo mitico racista malvado que enfia a mao na cara dos negros acaba se tornando uma fuga do verdadeiro problema: é mais fácil encontrar e depois prender, matar, sei lá, meia duzia de malvados, do que parar e refletir sobre o racismo estrutural que constitui a nossa sociedade...." (Alex Castro)

Engraçado que uma hora o Alex vê racismo até no olhar das pessoas, outra hora pra ser racista tem que meter a mão na cara de alguém.

E insiste em "racismo estrutural que ninguém pratica", como se a sociedade não fosse composta por pessoas que tomam decisões e sim por instituições que atuam independentemente dos seres humanos.

O problema com essas duas afirmações do Alex é que elas estão simplesmente erradas: não correspondem ao modo como o mundo funciona. E toda análise com metodologia coerente que parte de premissas erradas chega a resultados errados. (Procurar "GIGO" no Google.)


PermalinkPermalink 24.09.09 @ 03:12



Comentário de: Sá

Finalmente alguém admite que é/foi/está sendo privilegiado sem ter que "chorar todas as pitangas" sobre o esforço feito para ter/justificar este tal privilégio (seu ou dos pais que saíram sei lá de onde para dar comida pro filhinho).

Que mania de brasileiro! Cada vez que alguém conta uma miséria o interlocutor tem que superá-la...

Bah!

Eu sou uma das privilegiadas, não tenho um iate, nem moro numa cobertura, não viajo e nem troco de carro todo ano. Mas sou sim uma privilegiada!

PermalinkPermalink 24.09.09 @ 23:03



Comentário de: Mascaradaaa

Sou mega privilegiada, meu amor. Meus pais me dão o que eu preciso e o que eu não preciso. Nunca trabalhei, não sei cozinhar praticamente nada, não lavo uma roupa ou louça, coisas assim. Fui super vagaba no colegial e agora estou me dedicando um pouco mais no cursinho mais caro da cidade.
Problemas? Tenho os meus e não vêm ao caso. Sinceramente não sei o que quero da vida, não sei se sou feliz. Belezzz, depressivo e clichê, mas é a verdade.

lararirará...

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 00:47



Comentário de: Mascaradaaa

acho que já me arrependi do que postei

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 00:48



Comentário de: Ale

No meio de reflexoes que me levam a interessantes reflexoes ainda tenho o bonus de ler o debato entre Alex e Dr. Plausivel, duas pessoas inteligentes que sabem defender seus pontos de vista.
Eu amo esse lugar.

PermalinkPermalink 16.10.09 @ 11:55



Comentário de: Mirelly

Deus da o frio conforme o cobertor. Isso é fato!

PermalinkPermalink 08.02.11 @ 14:57



Comentário de: Laiane

Com relação a boa parte da galera que comentou aqui, eu não me senti privilegiada.

Mas acredito que eu seja sim. Nas palavras da "Sá" logo acima, não tenho um carro, não moro em uma casa grande nem numa cobertura, não viajo sempre e nunca viajei para o exterior, não troco de celular nem de computador todo ano, mas ainda sim me considero uma privilegiada.

:)

PermalinkPermalink 08.02.11 @ 15:09



Comentário de: Rafael · http://twitter/__rafafreitas

Alex, acho que consegui entender seu texto de um jeito um pouco diferente dos que discutem.

Entendi uma ideia de uma possível mudança de 'postura' que tem de partir de cada um de nós. É saber olhar para quem não está tão bem de vida quanto estou/estamos e saber ser grato e feliz pelo que se tem/temos. Não há razão de não ajudarmos quem não tem o que temos. Apenas a título de exemplo, não doeria no meu bolso doar alguns reais para uma associação de caridade de maneira mensal. É muito? Não, não é! Mas seria muito se todos o fizessem... E bem sabemos que há inúmeras maneiras diferentes de fazermos. Não há razão de não nos propormos a tanto pelo simples fato de ninguém nunca tê-lo feito pela gente...

No mesmo caminho, de maneira alguma excluo os pensamentos dos que discutem com vc, a exemplo do Dr. Plausível. Penso até que, de certa maneira vc também pensa igual.

Apesar desse olhar de gratidão pelo conseguido e a advinda felicidade, não há que se esquecer da ambição, logicamente falo daquela bem aplicada, que é fator intrínseco de diferencial entre seres humanos e o restante dos animais. Não há problema participar deste convite de reflexão e, ainda assim, querer mais de si, dos outros e da vida.

Gostei bastante do texto e, apesar de ser algo que, penso eu, deveríamos todos termos consciência, vez em quando é bom se tomar um 'puxão de orelha'. Abraços e sucesso.

PermalinkPermalink 08.02.11 @ 15:29



Comentário de: Durval · http://twitter.com/dtabach

Quando você pergunta se sou privilegiado e pede para responder me comparando "com quem tem MENOS" e para refletir sobre tudo que consegui não por mérito exclusivamente meu, já está dada a resposta, né? Tanto é que, entre tantos comentários, NINGUÉM se atreveu a dizer que não é privilegiado.

Vejo que, embora você tenha tuitado ontem o link deste post, ele foi escrito em 2009.

Suponho que a essa altura você já publicou seu texto desenvolvendo o assunto. Poderia indicar o link?

PermalinkPermalink 09.02.11 @ 12:40



Comentário de: Durval · http://twitter.com/dtabach

Quando você pergunta se sou privilegiado e pede para responder me comparando "com quem tem MENOS" e para refletir sobre tudo que consegui não por mérito exclusivamente meu, já está dada a resposta, né? Tanto é que, entre tantos comentários, NINGUÉM se atreveu a dizer que não é privilegiado.

Vejo que, embora você tenha tuitado ontem o link deste post, ele foi escrito em 2009.

Suponho que a essa altura você já publicou seu texto desenvolvendo o assunto. Poderia indicar o link?

PermalinkPermalink 09.02.11 @ 12:41



Comentário de: CarolF

Sou incrivelmente privilegiada e já tinha pensado nisso antes de ler seu texto. Quando meus colegas conversam sobre as dificuldades das vidas deles nem tenho coragem de falar nada porque, sendo bem sincera, nunca tive nenhuma grande dificuldade na vida. Se tivesse nascido sem recursos e sem rede de contatos tava perdidíssima. Seria uma das "antas mal-nascidas" que moram no puxado da casa dos tios e faz bicos estranhos ou algo assim. Sempre que vejo alguém muito pobre que super venceu na vida penso naqueles que não venceram, que seria meu caso se estivesse naquela situação.

PermalinkPermalink 25.04.12 @ 11:50



Comentário de: Elisabeth Andrade · http://www.cronicasdeumsexshop.com.br

Eu pude fazer algumas escolhas. Acho que sou privilegiada por isso. Porém, o fato de ter feito escolhas me levou muitas vezes a desfechos que eu não gostaria de ter vivido.

Às vezes, quando estou muito revoltada eu penso que queria não ter me separado lá do meu primeiro marido. Eu penso que queria estar com a barriga encostada em um tanque e um monte de filhos puxando a minha saia. Eu penso que ficaria feliz se só precisasse de um prato de comida e uma roupa nova pra primeira comunhão.

As vezes eu queria a vida assim, mais simplicidade e menos angústias.

Mas como sou "privilegiada" sigo pagando um preço alto por minhas escolhas.

Eu não acho que teria sido diferente se eu fosse negra, ou azul, ou rosa com bolinhas brancas... Eu acho que teria sido diferente se eu não esperasse tanto da vida.

Enfrentei muitos preconceitos durante toda a minha vida, por vários motivos e sobrevivi heroicamente a todos eles.

Não entendi bem qual é a relação deste post com cotas mas já que estão se posicionando... Eu sou CONTRA.

Só porque estudei a vida toda em escola pública e tive milhões de companheiros negros nas turmas que frequentei. Se sentamos na mesma cadeira, tivemos oportunidades iguais. Alguns eram mais pobres do que eu, outros mais ricos. Pessoas e suas histórias.

Aliás, naquela época, 40 anos atrás, não existiam condomínios e a escola estadual ainda era muito boa. Eu sentava com filho de delegado e com filho de empregada doméstica.

Na rua brincávamos todos juntos e algumas vezes lanchávamos na casa do filho da juíza. Ela tinha uma biblioteca imensa e eu e meus companheiros íamos para lá ler Monteiro Lobato. Apostávamos quem lia mais livros em menos tempo.

Algumas noites uma preta velha vinha da favela tomar conta das meninas da vizinha e então nos sentávamos na porta da vila e ela contava histórias que eu até hoje não sei de onde tirava. Parecia mágica que ela fazia. Todos os dias uma história diferente com feitiços, rainhas, maldições.

E sentávamos todos: os filhos dela, as meninas da vizinha, o filho da juiza, o filho do delegado...

Também me sinto privilegiada por minha infância de quase menina de rua... Com negros, brancos, azuis, amarelos...

PermalinkPermalink 25.04.12 @ 14:42



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