Sem a Discussão sobre as Cotas, Como Saberíamos Quem São os Racistas?

Escreveu a Carol:

Mesmo assim, eu continuo achando que as cotas não são a solução ideal, apesar de entender que sim, existe um problema e que, sim, a dimensão dele é muitas vezes ignorada por quem não é atingido. ... Vou dar um exemplo generalizante (que não teve nenhum rigor metodológico): convivi com estudantes da Universidade Federal do Rio há uns dois anos. Eram boas pessoas, inteligentes e bastante divertidos. Quando, em um bar, alguém falou de cotas, uma moça cantou uma musiquinha extremamente ofensiva (e bastante racista) que os estudantes da federal cantavam para o pessoal da estadual do Rio em jogos universitários. (texto completo do comentário)

As cotas raciais para o ensino universitário são uma solução imperfeita e desastrada para resolver as gigantescas disparidades raciais do Brasil. Talvez sejam até mesmo a pior solução de todas - com exceção de todas as outras, naturalmente. (Assim como a democracia é o pior sistema político do mundo, com exceção de todos os outros.)

As disparidades raciais no Brasil podem ser encontradas em todos os setores da sociedade, do número de prisioneiros ao número de mortos por tuberculose, e as cotas raciais tratam somente de uma pequeníssima parte do problema, talvez nem mesmo a mais importante - o ingresso na universidade.

Entretanto, por enquanto, é o melhor que se conseguiu arranjar. Nos lugares onde foram aplicadas, longe de gerar segregação e ódio racial, as cotas promoveram distribuição de renda e ascensão socioeconômica.

(Ser contra as cotas porque elas "podem acirrar o conflito racial" é como contra as leis trabalhistas porque os patrões vão chiar!)

Em um país como o Brasil, onde até mesmo a auto-identificação racial é fluida e problemática, talvez o maior mérito das cotas seja justamente colocar em debate questões nacionais urgentissimas como: reparações para afrodescendentes, nossas enormes disparidades raciais, nosso racismo galopante e invisível.

Talvez o maior mérito das cotas seja justamente não permitir mais que raça seja o elefante na sala que os brasileiros podem se dar ao luxo de fingir que não existe.

Talvez o maior mérito das cotas seja justamente forçar os racistas a saírem do armário, fazer com que tenham que articular todo um discurso racista anti-cotas, explicitar o desconforto que grande parte da elite nacional sente com a perspectiva de os negros ocuparem um novo lugar na sociedade.

Eu comecei História na PUC e, depois, me transferi pra UFRJ noturno. Na PUC, todos meus colegas tinham cara de leite e vinham da zona sul - havia UM aluno negro, bolsista. Na UFRJ, ainda mais no turno da noite, quase todos trabalhavam durante o dia, moravam longe, eram afrodescendentes e pertenciam às classes C e D. O pessoal era politizado, articulado, sindicalizado, conscientizado.

Pra mim, já valeria a pena toda essa discussão sobre cotas só pra saber quais dos meus colegas politizados teriam a cara de pau de puxar uma musiquinha racista quando surgisse o assunto.

A principal função social da liberdade de expressão é: sem ela, como saberíamos quem são os idiotas - e os racistas, e os homófobos, e os reacionários, etc?

Preto no Branco: Raça e Nacionalidade no Pensamento BrasileiroEspetáculo das Raças

* * *

As injustiças que as cotas pretendem corrigir não são as injustiças passadas. O que passou, passou. Acabou. Caput. Perguntem a qualquer historiador. As cotas existem porque as injustiças passadas continuam repercutindo e gerando novas injustiças, atuais e prementes, HOJE.

Leiam meu texto sobre as cotas:
O Peso da História: A Escravidão e as Cotas

Invenção das RaçasHumanidade Sem Raças?

* * *

O discurso anti-cotas não é por definição e necessariamente racista. Alguns dos historiadores e intelectuais que mais admiro são contra as cotas, entre eles Manolo Florentino, meu orientador na graduação e uma das maiores autoridades em escravidão no Brasil, além de nomes respeitados como Lilia Moritz Schwarcz, Celia Maria Marinho de Azevedo, Marcos Chor Maio, Ronaldo Vainfas, entre outros.

Entretanto, grande parte do discurso anti-cotas leigo acaba se tornando terreno fértil para que alguns dos mais comuns e silenciados preconceitos raciais brasileiros vejam finalmente a luz do dia e sejam (pasmem!) articulados em público sem vergonha alguma.

Em um país com um racismo tão entranhado e silencioso como o nosso, qualquer tema que force os brasileiros a manifestarem publicamente suas opiniões racistas é preciosíssimo. Vale como terapia de grupo para toda a nação. Sem essa etapa, a gente não vai pra frente.

  Freud: Raça e Sexos   Raça, Ciência e Sociedade Racismo LLL

* * *

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Não Somos Racistas

 

15.09.09


Categorias: Raça


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Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

"talvez o maior mérito das cotas seja justamente colocar em debate questões nacionais urgentissimas"

...tais como:
• se uma parcela dos melhores alunos fica de fora, ¿pra que serve a universidade?
• se há uma disparidade de performance entre os ditos brancos e os ditos negros, ¿pra que serviu o ensino fundamental?
• se a redenção do brasileiro é entrar numa faculdade, ¿pra que investir em outros programas sociais e educacionais?
• se a ambição central do brasileiro virou fazer faculdade — ou seja, receber instruções de cima pra baixo — ¿onde fica o incentivo familiar à iniciativa, ao pensamento autônomo, à busca independente de conhecimento?


• se fazer faculdade
passou de incentivo à fruição de talentos natos a fornecedora de autorizações pra disputar empregos (ie, diplomas), ¿pra que se descabelar estudando?
• e se propõe-se separar os candidatos entre negros e brancos, e se a promessa de um futuro melhor prum negro passa necessariamente por uma faculdade, então ¿por que não incentivar q negros casem somente com negras e brancos somente com brancas? (essa é absurda, eu sei; mas... a imaginação do povo é fértil)

O racismismo é muito engraçado.

PermalinkPermalink 15.09.09 @ 16:14



Comentário de: Diogo

1) Alex Castro: "O pessoal era politizado, articulado, sindicalizado, conscientizado".

2)Alex Castro: A principal função social da liberdade de expressão é: sem ela, como saberíamos quem são os idiotas (...)

3) Eu: De fato, quem serão...?

PermalinkPermalink 15.09.09 @ 17:34




"a pior solução de todas - com exceção de todas as outras"

Cazzo, ainda há quem use a Falácia de Churchill? Ela não passa de um whishful thinking bonitinho.

"fazer com que tenham que articular todo um discurso racista anti-cotas"

HUAHUAHUAHUAHUAHUA!!!

Quer dizer que opor-se à discriminação racial é ser racista? :P Genial! :P

Ah, tô sabendo:

"O discurso anti-cotas não é por definição e necessariamente racista."

Melhor dizendo, por definição o discurso anti-cotas necessariamente não é racista. Cotas = discriminação racial. Contra cotas = contra discriminação racial. Muito complexo? :P

"Ser contra as cotas porque elas "podem acirrar o conflito racial" é como contra as leis trabalhistas porque os patrões vão chiar!"

Falsa analogia.

"Numa analogia mostra-se, primeiro, que dois objectos, a e b, são semelhantes em algumas das suas propriedades, F, G, H. Conclui-se, depois, que como a tem a propriedade E, então b também deve ter a propriedade E. A analogia falha quando os dois objectos, a e b, diferem de tal modo que isso possa afectar o facto de ambos terem a propriedade E. Diz-se, neste caso, que a analogia não teve em conta diferenças relevantes.

Exemplo:

Os empregados são como pregos. Temos de martelar a cabeça dos pregos para estes desempenharem a sua função. O mesmo deve acontece com os empregados."

Fonte: http://criticanarede.com/induct.htm

Que pena que eu estou passando na corrida, tenho uma aula daqui a pouco. Mas o tema está rendendo deliciosamente! :)

Grande abraço!

PermalinkPermalink 15.09.09 @ 18:56



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Entretanto, por enquanto, é o melhor que se conseguiu arranjar. Nos lugares onde foram aplicadas, longe de gerar segregação e ódio racial, as cotas promoveram distribuição de renda e ascensão socioeconômica.

Estranho. Os livros que eu li contam uma história bem diferente: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=170234&ID=48F97F2F7D8030105300A02

Espero que você também não me venha dizer que o New Deal salvou a América...

Eu comecei História na PUC e, depois, me transferi pra UFRJ noturno. Na PUC, todos meus colegas tinham cara de leite e vinham da zona sul - havia UM aluno negro, bolsista. Na UFRJ, ainda mais no turno da noite, quase todos trabalhavam durante o dia, moravam longe, eram afrodescendentes e pertenciam às classes C e D. O pessoal era politizado, articulado, sindicalizado, conscientizado.

Ser "politizado, articulado, sindicalizado, conscientizado" podem ser qualidades para quem gosta de cursos de história. Não para mim.

Mas enfim, Alex, por um lado estou feliz, porque estamos afinal do mesmo lado: também quero que venham as cotas. Por outro, estou triste porque tenho quase certeza que você irá se decepcionar. O quase é porque eu não sei se você ainda vai perder tempo com esse assunto daqui há 15 ou 20 anos, quando as más consequencias dessas cotas enfim aparecerem. Espero que a essa altura você tenha perdido o interesse pelo assunto. Para seu bem. Mas deixa pra lá, o importante é que isso vai ajudar na desmoralização da universidade pública. E enfim, vamos nos livrar dela.

Ah, as más consequencias aparecerão sim, pode ter certeza. Eu já disse porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 15.09.09 @ 19:05



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Só contribuindo a discussão, gostaria de dar uma dica de leitura: Viva o Povo Brasileiro, do João Ubaldo Ribeiro.

É incrível como às vezes um livro de literatura pode nos fazer pensar mais que um de sociologia, sobre um assunto considerado sociológico.

Abs.

PermalinkPermalink 15.09.09 @ 21:20



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

http://www.youtube.com/watch?v=-fVMY81yMXs

PermalinkPermalink 15.09.09 @ 23:44



Comentário de: Roberto

"As cotas raciais [...] Talvez sejam até mesmo a pior solução de todas - com exceção de todas as outras, naturalmente."
Essa falácia foi lamentável. Implica em dizer que as outras soluções são todas piores (são??) e que essa é uma solução cabível para algo. Para mim, só significa que pobre branco tem menos direito de crescer que pobre (autodenominado) negro. Isso é racismo. Aliás, patética a tentativa de pincelar como racista, "com algumas exceções", a indignação anti-cotas dos brasileiros.
E num site que se diz libertário!! Nem sabe o que isso significa!

PermalinkPermalink 15.09.09 @ 23:54



Comentário de: Arthur

Os negros tem os piores indicadores em todas as areas.

O pessoal contra quota acha que a gente devia deixar as coisas assim, ou propõe outra solução?

PermalinkPermalink 16.09.09 @ 07:20



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Arthur,
"...o pessoal contra quota..."

ôpa, peraí, não sou contra as cotas; tampouco sou a favor; não tou nem sequer indeciso. Estamos numa democracia representativa; e se os representantes acham por bem decretar q o sol é machista, ¿quem sou eu pra dissuadi-los? Só acho as cotas uma idéia tola baseada em percepções implausíveis e interesseiras, conversa pra boi dormir, tal como trocentas outras idéias q regem e controlam a sociedade de merda em q vivemos. Só tou aqui conversando pq este é o assunto do dia; se fosse outro, taria papeando tbm.

Assombroso, pra mim, pela imbecilidade, é a própria idéia na base das cotas de q o vestibular é um divisor de águas na vida de uma pessoa: antes era uma inútil, depois vira uma iluminada; sendo q o vestibular é apenas UMA das provas por q tem q passar um indivíduo antes de receber sua autorização pra disputar empregos bem pagos.

Todo ano tem prova, não só antes da faculdade. É como se, a cada prova de fim-de-ano dentro do colégio ou da faculdade, o professor fosse obrigado a aprovar pro ano seguinte uma cota de alunos q se dizem negros.

O fato de q, dentro do colégio ou faculdade, o número de vagas pro ano seguinte se mantém não invalida a analogia. O Nirvana do brasileiro, o paraíso terrenal, será qdo houverem vagas universitárias pra TODO brasileiro. Aí sim, todos poderão ter orgasmos de informação, espasmos de conhecimento, contrações de sabedoria.

Enquanto isso, há países em q os melhores alunos recebem os conhecimentos q eles são mais capazes de manejar, e – ¿será mera coincidência? – é DESSES países q vem o conhecimento q as universidades brasileiras ficam aí regulando, né? Que gente ruim, né?

PermalinkPermalink 16.09.09 @ 08:18




"Todo ano tem prova, não só antes da faculdade. É como se, a cada prova de fim-de-ano dentro do colégio ou da faculdade, o professor fosse obrigado a aprovar pro ano seguinte uma cota de alunos q se dizem negros." (Dr. Plausível)

BAITA SACADA.

Gostei, adotei.

PermalinkPermalink 16.09.09 @ 18:42



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Obrigado, Golgo. Só depois vi q tava mal escrito. Melhor seria:

"Todo ano tem prova, não só pra entrar na faculdade."

PermalinkPermalink 16.09.09 @ 19:17



Comentário de: Kitagawa

"BAITA SACADA.
Gostei, adotei"

hahaha, é isso aí Golgo. Descolou mais uma justificativa pra ser contra as cotas raciais. Quanto mais melhor, o importante é acabar com elas. Uma dica: vc pode também usa-la contra as cotas para pobres. É bom para dar um ar de coerencia.

PermalinkPermalink 16.09.09 @ 22:11




Kitagawa:

Não "descolei uma justificativa", eu percebi mais um absurdo estrutural demolidor na "lógica" das cotas graças à brilhante sacada do Dr. Plausível.

E o que dá um ar de coerência à luta contra as cotas é a coerência da luta contra as cotas, sorry.

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 01:22




Kitagawa:

Ao contrário dos pró-cotas, que precisam de malabarismos conceituais para justificar que "para combater a discriminação racial é necessário instituir mais uma discriminação racial, desta vez por via legislativa" (!!!), eu posso dizer simplesmente: "discriminar as pessoas por raça (para dar cotas) é discriminação racial, logo não deve ser feito". Bem melhor, né?

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 01:26



Comentário de: Kitagawa

Perfeito, Golgo, isso basta. Esse é o "bom motivo", que eu compreendo perfeitamte. Se ficasse só nisso, nem discutiria. Ou se vc dissesse que qualquer tipo de cota é condenável, pois os mais aptos, independentes de classe, raça, religião, é que devem ser subsidiados. OK. Isso é ser coerente.

mas eu não preciso nem ser negro pra ficar muitissimo ofendido com as retoricas que vc agrega quando o assunto é cotas raciais, muito diferente das que vc adota quando o assunto é cotas socias. Nesta, vc é "até simpático". Na outra, usa termos bem mais belicosos, tipo "pessoas menos aptas", "invasão", "extorsão". Não vejo coerencia nenhuma nisso. Isso é praticametne uma caricatura do problema racial no Brasil. Essa diferenciação de tratamento travestida de isenção. É o que me faz ser a favor das cotas raciais, apesar de achar mais politico as cotas sociais.


De resto, não existe malabarismo de minha parte, as cotas são ação pragmática a fim de amenizar um probelma localizado, como tantas outras por parte do Estado. É injusta? Isso eu acho relativo, toda ação localizada exclui as demais, assim sempre foi e dei mais de um exemplo. E historicametne no Brasil sempre beneficiando mais os já privilegiados. Até compreendo o lance do "branco pobre". Mas eu sei bem que tudo que é de dominio das classes mais altas (e brancas) tem os braços todos abertos para o ingresso do branco de origem humilde. Ja o negro pobre só toma porrada e porta na cara, está condenado a morrer pobre, pois não depende só dele.

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 15:35




Kitagawa:

O problema de pegar o texto de alguém e picar em pedaços, selecionar, espremer, filtrar e centrifugar em busca de um "significado oculto" ou de um "ideário subjacente" é que muitas vezes um charuto é apenas um charuto.

A escolha das palavras "invasão" e "expropriação" foi adequada dentro do contexto de crítica a uma opinião que tu manifestaste, não implica que eu seja racista por usar um argumento contra um tipo de cota e outro contra o outro tipo. Se as cotas possuem natureza distinta, é possível e razoável que os argumento usados em um caso e outro - mais especificamente as circunstâcnias de um caso e outro - sejam distintos, apesar de eu ser contrário a todo e qualquer tipo de cota por achar tanto que é injusto quanto que não resolve o problema, pelo contrário, cria mais problemas.

(Sim, houve uma época - antes de parar para pensar no problema - que eu cheguei a ter uma simpatia pelas cotas sociais, mas assim que parei para pensar percebi que não é uma boa idéia.)

Quanto aos malabarismos... olha só, olha bem o que colocaste na mesma frase: "não existe malabarismo de minha parte" e em seqüência "as cotas são ação pragmática a fim de amenizar um probelma localizado, como tantas outras por parte do Estado". Poxa, é desse tipo de malabarismo que eu estou reclamando.

Chamar a instituição de uma discrimnação racial de "ação pragmática a fim de amenizar um probelma localizado, como tantas outras por parte do Estado" foi exatamente o que Adolf Hitler fez. (Eu ia dizer "respeitadas as proporções", mas, depois que um italiano foi preso em flagrante por "estupro de vulnerável" por ter dado um selinho na filha, ficou bem claro que não dá pra deixar brecha na lei, o bom senso não existe.)

Não dá pra arriscar, Kitagawa. Se criarmos cotas "por um período", elas se tornarão bandeira ad eternum para os beneficiados - e toda vez que alguém disser "ok, já foi o suficiente, já foram atingidos os objetivos" virá uma onda de protestos tipo "racistas querem anular conquista dos negros", etc.

Instituir uma discriminação racial legal só vai cristalizar o problema. É mais ou menos como tentar convencer o Papa a defender os direitos dos homossexuais: se a igreja fosse guiada apenas pela tradição, aos poucos isso se tornaria possível, mas, como a Bíblia tem o Livro do Levítico, não vai rolar nunca.

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 18:37



Comentário de: Alex Castro Email

Chamar a instituição de uma discrimnação racial de "ação pragmática a fim de amenizar um probelma localizado, como tantas outras por parte do Estado" foi exatamente o que Adolf Hitler fez.

demorou.

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 18:46



Comentário de: Kitagawa

hahahahahahahaha

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 21:55



Comentário de: Kitagawa

"Se as cotas possuem natureza distinta, é possível e razoável que os argumento usados em um caso e outro"

Golgo, raciocine comigo: se a cota para negros é expropriação, as cotas sociais também são. Se as cotas para negros vão dar vagas para pessoas inaptas, as sociais também. Portanto, se vc condena as cotas racias por que considera expropriação, coerentemente deveria dizer o mesmo sobre as cotas sociais. No entanto, vc é simpatico às cotas sociais. Por algum motivo não acha que nesse caso seja expropriação. Esse termo vc só usa no caso dos cotistas forem negros. Acredito que vc acredita não ser racista.

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 22:08



Comentário de: Kitagawa

"Se as cotas possuem natureza distinta, é possível e razoável que os argumento usados em um caso e outro"

Golgo, raciocine comigo: se a cota para negros é expropriação, as cotas sociais também são. Se as cotas para negros vão dar vagas para pessoas inaptas, as sociais também. Portanto, se vc condena as cotas racias por que considera expropriação, coerentemente deveria dizer o mesmo sobre as cotas sociais. No entanto, vc é simpatico às cotas sociais. Por algum motivo não acha que nesse caso seja expropriação. Esse termo vc só usa no caso dos cotistas forem negros. Acredito que vc acredita não ser racista.
Mas a sua retórica tem uma carga de preconceito, daqueles bem arraigados na nossa cultura, que só passa despercebida para brancos.

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 22:09



Comentário de: Kitagawa

No lance do Hitler, faltou discutir se a ação dele era justa ou injusta. E isso eu fiz.

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 22:11



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://arthur.bio.br/

Kitagawa:

"No entanto, vc é simpatico às cotas sociais. Por algum motivo não acha que nesse caso seja expropriação." (Kitagawa)

Eu não sou simpático a cotas sociais. Eu tive alguma simpatia pelo argumento até analisá-lo, então eu percebi que era um erro tão grave quanto as cotas raciais. Eu sou contrário a todo e qualquer tipo de cotas exceto as cotas para deficientes.

(Mesmo no caso dos deficientes eu não acho que seja uma boa solução, só acho que nas atuais condições econômicas e culturais o benefício superaria amplamente o malefício, então eu toleraria cotas para deficientes, mas com o nariz tapado.)

"Acredito que vc acredita não ser racista.
Mas a sua retórica tem uma carga de preconceito, daqueles bem arraigados na nossa cultura, que só passa despercebida para brancos." (Kitagawa)

Que preconceito? Eu só digo que sou contra essa pseudo-solução de cotas. Não falei mais nada sobre negros ou pobres a não ser que qualquer instituição de cotas iria piorar a situação. Eu me preocupo com o racismo. Eu me preocupo com a desigualdade econômica. Eu afirmo explicitamente que devemos pensar em estratégias e implementar ações para combater estas chagas sociais. Só que cotas não são uma boa solução, não são sequer uma solução, e ainda vão piorar a situação.

PermalinkPermalink 18.09.09 @ 00:32



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://arthur.bio.br/

Quanto "ão". :P

PermalinkPermalink 18.09.09 @ 00:33



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://arthur.bio.br/

(Ah, sim... nem toda citação de Hitler preenche o corolário da Lei de Godwin sobre "ficar sem argumentos". Se fosse assim, nunca mais se poderia citar o ocorrido, sinal que não se teria aprendido nada com a história.)

PermalinkPermalink 18.09.09 @ 00:38



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