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O Problema do Brasil É a Falta de Conflito Racial

Racismo LLLDizem alguns leitores:

O Brasil não tem conflitos raciais mas, ao ficar falando de racismo e estimulando as pessoas a se identificarem racialmente, você arriscam criar conflitos que nunca existiram.

Minha opinião é oposta: acho que a falta de conflitos raciais é um dos grandes problemas do Brasil.

* * *

 Casa-Grande e Senzala  Guerra e Paz: Casa-Grande e Senzala e a Obra de Gilberto Freyre nos Anos 30

Muito estrangeiros consideram os Estados Unidos, por exemplo, uma nação fraca por causa de seus conflitos internos. Do ponto de vista, digamos, de uma nação pacífica, como a Arábia Saudita, os EUA são um poço de crimes, contradições, ódios. E eles têm razão. A diferença é que os conflitos são a fonte de força dos EUA, não de fraqueza.

Sociedades que não tem conflito são em geral estratificadas e anti-democráticas. Não existe conflito porque uma classe social, etnia ou grupo religioso está totalmente sob o controle de outra, especialmente se essa superioridade já está culturalmente introjetada. As mulheres africanas não se revoltam contra a circunsição feminina porque elas sabem que são naturalmente mais propensas ao pecado e que o prazer sexual só serve para estimular a luxúria. Como poderia haver conflito nesse cenário?

A paz, via de regra, só existe dentro de uma hierarquia pré-definida. O confucianismo foi uma tentativa de resolver as disputas internas que convulsionavam a China: dentro desse sistema, sempre se sabe exatamente quem manda e quem obedece. A hierarquia militar funciona sob a mesma lógica: quando um capitão fala, o tenente obedece; quando o tenente fala, o cabo obedece; quando falam dois tenentes, vale o mais antigo; etc. O importante é: sempre se sabe, sem sombra de dúvida, quem é o superior. Se todos aceitam as premissas, não há possibilidade nem espaço para conflito.

Por outro lado, terça feira agora, 8 de setembro, o presidente dos Estados Unidos vai fazer um discurso em rede nacional para os alunos da nação - e já está em curso um movimento para que as famílias deixem seus filhos em casa, ou que não permitam que assistam, para não sofrerem "lavagem cerebral com os dogmas liberais". Sob pressão dos pais, muitas escolas declararam que não obrigarão os alunos a assistir, e muitas não vão nem mesmo passar o discurso. Parece coisa de maluco, mas são cidadãos encarando o governo mais poderoso do mundo e brigando pelo direito de eles mesmos lavarem os cérebros de seus filhos. Do ponto de vista de uma sociedade estratificada, anti-democrática e pacífica, parece ser mais um exemplo de como os EUA são uma nação fraca e dividida. Do meu ponto de vista, é um exemplo da força das instituições democráticas americanas -cuja prática nem sempre está a altura da teoria, todos sabemos bem disso.

As democracia se baseiam no conflito. Quando você tem uma massa de cidadãos com os mesmos direitos civis e políticos - pelo menos, segundo a letra da lei - eles vão entrar em conflito o tempo todo. Vão uns processar os outros. Vão tentar puxar as sardinhas pros seus lados. Vão eleger deputados que irão defender bandeiras radicalmente opostas no Congresso. A própria estrutura do governo já prevê um conflito contínuo entre os três poderes - teoricamente, esse conflito garantiria a democracia, ao não permitir que um poder tenha ascendência sobre os outros.

Acho graça quando batem no peito pra dizer que somos uma nação pacífica e sem guerras. Claro que somos. Mas isso é bom? As independências hispano-americanas foram sangrentas porque, de fato, se tentou uma mudança institucional radical. A nossa foi pacífica porque foi uma assunto de pai pra filho no qual nada fundamentalmente mudou - a não ser para quem iam as receitas alfandegárias. Assim é fácil ser pacífico.

* * *

 Etnicidade e Nação Dicionário de Relações Étnicas e Raciais

É verdade que no Brasil não existe conflito racial? Claro que sim. Isso é bom? Claro que não.

No Brasil, não existe conflito racial porque o negro sabe o seu lugar*.

Quando falo de racismo, muitos leitores respondem apontando que muitas vezes os negros são mais racistas que os próprios brancos. Esses leitores parecem não entender que, além de ser tristemente verdade, essa fato é mais uma comprovação do racismo endêmico e generalizado do Brasil, um racismo transmitido e sustentado por todos os meios de comunicação, pelos nossos ditados populares, pelos nossos costumes, pela nossa literatura infantial, pelas nossas lendas folclóricas, pela própria língua. Como esperar que os próprios negros não sejam influenciados e não introjetem todo esse preconceito? Como esperar que uma menina negra, em fase de formação, não se identifique com as princesas loiras dos contos de fadas? (clique aqui e assista o vídeo no finalzinho do post)

Sim, falta conflito racial no Brasil. No Brasil, o negro sabe o seu lugar: os conflitos começam somente quando ele tenta sair desse lugar e ocupar outra posição socioeconômica. O negro brasileiro, imerso no mais profundo, avassalador, disseminado, estrutural racismo, ou introjetou sua própria inferioridade e acha que não merece um lugar melhor que o atual, ou então, por se saber cidadão de terceira categoria, sabe que a luta seria vã, que começar um conflito que não pode ganhar só pioraria as coisas, e educa seus filhos para serem humildes, calados, pra não chamarem atenção e não criarem problemas.

No Brasil, nunca houve leis racistas proibindo negros de ingressarem em restaurantes, hotéis, tribunais porque a própria estrutura socioeconômica perversa já era garantia mais do que suficiente de que negros somente entrariam nesses ambientes pra varrer o chão e servir café. O Brasil é tão arraigadamente racista que nunca nem precisou de leis racistas para manter seus negros em posição totalmente inferiorizada.

A falta de conflito racial no Brasil é a paz do mais forte que é tão mais forte que sua dominação nem mesmo é contestada e do mais fraco tão mais fraco que nem vale a pena começar a brigar. Assim é fácil não ter conflito racial.

A Pax Romana também foi uma era inigualada de paz e tranquilidade: a Europa inteira estava ou sob controle dos romanos ou temerosa de vir a estar. Os romanos mandavam e todos obedeciam. Não tem como ser mais pacífico do que isso.

A questão é outra: isso é bom?

* * *

 Caminhos da Identidade: Ensaios Sobre Etnicidade e Multiculturalismo Mídia e Etnicidades no Brasil e nos Estados Unidos

Nos EUA, esse país que no imaginário ignorante brasileiro é um inferno racial, um professor negro foi preso ao tentar entrar na própria casa. O incidente virou assunto nacional, dando origem a mais uma reflexão sobre o racismo no país.

No Brasil, o caso de um cidadão que foi espancado e torturado pelos seguranças de um supermercado e pela própria polícia, acusado de roubar seu próprio carro, demorou mais de duas semanas a aparecer no primeiro grande jornal e o assunto foi rapidamente enterrado. Cadê reflexão nacional? Zero.

Abaixo, alguns links para ambos os casos. Basta usar o google para perceber a discrepância. Busquem pela prisão do professor e encontrarão matérias dos principais jornais dos EUA. Busquem pelo cidadão torturado e só encontrarão posts em blogs - a maioria estrangeiros.

* * *

 Fronteiras Cruzadas: Etnicidade, Gênero e Redes Sociais  Pluralismo Étnico e Multiculturalismo: Racismos e Anti-Racismos Brasil

O Brasil seria um país muito melhor se houvesse um pouco mais de conflitos raciais; se episódios como esse repercutissem por todo país e fizessem mais pessoas repensarem suas opiniões idiotas; se mais negros lutassem por seus direitos; se mais brancos fossem abertamente (ao invés de insidiosamente) racistas; se um lado tivesse pelo menos um terço das baixas do outro.

As pessoas tendem a ficar mais conservadoras e pacatas com a idade, mas eu sempre fui todo ao avesso mesmo. Quanto mais envelheço, quanto mais viajo, quanto mais conheço a História, quanto mais vejo a condição de vida de quem está por baixo, quanto mais escuto as opiniões canalhas de quem está por cima, mais me convenço de que certas situações, deus que me perdoe, só se resolvem com sangue correndo na rua.

Aliás, sangue correndo na rua é o que já não falta. A questão é: de quem?

* * *

 Utopia Brasileira e os Movimentos Negros Abolicionismo

Alguns links

Sobre o discurso de Obama aos alunos da nação:

- Obama school speech suddenly a prickly topic for educators
- Obama speech to students: Is flap a sign of polarized times?
- Resistance to Obama school speech just plain ’silly’
- Conservatives wave red flags over Obama school speech
- School district won’t share Obama speech

Sobre o professor preso ao entrar na própria casa:

- Gates arrest: racial profiling or 'tempest in a teapot'?
- Cambridge Cop Accidentally Arrests Henry Louis Gates Again During White House Meeting
- This Post Is Not About Henry Louis Gates Jr.'s Attempt To Enter His Own Home In Cambridge, MA (o melhor texto sobre o assunto, ao mostrar as maneiras como brancos, mesmo sem saber, colocam seus amigos negros em perigo)

Sobre o cidadão torturado por roubar seu próprio carro:

- The Price to Pay
- Negros podem dirigir carros de luxo?

* * *

 Casa-Grande e Senzala Sobrados e Mucambos, de Gilberto Freyre

* Tentei encontrar o autor dessa lapidar frase, mas encontrei-a atribuída a Millor Fernandes, Érico Veríssimo, Roberto DaMatta, etc. Ou seja, já virou domínio público.

* * *

Discriminação e Desigualdades Raciais no Brasil
Um dos grandes estudos sobre racismo no Brasil.Racismo LLL

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06.09.09


Categorias: Raça

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Paulo

Você já leu Gramsci? Um dos famosos pares conceituais que ele criou é "coerção e consenso". Não há como ler esse post sem pensar nisso.

PermalinkPermalink 06.09.09 @ 22:38



Comentário de: Te

É mesmo, no Brasil faz falta uma Rosa Parks. Essa história do homem espancado e acusado de roubar o próprio carro: era pra todo mundo boicotar toda a rede de supermercados.
Faz sentido isso de ausência de conflito não significar que está tudo às mil maravilhas: um casal que nunca briga pode ser por que um se submete demais às vontades do outro (o homem ou a mulher) em nome da harmonia no casamento.
Falando do Obama: não entendo por que tem tanta gente do povo contra a reforma do sistema de saúde que ele propõe. Tomara que a coisa não piore.

PermalinkPermalink 06.09.09 @ 22:47



Comentário de: Te

Ah, falando em racismo/domésticas, olha uma foto que vi na Folha e pra mim simbolizou bem o sentimento de inferioridade da empregada:
http://www.gettyimages.com/detail/50684090/Time-Life-Pictures

PermalinkPermalink 06.09.09 @ 23:09



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex, vc raramente falou tão certo. Vivo dizendo q o povo brasileiro tem sangue de barata. O Brasil é o país onde meia dúzia de panacas inventa de reformular a ortografia – ie, como simbolizar a expressão máxima da identidade de um povo – e no dia seguinte todos os jornais, livros, avisos, anúncios e muitos blogues encampam a mudança como baratas de circo. O dia em q houver o primeiro conflito generalizado de origem, motivação e conseqüências racias no Brasil será uma briga entre criadores de dobermann e criadores de rottweilers.

Talvez seja melhor assim. A língua portuguesa não tem cacife pra instigar, inspirar, conduzir, interpretar ou analisar um conflito racial. Ouvindo ou lendo o discurso "I have a dream" de M.L.King, me vêm lágrimas aos olhos. Ouvindo ou lendo qqer discurso exortativo em português, me pergunto como alguém pode se inspirar com tantas incoerências lógicas e gramaticais inerentes à língua, tantos lugares-comuns e tanta singeleza mental.

Tou dizendo, a solução é a hipocrisia.

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 00:13



Comentário de: antonio1

Esse país é uma merda que não deveria existir.

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 03:18



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

600 mil morreram na guerra que os brancos (sim, os brancos, porque se dependesse dos negros eles seriam escravos até hoje...) fizeram para acabar com a escravidão nos EUA. No Brasil, acabamos com a escravidão uma geração depois dos americanos, mas não foi preciso guerra nenhuma.

Para mim, isso mostra que o jeito brasileiro de lidar com conflitos raciais é melhor do que o americano. Não, não digo que é perfeito.

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 08:01



Comentário de: Alexandra · http://guerson.wordpress.com

Alex,

Muito bom o post. Não posso deixar de concordar, principalmente depois de escrever um capítulo da minha tese no qual examino as relações entre cristãos e judeus justamente através da forma como os judeus utilizavam as cortes de justiça cristãs para processar uns aos outros. No meu caso, não só os tipos de conflito mas a forma como os judeus procuravam resolve-los diz muito sobre o grau de integração dos judeus na sociedade cristã da Catalunha e de Aragão no século 14. Não que vc esteja interessado, mas sabe que eu não tinha pensado em termos do conflito em si como exemplo da força das instituições.

A falta de conflito no Brasil sempre me perturbou um pouco pois a falta de conflito também indica falta de engajamento, falta de interesse no que acontece com os outros. E sem isso, como vc mesmo disse, a sociedade não pode evoluir, se tornar mais inclusiva, buscar soluções para seus problemas.


PermalinkPermalink 07.09.09 @ 08:02



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Mas eu sou a favor das cotas nas universidades públicas. As cotas raciais irão desmoralizar a universidade pública. E para o Brasil começa a dar certo é preciso acabar com a universidade pública. A universidade pública é a saúva moderna: ou o Brasíl acaba com a universidade pública ou a universidade pública acaba com o Brasil. Temos que acabar com essas saúvas. E as cotas raciais serão nosso tamanduá! Vamos defender as cotas, Alex, eu te apoio nessa!

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 08:06



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

"A falta de conflito no Brasil sempre me perturbou um pouco pois a falta de conflito também indica falta de engajamento, falta de interesse no que acontece com os outros."

No meu tempo, cuidar da própria vida e deixar os outros em paz era uma virtude...

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 08:07



Comentário de: cris · http://quitanda2008.wordpress.com

muito bom post, alex. dá vontade de imprimir e mandar todo mundo ler. você resumiu a questão muito bem. eu sempre achei o nosso racismo bem pior que o americano e agora você me explicou o porquê. beijo!

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 09:21



Comentário de: Rachel · http://riogringa.com

Alex!

That was by far the best thing I've ever read about racism in Brazil (I have Raizes do Brasil sitting in my "to read" pile, but I think this may still beat it). Alexandra Guerson brought it immediately to my attention on Twitter (since you disappeared!) and it's fantastic. Thanks for the link too.

The one thing I have doubts about is the issue of conflict here in the US. When I first read about the speech controversy, steam actually came out of my ears. Things like that deeply divide the US (I wrote a whole post about our divided nation called "Dividido" in portugues a few weeks back, though it wasn't as coherent as I'd hoped). To what point does division harm democracy? In this environment, it makes it very difficult for the government to make the necessary changes Obama promised. I do enjoy democracy, but those people "do outro lado" of the political spectrum truly make my blood boil.

Oh one more thing. Would it be possible to use this as a guest post on my blog?

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 13:49



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Alex:

Suponho que esta postagem tenha sido motivada por minha pergunta sobre que pontos positivos tu vês no conflito racial. Pelo menos eu considero minha pergunta plenamente respondida.

Tenho boas notícias para ti: o governo federal está seguindo tua linha de pensamento e criando os conflitos que tanto desejas. Desde que implementaram a política de cotas já começaram a aparecer pixações racistas nos muros das universidades, já houve agressões verbais e físicas a cotistas e aumentou muito o papo sobre "orgulho branco".

O que eu espero que vá resultar disso é o seguinte:

Em breve assistiremos a formação de chapas unirraciais para os diretórios acadêmicos, aí terá que ser produzida mais legislação cotista. Então assistirermos a radicalização do ressentimento e o surgimento de formas subterrâneas de organização racista, desde grupos de estudo e grupos desportivos unirraciais até grupos supremacistas violentos que tornarão perigoso o deslocamento de indivíduos desacompanhados de qualquer raça.

Finalmente, quando a violência e o ressentimento estiverem firmemente enraizados e ocorrer um número suficientemente grande de tragédias produzidas pelo incremento do ódio racial, o STF imitará a Suprema Corte estadunidense e declarará inconstitucional qualquer discriminação com base em raça ou cor, principalmente as políticas de cotas.

Voltaremos à mesmíssima situação jurídica de hoje, porém com um preconceito racial velado muito mais intenso e muito mais difícil de combater. Alunos da "raça errada" serão tratados dentro da lei porém fria e desdenhosamente nas escolas e universidades. Empresas buscarão formas não explícitas de dispensar funcionários.

Então, Alex, teu sonho será realizado: teremos bastante sangue correndo de todos os lados.

Minha vez de perguntar: isso é bom?

(Pergunta retórica, claro.)

Enfim, a gente colhe o que planta. Por isso plantar conflitos não me parece uma boa idéia. Eu ainda prefiro eliminar os resquícios do racismo através da educação para a fraternidade e a solidariedade.

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 15:36



Comentário de: Alex Castro Email

Rachel

Não tem nada mais democratico do que um pai poder educar seu filho como quiser e ter o direito de que seu filho nao escute o discurso do presidente. É literalmente lindo isso. Qualquer país democrático sempre é dividido em grupos de interesse, partidos, clãs, whatever, isso também é normal. Aliás, isso é um dado. Esse é o ambiente no qual a democracia tem que viver e prosperar.

É normal as pessoas do outro lado fazerem o seu sangue ferver. Pode ficar certa de que suas posicoes politicas também fazem o sangue deles ferver. O lindo é o governo em momento nenhum ceder à impulsos autoritários, como faz o nosso (expulsao de larry rothers, proibicao da marcha da maconha, etc).

Via de regra, a maioria das noticias domésticas dos EUA que nos parecem bizarras aqui no Brasil sao por excesso de democracia...

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 16:06



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

O Brasil imitando os Euá ou o português imitando o inglês é como um circo imitando uma cidade. É engraçado, e tudo, mas... pra quê? Melhor cada um na sua.

¿Quer ver o q é o Brasil? Veja este vídeo:

http://www.vimeo.com/2224910

(dá pra notar melhor em tela inteira; pense na quantidade de coisas q precisam dar certo, q precisam ser comunicadas com precisão, pra q isso aconteça)

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 17:09



Comentário de: Rachel · http://riogringa.com

Concordo, Alex. Suponho que confundi a democracia com o progresso; os dois nao sempre vem juntos, infelizmente.

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 17:43



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

"Não tem nada mais democratico do que um pai poder educar seu filho como quiser e ter o direito de que seu filho nao escute o discurso do presidente." (Alex Castro)

Uau!

"Não ouvir, não gostar, impedir o acesso à informação e impor sua opinião = atitude democrática."

"Ouvir, avaliar criteriosamente, posicionar-se criticamente e estimular a mesma atitude = imposição antidemocrática."

Então tá.

Água e óleo. :)

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 19:05



Comentário de: Alex Castro Email

Arthur,

Democracia é justamente o pai ter o DIREITO de nao ouvir e nao gostar sem que ninguém o obrigue a ouvir pra saber se gosta ou não.

Eu tb acho q nao ouvir e nao gostar é coisa de gente idiota. Eu tb acho idiota vc proibir o seu filho de ouvir o presidente.

Mas, numa democracia de verdade, um pai deve ter o direito sim de não querer q seu filho escute o discurso do presidente, independente de eu ou vc acharmos essa atitude idiota.

Democracia é justamente respeitar o direito dos outros de tomarem atitudes que nós consideramos idiotas. Como essa.

Quem é democratico não sao esses pais imbecis. Democrático é o sistema que respeita a imbecilidade deles.

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 19:22



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Golgo,
Pegou pesado aí. Embora haja coisas mais democráticas do q "um pai poder educar seu filho como quiser", já impedir q teu filho se exponha a certas opiniões tá longe de ser, como vc deixa implícito, uma "imposição antidemocrática".

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 19:28



Comentário de: Luis

Acho que entra aqui a questão da criminalização do racismo. Sempre fui a favor. Hoje a favor, mas nem tanto. Justamente por achar que esse tipo de lei inibe o conflito racial, dando trela pra Ali Kamel escrever livros, rs..

sobre o obama: também acho democrático o pai não querer que o filho assista o discurso do obama. embora não concorde que ele deva proibir. a figura dele é forte, e se for pra sair vomitando verdades realmente não vale a pena - não que seja do feitio do cara.

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 20:21



Comentário de: Monix · http://duasfridas.wordpress.com

"Paz sem voz / não é paz, é medo"... já dizia Marcelo Yuka.
Beijos,

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 22:22



Comentário de: Kitagawa

Golgo, não sei se vc percebeu, mas num cenário de conflito os unicos que tem a perder são os brancos, pois os negros não tem mais nada a perder, continuam se ferrando como sempre. O unico vão de esperança hoje são as cotas. Mesmo esse cenário catastrofista que vc pinta com a convicção de uma Mãe DInah me parece mais saudável que a condição atual, onde os negros tem que aceitar tudo silenciosamente e se ferrar do memso jeito.

A sua "proposta" para acabar com o conflito me parece uma não proposta, pois não vejo nela nenhum indicio de mudança, me parece a formula para deixar as coisas como estão.

É curioso como vc e o Jorge Nobre se dizem contrários ao conflito mas fazem questão de peitar publicametne a politica de cotas. O Nobre chega a dizer que os negros vão acabar com a universidade publica, sem que haja um unico ondicio de que isso esteja acpntencendo. Isso não é uma maneira de criar conflito tbm? Não é uma maneira de tentar se intrometer na vida dos cotistas? Pense no que a oportunidade de fazer uma faculdade significa pra eles e como vcs são a afavro de tirar isso deles. Talvez seja disso que estamos falando, de levantar e dizer na cara "isso é racismo!". Mas se um negro fala isso, ele não passa de um paranoico, né? Porque o racismo não existe, né?

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 22:36



Comentário de: Kitagawa

O "modelo americano" é ruim? Ruim pra quem? Pros negros ou pros brancos?
Lá pelo menos há negros medicos, advogados, emnpresarios, engenheiros, até presidente da republica tem.

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 22:40



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Alex:

"Eu tb acho q nao ouvir e nao gostar é coisa de gente idiota. Eu tb acho idiota vc proibir o seu filho de ouvir o presidente." (Alex)

Ô, neste ponto concordamos integralmente.

"Quem é democratico não sao esses pais imbecis. Democrático é o sistema que respeita a imbecilidade deles." (Alex)

E neste ponto eu concordo integralmente com a primeira frase e preciso pensar muito antes de me posicionar em relação à segunda.

Eu sou da opinião que existem limites para tolerar a imbecilidade. Um exemplo com o qual acho que vais concordar: não se pode tolerar a imbecilidade de quem enterra seus filhos vivos porque acha que eles estão possuídos por um mau espírito (fato real que ocorre em algumas tribos na amazônia). Não cabe a alegação de que "é a cultura deles" para justificar o assassinato de crianças.

No extremo oposto existe a imbecilidade tolerável: se alguém quiser acreditar que guardar sete lentilhas na carteira traz sorte, o Estado não tem nada que meter o bedelho nisso e se o fizer estará sendo imensamente autoritário e invasivo.

Entre um extremo e outro existe uma linha divisória que separa a negligência da tolerância.

Creio que no que diz respeito a impedir o acesso à informação pertencente ao panorama político nacional o Estado está mais para o lado da negligência do que da tolerância se aceitar este bloqueio por parte dos pais dos alunos, porque não me parece justo com as crianças que sejam privadas de informações necessárias ao exercício de sua cidadania.

Noutras palavras, existe um equilíbrio entre o pátrio poder e o poder do Estado, sendo necessária uma análise cautelosa para estabelecer o melhor equilíbrio.

O meu medo no caso específico sobre o qual conversamos é que malucos ao estilo Ku-Klux-Klan doutrinem e fanatizem seus filhos livremente porque o Estado aceita que os pais filtrem toda e qualquer informação que deve ou não chegar a eles. Como isso vai respingar no bem estar e talvez na vida de outros cidadãos, não me parece que seja tão democrático assim aceitar esse nível de imbecilidade.


PermalinkPermalink 07.09.09 @ 23:19



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Dr. Plausível:

Acho que a análise que fiz no último comentário responde a tua colocação também.

Kitagawa:

"A sua "proposta" para acabar com o conflito me parece uma não proposta, pois não vejo nela nenhum indicio de mudança, me parece a formula para deixar as coisas como estão." (Kitagawa)

Por favor, poderias me explicar por quê?

Eu acredito que uma educação voltada para a fraternidade e a solidariedade é capaz de promover grandes mudanças, muito mais do que imposições legais.

"Não é uma maneira de tentar se intrometer na vida dos cotistas? Pense no que a oportunidade de fazer uma faculdade significa pra eles e como vcs são a afavro de tirar isso deles." (Kitagawa)

Opa! Isso é o poste mijando no cachorro! A oportunidade de fazer uma faculdade significa o mesmo para o branco pobre que mora no barraco ao lado do cotista. Se ele perde a vaga que conquistou ralando, estudando e se capacitando para alguém menos capacitado em função da cor da pele, isso é se meter e tirar algo de alguém injustamente.


PermalinkPermalink 07.09.09 @ 23:43



Comentário de: Alex Castro Email

Arhur,

Quer dizer q se um pai quiser "doutrinar" seu filho pra ser flamenguista, marxista, catolico, entao pode. Mas se quiser "doutrinar" seu filho pra ser membro da KKK (que, alias, é uma organização legalmente constituida aqui nos EUA) entao nao pode? Ou seja, a KKK pode existir mas eu, se for membro, não posso dizer pro meu filho que é bom ser membro da KKK? Hmmm, isso não faz mt sentido, perdão.

E se aceitarmos que o estado permita que os pais doutrinem os filhos em algumas coisas e nao em outras, quem vai fazer essa distinção? Quem vai ser esse genio q vai se arrogar saber educar melhor todas as criancas da nacao do que os seus proprios pais?

Se me perguntarem, por um exemplo, eu acho mt mais nocivo pra coletividade que os pais ensinem os filhos a seguir suas religiões. acho nocivo pra coletividade q exista tanta gente que acredite q tem um amigo imaginário no ceu. no meu mundo ideal, o estado, q é laico, proibiria os pais de ensinarem religião pros seus filhos e ensinaria nas escolas que deus não existe.

Hmm, mas vc acha q isso seria democratico? queria morar num pais desses?

Hmm, entao o que? O pai pode ensinar sua religiao pro filho, mas nao pode ensinar que o KKK é bom? Quem vai decidir o que pode e o que nao pode? Vc vai delegar esse poder pro governo? Se algum burocrata de Brasília amanhã der uma canetada e disser que vc nao pode ensinar seu filho a gostar do seu time de futebol favorito, vc vai achar bonito? Vai ceder seu pátrio poder ao estado? confia tanto assim no discernimento do burocrata de brasilia?

Tem cada uma....!

O que vc precisa entender é que democracia é dar a todos o direito de discordarem de vc, das suas premissas e das suas prioridades...

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 23:49



Comentário de: Alex Castro Email

Arthur,

O Kitagawa tem razao. A unica solucao que estou vendo vc propor já é aplicada há 150 anos e deu no Brasil como ele está hoje. Exatamente qual é a mudança que vc está propondo?

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 23:51



Comentário de: Alex Castro Email

Alias, Arthur, realmente, leia os outros posts da série sobre racismo, pq é mt chato ficar aqui me repetindo. Abraços,

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 23:52



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Golgo,

Acho q não respondeu, não, pq vc tá confundindo 'opinião' e 'informação'. O q aqueles pais não querem q seus filhos ouçam são as OPINIÕES do presidente. Vc pode até dizer q os pais tão impedindo q seus filhos 'se informem' sobre a opinião dele. Mas tudo tem um limite, né? ¿Agora todos teremos q ouvir todas as opiniões de qqer gato-pingado q vira presidente?

PermalinkPermalink 07.09.09 @ 23:57



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
Tua defesa da democracia tá meio misturada com uma defesa da liberdade de expressão, e são duas coisas diferentes. Tbm tá misturada com uma defesa do livre arbítrio, q é uma terceira coisa, diferente das outras duas.

Apesar de concordar com vc em princípio, é preciso não esquecer q euaense confunde demais seu livre arbítrio e sua liberdade de expressão com knee-jerk stupidity. Tudo bem q todos devem ter toda liberdade pra ser idiotas. Mas veja coisas deste tipo: sesdias, uma banda marcial de uma escola secundária no Missouri, pretendendo ilustrar a evolução dos instrumentos de sopro, vestiu camisetas q diziam "Brass Evolutions". O povão cristão cretino criacionista não gostou de ver a palavra "evolução", chiou e a banda viu-se obrigada a jogar as camisas fora, mesmo q muita gente dos dois lados nem sequer entenda qual é o problema. A palavra "evolução" virou "ofensiva", aparentemente.

E aí? ¿Esse episódio entra na história da democracia? da liberdade de expressão? do livre-arbítrio? ¿Ou entra somente na história da histeria coletiva incitada por um povo viciado em conflitos?

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 00:51



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Veja no linque:
http://www.sedaliademocrat.com/articles/0px-18740-span-font.html

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 00:52



Comentário de: Alex Castro Email

plausivel,

se vcs quiserem fazer desse post um plebiscito pra aprovar ou nao a democracia/livre-arbitrio/liberdade de expressao dos EUA (um país complexo e cheio de gente maluca), fiquem a vontade pra fazer isso sem mim. O q estou falando nao é isso e nem vai por aí.

O que falei simplesmente foi: uma sociedade pacifica mts vezes é uma sociedade onde os conflitos foram esmagados/sufocados por um grupo q impõe sua vontade sobre outro. uma democracia onde todos os cidadaos tem direitos iguais vai ser uma sociedade em eterno conflito interno, pois cada cidadao ou grupo de cidadaos vai puxar a sardinha pro seu lado. mais importante, paz nao é necessariamente uma coisa boa.

essa sua discussao de democracia/livre-arbitrio/liberdade de expressao não tem nada a ver com o q estou falando.

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 01:04



Comentário de: Ana · http://cantoinverso.blogspot.com

Eu já tinha parado com a minha carreira de comentários no seu blog, mas farei um postmortem.
Um detalhe essencial que não foi pensado no seu texto é a educação básica nos EUA, que não estimula o pensamento crítico. Os conflitos étnicos mais graves, na verdade, acontecem em estados onde o nível e a qualidade de escolaridade é mais baixo (Mississippi, Louisiana, etc).
Eu prezo debates construídos por diferentes pontos de vista, mas não acredito em extremismos.
Em relação ao acontecimento do professor preso, na verdade isso me fala mais sobre o comportamento e a cultura da polícia americana do que do preconceito da sociedade como um todo.
E agora me diga, quantas greves você já viu na sua experiência nos EUA? Quantas manifestações de larga escala contra o governo? Quantas revoltas populares?
E... No Brasil?
A diferença é o quanto você pensa ou não pensa.

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 01:25



Comentário de: Alex Castro Email

Ana,

oi, desculpa o mau-jeito, mas tenho um certo cansaço desse folclore consolador compensatório do "eles dominaram o mundo, mas são burros e não pensam; quem é inteligente e tem pensamento crítico somos nós!"

Por que a gente não faz assim? Me arranja algum tipo de dado pra comprovar isso, algum dado educacional no qual o Brasil esteja melhor do que os EUA, aliás, não só um, pq um só não provaria nada, muitos e muitos. Então, uma vez q a gente estabeleça que os americanos são burrinhos e não pensam, aí a gente continua conversa, q tal?

Mas em suma, estou curioso pra saber com base em q vc concluiu q o americano nao tem pensamento critico...

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 01:49



Comentário de: Ana · http://cantoinverso.blogspot.com

Eu não disse que eles não têm.
Eu fiz escola aqui em Louisiana e pude notar a diferença de método.
As escolas de mestrado e doutorado são bem diferentes.
Eu acho que falta muito pensamento crítico aos brasileiros. Não acho o Brasil melhor que os EUA nem o povo brasileiro melhor ou mais inteligente.
Só falei algumas coisas jogadas porque do jeito que você escreveu parece que o preconceito aqui é altamente benéfico e que o preconceito no Brasil causa imobilidade social.
E eu não entendo porque você tem mil preconceitos em relação ao que as pessoas escrevem no seu blog, e vem cheio de pedras na mão. A conclusão que eu cheguei, até por esse post é que você acredita que discórdia põe a mesa e faz a cama. Você tem razão até certo ponto. Mas se você vicia em discórdia só pela discórdia, você perde muita coisa no meio do caminho.
Inclusive meu carinho e admiração pelo blog e por você.

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 02:07



Comentário de: Ana · http://cantoinverso.blogspot.com

se você assistir 10 minutos de Jay Leno na NBC você vai ver que essa não é a minha opinião compensatória...

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 02:10



Comentário de: Alex Castro Email

Ana,

desculpa se te ofendi, mas essa sua opiniao eu já ouvi mil vezes, e em geral é fruto de despeito. não sei se é o seu caso pq nao te conheco.

mesmo vc tendo estudado aqui, vc estaria falando da sua propria experiencia, baseando-se apenas em uma ou poucas escolas. alguem poderia contra-argumentar q nao é o sistema americano que é ruim, a escola que vc frequentou é que é fraca, etc.

por isso, falei que se vc quiser comecar a conversa por aí, cabe a vc, antes de tudo, se nao provar, pelo menos mostrar de onde foi q vc tirou essa sua opiniao de que americano nao tem pensamento critico...

só isso.

agora, se vc me faz uma afirmacao peremptoria, preconceituosa e generalizante, eu peço pra vc dizer de onde vc tirou isso e comprovar essa afirmação, e essa resposta te ofende ou te faz perder o carinho por mim, paciencia. nao te critiquei, nao te detonei, nem mesmo discordei. só pedi (civilizadamente) pra vc abalisar sua opiniao. de preferencia comparando indicadores educacionais do Brasil e dos EUA.

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 02:21



Comentário de: Ana · http://cantoinverso.blogspot.com

ah, desculpa, eu esqueci que o blog é para ser um debate com argumentos comprovados por dados e estatísticas e não minha impressão sobre o mundo, foi mal.

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 02:26



Comentário de: Ana · http://cantoinverso.blogspot.com

O que me ofende é o preconceito que você mesmo admitiu: nem me conhece e classificou o que eu falei como uma idéia pré-concebida que você já "ouviu mil vezes".
Sendo que eu falei ensino básico e citei exemplos de estados.
Enfim, que seja.

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 02:30



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Alex:

"Ou seja, a KKK pode existir mas eu, se for membro, não posso dizer pro meu filho que é bom ser membro da KKK? Hmmm, isso não faz mt sentido, perdão." (Alex)

Opa! Não faz sentido mesmo, tens toda razão. Mas não foi isso que eu disse. Eu disse que me preocupa "que malucos ao estilo Ku-Klux-Klan doutrinem e fanatizem seus filhos livremente porque o Estado aceita que os pais filtrem toda e qualquer informação que deve ou não chegar a eles".

A forma como eu acho que deve ser evitada essa doutrinação fanatizante é através da exposição à multiplicidade de idéias, do estímulo à formação do senso crítico e de uma educação voltada para a fraternidade e a solidariedade.

Ou seja: os pais podem ensinar o filho a torcer pro clube que quiserem, mas na escola o professor vai ensinar que o time adversário é apenas o time adversário, não é um corja de cretinos que tem que ser espancada na saída do estádio. Os pais podem transmitir a religião que quiserem, mas na escola o professor vai ensinar que o Estado é laico e que as pessoas que acreditam em coisas diferentes são cidadãos que merecem respeito.

Não acho razoável coibir as escolhas individuais, mas também não acho razoável um "libera geral" irrestrito que termine cerceando liberdades no futuro. Para manter o máximo de liberdade é necessário cercear a liberdade de cercear a liberdade.

"Exatamente qual é a mudança que vc está propondo?" (Alex)

Uma mudança de enfoque na educação. Não se trata de maquiar a história, mas de apresentar a história conforme outro quadro conceitual. Explico.

A história hoje é ensinada de modo linear: primeiro aconteceu isso, depois aconteceu aquilo, mais tarde aquilo outro. Da direita à esquerda, do idealista ao materialista, do cartesiano ao dialético, todo mundo ensina história assim: uma seqüência de acontecimentos.

O problema de apresentar a história como uma seqüência de acontecimentos é que isso não gera a noção de categoria de fenômenos, e aí ficamos todos presos ao fenômeno isolado da escravidão que houve no Brasil, em que brancos escravizaram negros, sem reconhecer que a escravidão foi um fenômenos recorrente na história da humanidade e que nunca se limitou a essa configuração específica de raças, tendo também havido brancos que escravizaram brancos, negros que escravizaram negros e negros que escravizaram brancos.

Contextualizar um evento dentro de uma categoria de fenômenos permite trabalhar com a estrutura da categoria, ou seja, permite ver a floresta sem se ater exclusivamente às árvores. No caso específico do racismo, a constatação de que todas as raças já escravizaram todas as raças destrói inapelavelmente as noções de superioridade e inferioridade raciais. Ensinada em tenra idade, essa informação é uma vacina contra o racismo.

Aliado a esse quadro conceitual, ensinar que vivemos em uma época em que estamos tentando construir a cidadania de todos gera orgulho nas crianças e adolescentes, que possuem uma informação histórica com a qual estabelecer um contraste amplamente favorável. Então a próxima geração não tem um problema vergonhoso a combater, mas uma realidade a construir da qual se orgulhar.

Sempre lembrando que quando se combate algo é no outro que está o problema, mas quando se constrói algo é em nós que está a solução. E o que é mais produtivo? Criticar o outro, o que o colocará na defensiva e o fará inventar justificativas para suas ações? Ou ter um motivador interno, que fará cada um dar o melhor de si?


PermalinkPermalink 08.09.09 @ 02:30



Comentário de: Alex Castro Email

"ah, desculpa, eu esqueci que o blog é para ser um debate com argumentos comprovados por dados e estatísticas e não minha impressão sobre o mundo, foi mal"

hahaha, claro que nao. vc pode simplesmente dar sua impressao sobre o mundo. tanto pode que seu comentario está aí, firme e forte, nao foi censurado nem apagado. vc pode citar dados. vc pode me xingar. vc pode colar uma poesia da cecilia meirelles. em suma, vc pode fazer o que quiser aqui nos comentarios. e eu tb posso pedir pra saber de onde vc tirou suas opiniões, uai. :)

alias, o q vc faz aqui na Louisiana?

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 02:30



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Dr. Plausível:

"¿Agora todos teremos q ouvir todas as opiniões de qqer gato-pingado q vira presidente?" (Dr. Plausível)

HAHAHA!!! Tá certo, pra que ouvir o que esse zé mané irrelevante tem a dizer, né? :)

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 02:35



Comentário de: Alex Castro Email

"O que me ofende é o preconceito que você mesmo admitiu: nem me conhece e classificou o que eu falei como uma idéia pré-concebida que você já "ouviu mil vezes". Sendo que eu falei ensino básico e citei exemplos de estados.

Ana, mais uma vez, me desculpa, mas afirmativas generalizantes como essa sua, especialmente quando contém uma crítica sobre todo um povo e não são corroboradas por dados empíricos, em geral são consideradas puro preconceito. Basicamente, vc falou que americano é burro. Outros, dizem que francês fede, que judeu é pão-duro, que baiano é preguiçoso, etc.

Se vc quer falar que todo um povo é burro e não tem pensamento critico, vc até pode. mas tem que saber q, a nao ser que vc comprove essa sua afirmação com ALGUM TIPO DE DADO EMPÍRICO, as pessoas vão ouvir e vão te considerar tão preconceituosa quanto quem fala que francês é fedido e que judeu é pão-duro...

em suma, quem fala o que quer ouve o que não quer...

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 02:37



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Opa, eu estava tão concentrado escrevendo que perdi três rounds do Alex e da Ana. :P

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 02:42



Comentário de: Alex Castro Email

Arthur

"Não acho razoável coibir as escolhas individuais, mas também não acho razoável um "libera geral" irrestrito que termine cerceando liberdades no futuro. Para manter o máximo de liberdade é necessário cercear a liberdade de cercear a liberdade."

Ainda bem que as suas noções do que é ou não razoavel não são impostas a mim! Alias, vc sabia que nos EUA, se uma familia discordar da linha política ou educacional no governo, ela pode educar seu filho em casa - basta pra isso todo ano o filho fazer uma prova comprovando que tem um conhecimento basico dos fatos que teriam sido ensinados na escola no ano q estaria cursando? com certeza, vc deve achar isso anti-democratico....

"O problema de apresentar a história como uma seqüência de acontecimentos é que isso não gera a noção de categoria de fenômenos, e aí ficamos todos presos ao fenômeno isolado da escravidão que houve no Brasil, em que brancos escravizaram negros, sem reconhecer que a escravidão foi um fenômenos recorrente na história da humanidade e que nunca se limitou a essa configuração específica de raças, tendo também havido brancos que escravizaram brancos, negros que escravizaram negros e negros que escravizaram brancos.

Contextualizar um evento dentro de uma categoria de fenômenos permite trabalhar com a estrutura da categoria, ou seja, permite ver a floresta sem se ater exclusivamente às árvores. No caso específico do racismo, a constatação de que todas as raças já escravizaram todas as raças destrói inapelavelmente as noções de superioridade e inferioridade raciais. Ensinada em tenra idade, essa informação é uma vacina contra o racismo.


qualquer bom professor de historia ensina isso. eu ensino isso pros meus alunos. isso é óbvio e básico. nao conheco ninguem q ensine racismo como uma coisa maniqueista. sim, os negros tb escravizavam negros, os indios escravizavam indios. Sim, a escravidão foi um fenomeno global. Mas e daí? Isso nega ou entra em conflito com alguma coisa q eu falei?

mas deixa eu ver, sua sugestao pra resolver o racismo arraigado e disseminado do brasil é ensinar a historia do brasil como ela jah é ensinada?

hmm, como historiador e prof de historia, eu acho q vc nos dá mt credito...

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 02:49



Comentário de: Ana · http://cantoinverso.blogspot.com

"a educação básica nos EUA, que não estimula o pensamento crítico."

ver Jay Leno, NBC.

ver http://www.lewrockwell.com/perry/perry26.html

ver http://www.youtube.com/watch?v=QbGQjA9pH4I

ver http://nces.ed.gov/programs/digest/d08/tables/dt08_410.asp

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 02:58



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Alex:

"vc sabia que nos EUA, se uma familia discordar da linha política ou educacional no governo, ela pode educar seu filho em casa - basta pra isso todo ano o filho fazer uma prova comprovando que tem um conhecimento basico dos fatos que teriam sido ensinados na escola no ano q estaria cursando? com certeza, vc deve achar isso anti-democratico...." (Alex)

Acho que vais te surpreender em saber que faz tempo que eu defendo fervorosamente a idéia de legalização do homeschooling no Brasil. Olha este tópico do Orkut:

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=88331&tid=5249242628987720127

Minha preocupação é com o mau uso desta liberdade. Aquele sujeito que cria o filho ensinando tudo que será pedido na prova mas com um ideário nazista ou coisa semelhante, sem que isso possa ser evitado porque a criança é avaliada somente em seu conhecimento e não em sua socialização.

"mas deixa eu ver, sua sugestao pra resolver o racismo arraigado e disseminado do brasil é ensinar a historia do brasil como ela jah é ensinada?" (Alex)

HAHAHA!!! Ô Alex, a história não é ensinada do jeito que eu sugiro, não. Não vi o estilo de ensino que sugiro em lugar algum nos últimos vinte anos, quando comecei a me dar conta da falta de compreensão do sejam categorias de fenômenos em todas as disciplinas. E muito menos eu vi usarem a informação como uma boa vacina.

Meus alunos de biologia (no tempo que dei aula) saíam das aulas questionando coisas como a influência da densidade demográfica urbana na gênese da violência. Se eu apenas mostrasse que ratos amontoados em gaiolas se matam uns aos outros mesmo tendo água e alimento a vontade, pouquíssimos dariam o passo seguinte. Trabalhar categorias de fenômenos é um enfoque poderoso.


PermalinkPermalink 08.09.09 @ 03:23



Comentário de: Alex Castro Email

De Martinho da Vila ontem em entrevista sobre o sistema de cotas para negros nas universidades para o Canal Uerj, que será exibido no dia 15 pela NET:

- Sou favorável, já valeu para identificar os racistas enrustidos. Todos mostraram as suas caras.

(fonte: http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/#220712 )

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 03:35



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Hilário alguém decretar que quem é contra o sistema de cotas é automaticamente racista. :P

(Vou nessa, são quase quatro da matina e bateu o sono. Boa noite, bom dia ou boa tarde, sei lá que horas são no teu fuso horário.)

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 03:54



Comentário de: Baxt · http://www.baxt.net/blog

Se eu nao conhecesse o autor desses paragrafos aqui, diria que eh uma pessoa burra:

"Quer dizer q se um pai quiser "doutrinar" seu filho pra ser flamenguista, marxista, catolico, entao pode. Mas se quiser "doutrinar" seu filho pra ser membro da KKK (que, alias, é uma organização legalmente constituida aqui nos EUA) entao nao pode? Ou seja, a KKK pode existir mas eu, se for membro, não posso dizer pro meu filho que é bom ser membro da KKK? Hmmm, isso não faz mt sentido, perdão.

E se aceitarmos que o estado permita que os pais doutrinem os filhos em algumas coisas e nao em outras, quem vai fazer essa distinção? Quem vai ser esse genio q vai se arrogar saber educar melhor todas as criancas da nacao do que os seus proprios pais?"

Sim, Alex, alguem tem que definir a linha. Dizer pro meu filho que deus existe ou nao eh problema meu. Mutilar a genitalia da minha filha nao.

Negar uma transfusao de sangue a uma crianca e mata-la nao eh "democratico."

Existem duas solucoes faceis nesse caso:

1 - libera tudo, viva a democracia
2 - libera nada, viva o controle

Solucoes faceis e BURRAS. Mas nos vivemos num contrato social e vc sabe disso.

ONDE colocar a linha eh que eh dificil. Mas fugir dessa questao (e liberar geral) eh covardia.

Quem define a linha? O governo, JUNTO com a sociedade, JUNTO com a imprensa, JUNTO com grupos organizados, JUNTO com sei la mais quem. Eh dificil para cacete, mas fugir dessa dificuldade e liberar geral eh antietico, eh irresponsavel.

Vc sabe muito bem dos riscos da relativizacao exagerada, pelamordedeus.


PermalinkPermalink 08.09.09 @ 10:48



Comentário de: Ricardo

ok, you mothefucker mindfucker.
Pela primeira vez você me sensibiliza sobre esse assunto. To pensando...


PermalinkPermalink 08.09.09 @ 10:51



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Golgo,
Aprovei tua proposta das 2.30. Acho q o Alex não aprovou pq a entendeu como propondo intervenções do professor, e não como política de educação.

"HAHAHA!!! Tá certo, pra que ouvir o que esse zé mané irrelevante tem a dizer, né?"

Sim. Vc tem o direito de agir baseado na opinião de q um presidente eleito por 100 milhões de cidadãos por (apenas) 4 ou 5 anos é um zé mané irrelevante q não tem nada q preste pra dizer. Aliás, ¿não é assim q muita gente trata o Lula?

Alex,
É claro q "uma democracia onde todos os cidadaos tem direitos iguais vai ser uma sociedade em eterno conflito interno [com] cada cidadao ou grupo de cidadaos [puxando] a sardinha pro seu lado". Só q tbm o Brasil é exatamente isso. No Brasil, todas as raças têm os mesmíssimos direitos. O q vc tem colocado em teu blogue tem mais a ver com as [b]obrigações[/b] entre as raças, em particular as obrigações de uma "raça branca" idealizada com uma "raça negra" idealizada. Todos concordam q todos têm direito à educação; mas qdo vem a obrigação de pagar, aí tem gente q chia.

Por outro lado, não sei de onde vc tirou aquele primeiro parágrafo. Concordo quase integralmente com teu artigo; eu tava apenas comentando q muita coisa q vc tá chamando de 'democracia' é na verdade 'livre-arbítrio' ou 'liberdade de expressão'. Com vc confundindo as três coisas, e o Golgo confundindo 'informação' e 'opinião', algumas partes do diálogo aqui tão meio... meio... ãã... meio EXATAMENTE a baderna q eu vivo dizendo q o português causa.

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 12:08



Comentário de: Kitagawa

"Hilário alguém decretar que quem é contra o sistema de cotas é automaticamente racista."

Não foi bem isso que ele disse. O que acontece é que muita gente nesse debate meio que "se entrega". A maneira como alguns contrariados se jsutificam apaixonadamente com retoricas absurdas, mirabolantes, fantasiosas, histericas, preconceituosas... Dá quase pra sentir o cheiro do medo que o cara sente ao vislumbrar os territorios da sua classe média branca sendo invadidos pela "negraiada", como se isso fosse o fim do mundo. Mas procuro conceder o beneficio da duvida a essas pessoas, não sejamos preconceituosos.

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 18:55



Comentário de: cottonboy · http://www.fotolog.com/cottonet86

Plausivel

"No Brasil, todas as raças têm os mesmíssimos direitos."

Só faltou voce falar que o Brasil é uma meritocracia. Ai eu desisto de ler a discussao que está rolando aqui e vou pra casa.

"ter os mesmo direitos" e "ter as mesmas oportunidades" são coisas semelhantes, por´m, totalmente diferentes.

Um negro tem todo o direito de comprar um ecosport... mas corre o risco de ser agredido por seguranças do cerrefour por estar "roubando o próprio carro".

Brancos e negros tem todo o direito de vestir um terno. Mas o branco de terno será um executivo e o negro de terno será motorista, ou segurança.

É aí que está parte do problema...


PermalinkPermalink 08.09.09 @ 19:26




Kitagawa,
Mesmo com o respeito q tenho por vc, q não é pouco, não deixa de ser meio engraçado pra mim q minhas opiniões tejam em algum lugar no meio dessas "apaixonadamente justificadas e contrariadas retóricas absurdas, mirabolantes, fantasiosas, histéricas e/ou preconceituosas".

Tou acostumado.

Acho q tanto vc como o Alex – e outros aqui q xingam obliquamente o q escrevo – estão tão cegos na opinião tácita e inquestionada de q a sociedade ocidental progressita, industrial e democrática, caso se realize plenamente, é a melhor opção de vida pro ser humano, uma opção cujo gozo é DIREITO democrático de todos, uma sociedade q no momento está excluindo certos grupos étnicos q sonham em fazer parte dela e gozar de todas suas benesses... estão tão cegos nessa opinião q, claro, partem do princípio q EU tbm acho uma maravilha participar dessa sociedade da qual os negros se dizem excluídos, e acham q eu parto dos mesmos princípios q vcs, ou seja, q é inquestionável o valor daquelas benesses; e tbm partem do princípio q os negros devem ou deveriam achar a mesma coisa, e devem ou deveriam almejar se travestir de europeus assim como vergonhosamente fazem os japoneses, os chineses, os indianos, e a patota toda. Tou fora. Acho essa sociedade uma merda, o fim do mundo: já falei disso em meu blogue (veja o linque).

E estão tão cegos na opinião tácita e inquestionada de q as palavras e frases q vcs dizem estão expressando claramente os pensamentos q vcs consideram claros q vcs têm, estão tão cegos nessa opinião q nunca percebem os trocentos mal-entendidos, as trocentas generalizações e classificações ilusórias, ambíguas, incoerentes e contraditórias q, essas sim, inflamam as discussões a ponto de grande parte do tempo cada debatedor estar falando de uma coisa diferente, q só ele entende; estão cegos prà constatação de q vcs tbm são produtos da mesma educação falha, defeituosa e incompleta q todo brasileiro sofre desde a mais tenra idade, e de q os problemas de comunicação, compreensão e interpretação q transparecem em caixas de comentários como esta são resultado dessas falhas, buracos e lacunas de educação, q vcs mesmos tbm têm. O fato é q em blogues, assim como na vida, só se fala de generalidades. Ninguém nunca vai resolver nada ou chegar a qqer conclusão. Principalmente pq existe sempre o preconceito de os outros estão falando do assunto com os mesmo termos e pressupostos. E não estão.

O q achei mais engraçado foi o "apaixonadamente". Não discuto essas coisas pq ponho nessa questão um investimento emocional ou de qqer outra natureza; discuto pq agora tou com tempo livre pra ficar bundando pela internet, e pq gosto de perscrutar a lógica das coisas. Se o assunto aqui fosse outro – como já foram outros –, eu taria discutindo igualmente. Sou, assumidamente, um dos caras mais fleumáticos, imperturbáveis, impassíveis e enfadonhos da internet. Qdo concordamos vc, o Alex e eu, vc jamais diria q tou falando "apaixonadamente" – apesar de q uso o mesmíssimo tom, a mesmíssima pontuação, as mesmíssimas palavras o tempo todo. Lembre-se q a entonação do texto escrito, quem dá é o leitor; então as "apaixonadamente justificadas e contrariadas retóricas absurdas, mirabolantes, fantasiosas, histéricas e/ou preconceituosas" só estão em tua cabeça. Mas vc tá perdoado; ¿como iria saber q não é o caso, se teu repertório de tipos conhecidos (ainda) não contém o meu?

¡Abraços fleumáticos e enfadonhos!

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 21:33




Cottonboy,
Acho q vc pegou o bonde andando. Pegando desde começo, fica claro q tá implícito no q eu disse q "no Brasil, todas as raças têm os mesmíssimos direitos q todas as raças têm nos Euá".

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 21:38



Comentário de: Eulalia

Puta texto.
Milton Santos uma vez disse estar contente porque os negros no Brasil estão começando a deixar de sorrir e passando a mostrar os dentes...
De acordo com tudo.
Só creio que tem uma complicação - nos EUA e potencialmente aqui, no sentido em que o professor observava, a questão racial é um dos aspectos da questão de classe. E nessa de retomar o conflito, trazê-lo à tona para que se torne uma crise e seja encarado como tal, corre-se o risco de perder a dimensão de classe do problema. Ou seja, de que o negro lute pelo direito de, ele também, estar do lado do opressor. E creio que neste ponto talvez estejamos mesmo em desacordo, a julgar pelo nome do blog - estou entrando pela primeira vez...


E VIVA MALCOLM X!!!

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 23:04



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Dr Plausível:

Interessante me chamares de "Golgo", o nome do meio. Somente um professor do segundo grau e uma colega defensora dos DH me chamam assim. (Fica à vontade, eu atendo por todos os meus nomes na boa.)

Mas enfim, vamos ao tema:

"Vc tem o direito de agir baseado na opinião de q um presidente eleito por 100 milhões de cidadãos por (apenas) 4 ou 5 anos é um zé mané irrelevante q não tem nada q preste pra dizer. Aliás, ¿não é assim q muita gente trata o Lula?" (Dr. Plausível)

1) Podemos concordar ou dicordar do que diz o presidente da nação mais poderosa do mundo, podemos até ignorá-lo, mas mesmo que ele seja uma besta como o George W. Bush não podemos considerá-lo um zé mané irrelevante nem impor censura sobre seus pronunciamentos a quem está construindo sua cidadania. Pelo menos não se pretendemos dizer que somos democráticos. Ou democracia se coaduna com censura prévia?

2) Não vou dizer minha opinião sobre o Lula e o PT porque em geral eu evito escrever palavrão. Mas eu ouço e leio o que ele diz antes de criticar. E - embora seja raro - vez ou outra concordo com o que ele diz. (Se o diabo mentisse sempre, nunca nos confundiria. Oposição cega é estupidez.)

Ah, concordo integralmente que "a entonação do texto escrito, quem dá é o leitor". Volta e meia sofro com isso na internet. Vamos fazer campanha para incluir o uso de emotícones na norma culta? :) (Ih, Arthur, **corre**!)

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 23:09



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Kitagawa:

"Dá quase pra sentir o cheiro do medo que o cara sente ao vislumbrar os territorios da sua classe média branca sendo invadidos pela "negraiada", como se isso fosse o fim do mundo." (Kitagawa)

Eu acho divertido esse tipo de teoria da conspiração.Parece que eu e outros brancos nos reunimos escondidos em porões escuros para confabular: "raios, estes negros estão tomando o 'nosso' lugar, o que faremos agora?"

Organização racial branca, quando há, são meia dúzia de marombeiros abobados de cabeça raspada vestindo coturnos e regatinhas pretas praguejando ao redor de símbolos nazistas. Não existe o menor sentimento de classe unindo os brancos.

Quando eu me posiciono contra qualquer tipo de cotas (exceto para deficientes), não estou defendendo uma classe, uma raça ou qualquer grupo. Estou defendendo pessoas que serão injustamente prejudicadas por políticas racistas porque há grupos de pressão tentando auferir privilégios para si ao invés de verdadeira justiça social.

Eu não reconheço outro sujeito de cidadania que não o ser humano único, individual, seja qual for o sexo, a raça, a crença, a visão política, etc. Quando eu falo em justiça social eu não penso em grupos, penso em pessoas. Exatamente por isso eu insisto em trabalhar as tais categorias de fenômenos com meus alunos, pois eles começam a perceber que os qualificadores de todos os agrupamentos humanos são extremamente semelhantes quando observados sob uma perspectiva suficientemente ampla.

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 23:33



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com/

Golgo (chamo assim pq, entre teus nomes, é o mais distintivo),

Pingos nos is:

1) Impedir um filho ou quem quer q seja de ouvir o q dirá o presidente, por mais imbecil, não é algo q EU faria; só reconheço o direito de qqer um fazer isso com seu filho, assim como o impediria de ver filme pornô; uma pessoa q faz isso, assim como já conhece o conteúdo de filmes pornô, tbm já (pensa q) SABE o q o presidente vai dizer e já tem sua opinião formada; ninguém tem obrigação de ser culto e bem-informado, nem de educar seus filhos segundo o q OUTROS consideram culto e bem-informado.

2) Se vc ouve e/ou lê antes de criticar, ótimo; é assim q eu faço tbm; mas tem dois problemas em prescrever isso: primeiro, q vc não pode acusar os outros de não serem vc; segundo, q o ideário dos democratas é bem conhecido pelos republicanos, e vice-versa; se o republicano já considera o ideário do outro uma ladainha, ¿pra quê vai se dar ao trabalho de ouvi-la mais uma vez?

E tem mais uma coisa: essas notícias chegam aqui como "os pais republicanos vão impedir seus filhos de ver o pronunciamento do presidente", qdo a verdade pode muito bem ser q apenas alguns gatos-pingados, uma percentagem mínima de republicanos cretinos e barulhentos DISSE q ia fazer isso e, desses, apenas uma parte fez. E nós aqui falando deles, e como se houvese uma enorme mobilização.

Sei lá. A aldeia global é uma bosta.

PermalinkPermalink 08.09.09 @ 23:33



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"A nossa foi pacífica porque foi uma assunto de pai pra filho no qual nada fundamentalmente mudou - a não ser para quem iam as receitas alfandegárias. Assim é fácil ser pacífico."

Uou - nao esperava um comentario burro dessse de quem estudou historia militar brasileira!

Comentario infeliz em um post muito bom.



PermalinkPermalink 08.09.09 @ 23:42



Comentário de: Rogério Santos · http://www.efemeridesbaianas.blogspot.com

Eu digo isso aos meus estudantes todo dia. Enquanto nós aceitarmos as desigualdades como coisas "normais", nada mudará.

Enquanto nós aceitarmos que pegar ônibus lotado, dormir na fila do posto durante duas noites para pegar uma senha para ser atendido daqui a três meses, morar num barraco na beira de um penhasco, pagar caro para assistir a uma partida de futebol num estádio imundo e todo desgraçado, dentre outras, são coisas normais, tudo continuará na mesma. Nós é que temos de nos conscientizar, pois quem está no poder não mudará nunca. Se a posição que os ricos ocupam é confortável e privilegiada, vocês acham que eles vão pensar em mudar?

Você falou tudo, Alex. Sangue correndo na rua é o que não falta mesmo. Em média trinta pessoas são assassinadas todo fim de semana aqui em Salvador, e é muito fácil saber qual é a cor da pele delas e onde elas moram.


PermalinkPermalink 09.09.09 @ 00:32



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

Dr. Plausível:

"E tem mais uma coisa: essas notícias chegam aqui como "os pais republicanos vão impedir seus filhos de ver o pronunciamento do presidente", qdo a verdade pode muito bem ser q apenas alguns gatos-pingados, uma percentagem mínima de republicanos cretinos e barulhentos DISSE q ia fazer isso e, desses, apenas uma parte fez. E nós aqui falando deles, e como se houvese uma enorme mobilização." (Dr. Plausível)

De fato, isso é muito plausível.

Sem trocadilho.

PermalinkPermalink 09.09.09 @ 00:51



Comentário de: Brisa Araujo

Hmmm... você me deixou pensando... Concordo que a falta de conflitos explícitos no Brasil demonstra um racismo ainda mais forte.
Aliás, quando você fala da paz, fico pensando na categoria de "guerra perpétua" do Foucault, para contrapor Kant.

No entanto, não sei se posso concordar que o conflito explícito denota instituições mais fortes, democracia plena... Talvez para o caso dos Estados Unidos, uma realidade que conheço apenas pela mídia (confesso que nunca cheguei a ler estudos a respeito da sociedade norte-americana... defeito de formação, mas com o tempo se resolve).

É que fico pensando no caso do Peru. É um país extremamente racista, abertamente racista... Um país onde ser indígena ou ter feições indígenas te tira direitos básicos, como sentar em um restaurante e comer (nem se você for uma empregada e estiver com a patroa, é permitido). É um país onde negros afirmam, aliviados: "bom, pelo menos não sou índio". E não podemos dizer, nem de longe, que o Peru é uma democracia institucionalmente bem sucedida. Não, não dá pra dizer isso num país em que um presidente (Fujimori) mandou entrar na sua maior universidade com tanques para acabar com a oposição dos intelectuais.

E a Guatemala, então? Don't get me started... O ódio mútuo entre índios e ladinos é notório. Uma ditadura militar empreendeu uma guerra que durou mais de 30 anos, acabando sistematicamente com aldeias apenas pela possibilidade desses indígenas abrigarem guerrilheiros comunistas na floresta. Sim, mataram milhares de indígenas apenas por viverem no lugar onde os guerrilheiros se escondiam, sem nenhuma comprovação de que eram realmente envolvidos, se tinham idéias socialistas (não que isso justifique qualquer coisa, mas apenas para mostrar como o indígena aí é praticamente visto como um não-ser).

Poderia citar inúmeros outros exemplos, tanto na América Latina como em outras partes...

A minha crítica ao seu texto é apenas essa: você acredita que dá para tipificar sociedades em mais ou menos democráticas através da presença de conflito explícito? Não sei se li bem seu esforço comparativo, mas ficou esse incômodo de fundo.

PermalinkPermalink 09.09.09 @ 18:11



Comentário de: Carlos Ramalhete · http://www.hjsonline.com

Alex, leio faz tempo o seu blog. De um tempo para cá, passei a deixar juntar pelo menos dez posts no feed para ler, justamente por vc ter derivado o seu interesse para assuntos e posições que para mim simplesmente não têm interesse ou são irritantes.
Na minha opinião, que não vale necessariamente nada, é o caso do teatro (acho chato) e do racismo. No caso do racismo, creio que posso dizer ter acompanhado o despertar público do seu interesse na questão, que me soa, infelizmente, como vc tendo engolido com anzol e chumbada uma categorização e um modo reducionista de ver o mundo que só fazem sentido no pequeno meio "liberal" americano. Um cara que escrevia coisas interessantes virou articulista-padrão da Alternet. É uma pena, pq é muito mais fácil achar articulistas-padrão da Alternet que gente interessante. Note que a minha reclamação teria sido a mesma se vc tivesse virado articulista-padrão do Worldnet Daily ou do Lew Rockwell. São todos reducionistas, cada um com o seu martelo de estimação transformando em pregos tudo o que percebem como problema.
O que me incomoda, me decepciona, na verdade, é como vc - que, no começo, com as dvertidas "prisões", etc., estava a caminho de redescobrir, reinventar de modo moderno um monte de idéias da filosofia helenística sem se dar muito conta disso, caiu ao tratar de racismo na armadilha de uma categorização rasa e banal de conflitos e questões muitíssimo mais profundos.
Do mesmo jeito com é idiota dizer que o Brasil é um paraíso racial, é idiota construir uma política identitária biunívoca à moda americana. Lá, é-se preto ou branco, democrata ou republicano, "winner" ou "loser". "Either/or".
Nossa cultura não aceita soluções biunívocas. Ela não as aceita exatamente por ter em sua base cultural uma noção de hierarquia muito mais complexa, em que milhares de aspectos (dentro os quais a etnia aparente, sem dúvida) definem a colocação de uma pessoa na sociedade.
Isto fez com que, ao longo da história, fosse possível a muita gente boa se colocar (ou nascer) em uma situação tal que o talento, as amizades, o padrinho, as companhias, o lugar onde se amarrou a égua, sei lá, tivessem um poder de definição maior que a mera cor da pele.
Quando americanos do sul, derrotados na guerra civil, vieram se estabelecer em SP (dando-nos o "r" torto dos paulistas pé-vermêio e a Rita Lee), o maior choque deles foi descobrir que gente que eles caracterizariam sem pensar como negros eram donos de fazendas e tidos como brancos. Do mesmo modo, africanos ou filhos de africanos compravam a liberdade e tornavam-se mestres de escravos.
Isto não é um indicativo de um paraíso racial em que a cor da pele é invisível, mas indica uma sociedade em que a etnia aparente é um de muitos fatores que definem uma posição única de uma dada pessoa dentro da sociedade. O João, no Brasil, é diferente do José. A cor da pele, o formato do nariz e dos lábios, o cabelo, tudo isso pode ser, e frequentemente é, parte do quadro que indica, e meramente indica, algo sobre a posição desta pessoa. Frequentemente, contudo, o cara que passa por negro no RS e é indubitavelmente branco na Bahia (se não me engano, já houve um comentário assim no blog uma vez, não?, em que um gaúcho ficou espantado com sua auto-categorização como branco pq pelas suas fotos ele te via como negro) tem a sua posição social muito mais precisamente definida pelo seu círculo de amizades que pela sua pele ou traços físicos.
A maior queixa das monarquias mais tradicionais da Europa em relação à monarquia portuguesa era justamente que nesta era relativamente fácil um plebeu se tornar nobre, e era muito comum a nobreza que não passava para as próximas gerações. Em comparação com a França do Antigo Regime, na monarquia portuguesa (de que o Brasil é fruto) havia uma possibilidade gigantesca de mudança de nível social.
Não se trata de igualitarismo; igualitarismo pressupõe uma visão moderna de mundo, que no Brasil nunca foi além das fronteiras da Zona Sul e dos Jardins, e mesmo assim lá só existe da boca para fora, como vc bem sabe.
Trata-se, sim, de uma sociedade que conseguiu passar relativamente ilesa pelos enormes conflitos criados com o revolucionismo moderno, uma sociedade em que a revolução - no sentido de agrrar o mundo a unha e fazer dele algo diferente, à força, como queriam os revolucionários franceses, os nazistas, os comunistas, os capitalistas e quanto mais "istas" vc encontrar - nunca foi fundo. O maior fenômeno de contestação brasileiro foi uma conta-revolução, monarquista e conservadora (Canudos).
Isto, sim, é bom. É um modo de permitir que injustiças e abominações tão asquerosas quanto a escravidão ou a pressuposição de inferioridade de alguém devido à cor da pele ou o formato dos olhos ou do nariz sejam resolvidas aos poucos, sem criar nem povos distintos convivendo e brigando no mesmo território (basta ver como os negros americanos têm uma chance muitíssimo maior que a dos brancos de serem presos: foram trancados em um gueto, em uma cultura que não é condizente com a cultura dominante branca. Tal como os comunistas usavam a Sibéria e os nazistas os campos de concentração, os capitalistas usam as cadeias para guardar quem não se encaixa no projeto de mundo lá deles).
Uma estrutura social semi-rígida, em que é possível modificar o equilíbrio dos fatores de determinação de posição (amizade vale mais que cor da pele, e a preta bonita casou com o Manoel branco azedo e teve filhos bonitos de tez intermediária entre os pais...), é sem dúvida muito melhor que a outra opção, que é o conflito aberto em que apenas pode ganhar o mais forte.
Pode parecer ofensivo aos pios ouvidos de quem acha que a democracia é necessariamente a melhor forma de governo (os mesmos que em geral reclamam de quem é eleito e reclamam da programação democrática da TV aberta, aliás), mas, para o camponês que só queria cuidar da vida dele, a Pax romana era infinitamente melhor que a opção única das guerras tribais.
Temos, sim, uma espécie de Pax romana. E, como a original, é uma forma de organização social que, fugindo ao conflito direto, deixa abertas milhares de brechas e portas para que possa haver ascensão (e queda) social. Estão aí os imperadores romanos oriundos de terras bárbaras que não me deixam mentir.
O mesmo mecanismo torna mais difícil a ascensão e a queda, sem dúvida, quando comparado com uma sociedade moderna como a americana, em que basta ganhar dinheiro para ser elite devido a pressupostos igualitaristas (negados na prática, como toda a modernidade, pelas presunções que tanto irritaram a moça filha do nigeriano).
Para vc ou para mim, oriundos de uma classe média superior, é mais difícil ir parar na sajeta que para o filho do trocador do ônibus. Mais difícil, mas não impossível. Do mesmo modo, é muito mais difícil para o pretinho do morro - que não conhece ninguém, que não tem outros fatores que possam sobrepujar a percepção da cor da pele como indicativo de posição social - "subir na vida" que seria para um de nós, "nobres falidos".
Note que não é apenas o dinheiro que entra na equação como fator extra-racial de identificação de classe, mas também, e principalmente, as amizades, os conhecimentos, o modo de ver o mundo.
Reduzir uma situação de tamanha complexidade a categorizações biunívocas importadas de uma sociedade em que as bases calvinistas (dupla predestinação, "either/or") tendem a fazer com que quaisquer definições sejam dadas sempre em termos binários, só serve para piorar a situação dos que já estão por baixo.
Em uma sociedade em que ser negro ou ser branco já é o componente identitário primário de uma pessoa, faz sentido tentar levantar uma categoria por meios semi-ditatoriais (cotas, etc.). Não digo que funcione (já é outra discussão), mas faz algum sentido.
Já em uma sociedade em que uma miríade de fatores disputam a identificação única de cada pessoa (o "neguinho do morro" cuja mãe trabalha para o delegado de polícia federal tem as costas mais quentes que aquele cuja mãe trabalha no supermercado, por exemplo), uma categorização simplista só faz aumentar o peso específico daquele componente na formação identitária e despertar animosidades que antes seriam contrabalançadas por outros fatores identitários. Gente cuja cor da pele ou tipo de cabelo não seria um componente importante da formação identitária devido à preponderância de outros fatores passa a sofrer as mesmas consequências que outros que não teriam estes fatores a seu favor, sem melhorar s situação dos que não os teriam.
O conflito aberto, que é anátema na nossa sociedade, só pode ter como consequências uma ostracização maior e mais aberta dos que são percebidos como fomentadores dele. A pregação racialista aberta só faz, na nossa sociedade, crescer o racismo.
Na minha opinião, mais vale procurar ajudar individualmente o sujeito que é pobre (e pode ser preto) mas tem talento a vencer as barreiras que dificultam sua ascensão social que garantir com uma cota que ele seja sempre tido como alguém que teve uma vantagem injusta e nunca teria capacidade de subir na vida se não fosse pela vantagem dada pelas cotas.
Sim, eu sei que o filhinho de papai tem vantagens devidas à sua posição, que é parcialmente indicada pela cor branca da pele, e o negro tem que vencer estas barreiras.
Se, contudo, ele não as vencer, mas for simplesmente colocado acima delas, a sua competência vai estar smepre em questão.
Eu, pessoalmente, sempre prefiro um profissional de nível superior com a pele bem escura ou com o sexo feminino: são provas de excelência!, na medida em que a pessoa conseguiu sobrepujar fatores que a arrastam para baixo.
Quando começarem a ser formados os cotistas, temo que muita gente passe a tomar a decisão inversa, e o racismo aumente exponencialmente.
Chega, já escrevi pacas. Abraço.

PermalinkPermalink 10.09.09 @ 08:28



Comentário de: Alex Castro Email

A minha crítica ao seu texto é apenas essa: você acredita que dá para tipificar sociedades em mais ou menos democráticas através da presença de conflito explícito?

nao. claro q nao. mas acho melhor um conflito aberto onde fique clara a posição de cada um e o assunto no qual "discordam" do que o eterno cinismo, silencio e deixa-disso brasileiros que só servem pra encobrir uma situacao incrivelmente violenta tb

PermalinkPermalink 10.09.09 @ 11:30



Comentário de: Alex Castro Email

carlos,

seu post é mt longo, mas nao sei de onde vc tirou q comprei um discurso ready-made aí. vivo nos eua e brigo aqui todo santo dia com os americanos q tem essa visao simplista e reducionista do brasil. como no exemplo que vc colocou, o que é fascinante de estudar raça no brasil é justamente o fato da situacao nao ser simples e nem binaria, e de ""o "neguinho do morro" cuja mãe trabalha para o delegado de polícia federal tem as costas mais quentes que aquele cuja mãe trabalha no supermercado," etc. Se vc acha q nao sei disso, ou q adoto o meio americano de ver e pensar raça, vc precisa ler os textos direito.

Eu, pessoalmente, sempre prefiro um profissional de nível superior com a pele bem escura ou com o sexo feminino: são provas de excelência!, na medida em que a pessoa conseguiu sobrepujar fatores que a arrastam para baixo.

haha, eu tb sempre prefiro ser servido pelo melhor profissional possivel. vc já viu alguem dizer o contrário?

Quando começarem a ser formados os cotistas, temo que muita gente passe a tomar a decisão inversa, e o racismo aumente exponencialmente.

entao pq será que isso nao aconteceu em nenhum dos lugares onde as cotas foram adotadas nos ultimos 40 anos, dos EUA a Africa do Sul? como funciona esse negocio de ter medo hipotetico de um troço que a gente sabe, por experiencia, que nunca aconteceu?

PermalinkPermalink 10.09.09 @ 11:43



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Carlos,
Interessante, teu comentário.

Vc vê a sociedade meritocraticamente. Pra vc, implicitamente, gente q não deveria sofrer preconceito é gente q se esforça, gente inteligente, batalhadora. Só q a maior parte do mundo é gente q trabalha por inércia, não é muito inteligente, e só quer levar uma vida confortável, sem heroísmos e/ou muito esforço. Portanto, a maior parte das negros q sofrem preconceitos TAMBÉM é de gente q trabalha por inércia, não é muito inteligente, e só quer levar uma vida confortável, sem heroísmos e/ou muito esforço. Só q esses TAMBÉM não deveriam sofrer preconceito. Tua visão tá cega a estes; e o racismo contra ESTES é q o problema.

Te perdôo essa falha pq obviamente vc concorda comigo em q a solução é a hipocrisia.

PermalinkPermalink 10.09.09 @ 12:26



Comentário de: Carlos Ramalhete · http://www.hjsonline.com

Alex> seu post é mt longo,

Foi mal aí. :)

Alex> mas nao sei de onde vc tirou q comprei um discurso ready-made aí.

Basicamente pq reduz um fenômeno extremamente complexo de que a etnia percebida é uma parte a uma definição identitária baseada em "raça", o que é um fenômeno americano. "Negros sofrem". Sofrem, claro, mas o Ronaldo Fenômeno deixou de fazer parte do grupo de sofredores... e tbm do grupo de "negros". Quem sofre é o cara que é facilmente identificado como sem pistolão, sem eira nem beira, e infelizmente é este ainda o caso de enorme parcela da população cuja pele é mais escura que os 30% mais ricos (cor-que-indica esta que será diferente de acordo com a região do Brasil em que a pessoa está;).

A identidade baseada em critérios étnicos ("one-drop", etc.) é um fenômeno americano, não brasileiro. Aqui é muito mais importante ser filho de Fulano e amigo de Sicrano que ser membro de um dado grupo identitário, racial ou não.

Isto ocorre justamente pq a sociedade brasileira não é igualitária. Vc gosta de igualitarismo, acha bom, etc., me parece. Eu, pessoalmente, acho devaneio, e devaneio perigoso, dos que levam a querer mandar para a Sibéria/Auschwitz/cadeia quem não se encaixa no molde.

Na nossa sociedade não-igualitária, não há fatores que formem uma identidade ("negra", "branca", etc.), apenas fatores que *podem ajudar a perceber* uma identidade única e pessoal. E é aí que a cor da pele ou o formato do cabelo, etc., atrapalha muita gente boa.

Por outro lado, é exatamente o fato de sermos uma sociedade em que não há identidades grupais prontas, mas sim identidades pessoais mais semelhantes a nós em uma teia de relacionamentos, o que torna possível que haja uma ascensão social para qualquer um, ou mesmo um esquecimento de um dado fator como indicador de identidade posicional. Um bom exemplo disso é o dos japoneses em SP, que chegaram com uma mão na frente e outra atrás, mas que agora têm os traços étnicos percebidos como apontando para uma identidade pessoal de pessoa de classe média, com pistolões potenciais, etc. Do mesmo modo, a identificação que o gaúcho fez de vc como negro (mais ainda contraposta à sua identificação como indubitavelmente branco-azedo que um baiano faria) indica que uma cor de pele da cor da sua ou da minha (acho que sou mais escuro que vc, a julgar pelas fotos) (ainda?) indica mais fortemente uma pertença a classe social mais baixa no sul que na Bahia.

Alex> vivo nos eua e brigo aqui todo santo dia com os americanos q tem essa visao simplista e reducionista do brasil. como no exemplo que vc colocou, o que é fascinante de estudar raça no brasil é justamente o fato da situacao nao ser simples e nem binaria, e de ""o "neguinho do morro" cuja mãe trabalha para o delegado de polícia federal tem as costas mais quentes que aquele cuja mãe trabalha no supermercado," etc.

Em suma, o que é fascinante é tentar enfiar realidades redondas em buraco quadrados? :)

O problema é justamente partir do pressuposto de que o que está em jogo é "raça". Partir deste pressuposto força a um reducionismo tão brutal e tão daninho à percepção real da situação quanto, sei lá, usar uma categorização marxista-leninista para entender o estouro da bolha da internet. A percepção étnica é decorrente de fatores alheios à aparência física estrita, não o contrário. O Ronaldo Fenômeno e o Romário são indubitavelmente brancos para eles e para quem lida com eles, por exemplo.

Eu> Quando começarem a ser formados os cotistas, temo que muita gente passe a tomar a decisão inversa, e o racismo aumente exponencialmente.

Alex> entao pq será que isso nao aconteceu em nenhum dos lugares onde as cotas foram adotadas nos ultimos 40 anos, dos EUA a Africa do Sul?

Não conheço a situação da África do Sul. Nos EUA eu diria que isso seria fruto justamente da visão igualitarista (que implica por um lado em um valor maior do esfoeço pessoal e, por outro, em uma paradoxal negação deste esforço, como quando o americano doente estuda a doença na internet para discutir com o médico, percebendo-se como seu igual), somada ao nível de dificuldade maior dos estudos universitários aí (com ou sem cota, o cara tem que estudar bem mais para sair com o canudo que aqui, com raras e honrosas exceções dentre as universidades brasileiras).

Alex> como funciona esse negocio de ter medo hipotetico de um troço que a gente sabe, por experiencia, que nunca aconteceu?
Eu> Este sofisma, em que qualquer resposta estará validando um pressuposto com o qual não se concorda ("e aí, Alex, continua batendo na mãe?") se chama "questão complexa". :) Fiz igualzinho algumas linhas acima, liga não.

Não estou com medos hipotéticos, estou tentando projetar os efeitos da aplicação de uma solução imaginada para um problema americano na sociedade brasileira, baseada numa leitura errônea desta sociedade como tendo categorizações tipicamente americanas.

Dr. Plausível: eu não vejo a sociedade meritocraticamente. Estou me lixando pro mérito ou pra ascensão social. :)

Se eu achasse que ascensão social é bom negócio, não teria me formado em filosofia. Em todas as sociedades, sempre houve e sempre haverá gente que quer se dedicar a buscar conhecimento ou sabedoria, gente que só quer ajudar o próximo, gente que quer poder ou dinheiro, gente que quer só se divertir, gente que só quer continuar vivo e tomar uma cervejinha no fim da tarde (provavelmente a maioria). A cada um o que lhe agrada, desde que não tente forçar os outros a fazer isso ou aquilo.

Se o cara - preto, banco ou roxo com bolinhas verdes - "trabalha por inércia, não é muito inteligente, e só quer levar uma vida confortável, sem heroísmos e/ou muito esforço", ótimo, divirta-se. Precisa de tudo pra fazer um mundo.

O caso é que este cara nunca vai ter o poder ou o reconhecimento automático que têm os que têm contatos (assim como o cara que os têm vai acabar perdendo-os se agir assim). Se ele tem mais "cara de preto" que "cara de branco", na nossa sociedade, isso só vai fazer mais fácil o reconhecimento dele como presa fácil para o pequeno poder ciosamente guardado pelo porteiro, pelo PM ou por qualquer outro boçal de plantão.

Se ele não gosta de ser facilmente reconhecido como pobre, é a vida. Tá cheio de mulher feia por aí que queria não ser reconhecida como feia, está cheio de carecas que queriam ter cabelos, etc. (disclaimer: eu sou careca e raspo o pouco que sobra dos lados, por preguiça de pentear).

O caso é que maus-tratos a pessoas que são identificadas como presa fácil pela cor da pele só vão cessar quando a cor da pele deixar de identificá-las como presas fáceis (caso dos japoneses).

Dá pra acontecer. A mulheres feias estão numa situação bem mais difícil...

Ih, caracas, escrevi pra burro de novo. Mal aí.

PermalinkPermalink 10.09.09 @ 23:05



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Alex, o post é ótimo, o melhor da série. Ele me encheu de perguntas que sequer consigo verbalizar para mim mesmo. Concordo com muitas coisas, discordo de outras, mas sei que preciso rever meus preconceitos que sequer percebo que possuo. Tenho certeza de que, meditando sobre isso, ainda vou mudar muito de opiniões e aprender muito mais sobre o mundo e sobre mim mesmo.

Mas uma dúvida eu consegui verbalizar. Na verdade, eu sei que é uma dúvida quase cínica e primitiva, parece até sarcástica mas não o é e provavelmente é a mais importante para cada um.

Enfim, se certas coisas só se resolvem com derramamento de sangue, Que tenho de fazer para que o sangue derramado não seja o meu?

PermalinkPermalink 11.09.09 @ 12:30



Comentário de: Joao Paulo

Existe conflito SOCIAL no Brasil e isso explica em parte tanta violência. Dar corda pro surgimento de outros conflitos não me parece uma boa solução pra problema algum.

PermalinkPermalink 18.09.09 @ 15:16



Comentário de: Renato

Voce acredita mesmo que uma sociedade dividida e internamente conflituosa como a americana seria uma boa solucao pro Brasil? Talvez diminuir o preconceito com educacao seja mais saudavel. Talvez a prioridade do brasileiro nao seja o confito social, mas a tremenda falta de educacao. So pra constar: analfabetismo bahiano = 20%, da pra andar pra frente?

PermalinkPermalink 24.10.09 @ 10:25



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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
  • 73. Diamond, Jared. The Third Chimpanzee. The Evolution and Future of the Human Animal. [EUA, 1992] Set.
  • 72. Suzuki, Daisetz Teitaro. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Set.
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  • 66. Veríssimo, Luis Fernando. Histórias Brasileiras de Verão. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 65. Veríssimo, Luis Fernando. Novas Comédias da Vida Privada. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 64. Rodrigues, Nelson. O Óbvio Ululante. Primeiras Confissões. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 63. Lispector, Clarice. A Descoberta do Mundo. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 62. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1900-1920] Ago.
  • 61. Alencar, José de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1860] Ago.
  • 60. Machado de Assis, Joaquim Maria. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1870-1900] Ago.
  • 59. Mankell, Henning. The Fifth Woman. [Suécia, 2000] Ago.15
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