Vocês não fazem idéia como me divirto com esse blog.
O tema do post "Do Pudor" naturalmente não era sexo, mas sim as expectativas dos outros, a vergonha do íntimo e do privado, a necessidade de aceitação, etc. O KY e as camisinhas ao lado da minha cama foram mencionados porque sem isso não haveria reflexão, mas não foi dado nenhum detalhe sexual ou picante, não se mencionou com quem eu transo, quantas vezes, o que faço na cama, o tamanho do meu pau, essas coisas.
Então, ao invés de fazerem a reflexão que o texto convidava, muitos leitores ficaram presos no KY e nas camisinhas - o que diz muito mais sobre suas percepções e suas prioridades do que sobre minha vida sexual e os temas do meu blog, claro. Quem lesse os comentários abaixo pensaria que o post era sobre minhas façanhas sexuais: me chamaram de vaidoso, disseram que faço isso pra me gabar e pra mostrar como sou libertino (já que teoricamente não sou mais nem liberal nem libertário), que estou carente de sexo (?!), que minha ereção não deve durar até ir no banheiro pegar a camisinha, que gosto de tomar no cu, que gosto de comer cu, etc etc.
Quase sempre - vejam se não é sensacional isso - o leitor que me criticava por estar me mostrando, me gabando e me auto-convencendo de ser "libertino", etc, era o mesmo que me perguntava o que eu fazia com o KY. Ou seja, o cara me critica por fazer um post que ele pensa ser sobre sexo (mas não é) ao mesmo tempo em que faz uma pergunta que, se for respondida, aí sim começaria uma conversa sobre práticas íntimas sexuais: ele me critica por estar falando de sexo mas quem quer falar de sexo é ELE.

Landsburg é meu economista preferido. Ele, mais do que ninguém, me ensinou a pensar economicamente.
Por fim, melhor mesmo foram os leitores que me acusaram de fazer o post para me auto-convencer de ser libertino ou para balançar a bandeira da libertinagem. Fiquei rindo sozinho em minha mesa, aqui entre as caixas do apartamento que estou desmontando, em um domingo de manhã ensolarado.
Será que meus leitores acham mesmo que ter camisinha e KY ao lado da cama faz de alguém um... libertino? Ou, pior ainda, que EU acho isso? Que o objetivo do post (um post sem nenhum detalhe sexual!) foi bater no peito e bradar:
olhem como sou libertino, tenho camisinha e KY ao lado da minha cama!
Gente, vocês são muito, muito purinhos. Chega a ser singelo.

Excelente livro da minha amiga Paula Lee, prostituta brasileira em Portugal.
* * *
Mentes Pudicas e Mentes Sujas
Uma vez, nos Estados Unidos, uma amiga visitou meu Flickr e disse que era “creepy” eu ficar fotografando pés.
Fotografar pés talvez seja a coisa mais tranqüila, pura e inocente que eu faço. Tanto que eu inclusive divulgo publicamente no blog.
Alguém que ache fotografar pés uma coisa “creepy” tem uma mente, ao mesmo tempo, muito mais suja e muito mais pudica do que a minha.
Suja porque, convenhamos, tirar fotos de pés, por si só, não tem nada de mais. Não é tarado, sujo, underground. Não é nem mesmo sexual. Os pés são uma parte do corpo como outra qualquer, e das mais públicas.
Um pé pode ser sexy, como qualquer parte do corpo, se usada direito, mas, a princípio, como diria Freud, um pé é só um pé. Esse negócio de querer comer toda e qualquer mulher é uma compulsão doentia que eu não
compartilho. Às vezes, tenho a sincera impressão que os homens falam isso só porque pensam que é isso que se espera de “um homem de verdade”.
Pudica porque, se ela acha fotografar pés “creepy”, é porque está pensando em sexo e, convenhamos, em termos de sexo, fotografar pés, ou mesmo beijar pés, é a coisa mais purinha do mundo. Chega a ser singelo.
Praticamente tudo o que se pode fazer em uma cama é mais sujo, pervertido, degradado, imundo e, claro, divertido do que fotografar ou beijar pés. Se isso já é demais pra cabeça dela, tenho até medo de imaginar qual seria sua opinião sobre o resto da minha vida sexual. Melhor nem saber.

O melhor livro sobre sexo, amor e liberdade. Mudou minha vida. Recomendo sem restrições. Imprescindível.
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