As Marcas do Sexo / Vaidade de Sexo

Eu sempre aprendo muito com meus leitores. Vamos lá, então. Sobre o post de ontem, "Do Pudor":

As Marcas do Sexo

Minha casa é repleta de marcas de que aqui se fuma (cinzeiros, isqueiros, porta cachimbo), se dorme (cama), se come (pratos, talheres, apetrechos mil), se bebe (copos, porta-copos), até mesmo que se caga (privada, bidê, papel higiênico), mas não pode ter marcas de que aqui se transa, pois isso seria "muito íntimo". É isso?

Outros perguntam: "mas custava guardar essa tralha?"

Claro que não, ué. Assim como não custava, por exemplo, guardar a tralha de fumar. Meu cachimbo, meu cinzeiro, meu isqueiro, meu pote de fumo poderiam estar guardados numa gaveta, longe da vista, mas estão em um aparador da sala. Por que um pode e o outro não?

Alguém sugeriu guardar tudo num estojinho ao lado da cama, e é boa idéia, mas as tralhas de cachimbo também poderiam estar num estojinho ao lado do sofá e, pelo contrário, estão bem visíveis e isso não causa polêmica, nem mesmo nesses tempos tão antitabagistas.

O Kita sugeriu:

quando você deixa seus utensilios à mostra, sem nem camufla-los no meio de outras coisas, é como se voce fizesse questão de contar aos outros o que voce anda fazendo na cama, como anda a sua vida sexual, coisa que os outros podem preferir não saber.

Mas o mesmo se aplica a quase tudo, não?

Deixar o cachimbo à mostra, sem camuflá-lo no meio de outras coisas, é como se fizesse questão de contar aos outros o que ando fazendo no sofá, como anda minha vida fumatícia (que tipo de fumo utilizo, que tipo de cachimbo uso, etc), coisas que os outros podem preferir não saber.

Deixar o meu wok pendurado no teto, sem guardá-lo no armário, é como se fizesse questão de contar aos outros o que ando fazendo na cozinha, como anda minha vida culinária (que ando experimentando com culinárias orientais, etc), coisas que os outros podem preferir não saber.

Etc. E não vamos nem entrar na estante de livros e cds e em todas as informações indesejáveis que elas transmitem.

A pergunta continua: por que eu preciso esconder qualquer marca que indique que na minha casa se transa, mas não preciso esconder marcas de que na minha casa se come, bebe, cozinha, caga, dorme, fuma, etc? O que faz de uma atividade tão mais íntima do que as outras?

* * *

Se Gabando do Sexo

Sempre que falo de sexo, aparece um comentário mais ou menos assim:

Deixa eu dar uma cutucada (no bom sentido): ao invés de "Do pudor", este post não deveria se chamar "Da Vaidade"?

Em um post anterior, sobre o acidente da Air France, alguém falou:

Pra mim esse comentário foi só para ressaltar que o Alex tá comendo alguém...Se for verdade, quer provar pra quem?

Naturalmente, esse tipo de comentário é a resposta da pergunta acima.

Vivemos em um tipo de sociedade no qual falar de sexo, ou mencionar sexo, ou dizer que se pratica sexo, é visto como "vaidade", "provar alguma coisa", etc.

Reparem que, em nenhum dos posts, eu estava me gabando de comer uma mulher gostosa, ou de comê-la quinze vezes por noite, ou qualquer coisa assim. Não dei nenhum detalhe. Aliás, ambos textos não eram nem mesmo sobre sexo, mas o fato de que se pratica sexo na minha casa teve que ser mencionado para transmitir uma mensagem não necessariamente relacionada.

Fico cá pensando: quem são essas pessoas que transam tão pouco, ou que nunca transaram, ou que transam de forma tão esquisita, para quem o simples fato de se fazer sexo, uma das coisas mais normais e naturais da vida, é algo pra se gabar, pra se envaidecer? Será que têm 15 anos de idade? São velhas beatas? Estão encalhados e desesperados?

* * *

Para os que acham que quero me gabar, aviso que estou prestes a passar mais nove meses sem sexo. *suspiro*

* * *

Última: muito engraçado esse povo que acha que KY só serve pra uma coisa.

Mulher de Um Homem Só
Compre meu romance "Mulher de um Homem Só".

 

15.08.09


Categorias: Sexo


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Comentários:


Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

[copio aqui o q escrevi na outra caixa]

O Kita comentou o q todos pensaram: "é como se voce fizesse questão de contar aos outros o que voce anda fazendo na cama"

Já eu, pensaria o oposto. Na primeira visita, pensaria q foi descuido. Na segunda, pensaria q foi muito descuido. Na terceira, vendo q os KY não saem do lugar e as camisinhas tão ali sempre novinhas, pensaria, "¡Que pindaíba! O Alex deve tar numa carência miserável de sexo." ou até "Nossa, a ereção dele não deve durar nada: mantém tudo ali à mão pra pegar o mais rápido possível."

PermalinkPermalink 15.08.09 @ 10:54



Comentário de: Draupadi

hehehe eu não gosto de ky [é para os fracos hahah], mas uso sabe pra q? pra uma massagem xamânica q faço e que é mais bem feita se as mãos estão lubrificadas...

pra q mais se usa, além de sexo e massagem?

PermalinkPermalink 15.08.09 @ 12:08



Comentário de: Luis

essa é coisa de ser sexo ser "assunto íntimo" me lembra aquele discurso pretensamente não-homofóbico:
"não tenho nada contra gays, mas acho que eles deviam guardar sua sexualidade dentro de quatro paredes. ninguém deve ser obrigado a saber da vida sexual de ninguém"


PermalinkPermalink 15.08.09 @ 12:40



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

"Minha casa é repleta de marcas de que aqui se fuma (cinzeiros, isqueiros, porta cachimbo), se dorme (cama), se come (pratos, talheres, apetrechos mil), se bebe (copos, porta-copos), até mesmo que se caga (privada, bidê, papel higiênico), mas não pode ter marcas de que aqui se transa, pois isso seria "muito íntimo". É isso?" (Alex)

Aí forçaste um pouco a barra. Estás partindo do pressuposto que a determinação do pudor (ou da intimidade, ou da privacidade) são totalmente culturais, que é "mera convenção" expor ou ocultar as marcas que identificam certs atividades, mas isso não é bem assim.

Nós humanos temos uma longa história evolutiva em comum com os grandes símios. Já observaste o comportamento alimentar dos grandes símios? Normalmente deslocam-se em bandos e se alimentam em conjunto. Mas eles não defecam em conjunto. E, fora talvez os bonobos, que são nossos primos mais "saidinhos", também não copulam em conjunto.

O lance é que há certas atividades que são mais sociais e outras mais reservadas, tanto em função de condicionamentos evolutivos quanto culturais. Sem querer entrar no mérito de quanto cada uma delas deve de condicionamento a cada uma das variáveis, é inegável que existe uma tendência a manter algumas mais públicas e outras mais reservadas.

Romper o padrão usual tem uma alta probabilidade de gerar uma reação de rejeição - expressa mais ou menos intensamente segundo a modulação cultural adequada para a expressão da rejeição.

PermalinkPermalink 15.08.09 @ 12:41



Comentário de: Alessandra · http://alessandrasouza.blogspot.com

Concordo com o Arthur.

Comer, beber, fumar, ouvir música, tudo isso são atividades sociais. São, basicamente, coisas que você pode convidar seus amigos ou sua família para fazer na sua casa e ninguém vai achar estranho.

Agora, sexo e xixi e coco são coisas privadas, para se fazer sozinho ou com alguém em particular e que tem interesse direto em saber se você prefere KY geladinho ou quentinho. Eu, uma estranha que não estaria indo para cama com ninguém naquela casa, não quero saber, da mesma maneira que prefiro que ninguém deixe espalhado na sala o remédio para prisão de ventre, a pomada de micose, o resultado do exame de sangue, o extrato bancário aberto, as cartas de amor do ex-namorado.

E Alex, não pensa que não dá para ver que isso de fazer post tipo "não entendo porque as pessoas fazem tal coisa" é só para ver o que as pessoas vão dizer. Você sabe sim. ;-)

PermalinkPermalink 15.08.09 @ 14:49



Comentário de: Kitagawa

"Fico cá pensando: quem são essas pessoas que transam tão pouco, ou que nunca transaram, ou que transam de forma tão esquisita..."

Esse talvez seja um os motivos pelo qual a questão é mais delicada do que fumar cachimbo (aliás, porque fumar cachimbo em publico pode e fazer sexo não?). Ninguém se importa de não fumar cachimbo, mas todos se importam se a vida sexual não está bem, seja por qual motivo.

Não gosto muito desse negócio de evocar os simios ancestrais para explicar ou justificar comportamentos e ideais humanos, isso tudo deve ser encarado como um problema cultural, no caso com base em questões de instinto, básico que só. Realmente o cerne aqui é pudor, não vaidade. E pudor é pura convenção social, relativo que só. Cada sociedade, cada grupo social e mesmo cada individuo está todo hora envolvido nessa negociação entre nos expormos como seres sexuais ou não. No afeganistão, um tornozelo exposto já justificaria um estupro. Numa praia de nudimso, todos andam pelados, mas paradoxalmente é proibido se manifestar sexualmnente, quiça pensar sobre sexo. Enfim, questão cultural, questão de comunicação. Uma garota pode andar pelada na rua e dizer que isso é "natural", "não tem nada demais", mas não pode impedir os outros de se sentirem provocados de alguma forma. Enfim, talvez algumas pessoas se sentem diante de seus utensilios da mesma forma que voce se sentiria se fosse recepcionado por um anfitrião nu/nua.

Um causo interessante: falava com uma amiga sobre relacionameto aberto, no que ela é adepta e favorável, pra "acabar com a hipocrisia". Contei do seu caso, que faz questão de saber como foi a relação da sua parceira com os outros. Aí, ela ficou meio sem graça! "mas aí já é foda, né?".

PermalinkPermalink 15.08.09 @ 15:51



Comentário de: Alex Castro Email

disse o Kita:

"Contei do seu caso, que faz questão de saber como foi a relação da sua parceira com os outros."

opa, o que é isso? faço questão nao! cruzes! se for assim, vira interrogatorrio com luz na cara.

em dois relacionamentos abertos que tive, eu gostava de contar e de ouvir e a outra pessoa também, e por isso, até mesmo incorporávamos a troca de historias no nosso proprio jogo social.

mas eu jamais faria questao de saber, ou exigiria saber, isso nao existe, especialmente se a outra pessoa nao quer ou nao tem tesao em contar. seria a maior violencia.

jah tive um outro relacionamento aberto em que a outra pessoa não queria saber nada da minha vida, nem com quem andei nem onde fui, nada, e nao contava nada, pq tb nao se sentia bem compartilhando. e era isso. e eu te digo, eu nao sentia falta nenhuma de saber as historias dela, mas me sentia super amordacado de nao poder contar as minhas e de ter q fingir q nao existiram.

mas nunca fiz questao de saber nada nao.

PermalinkPermalink 15.08.09 @ 16:05



Comentário de: Ronaud Pereira · http://www.ronaud.com

Muito show essa discussão. Vejo que é uma questão de discrição. Para você que é uma pessoa super aberta, nada mais natural que deixar tudo a mostra.

Mas há quem não se sinta a vontade de conversar sobre certos assuntos, então nada mais natural que ocultar os objetos que possam suscitá-los.

Mas tem gente que faz questão de mostrar, pra dizer realmente está fazendo sexo, o que não é seu caso, é claro. Em uma certa ocasião, eu e uma amiga, na faculdade, conversavamos sobre trivialidades, quando um amigo da carteira do lado remexeu, remexeu em seu guarda-lápis até que "conseguiu" fazer com que um par de preservativos "escapassem pra fora". Neste caso, eu e a amiga, consideramos um ato completamente dispensável, porque não foi algo natural.


PermalinkPermalink 15.08.09 @ 17:12



Comentário de: T. · http://twitter.com/taialmeida

Bizonhamente engraçado ler esse texto logo depois de arrumar a casa e pensar sobre o que fazer com o tubo de KY. Rindo mt por aqui.

PermalinkPermalink 15.08.09 @ 19:32



Comentário de: Luis

ainda não "entendo" o idéia do íntimo. ler, por exemplo, é muito mais íntimo e solitário do que sexo. nem por isso deixo de compartilhar que leio, o que leio, como leio, etc.

PermalinkPermalink 15.08.09 @ 23:06



Comentário de: Ana · http://cantoinverso.blogspot.com

Copiei o antepenúltimo parágrafo e colei no meu blog. Com créditos, é claro.
Só pra eu não esquecer mesmo, porque nem mosca morta pousa por lá. =)

Queria muito ter ido na sua estréia, mesmo sendo uma leitora recente, mas eu moro em Pineville, meio fim do mundo.

Beijocas e parabéns pelo livro!
Adoro cheiro de livro!

PermalinkPermalink 16.08.09 @ 03:10



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

"Não gosto muito desse negócio de evocar os simios ancestrais para explicar ou justificar comportamentos e ideais humanos, isso tudo deve ser encarado como um problema cultural, no caso com base em questões de instinto, básico que só." (Kitagawa)

Pois eu não gosto desse negócio de encarar tudo como um problema cultural, como se nós não fôssemos símios com uma história evolutiva, condicionamentos genéticos e instintos. ;-)

Eu sou biólogo e tive a oportunidade de freqüentar diversas disciplinas como aluno ouvinte em cursos das ditas "humanidades" e fiquei chocado com a falta de conhecimento sobre os humanos enquanto seres biológicos com uma história evolutiva. Parece que é politicamente incorreto os fatos evidentes de que somos animais, de que não é possível transcender nossa estrutura orgânica e de que não somos uma "tábula rasa" determinada apenas histórica e culturalmente.

Engraçado que quando eu fazia um comentário deste tipo eu tinha que ouvir de volta que "os seres humanos transcenderam a biologia". E eu invariavelmente questionava: "ah, sim, então me explica o que aconteceria contigo se tu bebesses um litro de DDT".

Normalmente este era o ponto em que os professores de humanidades resolviam encerrar o debate para continuar a aula...

PermalinkPermalink 16.08.09 @ 03:54



Comentário de: Arthur Golgo Lucas · http://www.arthur.bio.br

ERRATA: onde se lê "Parece que é politicamente incorreto os fatos evidentes..." leia-se "Parece que é politicamente incorreto reconhecer os fatos evidentes..."

PermalinkPermalink 16.08.09 @ 03:56



Comentário de: Jânio Baptista

Olha só, toda essa asneira só poderia ser dita por alguém que precisa dizer que é assim tão liberal, assim tão libertário, assim tão libertino. A ponto de dar o mesmo nome ao blog. Só um zé ruela precisa sair por aí dizendo que é liberal, que é libertário, que é libertino. Certas coisas não precisam ser ditas. Exceto se você adotou como mantra de auto-convencimento: eu sou lib... Ah, saco! Como você é chato (nem falo sobre o quanto é fake).

PermalinkPermalink 16.08.09 @ 04:22



Comentário de: Marcio E. Goncalves

Bom, desde que veio aqui p/ os EUA, o Alex definitivamente nao eh mais liberal (virou "liberal" no sentido americano) e estou certo que nunca foi libertario.

Entao so sobrou ele balancar a bandeira de libertino p/ manter um pouco de coerencia quanto ao nome do blog.

PermalinkPermalink 16.08.09 @ 08:07



Comentário de: Alex Castro Email

Marcio,

ahahahahaa

"Entao so sobrou ele balancar a bandeira de libertino p/ manter um pouco de coerencia quanto ao nome do blog."

sem entrar no merito das outras criticas, vc acha mesmo que ter camisinha e KY do lado da cama faz de alguem um "libertino"? ou vc acha que EU acho isso? "olhem como sou libertino, tenho camisinha e KY ao lado da minha cama"?

gente, vcs são muito, muito purinhos. chega a ser singelo. :)

PermalinkPermalink 16.08.09 @ 08:48



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Arthur Golgo Lucas, falaste bem.

Achar q tudo é cultural é como achar q um edifício pode flutuar acima do chão. Não. Até o última telha no topo é regida e determinada pelas possibilidades da fundação, e ambas pelas leis da física.

PermalinkPermalink 16.08.09 @ 13:40



Comentário de: Marcio E. Goncalves

ah, nao, nao acho, de onde vc tirou isso?

Meu comentario eh em relacao aos outros comentarios, mais precisamente ao Janio, nao ao seu post.

O KY me faz pensar que tu nao excita suficiente a mina ou faz muito sexo anal - so isso.


PermalinkPermalink 18.08.09 @ 08:40



Comentário de: julia

eu nem ia comentar, já que o post é meio antigo, mas vamos lá.

Marcio, teu desconhecimento das mulheres (evidente no último comentário) me dá pena.

Alex, fui eu que "dei a idéia" do estojinho. Além de ser mais organizado (evita que as camisinhas se espalhem quando apóio algum livro na mesinha, além de ser bem mais fácil de encontrar do que um preservativo solto), é mais limpo (mantém o pó fora). E tem outra razão "social" também: se eu chego em casa com um amante novo, o que acontece com certa frequência, não quero que ele olhe pra mesinha, veja as camisinhas e me imagine com outros caras ali naquela mesma cama. Não por pudor meu, mas sabe por quê? Porque aí ele BROCHA.

PermalinkPermalink 18.08.09 @ 09:28



Comentário de: aqui sexo total · http://aquisexototal.blogspot.com

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