Mary W., uma das escritoras que mais admiro da Internet brasileira, leu "Mulher de Um Homem Só" e gostou bastante. Abaixo, o post que escreveu em seu blog:
*O* livro do meu inverno. Porque eu fiquei super empolgada, sabe? Eu já amava o blog e tenho tanta curiosidade a respeito do autor. Daí prometi que iria na noite de autógrafos e não consegui. Nada tem saído como eu planejo. Tão dura que está minha vida. E eu li nas férias. Quando a gente precisa ler algo assim. Eu precisava. De algo que me deixasse uau e feliz de ser a maluca que eu sou. A narradora do livro é TÃO maluca, sabe? E tão eu. Fiquei bastante satisfeita dela ilustrar um tipo de sensação que eu tenho muito. Que é uma espécie de ciúme diferente. Ela é a esposa. E tem a melhor amiga do marido. E ela enlouquece. Veja que ele nem quer comer a melhor amiga nem nada. Deveria ser, inclusive, o contrário. A melhor amiga com ciúme, né? Da outra, que conseguiu fisgar. Mas não há espaço para caretices no maravilhoso mundo de Alex Castro. E a esposa que tem esse ciúme. Que é o pior de todos. Que é o ciúme da intimidade. O ciúme da afinidade. Não adianta, né? Lutar com isso. Quando você vê quem você ama tão cúmplice de outra pessoa. Sem nem comer nem nada. O contrário também é super bom. Já aconteceu comigo. De você encontrar alguém que amou com outra pessoa e perceber. Que não há afinidade ou intimidade que incomode. E você pensa "ah, coitada, está tentando tocar a vida com o que de melhor apareceu". Por que as coisas mudaram, né? Teve mesmo a tal da descoberta/invenção da subjetividade. E não há status de relacionamento. Casada. Namorada. Não há status que dê conta do indivíduo. Em tempos líquidos, o ciúme é bem outro. Só que a gente (eu?) acaba torcendo pela heroína. Vi dizerem que não há. Pra mim, sempre há. Quem conta a história, manda na história. E eu só escuto quem conta. Não quero perceber contradições ou intuir o outro lado. A narradora é a chefe do puteiro. E pra mim está bom. E você lê duma vez. E você ri bastante. E pode até chorar, porque é um livro que causa mesmo identificação. As neuroses são tão nossas. E tem um momento antológico. Das melhores coisas que eu já li. Que é o suicídio da Libeca. Rapaz. Eu quis mesmo ler em voz alta. Outra coisa curiosa. Salingeriana que sou. Nunca esqueço do Holden dizendo que livro bom é aquele que quando termina você tem vontade de ligar pro autor. Eu não tenho, o telefone do autor. Mas tenho o e-mail. E escrevi. E rá. Ele me respondeu.
Mary, muito muito obrigado. Quanto ao telefone, não seja por isso: 21 9503 5876, mas só até quarta, 19. Quanto ao Holden, eu sustento que O Apanhador é um livro reacionário e conformista e convenci muita gente disso. Tenho um texto que nunca publico porque sempre acho que pode melhorar.
Você é linda!

Compre meu romance "Mulher de um Homem Só".
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