Vendendo Arte Independente na Web

Na opinião de Chris Anderson, editor-chefe da Wired:

"O preço dos bens digitais naturalmente tende a zero"

Ou seja, na Internet, a oferta de conteúdo é tão grande que, mesmo havendo demanda, ele não vale nada.

* * *

 Nine Inch Nails: Live - Beside You in Time  With Teeth

Dois links importantes

- Wired Editor-in-Chief Chris Anderson on the Future of Free
- Trent Reznor Backs Chris Anderson’s Theory of ‘Free’

* * *

As dicas de Trent Reznor, do Nine Inch Nails (extraordinariamente, vou traduzir, vale muito a pena):

- Não pense que vai ganhar dinheiro vendendo discos.
- Faça suas gravações de forma barata (mas excelente) e distribua de graça em forma de MP3.
- Pegue os emails das pessoas que baixarem suas músicas gratuitamente e compile um banco de dados de futuros consumidores.
- Venda uma variedade de pacotes especiais e edições limitadas (ou seja, bens escassos).

E, mais adiante, ele acrescenta outro grupo de dicas:

- Distribuam suas músicas via Amazon, TopSpin e Tunecore.
- Crie um site simples, sem Flash, que não seja no MySpace (pois dá a impressão de coisa barata e genérica).
- Não abuse do seu mailing list.
- Use as ferramentas gratuitas como Twitter, Flickr, Vimeo, YouTube e SoundCloud para aparecer mais.
- Faça com que as pessoas tenham uma razão para voltar continuamente ao seu site.

* * *

Quanta besteira, não? É óbvio que esse negócio de dar conteúdo de graça nunca vai funcionar! Meu romance "Mulher de Um Homem Só" foi baixado de graça 30 mil vezes e muitos amigos disseram que o livro não tinha mais potencial comercial: Mulher de Um Homem Só

"oras, quem queria ler já leu, ninguém mais vai pagar por isso!"

Depois de ser recusado por algumas editoras, "Mulher de um Homem Só" será publicado pela Os Vira-Lata em agosto e está atualmente em pré-venda, permitindo que leitores-mecenas contribuam para viabilizar sua publicação impressa.

Serão citados nominalmente no livro os mecenas que contribuírem até segunda-feira, 20 de julho, quando o livro vai pra gráfica.

A primeira edição será numerada e os leitores-mecenas que fizerem as maiores contribuições até sábado 1º de agosto receberão os menores números. Por enquanto, são 64 mecenas e o exemplar 0001 está indo para a que deu R$108.

* * *

Não sei se vai dar certo. Não sei se é um "modelo de negócios" viável para mim ou para outros artistas independentes.

Sei que estou arriscando o que tenho de mais precioso, meu único patrimônio, ou seja, minha literatura, nessa nova idéia, nessa grande aventura.

Afinal, é possível ser um artista realmente independente?

Afinal, é possível realizar um dos grandes ideais da arte, pular os grandes conglomerados empresariais e estabelecer uma conexão mais direta entre artista e consumidor de arte, permitindo não apenas maior diálogo e maior troca, mas também que o artista possa viver (ou ter alguma renda) da sua arte sem para isso se vender ao mercado?

Como artista, que sempre fui e sempre vou ser, essa é a grande batalha do meu tempo. A luta que mais vale a pena ser travada. Por isso, estou colocando o meu na reta. Há sempre o risco de me tornar uma das primeiras baixas.

Mas, se minha geração conseguir resolver esse dilema e criar um modelo novo para o consumo da arte, então já teremos amplamente justificado nossa existência. Mesmo que nossa arte seja uma merda.

Conto com vocês. Sério mesmo. Não nada mais importante do que isso em minha vida.

* * *

Mulher de Um Homem SóEstamos entrando na última semana para os mecenas terem seus nomes citados no livro. Amigos blogueiros e jornalistas, taí uma pauta. Façam matérias, escrevam uns posts, qualquer esmolinha ajuda, pelamordedeus. Se alguém conhece jornalistas de cadernos de cultura, tecnologia ou até mesmo economia, mandem essa pauta pra eles.

Para fins de divulgação, confira diversas opções de formatos e tamanhos da capa e da contracapa, e também fotos do autor. Sintam-se livres para reproduzir essas imagens em seus blogs, sites e periódicos de modo geral.

Todos as informações, passadas e futuras, sobre o livro e seu processo de edição estão sempre centralizadas aqui: http://tinyurl.com/MulherHomemSo

Por favor, divulgue.

* * *

"Mulher de Um Homem Só": saiba mais ou compre.

 

13.07.09



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Comentários:


Comentário de: fonjic · http://tripas.ciberarte.com.br/

oi alex,

compartilho com você essas dúvidas e angustias sobre a internet e o futuro de ser escritor. De fato é preciso pular os conglomerados editoriais e de mídioaa e a internet é a chave disso.
Ainda existe muito fetiche em cima do livro impresso, que é mais agradável que ler na tela, mas tem um custo ambiental muito alto na sua produção.
Acho que a internet é o caminho, só falta mesmo achar como remunerar o escritor.

um abraço
Fonjic

PermalinkPermalink 13.07.09 @ 12:35



Comentário de: Lucas

É aquela coisa né, por enquanto para os iniciantes (Você não é mais iniciante, embora sim para as editoras) o funcionamento é aquele mesmo:

* Se você não é famoso, imprimir cópias é jogar dinheiro fora; e ainda o objetivo é ser lido e você não vai ser lido.
* Logo, pelo menos você deve não gastar o dinheiro e distribuir o livro pela internet... De graça, é claro.



PermalinkPermalink 13.07.09 @ 17:50



Comentário de: João Ricardo · http://disparada.wordpress.com

Eu ainda não li o livro, mas sei que gostei.

PermalinkPermalink 13.07.09 @ 20:15



Comentário de: Monix · http://duasfridas.wordpress.com

Bom, eu já li o e-book e mesmo assim comprei o livro. Já não lembro mais do final, mas lembro, sim, que gostei da leitura. Também fiquei curiosa por saber se a experiência de ler na tela e ler um livro-objeto vai interferir no, digamos, "resultado final", quer dizer, no prazer da leitura. Ah, e achei que a ideia de comprar mais barato antes era boa o suficiente pra me fazer abrir a carteira (tão vaziiiia...)
Outro e-book que compraria sem dúvida se fosse publicado em papel seria o Radical Rebelde Revolucionário (sobre Cuba). Adorei ler, adorei as fotos, queria tê-lo em casa para folhear de vez em quando. E tb para emprestar - porque o e-book eu acho sacanagem repassar, mas o livro eu empresto na boa. :P
Bjs

PermalinkPermalink 13.07.09 @ 20:56



Comentário de: Luis Pereira

"E tb para emprestar - porque o e-book eu acho sacanagem repassar, mas o livro eu empresto na boa."

Ó deus! hehheheh será que já conseguiram fazer com que a gente se sinta culpado por compartilhar coisas na internet? sera?

PermalinkPermalink 14.07.09 @ 01:51



Comentário de: Kitagawa

Pois é, um primo meu diz que quando realmente gosta de um disco que ele baixou, ele vai lá e compra o CD. O musico na rede virou o musico de rua que só recebe se o ouvinte quiser pagar. Talvez funcione. O chato é que tem gente que quer criminalizar o sujeito que parou dois segundos pra ouvir, achou um lixo e seguiu em frente sem dar nada. Tão dizendo que esse sujeito é ladrão e merece cadeia. afe!

PermalinkPermalink 14.07.09 @ 21:40



Comentário de: Kitagawa

É, as obras digitalizáveis , quando caem na rede, são como grafites no meio da rua. Não há como impedir as pessoas de olharem pro grafite. E não há como criminalizar quem faça isso.
Grafiteiros vem trabalhando duro pelas ruas há anos sem a menor persectiva de ganhar com isso. O futuro vai ser meio assim, dos amadores.

PermalinkPermalink 14.07.09 @ 21:44



Comentário de: Monix · http://www.duasfridas.wordpress.com

Luis Pereira, deixa eu explicar melhor meu critério de empréstimo. Eu empresto livro em papel na boa, e esse é o títpico caso em que o autor recebe uma vez (quando eu compro) e depois não recebe mais nada, né? Mas o livro emprestado (salvo exceções) depois é devolvido, e eventualmente o leitor que pegou emprestado vai gostar do autor, vai comprar futuras obras do cara, ou mesmo vai comprar um livro igual para dar de presente para alguém, por exemplo... sei lá, eu acho que tem toda uma cadeia de escambo X negócio que já está estabelecida quando a gente fala em livro / CD / DVD físicos.
Mas o e-book, se eu repasso, quem recebeu pode repassar para mais quantas pessoas quiser, sei lá, publicar de novo em outro lugar, inclusive manipular o arquivo, mudar o nome do autor, mudar até o próprio conteúdo do livro... É um critério meu, mas eu acho chato. Não dá pra "emprestar" um e-book, entende? É por aí. Mas longe de mim querer fazer alguém se sentir culpado por compartilhar o que quer que seja, muito pelo contrário.
Kitagawa, concordo em parte - não sei se gosto da comparação com o músico de rua, a quem a gente paga quanto quer, mas acho que o compartilhamento de obras de arte pela internet passa um pouco por esse critério de "degustação", sim.

Bjs

PermalinkPermalink 15.07.09 @ 12:37



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