Desesperado, Conturbado e Avassalador Desabafo ("Mulher de Um Homem Só")

Mulher de Um Homem SóRonaldo Melo Ferraz, do Superfície Reflexiva, leu meu romance "Mulher de um Homem Só e opinou:

...[L]i rapidamente, em duas sentadas, tanto pelo tamanho curto ... quanto pelo fato do mesmo absorver o leitor, deixando-o na expectativa de saber e entender mais sobre o que está acontecendo na estória. Aliás, esse é, no meu entendimento, um dos maiores méritos de um livro. Se o texto conseguir provocar no leitor essa vontade de continuar a leitura indefinidademente, mesmo que o tempo para a mesma seja limitado, ele já atingiu a maior parte do seu objetivo. Ninguém lê um livro até o final, tão sofregamente, se o mesmo não consegue tocar alguma parte da alma da pessoa. ...

Quanto ao passo, eu achei excelente. A narrativa é um desabafo e o passo do livro, desesperado, conturbado e avassalador se encaixa bem no contexto da estória. Mais do que isso, se coaduna com o que percebemos sobre o que é contado. Ao buscar os momentos de sua vida em que desabafos aconteceram, o leitor percebe a coerência entre o passo da narrativa e a verdade do desabafo.

Estilisticamente, eu também gostei do livro. O Alexandre emprega perfeitamente o português, construindo frases que soam bem ao ouvido e reforçam a imagem mental que fazemos da personagem principal. Metáforas, símiles, metonímias e outras figuras de linguagem, com poucas exceções, dão um vigor ao texto que me apeteceu bastante. O uso da linguagem coloquial também é primoroso.

A estória, em si, é muito interessante. Comentando o livro com minha esposa e nos colocando na pele da narradora, nós tivemos que adimitir que a situação é uma em que não gostaríamos de estar. Seja do lado de quem for na estória. Em não vou comentar nenhum detalhe específico para não estragar a surpresa para outros eventuais leitores, mas acredito que ninguém se desapontará com o tratamento da mesma ... .Mulher de Um Homem Só

Eu geralmente não gosto de narrativas em primeira pessoa, mas essa é uma que me atraiu por levar ao extremo a falta de confiabilidade do narrador. Isso gera situações de forte ironia dramática que ajudam a carregar a narrativa adiante e servem para dar mais veracidade ao texto, sem insultar a inteligência do leitor que pode ler nas entrelinhas as possíveis problemas que essa desconexão provoca.

O Ronaldo fez críticas também, mas, no melhor espírito da Lei de Ricupero, só citei os elogios. Para ler as críticas, visite o Superfície Reflexiva.

* * *

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12.07.09



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