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É possível homem e mulher serem apenas amigos?
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Meu primeiro romance "Mulher de um Homem Só" será lançado em agosto pela editora Os Vira-Lata. Em papel mesmo, à moda antiga, com edição e layout por Albano Martins Ribeiro (o BrancoLeone), e belíssima capa pela artista plástica Isabel Löfgren.
O lançamento em São Paulo será no sábado, 1º de agosto de 2009, no Canto Madalena, a partir das 19h e, no Rio, na sexta, 7 de agosto, no Amarelinho da Cinelândia, a partir das 18h. O livro será vendido nos lançamentos por R$25 e, posteriormente, pela internet, por R$28 (+ frete de R$4,40 + taxas PagSeguro 2,00)
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Muita gente reclama dos meus ebooks ("aaaahh, não tem em papel???") e eu sempre respondo:
- Fazer ebook é de graça. Crio o pdf e pronto. Imprimir livro custa dinheiro, coisa que eu nunca tenho. Paguei R$ 2 mil do meu bolso pra imprimir o livro de crônicas. Você vai pagar a impressão do próximo?
Bem, agora vocês vão ter a chance.
Antigamente, quando não havia internet, os escritores faziam assim: quem tinha dinheiro, ia numa gráfica, pagava a impressão da sua seleta de poesias e pronto. Quem não tinha, passava o pires entre os amigos, vendia o livro antecipadamente e, assim, levantava o dinheiro pra impressão.
Pois bem, meu romance, "Mulher de Um Homem Só", já está sendo vendido por R$18 (+ frete de R$4,40 + taxas PagSeguro 2,00).
O grande objetivo dessa venda antecipada é viabilizar a impressão da primeira tiragem, ou seja, permitir que o livro exista enquanto livro.
Ao comprar antecipadamente, portanto, você será não apenas um comprador ansioso, mas um verdadeiro mecenas, um patrono das artes, quase um santo! E, em troca, na última página do livro, estarão listados todos os mecenas - inclusive você.
Uma idéia do século XIX ajudando a divulgar a literatura independente do XXI.
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Acordo Público entre Alex Castro e seus Mecenas
Este é o acordo público que eu faço com os leitores que comprarem meu livro "Mulher de Um Homem Só" antes do lançamento paulistano em 1º de agosto. Você:
1) Pagará somente o preço mínimo por livro de R$24,40 (R$18 + frete de R$4,40 + taxas PagSeguro 2,00), ao invés do preço normal de R$34,40, podendo entretanto pagar o valor que desejar acima disso;
2) Receberá um exemplar numerado e autografado, com meus copiosos elogios, da primeira edição de "Mulher de Um Homem Só", a ser enviado no dia do lançamento, e também um marca-texto exclusivo só para mecenas (ver imagem ao lado);
3) Será citado nominalmente no próprio livro, na página de agradecimentos aos mecenas que tornaram possível a edição (válido para quem pagar até 20 de julho, quando o livro vai pra gráfica, e só para quem quiser, claro);
4) Terá a garantia de receber o livro (ou seja, mesmo se eu não conseguir levantar dinheiro suficiente para a tiragem mínima, vou completar do meu próprio bolso, editar o romance e enviar pra você);
Adendo sobre a Numeração dos Exemplares
Todo mundo vem me falar dessa questão dos exemplares numerados. Parece ser a coisa mais importante desse lançamento! Vamos estabelecer então alguns critérios objetivos:
a. Quanto maior sua contribuição/pagamento individual, menor será o seu número: o exemplar 0001 será do leitor que fizer a maior contribuição (sempre até o dia 1º de agosto de 2009), e assim sucessivamente.
b. Em casos de múltiplos livros em um único pedido, o mesmo se aplica: se a maior contribuição for de R$200 por 5 exemplares, o comprador receberá os exemplares de 0001 a 0005, etc.
c. Dentro de uma mesma faixa de valor, o critério será cronológico: se 5 pessoas derem R$50 cada, o exemplar de numeração menor será de quem pagar primeiro, e assim sucessivamente.
d. Esse acordo só é válido até 1º de agosto de 2009, dia do lançamento. Depois disso, os exemplares serão enviados a medida que forem comprados e acaba essa besteirada.
Só pra deixar registrado: eu sou totalmente anti-fetichista com meus livros, não tenho exemplar autografado nem dos amigos escritores e acho tudo isso uma grande bobagem, mas se vocês gostam, beleza. O mecenas sempre tem razão.
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O romance "Mulher de Um Homem Só" foi finalizado em 2001. Entre 2002 e 2006, esteve disponível na internet, foi baixado mais de 30 mil vezes e recebeu dezenas de resenhas favoráveis. Entre 2007 e 2008, foi enviado para várias editoras brasileiras, recebeu três nãos e dezenas de silêncios constrangedores. Em 2009, está sendo publicado pela Os Vira-Lata.
Se você é pobre de marré-dê-ssí, tudo bem. Estamos no mesmo barco. Eu te amo mesmo assim.
Mas se não for fazer falta no leitinho das crianças e se você lê esse blog de graça há anos, então me ajuda a editar meu romance, vai, tio?
Se já leu o romance na época em que era distribuído gratuitamente, se gostou e pode ajudar, então compre um exemplar antecipado - nem que apenas para dar de presente ou passar adiante. Sua mãe vai adorar. Sério.
Ao longo dos próximos dias, vou postar algumas das melhores resenhas que o romance recebeu ao longo dos anos.
Não sejam tímidos. As compras já estão abertas. Vocês podem contribuir com o valor que quiserem. Podem comprar mais de um exemplar ou comprar meus outros livros também.
Afinal, quem vai levar o exemplar número 0001?
Compre "Mulher de Um Homem Só".
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Divulgação
Para fins de divulgação, confira diversas opções de formatos e tamanhos da capa e da contracapa, e também fotos do autor. Sinta-se livres para reproduzir essas imagens em seus blogs, sites e periódicos de modo geral.
Todos as informações, passadas e futuras, sobre o livro e seu processo de edição estão sempre centralizadas aqui: http://tinyurl.com/MulherHomemSo
Por favor, divulgue.
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"Mulher de Um Homem Só" é um romance curto e intenso (cerca de 150 páginas), sobre os desafios e atribulações do começo da idade adulta e, também, sobre amizade entre homem e mulher.
Murilo e Júlia são melhores amigos de infância. Quando Murilo ainda está na faculdade, ele se casa com Carla, a narradora da história. A partir daí, o romance trata das aventuras e desventuras dos primeiros anos de casamento de Carla e Murilo, com ambos tentando ser adultos, maduros e casados, buscando independência financeira e procurando, ao mesmo tempo, encontrar um lugar para aquela melhor amiga dentro do relacionamento. Para Carla, Júlia é uma presença intimidadora: uma mulher que ama seu marido e a quem ele ama, ainda que apenas como amigos, e que o conhece há mais tempo que Carla e, sob certos aspectos, melhor. Com a chegada da filha de Murilo e Carla, Raquel, tudo se complica: Júlia, solteira, sem filhos, se apega à menina como se fosse sua própria, o que vai causar mais tensões. A narrativa na primeira pessoa, naturalmente, é parcial e as entrelinhas podem, ou não, revelar que nem sempre Carla é objetiva ao retratar Júlia.
A narrativa de Carla, apesar de desabalada, confusa e aparentemente prolixa, é concisa e passional, avançando sempre num crescendo, atrás de um clímax que parece iminente mas nunca chega, até acabar abruptamente, sem longas despedidas e sem perda do ritmo ou intensidade.
A voz de Carla é apaixonada e desabalada, entulhando metáforas e imagens com um humor amargo, indo e voltando no tempo em um stream-of-consciousness aparentemente sem direção. Sua narração força ao enredo uma estrutura concêntrica, pois ela faz tantos desvios que parece que nunca fala o que vai falar, permanece em um eterno círculo em torno de seu assunto, mas deixando aparente ao leitor que muito foi de fato dito nas entrelinhas.
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"Mulher de Um Homem Só": Trecho
"Se eu não podia ter o Murilo, Júlia era o que de mais próximo havia. E vice-versa. Ela esteve acostumada, a vida toda, a ter o Murilo a sua disposição. Agora, o homem sumia o dia inteiro. Júlia tinha vício de Murilo: e satisfazia comigo. Perguntava da nossa vida, queria ajudar, precisávamos de alguma coisa?, como estávamos de dinheiro? e, também, perguntava da minha vida, e queria saber sempre mais.
Não adianta que a Júlia eu não consegui destrinchar. Um parasita, se alimentando do nosso casamento, isso ela não era. Sua relação conosco era simbiótica. Se fosse uma parasita, talvez eu gostasse mais dela. Teria pena. Mas a necessidade dela o Murilo também tinha: ele se injetava nela e ela se injetava nele. Se picavam quase toda noite: ela ligava, ou senão ele. E isso me ulcerava por dentro. Em noite de sexo negado, eu odiava Júlia mais do que tudo. Odiava chegar no meu marido com dengo, odiava ser repelida com amor em nome do cansaço, mas isso dava pra agüentar. Duro era, logo depois, ele passar meia hora no telefone com outra mulher. Não tem lógica, eu sei, e por outro lado, cheio de lógica está, mas na minha cabeça, se ele não tinha energia pra mim, não devia ter pra ela também. Júlia me lembrava minha avó grudenta, só que pior: porque a avó grudava em mim e Júlia grudava no meu marido. E enquanto eu tentava me livrar da velha, o Murilo se grudava de volta. E batia pena porque, às vezes, na loja, Júlia comentava que eu tinha sorte, que eu ia ver o Murilo de noite e ela, no máximo, ia falar com ele no telefone. E eu pensava: posso dizer pra ela aparecer lá, não posso? Mas nunca gostei de ser hipócrita.
Ela tentava me dar a impressão de que, durante o dia, o Murilo era tão fora do alcance dela quanto do meu. Mas não. Júlia tinha o horário mais livre e uma imaginação malandra: dispensou aviões e subiu o morro, foi direto ao fornecedor. Aparecia sempre na universidade. Naquela época, quando não estava trabalhando, estava ou na loja comigo ou na universidade com Murilo. Sabia o número das salas, o horário das aulas, até a mesa onde ele comia. Deve ter aprendido muito de medicina, porque assistiu a várias aulas junto com o Murilo, só pra sentar do lado dele e conversar. E os almoços. No começo, ele tentava expulsar Júlia, assim como fazia comigo quando eu me chegava nele de noite. Mas tinha receio de Júlia sofrer uma crise de abstinência caso passasse uma tarde sem fumar seu baseado de Murilo. Júlia, vulnerável e quebradiça, se jogava sobre Murilo de alma inteira e ele espalmava os pés no chão, dobrava os joelhos, trincava os dentes e aceitava aquele peso, deixa cair que eu agüento.
E eu? Murilo achava que me conhecia bem demais, ficou confiante: nunca olhou dentro da carapaça. Viu a carapaça e achou que aquilo é que era, achou que já estava tão fundo dentro de mim quanto alguém poderia estar. Mas o fundo é sempre mais embaixo, nem eu sei onde, e lá o Murilo nunca se aventurou. Casou com a rocha, se satisfez com a rocha e uma rocha era o que esperava que eu fosse.
Aos poucos, se institucionalizou o almoço: todo dia comiam juntos, se olhavam juntos, se amavam do jeito lá deles. E, logo depois, Murilo ia pra aula e Júlia vinha pra loja, chorar suas misérias. Não vejo mais o Murilo, quem tem sorte é você, Carla!, blá blá blá, mas nenhum dos dois cachorros nunca me disse que almoçavam juntos dia sim, dia também.
Eu não desconfiei porque nem todos esses almoços serviam pra despontar o vício de Murilo que Júlia tinha. Eu, que me achava sua clínica de reabilitação, era na verdade sua fornecedora clandestina: ela vinha me ver e fungava cada carreirinha de Murilo que pudesse encontrar. E eu fazia o mesmo, porque um gambá cheira o outro e eu também não sou lá muito diversa. Ela me sugava o presente, e eu, o passado. Júlia sabia tudo sobre o Murilo, cresceram juntos, nunca não se conheceram. Um era a constante da vida do outro. Júlia era tão constante que me fazia sentir a variável e isso me deixava tonta, eu precisava ir ao banheiro depois: eu imaginava Júlia, amanhã, fazendo a mesma coisa com a segunda esposa dele, indo visitar, contando histórias do passado e sugando o futuro. E eu pensava: o juramento foi comigo, a mulher dele sou eu."
Compre "Mulher de Um Homem Só".
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