Amanhã, apresento trabalho na Conferência da LASA (Latin American Studies Association, maior associação de estudos latino-americanos do mundo):
"Ausente dos Romances e Presente no Teatro: O Escravo na Literatura Brasileira do Século XIX."
Quinta, 11 de junho, às 11h
PUC-RJ, Edifício Kennedy, sala 117
Além de falar de teatro brasileiro e escravidão, vou abordar também a censura teatral da época e ilustrar com o caso de uma peça censurada por Machado de Assis por conter um ex-escravo que se casava com uma baronesa.
O trabalho se baseia em pesquisa original minha e, que eu saiba, algumas das fontes manuscritas que encontrei jamais foram utilizadas. O resumo geral da pesquisa está aqui.
Todos os leitores estão convidados. Depois, podemos sair pra almoçar. Às 17h, o Idelber participa de uma mesa-redonda e, à noite, deve rolar um encontro geral de blogueiros, leitores e simpatizantes na Cobal do Humaitá.
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Machado de Assis atuou como censor do Conservatório Dramático Brasileiro. Em alguns artigos que publicou na imprensa, defende rigidez maior da censura e mais liberdades aos censores. Abaixo, um trecho no parecer no qual veta a encenação da peça "Os Mistérios Sociais", que termina com o casamento do protagonista Frederico, um ex-escravo, com uma baronesa:
"A teoria filosófica não reconhece diferença entre dois indivíduos que como aqueles tinham as virtudes no mesmo nível; mas nas condições de uma sociedade como a nossa, este modo de terminar a peça deve ser alterado. Dois expedientes se apresentam para remover a dificuldade: o primeiro, é não efetuar o casamento; mas neste caso haveria uma grande alteração no papel da baronesa, supressão de cenas inteiras, e até a figura da baronesa se tornaria inútil no correr da ação. Julgo que o segundo expediente é melhor e mais fácil: o visconde, pai de Lucena, teria vendido no México sua amante e seu filho, pessoas livres; este traço tornaria o ato do visconde mais repulsivo; Lucena dar-se-ia sempre como legalmente escravo. Este expediente é simples. Na penúltima cena e penúltima página, Lucena depois de suas palavras: “Ainda não acabou”; diria: “Uma carta de minha mãe dava-me parte de que éramos, perante a lei, livres, e que entre a prostituição e a escravidão ela resolveu guardar silêncio e seguir a escravidão cujos ferros lhe deitara meu pai.” ... Feitas estas correções julgo que a peça pode subir à cena"
Para saber mais, venham ouvir o trabalho.
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Os pareceres elaborados pelo censor Machado de Assis não constam de suas obras completas, mas podem ser encontrados no livro abaixo, Do Teatro, compilação de textos teatrais do autor, organizada por João Roberto Faria.
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