Semana passada, fiz uma lista dos melhores autores em língua portuguesa.
Conheço muita gente que não gosta de Gilberto Freyre, de Guimarães Rosa, de Clarice Lispector. Apesar de eu considerar esses três autores geniais, via de regra até concordo com muitas das críticas. A diferença é que eu gosto deles apesar dos seus muitos defeitos e limitações.
Mas, quando alguém vem me dizer a sério que Machado de Assis é um escritor medíocre, não dá pra dialogar. Assim como Shakespeare, Machado é daqueles gênios tão inacreditavelmente amplos que você pode até dizer que pessoalmente não gosta (afinal, tem gosto pra tudo) mas não dá pra lhe negar o valor.
Não sou nenhum fã de olhos esbugalhados. Enquanto pessoa, Machado tinha tantos defeitos quanto qualquer um. Foi censor teatral e defendia uma censura ainda mais férrea do que existia. Em relação ao assunto escravidão, ele, filho de mulato e nascido no morro, largamente se omitiu. (Da última vez em que falei isso, em um painel literário sobre Machado, só faltaram me bater.)
Quanto mais leio Machado, quanto mais avanço pelos seus romances (mesmo os primeiros!), por suas crônicas, por seus contos, por suas críticas de teatro, pelos seus textos da juventude e da velhice, mais claro fica que seu talento era ainda mais vasto do que eu imaginava.
Sinceramente, a essa altura do campeonato, negar o valor literário de Machado só pode ser ou ignorâcia ou ou uma aquelas pirraças adolescentes de desprezar o que todo mundo gosta.
* * *
E você? Se não gosta de Machado, por quê?
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Um texto meu sobre os muitos enigmas de Dom Casmurro, de Machado de Assis.
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"eis aí um autor que nunca me interessou. como o Millôr, tenho mais o que fazer do que ler Machado."