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Como todo ano, estou indo passar as férias escolares no Brasil. No hemisfério norte, o verão é no meio do ano, então as férias longas são agora: quatro meses, de maio a agosto.
(Por que as férias são tão longas, você se pergunta? Bem, antigamente, porque os pais precisavam dos filhos de volta na fazenda durante esses quatro meses para ajudar na colheita. Hoje em dia, sinceramente? Oferta e demanda. A profissão de professor já não atrai mais os melhores cérebros como antes. Se além de pagar pouco ainda não der essas férias longas, podem ficar certos que seus filhos em breve estarão sendo ensinados pelo povo que não foi capaz nem de ganhar a vida como mendigo.)
Minha casa no Rio não tem telefone, internet, TV, rádio, nada. É uma casa à moda antiga: tem meus livros, minhas cuecas, minhas panelas, meu cachorro. A cada dois dias, quando bate a crise de abstinência, passo na casa do meu pai, dou um beijo nele, checo o email, ligo o msn, e ainda filo o almoço. Pronto.
Considerei brevemente assinar algum jornal de papel - a obsolescência em forma de objeto - nem que fosse só pra ter algum input externo depositado à minha porta, mas acho que não vale a pena o custo. O celular acabou se tornando meu único meio de contato com o mundo. Estou até mandando mensagens SMS, o que me faz sentir como se fosse um dos meus alunelhos de 18 anos.
Só tem um problema: aviso aos amigos que estou sem internet, coloco até o celular no blog (21 9503 5876) e, mesmo assim, o povo fica me escrevendo email em cima da hora pra me convidar pra eventos na mesma noite, emails que só vou ler dias e dias depois. Ou não querem que eu vá ou perdeu-se mesmo o hábito de fazer simples telefonemas.
Fiz a mesma coisa ano passado e o efeito na minha produtividade e na minha vida social foi impressionante. Bastou eliminar a internet e eu não só passei a ler e escrever mais, como também a sair mais, transar mais, beijar mais. (Ok, não foi mérito único da falta de internet em casa, mas ajudou bastante.)
O mais estranho é a sensação de colocar a chave na fechadura sabendo que não vai haver nenhum novo input me esperando lá dentro. Na minha casa, estão meus livros e roupas, e a alegria sempre contagiante do Oliver, mas nenhum blog atualizado, nenhum email não-lido, nenhuma janela piscando no msn, nenhum feed de rss, nenhum novo status update no Facebook ou no Twitter, nenhuma última notícia da política americana, nenhum flash do Globo Cidade, nenhuma mensagem piscando na secretária eletrônica. Não tem nem mesmo uma hora non-stop de música no rádio. Nada.
Minha casa se transformou em um refúgio da informação.
* * *
Do The Onion: 48-Hour Internet Outage Plunges Nation Into Productivity
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