Sobre a Hora do Planeta: tomar uma atitude que não muda nada e não resolve nada, mas que faz você se sentir satisfeito e auto-indulgente ("afinal, cumpri minha parte!") atrapalha muito mais do que ajuda.
Essa ideologia da cabeça-na-areia é justamente o que faz do racismo brasileiro mil vezes pior que o americano. Melhor um país que foi abertamente racista e onde agora se pode abertamente lutar contra o racismo do que a terra da denegação onde se acredita, contra todas as evidências, que não há racismo e ainda se olha feio para quem aponta sua existência.
Não sou petista e tenho nojinho do PT, mas gostei muito da declaração do Lula. O que ele quis dizer, e deveria ser óbvio para quem não ouviu de má-fé, é que a culpa da crise econômica mundial é não das *pessoas* brancas e de olhos azuis, mas das *nações* brancas e de olhos azuis - em oposição às nações escurinhas como nós.
Ainda assim, foi interessante ver a repercussão do comentário da internet. No Brasil, as pessoas se revelam muito quando falam de raça, ou quando querem apontar um pretenso racismo nos outros. Quem reclamou da declaração do Lula deve ser o mesmo povo que acha que uma camisa "100% Branco" dá na mesma que uma "100% Negro".
Como se desse pra comparar uma camisa de profundo mau-gosto (o que pode ser mais fácil do que quem está por cima celebrar sua hegemonia?) com a difícil auto-afirmação de uma identidade subalterna tentando se sustentar contra todas as desvantagens inerentes no sistema...
* * *
Aqui nos EUA, a eleição do Obama fez muitos cabeças-na-areia se manifestarem, dizendo que agora o racismo acabou de vez, estamos vivendo numa sociedade pós-racial, iupí! Parecem até brasileiros falando! Uma resposta:
... a 2008 Gallup poll in which 46 percent of non-Hispanic whites said there is no widespread racism against blacks. But it took a Yale University study to help me understand why some whites feel that way. Psychology professor Richard Eibach was reported last year in the Washington Post as having found that in judging racial progress, white people and black ones tend to use different yardsticks. Whites use the yardstick of how far we have come from the nation we used to be. Blacks use the yardstick of how far we have yet to go to be the nation we ought to be.
* * *
* * *
Veja todos os posts sobre Raça do LLL e acompanhe a conversa, assinando o RSS dos comentários. Para divulgar toda a série, use esse link ou o botão ao lado.
Posts similares:
Não Somos Racistas, de Ali Kamel (enfim, lido!)
Brancos Não Tem Raça
Pausa para um Aparte Catártico com Arnaldo Branco
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Post anterior: Os Dilemas da Classe Média (Prisão Dinheiro, 3 de 6) Próximo post: Caindo na Armadilha do Aumento do Padrão de Vida (Prisão Dinheiro, 4 de 6)