Não existe liberdade sem independência financeira.
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Com o pobre não tem conversa: ele sabe que não tem dinheiro e pronto. Não tem, não gasta. E, por não ter crédito, também não se endivida.
Na classe média, as coisas são muito mais complicadas: pra começar, você recebe um salário cheio de zeros e fica *achando* que tem dinheiro. Além disso, seu emprego provavelmente requer que se vista ou tenha um nível cultural que seu salário não permite.
Meu amigo João Carlos, jornalista formado por universidade topo de linha, trabalha de redator em uma grande cadeia varejista e ganha R$1.500 líquidos por mês. Seus empregadores esperam que ele esteja sempre inteirado das últimas novidades culturais, que seja lido e viajado, que conheça os últimos livros e filmes, que fale inglês e espanhol e que ainda trabalhe todo dia de roupa social. Fazendo um cálculo rápido, ver três filmes no cinema, comprar um CD e um livro, e assinar um grande jornal já custam quase um décimo do salário mensal de João Carlos - e, a não ser que ele more numa caverna, duvido que esses R$1.500 cheguem até o fim do mês. Ou seja, se você computa os seus gastos pra manter o guarda-roupa e o nível cultural que seu emprego demanda, no final das contas João Carlos paga pra trabalhar.
Pensemos em um hipotético faxineiro da mesma cadeia de lojas. Ele ganha R$600 líquidos, mas trabalha de uniforme, ganha vale-transporte, traz seu próprio almoço, não precisa falar línguas ou assistir filmes, e tem somente o primeiro grau completo. De um modo economicamente bem real, esse faxineiro é muito melhor pago que João Carlos.
Existe também a típica rivalidade e jogo de aparências da classe média: se todas as famílias do seu prédio tiverem carro, "imagina o que vão pensar de nós se não tivermos!" Você é pego num cruel meio-termo: não é rico o suficiente para poder de fato pagar saúde e educação privadas, mas também já está num nível sócio-econômico no qual se sentiria humilhado de usar um hospital público. Imagina o que pensariam se seu filho for o único do prédio saindo pra pegar o ônibus com o uniforme da escola da rede municipal! Sua mulher pediria o divórcio e o juiz, que também é classe média e vai entender o vexame pelo qual ela passou, lhe daria ganho de causa.
Finalmente, talvez o mais cruel: os bancos, sabendo do inviável estilo de vida que lhe foi imposto, começam a te oferecer crédito facilitado e pré-aprovado, cheques especiais e cartões de crédito, e você, pobre desgraçado, que não pode ser o único da agência que não passa o verão em Ubatuba, que não pode ir visitar cliente com um paletó vagabundo da C&A, que precisa almoçar com seu chefe no restaurante caro que você não tem como pagar, acaba aceitando.
E pronto, está condenado.
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À esquerda, um livrinho sensacional e divertidíssimo, uma verdadeira etnografia antropológica dos ricos enquanto tribo, seus hábitos e seus costumes. À direita, um dos melhores romances sobre o dinheiro e seu efeito na vida das pessoas.
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Dicas de Economia Doméstica de um Ex-Rico:
I - As Dicas Básicas
II - Viva a Vida à Vista
III - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça
IV - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça: Livros, CDs, DVDs
V - Reconsidere o seu Carro
Prisão Dinheiro:
I - Viver É Mais Barato do que Você Pensa
II - A Armadilha Consumista
III - Os Dilemas da Classe Média
IV - Caindo na Armadilha do Aumento do Padrão de Vida
V - Viver Fazendo Tanta Economia Já Não É uma Prisão?
VI - Não Existe Liberdade sem Independência Financeira
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