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A Armadilha Consumista (Prisão Dinheiro, 2 de 6)

 Box Super Máquina - 1ª TemporadaBruno, como tantos homens no começo dos trinta, vive pra sua carreira, trabalha que nem um mouro e está sempre cansado. Chega em casa com o corpo tão moído e o cérebro tão entorpecido que não consegue fazer nada de útil a não ser se jogar em frente a tv e zumbizar, vendo seriados na TV a cabo. Outro dia, comprou o DVD da primeira temporada da Super Máquina. Pagou R$200.

De vez em quando, lê os meus textos e vem me dizer que queria muito ver a vida como eu vejo, não dar tanta importância a essas coisas, saber relaxar mais. Respondi que viver a minha vida não é difícil. Basta simplificar as coisas. Trabalhar menos, gastar menos. Mas tem um preço: abdicar de ser consumidor. Não há como separar as duas coisas.

O DVD da Super-Máquina é bom (sic!) mas foi comprado com o dinheiro de suas quinze horas de trabalho diárias. Se trabalhasse menos e ganhasse menos, esses R$200 não estariam dando bobeira e teriam que ser usados pra comprar arroz, feijão e frango. Por outro lado, se não trabalhasse quinze horas por dia, seis dias por semanas, não estaria sempre exausto e não precisaria anestesiar seu cérebro vendo DVDs de seriados idiotas.

De um modo bem real, Bruno não tem "tempo livre", pois mesmo quando está longe do trabalho, seu tempo é definido em função do trabalho. Quando não está trabalhando, Bruno está descansando o cérebro de tanto trabalho e se preparando para poder trabalhar mais. Nunca está verdadeiramente livre.

O que complica a vida de Bruno é justamente ser consumidor. É isso que o joga direto nas garras do paradigma capitalista.

* * *

A humanidade sempre sonhou que o avanço tecnológico liberaria o tempo do homem. Fazia sentido. No século XIX, demorava-se um mês pra fazer cem sapatos. Com os avanços da tecnologia, podemos fazer esses cem sapatos em um dia. Não é perfeito? Mais tempo para brincar, passear, andar sob o sol.

Enquanto isso, o sistema capitalista nos acena com cada vez mais produtos interessantes (iPods, TVs de plasma, carros com GPS), que nos obrigam a trabalhar cada vez mais para poder ganhar cada vez mais dinheiro para consumir cada vez. E quanto mais consumimos, mais queremos consumir, e mais temos que trabalhar pra poder consumir ainda mais.

Sem estimular essa nossa ganância primordial, o capitalismo quebra.

Seria desperdício, pensa o sapateiro, fazer cem sapatos em um dia e deixar o equipamento ocioso. É muito tentador fazermos três mil sapatos por mês. Podemos expandir os negócios, ganhar mais dinheiro, economizar, ter mais segurança. Sei lá, pode acontecer alguma coisa, o futuro a gente nunca sabe. É melhor aproveitar pra ganhar agora.

Quase dá pra ouvir o clang metálico quando a armadilha se fecha.

 Vamos às Compras!: a Ciência do Consumo
Underhill é um dos principais pensadores do consumo e do modo como as pessoas compram. Esse seu primeiro livro, e o seguinte, especificamente sobre shopping centers, são repletos de observações inteligentes e grandes sacadas que me ajudaram a entender melhor o funcionamento do mundo.

* * *

Eu não sou de esquerda. E nem de direita. Esse texto não é uma crítica ao capitalismo. O capitalismo é lindo, cria riqueza e gera felicidade. Para isso, entretanto, escraviza as pessoas dentro do seu paradigma de mais trabalho e mais consumo, mais consumo e mais trabalho.

Somos agentes racionais. Ninguém é obrigado a comprar iPods ou comer Big Macs. Assim como as empresas são agentes livres e têm direito de vender seu peixe e anunciá-lo e promovê-lo, as pessoas também são agentes livres e tem direito de não comprá-lo. Acreditamos nos discursos em que queremos acreditar.

O melhor do capitalismo é que ele não nos força a nada. Tudo nos empurra em direção da armadilha consumista mas, felizmente, para escapar dela basta ter vontade. Eu, por exemplo, me sinto totalmente livre para viver à margem desse sistema.

Mas a decisão tem que partir de você:

"Não, eu não vou pegar esse emprego, porque ele vai me fazer trabalhar 10h por dia e ninguém merece trabalhar 10h por dia. Ele paga R$5 mil por mês e, sim, preciso de R$ 5 mil por mês se eu quiser comprar o DVD da Super Máquina, ou passar férias em Bonito, ou comprar um novo home theather, mas não preciso de R$ 5 mil pra viver."

E pronto.

* * *

Teoria da Classe OciosaGrande Gatsby, O
Veblen me ensinou quase tudo que eu sei de economia. Além de um pensador brilhante, também era mordaz e engraçadíssimo. Muita gente que discorda de suas teorias ainda o lê como um satirista da sociedade americana. Poucos escreveram sobre os ricos como ele. Fitzgerald também dedicou-se a contar as aventuras e desventuras dos mais ricos: O Grande Gatsby é sua obra-prima e um dos melhores romances de todos os tempos.

* * *

 promoção submarino

Dicas de Economia Doméstica de um Ex-Rico:
I - As Dicas Básicas
II - Viva a Vida à Vista
III - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça
IV - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça: Livros, CDs, DVDs
V - Reconsidere o seu Carro

Prisão Dinheiro:
I - Viver É Mais Barato do que Você Pensa
II - A Armadilha Consumista
III - Os Dilemas da Classe Média
IV - Caindo na Armadilha do Aumento do Padrão de Vida
V - Viver Fazendo Tanta Economia Já Não É uma Prisão?
VI - Não Existe Liberdade sem Independência Financeira

 Machado de Assis: Obra Completa Obras Completas Sigmund Freud: Edição Standard - 24 volumes

Obras completas de Freud, de R$960, por R$399

 

22.03.09


Categorias: Comportamento, Economia

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Comentário de: julio

como sempre me vejo dentro dos seus textos. mas essa serie de textos ta parecendo que vai virar um livro, pra gente comprar e entra na prisao do dinheiro ta.

PermalinkPermalink 22.03.09 @ 22:17



Comentário de: Blog Mallmal · http://www.mallmal.blogspot.com

Percebe-se que você é totalmente alheio ao capitalismo quando você coloca apenas livros não disponíveis como links!
Já comprei livros que você recomendou e esses não pude comprar, apesar de desejar lê-los.

PermalinkPermalink 22.03.09 @ 22:59



Comentário de: Blog Mallmal · http://www.mallmal.blogspot.com

Só pra complementar, não considero dinheiro gasto em livros como "supérfluo"... Livros sempre estarão conosco e a maioria dos livros que vale a pena não são absorvidos adequadamente (ou totalmente) em sua primeira leitura, nem na segunda, nem na terceira...
Além disso, tais livros podem ser oferecidos para a namorada, irmãos e principalmente filhos.

PermalinkPermalink 22.03.09 @ 23:02



Comentário de: Alex Castro Email

Oi Mallmal

(via de regra, nao respondo a quem assina pseudônimos, mas enfim, pelo menos vc existe o suficiente pra ter um blog interessante, entao vá lá;)

sobre seu comentário dos livros disponiveis, vc nao está levando em conta varias coisas:

- muitas vezes o livro estah disponivel hj, nao estah amanha e estah de novo depois de amanha - exatamente o caso da colecao do freud ao longo desse mes. quando faco o link, nao tenho como prever essas coisas.

- por uma questao de honestidade, eu prefiro recomendar um livro foda, e que mudou minha vida, como o do veblen, do que algum livro bunda qualquer. os tres livros citados nesse post, inclusive o do underhill, sao sensacionais.

- eu ganho dinheiro mesmo se vc comprar outra coisa, e nao o produto q indiquei. entao, uma vez que vc entre no site e o submarino coloque um cookie no seu computador te identificando como um cliente que veio do LLL, qualquer compra que vc faça pelos proximos dias vai pra mim.

e obrigado por jah ter seguido minahs recomendacoes.

PermalinkPermalink 22.03.09 @ 23:35



Comentário de: Lucas

Meu único problema com o capitalismo é com aquela coisinha de defender a "meritocracia", quando não tem nada haver com meritocracia (Se privilegiasse mesmo a meritocracia, estaria certo). Enfim, nem sempre se é rico pq merece ou se é pobre pq quer.

XD

PermalinkPermalink 23.03.09 @ 00:02



Comentário de: Alex Castro Email

"nem sempre se é rico pq merece ou se é pobre pq quer."

quase nunca, eu diria....

PermalinkPermalink 23.03.09 @ 00:08



Comentário de: Lucas

Só foi pra dar um sentido irônico ^^

PermalinkPermalink 23.03.09 @ 00:11



Comentário de: alexandre

Digamos que o capitalismo chegou e cegou as pessoas o ter é melhor que o ser.Porque trabalhar para dar conforto a familia . A familia quer você 0 dinheiro facilta só que o facilitador virou mestre das pessoas .todos trabalham e trabalham para que? viver ou sobreviver ? trabalhamos hoje patra ter ...ter o ceular melhor que tira foto ...calças que não combinam conosco e por aí vai.Capitalismo Nosso mestre!

PermalinkPermalink 23.03.09 @ 11:05



Comentário de: Blenda

Gostei de seu jeito de recomendar os livros.
Sempre tive atração por muita coisa, mas , comedidamente, porque a grana não chegava. À medida que a idade vem, a vontade de ter decresce ou desaparece.
Não tenho tanto interesse num Ipod Touch, por exemplo mas, se ganhasse um, ia ficar brincando com ele um tempão. É isso: Equilíbrio e sensatez; legal quando se tem tudo que nos serve - que o dinheiro pode comprar - sem desperdícios.
Prazer em conhecê-lo. Felicidades.

PermalinkPermalink 23.03.09 @ 11:30



Comentário de: Gigi

Alex, para mim a libertação total do dinheiro seria nunca mais ter que me preocupar com dinheiro. Viver em função de tudo aquilo que se pode abdicar é para mim justamente o contrário. Porque infelizmente, das coisas que proporcionam prazer, a grande maioria se paga. Viver nesse conta-gotas, do que se pode gastar, do que pode ser economizado é, para mim, a maior prisão do dinheiro que pode existir.
PS> e apelido, vc responde? O emeio é de verdade.

PermalinkPermalink 23.03.09 @ 12:29



Comentário de: Alex Castro Email

oi gigi

a questao nao eh o que vc quer, eh o que vc pode. eu cresci rico, entre gente rica. a diferenca entre ricos e pobres eh que ricos nunca pensam em dinheiro. o processo mental eh assim: eu quero, logo eu quero. para os nao-ricos, existe um passo adicional: eu quero, será que posso?, eu compro...

entao, se vc puder ser rica e nunca pensar em dinheiro, otimo. eu fico feliz por vc. alguns dos meus melhores e mais queridos amigos sao assim. nunca pararam pra pensar em dinheiro em suas vidas...

essas serie de posts, entretanto, é para as pessoas que nao podem se dar ao luxo de nao pensar em dinheiro...

fique de olho na parte V da prisao dinheiro, ela eh exatamente sobre isso q vc perguntou...

PermalinkPermalink 23.03.09 @ 12:36



Comentário de: Gigi

ALex, primeiro, uau, vc respondeu! Segundo, ficarei sim atenta ao tomo V das prisões. Já comprei dois de seus livros e confesso que talvez tenha até aberto minha boca na praça de comentários, mas nunca voltei pra checar se vc havia respondido. Até o próximo, hasta,

PermalinkPermalink 23.03.09 @ 13:11



Comentário de: Te

Tem um livro de Zygmunt Bauman, Vida para consumo, que fala disso. Li uns trechos na livraria e gostei. Aliás esse autor fala de várias angústias da sociedade atual: Medo líquido, Amor líquido, Vida líquida, A sociedade individualizada.

PermalinkPermalink 23.03.09 @ 13:14



Comentário de: Beatriz

A gente tem liberdade para consumir ou não, mas essa liberdade tem várias limitações. O capitalismo dá um jeito de vc ter de consumir coisas que vc não deveria precisar ou de que não servem para vc. Se uma importante peça do seu computador ultrapassado quebra, vc não acha peça de reposição. Tem de comprar o computador inteiro novo. O video cassete era bom o bastante para mim, nem vejo uma diferença tão grande assim para o DVD a ponto de me fazer mudar de aparelho. Mas as fitas foram escasseando a ponto de termos de comprar um DVD player. A moda dita um certo tipo de roupa que não te cai e vc não encontra em lugar nenhum o modelo que te serve. São apenas alguns exemplos. Deve haver muitos mais.

PermalinkPermalink 23.03.09 @ 16:26



Comentário de: joao · http://www.livralivro.com.br

TEnho alguns desses livros para trocar no http://www.livralivr.com.br, quem se interessar procure lá.

PermalinkPermalink 23.03.09 @ 17:00



Comentário de: Lucas

Meu pensamento é assim:

Posso ouvir essa música no Uol Rádio, o cd tem essa música; porém a internet me proporciona o mesmo serviço do cd. Logo, comprando o cd estarei jogando o dinheiro fora e ainda ocupando espaço XD

PermalinkPermalink 23.03.09 @ 19:51



Comentário de: Marcos · http://grillopensante.blogspot.com

Olá amigo!
Acompanho o seu site há algum tempo, e admiro muito o seu trabalho! Assim como você, eu aprecio muito a boa leitura, e admiro as pessoas com ideias a passar adiante...
Recebi um "selo" de reconhecimento pelo meu blog, e a incubência de passá-lo adiante, a blogs de que gosto muito, e o seu é um deles. Parabéns pelo seu trabalho!
Dê uma olhada no meu blog, no link http://grillopensante.blogspot.com/2009/03/gratidao.html , e veja como deve proceder, tomando o tópico como exemplo.É bem simples: cite no seu post de quem recebeu o selo, com o nome do blog devidamente "linkado"; adicione o selo no tópico; agora é sua vez de indicar 10 blogs de que gosta, sendo que todos devem ser também links.
Passe adiante! É um estímulo à leitura!!
Abraços... e parabéns!

PermalinkPermalink 24.03.09 @ 11:50



Comentário de: Alexandra · http://guerson.wordpress.com

"Não, eu não vou pegar esse emprego, porque ele vai me fazer trabalhar 10h por dia e ninguém merece trabalhar 10h por dia. Ele paga R$5 mil por mês e, sim, preciso de R$ 5 mil por mês se eu quiser comprar o DVD da Super Máquina, ou passar férias em Bonito, ou comprar um novo home theather, mas não preciso de R$ 5 mil pra viver."

Essa é a filosofia do meu marido. Em certo momento de sua carreira na Air Canada, ele chegou numa encruzilhada onde teve que decidir se queria subir mais um degrau. Acima desse degrau ele entraria no nível dos executivos, com salário e bonuses e tudo mais que vem com o cargo. Por outro lado, a vida dele não seria mais dele, o nível de stress se multiplicaria por mil, e ele poderia acabar doente e infeliz. Ele gostava do serviço dele, ganhava o suficiente para ele e pra família e seria bom ganhar mais mas não por aquele preço. Ele tomou a decisão de não subir esse degrau e nunca se arrependeu. Se aposentou com 55 anos, tendo sempre se divertido no trabalho, alegre e saudável. Enquanto que os colegas que resolveram subir o degrau anos atrás, alguns morreram de ataque cardíaco, outros não podem ser aposentar pq não têm uma vida fora do trabalho e o outro que tinha uma filosofia mais parecida com a do Alan acabou tendo um ataque epilético na rua, caindo e batendo a cabeça. Entrou com o pedido de aposentadoria na semana seguinte e está bem mas ninguém sabe o que causou os ataques epilepticos e qual o prognóstico. Ele toma remédios até hoje.

Tô fora...

PermalinkPermalink 24.03.09 @ 22:54



Comentário de: Jean Scharlau · http://www.olobo.net

Alex, estou curtindo muito essa série dupla sobre grana, consumo, não consumo. Tenho apreciado e concordado com a quase totalidade (ou grande maioria) do que dizes. Uma discordância, para confirmar a regra:

"O melhor do capitalismo é que ele não nos força a nada. Tudo nos empurra em direção da armadilha consumista mas, felizmente, para escapar dela basta ter vontade."

Se tudo nos empurra na direção da armadilha, isso é forçar ao extremo. Esse forçar vem na forma de uma torrente caudalosa e permanente, desde a mais tenra infância, com condicionamento, sedução, indução ao desejo e, portanto, à vontade.

Para escapar da armadilha consumista, não podemos contar com a vontade. Ao contrário, devemos primeiro submetê-la e reeducá-la, domá-la em alguns casos.

A nossa grande aliada, a que pode efetivamente livrar-nos da armadilha consumista é a necessidade, e seu braço direito, a razão (tua história pessoal parece-me confirmar isso).

Estas duas é que podem fazer a vontade trocar seus desejos mais prementes, imediatistas e permanentemente devoradores de satisfação por outros, de uma ordem diferente, menos óbvios e apressados, que levem a satisfações mais duradouras e estáveis, mais serenas e saudáveis, não arrastadas pela correnteza das moedas.

PermalinkPermalink 27.03.09 @ 12:32



Comentário de: Alex Castro Email

jean, eu acho muito engracado isso... as pessoas tomam suas decisoes, fazem o que querem do jeito que querem, e depois dizem que foram obrigadas...

se vc nao sabe a diferença entre ser forçado a fazer algo e ser convencido por persuasao, "condicionamente, seducao, inducao ao desejo", etc, é porque claramente

a) vc nunca foi casado e nem teve namoro serio, e nunca passou pela experiencia de ter sua namorada/esposa te atazanado dias e dias, de modo bem passive-agressive e insistente, usando todos seus fetiches contra vc, pra conseguir o que quer...

ou, pq tb claramente

b) nunca foi assaltado por ninguem q enfiou uma arma na sua cara e FEZ você fazer o q eles queriam....

PermalinkPermalink 27.03.09 @ 12:45



Comentário de: Jean Scharlau · http://www.olobo.net

Alex, estás reconhecendo a força só na contraposição a ela, mas ela existe apesar de discordâncias e contraposições, justamente porque há muitos mais concordando e se empenhando ("15 h por dia") a seu favor. Também os que aproveitam a correnteza (os ricos) estão submetidos, dando-se conta ou não do que os conduz.

Daí que quem está seduzido pela força não está menos submetido a ela do que quem lhe faz oposição. Pode-se dar até o contrário.

O que eu tentei dizer é que ninguém que esteja seduzido e confortavelmente instalado na corrente da força, terá vontade voluntária e gratuita de lutar contra ela. Essa vontade poderá surgir da conscientização de um significativo dano vinculado a essa submissão e direção impostas, e a percepção da existência de uma alternativa melhor. Isto costuma ocorrer por necessidade vital, circunstancial, incompatibilidade, inaptidão, raríssimas vezes por opção intelectual.

Justamente por isto tenho gostado desses teus textos, pois eles destinam-se ao pessoal que tem o pré requisito, ou seja, que sente a necessidade de sair fora do sistemão da força, mas precisa ainda entender a própria inconformidade e perceber melhor a alternativa para, só então, sob a demanda de uma nova e resultante vontade, fazê-lo.

PermalinkPermalink 27.03.09 @ 16:03



Comentário de: Pedro Martins

Tendo a pensar como você pensa.
Como cidadão brasileiro, porém, me vejo obrigado a raciocinar como a formiga da fábula coestrelada pela cigarra.
Se eu não juntar uma grana legal em empregos que me tomam tempo demais ou fazendo frilas que roubam meu lazer, estarei condenado a encarar a velhice dispondo de uma aposentadoria miserável e tendo de usufruir do maravilhoso sistema de saúde pública brasileiro.
Você já pensou nisso? Ou a sua velhice está tão longe assim?

PermalinkPermalink 27.03.09 @ 20:47



Comentário de: Alex Castro Email

viver em função de um futuro q pode nunca chegar (especialmente se isso significa fazer sacrificios concretos no presente) é o pior tipo de prisao... nao estou preocupado com o futuro... o pior q pode acontecer é eu morrer... e daí? isso vai acontecer de qualquer jeito...

PermalinkPermalink 27.03.09 @ 21:44



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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
  • 73. Diamond, Jared. The Third Chimpanzee. The Evolution and Future of the Human Animal. [EUA, 1992] Set.
  • 72. Suzuki, Daisetz Teitaro. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Set.
  • 71. Skidmore, Thomas E. Black into White. Race and Nationality in Brazilian Thought. [EUA, 1974] Set. (TulBib)
  • 70. Peter Pauper Press. Zen Buddhism. [EUA, 1959] Set.
  • 69. Ventura, Roberto. Estilo Tropical. História Cultural e Polêmicas Literárias no Brasil, 1870-1914. [Brasil, 1991] Ago. (TulBib)
  • 68. Freyre, Gilberto. Casa Grande & Senzala. [Brasil, 1933] Ago.
  • 67. Andrade, Carlos Drummond et al. Elenco de Cronistas Brasileiros. [Brasil, c.1950-2000] Ago.
  • 66. Veríssimo, Luis Fernando. Histórias Brasileiras de Verão. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 65. Veríssimo, Luis Fernando. Novas Comédias da Vida Privada. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 64. Rodrigues, Nelson. O Óbvio Ululante. Primeiras Confissões. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 63. Lispector, Clarice. A Descoberta do Mundo. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 62. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1900-1920] Ago.
  • 61. Alencar, José de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1860] Ago.
  • 60. Machado de Assis, Joaquim Maria. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1870-1900] Ago.
  • 59. Mankell, Henning. The Fifth Woman. [Suécia, 2000] Ago.15
  • 58. Mankell, Henning. The Man Who Smiled. [Suécia, 1994] Ago.10
  • 57. Lindsay, Jeff. Dexter in the Dark. [EUA, 1997] Ago.
  • 56. Couto, Mia. A Varanda do Frangipani. [Moçambique, 1996] Ago.
  • 55. Coutinho, Odilon Ribeiro. Gilberto Freyre ou O Ideário Brasileiro. [Brasil, 2005] Ago.
  • 54. Albuquerque, Roberto Cavalcanti de. Gilberto Freyre e a Invenção do Brasil. [Brasil, 2000] Ago.
  • 53. Chacon, Vamireh. A Construção da Brasilidade. Gilberto Freyre e sua Geração. [Brasil, 2001] Ago.
  • 52. Araujo, Ricardo Benzaquen de. Guerra e Paz. Casa Grande & Senzala e a Obra de Gilberto Freyre nos Anos 30. [Brasil, 1994] Jul.
  • 51. Schwarcz, Lilia Moritz. O Espetáculo ds Raças. Cientistas, Instituições e Questão Racial no Brasil, 1870-1930. [Brasil, 1993] Jul.
  • 50. Isfahani-Hammond, Alexandra. White Negritude. Race, Writing, and Brazilian Cultural Identity. [EUA, 2008] Jul.
  • 49. Bosi, Alfredo. Dialética da Colonização. [Brasil, 1992] Jul.
  • 48. Salles, Ricardo. Nostalgia Imperial. A Formação da Identidade Nacional no Brasil do Segundo Reinado. [Brasil, 1996] Jul.
  • 47. Salles, Ricardo. Joaquim Nabuco. Um Pensador do Império. [Brasil, 2002] Jul.
  • 46. Nabuco, Joaquim. O Abolicionismo. [Brasil, 1883] Jul.
  • 45. Nabuco, Joaquim. Minha Formação. [Brasil, 1899] Jul.
  • 44. Weber, João Hernesto. A Nação e o Paraíso. A Construção da Nacionalidade na Historiografia Literária Brasileira. [Brasil, 1997] Jul.
  • 43. Gofman, Rosane & Eny Lea Gass. Empregadas e Patroas. Uma Relação de Amor. [Brasil, 1998] Jul.
  • 42. Graham, Sandra Lauderdale. Proteção e Obediência. Criadas e seus Patrões no Rio de Janeiro, 1860-1910. [EUA, 1988] Jul.
  • 41. Maio, Marcos Chor. Raça, Ciência e Sociedade. [Brasil, 1996] Jun.
  • 40. Almeida, Luana Chnaiderman de. Entremeios e Entretempos. Aproximações ao Filme Shoah de Claude Lanzmann. [Brasil, 2006] Jun.
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  • 38. Sartre, Jean-Paul. A Questão Judaica. [França, 1946] Jun.29
  • 37. Costa, Angela Marques da e Lilia Moritz Schwarcz. 1890-1914. No Tempo das Certezas. [Brasil, 2000] Jun.
  • 36. Holanda, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. [Brasil, 1934] Jun.9
  • 35. Villa, Marco Antonio. Canudos. O Povo da Terra. [Brasil, 1995] Jun.7
  • 34. Brandão, Adelino. Euclides da Cunha e a Questão Racial no Brasil. A Antropologia de Os Sertões. [Brasil, 1990] Jun.6
  • 33. Moura, Clóvis. Introdução ao Pensamento de Euclides da Cunha. [Brasil, 1964] Jun.6
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  • 3. Moura, Clovis. O Negro: de Bom Escravo a Mau Cidadão? [Brasil, 1977] Fev. (TulBib)
  • 2. Suassuna, Ariano. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. [Brasil, 1971] Jan. (Releitura)
  • 1. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Clara dos Anjos. [Brasil, 1922] Jan.

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