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Viver É Mais Barato do que Você Pensa (Prisão Dinheiro, 1 de 6)

Quando eu era jovem e muito rico, eu tinha essa idéia meio preconceituosa de que era preciso muito dinheiro para se viver. No meu mundo, tudo era muito caro: bastava uma aritmética simples para concluir que só ganhando muito, muito dinheiro para manter aquele estilo de vida.

Buscando essa quimera, montei uma empresa e, logo depois, fali. Meu pai e minha mãe não estavam em condições de me ajudar financeiramente com nada. Fui morar com a esposa na casa da minha mãe, e pagando aluguel, ainda por cima. Vendi o carro e fiquei a pé pela primeira vez desde os 17 anos, uma experiência bem mais emasculante do que eu imaginaria.

Então, abri o jornal de domingo e fui procurar um modo de ganhar dinheiro. A demanda por professores de inglês era gigantesca e eu estava em posição ideal de supri-la. Passei dois meses espalhando currículos até obter a primeira resposta. Tinha dias que eu pegava mais de oito, nove ônibus pra dar duas ou três aulas em pontos diferentes da cidade. Foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido.

Percebi que não precisava ter medo da vida. Não são necessários R$15 mil por mês para ser feliz. Com poucas horas de aulas em dias alternados da semana eu já conseguia ganhar o suficiente para pagar minhas contas básicas - e viver como um bicho, é verdade, mas sem depender de ninguém e saqueando a biblioteca da PUC. Se e quando eu precisasse de mais dinheiro, bastava encher progressivamente os outros horários. Além disso, minha reputação na praça ainda era boa o suficiente para que trabalhos de consultoria surgissem esporadicamente aqui e ali.

Essa certeza de que eu conseguia me sustentar sozinho (e com esforço mínimo) foi talvez a revelação mais importante da minha vida.

As pessoas acham que precisam se escravizar dez horas por dia em um escritório sem janelas para poder viver. Que o único modo de terem tranqüilidade na vida, de serem consumidores, de garantirem sua velhice, é vendendo a alma ao mercado de trabalho.

Não é verdade. E isso não é vida.

Se a sua vida é isso, você quer viver pra quê?

 Armadilhas do Consumo Cultura e Consumo

* * *

Hoje, tenho uma vida estranha. Passo sete meses por ano nos Estados Unidos, em Nova Orleans, onde sou estudante profissional e vivo de bolsa. Passo cinco meses por ano no Brasil, no Rio, onde me viro como posso, faço trabalhos de consultoria em Internet, traduzo, pego uns bicos.

O dinheiro da bolsa serve para eu viver monasticamente durante os sete meses que passo nos EUA: divido uma casa, não tenho carro, vou a pé pro trabalho, não como fora, não compro livros, CDs, DVDs. Troco de computador nos anos pares (cerca de US$1.000) e de óculos nos ímpares (cerca de R$600). Como gosto de cozinhar e comer saudável, gasto cerca de US$400 por mês de supermercado - o que é um absurdo, mas também o melhor investimento do mundo. Meus outros gastos mensais são: US$180 de telefone (cartão telefônico internacional, celular, internet), US$350 de aluguel, US$100 de táxi, US$100 de luz/gás/água, US$60 de plano de saúde, US$25 de Netflix. Ou seja, vivo muito bem, com acesso a uma excelente biblioteca, comendo bem, fazendo exercício, vendo filmes a vontade, por cerca de US$1200 por mês, ou US$8000 por ano.

A verdade é que viver é muito, muito barato. Quem quer trocar de carro todo ano e ter vista pro mar tem mesmo que trabalhar 16 horas por dia. O resto de nós, não. Precisamos mesmo de tanto? Não será melhor ganhar menos, trabalhar menos e ter mais paz? Você realmente precisa de tudo aquilo que necessita?

Sinto uma dor no coração cada vez que escuto um vestibulando dizer que adora biologia/filosofia/etc, mas que vai cursar direito/medicina/engenharia/etc, porque dá mais dinheiro. E eu penso: meu deus, tão moleque, morando com os pais, vivendo de mesada, ainda nem sabendo o preço da vida, mas já abrindo mão do que gosta - já com tanto medo! Como as pessoas suportam viver com tanto medo?

A maioria das pessoas que conheço vive tomada por um medo enorme da vida: medo de serem demitidas, medo de serem pobres, medo de não conseguirem se sustentar. Mas se sustentar é fácil. Dá pra se sustentar com qualquer empreguinho. Não dá pra comprar todas porcarias que você vê anunciando na TV, mas dá pra se sustentar, sim, e ser muito feliz. Do que essas pessoas têm medo então? De não conseguirem se sustentar ou de não conseguirem comprar roupas de grife, livros caros, engenhocas eletrônicas?

* * *

 História Natural dos Ricos Suave é a Noite
À esquerda, um livrinho sensacional e divertidíssimo, uma verdadeira etnografia antropológica dos ricos enquanto tribo, seus hábitos e seus costumes. À direita, um dos melhores romances sobre o dinheiro e seu efeito na vida das pessoas.

* * *

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Dicas de Economia Doméstica de um Ex-Rico:
I - As Dicas Básicas
II - Viva a Vida à Vista
III - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça
IV - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça: Livros, CDs, DVDs
V - Reconsidere o seu Carro

Prisão Dinheiro:
I - Viver É Mais Barato do que Você Pensa
II - A Armadilha Consumista
III - Os Dilemas da Classe Média
IV - Caindo na Armadilha do Aumento do Padrão de Vida
V - Viver Fazendo Tanta Economia Já Não É uma Prisão?
VI - Não Existe Liberdade sem Independência Financeira

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20.03.09


Categorias: Comportamento, Economia

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Comentário de: Estivador Russo

Muito boas as dicas Alex, atualmente estou buscando isso pra minha vida, sair do mundo dos escritórios, do ar condicionado e do stress de ter que engolir sapos todos os dias.
Um abraço.

PermalinkPermalink 20.03.09 @ 01:18



Comentário de: mauro tatini · http://mtatini.blogspot.com

concordo com muita coisa sobre essa serie - mas tem uma coisa essencial que voce se esquece: isso tudo funciona pra quem tem respaldo, como voce, pro futuro. Se meus pais tem grana, casa, etc, eu posso viver de "bico" e "aulinha de ingles" porque eu sei que um dia eu vou ter um lugar pra morar, que minha velhice tah garantida. Pra quem nao tem isso, como faz, a hora que voce tem 60, e tah cansado de fazer bico? Ou 70, e nao aguenta mais pegar onibus todos os dias? Contas de remedios, hospital? Quem paga o aluguel? Afinal, a vida de "escritorio" pode nao ser soh pra comprar carro e tv de plasma, mas pra sustentar a vida agora e a do futuro - e, claro, quase todo mundo quer ter familia propria, que nao eh teu caso. Aih fica facil. Mas nao funciona pros que nao sao "pobres" com pais ricos.

PermalinkPermalink 20.03.09 @ 09:23



Comentário de: Te

Existe também o medo de chegar à velhice sem casa própria, aposentadoria e dinheiro pra médico e remédios. Deve ter pesadelos de se imaginar na fila do SUS ou saindo de mãos abanando da farmácia popular por que não tinha os seus remédios. Tudo é questão de fazer uma escolha e de aguentar as suas consequencias.

PermalinkPermalink 20.03.09 @ 10:35



Comentário de: Alex Castro Email

bem, mauro, eu nao sei vc, mas eu nao tenho pais ricos e nao vou herdar nada... ao contrário de muitos amigos classe média, que ganham apartamentos dos pais quando casam ou ficam adultos, eu nao tenho nada no meu nome... (outro dia um amigo, que ganhou um apt do pai na tijuca quando casou, veio dizer: "nao acreditooo que vc nao tem um imovel!"... haha...) pelo contrario, em breve eu e minha irmã termos q sustentar minha mãe... e a gente vai trabalhando, ue...

PermalinkPermalink 20.03.09 @ 11:36



Comentário de: Durval

Seu raciocínio funciona bem para a fase da vida em que você se encontra. Mas temos de pensar não só na velhice (como já disseram), mas também nos filhos. Podemos impor a nós mesmos um modo de vida monástico, mas é mais difícil obrigar seus filhos à mesma escolha. Não estou dizendo que você tem que comprar pra eles "todas porcarias que você vê anunciando na TV", mas precisa oferecer opções, experiências, vivências, alternativas, oportunidades, enfim, mostrar as infinitas possibilidades que eles têm para construírem suas próprias vidas, sem cair na armadilha de acreditar que suas escolhas são necessariamente as mais adequadas para eles.
Isso, é claro, se você pretende ter filhos. Se não, sua vida vai ser mesmo muito mais cômoda, mais barata – e mais sem graça.

PermalinkPermalink 20.03.09 @ 12:03



Comentário de: Rosi · http://enquantoda.blogspot.com

Cara, você não tem noção do tanto que eu concordo com você. Hoje, principalmente, existe uma idéia super equivocada de que viver extressado, trabalhando 18 h por dia tem charme, porque significa que você é um busyness man. Mas ganhando como um operário de alto forno.

PermalinkPermalink 20.03.09 @ 12:05



Comentário de: Rosi · http://enquantoda.blogspot.com

Corrigindo "eStressado"

PermalinkPermalink 20.03.09 @ 12:07



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Tentando complementar eu diria que...

Mauro e Te, acho que ponto é outro. Eu, por exemplo, não tenho pais para me ajudar, mas tenho um estilo de vida e emprego bem diferente da maioria das pessoas onde moro.

Eu sou de Brasília e aqui praticamente todo mundo quer trabalhar pro governo, para ter estabilidade, salários altos etc. etc. Já trabalhei em órgão público, não gostei da experiência, e hoje evito. Eu poderia fazer concurso para trabalhar na PF e ganhar uns R$ 10 mil, mas vivo muito bem trabalhando numa empresa pequena e motivadora, sem ganhar nem um terço disso (que aqui é considerado pouco), e ainda faço poupaça, só compro coisa a vista e tenho previdência privada.

Além disso, tenho tempo e *energia* para estudar o que quiser, sair com amigos, ler, escrever... Para mim, oito horas diárias de trabalho são quase um hobby... enquanto conheço gente que trabalha por seis horas em órgãos do governo, ganham R$ 15 mil e estão insatisfeitas e sempre cansadas.

Claro, eu não tenho uma vida tão estóica como a do Alex Castro, mas o ponto, eu acho, não é que você deva viver como ele; o ponto é que você não precisa ter medo e ir com a manada. Você talvez precise de tanto dinheiro... mas será que já pensou se precisa ou não? Ou melhor, já pensou no que você realmente quer? O Alex Castro quer trabalhar menos e viver mais*; eu quero trabalhar com o que gosto; você pode muito bem querer trabalhar como um burro para ganhar uma fortuna, isso não é problema - o problema é você fazer isso no automático. O problema é não escolher por você mesmo.

* Eu sei, foi uma simplificação grosseira, mas é só para dar a idéia de escolha :)


PermalinkPermalink 20.03.09 @ 12:07



Comentário de: Alex Castro Email

durval,

soh tem uma coisa: economicamente falando, ter filhos eh estabelecer um passivo como qualquer outro. eh como decidir fazer uma hipoteca. vc está tomando uma decisao que vai te trazer alegrias e tal, mas tb vai te causar uma saida de dinheiro mensal por 20 anos ou mais.

e, como toda decisao assim, vc soh deve toma-la se achar que vai ter condicao de arcar com o tranco.

se acha q sim e toma a decisao, otimo, entao nao reclama.

se acha que nao e decide nao fazer, otimo tb.

PermalinkPermalink 20.03.09 @ 12:45



Comentário de: Denise Monteiro

CLARO QUE SIM! A NÃO SER QUE VC TENHA FILHOS.


PermalinkPermalink 20.03.09 @ 13:35



Comentário de: fernando

Começou o mimimi dos fazedores de filhos.

PermalinkPermalink 20.03.09 @ 16:34



Comentário de: mauro tatini · http://mtatini.blogspot.com

estou indo pelas tua resposta `as perguntas, onde disse:"...Eu vivia dizendo que era ricaço porque eu era. Tem um povo que acha que eu falo porque quero tirar onda ou porque tenho orgulho. Mas, justamente, não tenho vergonha nem orgulho, porque EU nunca fui rico. Quem foi rico, e depois pobre, e depois rico de novo, etc, foi minha família, eu não tive participação nenhuma nisso..." - mas enfim, se o caso nem eh esse, o problema continua - "a gente vai trabalhando" - mas ateh quando? Tem hora que nao dah mais. E embora nao seja das melhores ideias, ter filhos pelo menos pode significar que eles vao tomar conta de voce no futuro - sem garantia alguma, claro, mas pelo menos pode acontecer. Sem filhos, quem paga hospital e moradia, comida? Agora tah tudo otimo - viver no momento. Mas o momento passa, e aeh? E by the way, eu trabalho de 2 a 3 meses por ano, viajando pelo mundo com uma banda de jazz, o que me dah o suficiente pra viver durante o ano todo, e mais um pouco. Mas juntei uma grana, comprei uma fixer-upper, e vou alugar 3 unidades quando estiver pronta, morar na outra. E fazer isso de novo. Nao posso fingir que vou ser saudavel a vida toda, nao funciona - seria viver "fora da realidade"... (ha!)

PermalinkPermalink 20.03.09 @ 19:16



Comentário de: Alex Castro Email

bem, mauro, vc presume muitas coisas erradas, entre elas q eu me preocupo com o futuro e com o que vai acontecer comigo... viver em função de um futuro q pode nunca chegar (especialmente se isso significa fazer sacrificios concretos no presente) é o pior tipo de prisao... nao estou preocupado com o futuro... o pior q pode acontecer é eu morrer... e daí? isso vai acontecer de qualquer jeito...

PermalinkPermalink 20.03.09 @ 19:55



Comentário de: Márcio

Ganhas o equivalente a R$ 2760 e pagas menos pelas coisas aí.
Para ganhar isso no brasil trabalhando honestamente é preciso para o homem mediano pelo menos 4 ou 5 anos de experiência numa mesma área de curso superior; isso já exclui 95% da população do Brasil.
O salário inicial de quem é formado é em torno de R$ 1500, ao menos aqui no sul (SC e RS). Enfim, pagando aluguel, comida, higiene, o dinheiro já diminui pra uns R$ 400. Se for pagar um plano de saúde, se tiver a sorte de trabalhar pra uma empresa que dê o plano, sobra no final do mês uns 200 pilas, para pagar a luz e a internet.

Não é fácil se sustentar, na minha opinião.

Agora imaginem uma pessoa vivendo com um salário mínimo: não se pode nem ficar doente, pois esse mês mesmo eu gastei 100 pilas em antibióticos.
A solução nesse caso seria pedir ajuda, e sabe-se lá o que o ajudante vai pedir em troca por essa ajuda.

PermalinkPermalink 20.03.09 @ 20:38



Comentário de: Martins

Esses textos recentes mostram bem a fase que estou passando na vida. Larguei um emprego que pagava razoavelmente bem ($3500/mês), mas que eu trabalhava como um robô por 9 ou 10 horas por dia, e voltei a faculdade para fazer o que realmente gosto.

E realmente, dá para se viver muito bem ganhando muito pouco.

Mas tem certos "sacrifícios". A faculdade sendo pública e eu não ter filhos (e nem pretendo ter!) ajuda muito.
Os almoços de 20-25 reais por dia viraram almoço e janta no bandejão da faculdade (1,90 por refeição!)
Cinema? Agora só no cinema gratuito da faculdade.
E ainda tem o enorme complexo de esportes e o acervo gigantesco das bibliotecas da faculdade.

Já fui taxado de louco, mas... olho para trás e não consigo pensar em voltar para o escritório e ser um robozinho.

PermalinkPermalink 20.03.09 @ 20:56



Comentário de: Sabrina Ortiz

Estou aguardando o fim da série, mas já me antecipo:

Estamos no capitalismo. Então quem ama pedagogia, biologia ou filosofia está em grande desvantagem em relação aos que adoram direito, engenharia e medicina - mantidas as outras condições.

Ninguém pagava a cigarra para cantar no verão. E algumas formiguinhas (mas não todas) viviam felizes, faça chuva, faça sol.

Deram exemplo do pessoal que trabalha 6 horas por dia ganhando 15 mil e vive cansada e reclamando. Mas há uma parcela desse pessoal que faz o que gosta, vive muito bem (MUITO bem), ganhando bem e aparentemente mais felizes do que outros em situações menos cômodas.

Saúde, velhice e filhos são questões importantes, e ignorá-las pode causar frustações no futuro. A questão dos filhos o Alex já ponderou (ótimo), mas conheço mulheres que se dedicaram demais ao trabalho e quando querem ter filhos (aos 35-40 anos), é muito mais complicado - logo, se frustram. Pq não pensaram nisso antes devidamente.

Planejar é uma capacidade primordial do ser humano, que o destacou dos demais.

PermalinkPermalink 20.03.09 @ 21:35



Comentário de: Angela · http://anjos-acasos.blospot.com

Isto tudo é muito complexo. Tem casos e casos. Viver com salário mínimo é quase impossível, mas se procurarmos as oportunidades e termos em mente que o que escolhemos foi o melhor para nós poderemos viver mais felizes, mesmo
sem um grande salário.
Sempre fui professora, daquelas que ganham pouco e, alguns sonhos na cabeça. Difícil de realizar pois a grana parecia sempre curta, mas descobri que é possível fazer uma viagem de 45 dias , conhecer uma centena de cidades em 8 regiões diferentes na Italia, conhecer a Irlanda, comprar "lembrancinhas para os amigos e ainda por cima fazer um curso de um mês de língua e cultura italiana tudo por menos de 2.300 euros.
Planejando e descobrindo as melhores opções se pode ir longe e viver bem.
Abraço
Angela

PermalinkPermalink 21.03.09 @ 13:30



Comentário de: mauro tatini · http://mtatini.blogspot.com

cool - então, sem a preocupação com futuro, as coisas ficam bem fáceis. Mas aí, limpar crédito pra que? Isso só serve pro futuro. Eu pegaria o máximo de cartoes de crédito, usaria tudo o que der (enquanto meu crédito está bom, e existe) e depois nao pagaria. O banco vem atras, voce nao tem nada mesmo, nem emprego direito, eles nao tem o que pegar - abre falencia, e em 7-10 anos, tenta tudo de novo. Assim, alem de viver o momento, voce ainda pega uma grana pra guardar/gastar/viajar. Se voce devia uma grana quando perdeu a firma/se separou, e levou alguns anos pra pagar essa conta, eu obviamente presumo que se preocupa com o futuro - de alguma forma - ou nao deveria ter pago. Conta caduca anyway.
Mas don't get me wrong - eu não estou fazendo apologia ao trabalho semi-escravo. Eu estudei em colegio de rico (dante alighieri) com bolsa integral por causa das minhas notas (meu pai nao poderia pagar) e entrei em primeiro lugar no vestibular - nao cheguei a me formar por falta de grana, e porque resolvi tocar em barzinhos pra ganhar grana, ser musico. Eu teria sido um excelente engenheiro, e nao sou. Teria uma casa (ou várias) bonitas e prontas, ao inves de comprar uma barata que precisa de trabalho - trabalho que venho fazendo sozinho. De excepcional engenheiro que eu seria, virei meu proprio encanador, pedreiro, eletricista. Mas estou na boa, e sou muito feliz. Só disse que não posso fingir que o futuro nao existe. O problema não é morrer - isso é o melhor que pode te acontecer. Tem um monte de coisa que pode rolar por anos antes de voce morrer, que vai te fazer dependente - de algo, de alguem. É disso que a gente tá falando. E voce sabe disso, claro.

PermalinkPermalink 21.03.09 @ 15:36



Comentário de: Alex Castro Email

"E voce sabe disso, claro."

nao confunda as coisas q eu sei com as coisas com as quais eu me importo....

PermalinkPermalink 21.03.09 @ 16:14



Comentário de: Lucas

Uma coisa que eu nunca entendi é esse povo que vai fazer Direito por medo de ficar pobre. Eu acredito que fazer Direito é o meio mais perigoso de ficar pobre. Parece que ninguém pensa que depois de terminar a faculdade vai ter que esperar 6 meses para sair a carteira da OAB, que abrir escritório próprio requer um alto investimento num mercado de trabalho saturadíssimo e que os concursos públicos para Direito não são para qualquer um. Quer fazer Direito? Ótimo, mas tem que ser no mínimo o supra-sumo do Direito e ter um excelente "paitrocínio". A vida não é brincadeira e acho que devemos jogar seguro, se deu certo vamos em frente. Não se vira "zero a esquerda" para "dez a esquerda" de uma vez só. Uma pessoa que faz uma faculdade de Biologia pq acha que só pode passar num concurso de professor, pode até ter uma concepção completamente errada de satisfação pessoal... Mas que está sendo mais realista que alguém nas mesmas condições que vai se inventerar do Direito, disso não tenhamos dúvidas.

PermalinkPermalink 21.03.09 @ 22:13



Comentário de: Helvécio

Que tem filhos sempre joga na cara dos "sem-filhos" que estes vivem tranquilos.

Então porque fizeram filhos ?

Arrependidos ? Aproveita que estão novos e vende esses melequentos. Paga-se bem.

PermalinkPermalink 22.03.09 @ 12:14



Comentário de: Lucas

A verdade é que a gente tem que se privar das coisas para saber que pode viver sem elas, FATO. Por exemplo: Meu pai sempre teve carro, mas o objetivo principal dele era usar o automóvel para o trabalho... E sempre usava essa desculpa para não passear nos fins de semana. Por isso, ninguém tira da minha cabeça que uma pessoa que vive em cidade pequena e tem um emprego "formal" não justificaria a compra de um carro nem que o mesmo andasse a base de água... E ainda por cima estaria agradando ambientalistas e os que "viram a cara" para a sociedade do consumo, por mais que a decisão esteja ligada a fatores exclusivamente econômicos . Eu mesmo conheci um casal com uma filha pequena que o pai ganhava cerca de R$650 por mês e a mãe era professora primária em meio período, e diziam que eram felizes inclusive economicamente... Será que são alguma espécie de milagreiros? Não acredito.

PermalinkPermalink 22.03.09 @ 18:15




Os "medos" realmente tomam conta de nós quando já estamos soltos nesta corrido consumista.

Já fiz uma doideira neste sentido, deixando os medos de lado, um pouco depois de ter casado: larguei o emprego sem ter nada em vista.

Escolhi o bem estar.

PermalinkPermalink 23.03.09 @ 21:01



Comentário de: Carla · http://www.salariominimo.net

Concordo! Tenho n amigos que se sacrificam imensamente em seus trabalhos, e além de ficarem totalmente estressados, não são sequer reconhecidos. Vejo que se é pra sofrer, que pelo menos ganhe muito bem, e depois de uns 10 anos largue os bets. Fora isso, não vale a pena! Envelhece cedo. Doenças aparecem facilmente. Nada legal. Beijos! Carla.

PermalinkPermalink 31.03.09 @ 17:57



Comentário de: Maria Creusa Mota

Olá:

Gostei muito das dicas e gostaria de saber se existe esse livro: "dicas de economia de um ex rico".


Aguardo resposta:


Maria Creusa

PermalinkPermalink 14.04.09 @ 11:50



Comentário de: Silvana · http://silmq.blogspot.com

É curioso: esta série tem mais a ver com escolhas que propriamente com economia, e nem todo mundo se liga nisso. Acho estes textos muito mais esclarecedores que, por exemplo, aquela série do Eduardo Gianetti para o Fantástico no ano passado; não cai no maniqueísmo "formiga/cigarra" que ele caiu. O Alex simplesmente está contando sua experiência, a escolha de tomá-la como "dica", orientação etc. etc. etc. é exclusivamente de cada um de nós.

PermalinkPermalink 15.04.09 @ 00:41



Comentário de: Jonatan · http://www.videosmania.info

Concordo com você, por isso tem tanto médicos ruim, eles não fazem por gosta e sim pelo os $moneys.

PermalinkPermalink 07.06.09 @ 23:28



Comentário de: zoot

Arrumem um emprego público, trabalhem pouco e ganhem razoavelmente bem ou otimamente bem se voce estiver no lugar certo. O Brasil é uma grande repartição pública! Não é à toa que pagamos quase 40% de toda riqueza produzida no Brasil para o governo... ou desgoverno, como preferirem!!!! A verdade é qua a iniciativa privada tem que trabalhar dobrado e ser super eficiente para conseguir sobreviver. Já o governo é exatamento o oposto! Quem eu conheço no governo, hoje rí até de defunto. Fora as aposentadorias, totalmete diferenciadas do resto dos mortais. É só vantagem!!!!!!


PermalinkPermalink 08.08.09 @ 10:32



Comentário de: nairton de castro · http://nairton de castro

omo filosofia de vida está correta esta visão.Li certa vez que um homem , banqueiro .Em sua existencia tinha um f
grande sonho de aposentar-se e viver pescando e apreciando a natureza.SAposentou-se pegou a tralha e ao chegar a beira mar puxou conversa com um homem que lá estava e que sempre viveu beira mar.Este homem era um caicara.Seu nome ? Zé.Sobrenome não tinha.Filhos ?Sete.Todos com nome ou apelido ou só sobrenome.O banqueiro com lagrimas nos olhos disse _ Era esta vida que eu queria e não sabia e só agora descobri , pescar a vida inteira ter muitos filhos e sem ser escravo da sociedade .

PermalinkPermalink 19.09.09 @ 10:15



Comentário de: juscelino

quer ser feliz forme ativos se não sabe o que é é tudo que te dá retorno.aprenda com a formiga trabalhe quando tem que fazê-lo e descance quando tem que descançar.Não olhe ao seu redor, não prove nada pra ninguém pois essa é com certeza a maior escravidão.felicidades

PermalinkPermalink 26.10.09 @ 22:37



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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
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