O leitor Elpydio Phragoso (hmm, será pseudônimo?), do excelente Xingatório da Imprensa, fez um perfeito resumo (hmm, será ironia?) da série sobre economia doméstica:
Bem, partindo-se do mesmo princípio, nada de fazer compra do mês. Afinal, ir no mercado todo dia dá na mesma, principalmente se houver um na sua esquina. Nem é preciso dizer que comida no mercado não estraga (ou melhor, estraga, mas você não leva). Ter carro também é duvidoso, a não ser que você estude/trabalhe no outro lado da cidade. Mesmo de táxi, considerando-se o custo de propriedade de um carro e o do combustível, seria preciso rodar muito para sair mais barato o automóvel próprio. Roupa, no máximo umas três mudas, tempo suficiente para lavar as sujas (que, aliás, podem ser lavadas na casa do seu amigo/vizinho, liberando um precioso espaço na área de serviço, sem falar na energia elétrica). Viajar, então, nem se fala. Os livros - que, lembre-se, você pode pegar na biblioteca - contam as histórias muito melhor e com fotos sensacionais. O negócio é esse: sentar, esperar a vida passar e guardar um dinheiro. Racionalmente.
É isso mesmo. Essas dicas são radicais. Seu objetivo é uma completa reeducação financeira para pessoas cuja vida entrou em colapso. Se você nunca se endividou, então não precisa tomar um choque desses. Sorte sua. Se está com dívidas que não pode pagar, então essas dicas são pra você. Talvez não pra sempre, mas até estar no azul de novo.
No meu ver, essas pessoas que vivem no cheque especial são como alcóolatras. Para quem não consegue se controlar, não adianta uma comprinha inocente, não dá pra beber socialmente. A mudança tem que ser radical. A vida tem que ser vivida um dia de cada vez.
Depois, à medida que suas finanças forem entrando nos eixos de novo, pode se dar um luxo aqui, uma liberdade ali, mas, pelo menos, terá aprendido um novo modo mais saudável de lidar com seu dinheiro.
Quando quebrei, eu devia R$ 6 mil no cheque especial e R$7 mil no cartão de crédito. Sem um programa de choque, estaria endividado até hoje. Usando essas dicas, voltei ao azul em dois anos.
Ao contrário do que parece pelo comentário acima, não tem nada de horrível ou passivo ("sentar e esperar a vida passar") em comprar menos livros, usar mais a biblioteca, fazer compras todo dia no mercadinho da rua, parar de dirigir, não viajar. Pelo contrário, esses dois anos foram talvez os mais felizes e produtivos, livres e ativos da minha vida. Talvez porque eu não tinha tantas distrações.
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Dicas de Economia Doméstica de um Ex-Rico:
I - As Dicas Básicas
II - Viva a Vida à Vista
III - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça
IV - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça: Livros, CDs, DVDs
V - Reconsidere o seu Carro
Obras completas de Freud, de R$960, por R$399
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