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Parte V: Reconsidere o seu Carro
Outro dia, um colega (que vive com a mesma bolsa de estudos que eu) me viu chegando de táxi na universidade e me chamou de "riquinho". Riquinho é ele, que tem carro: eu pego táxi porque sou pobre.
Por muitos anos, eu não apenas tive carro como dirigia 70km todo dia pra ir e vir do trabalho, perdendo aí cerca de três horas por dia. Hoje em dia, acho isso uma loucura. Uma das minhas primeiras medidas quando quebrei em 2002 foi me mudar pro lado do meu novo trabalho. Morava no mesmo quarteirão, não precisava nem atravessar rua. Depois, quando vim pros EUA com uma bolsa de estudos, também aluguei uma casa a meia hora de caminhada da universidade. É uma questão de estilo de vida. Eu não quero mais perder minha vida em carros. Vou sempre tentar ao máximo morar perto do trabalho. A diferença em qualidade de vida é impressionante.
Ainda assim, ter carro é bom e considerei seriamente comprar um aqui em Nova Orleans. Entretanto, quando comecei a fazer os cálculos, as contas não batiam. Esse site, por exemplo, mostra uma média de quanto custa manter um carro nos Estados Unidos. Segundo eles, cerca de US$600 por mês, somando amortização, custo de compra, leasing, seguro, impostos, manutenção, consertos, gasolina, estacionamento, etc. Para alguém que, como eu, gasta US$1.200 por mês, US$600 pelo privilégio (luxo?) de ter um carro parece um pouco demais. Além disso, como sou estrangeiro e não tenho histórico de direção nesse país, a seguradora presume que sou um louco potencial ao volante e meu seguro é consequentemente altíssimo. No Brasil, as coisas não são muito diferentes. Esse artigo, escrito em 2005 por um professor da UFRJ, estima que um carro econômico, que custou R$20 mil e roda cerca de 500km por mês, tem um custo mensal médio de R$800! Vale a pena clicar no link e ver os outros cenários que ele projeta.
Por outro lado, quando começa a fazer as contas, incorporar táxis ao seu estilo de vida é algo que faz muito sentido, além de ser econômico.
Pra começar, não tem NENHUM custo escondido. Quando aluguei um carro no fim de semana do meu aniversário e quis passear pela cidade, só em um estacionamento paguei US$20. Esses custos vão se empilhando sem você nem perceber. Com táxi, não existem impostos, seguros, amortizações. Os US$100 que gasto em táxi por mês são só isso: cem dólares, e à vista (enquanto os do carro são parcelados, ocultos, periódicos): não apenas eu vejo o dinheiro do táxi fisicamente indo embora como também posso simplesmente parar de pegar táxis quando estou mais duro. Experimente parar de pagar o seguro ou o imposto do seu carro pra ver o que acontece.
Pegando táxi, eu nunca tenho que perder horas procurando vagas, parar a quilômetros de onde quero ir e andar carregando tudo nas mãos. É como ter um motorista, que me pega na porta e me deixa na porta. Também nunca existem aqueles gastos inesperados, do tipo fundir seu motor na véspera da viagem e te forçar a gastar US$1.000 de uma hora pra outra ou desmarcar tudo. Táxis não são perfeitos, claro: já me deixaram na mão algumas vezes. Mas carros custam muito mais e também nos deixam na mão.
Com o tempo, você acaba pegando várias tretas. Por exemplo, se for passar menos de vinte minutos na loja, vale a pena mandar o taxista esperar: o valor do taxímetro para esse tempo parado é igual ao valor inicial da corrida. Se o tempo de espera for até quarenta minutos, também vale a pena, para poupar não só o valor da ligação para a cooperativa como também o tempo de espera por um novo carro. Em dias movimentados, mais vale um táxi na mão do que dois voando.
E também tem a questão do carro alugado. Uma corrida de táxi do aeroporto até minha casa sai por US$35. Um aluguel de carro por um dia é o mesmo preço. Por isso, sempre que chego em Nova Orleans, alugo um carro, já faço tudo o que tenho que fazer e devolvo o carro no dia seguinte na loja perto da minha casa.
Por fim, realmente, há um certo estigma de que táxi é coisa de gente rica. Muitas vezes, deixamos de fazer alguma coisas pra não ter que chamar um táxi. Então, me fiz uma promessa: como estava adotando táxis em substituição aos carros, eu faria de táxi qualquer coisa que, se tivesse carro, simplesmente pegaria o carro e iria.
Além disso, sempre que não tenho pressa, não está chovendo ou não estou carregando peso, eu vou a pé, de bonde ou de ônibus.
Dependendo do estilo de vida, pegar táxis pode ser muito, muito mais barato do que ter um carro.
* * *
Com certeza, vai aparecer algum idiota semi-analfabeto dizendo ser ÓBVIO que ter carros é muito melhor do que pegar táxis. E eu vou responder que não apenas concordo como digo mais: bom mesmo é ter vários carros e um time de motoristas à disposição. Infelizmente, nem sempre é possível.
Não estou dizendo que ter carro é ruim, mas que pegar táxi, por incrível que pareça e ao contrário do senso comum, pode sair bem mais barato.![]()
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Dicas de Economia Doméstica de um Ex-Rico:
I - As Dicas Básicas
II - Viva a Vida à Vista
III - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça
IV - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça: Livros, CDs, DVDs
V - Reconsidere o seu Carro
Prisão Dinheiro:
I - Viver É Mais Barato do que Você Pensa
II - A Armadilha Consumista
III - Os Dilemas da Classe Média
IV - Caindo na Armadilha do Aumento do Padrão de Vida
V - Viver Fazendo Tanta Economia Já Não É uma Prisão?
VI - Não Existe Liberdade sem Independência Financeira
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A série "Dicas de Economia Doméstica de um Ex-Rico" está sendo patrocinada pelo Grana Forte, um novo software brasileiro de organização e controle de finanças pessoais. Se tem interesse no assunto, recomendo uma visita ao site. Você pode fazer o download gratuito do software para controle financeiro e utilizar por um mês. Depois disso, uma licença de uso por tempo ilimitado sai por apenas R$39,00. Não, nunca usei o Grana Forte mas, de fato, saber o que você gasta é o primeiro e mais necessário passo pra colocar suas finanças em ordem.
Os criadores do Grana Forte são leitores do LLL e me encomendaram uma série de textos sobre o tema de economia doméstica e finanças pessoais para ajudar a divulgar o software. Naturalmente, eles não tiveram controle algum sobre o conteúdo dos posts. Na pior das hipóteses, são pessoas legais, que sabem usar a Internet pra alavancar seus produtos e ainda apoiam seus blogs preferidos. Então, vai lá e dê uma olhada no software, oras.![]()
Vale a pena lembrar: qualquer publicidade ou patrocínio no LLL será sempre escancaradamente caracterizado como tal. Vocês não fazem idéia de quantos posts e links pela blogosfera afora ("Olha esse vídeo legal que me mandaram!") são, na verdade, publicidade. Aqui, não.
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