Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça: Livros (Dicas de Economia Doméstica de um Ex-Rico, 4 de 5)

Parte IV: Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça: Livros

Alguns dos seus gastos que parecem mais necessários são, na verdade, coisas que você pode perfeitamente conseguir de graça, se quisesse. É claro que não vai ser tão fácil, rápido ou cômodo quanto pagar por elas, mas pode ir se acostumando. Vida de pobre é assim mesmo.

* * *

Livros

Você precisa realmente comprar livros?

A maioria dos meus amigos compra muito mais livros do que lê. Para uma certa parcela do eixo Morumbi-Leblon, ir na Fnac, gastar R$500 em livros e depois exibi-los na estante é um símbolo de status. Na verdade, um gasto quase compulsivo - e inútil. É obsceno pagar R$50 num livro que não vai ser lido. Moby Dick

Então, algumas dicas: pra começar, compre um livro de cada vez. Só compre um livro se for lê-lo *agora*, assim que sair da livraria, hoje mesmo. Se é pra comprar a linda, divina, chiquerrérrima nova edição de Moby Dick da Cosac Naify por R$100 só para colocá-la na sua pilha de leituras futuras, bem ali entre A Montanha Mágica e Em Busca do Tempo Perdido, bem, é melhor simplesmente colocar uma nota de R$50 em cada livro e pronto. Pelo menos, o dinheiro fica ali, líquido; você pode usar as notas como marcador de páginas, se algum dia ler esses dois livros (sabemos que isso não vai acontecer, não é?); e, se tiver uma vontade súbita de ler Moby Dick *agora*, sempre pode pegar as duas notas e correr até a livraria mais próxima.

Outra: verifique se existe alguma biblioteca perto de você, seja de bairro ou talvez da sua escola ou universidade. Por exemplo, a PUC-RJ permite que ex-alunos peguem livros emprestados de sua excelente biblioteca se forem membros da Associação de Ex-Alunos - cuja anuidade são os R$22 que se pagaram mais rápido de toda a minha vida. Durante muitos anos, a Biblioteca da PUC foi, pra todos os fins e efeitos, minha estante particular. Para que eu compraria um livro se poderia pegá-lo na Biblioteca da PUC e renová-lo pela internet indefinidamente?

Por fim, tenho amigos cujas estantes são verdadeira retrospectiva das listas dos mais vendidos dos últimos 15 anos: 1968 O Ano que Não Acabou, Elite da Tropa, Marley e Eu, Olga, Estação Carandiru, O Mundo de Sofia, Comédias da Vida Privada, A Arte da Felicidade, Quem Mexeu no Meu Queijo, Pai Rico, Pai Pobre, O Código da Vinci, O Nome da Rosa, tudo do Amyr Klink e do Paulo Coelho e os infalíveis 100 Melhores Contos de Qualquer Porra. Etc etc. Sacou o padrão? Pois bem, a primeira coisa que tem que fazer é nunca mais comprar nenhum desses livros. Jamais.

Eu sei o que está pensando, que sou um esnobe chato que quer que você leia Moby Dick na cópia da biblioteca, mas está te proibindo de se divertir com O Código da Vinci. Nada disso. Eu mesmo li esses best-sellers acima quase todos, mas nunca comprei nenhum. A moral da história é: nunca compre um livro que todos os seus amigos têm ou estão lendo, porque você pode simplesmente pegar emprestado deles.

Hoje, basicamente, eu compro pouquíssimos livros: só os que vou usar para o trabalho (ou seja, sublinhar e rabiscar) ou os que amei e quero ler muitas vezes e consultar. Senão, pego emprestado de algum amigo ou leio na biblioteca. Não tem sentido ficar entupindo sua casa de livros que você nunca mais vai ler. Alguns amigos usam seus livros como os caçadores usavam as cabeças de animais: "Olha o antílope que eu cacei! Olha o Quarup que eu li!" Que esnobismo, meu deus. Se já leu o livro e não vai ler de novo, passe adiante. Venda para um sebo. Doe para a biblioteca. Passe na universidade federal mais próxima e distribua entre os estudantes mortos de fome. Não deixe eles mofando entre os seus "troféus".

O mantra: sempre que estiver na livraria, com o livro na mão, com ânsia de comprar, se pergunte: "vou mesmo começar a ler esse livro hoje? se não hoje, vou ler esse livro alguma vez na vida? vale a pena gastar R$X em um livro que provavelmente não vou ler? algum amigo meu tem esse livro pra me emprestar? vou ter onde guardar tanto livro?"

* * *

CDs e DVDs

Você precisa mesmo comprar CDs e DVDs?

Na locadora do meu bairro, no Rio, o aluguel de um DVD sai por R$5. Ou seja, só vale a pena comprar um DVD de R$40 se for assisti-lo 8 vezes. Vai mesmo? Sério? Oito vezes? Não, né? Então aluga o filme e pronto, e já é menos uma coisa entulhando sua casa.

O mantra: "vou mesmo assistir esse filme X vezes? gosto desse filme ao ponto de ocupar espaço com ele na minha casa ao invés de simplesmente alugá-lo quando tiver a fim? quantos quilos de filé de peito de frango [insira aqui o seu indicador] eu compro por esse preço?"

O último ano no qual comprei CDs regularmente foi 1995. De 1996 até hoje, devo ter comprado uns 6 CDs no total, e quase todos direto das mãos dos músicos, com material que eu simplesmente não conseguiria encontrar on-line.

Hoje em dia, só compra CD ou DVD quem tem dinheiro sobrando. Não é o seu caso. Existem outras alternativas. Infelizmente, elas são feias e o FBI castiga. Deixa pra lá.logo_150w

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Dicas de Economia Doméstica de um Ex-Rico:
I - As Dicas Básicas
II - Viva a Vida à Vista
III - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça
IV - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça: Livros, CDs, DVDs
V - Reconsidere o seu Carro

Prisão Dinheiro:
I - Viver É Mais Barato do que Você Pensa
II - A Armadilha Consumista
III - Os Dilemas da Classe Média
IV - Caindo na Armadilha do Aumento do Padrão de Vida
V - Viver Fazendo Tanta Economia Já Não É uma Prisão?
VI - Não Existe Liberdade sem Independência Financeira

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A série "Dicas de Economia Doméstica de um Ex-Rico" está sendo patrocinada pelo Grana Forte, um novo software brasileiro de organização e controle de finanças pessoais. Se tem interesse no assunto, recomendo uma visita ao site. Você pode fazer o download gratuito do software para controle financeiro e utilizar por um mês. Depois disso, uma licença de uso por tempo ilimitado sai por apenas R$39,00. Não, nunca usei o Grana Forte mas, de fato, saber o que você gasta é o primeiro e mais necessário passo pra colocar suas finanças em ordem.

Os criadores do Grana Forte são leitores do LLL e me encomendaram uma série de textos sobre o tema de economia doméstica e finanças pessoais para ajudar a divulgar o software. Naturalmente, eles não tiveram controle algum sobre o conteúdo dos posts. Na pior das hipóteses, são pessoas legais, que sabem usar a Internet pra alavancar seus produtos e ainda apoiam seus blogs preferidos. Então, vai lá e dê uma olhada no software, oras.logo_150w

Vale a pena lembrar: qualquer publicidade ou patrocínio no LLL será sempre escancaradamente caracterizado como tal. Vocês não fazem idéia de quantos posts e links pela blogosfera afora ("Olha esse vídeo legal que me mandaram!") são, na verdade, publicidade. Aqui, não.

 

13.03.09


Categorias: Economia, Livros


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Comentários:


Comentário de: PauloC · http://allhaileris.blogspot.com/

Só para constar, já que o livro da baleia vai ser um exemplo recorrente, como o copyright já venceu, tem na Internet de graça (e legal), em inglês - no Projeto Gutenberg: http://www.gutenberg.org/browse/authors/m#a9

Aliás, este da baleia tem até uma versão audiobook.

PS: E quem não liga para o (e legal), qualquer coisa digitalizável tem de graça na Internet. Tudo. Mesmo.

PermalinkPermalink 13.03.09 @ 01:17



Comentário de: Alessandra · http://alessandrasouza.blogspot.com

"Você precisa realmente comprar livros?"

Claro que não. É só você me dizer em que biblioteca brasileira tem a biografia de Ana Bolena que eu quero ler.

PermalinkPermalink 13.03.09 @ 15:17



Comentário de: Jasão · http://jasoncarreiro.wordpress.com

Descobrir essa dos livros foi um processo de libertacao muito importante pra mim.

PermalinkPermalink 13.03.09 @ 15:51



Comentário de: Roger Moreira

sou viciado em cds e dvds e, pra piorar, tenho o fetiche de ter a coisa original. mas que é um jeito desgraçado de jogar dinheiro fora isso é. o fetiche dos livros já consegui perder faz tempo, mas o da música tá difícil...

PermalinkPermalink 13.03.09 @ 17:04



Comentário de: Jack Sk. · http://bloodpack.sites.uol.com.br/

Não vai adiantar nada eu parar de gastar com livros e começar a gastar com terapia ou, na pior das hipóteses, com advogado pra me tirar da cadeia depois de desopilar o fígado em alguma confusão hardcore.

Rapaz, os livros pra mim são mais eficientes do que qq antidepressivo inibidor seletivo de recaptação de serotonina.

Além do mais, pode demorar, é verdade, mas eu leio todos. A única paunocuzice é q não tem mais onde guardá-los aqui na minha casa.

PermalinkPermalink 14.03.09 @ 10:06



Comentário de: EP · http://xingatorio.blogspot.com

Bem, partindo-se do mesmo princípio, nada de fazer compra do mês. Afinal, ir no mercado todo dia dá na mesma, principalmente se houver um na sua esquina. Nem é preciso dizer que comida no mercado não estraga (ou melhor, estraga, mas você não leva). Ter carro também é duvidoso, a não ser que você estude/trabalhe no outro lado da cidade. Mesmo de táxi, considerando-se o custo de propriedade de um carro e o do combustível, seria preciso rodar muito para sair mais barato o automóvel próprio. Roupa, no máximo umas três mudas, tempo suficiente para lavar as sujas (que, aliás, podem ser lavadas na casa do seu amigo/vizinho, liberando um precioso espaço na área de serviço, sem falar na energia elétrica). Viajar, então, nem se fala. Os livros - que, lembre-se, você pode pegar na biblioteca - contam as histórias muito melhor e com fotos sensacionais. O negócio é esse: sentar, esperar a vida passar e guardar um dinheiro. Racionalmente.

PermalinkPermalink 15.03.09 @ 23:38



Comentário de: daniel lopes · http://www.verbeat.org/blogs/razbliuto

100 reais num livro é foda! eu adoro comprar livros, já gostei muito de biblioteca, mas hoje quero ter (PARA LER, CLARO!) os livros. os usados a 1 centavo na Amazon e os milhares da Estante Virtual resolvem meu problema.

Ah!, e o Moby Dick original custa 7 reais na Cultura -- http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=258790&sid=98219213011228680093990881&k5=16B560F6&uid=

Abs.

PermalinkPermalink 18.03.09 @ 14:53



Comentário de: Marcos · http://grillopensante.blogspot.com

Achei interessante seu ponto de vista, porém foi inevitável associar o seu texto a um caso pessoal meu.
Há uns anos, uma pessoq que eu pensava ser minha amiga comprou uma câmera digital. Ela não sabia que precisava também comprar cartões de memória, assim, na primeira viagem em que iria usar sua câmera, ficou me sondando para que eu emprestasse um dos meus cartões, que à época, tinha pago cerca de R$ 1.000,00 por ele. Questionei, meio despretensiosamente o porquê de ela não comprar cartões de memória, para não ficar dependendo de outros. Ou foi um lapso, um ato falho, ou coisa assim, talvez o subconsciente falando mais alto, mas ela respondeu o seguinte:
" Eu? Pagar mil reais em um cartãozinho desses? Acha que sou trouxa?"
Quer dizer, o trouxa era eu que comprava, e emprestava.
Seu texto fez-me pensar: seria então o correto sempre contarmos com "trouxas" para que economizemos nosso dinheiro?

PermalinkPermalink 27.03.09 @ 22:34



Comentário de: Alex Castro Email

Marcos,

seu exemplo seria perfeito, se não fosse pelo fato de não fazer nenhum sentido.

Vc está comparando um objeto barato e emprestável por definição, o livro, com milhares de instituições milenares espalhadas pelo mundo com o *único* intuito de emprestá-los, com um objeto caro e eminentemente pessoal...

Se você acha que são a mesma coisa, lamento... As diferenças são tantas que eu poderia ficar anos listando-as...

um livro vc lê uma vez (se tanto) e depois provavelmente não lê mais... um cartão de memória é feito pra se usar continuamente e repetidamente ao longo de anos... etc etc *bocejo*

enfim, além disso, cada amigo que me emprestou um Harry Potter da vida (q TODO MUNDO q eu conheco tem) provavelmente pegou varios livros na MINHA estante que praticamente só eu tenho...

por fim, se você acha que emprestar um livro de R$15 que vc já leu e não vai ler nunca mais é igual a emprestar um cartão de R$1.000 que, aliás, enquanto o outro malandro está usando, VOCÊ não pode usar, é a mesma coisa, bem, só posso lamentar....

PermalinkPermalink 27.03.09 @ 22:46



Comentário de: Marcos · http://grillopensante.blogspot.com

Entendo bem seu ponto de vista amigo, só sinto que lamente tanto uma opinião diferente da sua. Continuo insistindo nessa mesma ideia, desculpe. Mesmo assim, não lamento a sua. Graças ao bom Deus, temos vários ângulos da mesma questão no mundo, do contrário, este cá seria um lugar meio enfadonho...

PermalinkPermalink 28.03.09 @ 20:14



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