Parte IV: Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça: Livros
Alguns dos seus gastos que parecem mais necessários são, na verdade, coisas que você pode perfeitamente conseguir de graça, se quisesse. É claro que não vai ser tão fácil, rápido ou cômodo quanto pagar por elas, mas pode ir se acostumando. Vida de pobre é assim mesmo.
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Livros
Você precisa realmente comprar livros?
A maioria dos meus amigos compra muito mais livros do que lê. Para uma certa parcela do eixo Morumbi-Leblon, ir na Fnac, gastar R$500 em livros e depois exibi-los na estante é um símbolo de status. Na verdade, um gasto quase compulsivo - e inútil. É obsceno pagar R$50 num livro que não vai ser lido. 
Então, algumas dicas: pra começar, compre um livro de cada vez. Só compre um livro se for lê-lo *agora*, assim que sair da livraria, hoje mesmo. Se é pra comprar a linda, divina, chiquerrérrima nova edição de Moby Dick da Cosac Naify por R$100 só para colocá-la na sua pilha de leituras futuras, bem ali entre A Montanha Mágica e Em Busca do Tempo Perdido, bem, é melhor simplesmente colocar uma nota de R$50 em cada livro e pronto. Pelo menos, o dinheiro fica ali, líquido; você pode usar as notas como marcador de páginas, se algum dia ler esses dois livros (sabemos que isso não vai acontecer, não é?); e, se tiver uma vontade súbita de ler Moby Dick *agora*, sempre pode pegar as duas notas e correr até a livraria mais próxima.
Outra: verifique se existe alguma biblioteca perto de você, seja de bairro ou talvez da sua escola ou universidade. Por exemplo, a PUC-RJ permite que ex-alunos peguem livros emprestados de sua excelente biblioteca se forem membros da Associação de Ex-Alunos - cuja anuidade são os R$22 que se pagaram mais rápido de toda a minha vida. Durante muitos anos, a Biblioteca da PUC foi, pra todos os fins e efeitos, minha estante particular. Para que eu compraria um livro se poderia pegá-lo na Biblioteca da PUC e renová-lo pela internet indefinidamente?
Por fim, tenho amigos cujas estantes são verdadeira retrospectiva das listas dos mais vendidos dos últimos 15 anos: 1968 O Ano que Não Acabou, Elite da Tropa, Marley e Eu, Olga, Estação Carandiru, O Mundo de Sofia, Comédias da Vida Privada, A Arte da Felicidade, Quem Mexeu no Meu Queijo, Pai Rico, Pai Pobre, O Código da Vinci, O Nome da Rosa, tudo do Amyr Klink e do Paulo Coelho e os infalíveis 100 Melhores Contos de Qualquer Porra. Etc etc. Sacou o padrão? Pois bem, a primeira coisa que tem que fazer é nunca mais comprar nenhum desses livros. Jamais.
Eu sei o que está pensando, que sou um esnobe chato que quer que você leia Moby Dick na cópia da biblioteca, mas está te proibindo de se divertir com O Código da Vinci. Nada disso. Eu mesmo li esses best-sellers acima quase todos, mas nunca comprei nenhum. A moral da história é: nunca compre um livro que todos os seus amigos têm ou estão lendo, porque você pode simplesmente pegar emprestado deles.
Hoje, basicamente, eu compro pouquíssimos livros: só os que vou usar para o trabalho (ou seja, sublinhar e rabiscar) ou os que amei e quero ler muitas vezes e consultar. Senão, pego emprestado de algum amigo ou leio na biblioteca. Não tem sentido ficar entupindo sua casa de livros que você nunca mais vai ler. Alguns amigos usam seus livros como os caçadores usavam as cabeças de animais: "Olha o antílope que eu cacei! Olha o Quarup que eu li!" Que esnobismo, meu deus. Se já leu o livro e não vai ler de novo, passe adiante. Venda para um sebo. Doe para a biblioteca. Passe na universidade federal mais próxima e distribua entre os estudantes mortos de fome. Não deixe eles mofando entre os seus "troféus".
O mantra: sempre que estiver na livraria, com o livro na mão, com ânsia de comprar, se pergunte: "vou mesmo começar a ler esse livro hoje? se não hoje, vou ler esse livro alguma vez na vida? vale a pena gastar R$X em um livro que provavelmente não vou ler? algum amigo meu tem esse livro pra me emprestar? vou ter onde guardar tanto livro?"
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CDs e DVDs
Você precisa mesmo comprar CDs e DVDs?
Na locadora do meu bairro, no Rio, o aluguel de um DVD sai por R$5. Ou seja, só vale a pena comprar um DVD de R$40 se for assisti-lo 8 vezes. Vai mesmo? Sério? Oito vezes? Não, né? Então aluga o filme e pronto, e já é menos uma coisa entulhando sua casa.
O mantra: "vou mesmo assistir esse filme X vezes? gosto desse filme ao ponto de ocupar espaço com ele na minha casa ao invés de simplesmente alugá-lo quando tiver a fim? quantos quilos de filé de peito de frango [insira aqui o seu indicador] eu compro por esse preço?"
O último ano no qual comprei CDs regularmente foi 1995. De 1996 até hoje, devo ter comprado uns 6 CDs no total, e quase todos direto das mãos dos músicos, com material que eu simplesmente não conseguiria encontrar on-line.
Hoje em dia, só compra CD ou DVD quem tem dinheiro sobrando. Não é o seu caso. Existem outras alternativas. Infelizmente, elas são feias e o FBI castiga. Deixa pra lá.![]()
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Dicas de Economia Doméstica de um Ex-Rico:
I - As Dicas Básicas
II - Viva a Vida à Vista
III - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça
IV - Não Pague por Nada que Possa Ter de Graça: Livros, CDs, DVDs
V - Reconsidere o seu Carro
Prisão Dinheiro:
I - Viver É Mais Barato do que Você Pensa
II - A Armadilha Consumista
III - Os Dilemas da Classe Média
IV - Caindo na Armadilha do Aumento do Padrão de Vida
V - Viver Fazendo Tanta Economia Já Não É uma Prisão?
VI - Não Existe Liberdade sem Independência Financeira
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A série "Dicas de Economia Doméstica de um Ex-Rico" está sendo patrocinada pelo Grana Forte, um novo software brasileiro de organização e controle de finanças pessoais. Se tem interesse no assunto, recomendo uma visita ao site. Você pode fazer o download gratuito do software para controle financeiro e utilizar por um mês. Depois disso, uma licença de uso por tempo ilimitado sai por apenas R$39,00. Não, nunca usei o Grana Forte mas, de fato, saber o que você gasta é o primeiro e mais necessário passo pra colocar suas finanças em ordem.
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Vale a pena lembrar: qualquer publicidade ou patrocínio no LLL será sempre escancaradamente caracterizado como tal. Vocês não fazem idéia de quantos posts e links pela blogosfera afora ("Olha esse vídeo legal que me mandaram!") são, na verdade, publicidade. Aqui, não.
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