Tem muito autor inédito por aí que reclama das editoras não publicarem iniciantes. E, por mais que eu sinta esse problema na pele também, sempre me pergunto: por que uma editora teria "obrigação cívica" de publicar autores que serão prejuízo quase certo? Não é muito fácil apontar pra eu editor e dizer: "eu acho que VOCÊ deve tomar um ferro pra EU poder ser lido?" O que será que fariam se fossem eles os donos das editoras?
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Na virada do século, muitos artistas e intelectuais acusavam Arthur Azevedo (o homem de teatro mais importante de sua época) de estar matando o autêntico teatro nacional.
O escritor Coelho Neto, entre muitos outros, lhe implorou que parasse de escrever peças para o grande público, que se afastasse desse caminho errado, e que voltasse a escrever peças com preocupações literárias, que pussesse a pena a serviço da arte, que aproveitasse seu prestígio para ser o grande reformador do teatro brasileiro! (Sim, Coelho Neto sempre foi um mala que se levava muito a serio, além de escritor medíocre.)
E respondeu Arthur Azevedo, que, ao contrário de Coelho Neto, sempre foi um escritor interessante e debochado:
Faze-te empresário, e eu serei coerente, escrevendo comédias literáras, para o teu teatro. Mas vê-lá: se ficares a pão e laranja, não te queixes de mim, mas de ti... Não te metesses a redentor! (fonte: Farias, Idéias Teatrais, 177)
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