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Lá Se Foram os Negrinhos - Politicamente Correto e Liberdade

Racismo LLLAcabou de ser relançado no Brasil aquele que é longe o melhor livro de Agatha Christie. Com um pequeno detalhe: mudaram o título de "O Caso dos Dez Negrinhos" para "E Não Sobrou Nenhum".

O título original, baseado numa canção de ninar inglesa, era "Ten Little Niggers". Como "nigger" é uma das piores ofensas raciais nos EUA, as edições americanas (e também as adaptações teatrais e cinematográficas) saíram como "Ten Little Indians" ou "Then There Were None". Nos últimos anos, até mesmo a edição inglesa trocou de nome, e agora também se chama "Then There Were None". Finalmente, chegou a vez da edição brasileira. (A história da publicação do livro está aqui.)

E Não Sobrou Nenhum

Escreveu o Polzonoff, sempre deprimido pelo triste estado do mundo (como se o mundo já tivesse alguma vez sido lá grandes coisas):

E o mundo ficou um pouco pior

Quando me contaram, não acreditei. Mas entrei agora no site da Livraria Cultura e está lá, na capa, sem vergonha nenhuma da sem-vergonhice. Do que é que eu tô falando? Do clássico da Agatha Christie, O Caso dos Dez Negrinhos. O livro mudou de nome, para se adequar aos tempos. Agora é “E Não Sobrou Nenhum”. Depois, quando digo que Hitler pode ter perdido a II Grande Guerra, mas não a Guerra-Guerra, me chamam de louco. Humpf. PS.: Um lado meu diz que tem algo de bom nesta mudança esdrúxula: pelo menos não mudaram o título para “O Caso dos Dez Afro-Descendentes”.

Reinaldo de Azevedo também não gostou:

O caso do caso dos dez negrinhos

A escola do filho pediu, e uma amiga foi comprar O Caso dos Dez Negrinhos, o clássico de Agatha Christie. Mas quê... Restam um ou outro de edições antigas. Nas livrarias, agora, o que se vende é E não Sobrou Nenhum, que foi o título que o livro ganhou nos EUA — And then there were none — para evitar as acusações de racismo. E olhem que a palavra “negrinhos” nem se refere a pessoas, mas a... estátuas! A assessoria da editora Globo diz que a mudança foi uma exigência contratual. Se for assim, o politicamente correto está virando uma “legislação” — sem legisladores — de alcance supranacional. “Negro”, no Brasil, não tem, obviamente, o significado ofensivo que “nigger” tem nos EUA. Se a mudança, lá, faz algum sentido (e olhem lá...), aqui não faz nenhum. Ademais, os livros, ainda que sejam atemporais, têm a sua época. Não cumpre corrigir o passado com os olhos do presente. Daqui a pouco, vai haver gente querendo reescrever Monteiro Lobato. A boneca Emília ou vai presa sob a acusação de racismo ou termina num campo de reeducação racial para aprender a respeitar Tia Anastácia.

A dramática cantilena ecoou pela blogoseira afora:

Esse mundo está indo pro ralo. Como esses negrinhos são estressados, chorões e se fazem de vítima! Imagina se eu iria me ofender se fizessem um livro "o caso dos dez alexandrinhos", "dos dez aquarianinhos", "dos dez destrinhos", "dos dez carioquinhas", "dos dez gordinhos", ugh! É por isso que esse mundo não vai pra frente!

Blá blá blá. Como se fosse tudo a mesma coisa.

* * *Moby Dick

Essas Editoras Cretinas e Suas Canalhas Trocas de Títulos!

Ainda não entendi bem porque tanta indignação, mas posso garantir que não foi a primeira vez que esse execrável crime foi cometido:

A primeira edição inglesa de "Moby Dick" chamava-se somente "The Whale".

"The Importance of Being Earnest", de Oscar Wilde, já foi traduzida como "A Importância de Ser Honesto", "A Importância de Ser Ernesto", "A Importância de Ser Prudente", etc.

 Chão em Chamas"Llano en Llamas", de Juan Rulfo, foi inicialmente entitulado como "Planalto em Chamas"; entretanto, a nova tradução de Eric Nepomuceno, esse canalha!, sacrificou a precisão em prol da sonoridade original: "Chão em Chamas". No dia seguinte ao lançamento, varri ansioso a blogosfera... mas ninguém falou nada!

A nova edição brasileira de "O Jogador", de Dostoeivski, mudou de título e agora se chama "Um Jogador - Apontamentos de um Jovem Moço". Bóris Schnaidermann, autor da tradução, já prevendo a indignação dos blogueiros, se apressou em explicar a mudança (está aqui, lá no meião da página) mas, estranhamente, os blogs calaram. O céu não caiu sobre nossas cabeças. O mundo continuou um lugar tão bom (ou ruim) quanto antes. O Polzonoff até sorriu esse dia.  Jogador, Um

Impunidade das impunidades, ficou tudo por isso mesmo: Eric Nepomuceno anda à solta por aí até hoje.

Eu Nunca Entendo Nada Mesmo

Afinal, qual é exatamente a fonte de tanto ranger de vestes e rasgação de dentes? Alguém me explica?

Não entendo muito bem qual é o absurdo de pegar um título politicamente carregado e potencialmente ofensivo (eu não conheço nenhum amigo negro que goste de ser chamado de negrinho) e, voluntariamente, trocá-lo por outro - que, aliás, não saiu do nada e foi aprovado pela autora para publicação internacional há setenta anos atrás.

Acho lindo que a editora tenha voluntariamente mudado o título - com certeza, por pensar que o título novo venderia mais e seria melhor recebido - e acharia terrível se tivesse sido obrigada a fazê-lo por qualquer governo ou instituição que fosse.

A Lulu, por exemplo, adora esse livro tanto quanto eu, e sempre quis dá-lo para suas turmas de ensino médio, mas ficava com receio de mandar os alunos o comprarem - com um título que pode até causar estresses em casa ou lendo no ônibus. Agora, ficou empolgada com a nova edição e vai adotar em 2010. Resultado: a Editora Globo vai vender uns 40 exemplares que antes não seriam vendidos. Quantos outros professores de português pelo Brasil afora não farão o mesmo?

Ninguém foi obrigado a nada. A liberdade de ninguém foi invadida. Todos podem continuar livremente se referindo ao livro como "O Caso dos Dez Negrinhos". Inclusive, a própria editora, que é dona dos direitos de publicação no Brasil, e pode utilizar o titulo que bem entender. Mais inclusive ainda, se Reinaldo Azevedo estiver certo (o que é raro), se foi imposição dos detentores dos direitos autorais, que também podem escolher à vontade como serão publicados seus próprios livros.

Ou será que não? Será que vocês sabem melhor que eles todos quais títulos devem ou não deve usar?

Afinal, de que lado está a liberdade de expressão nessa história?

* * *

Língua e Liberdade

Não sei vocês, mas eu vi apenas uma editora exercendo sua prerrogativa editorial e um bando de gente protestando contra isso, como se a editora não tivesse esse direito, como se a mudança de título os afetasse de alguma maneira.

Bradam como se fossem combatentes pela liberdade de expressão (quando nenhuma liberdade foi invadida ou ameaçada!) mas sua critica não é positiva, é negativa. Via de regra, quando alguém se enrola na bandeira da liberdade de expressão e põe o dedo em riste, é para lutar pelo direito de algum pobre silenciado poder se exprimir livremente. Nesse caso, é o oposto: se enrolam na bandeira da liberdade de expressão não para defender a fala de um silenciado... mas para criticar a livre-expressão de uma editora. Esse é o non-sense da coisa.

Pergunto aos indignados: qual é o problema, então? Vocês defendem a liberdade ou não? Querem uma língua livre ou não? Se a língua é de todos, elas também pertence às editoras que voluntariamente mudam os títulos dos seus livros.

* * *

Manifesto Libertário da Língua

Quando falo de palavras carregadas, como no post sobre "judiar", sempre aparecem uns idiotas me acusando de fascista, autoritário, anti-libertário, e daí pra baixo, como se eu tivesse defendido algum tipo de censura prévia ou coisa que o valha. Então, explico e explicito:

Sou contra qualquer tipo de controle estatal, oficial ou institucional sobre a língua. A língua pertence a todos os falantes, que podem fazer dela o que bem entenderem - inclusive, claro, modificá-la de acordo com novos tempos. O projeto do deputado Aldo Rebello de proibir estrangeirismos era um absurdo, assim como seria absurdo qualquer tentativa semelhante.

Se houvesse uma lei proibindo as pessoas de usarem palavras politicamente carregadas ou potencialmente ofensivas, eu iria para as ruas de fuzil na mão lutar o bom combate. Jamais daria minha vida pra defender uma abstração política como o Brasil, mas a liberdade de expressão na língua portuguesa é das poucas coisas pelas quais eu me arriscaria tomar um tiro.

Polzonoff e eu dividiríamos bravamente a mesma trincheira, conversando sobre livros favoritos entre as salvas de morteiro, empenhados em combate renhido contra os fascistas nojentos que quisessem impedir uma editora de publicar um livro chamado "O Caso dos Dez Negrinhos".

Enquanto isso, não conheço ninguém que proponha censura para quem fala "deficiente" ao invés de "cadeirante". Não conheço ninguém que queira tornar obrigatório o uso de "afrobrasileiro" ao invés de "preto". Não conheço ninguém desenvolvendo um projeto de lei à la Aldo Rebello codificando o politicamente correto.

Mas, só pra garantir, estou dormindo com minha arma debaixo do travesseiro. Quando precisarem de mim, serei o primeiro a chegar na linha de batalha, armado e uniformizado.

* * *

UPDATE

Eu acho que, como sempre, vocês não estão entendendo. Pouco importa se o livro/título é racista ou não. Os indignados com a mudança agem como se ela tivesse sido imposta à editora. E eu digo que a editora e/ou os herdeiros e detentores dos direitos autorais têm todo direito de mudar os títulos dos seus livros. Eu não acho que existe nenhuma conspiração racista (aliás, porque não é nem necessária), mas os indignados parecem achar que existe alguma conspiração politicamente correta.Racismo LLL

* * *

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* * *

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06.03.09


Categorias: Livros, Raça

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Blog Mallmal · http://www.mallmal.blogspot.com

Alex, acho que você está precisando se tratar melhor. Onde está o racismo no título do livro? Ele é baseado tão-somente em uma cantiga americana antiga (essa sim racista, mas não dentro de seu contexto histórico). Não há nada de racista na história, não há nada de racista na autora.
O título do livro é tão racista quanto seria se fosse "Atirei o pau no gato" ou qualquer outra tradição oral nossa ou deles!
Acho que você passou tempo demais na gringolândia e absorveu demais a cultura "don´t fuck wit´me bro, cos I ain´t not yo´bitch".
Sério mesmo, você está parecendo aqueles gay power´s que queriam achar boiolagem em figuras históricas. Deixa a velha descansar em paz.
O livro não é racista, nem o título.
Se for pensar assim, seus amados escritores brasileiros "sociologistas" colocam entre aspas vários termos ""racistas"" em suas obras.
Isso é apenas um título. Assim como um charuto às vezes é apenas um charuto.
Afinal, o que é pior? Ser racista ou ser tão obstinado a ponto de achar racismo onde não tem?
(Aliás, o background do seu blog é branco, o que mostra CLARAMENTE que você é racista!!! - Por que não preto? É tão bonito quanto branco! Não importa se as letras são pretas, você só as escolheu pelo contraste! etcetcetcetcetc...)




PermalinkPermalink 06.03.09 @ 02:40



Comentário de: Blog Mallmal · http://www.mallmal.blogspot.com

Mas sério, o que mais me deixa triste é você pseudo-condenar a mudança do título e colocar à venda o livro com título novo... Coerência faz bem, meu caro...


Apenas para deixar claro, meu primeiro comentário refere-se a "Acho lindo que a editora tenha voluntariamente mudado o título racista - com certeza". Antes que venha com falácias de espantalho.

Quanto ao fim do post, percebo cada vez mais que você só quer criar polêmica e ver o circo pegar fogo.
Legal. Nerinho. Um abraço.

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 02:48



Comentário de: Alex Castro Email

nao entendi. eu "pseudo-condenei" a mudança do titulo onde? eu nao disse q eu achei lindo eles terem mudado o titulo? de que modo isso pode ser lido como uma pseudo-condenação? longe de condenar, ou pseudo-condenar, eu pergunto diversas vezes o que foi que tantos blogueiros viram de tao ruim/condenavel na tal mudança de titulo....

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 03:38



Comentário de: Andre Carvalho

O que tantos blogueiros viram de ruim foi que esta mudança é um sintoma de algo muito maior: A mudança de foco de movimentos (em geral). Procurar na língua palavras que hoje não são, na prática racistas (tipo denegrir, por exemplo) e tentar baní-las, é um desperdício de esforço, ainda mais quando ainda existem tantos problemas a serem resolvidos. Uma coisa é tentar banir os termos que são usados perjorativamente. Outra é banir todos os termos que podem ou não ser usados perjorativamente, desde que em sua origem exista algo de preconceituoso (tipo o caso do judiar: alguém ainda liga o verbo aos judeus hoje em dia?)

Ainda estou esperando o movimento para banir a palavra "escravo".... Pobres eslavos... Não conseguem dormir até hoje.

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 05:10



Comentário de: Alessandro Martins · http://www.livroseafins.com

Ralo?

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 07:47



Comentário de: Karina

Oi Alex! Até hoje, concordei com todos os seus posts sobre racismo. Assinei embaixo de cada vírgula, mesmo. Em alguns dos textos você inclusive me ajudou enxergar além dos do que eu já tinha muito sólido sobre preconceitos e ofensas.
Faz mais de 20 anos que li este livro, mas não lembro de qualquer tom racista no seu enredo. O título da obra igualmente não é racista ou ofensivo. O título se limita a fazer referência a uma canção que, vá lá, possa ser considerada preconceituosa.
Isso faz pensar na Idade Média, quando algumas das obras de arte do período clássico eram modificadas (vestidas, por exemplo) porque eram consideradas ofensivas, por serem inadequadas aos pensamentos da época. Quando conheci Roma, uma das coisas que me deixou mais triste foi perceber que, a cada monumento antigo, dedicado aos deuses romanos, a Igreja havia anexado uma capelinha, uma igrejinha cristã.
Faz pensar também no Taliban, que demoliu as estátuas de Buda de Bamian por considerar as imagens ofensivas à cultura e religião local.
Sei lá, acho que qualquer ofensa gratuita a negros, índios, mulheres, gays, velhos, etc. é execrável e merece todo o meu desprezo. Mas quando se trata de obras passadas o politicamente correto não deve prevalecer. Penso ser desrespeitoso com o autor e com a época, que afinal, não pode ser simplesmente cimentada sobre uma lage de termos mais suaves e adequados para a época contemporânea.
Certamente uma canção infantil se criada hoje não faria referência a negrinhos (ou indiozinhos), mas não se pode ignorar que no passado essas canções eram terrivelmente e infelizmente comuns.
Ao ler esse livro com o título original, pode-se, inclusive pensar como é sensacional que já passou uma época em que era comum existir musiquinhas de crianças ofensivas e que hoje isso não é tão comum. Esse tipo de reflexão se perde com a modificação do título do livro.

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 10:50



Comentário de: Ricardo

Acho que estão complicando as coisas. No contexto da obra, a palavra "negrinho" não pode, nem deve ser entendida com um conotação racista, mesmo porque, masi importante do QUE se fala(ou se escreve) é COMO se fala (ou se escreve).Se fosse assim, aquelas pessoas bastante brancas e loiras que são chamadas de POLACOS, também deveriam se sentir ofendidas.Chamar alguém de negrinho não é necessariamente uma ofensa, principalmente porque os negrinhos, como alguém ja´p disse, são bonecos, e não pessoas...

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 11:29



Comentário de: João Paulo Cursino · http://sratoz.blogspot.com

Fahrenheit 451 trata justamente disto: de como, pela correção política, vamos suprimindo todas as obras, até o ponto em que os livros serão proibidos.

Mas meu comentário principal era outro: Alex, você tem saúde para lutar com fuzil na trincheira? Conseguiria correr em ziguezague, evitando a metralha? Recomendo, em vez disso, que vá servir na Artilharia, onde faz mais estrago lá da retaguarda, sua movimentação é menor e você teria resistência para lutar por mais tempo.

Só querendo contribuir, juro. :-)

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 11:35



Comentário de: Ricardo

Prezado Alex: já ia deixar o seu blog, mas uma pergunta sua ficou matutando na minha cabeça: porque não houve gritaria quando os títulos de outros livros foram mudados? Na minha opinião, o que ocorre é o seguinte: no caso dos outros livros, o motivo da mudança não teve relação direta com metade da população de um país ( os brancos aqui no Brasil, no nosso caso). Quando se mudou o título desse livro, deixou-se subentendido que houve algum tipo de conspiração racista para denegrir a imagem do negro, rebaixando-o com o termo "negrinho", daí a necessidade da mudança. Parece até que quem leu ou ainda vai ler o livro se compraz com o termo "negrinho" a passa todas as páginas do livro se realizando com a "ofensa"...Mas acho mesmo que o ponto crucial é, como já disse, o fato dos tais negrinhos serem apenas bonecos... Daqui a pouco vão atacar o Negrinho do Pastoreio...

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 11:45



Comentário de: Renato

Mark Twain vem passando pelo mesmo problema. Alguns grupos defendem que o autor sulista deveria ser banido do currículo escolar, uma vez que comumente se encontra a palavra nigger em boa parte de sua obra.

Vivemos tempos bem medíocres.

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 12:05



Comentário de: Alex Castro Email


Eu acho que, como sempre, vocês não estão entendendo. Pouco importa se o livro/título é racista ou não. Os indignados com a mudança agem como se ela tivesse sido imposta à editora. E eu digo que a editora e/ou os herdeiros e detentores dos direitos autorais têm todo direito de mudar os títulos dos seus livros. Eu não acho que existe nenhuma conspiração racista (aliás, porque não é nem necessária), mas os indignados parecem achar que existe alguma conspiração politicamente correta.

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 12:44



Comentário de: Ricardo

Alex, concordo que a mudança do título não foi imposta e que os detentores dos direitos ou seja lá o qaue dor podem mudar o título a hora que quiser. Da mesma forma, os leitores têm o direito de não concordar.Como eu e outros já dissemos pela enésima vez, acho que as pessoas adeptas do politicamente correto exageram em muitos casos. Nesse caso, se os tais negrinhos fossem pessoas, tudo bem, mas são BONECOS...

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 13:07



Comentário de: Helê · http://duasfridas.wordpress.com

Preciso, Alex, nos dois sentidos. E essa indignação desproporcional me fez pensar que, ao fim e ao cabo, acabam os negrinhos, negrinhas, negões e negonas todas sendo cobrados e estigmatizados mais uma vez, porque a atitude da editora é lidas como a titude "deles", "lá vem esse pessoal do movimento", etc e tal. Canseira, viu? Ainda bem que vc tem fôlego pra argumentar e o faz.
Beijo pelos seis anos.

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 13:18



Comentário de: Sheila

O objetivo da Editora é vender a maior quantidade de livros possível e o título muitas vezes é determinante e pode fazer o livro ser um sucesso ou uma derrota nas vendas.
A editora pode ter acertado, pois como foi citado tem professor que ficava inibido em recomendar o livro aos alunos por causa do título.

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 13:25



Comentário de: Rui

Queria ver se eu escrevesse um livro e desse como título "O Caso dos Dez Branquinhos" se não iam me chamar de racista. Aliás, o tom do Polzonoff, quando fala de afro-descendentes, é bem pejorativo. Mais respeito, afinal racismo é crime

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 14:33



Comentário de: Ricardo

Prezado Rui: seu argumento foi um tanto quanto infeliz. No caso do livro, a palavra "negrinho" foi utilizada para se referir a um boneco, mas a um boneco específico, ou seja, pequenas estátuas que retratavam indígenas africanos. Não se trata, pois, da palavra negrinho que é usada genericamente (e pejorativamente) para definir afro-descendentes...Caso houvesse um tipo de indígena branco, provavelmente "branquinho" seria um termo bastante adequado para designar um boneco representativo dessas pessoas. Sendo assim, um provável "O Caso dos Dez Branquinhos" não teria qualquer conotação racista.

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 14:52



Comentário de: Ricardo

A propósito, o título para a turma PC é simplesmente horroroso...

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 14:55



Comentário de: Ricardo

Para a grande Agatha ter autorizado essa aberração ela devia estar com a cabeça em Marte...

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 14:57



Comentário de: mauro tatini · http://mtatini.blogspot.com

alex wrote: "Escreveu o Polzonoff, sempre deprimido pelo triste estado do mundo (como se o mundo já tivesse alguma vez sido lá grandes coisas):"
- então deixa eu entender: o Paulo (polzonoff) está deprimido pelo "triste estado do mundo", enquanto voce diz que o mundo "sempre esteve num triste estado" - quem é o deprimido, mesmo??

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 15:00



Comentário de: mauro tatini · http://mtatini.blogspot.com

para Ricardo:
Se Agatha Christie está com a cabeça em Marte, não sei - Ela está no youtube falando sobre essa decisao aqui: http://www.youtube.com/agathamorreuem1976eninguemteavisou



PermalinkPermalink 06.03.09 @ 15:04



Comentário de: Camila · http://rre.opsblog.org

Ouso dizer que acho que entendi. Também aprecio muito viver numa democracia em que as editoras fazem o que querem e os leitores reclamam o quanto querem também. E, assim como você, também defendo até o fim o direito da editora de chamar o livro E Não Sobrou Nenhum ou o que seja. O que não quer dizer que eu não possa lamentar essa escolha. Não é porque vivo numa democracia que tenho de achar lindo as escolhas de todo mundo - aliás, a graça da democracia é justamente a convivência a despeito das discordâncias. E eu lamento por uma razão muito simples. Tem gente que acha que o melhor a se fazer com as marcas ofensivas e racistas de uma obra datada é apagá-las e/ou modificá-las, recauchutando a obra para uma realidade contemporânea que desejamos mais tolerante. Apagando o racismo, assim, estaríamos todos contribuindo para a criação de um mundo melhor. Por outro lado, tem gente - e aí me incluo - que acha que tal borramento da história é, pelo contrário, injusto com quem sofre a violência. Em vez de apagar, portanto, o melhor que podemos fazer desde uma posição mais tolerante é justamente escancarar que esta violência existiu e existe. Em vez de pintar o passado de cor-de-rosa, entender por que raios ele não pôde ser cor-de-rosa por si só. Essa é uma postura tão justa e bem-fundamentada quanto a politicamente correta. A indignação com uma suposta patrulha PC realmente não faz sentido neste caso. Mas faz sentido, sim, criticar a mudança do título do livro em si mesma - assim como faz sentido criticar qualquer outro aspecto da tradução ou da arte gráfica, por exemplo.

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 16:01



Comentário de: Luiziana · http://www.sobregatoseflores.blogspot.com/

E "Memórias de minhas putas tristes"???
"Memórias de minhas profissionais do sexo tristes"???
Pelo amor de Deus!!!
PALHAÇADA!

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 16:23



Comentário de: alex castro

camila,

todo mundo pode reclamar de tudo. eu só achei engracado o discurso aparentemente pro-liberdade de expressao pra criticar a liberdade de expressao dos herdeiros/editores do livro... :)

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 16:23




quando você bota aqui uns posts particularmente inteligentes como esse, eu sempre venho fuçar nos comentários pra continuar me divertindo, mas dessa vez com a imbecilidade de um povo que comenta. é batata, nunca me decepciono!
beijo, alex!

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 16:47



Comentário de: Ana

Alex, tbm acho que se a autora aprovou ok (ainda em vida), o livro é dela e ela faz o que bem entender. Eu particularmente acho o titulo original mais interessante, o novo conta o final do livro basicamente...
Mas acho que essa indignação embora voltada pro caso errado tem alguma razão de ser, como quererem mudar ou proibir os livros do Mark Twain pq contem a palavra "nigger", como proibiram e retiraram do discos de john Lennon a musica "women is the nigger of the world", que é uma baita canção anti- machismo linda. Ou mesmo como as obras de Monteiro Lobato estão sendo modificadas, com parte reescritas pra ficarem mais fáceis ou se adequarem aos novos conhecimentos.. Isso é apagar o passado e negar a possibilidade de discussão de que as coisas mudam, a sociedade muda, o conhecimento muda. É retirar a autoria das coisas. É de alguma forma tentar dizer que o mundo sempre foi do jeito que é hj, e isso só prejudica as discussões das raizes historicas e culturais das coisas. Acho que é ainda dizes que crianças são idiotas e não podem aprender a ter espirito crítico ou compreender contexto.

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 17:33



Comentário de: Gustavo

Alex,

Então você seria favorável a uma editora que decidisse reescrever parte da obra do Monteiro Lobato retirando expressões como "negra beiçuda"?
Afinal se eles detém os direito autorais, por que não?

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 17:42



Comentário de: Homero

A parte indefesa é a Agatha Christie, que deu o título de "O Caso dos dez Negrinhos" para o seu livro. Depois de morta o título foi modificado sem o seu consentimento. Se a a editora desejasse outro título para o seu livro, a escritora deveria ter sido consultada quando era viva.

É a mesma lógica do Franz Kafka (autor) e do seu amigo Max Brod (editor).

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 19:16



Comentário de: googala · http://www.gugaalayon.blogspot.com

Pelo menos não colocaram o título como:
"Vera,a assassina, se mata no final"

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 19:18



Comentário de: Alex Castro Email

homero e outros,

eu acho que vcs nao estou entendendo... o livro foi publicado nos eua em 1940 com esse titulo, and then there were, aprovadom pela autora.... essa informação está no segundo paragrafo do meu texto....

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 21:36



Comentário de: Alex Castro Email

gustavo,

sim, eu seria muito favoravel. os livros do monteiro lobato sao otimos, mas sao impossiveis de serem ensinados hj por causa dos termos racistas. a maioria dos profs de portugues q conheco adora os livros, mas nao os ensinaria por isso... fazer as mudancas seria um jeito de manter os livros vivos... se isso nao for feito, monteiro lobato provavelmente vai sumir dentro de uma, ou duas geracoes... eu prefiro a emilia sem falar preta beiçuda do que simplesmente nao ter mais a emilia...

ainda vou fazer um post sobre isso...

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 21:39



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr/

Cada um reage a seu jeito, né, Alex? E cada caso é um caso, e não temos obrigação da coerência, nem de tratar todos com o mesmo peso e a mesma medida...

E se um militante negro contasse uma história de um militante negro e de sua luta contra o racismo e os sofrimentos (hahaha!) dos negros e o título fosse, digamos, "O Lado Negro da Vida"? E se uma editora, com aval dos herdeiros, achasse melhor outro título, digamos, "história de um lutador"? Nesse caso, qual seria a sua reação?

"O título original tem um sentido no contexto do livro! O título que escolheram tem outro sentido, e é muito mais fraco! Eles escolheram outro título de medo de ferir as sensibilidades de uma sociedade covarde, de parte dessa sociedade! Covardia dos herdeiros, covardia da editora, covardia da sociedade! Eu, Alex Castro, vou escrever um post esculhambando eles!"

E diga-se: nesse caso, eu estaria do seu lado. Seria um caso de alteração (multilação) na obra de um autor por covardia moral dos editores.

PermalinkPermalink 07.03.09 @ 09:04



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr/

O caso mais famoso de alteração de um título foi com a mais famosa obra do poeta Dante: Era "A Comédia", simplesmente. Passou a ser "A Divina Comédia". Você não se esqueceu disso. Pouca gente, quase ninguém, nem mesmo entre os leitores de Dante, sabem que já foi "A Comédia". Diga-se, a bem da justiça, que eu também não sabia que "Moby Dick" era "A Baleia", originalmente, até ler aqui.

Não há comparação entre esse caso (e os exemplos citados) e o caso da mudança de título do livro da Gata Triste. Não se trata de escolher um título mais, digamos, poético, ou "impactante", não se trata de escolher um título que acrescente alguma coisa à obra, que seja mais simples, ou mais fácil para o leitor guardar, nada disso. No caso do livro da Gata Triste, eles tiveram medo dos politicamente corretos. Não é um caso de censura, nem de mercenarismo, nem de intervenção estatal. É um caso de alteração do sentido de parte da obra por covardia. Mas eles têm o direito de ser covardes? É, têm. Com a obra dos outros?

PermalinkPermalink 07.03.09 @ 09:17



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,

A língua é uma ferramenta. Acho q a indignação com o PC implícito contra a mudança de título (e contra a mudança da letra da musiquinha) é como seria a reação caso, por exemplo, uma firma ou uma parte da sociedade "descontinuasse" a produção de um tipo de alicate pq ele se parece com o perfil de alguma etnia/crença. Pra essa gente, não importa se o alicate é útil pra uma tarefa específica ou não: importa se ele "ofende" esta ou aquela etnia/crença ou não.

A decisão é de uma idiotice ímpar. É a idiotice do puritanismo euaense se alastrando pelo mundo. Se 'niggers' é um palavrão lá, então 'negrinhos' TEM q ser um palavrão aqui. Imagine se daqui a 50 anos, com o Brasil totalmente tomado pelo PC, resolvam mudar o título do GGMárquez "Memorias de mis putas tristes" pra "Memorias de mis profesionales sexuales tristes" ou "El viejo pedófilo".

PermalinkPermalink 07.03.09 @ 11:04



Comentário de: Homero

Bem, se foi a autora que mudou o título, então ninguém pode reclamar. A decisão da autora é soberana e inquestionável.

PermalinkPermalink 07.03.09 @ 11:51



Comentário de: Moche · http://somepills.blogspot.com

Estou como os outros que, embora concordem com cadada cada vírgula do blog sobre racismo, vê esse post com problemas.
Me parece que o equívoco está na premissa que a decisão foi "livre". Parece que, na verdade, a liberdade foi tolhida em nome do politicamente correto. A escolha não foi livre, mas pressionada por essa posição um tanto quanto paranóica, caricata e pricipalmente ressentida que, na raiz, advoga uma causa justa.

PermalinkPermalink 07.03.09 @ 12:23



Comentário de: Mario Abramo

Caro Alex,
Esta história me lembra o caipira que tinha escrito no parachoque da caminhonete (era assim naquele tempo, hoje ele chamaria de SUV) "Eu só quero rosetar". O padre ficou bravo e falou pra ele mudar. O caipira, boa gente, mudou. Pra "Continuo querendo".
Não sei se a Agatha Christie conhecia essa história, mas ela fez o mesmo. "Then there were none" é a frase final da rima infantil "Ten Little Niggers", que embasa toda a história. Pra quem leu realmente (chamar a Vera de assassina não é bem uma prova disto), o título remete imediatamente à rima.
Agora, reescrever Monteiro Lobato tirando as "negras beiçudas" e que tais, mas deixando todo o resto do preconceito nas relações sociais daquela fazenda, pra mim tem tanto sentido quanto as bolinhas pretas no "Laranja Mecânica".

PermalinkPermalink 07.03.09 @ 13:22



Comentário de: Ivan

Acho que foi você que não entendeu o Reinaldo Azevedo. Ele não fez nenhuma acusação direta sobre liberdade cerceada, não agiu como se a mudança tivesse sido imposta à editora nem nada disso que você falou. O lamento foi justamente pela editora sentir a necessidade de mudar um título já conhecido e consolidado no país só pra obedecer a cartilha do politicamente correto. Ele argumenta, com aquela explicação do "nigger", que o título pode ser racista no contexto norte-americano mas não aqui, portanto só foi mudado por "medinho" do politicamente correto. É só isso que ele lamenta. O Polzonoff acho que foi na mesma linha, embora tenha se expressado mal.

PermalinkPermalink 07.03.09 @ 14:37



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

"eu digo que a editora e/ou os herdeiros e detentores dos direitos autorais têm todo direito de mudar os títulos dos seus livros"

Ninguém critica o direito deles, critica apenas a sandice da decisão. Vamos supor q alguém tivesse os direitos autorais das peças de Shakespeare. Uma delas é "Otelo, o Mouro de Veneza". Suponha tbm q algum grupo muçulmano encane q o 'mouro' do título é usado pejorativamente pra falar de muçulmanos em geral, em vez de apenas os bérberes. E aí? ¿Vc não acharia ruim que mudassem o título pra "Otelo, o Ciumento Doente" por ESSE motivo? Acho q sim.

PermalinkPermalink 07.03.09 @ 15:01



Comentário de: lins · http://www.pontoscegos.blogspot.com

Ainda quanto à mudança de nomes:
Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany)
O sol nasce pra todos (How to Kill a Mockingbird)

Se a autora concordou, não sou eu quem vou discordar.
Abração

PermalinkPermalink 07.03.09 @ 16:48



Comentário de: Mahai

Seria melhor o Caso dos Dez Afro-descendentinhos ... ou O Caso dos Afro-descendentes de Cresciemnto Reduzido (ou restringido).
No sul do Brasil o doce brigadeiro era conhecido por negrinho, agora é afrodescendentinho.

PermalinkPermalink 07.03.09 @ 21:20



Comentário de: googala · http://www.gugaalayon.blogspot.com

Mario Abramo, chamei a vera de assassina só por "falso spoiler", senão acaba com o final do livro. Funcionou, pelo menos com vc.
abç

PermalinkPermalink 07.03.09 @ 21:24



Comentário de: Roger Moreira

Ué, pra mim a crítica não é ao direito ou não de mudar o título. Ainda mais se, como você diz, a mudança foi autorizada pela autora décadas atrás. A crítica se deve a uma motivação política considerada, inclusive por mim, como ridícula.

PermalinkPermalink 08.03.09 @ 09:01



Comentário de: Julia

olha, se eu estivesse lendo "O Caso dos Dez Negrinhos" - um livro conhecidissimo, pelo menos de quem tem o hàbito da leitura, de uma autora conhecidissima até por quem não o tem - no ônibus ou em casa e alguém ficasse "estressado" por causa do TITULO, o buraco seria muitissimo mais embaixo.

PermalinkPermalink 08.03.09 @ 17:40



Comentário de: Julia

Ah sim: alterar o texto de Monteiro Lobato é como a inteligentissima manobra do "Conselheiro" Rui Barbosa ao destruir todos os registros existentes sobre a escravidão no Brasil pra "limpar essa màcula da nossa Historia"...

...a menos, é claro, que o proprio ML se levante do tùmulo para reescrever seus livros. Porque eu prefiro uma negra beiçuda nascida da mão dele que uma veneràvel senhora afrodescendente parida por um escritor de menor talento (em se tratando de Monteiro Lobato, *qualquer um*).

PermalinkPermalink 08.03.09 @ 18:09



Comentário de: MarcosVP · http://pirao.wordpress.com

(Nota: eu não li os comentários nem vou ler. Se eu estiver sendo repetitivo, me desculpem).

Alex, confesso que de tanto ler suas teorias sobre racismo, já começo a ficar mais confortável com ela. Há algum tempo, eu estaria bufando com a mudança do nome desse livro. Hoje, já não me incomoda tanto. De qualquer modo, meus filhos possivelmente lerão esse livro com o título original, que é o que eu tenho em casa. Não pretendo trocá-lo pela nova versão.

Contudo, me vem algumas dúvidas... o texto interior foi trocado? a ilha do negro mudou de nome? como ela se chama agora? as estatuetas também deixaram de ser estatuetas de africanos?

Por fim, algo que eu sempre quis perguntar. Você tem uma ótima frase, que diz que "quem sabe da ofensa é o ofendido". O que ofende mais? chamar alguém de "negão" ou "pretinha" com todo o carinho do mundo (embasado ou não por um contexto... ex: minha irmã é loira de olhos azuis, mas como meu pai é cearense, ela foi chamada muito tempo de "pretinha", porque isso é um apelido carinhoso no Ceará;) ou chamar alguém de afro-descendente ou afro-americano com visível ódio?

Abs.

PermalinkPermalink 09.03.09 @ 13:37



Comentário de: Bombeta

Quero dar parabéns ao presimente Lulla que conseguiu em pouco tempo transformar o Brasil numa África do SUL piorada. O que antigamente era visto como algo corriqueiro e sem maldade agora é visto com ódio pelos lados envolvidos, é negro contra branco, pobre contra rico, nordestino contra sulista-paulista, cotista contra não-cotista e assim por diante. Parece que Lulla apesar de ser DE LONGE o PIOR PRESIMENTE que o Brasil já teve se deu muito bem na teoria leninista do "dividir para conquistar". Lamentável.

PermalinkPermalink 09.03.09 @ 17:17



Comentário de: Rei da Espanha

Bombeta, ¿por qué no te callas? Tendrías tiempo para pensar.

PermalinkPermalink 09.03.09 @ 23:33



Comentário de: gabiru · http://www.16tonelada.blogspot.com

mas o título novo acaba sendo um spoiler, não???? era melhor dez estatuetas...

mas o ponto é a tal da liberdade, né?

PermalinkPermalink 10.03.09 @ 00:42



Comentário de: Dark Knight

Com essa história de politicamente correto, vão mudar o nome da torta NEGA MALUCA para torta afro-descendente com sérias perturbaçoes mentais.
KAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKA

PermalinkPermalink 10.03.09 @ 17:07



Comentário de: manuel barral

Eu acho uma pena que a despeito de um texto fundamentado e bem escrito, tenha aparecido comentários tão retardados.

favoritei o blog aqui, abraço.

PermalinkPermalink 12.03.09 @ 02:26



Comentário de: Leonardo Pastor · http://www.viscerasliterarias.com

O motivo da mudança foi, de fato, o politicamente correto. A assessoria da editora confirmou:

http://www.viscerasliterarias.com/2009/03/editora-explica-troca-de-titulo-de.html

Abraços!

PermalinkPermalink 12.03.09 @ 19:14



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  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
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  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
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