Vida Inteligente

Do blog do Bia:

Chomski estava na escola secundária e ficou "todo entusiasmado com o time de futebol da escola". Mas, em algum momento de sua trajetória na escola, teve uma revelação sobre os eventos esportivos do secundário e sobre aqueles que se envolviam neles:

"Lembro-me bem no secundário de, subitamente, me fazer o seguinte tipo de pergunta: por que estou torcendo para o time de futebol da minha escola? Não conheço nenhuma dessas pessoas. Elas não me conhecem. Não ligo para elas. Detesto o secundário. Por que estou torcendo para o time de futebol de minha escola? Bem, esse é o tipo de coisa que você faz, é treinado a fazer. Está entranhando. E isso leva ao nacionalismo, à subordinação e assim por diante."

A noção de torcer para o time certo é uma das que geralmente enervam Chomsky e, mesmo nesse ponto inicial da sua vida, ele não tinha medo de percorrê-la sozinho.

Toda vida inteligente começa nesse momento. O ser humano não pode se considerar de fato pensante até o dia fatídico (que para alguns nunca chega) em que você, de repente, fora do nada, pára e pensa:

"Espera aí, por que diabos estou fazendo isso?!"

* * *

Sobre "nacionalismo, subordinação e assim por diante", leia meu artigo: Orgulho de Ser Brasileiro

Sobre a vida, de modo geral, leia os livros do meu irmão, Biajoni.

Para botar comida no meu prato, clique no livro do Chomsky abaixo, entre no Submarino e compre alguma coisa.

* * *

Noam Chomsky: a Vida de um Dissidente

 

05.03.09


Categorias: Comportamento, Livros


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Comentários:


Comentário de: Monthiel · http://www.monthiel.com


Eu comecei a questionar mais as coisas depois que li os livros "Quando Nietzsche chorou", "O mundo de Sofia" e "O mundo assombrado pelos demônios". Só então comecei a me questionar mais sobre a vida e os fatos. Mas até então, era tudo no piloto automático, como disse no texto.

Abraços e sucesso!
Monthiel

PermalinkPermalink 05.03.09 @ 12:01



Comentário de: Manuel

Alex,

Posso comentar o assunto do outro post? Tem a ver com esse e eu quis ter comentado isso na hora, mas acabei não comentando.

Eu acho que, quando uma pessoa diz que uma língua é bonita, ela está se referindo à musicalidade, à mistura de sons da língua que a ela (a pessoa) lhe soa agradável, bela como uma música (e nós sabemos que as línguas não são apenas faladas, mas cantadas, especialmente se você for mineiro ou nordestino).

Será que você não acha possível alguém achar uma língua bonita (isto é, os sons de suas palavras) sem ser ufanista?

Você pode dizer que todas as línguas podem propiciar belas combinações sonoras (ou horríveis combinações sonoras), mas e se pensarmos que a pessoa que chama uma língua de bonita acha os sons de suas palavras e frases mais usadas bonitos? Você acha que aí já é forçar a barra demais?

De qualquer forma, gostaria de saber a sua resposta a essas perguntas. Abraços

PermalinkPermalink 05.03.09 @ 13:50



Comentário de: Alex Castro Email

Oi Manuel.

É assim. Eu cresci numa escola bilíngue (bilingue de verdade, onde todas as aulas eram dadas em ingles), educado ao lado de filhos de militares, diplomatas e executivos. Todos os meus colegas falavam no mínimo duas línguas, a enorme maioria falava três e muitos, quatro pra cima. Agora, vivo e trabalho e estudo numa universidade americana, onde ensino, estudo, pesquiso e escrevo em três idiomas diferentes. Para simplesmente *estar* no meu departamento, é preciso falar no mínimo quatro linguas - vou prestar o exame pra comprovar minha proeficiência na quarta, italiano, esse semestre. Ou seja, não estou querendo dar carteirada nem nada, até que pq falar língua nao faz de ninguem melhor do que ninguem, qualquer retardado fala linguas. Até os idiotas da Italia falam italiano, os loucos da China falam chinês, etc.

E, sim, teoricamente é possível uma pessoa achar uma lingua linda e sonora sem ser ufanista, mas eu não me lembro de já ter visto isso.

Entre as pessoas poliglotas com as quais estudo, convivo e trabalho, eu raramente escutei esse tipo de coisa - se é que já estudei algum dia.

(Naturalmente, estou falando de pessoas realmente poliglotas, capazes de funcionar, ler, lecionar, aprender, trabalhar em várias línguas. O cara que fez três anos de inglês no IBEU e dois de francês na Aliança não é poliglota, ele se vira lendo cardápios, e olhe lá.)

Por algum estranho motivo, as pessoas verdadeiramente cosmopolitas que conheço, que viajam muito, que já moraram em muitos países, que de fato absorveram a cultura e amaram as nações por onde passaram, que falam as línguas de um modo total, entendendo as culturas que as produziram (não como os brasileiros que vêm pra cá trabalhar na construção ou casar com gringo, nunca aprendem a língua e ficam suspirando saudade de pão de queijo), enfim, por algum estranho motivo, essas pessoas raramente ficam rankeando linguas e culturas, raramente vêm querer comparar qual lingua é mais rica que outra, essas coisas.

Quase sempre, o cara que fala que o português é a lingua mais rica e mais linda do mundo mora no suburbio, viajou pouco ou quase nada, fez dois anos de cursinho de ingles e acha que o inglês é uma lingua pobre pq tem menos sinonimos (q ele sabe, claro) que portugues, ou algo assim.

PermalinkPermalink 05.03.09 @ 14:10



Comentário de: Alex Castro Email

agora, manuel, uma pergunta: pq vc nao comentou o assunto do outro post no outro post?

PermalinkPermalink 05.03.09 @ 14:12



Comentário de: Manuel

Ah, é porque não sabia se você responde a comentários de posts antigos. É a primeira vez que comento no blog.

Concordo com você que não faz muito sentido comparar a "beleza" ou a "riqueza" das línguas. Mas você pareceu concordar que alguém pode achar uma língua em si bonita e sonora. Eu não sei se acho isso de alguma língua (acho textos em várias línguas lindos, claros), mas fico impressionado com o número de sinônimos para algumas coisas em inglês. Às vezes tenho a impressão que são mais que no português. E me impressiono com a capacidade dos falantes daquela língua de criar palavras que servem para dizer coisas que nos exigiriam várias frases. Deve ser só impressão. Como eu vivi sempre imerso no português, não percebo muito bem a diversidade e a maleabilidade da nossa língua. Ou então tenho que ler mais. Guimarães Rosa e outros, né?

Gracias pela resposta.

PermalinkPermalink 05.03.09 @ 18:54



Comentário de: Te

A hora em que deixamos de fazer parte da manada.

PermalinkPermalink 05.03.09 @ 23:54



Comentário de: Homero

Pena que o Chomsky atual voltou a ser uma cavalgadura, apoiando as idéias e os regimes mais facínoras do mundo.

PermalinkPermalink 06.03.09 @ 19:31



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