Muitos leitores e amigos me enviam links de notícias de jornal e pedem pra eu comentar aqui no blog. Eu adoro e agradeço, porque quase sempre são fatos que de fato me interessam muito e que eu não saberia sem essas dicas. Mas eu realmente não tenho nada de novo ou original ou interessante a dizer sobre a maioria dessas notícias e acho estéril repetir o que todo mundo está dizendo. O que mais posso falar sobre o cartum do New York Post além de que ele foi extremamente racista e insensato? Tem como falar alguma coisa nova sobre a brasileira na Suiça?
Sim, muitas vezes tenho vontade de postar só o link, mas não quero que o LLL se transforme nesses blogs-portais-agregadores. Também tenho vontade de falar mais do Oliver (na sexta feira, ele ficou constipado e teve que fazer dois enemas, o coitadinho, e eu nem sabia que enema também podia ter fins médicos ou terapeuticos!), de comentar filmes (não entendo quem conseguiu gostar de Benjamin Button, um dos piores filmes de todos os tempos, mas o Rafa já malha os filmes que eu odeio e já elogia os que eu gosto, pra quê vou chover no molhado?), de comentar séries (foi uma delícia rever a Chloe e o Aaron em 24, que está cada vez melhor, e Battlestar Galactica na reta final está incrível também), ou o noticiário (viram o novo attorney-general americano chamando os EUA de nação de covardes por fugir do assunto racial? eu quase aplaudi!), ou um testinho divertido, uma letra de música interessante (medo da chuva, a maçã, etc), uma foto mais pessoal, um vídeo engraçado. Sim, eu juro que tenho esses ímpetos todos.
Mas aí eu ando por meia dúzia de blogs aleatórios e penso: "putz, quero que o LLL seja assim?" Não tenho nada contra esses blogs. A beleza de blogs é poderem ser tudo o que o dono desejar. Só não quero que o meu seja assim. Os leitores que procuram por fotos de gatos e resenhas de filmes têm outros mil blogs que podem visitar.
Só me proponho a comentar algum assunto do noticiário se eu tiver (ou achar que tenho) algo de novo a acrescentar ao que a imprensa e os blogs já estão falando. Senão, sério, de que adianta? Prefiro reescrever e republicar um texto instigante de 2004, para ver que novas discussões ele pode suscitar, do que fazer mais um post brocha e repetitivo reclamando do Itamaraty não ter se envolvido, ou ter se envolvido, no caso da brasileira na Suiça.
A única pauta do LLL é disponibilizar conteúdo único, original, interessante.
* * *
Sempre que bate a vontade de escrever um texto comentando o noticiário, não consigo evitar de visualizar a seguinte cena:
Eu, mais velho, mais barrigudo, mais careca, sentado na mesa do café da manhã, um jornal amassado nas mãos sujando meus dedos, e minha esposa, 20 e tantos anos de casados, ela também velha e barriguda (mas ainda não careca), bobs na cabeça e avental manchado, fritando um ovo e pensando nas suas unhas, e eu abaixo o jornal e digo, benhê, viu que o editor do New York Post pediu desculpas pela charge do chimpanzé?, e ela responde, quase automaticamente, ahãm, enquanto pensa, hmmm, vermelho-cereja ou rosa-bebê?
Aí a vontade passa e vou escrever um texto novo do zero.
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