Os Limites da Liberdade Acadêmica

Professores universitários dispõem de uma série de proteções para poder exercer sua liberdade de pensamento sem medo de represálias. Mas qual é o limite dessa liberdade? Ou melhor, essa liberdade deve ter limites?
(Esse post vai ficar no topo do blog por alguns dias. Meus acréscimos ficarão lá embaixo, na forma de updates.)

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A Estabilidade no Emprego

Nos Estados Unidos, professores universitários com carreira bem-sucedida, muitos livros e artigos publicados e um bom histórico de serviços às suas instituições podem receber "tenure", ou seja, estabilidade no emprego. A não ser em casos extremos, os "tenured professors" não podem ser demitidos. Para nós, brasileiros, isso soa relativamente comum, conhecemos várias carreiras e profissões com "tenure", a começar por todo o funcionalismo público, mas no contexto americano, a instituição do tenure é uma exceção ao senso-comum liberal e vive sendo questionada/defendida.

A justificativa: o tenure seria a proteção do intelectual contra as pressões econômicas e políticas. Não fosse o tenure, intelectuais de humanas teriam receio de falar contra o status quo, o governo, etc, e os intelectuais de ciências acabariam limitados somente à pesquisas que dessem retorno financeiro no curto prazo.

O ataque: já outras pessoas dizem que os professores autenticamente iconoclastas simplesmente nunca chegam ao ponto de receber tenure: a maioria dos professores com tenure seria pró-establishment e não faria nenhuma pesquisa de ponta. Muito pelo contrário, afirmam que o tenure na verdade mata o dinamismo intelectual da universidade, ao fazer os indíviduos trabalharem feito loucos por pouco tempo e, depois do tenure, incentivando-os a não fazer nada pelo resto da vida. E, por fim, muitos liberais afirmam que é simplesmente injusto alguém não poder ser demitido.

(O verbete da Wikipedia sobre tenure explica melhor todo o processo: http://en.wikipedia.org/wiki/Tenure)

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Ponto Contraponto

Três artigos, um contra, um a favor, e um mais ou menos:

- In Defense of Academic Tenure - http://www.merage.uci.edu/~mckenzie/tenure.html
- The Economics of the Tenure System - http://www.econlib.org/library/Columns/Mirontenure.html
- The Hidden Costs of Tenure - http://thehiddencostsoftenure.com

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Quem É Protegido pelo Tenure?

Por um lado, concordo que tenure (teoricamente) protege o intelecual de represálias políticas - mas protege mesmo? E, por outro, eu sei o suficiente de economia para saber que, quando alguém não tem mais incentivo para produzir, a pessoa (teoricamente) não produz - mas será que não produz mesmo?

Os opositores do tenure desafiam: me mostrem um caso de professor iconoclasta e vanguardista que teria sido demitido se não fosse o tenure! (E eu gostaria de conhecer esses casos!)

Os defensores do tenure desafiam: me mostrem esses números que indicam que os professores com tenure viram um bando de inúteis coçadores-de-saco depois de conseguir a estabilidade! (E eu realmente gostaria de conhecer esses números!)

Existem alguns casos clássicos.

John Edward Mack era professor de medicina de Harvard e começou a estudar abduções extra-terrestres. A universidade analisou cuidadosamente sua pesquisa e acabou reafirmando "Dr. Mack's academic freedom to study what he wishes and to state his opinions without impediment. ... Dr. Mack remains a member in good standing of the Harvard Faculty of Medicine." (http://en.wikipedia.org/wiki/John_E._Mack)

Jeffrey Meldrum é professor de anatomia de Idaho State University e tornou-se um dos maiores experts no Pé-Grande/Sasquatch. Seu tenure nunca foi oficialmente "investigado", como no caso de Mack, mas ele é uma figura polêmica: pra alguns, ele ridiculariza a universidade; para outros, enfatiza a diversidade e liberdade acadêmica da instituição. (http://cbs5.com/watercooler/water.cooler.Jeffrey.2.274282.html)

Esses casos são geralmente apontados pelos opositores do tenure como um exemplo do fracasso do sistema: teoricamente, só serve para manter o emprego de malucos que já teriam sido despedidos. Por outro lado, defensores argumentam que o objetivo do tenure é justamente manter o emprego desses e de outros "malucos", especialmente considerando que a maluquice é relativa. Eppur si muove, já diria o outro.

Mas, afinal, onde estão os acadêmicos de verdade que teriam sido despedidos se não fosse pelo tenure?

  Professora, É pra Ler ou Entender? DINORA MACHADO MELO  Memórias de Professoras: História e Histórias MARIA TERESA DE ASSUNCAO FREITAS

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Demissão com Justa ou Injusta Causa?

A Universidade de Ottawa está abrindo um processo interno para poder demitir Denis Rancourt, professor do Departamento de Física.

Entre seus muitos crimes: discutir política numa aula de ciência (afinal, todos sabemos que a ciência é politicamente neutra!), avisar no começo do semestre que todos os alunos vão ganhar A (quebrando a perfeita e inquestionável meritocracia que vigora nas universidades), criticar Israel (faux-pas ao quadrado) e afirmar que a universidade faz parte de um sistema de dominação e opressão (e eu que achei que isso já era um truísmo althusseriano!).

No final do semestre passado, ele foi proibido de entrar no campus. Quando participou de uma reunião de um grupo de cinema nesse semestre, foi retirado do campus algemado.

Abaixo, alguns trechos de matérias sobre o assunto na imprensa.

  Psicologia para Professores DAVID FONTANA       Professores: Entre o Prazer e o Sofrimento, Os CLAUDINE BLANCHARD-LAVILLE

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O Professor Provocador

A melhor é do The Globe and Mail, de 11 de fevereiro. Vou citar inteira, pois o artigo logo vai sair do ar.

The provocative professor: A physics teacher who refuses to grade his students sparks a debate over the meaning of academic freedom
(http://www.theglobeandmail.com/servlet/story/RTGAM.20090211.wsuspend11/BNStory/National/home)

A University of Ottawa physics professor who was suspended after awarding automatic A's to his students to protest against the tyranny of tests and grades is receiving mixed marks from academics across North America - some offering high scores, others flunking him.

His case has become a talking point for academic freedom: When does a tenured professor cross the line from exercising intellectual independence - a tenet of university life - to failing to live up to his job description?

The University of Ottawa administration has decided the latter, recommending to its board of governors, in a rare move, that senior physicist Denis Rancourt be dismissed from the school, in addition to banning him from campus. A statement from the university said the reasons include Prof. Rancourt's refusal to follow a grading system, which challenged the "credibility" of a degree from the school and ignored the fact that students need marks to win graduate positions and scholarships.

The decision, however, follows years of conflict with Prof. Rancourt over course curriculum - in particular his practice of discussing politics in science classes - and complaints from many of his faculty colleagues about his conduct. Prof. Rancourt, who describes himself as an "anarchist," insists that properly teaching science requires a consideration of social issues, and that eliminating the pressure of grades allows students to focus on learning.

But while supporters say the university has been heavy-handed in its treatment of the veteran professor, they also acknowledge that his combative stand with colleagues, and claims that his suspension is linked to his political views - in particular his criticism of Israel - have only fuelled the dispute. Most recently, an editorial in a campus student newspaper, The Fulcrum, sided with the university, criticizing Prof. Rancourt's ongoing "harassment" of the administration.

At the Canadian Civil Liberties Association, general counsel Alan Borovoy said that "universities should always err on the side of professorial freedom." But in that context, the professor is still required to do his job, he said. If grading is required, he suggested, then "even though the professor may think this is a reactionary and Neanderthal practice, that professor would nevertheless be obliged to grade his students."

A more openly critical position was taken by Stanley Fish, a professor of law at Florida International University, who wrote in his blog for The New York Times that Prof. Rancourt is an example of turning "serial irresponsibility into a form of heroism under the banner of academic freedom." There is a difference "between wanting to teach a better physics course and wanting to save the world," said Prof. Fish, who has written a book arguing that professors overreach when they instruct students on ethics and morality.

"That's nonsense," said Robert Gaucher, a recently retired law professor at the University of Ottawa. "Of course we bring our political views; how do we leave them aside? Professors spout off in all directions during their lectures."

Dr. Gaucher, who wrote a letter of support for Prof. Rancourt, suggests that the broader issues at stake have been obscured by the rancour between the two sides - citing in particular a January incident that saw the professor escorted off campus in handcuffs when he attended a film society meeting.

"What happens in the classroom has to be discussed more broadly," he said. As for the suggestion that professors should strictly follow curriculum, he asked, "Well, what is the curriculum, who created it, and what was their point of view?"

Aruna Srivastava, an associate professor of English at the University of Calgary who has also written a letter backing Prof. Rancourt, said that while she may not support all his actions or politics, she believes he raises important questions about accepted teaching practices at universities.

Like Prof. Rancourt, Prof. Srivastava prefers to allow students to guide the format of classes, and participate in their own grading process. While the concept is more commonly accepted in humanities than science faculties, she says she has also experienced disapproval for her approach. Of Prof. Rancourt's case, she says: "The university shouldn't be setting up a fort mentality against people it doesn't like. In fact, academic freedom says the university should protect people it doesn't like."

Until the university's board of governors rules on the case, Prof. Rancourt has been suspended with pay.

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Stanley Fish ao Ataque

Stanly Fish, respeitadíssimo intelectual e autor do recente "Save the World on Your Own Time", justamente sobre "professores ativistas que tentam salvar o mundo na sala de aula e não ensinam o que tem que ensinar", pegou pesado contra Rancourt em seu blog no New York Times, em 8 de fevereiro. Alguns trechos:

The Two Languages of Academic Freedom
(http://fish.blogs.nytimes.com/2009/02/08/the-two-languages-of-academic-freedom)

Last week we came to the section on academic freedom in my course on the law of higher education and I posed this hypothetical to the students: Suppose you were a member of a law firm or a mid-level executive in a corporation and you skipped meetings or came late, blew off assignments or altered them according to your whims, abused your colleagues and were habitually rude to clients. What would happen to you?

The chorus of answers cascaded immediately: “I’d be fired.” Now, I continued, imagine the same scenario and the same set of behaviors, but this time you’re a tenured professor in a North American university. What then?

I answered this one myself: “You’d be celebrated as a brave nonconformist, a tilter against orthodoxies, a pedagogical visionary and an exemplar of academic freedom.” ...

Rancourt is a self-described anarchist and an advocate of “critical pedagogy,” a style of teaching derived from the assumption (these are Rancourt’s words) “that our societal structures . . . represent the most formidable instrument of oppression and exploitation ever to occupy the planet” (Activist Teacher.blogspot.com, April 13, 2007).

Among those structures is the university in which Rancourt works and by which he is paid. But the fact of his position and compensation does not insulate the institution from his strictures and assaults; for, he insists, “schools and universities supply the obedient workers and managers and professionals that adopt and apply [the] system’s doctrine — knowingly or unknowingly.” It is this belief that higher education as we know it is simply a delivery system for a regime of oppressors and exploiters that underlies Rancourt’s refusal to grade his students. Grading, he says, “is a tool of coercion in order to make obedient people” (rabble.ca., Jan. 12, 2009).

It turns out that another tool of coercion is the requirement that professors actually teach the course described in the college catalogue, the course students think they are signing up for. Rancourt battles against this form of coercion by employing a strategy he calls “squatting” – “where one openly takes an existing course and does with it something different.” That is, you take a currently unoccupied structure, move in and make it the home for whatever activities you wish to engage in. “Academic squatting is needed,” he says, “because universities are dictatorships . . . run by self-appointed executives who serve capital interests.”

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Economia das Notas

Um editorial do The Journal, da Queen's University, explora a questão do ponto de vista da "economia das notas". Eu mesmo tenho refletido muito sobre isso: afinal, pensando economicamente, quais são os incentivos que um professor tem para dar notas justas (ou seja, meritocráticas), ao invés de simplesmente dar A pra todos e se poupar aporrinhações (sem fazer a burrada de avisar antes, claro)? Alguns trechos:

Reform Grading System
(http://www.queensjournal.ca/story/2009-02-09/editorials/reform-grading-system)

It’s disappointing that universities, which claim to be pillars of intellectual freedom, seem to accept all types of academic criticism except when it’s directed at their organizational structure. Tenure is meant to protect academics from being unreasonably punished for pushing academic boundaries and, if the University is prepared to treat Rancourt’s tenure lightly, perhaps it should reconsider its process of granting tenure. ...

In theory, relieving students of the pressure to get good grades allows them to explore abstract and radical ideas in their assignments without the fear they won’t conform to the expectations of the course. But it’s idealistic to believe all students will pursue this learning style. Students who use the marking scheme as an excuse to skip class shouldn’t be treated the same way as students who try to engage with the material.

Rancourt could have organized a group of educators to talk to the University about teaching reform rather than embarking on a one-man effort that garnered him media attention but little change.

It’s time for universities to explore grading reform.

For the University’s lack of imagination in grading schema and shameful overreaction to Rancourt’s action, we give it an F.

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Três Últimos Links Importantes

- A página de Denis Rancourt na Universidade de Ottawa - http://www.science.uottawa.ca/~dgr
- O blog de Denis Rancourt, Activist Teacher - http://activistteacher.blogspot.com
- AcademicFreedom, cobrindo as últimas novidades do caso - http://academicfreedom.ca

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Final Aberto, Anti-Climático e Previsível

Eu pergunto:

E vocês? O que fariam? Em princípio, são contra ou favor do academic tenure? Já tiveram professores malucões que quebraram todas as regras? Vocês se sentiram inspirados ou roubados? Um professor que dá A pra todos merece ser despedido? Isso é uma tática pedagógica válida ou uma perversão do sistema?

O que VOCÊS acham?

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Esse post ficará no topo do blog por alguns dias. Meus acréscimos ficarão aqui embaixo, na forma de updates. Desculpem os links esquisitios, o sistema do InterneyBlogs não está aceitando meus links normais.

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Já que estamos falando nisso, aqui vai a recomendação de um dos livros mais lindos, humanos, abertos, libertários, grandes!, que eu já tive o privilégio de ler:

  Pedagogia do Oprimido

 

19.02.09



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Comentários:


Comentário de: Alessandra

Acho que esse Rancourt deve estar muito feliz com a idéia de ser despedido. Assim não só ele prova a tese dele de que as universidades são de fato opressoras, exploradoras e reacionárias, como também fica livre do fardo de tirar seu sustento de uma delas. Devia ser sofrido para ele ser obrigado a isso, coitado.

PermalinkPermalink 17.02.09 @ 23:13



Comentário de: Alex Castro Email

alê, tenho certeza q ele devia sofrer muito, o pobrezinho.... :)

PermalinkPermalink 17.02.09 @ 23:44



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"Os opositores do tenure desafiam: me mostrem um caso de professor iconoclasta e vanguardista que teria sido demitido se não fosse o tenure!"

Conhece o caso do Peter Duesberg, professor da University of California em Berkeley?

O cara era reconhecido como o fodao de Biologia, o super-mega-especialista em Cancer, tambem o maior especialista de retro-virus dos EUA, membro da National Academy of Sciences, ganhador de trocentos premios e blablabla.

Entao ele escreveu um artigo nos anos 80 dizendo que o HIV nao causa AIDS. Logo ele foi simplesmente jogado fora do mainstream academico.

Mas como ele tem tenure, ele continuou professor da UC, Berkeley.

Entao esta ai um exemplo onde o tenure realmente serviu p/ preservar um professor polemico e iconoclasta ao extremo

O que seria so uma nota de rodape sobre um maluco qualquer, nao fosse o fato de que em 2007 a Scientific American publicou um novo artigo de Duesberg sobre Cancer e tal artigo tem sido usado como base p/ estudos promissores sobre o assunto hj em dia. E tal artigo so saiu gracas ao tenure que permitiu ele continuar pesquisando.

Agora, se isso foi bom ou ruim...sei la.


PermalinkPermalink 18.02.09 @ 00:25



Comentário de: Blog Mallmal · http://www.mallmal.blogspot.com

Aleluia!!! Uma trégua no monocórdico racismo! :)

Acho válidas as pesquisas sobre o pé-grande e abduções, embora as considere ridículas, já que estou inserido no zeitgeist científico.
Houve um dia em que alguém teve a coragem de dizer que existiam micróbios, átomos, moléculas, sempre desafiando o status quo da época. E o que seria de nós sem esses "malucos"?
Apenas refinando, acho válidas as pesquisas sérias, sobre qualquer tópico, mas não o proselitismo místico / religioso ou o desvio do propósito de uma aula.
Esses exemplos que você citou mostram claros abusos da liberdade e estabilidade oferecidas e devem ser julgados por um grupo de representantes do meio acadêmico (docentes, diretoria e dicentes), de preferência via voto secreto.

PermalinkPermalink 18.02.09 @ 00:25



Comentário de: leo · http://lmonasterio.blogspot.com

Nao posso opinar sobre os eua. Soh sei que qq sistema eh melhor do que picaretagem das universidades publicas brasileiras.
leo, 21 anos em 5 universidades federais.

PermalinkPermalink 18.02.09 @ 00:53



Comentário de: Carla · http://conversadepsicologo.com

Sobre professores que dão A para todos os alunos, depende do caso.

Se é um professor de fisiologia humana da faculdade de medicina que dá A para o aluno que não tem a menor competência, ele "coloca" um médico ruim no posto de saúde. Diferente do professor daquela eletiva delícia, mas sem função prática nenhuma (no meu caso, Psicopatologia e Cinema). Reprovar em Psicopato e Cinema não fará de mim uma péssima psicóloga, até porque para fazer a matéria teria que ser aprovada em Psicopatologia.

Isso tudo contando que a avaliação que existe é bem feita, que os alunos são honestos e os desonestos são "descobertos", que ninguém compra trabalho e por aí vai. Sonho, né?

PermalinkPermalink 18.02.09 @ 01:02



Comentário de: Andre Carvalho

Engraçado é que lendo sobre o Rancourt, me lembrei de vários professores da minha graduação. Justamente os piores. Justamente os que eu tive que aprender o assunto dado por eles no mestrado, estudando por mim mesmo. O cara que usa um curso de algebra linear I para falar de política ao invés de falar de vetores é um pilantra, que no fundo só está atrapalhando a formação dos alunos, por melhor que seja o papo polítco que ele dá no lugar das aulas. Matérias em cursos de ciências têm propósitos concretos (sem qrer ofender cursos humanos), Dar A para todos é dizer "foda-se o q esse curso quer dizer, o importante é a discussão". Gostaria de saber em qual curso o sr. Rancourt fez sua peripécia.

Como já disse antes, já fui alunos de muitos professores similares (e provavelmente menos brilhantes). Tudo que eu queria era aprender a matéria na qual me matriculei, e não ouvir discursos longuissimos no lugar. Se o discurso fosse depois da aula tudo bem, mas DURANTE? é sacanagem. Tive muitos problemas na graduação por causa de pessoas assim.



PermalinkPermalink 18.02.09 @ 05:19



Comentário de: Arthur

Acho que o professor deve ter liberdade pra decidir como a avaliação deve ser feita, deve poder inclusive ter a liberdade de dar A pra todo mundo.

Mas ele não pode numa aula de Fisica Nuclear II ficar ensinando politica, pode falar um pouco, de passagem, mas não dar aula de politica. Simplesmente não é a função dele.

Eu ja tive um professor assim, ele simplesmente entrava na sala e começava a falar sobre qualquer coisa, contava historias, e nem de longe passava perto da materia.Ele era um cara interessantissimo, gostei muito de conhece-lo, mas mesmo assim não concordo com isso...

PermalinkPermalink 18.02.09 @ 09:52



Comentário de: Arlen Nascimento · http://paidegua.wordpress.com

Tem um professor aqui no departamento que, simplesmente, mora no rio de janeiro. O departamento ao qual me refiro e onde ele está lotado até hoje, fica na universidade federal do amazonas, em manaus!

E continuam dando disciplinas pra ele 'lecionar' normalmente.
ele é velho conhecido dos alunos. Mesmo quando morava aqui, nunca aparecia na sala de aula.

Certa vez, ele disse que não poderia dar aula. Alguns alunos resolveram ir ao cinema naquele tempo vago. e quem encontraram por lá? O professor que nao ia poder dar aula!

Esse é o problema do funcionalismo público. Esse professor nunca vai ser demitido. E se algum dia tentarem, o processo vai levar anos e anos...


PermalinkPermalink 18.02.09 @ 11:05



Comentário de: Josefina

Professor Malucão eu até acho que nao é o problema, o problema é o povo que tem tenure e se encosta, tem varios exemplos por ai conhecidos, gente que depois que teve a tenure nunca mais publicou um unico livro. Qto ao tal do Rancourt, trigo limpo nao deve ser, porque se fosse tao iconoclasta nao seria full professor...eu não li muito sobre o caso, até porque a universidade em questão é um cabide de emprego pra ex membros do governo, o atual reitor é antigo ministro...o Allan Rock, tem neguinho que entrou lá com tenure direto e que não publicou nem UM UNICO livro e nem 3 ARTIGOS, se quiseres os exemplos te dou por email. Em seguida tem outros que se APOSENTARAM sem escrever um livro, o maximo que fizeram foi escrever 2 ou 3 capitulos nos livros dos amigos e que foram recontratados como "adjunct professor" na base de contrato e que tão lá tirando dos mais novos a chance de poder dar uma ou duas disciplinas porque nao tem vaga permanente...Nao dah pra comparar a universidade americana com a brasileira, se bem que no Canada, como todo o sistema é publico tem coisas parecidissimas com o Brasil, inclusive o fato que 70 % das disciplinas sao dadas por professores a contrato, o pessoal se aposenta e eles nao contratam gente nova, tapam os buracos dando contratos de ensino...

PermalinkPermalink 18.02.09 @ 11:18



Comentário de: Ricardo Pereira

Como ex-professor universitario sem lugar fixo, analiso a questao da seguinte forma: A atividade de um professor universitario dentro das atribuiçoes classicas - ensino, pesquisa e extensao- é muito normatizada e deixa pouquissima margem de manobra para a incorporaçao de outros temas ao curriculum universitario, até porque nao sobra tempo pra analisar alternativas ao que ja temos. Sob certo aspecto, ao anunciar que todos os alunos seriam automaticamente aprovados, o prof abriu mao de um dos instrumentos de poder que lhes permite o controle da classe. Entretanto, num ambiente mais evoluido, notas nao deveriam ser consideradas na avaliaçao. Analisando sob a otica da efetividade da proposta, posso afirmar que, além do conhecimento academico notorio, o professor precisa ser capaz da seduzir os alunos para que se processe a aquisiçao do conhecimento.
Em relaçao a falar sobre politica em classe, diria que este é um veto absurdo e que deveria ser fortemente combatido pelo meio docente, por motivos obvios.
Qto à liberdade de pesquisar, nada contra, desde que a obtençao de recursos seja feita pelo proprio pesquisador. No caso brasileiro, suas propostas enviadas às agencias de fomento levam em consideraçao diversos parametros antes de contemplar os projetos com verbas. Assim, nao se pode dizer que exista completa liberdade de pesquisa, pelo menos aqui...

PermalinkPermalink 18.02.09 @ 11:24



Comentário de: Fábio Santiago

Tive muitos professores assim na universidade. Posso dizer sem arrependimentos que aprendi muitas coisas com eles. O que eu sempre questiono nas universidade, é que falta tecnologia para que pudéssemos aprender melhor. Não há nada pior que ter um professor que se acha e te pune só por contrariá-lo em alguns quesitos.

PermalinkPermalink 18.02.09 @ 11:44



Comentário de: Claudio Agostinho

A estabilidade no emprego é otima, até para professores. Não podemos confundir professor com cientista. Os compromissos dos dois são diferentes perante a sociedade. A estabilidade no emprego, provoca a estagnação mental, excluindo-se raras excessões.

PermalinkPermalink 18.02.09 @ 12:43



Comentário de: Luiz

Não conheço a situação nos USA, mas aqui no Brasil ela me parece salutar, apesar dos desvios que possam ocorrer. Não necessita sequer ser por questões polêmicas, vide o fato de que dei aula em uma universidade particular(melhor dizer, em uma loja de venda de diplomas)e fui demitido apenas porque queria que os alunos lessem (a coordenadora do curso, quando comentei que alguns alunos eram semi-alfabetizados, sugeriu que eu lesse os textos em sala, para os "clientes" não ficassem constrangidos). Agora, em uma universidade pública posso efetivamente ensinar sem "medos" de ser demitido por eventuais políticas de "aprovação direta" que possam vir a ser "desejáveis" em busca de bons índices no final do ano.

PermalinkPermalink 18.02.09 @ 14:51



Comentário de: O que gosta

A liberdade de pensamento e de se expressar em
um país democrático deve ser respeitada, cada
caso é um caso, deve-se tomar cuidado com a
questão de abuso de poder se não os subordina-
dos e mais fracos ficam como?,O SEU DIREITO
TERMINA QUANDO COMEÇA O DO OUTRO, lembra?
Ou não vale mais ter coerência no que faz?

PermalinkPermalink 18.02.09 @ 17:14



Comentário de: Antonio

Se o professor não possuir liberdade tanto em sala de aula como na pesquisa e extensão, teremos seres que irão produzir apenas para satisfação de interesses mais imediatos ou de quem estaria no poder. Caberia aos alunos a reprovação daqueles que deixam de ensinar os conteúdos de lado e passam apenas a falar de questões pessoais. Mas, mesmo em cursos das área de exatas necessita falar sobre política, o que não pode é ocorrer em todas as aulas.

Em nosso país, que professor sabendo que pode ser demitido, especialmente nas áreas de humanas, iriam atentar contra os interesses governamentais. Olhem o exemplo de Universidades privadas, onde há uma limitação de críticas a forma que o ensino é organizado, pois, o patrão geralmente demite.

PermalinkPermalink 18.02.09 @ 18:09



Comentário de: Liana

"A liberdade de pensamento e de se expressar em
um país democrático deve ser respeitada"
Já a liberdade de se falar o que se quer e obrigar os outros a pagar por isso nem tanto.
Por outro lado, Márcio, o Duesberg afirma que as verbas para pesquisa dele- e a área dele deve ser muito cara- simplesmente secaram. Então, não acho que a Humanidade tenha lucrado muito com a estabilidade dele.
Minha regra geral é a seguinte: se a universidade recebe alguma ajuda, algum subsídio do Estado não pode haver tenure. Se o cara quer caçar alienígenas, que faça com o próprio dinheiro, não com o do contribuinte. Não interessa se o subsídio é para outro projeto ou é para subsidiar alunos ou expandir a biblioteca. Se a universidade tem dinheiro para caçar ETs não precisa de subsídio do Governo. Se não há dinheiro estatal envolvido, a universidade deveria poder adotar o regime de emprego que desejasse desde que legal e com a concordância do empregado.

PermalinkPermalink 18.02.09 @ 18:18



Comentário de: Meg · http://namesadeumbar.blogspot.com

Privar os alunos do conhecimento técnico que eles vão precisar para sua atuação profissional é muito ruim. Mas pior ainda é impedir que um professor expresse suas opiniões, mesmo em sala de aula.
Muitas vezes, em sala de aula, quando o assunto é puramente científico, os alunos puxam uma discussão sobre ética profissional, ética ambiental, questões de política ambiental, etc. Eles têm necessidade de discutir esses assuntos. E eu perco, de boa vontade, meia hora ou mais de aula para que eles possam pensar, ouvir opiniões diferentes, argumentar, etc. Se a sala de aula não é o lugar de se fazer isso, onde mais seria? Nos workshops oficiais organizados pelas Secretarias de Estado, onde só se apresenta quem é convidado? Tenham dó.

Quanto à forma de avaliação: varia de disciplina para disciplina, mas em alguns casos se justifica, sim, dar A para todos os alunos. Exemplo: uma das disciplinas da nossa pós-graduação é toda composta de seminários apresentados por convidados externos ao departamento (outros pesquisadores, empresários da iniciativa privada, gestores do governo, etc), quem assiste a todos e não tem nenhuma falta, ganha A. Não há avaliação, apenas presença. Não tenho nada contra.

PermalinkPermalink 19.02.09 @ 09:32



Comentário de: Meg · http://namesadeumbar.blogspot.com

Quanto à estabilidade, também sou totalmente a favor. O exercício intelectual e criativo é muito mais eficiente quando não há pressões externas nem medo de ser despedido.
Já dei aula em faculdades particulares e dou aula atualmente numa federal. Aqui os professores são muito mais produtivos em termos de pesquisa, fazem de fato extensão, e dão aulas atualizadas. Podem ser rigorosos com os alunos, não têm que puxar o saco deles por não terem medo de serem despedidos.

PermalinkPermalink 19.02.09 @ 09:46



Comentário de: Bugman · http://www.quinzeminutos.net

De verdade, tenho dúvidas que qualquer jeito adiantasse algo. Já estudei em fac particular sem garantias pra ninguém e vi loucos que eram, simplesmente, admirados por reitores e quem realmente mandava.

A princípio, sou a favor da estabilidade, mas uma coisa é certa. Assim como em qualquer empresa, existe gente que não possui uma estabilidade "oficial", mas que a gente não vê chances de ser demitido mesmo com baixa produtividade.

PermalinkPermalink 19.02.09 @ 12:17



Comentário de: Alessandra

Post interessante sobre o assunto: http://aliasclio.wordpress.com/2009/02/17/dialogue-some-thoughts-on-academic-freedom/

"Muitas vezes, em sala de aula, quando o assunto é puramente científico, os alunos puxam uma discussão sobre ética profissional, ética ambiental, questões de política ambiental, etc. Eles têm necessidade de discutir esses assuntos."

Muito justo e natural. O problema começa quando não se perde meia hora, mas a aula toda, seguidamente. E o problema fica maior ainda quando o professor não está propondo uma discussão e convidando ao debate, e sim tentando enfiar a sua visão política nos alunos. Mais ainda se acaba pontificando com assuntos que não têm nada a ver com a matéria. É o que parece ser o caso.

Eu tive também um professor assim na faculdade. Horas e horas desperdiçadas. Não aprendi absolutamente nada, não mudou minha opinião a respeito de nada e só me fez detestar aquele pentelho.

PermalinkPermalink 19.02.09 @ 12:59



Comentário de: Meg · http://namesadeumbar.blogspot.com

Alex, sou professora (substituta) de Ecologia da UFMG. Já lecionei disciplinas como Ecologia de Comunidades, Ecologia Energética, Metodologia de Campo, Instrumentação para o Ensino de Ecologia.

PermalinkPermalink 19.02.09 @ 13:28



Comentário de: Daniel Malaguti

Desconfio que o Noam Chomsky já teria sido demitido do MIT faz tempo não fosse a tal "tenure".

PermalinkPermalink 19.02.09 @ 21:05



Comentário de: Marcio E. Goncalves

Que pena que nao foi, o Chomsky nao faria falta nenhuma.

Mas na real ele se encaixa perfeitamente na Academia americana - que, ao contrario do que imaginam muitos brasileiros, eh total esquerdinha como o Chomsky.

PermalinkPermalink 19.02.09 @ 22:24



Comentário de: Alessandra

Que legal, Meg. Mas vem cá, isso invalida alguma coisa do que eu disse?

PermalinkPermalink 19.02.09 @ 22:42



Comentário de: Márcio

Na UFSC tive os vários tipos de professores, já que na prática temos o "tenure", e nenhum desses tipos prevalece como maioria:
1 - Vagabundo que finge trabalhar e é mau professor;
2 - Vagabundo que não finge trabalhar e é bom professor quando quer, que dá aulas menos expositivas e que fornece só os caminhos e livros a ler;
3 - Trabalhador e com cobrança de notas com aulas ruins;
4 - Trabalhador sem cobrança de notas;
5 - Trabalhador sem cobrança de presença e cobrança de notas.
6 - Diversas outras mesclas logicamente verdadeiras dos tipos anteriores.

Não creio que se possa forçar através de leis um "melhor comportamento".
A grande verdade é que todos chegam em casa e ouvem/vêem as organizações Globo e sua programação escravizante, e olham o lixo publicitário nas ruas que formam Nossos valores.

PermalinkPermalink 20.02.09 @ 16:15



Comentário de: Márcio

Na UFSC tive os vários tipos de professores, já que na prática temos o "tenure", e nenhum desses tipos prevalece como maioria:
1 - Vagabundo que finge trabalhar e é mau professor;
2 - Vagabundo que não finge trabalhar e é bom professor quando quer, que dá aulas menos expositivas e que fornece só os caminhos e livros a ler;
3 - Trabalhador e com cobrança de notas com aulas ruins;
4 - Trabalhador sem cobrança de notas;
5 - Trabalhador sem cobrança de presença e cobrança de notas.
6 - Diversas outras mesclas logicamente verdadeiras dos tipos anteriores.

Não creio que se possa forçar através de leis um "melhor comportamento".
A grande verdade é que todos chegam em casa e ouvem/vêem as organizações Globo e sua programação escravizante, e olham o lixo publicitário nas ruas que formam Nossos valores.

PermalinkPermalink 20.02.09 @ 16:21



Comentário de: Fabiana

Que legal esse texto, deixei passar... Agora vou comentar um texto que já foi comentado :-(

Eu sou professora de História e estudei na USP, tive vários professores do tipo "crédito fácil", mas variavam muito em qualide de ensino.

Acho que tem muito a ver com o comprometimento de cada um. Se o professor estiver envolvido com o que está fazendo, os alunos se aprenderão qualquer coisa - não do jeito que o professor espera, é claro. Quanto a trocar qualque aula pelo ensino de "política", demonstra uma visão totalmente equivocada do que é a "política". Acho que se o docente não se omite politicamente consegue mostrar aos alunos que eles vivem em um mundo político. Deixando bem claras suas opções por alguma ciência ou método.

Essa estabilidade garente uma certa "margem" de diversidade de pensamento e ela tem que existir - e isso foi o melhor da minha formação acadêmica.

PermalinkPermalink 11.05.09 @ 16:09



Comentário de: Alfredo Cavalcanti Segundo

Antes de qualquer coisa me diga: Qual a função de um professor universitário?

So assim poderei responder mais precisamente.

Mas chutando aqui eu diria que se a sua função é apenas passar pro aluno o conteúdo da ementa, realmente tem que demitir esses caras que ficam falando de filosofia em aula de engenharia.

Mas se ao professor universitário cabe algo mais do que isso, cabe ser um provocador, um instigador, então faz todo sentido a "estabilidade".

PermalinkPermalink 06.03.11 @ 02:37



Comentário de: Alexandra · http://www.peregrinatrix.com

Não li tudo mas tenho um exemplo de um professor anti-establishment que provavelmente teria sido demitido (e fala abertamente sobre isso): David Suzuki.

PermalinkPermalink 06.03.11 @ 09:51



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PermalinkPermalink 07.03.12 @ 06:32



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PermalinkPermalink 25.04.12 @ 15:00



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