Os Indispensáveis

Você deve conhecer alguém assim. Eu conheço muitos.

São cultos, hips e intelectuais. Moram ali na esquina da Oscar Freire com Vieira Souto. Freqüentam museus, galerias de arte e livrarias com cafés. Gostam de Bandeira e do Bauhaus, de Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud. Torcem o nariz para cinema-entretenimento e só assistem filmes em que meninas iranianas perdem sapatinhos ou meninos esquimós refletem a condição existencial.

    Fim da Pólio, O SEBASTIAO SALGADO   Brasil: Palco e Paixão: um Século de Teatro LEONEL KAZ

Gastam uma fortuna em livros. Livros enormes, belíssimos, caríssimos. Você chega em suas casas e encontra, casualmente largados no coffee-table, três livros que juntos pesam 10 kg, custaram mais de 500 reais e têm menos de cinco páginas de texto corrido, com fotos de favelados do Salgado, roteiros das fazendas de café fluminenses ou close-ups de rostos de atores de cinema.

Você olha pra estante e os poucos livros que vê são uma verdadeira retrospectiva dos mais vendidos dos últimos 15 anos: Estação Carandiru, 1968, O Ano que Não Acabou, Olga, O Mundo de Sofia, Comédias da Vida Privada, A Arte da Felicidade, Quem Mexeu no Meu Queijo, Pai Rico, Pai Pobre, O Código da Vinci, O Nome da Rosa, tudo do Amyr Klink e do Paulo Coelho e os infalíveis 100 Melhores Contos de Qualquer Porra.

Nenhum livro que pareça ter sido comprado por vontade própria. Nenhum livro, aliás, que pareça ter sido aberto.

       Fazendas: Solares da Regiao Cafeeira do Brasil FERNANDO TASSO FRAGOSO PIRES    Arte Moderna GIULIO CARLO ARGAN

Entretanto, sem essas pessoas, nem o cambaleante mercado cultural brasileiro existiria mais.

 

11.02.09


Categorias: Comportamento


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Comentários:


Comentário de: André HP · http://formigueirocomunista.com/

haha... conheço o estereótipo.

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 07:14



Comentário de: Daniel Gárgula · http://mausoleudogargula.blogspot.com/

Muito boa observação!

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 09:06



Comentário de: George D.

Alex,

Conheço um livreiro (especializado em livros de arte e arquitetura que percorre partes das escolas de AU de SP) que me conta cada uma, daquelas que parecem piada velha. Recentemente, ele recebeu ligação de uma senhora procurando "conselhos abalizados" sobre lombadas de livro para combinar com a reforma em fase de conclusão do seu apê de um milhão de reais. Sério mesmo!

Ele continua a fazer o circuito das escolas de arquitetura, até para tomar uma cerveja com os amigos e andar pelo estado. Mas ele ganha em um, digamos, chá da tarde em Sampa no mínimo o que fatura em uma semana em uma escola...

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 11:54



Comentário de: Olga de Mello · http://www.arenascariocas.blogspot.com

Nossa, como conheço gente assim, mas numa versão mais modesta, carioca.
Gente que se deslumbra com a biblioteca de conhecidos intelectuais, que cita com a maior propriedade Deleuze ou qualquer pensador que esteja no gosto da mídia, porém não abre um livro, sequer de auto-ajuda.
Mas fazem a festa do mercado, vc tem razão.

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 12:34



Comentário de: Jasão · http://jasoncarreiro.wordpress.com

Isso é um paradoxo tão grande quanto as livrarias contratarem as pessoas que menos entendem de livros... justo as pessoas que menos lêem são as que sustentam o mercado cultural brasileiro... eita, o país das contradições!

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 12:39



Comentário de: Jasão · http://jasoncarreiro.wordpress.com

Alex, rola republicar esse post no meu blog, creditado certinho?

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 12:55



Comentário de: Te

Cai como uma luva! Falta dizer que pagam R$18 pra ver filmes-cabeça. E mesmo que não entendam patavina do filme repetem o que disse o crítico do jornal: "sublime, um poema em imagens", pra fazer o jogo de elogiar a roupa do rei e ninguém o chamar de estúpido insensível.

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 13:34



Comentário de: Te

Um Off topic: olha só o que o Google Book está anunciando:

http://www.googlebooksettlement.com/intl/pt-BR/

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 13:37



Comentário de: João Paulo Cursino · http://sratoz.blogspot.com

Te,

Copiei-colei o link, mas Google deu erro 404. O que estava anunciando?

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 13:40



Comentário de: Cassia

Boa, muito boa!!! Conheço gente assim e que ainda tem a ousadia de olhar para os "pobres mortais" com uma arrogância sem precedentes.

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 19:35



Comentário de: Cybelle Kostetzer

Olha, se eu conhecesse pessoalmente alguém assim, ficaria muito feliz. Absolutamente nenhum amigo que tenho abriu mais de três livros na vida, e nenhum vê sentido em filmes que não tenham pelo menos uma cena de ação...Talvez eu seja esse tipinho de gente estúpida para eles, afinal. Mas sei lá, pra mim significaria algum papo sobre o que gosto, pra variar...rs.

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 21:38



Comentário de: ninguem (a) · http://naoaddsemscrap.blogspot.com

Confusão: se eles viram a cara pro “cinema blockbuster” porque compram “ livros de massa”?
Isso me parece um tiro no pé. Se eu quisesse mostrar o quanto sou “intelectual povãofóbico” eu iria, sim, pro MAM todo dia mas CORRERIA COMO O DIABO DA CRUZ de Paulo Coelho (que pra muitos parece realmente ser a besta fera do “fim da literatura”;) e de Quem mexeu no queijo... com fäs?????

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 21:48



Comentário de: Camila

Nao fala mal do Amyr Klink. Eu gosto das histórias, das fotos, das viagens - especialmente das fotos dos diários dele, com aquela letra terrivelmente ruim, mas os desenhinhos sao legais.

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 22:00



Comentário de: Pinheiro Jr.

Votam no PT, gostam do Suplicy e dão a bunda.

Abraço.

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 23:41



Comentário de: Renato

Deixa as pessoas viverem, cara!
Pra uma pessoa que se diz libertária, teu texto jorra preconceito.

PermalinkPermalink 12.02.09 @ 11:44



Comentário de: Reginaldo Araújo

Muito bom o texto, que me faz refletir sobre essa gente que algum dia alguém os chamou de intelectuais de revista; aliás, eles permeia os artigos dos grandes jornais do sudeste, há um até que mora no norte do país e já vestiu farda e quando escrevia para um grande jornal de Sampa, tentando mostrar erudição citava vários autores para também tentar mostrar que os seus comentários eram corretos; se o Ortega y Gasset , Max Weber, o Kafka em O Processo , o Maquiavel, o Karl Marx e o Proudhon disse ou não disse é porque estou com a verdade pois todos esses indivíduos a corroboram; mas seria injusto citar apenas um pois o mais notório dos nossos intelectuais, o Ex-Presidente FHC nunca deixa de parafrasear Max Weber.

PermalinkPermalink 12.02.09 @ 12:02



Comentário de: Daniel

É uma visão muito estereotipada de quem não tem cultura, olha para a cultura com desdém e apresenta como exemplo de cultura uma besta representativa do consumo de best-sellers. Quem foi que disse que Paulo Coelho é cultura? A gente lê, sim, mas só
para ter os argumentos e a certeza do quanto
ele é ruim (sem ofensa aos seus fãs).
Se cultura for isso, prefiro ficar com as minhas velharias, velhos livros ensebados
de Machado, Drummond, Veríssimo e cia.
Daniel

PermalinkPermalink 12.02.09 @ 12:21



Comentário de: Ana

tbm conheço o tipo, com a diferença, que ele detesta bestsellers... ele é mais "inteligênte" que os autores dos mesmos...

PermalinkPermalink 12.02.09 @ 12:58



Comentário de: Hay Gobierno?

Viva! Eis que surge mais um patrulheiro ideológico na web!
Liberal e libertário pra quem, cara-pálida?

PermalinkPermalink 12.02.09 @ 16:41



Comentário de: Dana

Aqui em Bsb eles são os "PIMBAS" - Pseudo Intelectuais Metidos a Besta (e afins).

PermalinkPermalink 12.02.09 @ 18:25



Comentário de: patricia

Discordo...nem todo livro precisa ser só texto as vezes imagens falam mais...e nem todo mundo gosta de tv. Seu comentário lembra muito uma pessoa sedentária que senta na frente da tv e absorve tudo que ela joga pra vc. livros fazem a mente trabalhar, imagens refinam seus olhos, estimulam a criatividade, diferente da tv que vc absorve tudo o que é bom e todo o lixo.

PermalinkPermalink 13.02.09 @ 09:49



Comentário de: maryllu · http://www.maryllu.wordpress.com

Adoro Bandeira ! E tem uma porção de porcaria que eu adoro também. Tiririca, Mamonas Assassinas, etc. Conheço gente que tem fetiche por livros, claro. Eles são objetos de decoração. Meus livros são quase todos roubados. Por que você diz coffee-table ao invés de mesa de café ? Nariz de pince nez é um troço chato pra cacete. A maioria das pessoas que conheço não têm livros nem conversam sobre. AS que conversam são, emg geral, péssimas conversas. Mesmo assim, fico toooda contente tem vez, porque é uma conversa sobre livros ! Oh! "Entretenimento" pode ser bem chato. Adoro Felline...

PermalinkPermalink 13.02.09 @ 19:16



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