Últimas Leituras

Tem gente que acha que faço lista de leituras pra me mostrar, ou pra me gabar de quantos livros eu já li, mas só um idiota pode achar que existe algum mérito intrínseco em ler um livro. Qualquer um alfabetizado pode ler um livro: não requer inteligência e não acrescenta nada. Enfim, um dos grandes motivos que me leva a fazer listas de leituras é justamente historiar os meus interesses intelectuais ao longo da vida. Por exemplo, adivinhem quais assuntos andaram me estimulando nos últimos dois meses.

2009

12. Mendes, Miriam Garcia. A Personagem Negra no Teatro Brasileiro. Entre 1838 e 1888. [Brasil, 1982] Fev.
11. Magaldi, Sábato. Panorama do Teatro Brasileiro. [Brasil, 1962] Fev. (TulBib)
10. Alencar, José. Teatro Completo 1. [Brasil, c.1850-1870] Fev. (TulBib)
9. Prado, Décio Almeida de. Teatro de Anchieta a Alencar. [Brasil, 1993] Fev. (TulBib)
8. Prado, Décio Almeida de. História Concisa do Teatro Brasileiro. [Brasil, 1999] Fev. (TulBib)

Impressionante como os ensaios do Magaldi envelheceram mal, e hoje parecem datados e ultrapassados, enquanto os do Almeida Prado, escritos na mesma época, ainda são atuais e relevantes. Esse semestre, estou escrevendo o capítulo da minha tese sobre escravidão e teatro brasileiro no século XIX.

7. Cleary, Thomas & J. C. Cleary.The Blue Cliff Record. [China, Séc.XII] Jan.
6. Holder, John J. (ed) Early Buddhism Discourses. [Índia, c.II BCE] Jan.
5. Suzuki, Daisetz Teitaro & William Barrett. Zen Buddhism. Selected Writings. [Japão, 1949-55] Jan.
4. Dumoulin, Heinrich.Zen Enlightenment. Origins and Meaning. [Alemanha, 1976] Jan.
3. Thien-an, Thich.Zen Philosophy, Zen Practice. [Vietnã, 1975] Jan.
2. Suzuki, Daisetz Teitaro & William Barrett. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Jan.

Às vezes, acho que deveria escrever mais sobre zen aqui; outras, que minhas peregrinações espirituais são pessoais demais para um blog tão público. Depois de ler bastante, esses e outros livros e artigos, percebo cada vez mais que o meu zen é o Rinzai Zen e, mais especificamente, o do Suzuki, que me parece um dos mais interessantes e instigantes escritores sobre religião que conheço.

1. Salinger, J. D. Nine Stories. [EUA, 1953] Jan.11

Puro capricho e curiosidade. Não entendo o que o povo vê nesse cara.

2008

104. Montero, Rosa. A Louca da Casa. [Espanha, 2003] Dez.31 (emp.Lulu)

Sensacional.

103. Landsburg, Steven E. More Sex Is Safer Sex. The Unconventional Wisdom of Economics. [EUA, 2007] Dez.19

Sensacional. Junto com Veblen, Landsburg foi quem mais me ensinou economia.

102. Rand, Ayn. The Fountainhead. [EUA, 1943] Dez.15-18 (releitura)

Um dos grandes livros da minha vida. Na releitura, ficou melhor ainda. Incrível. Fantástico. Inspirador. Leiam. Recomendo para todos, especialmente para artistas e não-conformistas de modo geral.

101. Adorno, Theodor. Culture Industry. [EUA, c.1960] Dez.14

Lido por prazer, acreditem ou não. Adoro Adorno. Tinha um comentário aqui, mas ficou grande e virou post.

 

09.02.09


Categorias: Livros


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Comentários:


Comentário de: Monthiel · http://www.monthiel.com



Ler é mais que bom, é bom demais....

PermalinkPermalink 09.02.09 @ 09:48



Comentário de: ale

Ler eh muuuito bom mesmo, soh tem um problema: ou voce le, ou usa o tempo saindo conversando e 'vivendo' a vida. Nao da tempo gente! ou sou eu que leio muito devagar ? ou voce que fez o cursinho de leitura dinamica ? especialmente coisas densas, nao consigo ler rapido...
Bom, mas adoro suas dicas de livros com comentarios, levo tudo muito em consideracao e quando for comprar um livro vou entrar por aqui (eh que eu uso muito comprar em sebo, barraquinha e emprestrar na biblioteca). Grande abraco e obrigado pelos posts. Sempre. Muito obrigado.

PermalinkPermalink 09.02.09 @ 10:36



Comentário de: Francisco von Hartenthal · http://instrutordeyoga.com.br

Alguém já me falou do livro de Landsburg, vou encomendá-lo.

The Fountainhead acaba de ser lançado no Brasil como A Nascente. É minha próxima leitura. Há uns seis meses conheci Ayn Rand com A Virtude do Egoísmo. Acredite, vivenciei uma das maiores expansões de consciência da minha vida.

Um dia, a mãe da minha filha estava na minha casa e começou a folheá-lo. Eu avisei: "Cuidado!". Ela deu aquela risadinha de ex-mulher e respondeu: "Calma! Eu não vou estragar seu livro." "Eu sei, mas ele vai estragar você!" Resultado, ela o levou e é assunto recorrente nas nossas conversas. A cada dia que passa me torno mais objetivista.

\o/

PermalinkPermalink 09.02.09 @ 11:16



Comentário de: Vampira Dea · http://deaeomundo.blogspot.com

Menino tá rastreando tudo hein! rsrsr teatro! Acho que é um tema fascinante e pouco lido, principalmente dramaturgia que deveria ser estimulado nas escolas, pois é uma dinâmica bem diferente das outras formas de leitura. Que bom estás pelos meus caminhos, estou anciosa para ler o resultado do seu trabalho, prepare logo porque aqui na Bahia vai virar referência.Um beijão.

PermalinkPermalink 09.02.09 @ 12:47



Comentário de: George Pedrosa

Curioso que você goste tanto de The Fountainhead, levando em consideração as opiniões que você expressa de forma tão erudita no blog e as opiniões da autora do livro, Ayn Rand, fundadora do Objetivismo e defensora da teoria de que os ricos são ricos por serem competentes, de que o capitalismo levado ao extremo é a melhor forma de assegurar a liberdade e os direitos individuais, de que altruísmo e caridade são imorais e de que o governo não deve intervir em questões raciais, sendo contrária a medidas que combatam a discriminação...

Ou talvez estas opiniões não se manifestem nesse livro em particular, que nunca li.

PermalinkPermalink 09.02.09 @ 17:07



Comentário de: alex castro

george,

sua duvida é bem interessante, e existem varias explicacoes possiveis:

1) na verdade, vc nao entendeu bem as opinioes do blog, e eu concordo com a Ayn Rand em tudo

2) na verdade, vc nao entendeu bem a Ayn Rand e ela concorda com o blog em tudo

3) vai ver o livro é de uma fase dela quando ela ainda nao tinha essas ideias, ou as ideias nao estao no livro por algum motivo ou outro

4) na verdade, eu concordo com a Ayn Rand em tudo, as opinioes que exponho no blog é que são falsas.

5) na verdade, minhas opiniões são as do blog e eu menti quando disse que gosto da Ayn Rand, essa reacionaria

6) na verdade verdade mesmo, eu sou louco, incoerente, contraditorio.

7) (minha favorita) vai ver a gente nao precisa concordar com as idéias de um romance pra adorá-lo.

PermalinkPermalink 09.02.09 @ 17:14



Comentário de: George Pedrosa

8) Vai ver você não entendeu as idéias expressas no livro... ;)

"vai ver a gente nao precisa concordar com as idéias de um romance pra adorá-lo."

Acredite, eu invejo muito quem tem esse dom... eu consigo apreciar uma obra de Salvador Dali mesmo sabendo que ele muito provavelmente era um fascista filho da puta, mas seria difícil ler de cabo a rabo um livro com idéias que considero tão patéticas... para mim, não seria uma experiência muito boa ficar balançando a cabeça a cada parágrafo em que um autor salientasse a virtude do egoísmo, do elitismo e do capitalismo laissez-faire... eu poderia até ler uma obra dessas por curiosidade, mas adorá-la... difícil...

PermalinkPermalink 09.02.09 @ 18:36



Comentário de: alex castro

george,

é verdade, tem a opcao 8 tb :) mas a Ayn Rand tem a mao tao pesada e martela tanto as ideias dele que eh impossivel nao pegar...

mas... hmmm... quem te disse q considero as ideas da Ayn Rand pateticas??? eu nao acho isso nao, posso te afirmar agora...

e tb nao tenho nada contra o capitalismo... onde vc me viu falar contra o capitalismo?

PermalinkPermalink 09.02.09 @ 18:51



Comentário de: George Pedrosa

Contra capitalismo, não... mas o capitalismo radical defendido por Rand, onde o Estado atua simplesmente para proteger a propriedade privada, sem intervir em questões sociais como discriminação e pobreza criada pela própria economia de mercado e onde direitos trabalhistas são terminantemente proibidos? Lendo os seus textos, não achei que você defendesse esse tipo de política, mas posso estar errado...

Ah, e eu não disse que você considera as idéias dela patéticas, disse que EU considero. Usei isso como um exemplo extremo de como é difícil, para mim, apreciar um livro mesmo discordando completamente das idéias expressas nele.

PermalinkPermalink 09.02.09 @ 20:00



Comentário de: Francisco von Hartenthal · http://instrutordeyoga.com.br

Oi, Alex. Oi, George.

Ayn Rand sempre gera celeuma. Algumas opiniões pessoais sobre a discussão, baseado no único livro da autora que li (A Virtude do Egoísmo):

"...defensora da teoria de que os ricos são ricos por serem competentes" - INVERDADE - Ayn Rand defende que no capitalismo (não sei como por em negrito) os ricos são ricos por serem competentes, mas afirma que o capitalismo que ela propõe nunca foi posto em prática.

"O altruísmo e a caridade são imorais" - VERDADE - (recado para a plateia: leiam a autora para entender o contexto).

"...o governo não deve intervir em questões raciais, sendo contrária a medidas que combatam a discriminação" - INVERDADE - ela é clara ao dizer que o racismo é a pior forma de coletivismo (putz! ela é beeem clara nisso), de fato, ela se coloca contra as cotas, mas extrapolar para "questões sociais" ou "discriminação" não é honesto.

"...onde o Estado atua simplesmente para proteger a propriedade privada" - INVERDADE - na obra, ela defende que a função do Estado é defender a liberdade do indivíduo, inclusive (negrito) a propriedade privada.

Digo ainda que não concordo com tudo o que leio no blog. Mas gosto do blog como um todo. Sei lá, acho que sou meio esquisito mesmo...


PermalinkPermalink 09.02.09 @ 22:45



Comentário de: Joe Lira

Olá Alex, já que vc gosta muito de ler , indico esse site de relacionamento www.skoob.com.br, só livros e feito por brasileiros! abraços

PermalinkPermalink 10.02.09 @ 11:22



Comentário de: George Pedrosa

Franciso,

Ayn Rand acredita que existe uma pequena elite intelectual que é constantemente arrastada para baixo pelos pobres invejosos que exigem coisas como direitos trabalhistas e educação e saúde pública. Não estou distorcendo sua ideologia, tenho absoluta certeza que ela concordaria com essa descrição. Sinceramente, toda a obra filosófica dela atua simplesmente como uma desculpa esfarrapada para o elitismo e a desigualdade extremada. É o tipo de ideologia que pessoas que acreditam fazer parte de uma elite privilegiada apoiariam.

* Talvez o capitalismo que ela propõe nunca tenha sido posto em prática em sua plenitude, talvez porque a filosofia política dela só seja possível em ditaduras como a de Pinochet, talvez porque a população não esteja disposta a abrir mão de saúde pública, de ensino público, e de direitos trabalhistas. Mas a maioria das políticas que ela propõe já foram, sim, colocadas em prática, com resultados desastrosos. Crise de 29? Carlos Menem na Argentina? Pinochet? George H/W Bush? Tenho um colega que diz defender o capitalismo, mas apenas o capitalismo "ideal", em que todos tem oportunidades iguais... Enquanto a miséria e a violência aumentam como resultado dos políticos que essas pessoas defendem, elas continuam sonhando com o "capitalismo ideal"... que tal manter o pé no chão e defender políticas realistas, que não produzam resultados apenas em uma utopia imaginaria?

* Francisco, sim, ela é contra o racismo, mas também é contra QUALQUER envolvimento do governo em questões sociais... essas questões, segundo ela, devem ser resolvidas pelo mercado. Isso não é extrepolação, é a base da política defendida pelo Objetivismo. Para ela, o governo existe apenas para proteger a propriedade privada, para proteger os cidadãos de bandidos e para garantir que os contratos sejam cumpridos e que não sejam forçados sobre ninguém. Reduzir a discriminação e a pobreza não são papel do governo.

PermalinkPermalink 10.02.09 @ 15:28



Comentário de: Francisco von Hartenthal · http://instrutordeyoga.com.br

George e Alex, antes de mais nada, agradeço pela oportunidade de desenvolver uma discussão educada sobre o tema em questão. Pode parecer piegas, mas no ambiente da internet isso deve ser comemorado e posto em evidência.

Esta será minha última participação sobre este post. Vou escrever sobre Ayn Rand no meu blog e mando para vocês o link, para o caso de se interessarem em ler o texto.

George, quando tratamos da obra de um autor (ainda mais já falecido), devemos ter o cuidado de procurar basear nossas opiniões naquilo que ele (no caso, ela) realmente escreveu. Argumentos como "tenho certeza de que ela concordaria com a minha descrição" são nocivos a uma discussão honesta.

Selecionar os piores exemplos de líderes supostamente identificados com a obra de um filósofo para desqualificar este filósofo, também não é honesto. Se fôssemos por aí, não sobraria nenhum. Não ficaria difícil eliminar Marx, Keynes, Nietzche, Montesquieu e muitos outros indispensáveis.

Acho que levar suas ideias ao extremo é justamente o papel dos filósofos. Transformar essas ideias em políticas realistas e aplicáveis é fundamental, sem dúvida, mas é outro assunto.

Minha leitura de Ayn Rand é que ela defende radicalmente a liberdade. Que afirma que um indivíduo deve ser livre para escolher como levará sua vida, sendo o único e exclusivo responsável pelas suas ações e omissões. Nesse sentido, o governo (ou qualquer outra pessoa) não tem o direito de decidir o que fazer com o meu dinheiro; se eu quiser gastá-lo em cerveja ou pagar a escola de uma criança necessitada, essa é uma decisão exclusivamente minha. De fato, ela não trata das injustiças históricas (e aí caberia a sua crítica ao idealismo), mas não acho que isso invalide o Objetivismo.

Quanto ao seu último parágrafo, concordo plenamente.

PermalinkPermalink 11.02.09 @ 09:50



Comentário de: Hélio

Bem legal sua lista. Embora não seja um tópico "recomende-me um livro", já leu "Um amigo de Kafka" (A friend of Kafka), do Isaac Bashevis Singer? Estou lendo (lerdamente) e estou gostando da maioria dos contos, não tanto pelo assunto, mas pelo "como contar".
Não sei se o livro é pop ou não (acho que não), comprei por acaso e adorei. Mesmo que não seja um tópico pra dar dica, fica a dica.

Vou procurar o "A Nascente" para ler. Já que falaram em Nietzsche por aí... - Pela sinopse do livro, será que não daria pra traçar um paralelo entre o homem perfeito para Rand e o super-homem do Nietzsche? Ou eu deveria pensar nesse tipo de coisa depois de ler algum livro dela?

PermalinkPermalink 12.02.09 @ 19:06



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