A Auto-Confiança dos Ricos (Vida de Ex-Rico)

O Banheiro do Sofitel

Minha mulher vem de família pobre (quase disse humilde, mas odeio eufemismos) e ainda tem alguns pudores de pobre. Eu venho bravamente tentando extirpá-los. Não é fácil, até que porque, hoje, somos de fato pobríssimos. O que eu tento ensiná-la é que não termos dinheiro nem pra pagar os 10 reais da conta de gás não é motivo para nos comportarmos como se fôssemos pobres.

Não somos pobres, estamos pobres.

Outro dia, andando pela praia de Copacabana, ela queria muito ir ao banheiro. Sugeri usar o banheiro do Sofitel Rio Palace onde eu, em outras épocas, já me hospedara na suíte presidencial pra ver os fogos de ano-novo.

Nada disso. Bateram os pudores de pobre. Ela teve vergonha, receios, palpitações. Preferia ir em um daqueles postos imundos da praia ou em algum dos ainda mais imundos restaurantes da Atlântica.

Para alguém que nunca entrou em um hotel de altíssimo luxo, o Sofitel realmente parece imponente e ameaçador. Para quem conhece os melhores hotéis do mundo, o Sofitel é apenas um cinco estrelas local que, se estivesse no primeiro mundo, talvez não chegasse nem a quatro.

As pessoas têm uma idéia estranha de que, se entrarem nos melhores ambientes, vão ser chamadas atenção, seguranças engravatados e de óculos escuros vão perguntar o que estão fazendo por lá, quem pensam que são para entrar no Sofitel Rio Palace? Fora daqui, intrusos imundos!

Nada, nada mesmo, pode ser mais distante da verdade.

Consumidores Humildes

Você entra na C&A, ou vai comer no Habib's, ou tenta fazer um crediário nas Casas Bahia, e há uma série de restrições que você tem que obedecer. Os funcionários não fazem muita questão de lhe agradar - especialmente se isso entrar em conflito com as draconianas regras do estabelecimento. A fila é só aqui, não aceitamos esse método de pagamento, os pratos não podem ser modificados, reclamações e trocas só na matriz. Arre!

Realmente, já cansei de ser chamado atenção por seguranças, mas só mesmo nesses estabelecimentos comerciais para pessoas de baixa renda (leia-se lugar de pobre) que tenho que freqüentar hoje em dia. Minha mulher diz que não sei me comportar, e é verdade: não sei me comportar como gado.

Parece que esses lugares foram desenvolvidos especialmente levando em conta a baixa auto-estima dos seus clientes, como se a loja estivesse fazendo um grande favor de deixar essa gentinha humilde gastar seu dinheiro ali. Como a minha auto-confiança é tão inflacionada que nem todos os golpes da vida conseguiriam me deixar humilde desse jeito, meu comportamento realmente destoa do esperado. Os seguranças fazem mesmo bem em me pedir para me retirar, pra eu não dar idéia aos outros clientes bem-comportados.

Por outro lado, mal consigo imaginar o que alguém teria que fazer no Enotria, ou na Daslu, pra ser chamado atenção. Dependendo do cliente, acho que ele pode até bater no garçom e nada acontece. O maitre faz um sinal lá detrás pro garçom aguentar firme e não revidar, dá um gorjetão depois e fica tudo por isso mesmo.

O Banheiro É Só para Clientes

O Habib's e a C&A podem até vender comida e roupas, mas o que o Enotria e o Sofitel vendem é uma experiência de satisfação total. Você paga o preço de um Sofitel para que nada dê errado, para não ser incomodado, para que todos os detalhes estejam absolutamente impecáveis, para saber que tem alguém cuidando de literalmente tudo para você.

Quando você pede pra usar o banheiro de algum daqueles restaurantes imundos típicos da praia de Copacabana, o garçom pergunta rudemente: "Você é cliente?!". Ele faz isso porque sabe que, se você for cliente, você vai apontar pra sua mesa, dizer "Sou, estou sentado ali, ó", e pronto. E, se não for, vai botar o rabo entre as pernas e ir embora.

Se você atravessar a rua e fizer a mesma brincadeira no Hotel Meridien, ninguém vai falar nada. Podem ir lá testar.

Antes de tudo, a equipe do hotel nunca tem certeza absoluta de quem é hóspede e quem não é. Ou de quem não é hóspede, mas é convidado do hóspede. Eles sabem que se lhe perguntarem "Você está hospedado aqui?" e você estiver, eles podem até ser despedidos. Imagine a repercussão! O hóspede vai voltar pra sua terra e comentar com seus ricos e influentes amigos que, no Meridien no Rio, ele não podia nem usar o banheiro do saguão sem ser interpelado e ter que se identificar. "Que pobreza, hein? Vamos ficar no Copa, então?"

Melhor deixar dezenas de penetras usarem o banheiro do que se arriscar a estragar a satisfação de um único hóspede.

Mais ainda, mesmo que tenham certeza que não é hóspede, se você estiver simplesmente usando o banheiro, sentado no saguão ou mesmo nas cadeiras da piscina e não estiver incomodando ninguém, ou tirando lugar de um hóspede, a gerência vai deixar passar.

Pra começar, se você está lá com essa fleuma toda (e fleuma é a palavra), é porque você não é *deus me livre* pobre, pois pobres têm medo de entrar em lugares como esse. Se não é pobre, então é cliente em potencial: melhor deixar correr.

Por fim, mesmo que você seja quem for, um bom profissional do turismo sabe que quando se aborda uma pessoa para que ela se retire, bem, tudo pode acontecer. Ela pode dar um escândalo, ela pode nem mesmo falar a sua língua, ela pode ficar violenta. Pior, pode ser que os seguranças precisem vir ajudar. Cruz credo, pode ser que tenham que chamar a polícia!

A equipe do hotel pode até te observar de longe, mas se você não incomodar ninguém, eles provavelmente não vão querer arriscar o escândalo de te incomodar.

Pode até ser que você pegue um concierge mais brigão que queira te colocar pra fora, mas as chances de isso acontecer são pequenas. Essas pessoas até existem, mas duram pouco nesse tipo de emprego.

Sem Medo de Escândalo

E, mesmo que peçam pra você se retirar, quem disse que você precisa sair?

A grande maioria das pessoas está sempre tentando evitar o escandânlo e fugir do confronto. Portanto, se você não perde a calma, mas deixa claro que vai fazer um escândalo, as chances são grandes de você conseguir tudo o que quiser.

Outro dia, eu estava em uma das salas de computador da universidade. Na frente, um professor dava aula de contabilidade enquanto eu, no fundo, acessava à internet. Daqui a pouco, veio o professor perguntar se eu estava matriculado naquela disciplina. Eu respondi que não e ele, educamente, pediu para eu me retirar pois aquela sala era só para alunos daquela matéria. Um pedido perfeitamente razoável. Posso imaginar poucas pessoas que não atenderiam.

Mas a sala estava vazia. Havia cerca de trinta lugares e só uns dez ocupados, os alunos amontoados em volta dele na frente e eu sozinho atrás. Além disso, eu sabia que todas as outras salas de computador estavam fechadas. Entrei lá porque era a única.

Ele pediu educamente pra eu eu sair e eu disse, educadamente: "Não."

Todo mundo devia tentar isso pelo menos uma vez na vida. Eu tento quase sempre, ainda vou levar um tiro. Mesmo as pessoas que têm menos autoridade esperam sempre ser obedecidas em suas ordens disfarçadas de pedido. Dizer um simples não, e observar a reação, é um prazer raro.

Como assim não?, ele disse. E começou a falar que aquela sala era só pra alunos, que havia uma placa na porta dizendo isso e etc. Eu interrompi delicadamente e dei para ele as seguintes opções.

Eu estou aqui usando a Internet sem incomodar ninguém, seus alunos não estão nem me vendo, tem lugar sobrando na sala. Se você deixar eu ficar aqui sozinho, não vou te atrapalhar em nada. Aliás, essa conversa já demorou muito, daqui a pouco eles vão começar a viajar e vão perder a concentração. Agora, se quiser me fazer sair, eu vou dar um escândalo, não vou sair por bem, vou dizer que sou um aluno pagante e não admito isso, o segurança vai ter que vir me arrastar, eu vou dizer pra ele que se ele encostar em mim, eu vou contar pro meu avô, o Juiz, que vai tirar até as calças dessa universidade. Enfim, eu vou até acabar saindo, imagino, mas sua aula vai por água abaixo. E como essa é uma universidade mercenária, eu nem mesmo vou ser expulso ou penalizado, pois eles querem meu dinheiro mais do que qualquer coisa.

Ele bufou, suspirou, rolou os olhos. Esticou o braço até o meu pulso, pensou seriamente em me agarrar fisicamente, depois desistiu, deu de costas e continuou a aula.

Não é à toa que minha mulher tem vergonha de sair comigo, mas a gente sempre consegue o que quer.

Temor Reverencial

Até entendo o temor reverencial que as pessoas mais humildes têm por esses templos do dinheiro que eles, afinal de contas, nunca freqüentaram.

O irônico é que pessoas acostumadas a ser rotineiramente interpeladas e chamadas atenção por policiais, garçons, vendedores, etc, tenham receio de entrar, por medo de ser chamadas atenção, nos poucos lugares em que ninguém chama a atenção de ninguém.

Final da história: entramos no Sofitel, eu dei bom-dia ao pessoal da recepção como se morasse ali há 20 anos, fiquei no saguão lendo um jornal enquanto esperava, ela saiu, bons-dias para todos e ponto final.

* * *

Escrito em 2004. Hoje sou divorciado, minha ex-esposa mora no Timor Leste e trabalha pra ONU, terminei a pós na universidade caça-níqueis e nunca voltei pra pegar o diploma, o Sofitel Rio Palace (antigo Rio Palace) virou só Sofitel, o Meridien virou Iberostar, e eu continuo pobre, estudante profissional e vivendo de bolsa, ainda dependendo da caridade de estranhos pra pagar o leite das crianças. O texto acima está incluído no meu livro Liberal Libertário Libertino, que é um livrinho de papel mesmo, bonitinho, vermelhinho, com minhas melhores crônicas. Se você gostou, compre, pra você ou pra dar de presente, e eu te agradeço, sinceramente.

* * *

 História Natural dos Ricos
Livrinho sensacional e divertidíssimo. Uma verdadeira etnografia antropológica dos ricos enquanto tribo, seus hábitos e seus costumes.

 

04.02.09


Categorias: Comportamento


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Comentários:


Comentário de: Henrique

Eu já mijei no Meridien. Meti a cara e perguntei pro segurança... "Onde é o banheiro?". O cara me indicou, tirei a água do joelho e fui embora. Simples assim!

Entrei com um pouco de pudor de pobre, mas estava indo pra uma chopada na praia do Leme e a alternativa era chegar lá e já ter que mijar na água com 300 pessoas às costas, molhando a calça nas ondas e enchendo a sandália de areia. Vesti a cara de rico rapidinho.

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 01:08



Comentário de: Liana

"Por fim, mesmo que você seja quem for, um bom profissional do turismo sabe que quando se aborda uma pessoa para que ela se retire, bem, tudo pode acontecer. Ela pode dar um escândalo, ela pode nem mesmo falar a sua língua, ela pode ficar violenta."
Não chego a ser pobre, mas definitivamente não sou da turma que tem intimidade com os melhores hotéis do Brasil e do Mundo. Por isso, eu tenho uma dúvida: uma pessoa que pode ser que fique violenta quando se pede que ela faça o que se supõe que ela deva fazer (ir embora se não é hóspede) já não é uma bomba-relógio de qualquer maneira? O que vem depois? Ficar violenta se negarem o refresco à beira da piscina? Ficar violenta se não deixarem entrar no quarto? Ficar violenta se não deixarem passar a mão nas mulheres? Veja que eu não estou falando do "malandro" que usa de subterfúgios para aproveitar a situação, estou falando do sujeito que fica genuinamente violento se pedem que vá embora.

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 08:32



Comentário de: Monthiel · http://www.monthiel.com


Nossa que texto bacana. É verdade que pobre é pobre demais, até de espírito. E por falar em pobre, odeio eles, mesmo sendo um simples e ralé pobre também.

Mas o que importa é o espírito de encarar as coisas como se não fosse, como você disse tão bem no texto.

Abraços e sucesso!
Monthiel

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 09:35



Comentário de: Te

Outro exemplo de como a auto-confiança traz vantagens é a história do cara que se passava pelo Stanley Kubrick pra frequentar os melhores lugares de Londres. Fizeram um filme dessa história com o John Malkovitch. Muito divertido ver a sua cara de pau e todo mundo caindo na conversa e pagando jantares e hospedagens.
http://www.imdb.com/title/tt0376543/

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 11:15



Comentário de: Gladys

Alex,
qual dos seu livros vc conta esta sua trajetória de empresario a bolsista ?
Gostaria de ler esta história.

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 12:52



Comentário de: C · http://www.ittw.wordpress.com

O homem que falava javanês

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 12:52



Comentário de: Rogério Santos

Esse texto fica bem mais fácil de ser entendido se nós lembrarmos o que disse o ativista anti-apartheid Steve Biko: "a melhor arma do opressor é a mente do oprimido". Ou seja, antes de mais nada é preciso que uma pessoa pobre (eu, por exemplo) seja treinada desde a mais tenra infância para manter-se longe de hotéis de luxo, shoppings de classe média alta como também das pessoas que frequentam esses lugares. É por isso que a tua ex-esposa travou na hora de entrar no Sofitel Rio Palace.

Muito bom o texto. Gostei mesmo, até porque dá uma visão do mundo dos ricos que nós dificilmente temos acesso. Os pobres têm medo de entrar em lugares como esse porque não conhecem os códigos, as regras e os costumes dos ricos, e por isso ficam com receio de entrar em um lugar onde eles não sabem como proceder (até porque eu imagino que ninguém gosta de ser constrangido ou humilhado). A recíproca não é verdadeira; os ricos nos dominam até hoje porque possuem um vastíssimo conhecimento do nosso mundo: o que gostamos, onde e como moramos, o que comemos, como nos vestimos, que tipo de música mais gostamos, gírias mais usadas e por aí vai. É necessário conhecer o mundo dos ricos também, pois não podemos atacar o adversário sem conhecer as suas estratégias.

O que aconteceu com a tua ex-esposa foi o mesmo que aconteceu com a minha mãe quando eu a levei ao teatro (ela me disse que nunca havia ido a um antes). O teatro fica numa área considerada nobre daqui de Salvador, e por conta disso a minha mãe comentou várias vezes que estava sendo olhada de soslaio por algumas pessoas na fila de entrada(numa tentativa bem discreta de intimidá-la e fazê-la desistir de assistir ao espetáculo). Ela disse: "eu não aguento mais essas pessoas olhando para mim toda hora, parece até que nós somos diferentes". Eu respondi o seguinte: "mas nós somos mesmo diferentes nesse lugar. Entretanto, o nosso dinheiro é igual ao dinheiro de todo mundo aqui. Não se deixe abater e mantenha a tua cabeça erguida, pois nós vamos entrar e assistir à apresentação como outra pessoa qualquer". O impressionante é que nenhuma outra pessoa quis sentar-se na mesma fileira em que eu, a minha mãe e a minha namorada sentamos. Mas eu não me abati nem um pouco. Foi até bom, pois assim ninguém ficou pedindo-me licença para passar o tempo todo.

Eu acho que ainda não sou tão "cara-de-pau" quanto você, Alex, mas acredito que estou no caminho certo. Um dia eu chegarei lá (e esse dia não vai demorar muito - eu espero).


Até mais.

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 13:08



Comentário de: jess · http://crashtester.org

eu queria ter escrito este texto.

nao so porque ele e divertido e bem escrito mas porque ha tempos tento explicar isso para diversos pobres (alguns ate endinheirados hoje em dia) sem sucesso.

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 14:47



Comentário de: Alex Castro Email

jess, então compra o livro e dá de presente pra eles. :)

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 15:08



Comentário de: Alina · http://www.drunkendrunken.blogspot.com

Eu fiz xixi no Renaissance,rss!

Vivo falando que odeio pobre e as pessoas entendem mal,mas o que eu quero dizer é exatamente isso, esse lance de agir como pobre e pensar como pobre.

Adorei!

Beijos!!!

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 15:35



Comentário de: Daniela · http://historiasdemenina.wordpress.com

Muito bom o texto, Alex :)

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 15:55



Comentário de: Diego Camara

Genial o texto.
O risco dos pobres ganharem a auto-estima seria sem dúvidas a perca destes "benefícios" dos que tem a cara-de-pau de fazer estas coisas, que como você disse, não há nada de errado.

Imagine se todos soubessem que podem entrar na Câmara Municipal aqui em São Paulo e filar "de grátis" um cafézinho ou um chá. Isso seria maluco, mas no final muito divertido para quem observar.

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 16:06



Comentário de: Ricardo Correa

Leio seu blog desde essa época...
Gostava mais do Alexandre Cruz Almeida. Ele era mais despojado e, como ele me disse uma vez num barzinbho de SP... não perdia tempo tentando salvar o mundo

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 17:05



Comentário de: luiziana fernandes · http://www.sobregatoseflores.blogspot.com

Não acho digno usar a possibilidade de escandalo como arma pra se conseguir o que quer, parece coisa de esposa, que quer o marido do lado a qualquer custo, fazer refém não é forma de negociação justa!

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 17:31



Comentário de: PauloC · http://allhaileris.blogspot.com/

Como isto é verdade - o que as pessoas não entendem, nunca entenderam direito, é o quanto "os ricos são diferentes de nós". Jamais vi um segurança incomodar alguém no Shopping Iguatemi de São Paulo. Jamais um deles me dirigiu a palavra. Nunca ninguém me perguntou nada quando, sem escritório, fazia reuniões de trabalho no lobby de hotéis cinco estrelas em torno da Paulista.

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 18:25



Comentário de: alex castro

luiziana, é uma questão de prioridade. conseguir o q eu quero é uma prioridade na minha vida. ser digno não entra nem no top 50 das prioridades....

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 18:55



Comentário de: Eliezete Luna · http://folhaviva.blog.terra.com.br

Já reparou também que alguns já nascem com cara de rico? Não é a pose(ou a segurança) do rico não, é uma coisa assim, meio que de genética mesmo, embora na realidade seja um durango kid. No final isso também não serve pra nada se o portador dessa "cara de rico" sente-se um pobretão no pior sentido da palavra.

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 22:40



Comentário de: Teti

Me fez lembrar das inumeras vezes em que usei o banheiro do Tavern on the Green quando estava passando a tarde no Central Park. Nunca me pararam ou perguntaram nada. :)

Beijos e saudades

PermalinkPermalink 04.02.09 @ 22:45



Comentário de: Julia

Esse sempre foi um dos meus textos preferidos do seu blog. Esse e aquele outro de "saber qual é o seu lugar", com o qual não tenho certeza se você ainda concorda depois de toda a pesquisa com as domésticas e tal. Mas eu continuo concordando e gostando.

PermalinkPermalink 05.02.09 @ 09:24



Comentário de: erosilva

E se o pobre for negro? hem? Aí tá lascado!

PermalinkPermalink 05.02.09 @ 11:36



Comentário de: erosilva

E se o pobre for negro heim? Aí tá lascado.

PermalinkPermalink 05.02.09 @ 11:37



Comentário de: Marcio Hack

Alex, tava pesquisando o Raymond Chandler na Amazon, e numa das reviews de suas Selected Letters, transcreveram o seguinte trecho, que me fez lembrar do seu post sobre TV:

"Television is really what we've been looking for all our lives. It took a certain mount of effort to go to the movies. Somebody had to stay with the kids. You had to get the car out of the garage. That was hard work. And you had to drive and park. Sometimes you had to walk as much as half a block to the theater. Then people with big fat heads would sit in front of you and make you nervous. Reading took less physical effort, but you had to concentrate a little, even when you were reading a mystery...And every once in awhile you were apt to trip over a three-syllable word. That was pretty hard on the brain....

But television's perfect. You turn a few knobs, a few of those mechanical adjustments at which the higher apes are so proficient, and lean back and drain your mind of all thought. And there you are watching the bubbles in the primieval ooze. You don't have to concentrate. You don't have to react. You don't have to remember. You don't miss your brain because you don't need it. Your heart and liver and lungs continue to function normally. Apart from that, all is peace and quiet...And if some nasty-minded person comes along and says you look more like a fly on a can of garbage, pay him no mind. He probably hasn't got the price of a television set."

PermalinkPermalink 05.02.09 @ 16:51



Comentário de: S leo · http://verbeatblogs.org/sergioleo

É isso aí, Alex! Para cagar no Meridien tem de cagar para a segurança, com o perdão das más palavras (rico também adora falar palavrão em luagr elegante, em tom baixo mas firme).

Um dos segredos é olhar para a frente, com ar relaxado, diriguindo o olhar a algum funcionário só para perguntar as horas ou alguma informação. Também funciona no exercício do jornalismo.

Que não deixa de ser uma situação de pobreza.

É brilhante sua análise antropológica. E essa análise mercadológica da coisa é lapidar. O cara mal-arrumado pode muito bem ser o cliente de amanhã.


PermalinkPermalink 05.02.09 @ 19:12



Comentário de: ana p. · http://sadojornalismo.blogspot.com

Adorei, serve de lição, mas num sei não, acostumada a andar a pé pelas ruas dos Jardins, aqui em SP, aonde as concessionárias Harley-Davidson, Ferrari e afins se multiplicam, eu sei que sim, por aqui eles olham torto sim.

Não sei em hotéis e estabelecimentos digamos... turísticos. Farei o teste um dia!

PermalinkPermalink 05.02.09 @ 19:14



Comentário de: Cybelle Kostetzer

Gostei.

Lembrei daquela cena da Audrey Hepburn em uma loja da Tiffany, em que ela e o escritor falido, que tem apenas alguns dólares, são atendidos gentilmente pelo gerente, que se prontifica em gravar o nome deles em uma aliança de bijuteria...A personagem, Holly, ainda exclama: "Eu não lhe disse que aqui todos são gentis/"
rsrs

(Eu odeio essa caixa de texto do blog. As letras ultrapassam o limite da linha tracejada e ficam ocultas, a gente nunca sabe o que está escrevendo...Por que será que acontece isso, hein/)

PermalinkPermalink 05.02.09 @ 22:05



Comentário de: Cybelle Kostetzer

Ah, sim, esqueci de dizer ali em cima, o filme é "Bonequinha de Luxo"...:P

PermalinkPermalink 05.02.09 @ 22:06



Comentário de: max

Alex,
Até entendo a idéia que você defende, mas acho totalmente desprovida de sentido prático. Por que os pobres têm que freqüentar os lugares de ricos? Quem tem certeza de que eles realmente querem isso? Será que um a morena que samba na laje é menos feliz do que a que samba na cobertura de um hotel de luxo? Sinceramente, acho bem difícil responder essa pergunta. E discordo com a idéia de que os pobres não conhecem os códigos dos ricos, as novelas e toda a superprodução midiáticas está aí pra quê então? Acho que o texto está baseado na idéia de que todo pobre vive infeliz e deprimido por não possuir os símbolos de poder dos ricos, ou seja, de que só dinheiro, muito dinheiro, pode trazer felicidade, o que não acho que seja uma idéia plausível.
Abraço,
Max.

PermalinkPermalink 07.02.09 @ 20:56



Comentário de: D

E desde quando as novelas da globo ensinam as pessoas a conhecer a vida dos ricos reais? Nas novelas os ricos bonzinhos querem ser pobres, falam alto, só andam com pobres bonzinhos que amam ser pobres e que querem continuar sendo pobres, os ricos do bem nas novelas adoram pagode e odeiam o dinheiro que tem.
Enquanto os pobres do mau querem ser ricos, morar em casa bonitas e viajar para o exterior e os ricos do mau nao gostam de pagode e amam música clássica.
O que as novelas ensinam é continue pobre porque pobre que quer ser rico é bandido.

PermalinkPermalink 04.04.09 @ 19:26



Comentário de: Edson

Brigo com as pessoas aqui onde trabalho, por que acho horrivel gente que usa o oceano atlantico como mictório. Eu não faço minhas necessidades fisiologicas no mar. Vou aonde tiver banheiro. E o povo aqui, me chama de fresco... Sou fresco, mas sou rico...

PermalinkPermalink 13.04.10 @ 15:21



Comentário de: Edson · http://www.mecanismodeacao.blogspot.com

Trabalho numa multinacional, e todos aqui me acham fresco por que eu, quando vou a praia, mijo num banheiro de quiosque, ou no banheiro de qualquer lugar, mas nunca, jamais, never no oceano atlantico. Sou fresco, mas sou rico, ao menos de pensamento.

PermalinkPermalink 13.04.10 @ 15:24



Comentário de: yhara · http://yharagabriela@hotmail.com

Uuhull muito bacana o texto
me tirou mesmo do serio rsrs
mais vem ca, tu é pobre pq quer
ou nao quer, mais tem preguiça de pensar?
desculpe as palavras..
mais é q gostei do seu texto
e me entriguei por vc ser pobre
afinal ser pobre no geral nao é bom
e os q dizem gostar.. ahh esses ae dizem
so pra cobri o marrom.

AbraçaO



PermalinkPermalink 17.05.10 @ 12:43



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Heheheh!

Tá certo. Cara de nojinho não pode assustar.


PermalinkPermalink 28.06.10 @ 18:18



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