Definindo Raças nos Estados Unidos

Durante o processo de fazer meu imposto de renda aqui nos Estados Unidos, topei com o formulário abaixo. Dá quase pra escrever uma tese sobre ele:

How Americans Identify Race

Brancos

WHITE, not of Hispanic origin. A person having origins in any of the original peoples of Europe, North Africa or the Middle East.

Como vocês podem ver, branco é quem tem "origens nos povos originais na Europa, Norte da África e Oriente Médio".

Como assim povos originais? Como assim origens? Como o homem não surgiu em nenhum desses lugares, original estamos falando de quem chegou primeiro? Mas "primeiro" até quando?

Um negro descendente de escravos trazidos pra Portugal no século XVI qualificaria? Seus antepassados são europeus há 500 anos, não é? Ele é tão "originariamente europeu" quando os alemães cujos antepassados chegaram na Europa alguns milhares de anos antes. Ou será que povo original é quem chegou até X data (tipo 12 de maio de 1293) e quem chegou depois é imigrante? E que data seria essa?

Um chileno branquinho, neto de espanhóis, não poderia dizer que tem origem num desses tais povos originais? E se ele produzir um daqueles certificados de pureza racial (tão comuns na Espanha) confirmando que não tem sangue negro ou mouro em suas veias? Será que aí então ele pode marcar que é branco? Aliás, de acordo com essa classficação, os mouros do norte da África são brancos, mas o chileno não é! Vai explicar isso pro chileno!

 Etnicidade e Nação Dicionário de Relações Étnicas e Raciais

Negros

BLACK, not of Hispanic origin. Any person having origins in any of black racial groups of Africa.

Negro, por seu lado, é quem tem origem nos "grupos raciais negros da África".

Pra começar, não é meio redundante e tautológico dizer que negro é quem tem origem nos grupos raciais negros? Isso explica alguma coisa? Não é como definir padeiro dizendo que "padeiro é quem trabalha como padeiro"?

E como assim grupos raciais? Assim vocês me confundem. Então, quer dizer que negro não é mais raça, nego agora é uma uber-raça englobando várias, literalmente, sub-raças? É isso? Por que não falaram de "grupos raciais" quando descreveram os brancos? Branco não tem sub-raça, quem tem sub-raça são esses negos subdesenvolvidos? Ah tá, entendi.

Reparem que Africa está em itálico, como se para enfatizar que negro é mesmo quem vem da África. Mas o quer dizer esse itálico? Pra eu não marcar se eu for um negro com origens em grupos raciais negros que não sejam da África? Mas que grupos seriam esses, meu deus? Originalmente, todo negro (aliás, todo ser humano) é da África, não? Ou será uma questão de tempo? Se meus descendentes tiverem saído da África faz muito tempo, então já não sou mais negro? Alguém me explique a função desse itálico, por favor!

 Caminhos da Identidade: Ensaios Sobre Etnicidade e Multiculturalismo Mídia e Etnicidades no Brasil e nos Estados Unidos

Hispânicos

HISPANIC, a person of Mexican, Puerto Rican, Cuban, Central or South American or other Spanish culture or origin, regardless of race.

O ordem dos fatores não só altera os produtos como é essencial. Não por coincidência, a primeiríssima informação em ambas as categorias anteriores é a mesma. Antes de definir o que são brancos e negros, é vital definir o que não são: não são hispânicos! Reparem bem: isso é o fundamental. Um branco, antes de tudo, é um não-hispânico: somente depois é que ele é um cara que tem origens nos povos originais etc. Um negro, antes de tudo, é um não-hispânico: somente depois é que ele é um cara originários dos grupos raciais etc. Entenderam?

Enfim, hispânico seria quem tem origem ou cultura mexicana, cubana, porto-riquenha, centro ou sul-americana, ou outra espanhola, independente de raça.

Olha, não sei nem por onde começar. O que é esse "outra espanhola"? Como assim? Quer dizer que se fui criado na África Espanhola, ou se sou filipino, também sou hispânico? Alguém me explica?

Antes, vínhamos falando de raça. Naturalmente, claro. Afinal, essa seção do formulário É sobre raça. Então, por que, subitamente, começamos a falar de cultura? Cultura tem alguma coisa a ver com raça? Sim ou não? Decidam-se, pessoas! Vocês querem que eu me defina em termos culturais ou raciais? Ou vocês não sabem bem a diferença entre uma e outra? Afinal, onde termina raça e onde começa cultura? Vocês não sabem? Ora, que interessante, eu também não - mas então deveriam repensar completamente formulários como esse. Essa "independente de raça", naturalmente, desmonta toda a lógica interna do formulário.

Não é contraditório, insano e auto-anulador que a terceira opção de um formulário sobre raça diga especificamente "independente de raça"? Não seria como somar bananas com laranjas? Imaginem se outra seção do formulário fosse:

Estado Civil

Solteiro - Alguém que não seja canhoto. Uma pessoa que nunca foi casada.
Casado - Alguém que não seja canhoto. Uma pessoa é casada.
Canhoto - Uma pessoa que escreve com a mão esquerda. Marque essa opção independente do seu estado civil.

Hã, mas não estávamos falando de estado civil? Que sentido faz haver uma opção que seja "independente" da questão que está sendo respondida?

O formulário também faz outro samba do crioulo doido ao misturar cultura com geografia. Ele diz que hispânico é quem tem origem ou cultura mexicana, cubana, porto-riquenha, centro ou sul-americana. Essa lista não parece aquelas pessoas que voltam de viagem e dizem que conheceram Paris, Londres, a Itália e a Ásia? Começam listando culturas e de repente listam duas gigantescas regiões geográficas. Centro ou sul-americana? Como assim? Pra começar, isso inclui o Caribe?

E se eu sou da Guiana, Belize ou Jamaica (colonizados pelos ingleses), Suriname ou Curaçao (holandeses) ou Haiti ou Guiana Francesa (França)? Quer dizer que jamaicanos e haitianos são hispânicos? Boa sorte tentando convencê-los disso. Pra não falar dos brasileiros, claro, que representam boa parte da área e da população da América do Sul e foram sumariamente excluídos da classificação.

 Fronteiras Cruzadas: Etnicidade, Gênero e Redes Sociais  Pluralismo Étnico e Multiculturalismo: Racismos e Anti-Racismos Brasil

Asiáticos

ASIAN-AMERICAN, Asian or Pacific islander. A person having origins in any of the original peoples of the Far East, Southeast Asia, the Indian Subcontinent, or the Pacific islands. This area includes, for example, China, Japan, Korea, the Phillipine Islands, and Samoa.

Duas coisas interessantes aqui: por que subcontinente indiano está em itálico? Talvez por que muitos indianos estavam marcando branco ou negro? E o formulário faz questão de nomear as Filipinas, eliminando assim a maior candidata a "outra cultura espanhola" da categoria acima, me deixando mais em dúvida ainda. Se as Filipinas não são uma "outra cultura espanhola fora das Américas", quem é?

Nativo-Americano

AMERICAN-INDIAN, American Indian or Alaskan Native. A person having origins in any of the original peoples of North America, and who maintains cultural identification through tribal affiliations or community recognitions.

Mais uma vez, a velha mistura de maçãs com laranjas. Afinal, estamos falando de raça ou de cultura? Segundo o formulário, pra ser nativo-americano, eu preciso não apenas descender da etnia mas manter identificação cultural, laços tribais e reconhecimento comunitário, o que quer que isso signifique. Eu acho que significa que não basta ser índio: eu tenho que agir como índio.

Olha que engraçado: se eu for um negro cujos antepassados foram sequestrados da África há 800 anos e levados pra Europa e depois pras Américas a força, eu hoje ainda sou negro, independente de morar no trigésimo andar de um arranha-céu em Manhattan, usar jeans, ser engenheiro de redes e ter um iPod. Ninguém vai ter a cara-de-pau de me dizer que eu só sou negro se praticar umbanda e cultuar os orixás. Mas se eu sou um cherokee católico, que trabalha com internet e tem um jatinho... bem, aí eu não sou mais um cherokee! Pra poder ser cherokee, tenho que estar lá na reserva, quietinho, sabendo o meu lugar. Mas, se não sou mais cherokee, isso também não quer dizer que eu seja branco, claro. Vivo num limbo racial então?

Isso faz sentido pra vocês?

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* * *

Dois comentários. Primeiro, da Bárbara, blogueira branquela loiríssima, casada com meu ex-colega de escola japa-blogueiro Hiro:

E os mixed, Alex? E se o pai for negro e a mae irlandesa? Sem essa de one drop! Se eu tiver filho com o Hiro a crianca vai ser 25% japonesa e 75% praticamente europeia (porque tem algum indio ai em algum lugar). O que esse raio dessa pessoa, que eh mestica, preenche? Aqui em Londres tem varias opcoes de mixed - o Hiro, por exemplo, eh "other asian background". Eu preencho "white", "other mixed background" ou "brazilian", dependendo do meu humor.

E disse Dr Plausível:

A Giselle Bündchen aí é latina. Tanto faz a tua "cor". O q importa é o q vc está fazendo no país, ou o q fizeram teus antepassados:

- ¿vc descende diretamente dos europeus q tiveram a iniciativa de construir o país?

- ¿vc decende de pessoas q foram trazidas à força pra trabalhar de graça, e agora se transformaram num problema de consciência?

- ¿vc chegou aí vindo de um pais pobre, atraído pela riqueza q os decendentes diretos dos europeus construíram?

Ou seja, é uma questão territorial. Note q a primeira categoria necessariamente exclui todas as cuba-libres, os gin-&-tonics e qqer outro drinque. Tem q ser scotch puro, de preferência com gelo.

* * *

O que vocês acham?Racismo LLL

* * *

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26.01.09


Categorias: Raça


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Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: isabel

e o Obama preencheria o que nesse formulário?

Espero que ele termine com essa idiotice.

PermalinkPermalink 26.01.09 @ 02:31



Comentário de: ninguem (a) · http://naoaddsemscrap.blogspot.com

acho que seria facil pra mim: eu colocaria 'hispanic' apesar de ter nascido no Brasil e de não saber falar espanhol . Tenho uma prima que teria dores de cabeça: avós paternos nasceram no japão, avós maternos nasceram em Pernambuco. Resultado? O sobrenome dela é algo do tipo: Silva Kaneshiro! Hispanic?
Enfrentei um problema parecido com esse, só que mais simples: no meu perfil do orkut, eu fiquei em duvida entre 3 classificações (?): caucasiano, latino, multiétnico. COMOFÄS//?

PermalinkPermalink 26.01.09 @ 06:20



Comentário de: leo · http://lmonasterio.blogspot.com

O pior eh coitado do Aborigene australiano! Tem cor preta, mas tanta ascendencia africana quanto um escandinavo. O coitado nao pode preencher "Outros"?

PermalinkPermalink 26.01.09 @ 07:41



Comentário de: Homero

O ato de classificar o ser humano em raças deve ter sido inventado pelo Ionesco, o verdadeiro Teatro do Absurdo. Quem tem raça é cachorro.

A insanidade inicial que é classificar pessoas em raças trará conseqüências, como a instituição de cotas raciais, que sofrerão do mesmo problema: a mácula da arbitrariedade.

PermalinkPermalink 26.01.09 @ 08:23



Comentário de: Patricia

Qualquer "Native American" nascido nas Americas Central ou do Sul deve se considerar hispanico???

E acho que os indios mexicanos sao tao Native Americans quanto qualquer esquimo, afinal, pelo que eu me lembro das aulas de geografia, o Mexico ainda faz parte da America do Norte.

PermalinkPermalink 26.01.09 @ 08:45



Comentário de: Monthiel · http://www.monthiel.com


Cara, quanta dificuldade para preencher um formulário de imposto hein! santodeus. A coisa por aí é mais complicada que aqui hein! E quanto racismo nas entrelinhas do formulário. Aff.

Abraços e sucesso!
Monthiel

PermalinkPermalink 26.01.09 @ 09:41



Comentário de: João Luís

Putz, Alex, sei lá. tenho uma filha do primeiro casamento (que foi com uma japonesa). Meus avós maternos descendem de italianos e portugueses. Meus avós paternos tem sangue índio (e meu avô voi adotado, então não tenho idéia do que vem dalí;).
Enfim, como é que fica minha filha? rsrsrs
quando ela tinha uns cinco anos ela se definiu assim: "sou meio-japonesa e meio não-japonesa". Então está fechado: ela é meio-japonesa e meio não-japonesa (e agora? tem ou não tem hífen?) Espero ter contribuído para complicar mais o assunto.

Um abraço e meus parabéns pelo blog.


PermalinkPermalink 26.01.09 @ 12:01



Comentário de: Sheila

Concordo com a teoria do Dr. Plausivel.
Exceto pela questao dos Indios nao ser:

vc descende diretamente das pessoas que estavam aqui quando os Europeus chegaram?

ou seja, com os indios nao basta a questao territorial, se nao seguem a cultura indigena nao sao indios.

PermalinkPermalink 26.01.09 @ 13:06



Comentário de: Ulisses Adirt · http://incautosdoontem.opsblog.org/

No fim das contas, Alex, vc enviou com que resposta?

PermalinkPermalink 26.01.09 @ 14:34



Comentário de: Mourisco

Mas que catso é esse de pedir essas informações num formulário de imposto de renda? Tem alguma dedução por etnia?

PermalinkPermalink 26.01.09 @ 14:52



Comentário de: João Ricardo · http://mercyzidane.blogspot.com

Quando estava na Inglaterra, meus colegas de escola achavam que no Brasil se falava espanhol.

PermalinkPermalink 26.01.09 @ 23:39



Comentário de: Alex Castro Email

joao, essa eh uma suposição bem razoavel.

PermalinkPermalink 26.01.09 @ 23:44



Comentário de: Marilda Silva Costa

Olá, Alex, boa noite.
Primeiro, parabéns pelo blog e pela possibilidade de se discutir a complicadíssima “questão racial” e a mais complicada ainda “classificação racial” . Visito o blog há algum tempo, quieta no meu canto, sem postar comentários. Mas hoje não resisti. O formulário em questão é realmente um disparate.
Há uma confusão geral, em torno das noções de “raça”, cultura, etnia, nacionalidade e, no caso em tela, origens regionais. Ou seja, temos um problema inicial de conceituação. Que as pessoas em geral acabem fazendo essa confusão é compreensível, mas que um formulário (que serve provavelmente para fins de censo “racial”;) expresse essa confusão é, diria eu, inadmissível.
Brasileiro, espanhol, chileno, filipino, etc... são nacionalidades. Estas, sabemos nós, são criações históricas: estão articuladas com a criação dos estados modernos, que são exatamente estados nacionais. Há inúmeras obras que tratam do assunto.
Agora, como juntar nessa classificação a noção de indígenas? Como definir essa noção? Aqui no Brasil também foi cometida essa barbaridade: não sei se continuam a solicitar, mas os alunos do ensino básico (fundamental e médio) tinham que preencher um formulário no qual as categorias eram: branco, negro, pardo e indígena. Também aqui uma bela confusão. O que é pardo, cara pálida? Há também, como você sabe melhor do que eu, toda uma discussão sobre essa noção de pardo, que no final das contas tenta classificar a pessoa mestiça. E aqui chegamos no ponto crucial: entendo eu que toda a dificuldade em classificar a população humana em raças, etnias ou seja lá o que for, esbarra no fato incontestável que, desde sempre, a partir do momento em que os primeiros grupos de H. sapiens sapiens deixaram o norte da África e começaram a povoar o mundo os seres humanos iniciaram um processo de miscigenação, que conforme a população crescia, maior a possibilidade de mestiçagem. Razão pela qual temos imensa dificuldade para classificar a população, principalmente em termos de suas características físicas e, mais ainda, quando se usa somente a questão da cor.

Mais um problema: sei que vou de encontro a sua opinião Alex, mas como aqui é um espaço aberto para o debate de idéias, vamos lá: como você sabe, geneticamente é impossível definir raças. Por que venho colocando a palavra “raça” entre aspas? Porque a própria noção de raça é historicamente determinada. Toda a teoria racial foi elaborada no final do século 19 para justificar o processo de dominação colonial e neocolonial, e continua a ser usada garantir processos de exploração e dominação. Então raça é um mito social. Sendo um mito é difícil de alterar o conteúdo de um pseudoconceito. E é um mito social com a finalidade precisa de garantir formar de dominação. Contrariamente, ao que pensam alguns, afirmar que geneticamente as raças não existem, não quer, em absoluto, que não exista o racismo. Foi criado o mito das raças exatamente para garantir as formas de exploração e opressão.
Sobre o conceito de cultura. Acaba-se vinculado à determinadas raças formas culturais entendidas como “inferiores”. O europeu chega na África. O que encontra? Povos com características físicas diferentes e com culturas diferentes. Vem colonizar as Américas. O que encontra? Povos com características físicas diferentes e com culturais diferentes da européia (européia: com acento ou sem acento?). Articula a noção de raça com a noção de cultura: raças inferiores, criam culturas inferiores.

Só mais um detalhe que isto já está longo demais: a noção de raça foi criada vinculada às características físicas, mas não só à questão de cor. Na definição das raças, para fins de classificação, entravam os traços fisionômicos (boca, olhos, nariz), o tipo de cabelo e, acima de tudo, a capacidade craniana. O objetivo final era provar que as “raças” não européias tinham uma capacidade craniana menor e, portanto, incapazes de criação cultural superior.

Só mais um detalhe: o que parece ser universal é o etnocentrismo. Parece que esse existiu desde sempre e é encontrado em todos os povos, mesmo nos chamados povos indígenas. A discriminação por características físicas, principalmente a cor, é algo mais recente.
Desculpe-me Alex, mas não tenho o menor poder de síntese.
Forte abraço
Marilda


PermalinkPermalink 27.01.09 @ 00:32



Comentário de: Alex Castro Email

Marilda, vc escreveu: "sei que vou de encontro a sua opinião Alex," etc

mas nao entendi... em que, exatamente, vc discorda de mim????

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 01:08



Comentário de: Tainá

Outra coisa que me deixou confusa: os hipânicos
são os de origem espanhola, e os brancos são
os de origem européia. Então um espanhol,
nascido e criado sob a cultura espanhola e que
tem todos os seus antepassados (até sei lá, a
8ª geração) originários da Espanha é branco??
Ou será hispânico?? Ou eu não sei nada de
geografia e a Espanha não pertence à Europa??

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 09:13



Comentário de: Renato

Para a Ciência, essas classificações não fazem o menor sentido. É herança das idéias do século XIX, com aquele carater eurocêntrico. Curioso como ainda não abandonamos isso.

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 10:21



Comentário de: Renato

O que me lembra a história das cotas raciais, que muitos aqui são super favoráveis.

Em função do post atual, queria saber como é que se faz para determinar quem é negro o suficiente para ter o direito e quem não é. A partir de que tom de pele uma pessoa não é mais considerada afro-descendente?

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 10:25



Comentário de: Hélio

O comentário do Ray Adkins embananou tudo de vez... Eu achava que eu entraria no hispânico, mas eu não sou descendente de espanhóis e não tenho nenhuma noção de espanhol (meu único pé na "cultura hispânica" é ler aqueles pockets do Neruda traduzidos).
Porque só o White não tem número? Se você é branco, vc não é um número, mas o resto é oferta do Mc Donalds?
Afinal de contas, qual a importância da raça no imposto de renda? Sei lá, achava que o que mais importava era a renda... (Ou o povo aproveita o IR daí como censo - "quantas televisões você tem na sua casa?")

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 10:29



Comentário de: Dibih · http://www.myspace.com/tiberiusproject

Sempre achei esse tipo de polêmica sem sentido. O ser humano sempre buscou formas de dominação, a classificação por raças é uma delas.

A raça é humana, o resto é a mãe natureza agindo para adaptar a espécie ao ambiente.


PermalinkPermalink 27.01.09 @ 10:35



Comentário de: marcx

Isto certamente é devido a origem européia dominante até então. Isto já está mudando, claro que não é de um dia para outro. Por outro lado se os negros tivessem dominado o mundo provavelmente os brancos seriam escravos e vítimas do preconceito. Acho que não existe vítima nem agressores.

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 10:47



Comentário de: Elson Jr

Eu faria uma quadradinho a mais em um espaço livre, escreveria ao lado "Human" e o marcaria.

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 11:23



Comentário de: Ronaldo Lage

O que imposto de renda tem a ver com raça ?
Cada raça tem um desconto diferente no imposto? É isso ?!

O indio da américa do norte é indio. O indio da américa do sul é hispanico. Como que é isso ?

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 12:04



Comentário de: Alex Castro Email

marcx,

é verdade. inclusive, se vc um dia for assaltado e morto, não precisa nem prender o agressor, pois vc, provavelmente, se tivesse tido a mesma vida que ele, tb estaria roubando e matando... afinal, nao existe vitimas nem agressores....

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 12:07



Comentário de: Alex Castro Email

tainá e hélio,

hispânico, por definição, se refere a cultura hispânica e seus descendentes... teoricamente nao inclui o brasil mas, na pratica, os americanos sempre nos incluem na definicao, talvez por achar que todos na america latina sao hispanicos, ou seja, descendentes de espanhois...

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 12:11



Comentário de: everaldo

Rapaz !!!
Que que tu foi fazer nessa terra de idiotas?
Não se deve levar a sério, êsse povo !!!
Por isto coloca aí: raça ruim

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 12:45



Comentário de: Jorge Bittencourt

Ainda que eles não façam hilações diretas de "raças" com "Religião", do tipo: Judeu, Católico, Mulçumano, Protestante, etc...Ou validem as "raças" como castas de pobres, não-pobres e ricos, com o mesmo pragmatismo, tanto "deles", quanto meu ao pensar, "entender" e discorrer, afirmo que o mentor/autor, indubitavelmente é da KKK, inspirado nas idéias de Hitler. Mas tem muita gente de orígem indefinível, que na prática, para se locupletar em sua mentira
existencial-racial, vive essa "viagem".
Espero que tenha ajudado a misturar(confundir) um pouco mais essa verdade teatral absoluta norte-americana.
Um abraço(humano).



PermalinkPermalink 27.01.09 @ 12:46



Comentário de: everaldo

Nessa época em que tem cara disputando urubú a tapa pra criar em gaiiolas, vou levantar a moral dos brancos:
ESTA PROVADO QUE A ESPÉCIE HUMANA SURGIU NA ÁFRICA, DE FORMA QUE TODO BRANCO É UM PRETO COM VITILIGO.
Por isto, chora não oh! alemão, tu é primo do neguim Obama!

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 12:49



Comentário de: marcelo

Ola,os seres humanos foram moldados conforme o clima da região em que vivem.Os orientais de uma região com muito vento,areia e frio ficaram com olhos puxados e corpo curvado.Os negros de uma região com muito sol dai sua pele negra(ha quem diga que seria uma raça mais adaptada biologicamente devido aofato de possuirem musculatura mais forte de todas raças)e os brancos de regiões mais frias com pouca inidencia de luz solar...mas o que importa e que somos todos frutos da criaçãao de Jesus e o pai não discrimina nenhum de seus filhos

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 13:07



Comentário de: Alex Castro Email

marcelo,

o pior não são nem as besteiras inomináveis que vc falou, completamente desprovadas por qualquer ciencia digna desse nome, mas o fato que muita gente as considera senso comum.

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 13:15



Comentário de: alessandro simoes

O que eu sou ? 23 cromossomos , apenas.

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 14:16



Comentário de: Ibis Itiberê Salgado Luzia

Muito bem. Parabéns pelo post e pelo tema abordado.
Porém, estamos no Brasil. Por que não fazer uma matéria abordando, por exemplo, a mesma política racialista adotada pelo governo do PT? Uhmm?
Ou será que é assim que funciona na cabeça do esquerdista:

"Política racialista americana: ruim porque é americana"
"Política racialista brasileira: boa porque é de esquerda"

Um peso e duas medidas?
Políticas racialistas são uma aberração em qualquer lugar. Independentemente de ser Estados Unidos, Inglaterra ou Brasil.
Mas a esquerda quer fazer parecer que no Brasil a coisa é boa porque ... é a esquerda quem diz que é boa, oras.
Aqui temos os mesmos formulários, as mesmas porcarias para entrar numa droga de universidade pública. As mesma políticas ambíguas e discriminatórias sobre o pretexto "de proteger as minorias".
Os Estados Unidos elegeram um mestiço (Obama não é negro). E o Brasil? Uhmm?
Em resumo, o que a cor da pele quer dizer afinal de contas? Deveria ser analisada a competência, o caráter e o que pensam os indivíduos e não a cor da sua pele que é um dado secundário?
Ou será que racismo positivo é bom também? (voto em Obama porque ele é mestiço).


PermalinkPermalink 27.01.09 @ 14:41



Comentário de: CELIA/RJ

TENHO MAIS O QUE FAZER, EU SÓ SEI QUE EU SOU PARDA, MA SOU LINDA E NÃO ME TROCO POR NENHUMA BRANCA, ISTO É , SE EXISTIR ALGUEM NO BRASIL QUE SEJA BRANCA MESMO, POIS A TOTALIDADE DOS BRASILEIROS TEM SANGUE DE NEGRO, RAÇA SANGUE PURO EU SÓ CONHEÇO NO BRASIL " OS CAVALOS", BEIJINHOS.CELIA

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 14:52



Comentário de: Michelle

Sei lá... entendo o que quis dizer no texto,
mas para simplificar eu colocaria que sou branca.
Meus pais são de origem européia. Pai descendente de espanhóis e mãe descendente de alemães.
Sou uma branquela de cabelos castanhos escuros e cacheados e olhos castanhos. Me considero branca mesmo sabendo que realmente todos nós viemos de uma mistura de raças.

Agora, eu acho que esse formulário ficou esquisito pq eu acho que só existem Brancos, Negros, Pardos, Índio
Isso é bem confuso pq existem os orientais e onde eles se enquadram?!
Deveria se referir à pessoa e sua cor e não aos seus antepassados e origens. Ou não?! :P

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 14:56



Comentário de: Michelle

Minha cor é branca e não entendo pq ainda existe racismo, pois todos vieram de uma mistura de raças mesmo e não tem como negar isso.

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 15:06



Comentário de: Zé da Roça

Não existe raça p/ definir ninguém. Somos todos seres humanos iguais uns aos outros. Que foda os EUA e todos esses YUPIES de merda.
O que vale mais: o carater, a conta bancária ou a origem racial? putzzzzz. ninguém merece.

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 16:30



Comentário de: Diego Camara

Do preconceito estadunidense no preenchimento de um cadastro até opiniões darwinista-religiosas (sim, o cara consegue juntar o darwinismo a religiosidade) sobre adaptações humanas.

Fato é que eles querem complicar com coisas que não precisavam ser complicadas. Provavelmente o objetivo de fazer esta divisão mais que estranha sobre a raça do indivíduo se deva mais a um "controle" populacional que meramente imposto de renda.

Uma pergunta Alex, qual das opções você marcou?

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 18:24



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Pareceu-me que o formulário tenta definir raça através do papel social do indivíduo, em algumas dimensões.

Por exemplo, um homem negro desempregado e o engenheiro de redes citado seriam, talvez, vítimas de um comportamento racista bastante comum; logo, faz sentido colocá-los, nesse aspecto, numa mesma categoria. De modo semelhante, um brasileiro e um mexicano do mesmo estrato provavelmente teriam papéis sociais semelhantes, no emprego, por exemplo.

Claro que isso não justifica a enciclopédia chinesa que virou esse formulário, a confusão entre raça, cultura, origem e papel social etc. etc. mas é uma hipótese.

Vocês acham essa hipótese plausível?

Até!

PermalinkPermalink 27.01.09 @ 22:53



Comentário de: Reinaldo

Ray,

Isso que você disse eu não posso saber, pois nunca saí do Brasil. Mas a verdade é que não é só por questões de privilégios ou reivindicação de verbas que existe uma identificação com os povos de língua espanhola. Apesar de português e espanhol serem línguas diferentes, frequentemente se ressaltam as origens comuns de ambas. Com a colonização e aspectos culturais não é diferente. Alguns chegam a afirmar que as culturas são iguais... Talvez seja, na verdade, muito mais uma confusão com ibero-americano...
Só pra reforçar o que eu disse, basta ver o comentário do João Ricardo sobre os brasileiros falarem espanhol... É um sinal de que isso não acontece só nos Estados Unidos... Além disso temos vários vizinhos de língua espanhola...


PermalinkPermalink 27.01.09 @ 23:55



Comentário de: Marilda Silva Costa

Olá, Alex, boa noite.

Somente agora voltei ao blog e tomei conhecimento de sua pergunta. Muito justo perguntar. Eu é que deveria ter indicado nossas divergências. Falha minha, da qual peço desculpas.
Aliás, divergências que decorrem da leitura que efetuei de suas proposições. Quem sabe, que tais divergências nem existam. Vamos lá:

- a defesa que você faz das “cotas raciais” – temos exemplos de seus argumentos na análise dos comentários a seu post de 23.01.2009 : O Peso da História – A Escravidão e as Cotas. Suas palavras: “Qualquer um que saiba (ou sinta na pele) o quanto o Brasil é um país racista sabe que são necessárias políticas públicas *específicas* não apenas para combater os efeitos da pobreza e da desigualdade, mas também do racismo.”
Sou a favor das cotas sociais, e mesmo assim não com muito ardor. Sabemos todos da precariedade em que se encontra a chamada educação formal no Brasil. Cotas sócias não resolvem efetivamente o problema. Entendo até que colabore no processo de ocultar os fundamentos estruturais da situação. Entretanto, sou a favor das ditas cotas sociais, porque entendo que a situação é de tal gravidade que ações conjunturais são necessárias, isto porque as ações estruturais, quando são implementadas, o que não é o caso, demoram a ter resultados significativos.

- Para você negar a existência das raças significa, implicitamente, negar a existência do racismo. Suas palavras: “Em uma sociedade racista e desigual como o Brasil, afirmar não ver raça, não ligar pra raça, que raças não existem, que isso não tem importância, "que besteira você se importar com isso", etc, significa na prática tomar partido racialmente ao se aliar com a hegemonia invisível que *precisa* desse tipo de negação para sobreviver e prosperar.
Não existe neutralidade possível: negar raça já é uma afirmação política que te coloca em um dos lados bem definidos de uma briga antiga. Negar raça já é intrinsecamente racista.” (Post: A Invisibilidade do racismo de 24.12.08).
Como já indiquei no comentário anterior, em termos genéticos as pesquisas indicam que raças não existem. Não vou me estender porque você é um especialista no assunto (raça/racismo), que não é o meu caso. Sou interessada no assunto, mas não uma especialista – muito longe disso. (Tanto é que ao conhecer seu blog (indicação do Idelber) comecei a ler seus textos sobre o tema em pauta, e tenho aprendido muito). Mas, ao aceitar as conclusões das pesquisas genéticas que afirmam a não existência de raças no mundo humano, não nego a existência do racismo. Primeiro, porque é impossível negar. Está no nosso cotidiano. Segundo, a noção de raça existe e persiste como um mito social fortemente arraigado para dar sustentação a toda prática racista. A meu ver, um dos focos do problema é a dificuldade de desconstruir um mito como este: o mito da existência de raças no mundo humano. Ao longo dos séculos 19 e 20, a noção de raça ficou praticamente restrita à questão da cor da pele: a cor como estigma. Desconstruir o mito da existência de raças, minaria o fundamento do discurso e da prática racista. Veja, não estou afirmando que as diferenças físicas não existem, que não existem diferenças de cor entre as pessoas. Um dos problemas está em atribuir desigualdade às diferenças. Ou seja, o discurso racista atribui um valor (valor cultural, ideológico) principalmente à cor da pele. E obviamente a cor valorizada é a “branca” (seja lá o que isso for). Outro problema: como categorizar em termos de cor? Quando um “moreno” passa a ser “negro”? Quando um “moreno” passa a ser “branco”? Você sabe que aqui no Brasil o racismo é de “marca”, diferentemente dos EUA, onde o racismo é de “origem”. Para estabelecer as categorias raciais vamos passar a usar a origem dos antepassados das pessoas?
Quando se trabalha com a noção de cor, leva-se em conta as aparências, e não a essência. Na essência pertencemos todos à mesma espécie, à mesma subespécie: H. sapiens sapiens, que por ser uma espécie relativamente nova em termos de evolução biológica e pelo intenso processo de miscigenação não chegou a formar raças claramente definidas.
Bem, como sempre longa resposta.
Até mais, beijo.
Marilda


PermalinkPermalink 28.01.09 @ 00:52



Comentário de: Alex Castro Email

marilda, acho que só discordamos do primeiro ponto. quanto ao segundo, qual é a discordância? claro que raças não existem em termos biologicos ou geneticos. isso é lugar-comum da ciencia há mais de cem anos. só skinheads e neonazis malucos ainda pensam isso. e vc acha que EU pensava isso?

mas o fato das raças nao existirem biologicamente nao quer dizer que nao tenham uma existencia social bem concreta...

PermalinkPermalink 28.01.09 @ 01:02



Comentário de: Marilia Cunha · http://mallucunha.blogspot.com/

"Comentário de: João Ricardo · http://mercyzidane.blogspot.com


Quando estava na Inglaterra, meus colegas de escola achavam que no Brasil se falava espanhol."

João,um grande amigo meu também pensava que no Brasil se falava espanhol, ele é alemão e quando nos conhecemos, ele foi logo dizendo que não sabia falar espanhol, então eu disse " nem eu". Engraçada foi a cara dele de surpresa...

PermalinkPermalink 28.01.09 @ 15:14



Comentário de: Reinaldo

Sim foi claro o suficiente. Acho que eu é que não fui. Não tem a ver com um debate filosófico e tal... O fato é que há a confusão mas também motivos para isso. Pelo que você mesmo falou, os hispânicos nos EUA incluem Jamaica, Haiti, Guiana, Suriname, Guiana Francesa entre eles? Se fizerem, é uma baita picaretagem... Mas com o Brasil dá certo. A não ser, talvez, na universidade. Mas se lá eles não soubessem disso...

PermalinkPermalink 29.01.09 @ 07:30



Comentário de: Ângela

Posso usar seu post em uma aula de antropologia?

PermalinkPermalink 30.01.09 @ 00:54



Comentário de: Alex Castro Email

claro q pode. mas depois tem q me contar como foi.

PermalinkPermalink 30.01.09 @ 01:05



Comentário de: googala · http://www.gugaalayon.blogspot.com

essa clasificação podia se resumir em dois eixos: wasps e non-wasps.

PermalinkPermalink 30.01.09 @ 15:40



Comentário de: Rogério Santos

Vou contar dois casos para ajudar a embolar mais um pouco isso aqui:

Quando eu morei nos Estados Unidos, eu tive de tirar o meu Social Security Number para trabalhar. No formulário que eu tive de preencher, havia umas classificações tão loucas quanto essa (infelizmente eu não pude pegar mais de um e a funcionária reteve o que eu preenchi, portanto não vou citar as categorias loucas). Mas o que mais deixou-me impressionado foi com um campo que dizia algo do tipo (perdoe-me se eu errei alguma coisa, pois faz muito tempo que eu preenchi essa ficha0:
- American: quem nasceu e foi registrado e criado nos Estados Unidos
- American citizen: quem não nasceu nos Estados Unidos, mas adquiriu a nacionalidade.
- American non-citizen: quem não nasceu nos Estados Unidos e ainda não possui a cidadania.
- Permanent resident: aquele que possui o Green Card.
- Alien: quem não nasceu nos Estados Unidos, não possui a cidadania e não possui Green Card.

Fiquei pensando: "alien" significa "alienígena", e por isso eu sou considerado um alienígena só porque eu não nasci nos Estados Unidos e não tenho nenhuma ligação oficial com o país? Eu sou alienígena só porque eu vim aqui para estudar?? Eu não marquei campo nenhum, e na hora em que a funcionária passou a ficha para eu conferir e assinar eu fui descrito como "hispanic". Nem vou associar isso ao formulário do imposto de renda que você teve de preencher aí nos States.

Lá eu estudei com outro brasileiro, nascido em São Paulo e descendente de índios do Mato Grosso do Sul. Ele me disse certa vez que nunca havia perdido uma noite de sono tentando saber se ele era branco ou era preto; ele disse que saber disso nunca foi importante para ele. Só que lá em Charlotte (Carolina do Norte) aconteceram duas situações engraçadas. Ele gosta muito de heavy metal, e conheceu dois cabras que também gostam bastante do ritmo: um holandês branco, loiro e de olhos azuis e um cabra da West Virginia com as mesmas características. O meu compatriota (Leonardo) disse-me certa vez que o sujeito da West Virginia falou que estava impressionado com o que estava acontecendo, pois jamais havia imaginado que um dia conversaria sobre rock pesado com "um negão". Demorou um pouco para Leonardo entender que era "o negão".

Posteriormente, eu estava conversando com uma vizinha de alojamento sobre assuntos diversos, e num determinado momento eu disse que Leonardo e eu éramos pretos (eu prefiro falar "pretos" a "negros", embora eu use algumas vezes a segunda palavra também - mas gosto mais da primeira). A minha vizinha, que também é branca, loira e de olhos azuis, discordou veementemente de mim e disse que Leonardo não era preto coisa nenhuma. Contei esse caso a ele, e ele ficou mais indeciso ainda.

E agora??


PermalinkPermalink 02.02.09 @ 03:36



Comentário de: Bruno Barbaroxa

Ray Adkins:

thanks for clearing up the context for the whole "hispanic" shebang. So one thing I'm already not: I'm not hispanic. One step at a time, I figure what would my US race be.

Sente o drama: 25% árabe, mais especificamente 12% libanês cristão ortodoxo com honorífico muçulmano (ansarah --- "aqueles que trouxeram glória" para a expansão muçulmana), 12% beduíno druzo da síria. 12% português da ilha da madeira, sendo 3% negro escravo e o resto branco fidalgo (pois é: tenho um ascendente bastardo). Depois um bando de gente (tipo uns 50%) oriundos do que veio a se tornar a Itália: anarquistas jurados de morte durante a unificação, nobres em condição parecida, membros da família real de Mônaco, um par de venezianos, boêmios e frísios. Tem dois galhos na minha árvore de família que remontam ao interior --- num, ao sertão bahiano; no outro, às colônias alemãs no Rio Grande do Sul. Não faço ideia das origens desses caras --- aliás, quem sabe, talvez eu seja hispânico!

Como bom brasileiro, me orgulho ainda de que, na minha árvore de família, dois casamentos se devam a migrações, um ao carnaval, e um ainda ao futebol.

Essa é a minha raça (na melhor das hipóteses). Isso tem nome?

PermalinkPermalink 03.02.09 @ 00:30



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PermalinkPermalink 13.11.11 @ 09:28



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