Pessoas-que-Acreditam-em-Coisas

Liberal Libertário Libertino - CrônicasOcasionalmente, eu converso com pessoas-que-acreditam-em-coisas. Quase sempre, são pessoas que gostam muito de mim, me elogiam efusivamente, dizem que sou um espírito avançado, um homem libertário, uma mente aberta, e que por isso sabem que vou receber com carinho e respeito sua mensagem.

Entretanto, quando a conversa acaba, elas estão invariavelmente irritadas, frustradas e ofendidas. Um dedo sempre acaba sendo brandido na minha cara, em meio a palavras como: "você se acha muito mente aberta, mas sua cabecinha é totalmente fechada e impermeável à verdade!"

Eu, que tentei sinceramente ser carinhoso e respeitoso, fico sem saber o que aconteceu.

Na verdade, todo esse longo artigo é somente para fazer uma pergunta que eu sempre quis fazer sobre as pessoas-que-acreditam-em-coisas, mas tem que ficar pro final.

Auto-Definição de um Liberal Libertário Libertino

Como esse texto pode gerar respostas irritadas, acho melhor começar pelo consagrado hábito de definir as palavras. Primeiro, eu mesmo.

Sou um cético libertário e me acho de mente aberta, sim senhor. Tenho certeza de que o universo, a natureza, o corpo humano, a asa de um besouro, tudo, enfim, são muito mais complexos do que podem imaginar nossas vãs ciências. Imagino que muitos dos fenômenos hoje incompreensíveis, inexplicáveis e sobrenaturais são regidos por leis tão naturais, explicáveis e compreensíveis como a lei da gravidade.

Por isso, e por ser inatamente curioso, eu me deixo aberto a tudo. Visito as igrejas de quem me convida. Escuto as teorias de quem quiser contá-las. Leio sobre astrologia, catolicismo, medicina holística.

Onde Perdemos Tudo, por Alex CastroCresci em casa de espíritas e umbandistas e já vi e ouvi coisas que a vã ciência realmente não explica. Muito dessa minha experiência está descrita no conto A Falta que nos Fazem os Figos, um dos meus melhores trabalhos, em meu livro Onde Perdemos Tudo, à venda por módicos dez reais, em formato ebook.

Por outro lado, um amigo meu chamado Guilherme me ensinou uma lição que nunca esqueci: a explicação mais simples em geral é a verdadeira.

Então, diante de uma pessoa que recebe um preto véio, qual é a explicação mais simples e mais provável?

a) que existe um outro mundo invisível, povoado por bilhões de espíritos desencarnados, que eles entram em contato com o nosso mundo, andam entre nós sem ser vistos exceto por alguns poucos, etc etc etc

b) esquizofrenia

Definição de Pessoas-Que-Acreditam-em-Coisas

Será que eu preciso mesmo explicar o que são pessoas-que-acreditam-em-coisas?

Grande parte dos fãs desse artigo são praticantes de religiões estabelecidas que acham que estou falando de místicos e ocultistas. Já soube até de um pastor evangélico que usou o texto para atacar espíritas e umbandistas. Alteridade zero, não entenderam que o artigo é sobre eles também.

Do ponto de vista externo, não há diferença alguma entre alguém que acredita em um negrinho de uma perna só que mora no redemoinho, em um biscoito de farinha que vira o corpo de alguém que morreu há dois mil anos, ou que a posição do planeta Netuno influencia nossas vidas. Um judeu ortodoxo não poderia se imaginar mais diferente do que um matuto que acredita no curupira mas católicos e wiccans, holísticos e macumbeiros, astrólogos e cientólogos, são todos igualmente pessoas-que-acreditam-em-coisas.

Alguém que só bebe cerveja não poderia ser mais diferente do que alguém que só bebe absinto, mas, do ponto de vista de um abstêmio, sinceramente, é tudo a mesma coisa.

Na prática, aliás, a diferença entre uma pessoa-que-acredita-em-coisas e um ateu é mínima: a pessoa-que-acredita-em-coisas acha que todas as crenças estão erradas, menos uma, e o ateu acha que essa também.

Se Você Diz, Eu Acredito

Vamos então ao diálogo. O diálogo abaixo já se repetiu dezenas de vezes na minha vida, com pequenas variações.

A pessoa-que-acredita-em-coisas me chama pra conversar. Sabe que sou uma mente aberta e libertária, blá blá, e quer me expor suas crenças. E eu, tolinho, aceito. A curiosidade sempre vence a experiência. Se não fosse isso, ninguém casava pela segunda vez.

Primeiro, ela me conta qual sua verdade. Essa é a parte fácil.

"Alex", ela diz, pegando em minha mão, muito séria, "existem elefantes roxos que flutuam."

Eu não duvido nem desduvido. Emito um grunhido descompromissado e peço pra pessoa-que-acredita-em-coisas continuar.

Nessa hora, a pessoa-que-acredita-em-coisas pega de novo em minha mão, me olha fundo nos olhos e praticamente implora: "Você acredita em mim, Alex?"

Eu digo que não acredito nem desacredito, mas que acredito que ela acredita e quer o meu bem, então, por mim já está mais que bom.

Algumas pessoas-que-acreditam-em-coisas nunca viram o seu elefante roxo flutuante. Outras afirmam conhecimento pessoal e direto:

"Eu vi. Eu conheço os elefantes. Já flutuei com eles. Agora, você acredita em mim?"  Conexão Wright Santos - Dumont

Respondo, pra não condenar prematuramente a conversa, que sim. Afinal, por muito menos testemunho que isso, os americanos proclamaram os irmãos Wright os pais da aviação:

"Se você diz que existem elefantes roxos que flutuam e que você viu, eu acredito."

Se fosse só assim, seria ótimo. Mas nunca é assim.

Mas Como É Que Funciona?

Quase sempre, eu estrago tudo fazendo uma pergunta. Nunca é uma pergunta-desafio. Não nessa etapa. É uma pergunta-curiosidade mesmo. Se eu estou sentado com uma pessoa-que-acredita-em-coisas, é porque quero entender sua visão de mundo.

Então, eu pergunto:

"Mas como o elefante flutua? Quer dizer, se você dissesse que ele voa, eu iria presumir que ele fica batendo suas asinhas freneticamente no ar como um beija-flor. Mas se ele flutua, como ele flutua? Será alguma coisa relacionada aos campos magnéticos?"

Aí começam os gritos:

"Eu sabia! Você se diz mente aberta mas não tem fé nos elefantes roxos que flutuam, fica aí questionando tudo com sua mente tacanha infectada por essa pseudo-ciência que nos enfiam goela abaixo na escola. Onde estava esse seu espírito crítico todo quando lhe ensinaram que as doenças são causadas por micróbios que ninguém vê?"

"Não tenho nenhum amor pela ciência tacanha que nos enfiaram goela abaixo na escola. E não estou duvidando da existência dos elefantes roxos que flutuam. Se você me diz que viu, eu acredito. Mas só estava curioso pra saber o mecanismo através do qual eles flutuam."

"Herege! Infiel! Descrente!"

Eu não me conformo:

"Mas você não teve nem um pouco de curiosidade? Você viu o elefante roxo flutuando e não parou pra se perguntar nem por um segundo como ele faz pra flutuar?"

"Claro que não. Eu não sou um espírito pequeno como você, amarrado a essa pseudociência dos homens. O elefante roxo que flutua é sagrado. Ele só pode ser visto por pessoas que estão em sintonia com as forças elementais do universo. Ele flutua porque não saberia não-flutuar. Na verdade, não é ele que flutua, é o chão que não-flutua aos seus pés."

Esse primeiro atrito ainda dá pra superar. Eu paro de fazer perguntas que a pessoa-que-acredita-em-coisas não sabe mesmo responder e ela se acalma.

A próxima fase é que apresenta o conflito insuperável.

Preciso Que Prometa Mudar sua Vida

Finalmente, eu consigo convencer a pessoa-que-acredita-em-coisas de que sua palavra é suficiente para mim. Se ela diz que existem elefantes roxos que flutuam, então existem elefantes roxos que flutuam. Mas e daí?

Pois é no "e daí" que a coisa se complica. Os elefantes roxos que flutuam não se limitam a existir. Eles sempre querem alguma coisa de nós.

(Eu, por exemplo, bem acho que deus pode existir. Não vejo irracionalidade ou improbabilidade alguma em o big bang ter sido acionado por uma mão divina ou que uma mão divina tenha criado as espécies animais e os planetas, etc. A grande questão é outra: por que deveria eu viver de forma diferente só porque o universo foi criado por um ser divino e não por forças cósmicas aleatórias?)

Então, meu interlocutor coloca de novo a mão sobre a minha (pessoas-que-acreditam-em-coisas também acreditam firmemente em contato físico) e diz:

  Camiseta Manga Curta Masculina"Pois bem, Alex, já que você é uma mente cheia de luz que aceita a verdade cósmica dos elefantes roxos que flutuam, eu preciso te dizer que os elefantes roxos que flutuam revelaram para nós, os espíritos iluminados capazes de ver os elefantes roxos que flutuam, que a fonte de todo o mal na humanidade é usar camisetas brancas, aquelas básicas, de malha."

"Hã, tipo Hering?"

"Nem fale esse nome que você atrai más vibrações. Essa empresa é a maior incentivadora do mal no mundo."

(Por algum motivo que me escapa, as pessoas-que-acreditam-em-coisas geralmente implicam com as palavras, dando a elas um poder que não têm. Como nos livros de Harry Potter, onde ninguém, a não ser o Harry, tem coragem de   Harry Potter e as Relíquias da Mortepronunciar o nome do vilão Voldemort. Naturalmente, essa cegueira só faz facilitar o renascimento do feiticeiro. Mais naturalmente ainda, os livros de Harry Potter são quase que unanimimente considerados pelas pessoas-que-acreditam-em-coisas como fortes incentivadores das forças diabólicas blá blá)

Estamos chegando na parte complicada. A pessoa-que-acredita-em-coisas coloca a mão em cima da minha e diz:

"Você acredita em mim?"

"Sim", eu digo, como o rapaz bonzinho que sou.

"Você acredita que eu só quero o seu bem, que só estou aqui com você (isto é, perdendo meu tempo falando com um descrente) porque acredito que você vale a pena, que você não veio a esse mundo por acaso, que você está pronto para receber a verdade que eles não querem que você saiba?"

"Sim", eu respondo.

(Quase sempre, é verdade. Eu tenho um canto especial no meu coração para as pessoas que acreditam sinceramente que eu vou pro inferno por toda a eternidade e fazem tudo o que podem pra evitar essa tragédia.)

"Então, prometa que nunca mais irá usar camisetas brancas. Jamais. Para o seu próprio bem. Para o bem da sua alma."

Pronto. Não há conversa com pessoa-que-acredita-em-coisas que não chegue inevitavelmente nessa fase.

As pessoas-que-acreditam-em-coisas não estão satisfeitas com o respeito que você tem pela crença delas. As pessoas-que-acreditam-em-coisas não estão satisfeitas de você garantir que confia em suas palavras e que, bem, se dizem que viram elefantes roxos flutuantes, então é porque existem mesmo.

Não, meus amigos. As pessoas-que-acreditam-em-coisas querem mudar a sua vida. E não se satisfazem com menos.

E a MINHA vida seria muito mais simples se eu fosse capaz de colocar minha mão em cima da mão deles que está em cima da minha outra mão e dizer:

"Sim!, claro!, claro que sim! Claro que vou mudar um hábito de toda uma vida só por causa de uma afirmação completamente não-fundamentada feita por um quase completo desconhecido. Como não?"

Mas, raios, eu não consigo.

Então, suavemente, respeitosamente, tomando o máximo de cuidado para enfatizar minha tolerância, eu digo:

"Olha, eu não posso prometer isso, não."

O pior é a surpresa sincera de sua indignação:

"Mas como não? Você não ouviu tudo o que acabei de falar?!"

"Ouvi, claro, mas-"

"E, mesmo depois de ouvir tudo isso, como pode ainda assim dizer que continuará usando essas camisetas brancas de malha?"

Sei que estou em território minado e que todas essas palavras serão jogadas na minha cara com ódio de qualquer jeito mas, para satisfazer minha consciência, tomo todo cuidado possível para ser extra-delicado e respeitoso:

"Bem, acredito em você quando diz que viu os elefantes roxos flutuando, mas isso não significa que estou disposto a mudar minha vida por causa desse fato."

E, com mais cuidado, eu acrescento:

"Além disso, você não me deu nenhum motivo concreto para parar de usar camisetas brancas."

  Lógica (Reparem que eu não disse "motivo lógico". Para as pessoas-que-acreditam-em-coisas, a palavra "lógica" tem o mesmo efeito do que alho para vampiros. Confesso que também não gosto muito de lógica. As pessoas que invocam muito a lógica em geral estão querendo te engrupir. Hoje em dia, a lógica é muito mais usada para enganar e confundir do que para explicar, mas pelo menos não tenho medo da palavra.)

E continuo:

"Você nem mesmo me explicou a relação entre os elefantes roxos que flutuam e as camisetas brancas. De que modo as camisetas brancas nos afetam negativamente? O que exatamente elas fazem? Afetam nossas vibrações? Roubam nossa energia? Atraem maus espíritos?"

(Espero que a essa altura do campeonato vocês já tenham percebido que nada desse artigo é ficção. Todas as frases que estão aqui eu já ouvi trocentas vezes, de tudo quanto é pessoa-que-acredita-em-coisas, de evangélicos a wiccans. Essa próxima então é a minha preferida.)

"Alex", diz o outro, com ar superior, "eu realmente não me rebaixaria a explicar, pra um homem da sua inteligência e da sua capacidade, o enorme poder nocivo das camisetas brancas."

Eu coço a cabeça:

"Recusa?"

"Claro que recuso. É óbvio. Patentemente óbvio. Você só não vê porque não quer. Porque está com o coração endurecido. Porque, ao contrário do que pensa em sua imensa vaidade, sua mente está fechada a tudo que não se conforme à sua visão estreita de mundo. Porque está comprometido com a verdade DELES."

É nesse ponto que fica patente a total inutilidade de conversar com pessoas-que-acreditam-em-coisas. Elas não querem que você escute suas crenças, ou que as respeite, ou mesmo que as aceite. Elas querem, sinceramente, a sua alma, e não se contentam com nada menos do que isso.

Na verdade, como nunca passei desse estágio, nem sei se é apenas isso que querem. Pode ser que quando você lhes hipoteque sua alma, eles queiram ainda mais. Pode ser que quando você diga "sim, claro, nunca mais usarei camisetas brancas", eles já tenham outro pedido ainda mais despropositado pra fazer. Jamais saberei.

Finalmente, abandono um pouco a diplomacia e tolerância que mantive até ali e tento esclarecer:

"Desculpa, deixa eu ver se eu entendi direito. Você me vem com uma crença totalmente insensata de elefantes roxos que flutuam e espera que eu acredite nisso baseado somente na sua palavra. Ou seja, eu tenho que pesar, de um lado, toda a minha experiência de vida, tudo o que eu já observei e estudei e, do outro, somente você. Mesmo assim, contra qualquer lógica, eu escolho a sua palavra, apesar de você nunca se dar ao trabalho de nem mesmo tentar explicar como os elefantes ficaram roxos ou como flutuam.

 Palace II: a Implosão Velada da Engenharia Então, você afirma que a existência de elefantes roxos flutuantes significa que camisetas brancas são malignas, mas em momento algum você nem tenta clarificar qual é a conexão lógica entre esses dois fatos aparentemente desconexos. Também não explica de que modo ou porque as camisetas brancas são malignas, por isso ser tão patentemente óbvio para qualquer ser pensante. Por fim, com base nessa cadeia de afirmações mais frágil do que um prédio do Sergio Naya, você pretende que eu abandone um hábito de uma vida inteira. É isso?"

"Sim. Exatamente. Então, você promete?"

Você Precisa Sentir Que Estou Falando a Verdade

Estamos chegando finalmente à minha grande dúvida sobre as pessoas-que-acreditam-em-coisas, a dúvida que motivou todo esse artigo.

Quando digo que não vou mudar meus hábitos em função de suas crenças, as pessoas-que-acreditam-em-coisas ficam tão surpresas e indignadas que eu me pergunto: como reagem normalmente seus outros interlocutores? Será que sou o único que se recusa?

A maioria das pessoas-que-acreditam-em-coisas (exceto as que estão em maioria, como cristãos no ocidente, etc) vive em um mundo repleto de pessoas-que-não-acreditam-nas-coisas-em-que-acreditam. E suponho que devem rotineiramente expor suas crenças para os descrentes, especialmente para os descrentes que amam, para aqueles que querem sinceramente salvar dos efeitos malignos das camisetas brancas e afins.

E volto à dúvida: como é então que funciona isso? Será que sou o único que se recusa a mudar de hábitos?

E as pessoas-que-acreditam-em-coisas respondem, tentando fazer eu me sentir culpado:

"Você não entende, não é, Alex? Acha mesmo que eu me dou a tanto trabalho, que perco tanto tempo, com qualquer um? Estou aqui transmitindo essas verdades vitais pra você porque acho que você vale a pena, porque sei que você é um ser especial que foi colocado nesse planeta para cumprir uma missão única. Porque acreditei que entenderia." (Quase dá pra ouvir seu coração lentamente se despedaçando.)

"Realmente não entendo." Eu respondo: "Você esperava sinceramente que eu largasse hábitos de toda uma vida... só porque você disse pra eu fazer isso? Baseado em quê? Você nem ao menos me deu qualquer tipo de razão."

E a pessoa-que-acredita-em-coisas mais uma vez coloca sua mão sobre minha mão e afirma:

"Baseado na sua intuição, na sua fé. Você tem que *sentir*, no seu âmago, que eu estou falando a verdade."

"Pôxa", eu respondo, "a única coisa que estou sentindo é vontade de ir embora."

 Futuro de uma Ilusão Deus , um Delírio
Nunca li Dawkins, que sempre me pareceu um ateu militante, algo que desprezo um pouco, mas Freud em O Futuro de uma Ilusão já falou tudo o que eu sempre quis dizer sobre religião.

Você Não Pode Estar Sinceramente nos Comparando a Eles!

Estamos chegando no fim da conversa.

A pessoa-que-acredita-em-coisas finalmente percebe que não vai conseguir mudar toda minha filosofia de vida ao longo de um único almoço. Então, fica puta, defensiva, ofendida.

"Você é o pior tipo de cético, Alex. Você é o cínico que vaidosamente se considera cabeça aberta. Mas você nunca deu uma chance à verdade que tentei lhe transmitir. Já chegou com ouvidos moucos e coração endurecido."

"Não é verdade. Eu te ouvi com o mesmo respeito e atenção que ouço as pessoas que acreditam em rinocerontes verdes subterrâneos ou trutas vermelhas intergalácticas. Sei que são pessoas que acreditam sinceramente em suas crenças e que sinceramente querem o meu bem, então escuto com resp-

Pronto. É exatamente nesse momento que eu alieno, irremediavel e inapelavelmente, todas as pessoas-que-acreditam-em-coisas:

"Peraí, Alex, agora você está me agredindo. Você não pode sinceramente querer comparar a minha fé com a dessas pessoas que acreditam em rinocerontes verdes subterrâneos. Só fanáticos idiotas de uma seita xexelenta poderiam acreditam em uma superstição medieval sem nenhum embasamento como essa! Sobre os elefantes roxos flutuantes, por outro lado, já existe toda uma sabedoria acumulada, um cânone consagrado, milênios de estudos, um corpus de compêndios sapienciais, grandes exegetas e estudiosos, uma disciplina rigorosa de corpo e mente!"

Eu suspiro:

"O pessoal dos rinocerontes verdes subterrâneos fala a mesma coisa."

"Sim, mas porque são uns fanáticos intolerantes que só enxergam sua própria superstição. Eu vou ficar ofendido se você der a entender, mais uma vez, que nós temos algo a ver com esses hereges dos rinocerontes verdes subterrâneos."

"Bem, o pessoal dos rinocerontes verdes subterrâneos também chegou pra mim com a melhor das boas intenções, também me juraram que existem rinocerontes verdes subterrâneos, mas não explicaram como eles fazem pra viver debaixo do solo, e me alertaram para não usar camisas pólo azuis, mas não me explicaram nem porque elas fazem mal nem qual a relação delas com os rinocerontes verdes subterrâneos. Então, o que eu faço? Quem está com a razão?"

"Olha só, Alex, se não vai falar sério, não dá pra conversar. Eu perdi uma tarde inteira pra te ajudar e você me vem com deboche. Você não pode estar sinceramente considerando que esses caras são sérios. Eles acreditam em rinocerontes verdes subterrâneos, pelo amor de deus. Uma coisa que não faz o menor sentido. Totalmente ridícula!"

E ainda riem:

"Onde já viu! Rinocerontes verdes subterrâneos!"

* * *

Esse talvez seja o meu texto mais famoso, mais citado, mais republicado por aí. Ele está no meu livro Liberal Libertário Libertino, que é um livrinho de papel mesmo, bonitinho, vermelhinho, com minhas melhores crônicas, incluindo clássicos como Fantasmas de Felicidades Passadas, Pessoas-que-Acreditam-em-Coisas e Manifesto Libertário. A primeira edição, de 2007, esgotou; a segunda edição, de 2010, aumentada e revisada, conta com dois novos textos - inclusive um novo epílogo à narrativa do Katrina.

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15.01.09



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Comentários:


Comentário de: Débora

Adorei esse seu texto! Você escreve muito bem e muito bom o final... é engraçado como muitas pessoas acreditam em coisas que , como posso dizer... são meio absurdas, acham que as outras pessoas que acreditam em coisas tão absurdas quanto são malucas, esse final foi a melhor parte do texto na minha opinião!
Gostei tanto que assim que estiver uma graninha liberada vou comprar esse seu livro!

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 08:07



Comentário de: Renato · http://discipulodarazao.com

Ah! Você não acredita no rinoceronte? Não dá mesmo pra conversar com você, seu estúpido.

Hehehe

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 08:25



Comentário de: cris · http://quitanda2008.wordpress.com

do ponto de vista estético eu prefiro acreditar nos elefantes roxos que flutuam. por quê? ora, porque é muito mais féchion! onde já se viu, rinocerontes verdes, humpf. :)

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 08:49



Comentário de: Pedro Fraga · http://growing-up.blogspot.com

Alex, você conhece o www.skeptoid.com? O podcast do Brian Dunning é excelente e recentemente ele publicou um bem centrado nessa questão de "quem é mais cabeça-fechada, o cético ou o crente?".

Os sobre "ciência cristã" são excelentes, quando ele foca no absurdo de uma religião querer dar provas científicas de suas crenças, ignorando que fé se define justamente como acreditar sem ter provas.




PermalinkPermalink 15.01.09 @ 09:24



Comentário de: Monthiel · http://www.monthiel.com

Olha Alex, simplesmente sensacional o seu texto. Muito bem elaborado e conta, de fato, o que acontece mundo afora.

Pessoas-que-acreditam-em-coisas tentando nos convencer o tempo todo que suas crenças são as únicas e as corretas.

Recentemente falei a uma amiga minha, cristã-fiel que não acredito em deus e em nada que a ciência não possa provar. Pronto, foi o limite para essa moça começar a me entopir de e-mails de correntes adorando a deus, a jesus, a quem quer que seja.

Alex, recomendo a você a leitura do livro "O mundo assombrado pelos demônios" de Carl Sagan. No qual o mesmo retrata exatamente disso, de pessoas céticas e crédulas. De como muitos acreditam em coisas totalmente absurdas que precisariam apenas de alguns minutos de análise para provar sua falsidade.

Forte abraço e sucesso,
Convido a seus leitores a conhecer meu blog, agora com novo design.

Att,
Monthiel

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 10:31




às vezes eu não acredito nem em mim, pq haveria de acreditar em qq outra coisa?

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 10:40



Comentário de: Pandorf · http://blogdogigante.blogspot.com

Eu tive uma professora, creio que na 5a série, que fez questão de me ridicularizar frente a uma sala inteira de alunos quando disse que acreditava no Big Bang. Fez mesmo piada, disse que tinha que acreditar num deus criador e que o tal Big Bang era lenda e eu tinha então que provar a ela que aquilo tinha mesmo ocorrido.
Foi aí a minha primeira experiência com esse tipo de pessoa, que julga a própria verdade mais importante e maior que a sua e, se não encontra receptividade, passa ao ataque.

Tendo tempo, escrevo sobre isso...

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 12:21



Comentário de: Amanda

Alex, muito bom o texto.

Mas sabe, eu sou uma pessoa que acredita em algumas coisas. Mas essas coisas em que eu acredito não desandam em conversas como essas.

Então, quem sabe ainda existam coisas pra você conhecer e talvez vir a acreditar. :)

Abraços!

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 12:40



Comentário de: Goering

O que é dificil de acreditar é o inacreditavel da extinção de todos os políticos do vereador ao presidente que enlameiam a nação desde 1889.Até quando acreditar no impossível?No sumiço definitivo e improvavel do inacreditavel.Até quando acreditar?

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 13:01



Comentário de: Tuma · http://amortescimento.blogspot.com

Olha, eu sou uma pessoa-que-acredita-em-coisas, mas também fico incomodado em quem tenta impor com indignação sua crença aos outros: Cristãos, Hindus, Budistas, Ateus inclusos...

Tenho amigos ateus, amigos agnósticos, amigos-tudo, e não tenho nenhum problema com isso. Sou católico mas visito vários blog de céticos, o seu principalmente Alex (e o Carl Sagan é um dos meus escritores preferidos).

A única coisa que me irrita levemente tanto nos crentes que escrevem quanto nos ateus que escrevem. Você vai encontrar gente chata e legal, humanista e totalitária tanto entre os crentes quanto entre os incréus, isso é natural, por isso sua postura de abertura às coisas é interessante. Antes mais ateus e mais crentes fossem assim.

Abraço

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 13:03



Comentário de: Fernando

Nunca consegui levar uma conversas dessas tão longe... Tive um amigo durante o curso de medicina que queria me provar que se a bíblia disse que Adão e Eva existiram é porque consiste na verdade absoluta.
Disse que a teoria da evolução era balela. Darwin se retorceu no túmulo... Mal sabe ele que Darwin foi a pessoa que mais se sentiu incomodada por ver sua crença ruindo ante sua descoberta. Tem um livro sensacional, que é o diário dele, durante sua viagem. Tem várias idéias soltas. Mas o mais interessante é que em vários momentos ele tenta arrumar uma explicação de acordo com a sua fé para a sua descoberta. Por fim ele chega a concluir que deus agiria por meio da seleção natural, ou que deus seria a seleção natural... recomendo.
Enfim, como alguém durante o curso de medicina, estuda embriologia que nada mais é do que "uma animação em flash" da evolução ocorrendo na barriga de uma mulher?
Ele me disse também que estava provado que as 4 leis da física estavam erradas. Curioso eu perguntei quais eram as 4 leis da física. Até hoje espero a resposta...
abraços


PermalinkPermalink 15.01.09 @ 13:31



Comentário de: Faéu

voce vendeu um livro e um ebook pra outro faminto.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 13:39



Comentário de: Marcos Roberto Viana · http://mrvsemcensura.blogspot.com

Parabéns pelo excelente texto. Retrata uma verdade que acontece várias vezes ao dia em todos os lugares. É muito complicado lidar com essas pessoas-que-acreditam-em-coisas. Muitas vezes amizades são abaladas só por um não acatar as crenças do outro. É um assunto que dá muito "pano pra manga". Show de bola mesmo esse seu texto.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 13:49



Comentário de: Luciana Schmoeler

ADOREEEEI!!!

Não tive tempo de ler o texto todo ainda, mas se eu tentasse definir justamente o que eu penso não conseguiria colocar dessa forma, tá perfeito!!! :P.

Show!

(Reparem que eu não disse "motivo lógico". Para as pessoas-que-acreditam-em-coisas, a palavra "lógica" tem o mesmo efeito do que alho para vampiros. Confesso que também não gosto muito de lógica. As pessoas que invocam muito a lógica em geral estão querendo te engrupir. Hoje em dia, a lógica é muito mais usada para enganar e confundir do que para explicar, mas pelo menos não tenho medo da palavra.) [2]

Total, muita lógica e falta de provas! :P

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 13:57



Comentário de: Faéu

Alex, para comprar dois não tem como por na mesma compra?

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 14:00



Comentário de: Gigi

:o))) Já tentaram me converter a quase tudo também. Ser ateu é estar sozinho, os crentes ao menos se reunem para falar do que lhes interessa. Ateus não há muitos, por toda parte. Mesmo no mundo europeu laico estão em falta. Sempre me admirou o espanto que as pessoas têm quando digo que não acredito em nenhuma forma de força divina. Simplesmente nõ tenho fé, nasci sem. E a conversa sempre descamba para o final dos dias, quando chegará o julgamento, e todos se admiram a capacidade de viver sem pensar no after life. A vida para os que têm fé parece perder um pouco do sentido, se é para ser vivida e então acabar-se, assim, puf, sem razão, sem porquê. Na verdade, acho até de certa arrogância pensar que somos todos parte de um esquema maior. Conformar-se com a própria finitude sem propósito é um ponto que nem insisto em discutir. Sobretudo porque raramente chega a chance de discutir esse ponto, tamanha a indignação com um ser humano como eu, sem fé. Tem dias que me sinto até mesmo uma aberração da natureza. Mas aí passa. :o))

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 14:28



Comentário de: Daniela · http://historiasdemenina.wordpress.com

ah, nem passei da segunda linha. nao tenho paciencia com gente que "nao acredita"

Todo mundo acredita em algo, Alexandre.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 14:38



Comentário de: Alex Castro Email

Dani,

quer dizer entao q todos os ateus e agnosticos sao mentirosos?

Afonso,

A Biblia é meu livro preferido. Já li de capa a capa três vezes.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 15:06



Comentário de: Yane

Eu ri, pq é exatamente assim que acontecem as coisas comigo.

E digo que sou uma pessoa que acredita em coisas pela sua definição.

E mesmo sendo uma pessoa que acredita em coisas eu gosto de saber no que as outras pessoas acreditam assim como você faz. Afinal de contas, aprender nunca é demais não é?

Mas é tão chato quando as pessoas que acreditam em coisas não respeitam sua opinião =~~

Adorei o texto.


PermalinkPermalink 15.01.09 @ 15:52



Comentário de: Mariana · http://vutcha.blogspot.com

Isso me lembrou o livro do Carl Sagan " O mundo assombrado pelos demônios". A metáfora que ele usou foi " tem um dragão na minha garagem". Pede-se para o "crente" (que cre no dragão) mostrar a garagem, e o dragão. Mas ele não está lá, ele é invisível. Ok, podemos espalhar farinha para ver as pegadas, assim acreditarei. Ah, mas é um dragão que flutua!
E assim por diante, não podendo provar a existência do dragão. (apesar de afirmar estar lá;).
A mesma coisa acontece. Ah mas vc precisa TER FÉ para ver o dragão.
Isso parece não ter fim.
MAs o que mais me irrita no povo-que-cre-em-coisas é a famosa frase : - Não se preocupe, você é jovem, algo na sua vida vai acontecer, e você VAI ACREDITAR um dia. (risinho irônico)
Como sempre, os problemas dos outros são sempre mais graves.
Eu não discuto mais.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 16:56



Comentário de: desestressa mano · http://diariodetento.blogspot.com/

Tratar de um tema sem ter conhecimento, só riscando a superficie do assunto é deprimente.

Tanta sanha, tanta palavra assoprada ao vento dita desformemente, do exordio a peroração.

O que é escrito aqui é para inflar o ego, que é sentimento abstrato, a principal forma da religião, o invisivel.

Já conseguiu fotogravar sentimento?

Eu só consigo sentir.

Dizia FEURBACH:

"È impossivel tirar o pensamento da cabeça de uma pessoa, por mais errado que seja"

Desdenhar, achincalhoar é facil, um blog de comedia pastelão faz isso.

Uma coisa tem que ser feita com conhecimento do assunto, não assoprar palavras debalde.

abraços

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 17:27



Comentário de: Alessandro Martins · http://livroseafins.com

Christianity: The belief that some cosmic Jewish Zombie can make you live forever if you symbolically eat his flesh and telepathically tell him that you accept him as your master, so he can remove an evil force from your soul that is present in humanity because a rib-woman was convinced by a talking snake to eat from a magical tree. Makes perfect sense.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 17:42



Comentário de: Roberto Vendramini

O autor assume uma postura liberal e disfarça seu cartesianismo de botequim com citações e exemplos reducionistas. Que conversa é essa de elefantes roxos? E o que dizer desse exemplo rasteiro:
"Então, diante de uma pessoa que recebe um preto véio, qual é a explicação mais simples e mais provável?

a) que existe um outro mundo invisível, povoado por bilhões de espíritos desencarnados, que eles entram em contato com o nosso mundo, andam entre nós sem ser vistos exceto por alguns poucos, etc etc etc

b) esquizofrenia

Por que não abordar temas como a transcomunicação instrumental? Informe-se. Talvez fosse lhe fosse salutar ler Jung e outros que estudaram profundamente temas que o autor desconhece. Quanto à astrologia, que não depende de crença, mas sim de estudo e observação, recomendo que se informe sobre as pesquisas de Gauquelin,Rogers, Alexey Dosworth e do próprio Jung,todas com metodologia científica e com resultados que descartam a mera coincidência. Oautor assume uma pose de liberal benevolente, como quem ouve uma criança que não sabe o que diz e acredita em fadas e quimeras, sem no entanto compreender que, ao contrário do acredita,
a existência não é tão simples assim.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 18:49



Comentário de: Minuto · http://www.minuto.tk/

Eu já conhecia seu Blog por conta do Condomínio Interney, do Edney, mas sinceramente nunca tinha parado para ler um texto inteiro. Parabéns, você escreve muito bem. Seu estilo é ácido, questionador, muito interessante. As pessoas tendem a achar ofensivo, tudo vai da crença de cada um, já eu prefiro classificá-lo como "uma outra visão das coisas", que eu não preciso, necessariamente acatar como verdade. Mais uma vez parabéns! Abs, Minuto.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 19:14



Comentário de: Cybelle Kostetzer

Já conhecia esse texto. É um clássico.kkkkkkkk Adoro.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 19:39



Comentário de: Miguel Ruiz

Por vezes torna-se impossível diferenciar realidade de ficção. Passamos por isso MESMO!!!

Poucos são capazes de compreender que a fé é um dom. E como não o tenho, minha única, honesta e sincera saída é admitir que não creio. Simples assim, sem questionamentos ou ofensas a quem quer que seja.

Desconheço o autor da idéia, mas ela reflete meu posicionamento diante, digamos, dos elefantes roxos que flutuam: Se de fato existem, importa mais acreditarem em mim do que eu neles.

O que não dá para admitir é ter fé para poder pecar seis dias e pedir perdão por eles no sétimo!!!

Ótimo seria se todos pudéssemos pura e simplesmente (co)existir.

Saudações e obrigado pela descontração proporcionada!!!

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 20:47



Comentário de: Pedro Fraga · http://growing-up.blogspot.com

Pergunta pro Afonso: porque Deus quer tanto que o coloquemos em nossos corações?

Digo, se uma pessoa que tem um código de ética e moral totalmente idêntico ao do mais perfeito cristão, o que tem de errado (ou diferente) nele simplesmente fazer isso por achar certo e não porque tem medo do inferno?


PermalinkPermalink 15.01.09 @ 23:18



Comentário de: paula lima

hey alex, vc que leu a biblia mais vezes do que eu, me ajuda por favor:

"Deus é o criador de todas as coisas, do mundo e tudo o que nele há. Tudo, inclusive as pessoas más. Mas não se esqueça que um anjo de Deus, Lúcifer (que significa Anjo de Luz), achou que tinha o mesmo poder que o próprio Deus. Foi expulso. E está aqui para destruir." (afonso)

Na biblia q eu li, nao tem nada citando esta parte, eu pensei que fizesse parte da mitologia, mas as pessoas costumam citar isto muito... Vc sabe da onde vem esta historia?

Ah, eu nunca acreditei em nada, sempre respeitei, e até admirei pessoas que acreditam em coisas sem provas, acho bonitinho q elas tentem me convencer, se elas se importam comigo, se sao simplesmente chatos, passo reto ou incarno o mal hohoho

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 07:43



Comentário de: lucas

O problema é que tem gente que acredita que a sociedade brasileira é fundamentalmente dividida entre elefantes roxos e elefantes verdes, e que quem nega esse fato o está, na verdade, confirmando. Tem gente que acredita que os elefantes verdes devem ser tratados de forma diferenciada, tendo benefícios do Estado apenas por serem verdes. E que todo elefante roxo é necessariamente um porco racista que se aproveita, mesmo sem querer, da "estrurua opressora" da sociedade.

é alex, é duro lidar com gente-que-acredita-em-coisas.

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 11:15



Comentário de: Alex Castro Email

sobre lucifer... sim e nao... existe um trechinho q menciona um anjo caido chamado de estrela da manha (lucifer, em latim) mas foi uma tradicao muito, muito posterior que associou essa figura (q eh só citada e nada mais) ao diabo, satã, etc.

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 11:42



Comentário de: Alana

Alex,

geralmente eu sempre discordo do que você
escreve, quando leio o blog de vez em quando.

Apesar de ser uma pessoa-que-acredita-em-coisas,
pauto as minhas atitudes em valores que acredito
independentemente de me considerar cristã.

Para mim, ter atitudes éticas, senso de justiça etc, é questão de viver de acordo com os valores que acredito e não porque vou para o inferno, é pecado ou respostas similares.

E concordo que o meu ritual não deve fazer o menor sentido entre outras culturas. Eu até converso sobre religião, mas não tenho a menor paciência para "converter" alguém. Acredito sinceramente que não vai ser deixando de usar a camisa branca ou qualquer outra coisa imposta que "iremos para o céu". Para mim a questão é mais prática: se jogou o lixo na encosta, ele não vai poluir a rua na enchente? Não é pecado jogar lixo na rua, mas é questão de bom senso não fazê-lo.

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 12:25



Comentário de: Morgana

Querido,
as pessoas só precisam sentir que você e igual a elas, elas ficam bravas pq ao não concordar você quebra os laços e ela vai ter um trabalho danado em continuar a gostar de você, sendo você uma pessoas tão DIFERENTE, como ela vai explicar aos outros que amigos que acreditam, como ela vai explicar a si mesma.
Eu passo por isso profissionalmente e te digo as pessoas nãoq uerem ninguem diferente delas, em 01 ano fui mandada embora 20 vezes por ser "a melhor profissional" mais "infelizmente meus colegas dizem que sou dificil de lidar e desagregadora" por isso a empresa prefere alguém sem as minha qualificações mais que seja mais "enturmado"...
E isso, você precisa ser igual a todos e só isso

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 12:53



Comentário de: Victor Barone · http://escrevinhamentos.blogspot.com/

Sensacional.

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 13:40



Comentário de: Sandra · http://www.lordcao.blogspot.com

Cara, você é muito bonzinho e muito diplomático. Como você aguenta que as pessoas-que-acreditam-em-coisas queiram te doutrinar sobre as coisas que elas acreditam??? Eu não tenho essa paciência não, corto pela raiz!!! Parabéns pelo texto, divertidíssimo.

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 18:35



Comentário de: Daniela · http://historiasdemenina.wordpress.com

O ateísmo é uma religiao*. E religiao pressupoe crença. E agnóstico nao exatamente desacredita da existência de algum poder superior.

* me arriscaria a dizer que das religioes mais intolerantes que existem. Como a ciência...mas isso é outro papo...

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 22:27



Comentário de: Alex Castro Email

ora, dani, claro q o ateismo é um religiao. e os ateus sao mais malas que os evangelicos...

vc precisa ler a minha Prisao Religiao... :)

http://www.sobresites.com/alexcastro/prisoes/religiao.htm

mas isso nao quer dizer que acreditem em alguma coisa... ou que todos acreditem em alguma coisa... em que acreditam os agnosticos?

acho que vc está julgando todo mundo por vc... "se eu acredito em algo, entao é claro que todo mundo acredita em algo... como pode existir alguem q nao acredita em nada se eu acredito em alguma coisa?" etc

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 22:40



Comentário de: Rodrigo Castro

Muito bom. Eu também sou meio agnóstico, mas na maioria das vezes digo que sou ateu mesmo, é mais fácil de explicar, e pra maioria das pessoas é a mesma coisa.

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 23:02



Comentário de: Rafael

Excelente texto. Muito bem redigido e fundamentado, aliás, não há melhor fundamentação quando se usa de argumentos baseados em fatos e provas, pelo simples fato de todos poderem ver, ouvir e constatar, com os próprios olhos e ouvidos, sem que ninguém diga o que ouviu de fulano ou ciclano, além do mais, usar argumentos baseados em autoridade, como Feurbach, por exemplo, pode não ser uma boa idéia ou até mesmo relevante em assuntos como esse, por se tratar de algo completamente subjetivo, logo a postura e opinião alheia, mesmo que considerada intelectual, não é tida como "verdade suprema", como algumas coisas tentam impor. Antes de falarmos em sentimentos, devemos cuidadosamente analisar tudo aquilo que sentimos, "sentir" todos sentem, "sentir" e conseguir provar que esses sentimentos têm fundamentação racional é outro assunto. Esse texto não mostra nada mais e nada menos que todos nós somos ateus, há milhares de culturas no mundo, creio que a maioria das pessoas crentes que leram esse texto, acredita no "Deus abraâmico" e não em Alá, ou Buda ou nos outros milhares e milhares de deuses que o ser humano inventa a toda hora, por vários motivos, melhor dizendo, por várias necessidades. Este texto não brincou com nada, pelo contrário, é de uma sensatez tremenda, mostra que o meio-termo é sempre a forma mais racional e adequada para se pensar sobre as coisas dessa vida, Aristóteles dizia que os extremos estão equivocados, ambos os extremos são expressões de um modo errado de viver a vida, e isso, agora mais do que nunca, é constatado a cada dia que se passa, infelizmente muitas pessoas que recorrem ao extremo acabam tomando atitudes extremas também, Saramago fala muito bem disso, espero que essa realidade mude algum dia.
Abraços

PermalinkPermalink 17.01.09 @ 00:18



Comentário de: sleo · http://verbeatblogs.org/sergioleo

Porra, estava até concordando, mas... você lê Harry Potter???? Não dá para conversar com gente desse tipo. Pé de pato mangalô três vezes.

PermalinkPermalink 17.01.09 @ 01:20



Comentário de: Alex Castro Email

sergio, harry potter é muito bom...

PermalinkPermalink 17.01.09 @ 01:55



Comentário de: Daniela · http://historiasdemenina.wordpress.com

os agnósticos acreditam que o mistério sobre se realmente há "mais coisas entre o céu a terra" é algo meio impenetrável, um território que a razao nao pode penetrar (ou penetrar completamente). E eu conheço agnósticos teístas. Que apesar de achar que a razao nao pode entender a (in)existencia de um deus, acham que Deus existe.

Isso pra mim se parece muito a algum tipo de crença :)

Por isso eu digo que TODOS acreditam em algo..rs

PermalinkPermalink 17.01.09 @ 13:19




Excelente assunto e ótimo texto!!! Demorou muito tempo, mas, nesta noite, a mudança chegou aos Estados Unidos! Quer saber mais sobre o Obama?
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PermalinkPermalink 18.01.09 @ 07:01



Comentário de: Pedro Fraga · http://growing-up.blogspot.com

Bem, o grande problema do seu argumento é que, para eu aceitar em alguma coisa em meu coração, é necessário que eu acredite. Posso muito bem aceitar que você tenha uma crença e que, para você, ele exista. E pode ter certeza que eu não paro qualquer crente na rua pra "pregar o ateísmo". Aliás, não tento convencer ninguém de nada, especialmente gente grandinha que tem a obrigação de saber o que é melhor para si mesmo.

O que me leva ao segundo comentário: acho que deveriam rever o conceito de "pregar a palavra de Deus para quem quer ouvir".


PermalinkPermalink 18.01.09 @ 23:09



Comentário de: Adriana · http://www.driaguida.blogspot.com.

O melhor tratado de religião que já li. Esse texto é de uma profundidade, embora disfarçada em humor. Adorei.

PermalinkPermalink 19.01.09 @ 11:35



Comentário de: Everton Maciel · http://www.oblogdocapeta.blogspot.com

Essa idéia é mais batida nos cursos superiores de Filosofia que maconha em dia de hapy hour. Mesmo assim, fez bem em tornar isso pop.

PermalinkPermalink 20.01.09 @ 10:54



Comentário de: Renato · http://discipulodarazao.com

Affonso,

Gostaria de comentar o trecho abaixo, comentado por você:

"se em que eu acredito for tudo mentira, pra mim não muda nada. Mas se os que acreditam nas demais coisas estiverem enganados..... Espero ter ajudado. Um abraço Pedro."

Está apelando para a Aposta de Pascal, mas vamos lá...

Se for tudo mentira muda tudo. Muda uma vida de dedicação a algo inexistente, uma vida cheia de proibições e pecados, limitando-o sem qualquer motivo. E o tempo desperdiçado em pregações, cultos, hinos e orações?

Os crentes em elefantes roxos que flutuam devem pensar da mesma forma. Você vai se arriscar em não crer nos elefantes? E nos rinocerontes verdes subterrâneos?

Você acredita em apenas uma divindade dentre as milhares catalogadas. Corre um grande risco.

PermalinkPermalink 21.01.09 @ 13:38



Comentário de: Pedro

Você sabe o que é esquisofrenia? Conhece um esquisofrênico?
Eu sou assim liberal libertário etc e vim a seu texto achando que ia ser muito bom, e de fato tem um sabor, mas travou ali, cara. Um cara que recebe preto véio, seja o que for que acontece com ele, não tem nada a ver com um esquisofrênico. Que mal gosto de comparação.

PermalinkPermalink 21.01.09 @ 17:03




Por causa do meu texto "Deus não existe", link acima, recebo aprovações de pessoas que acreditam que não acreditam e as pessoas que acreditam em coisas. Tanto faz aos dois grupos. Não acredito nem em que eu escrevo.
Já fui um desses chatos. Queria de tudo ser aceito. E sarar minhas feridas. Desisti. Mandei as feridas para PQP. Desisti inclusive de acreditar em coisas como a sabedoria e conhecimento. Você, xará Alex, não coloca as idéias e crenças no mesmo balde dos que "acreditam em coisas"? Acho que sim, já li coisas suas por essa linha. Ou talvez não, já que é muito divertido distorcer as crenças e as palavras, tão maleáveis como bolsas de silicone. Mas parabéns pelo seu Blog. Você me inspirou a ser eu, verdadeiro e rebelde, depois de décadas de bom mocismo.

PermalinkPermalink 21.01.09 @ 20:19




Iúupiiii! Adoro discussão com religiosos (que se dizem) (e outros xiitas - de qualquer linha, na qual eu incluo green peace, intelectualóides, espíritualistas e outros)... Principalmente quando você pergunta: então, você se acha o eleito e melhor que os outros, o seu Deus (ou sua sabedoria intelectual) o único e sua religião (ou conhecimento) melhor do que a dos outros... e eles ficam ou bravos ou vem dando provas irrefutáveis escritas na.... bíblia, em Freud, em outros babacas!!! Pode?

Tudo são crenças, e crenças não tem fundamento. Será que é tão difícil entender que neste mundo, ninguém tem razão? Até razão é uma crença. Bem, eu sei. É mais dificil aceitar do que entender.

Enquanto isso, o pássaro come abacate ao meu lado, na janela.

PermalinkPermalink 24.01.09 @ 10:21



Comentário de: Marlene

Projetam que é arrogância, presunção, nós ateus, céticos, nos acharmos mais inteligentes e donos-da-verdade do que as pessoas-que-acreditam-em-coisas. Se este são os adjetivos corretos para catalogar pessoas que confirmam a realidade para então criar a explicação em cima desta confirmação, em oposição a primeiro inventar explicações e depois tentar sem sucesso prova-las, talvez estejam corretas.

PermalinkPermalink 19.12.09 @ 20:44



Comentário de: Chico Abelha · http://www.yubliss.com/

Alex,
você escreve de uma maneira muito leve e gostosa, tanto que não tive dificuldade de ler seu texto até o fim. Mas, me diga uma coisa, por que vc se deu ao trabalho de escutar essa lenga-lenga trocentas vezes? Algum prazer vc tem de ver o indivíduo se enfezando com sua postura, não tem? Por que não deixar eles falando entre seus iguais, os que acreditam-em-coisas?
Já fiz isso uma vez, de dar corda para uma dessas pessoas. Primeira e última! rs!
Abraço,
Chico.

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 18:52



Comentário de: Maria Nazareth De Lucca · http://Nazareth

Alex,,além do seu texto que achei demais e bem divertido, li tdos. os comentários aí sim é que foi mais divertido ainda...Que tal sermos simples assim!!!Nascemos,usufruimos a vida e morremos e cada qual com a crença que quiser,apenas tdos. voltados pelo respeito à natureza desse nosso PLANETA que tenho certeza TODOS NÓS HUMANOS,sem excessão concordamos com sua beleza e majestade do universo...sem essa de quem sou eu? prá onde vou e blá blá blá...O mundo tá aí,simplismente vivam da melhor forma possível e só!!!!

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 21:00



Comentário de: Bosco Ferreira

Maravilhoso. Vou comprar o livro. quero lêr todos os outros textos já!

PermalinkPermalink 23.03.10 @ 21:53



Comentário de: Bosco Ferreira

Amei o texto. Maravilhoso! Você é um grande escritor. Daria um baita espetáculo de teatro. De vêz em quando eu leio novamente. Parabéns. Terminei de lêr agora.

PermalinkPermalink 06.04.10 @ 22:41



Comentário de: Fernanda

Cara, Cheguei aqui lendo o seu texto sobre os jogadores de futebol que ficaram fazendo muvuca no onibus. Na boa, no caso deles? Tudo é adorador de coelho da páscoa.

Sou atéia. A palavra é feia, mas acho o significado legal. Acredito no acaso, no incidente, no defeito. E ainda posso andar sem calças (pronta para qualquer orgia)!

Bom, falando sério. Tenho problemas quando vou doar coisas aqui em casa. Sou a favor de manter o fluxo da natureza de renovaçao e - com duas filhas - sempre tem brinquedos, roupas, móveis e outras traquitanas para dar.

O problema é que - não conheço nenhuma orgaização isenta/laica - para carregar essas coisas. Acabo doando meio pra evangélicos, meio pra cristãos, meio pra ...ahnnndeixa eu lembrar...espiritas!

Tento compensar doando $$$ para o SEA Shepperd e para a Wikipedia no final do ano, mas não sei se compensa.

Não sei, tento pensar que não vou ver um mundo livre desse ópio, então é melhor que, pelo menos, minhas coisas cheguem nas mãos de quem precisa. Não importa por quais meios. Porque, afinal, brasileiro não é um povo sério.

Continua escrevendo, nem sempre gosto de tudo que leio, mas não venho aqui pra isso.

PermalinkPermalink 14.04.10 @ 01:55



Comentário de: Ana Maria Lima

Muito bom! Li tudo.
Coitado de quem não tem capacidade para ler tudo! Coisas boas e bem escritas incomodam mesmo as pessoas.
Parabéns mais uma vez pelo texto.

PermalinkPermalink 02.06.10 @ 10:56



Comentário de: Anna May

ALEX, AMIGO... Se o que está aqui é baseado em fatos reais,PODE ESCREVER: você é pára raio de maluco!!!

Deve ser respostas aos amigos spíritas. De qq modo, nos vemos do outro lado, rindo muito disso tudo daqui a uns 200 anos. Farei questão de te conhecer, espero acumular méritos para tanto.

No mais, um texto magnífico, como sempre. Meus parabéns!!!

PermalinkPermalink 28.07.10 @ 15:46



Comentário de: emissarioceu

interessante,óbvio até...e vc está de parabéns pela forma que escreveu,repito uma frase do filósofo Raul Seixas,se me permite;A VERDADE NÃO TEM DONO...abraços

PermalinkPermalink 01.08.10 @ 01:53



Comentário de: Eduardo · http://www.eudisperso.blogspot.com

Cara,

que louca a vida!

quem quer me converter só acreditaria que os elefantes roxos flutuam se eles não comessem alho ou cebola e tomasse um copo de água com limão pela manhã todos dias.

Nada como a diversidade.

PermalinkPermalink 04.09.10 @ 22:57



Comentário de: Ugo Faisão · http://www.tudopossonaquelequemefortalece.com/

Excelente texto, realmente deixa a gente com o que pensar. Mas acredito que existam tipos e tipos de pessoas-que-acreditam-em-coisas.

Paz.

PermalinkPermalink 20.10.10 @ 09:02



Comentário de: garage doors insulation · http://www.guysgarage.com

Kudos for the great piece of writing. I am glad I have taken the time to read this.

PermalinkPermalink 01.12.10 @ 04:02



Comentário de: preda · http://www.gigle.com

Amazing stuff.

PermalinkPermalink 04.12.10 @ 10:13



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