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A Invisibilidade do Racismo

Recentemente, falei dos brancos que acham que não tem raça e dos que gritam racismo reverso sempre que os negros tentam levantar o queixo. Agora, alguns exemplos. Na verdade, são tantos que é até fastidioso listar. O Marcus chamou minha atenção para esse tópico do Orkut, onde um aluno questiona porque o comercial de sua escola não mostra nenhum aluno negro:

Por que não aparecem alunos negros nos comerciais do energia??? os comerciais não tem que ser direcionados a todas classes e raças???

De 18 pessoas que responderam, só 3 manifestaram apoio ao autor do questionamento inicial, sendo que um deles ainda aponta:

Levando em consideração que um dos professores do colégio é o Wander, que cita em sua página livro que duvida do Holocausto judeu, o seu tópico faz todo o sentido!

O racismo brasileiro é pior que o americano justamente por ser hegemônico e, portanto, invisível. Nos EUA, o discurso da racismo era escancarado e o seu contra-discurso também. No Brasil, o racismo é tão hegemônico e naturalizado que ele nem precisa de um discurso racista para se manter. Na verdade, ele se mantém melhor por não ter esse discurso. A falta do discurso racista torna as práticas racistas invisíveis (mas não menos opressivas) e tiram a legitimidade de qualquer contra-discurso: "Do que você está reclamando, meu filho? Pare de criar caso... O Brasil não é racista, nunca tivemos leis segregacionais, VOCÊ é que está sendo racista de falar nisso..."

Abaixo, exemplos tirados do tópico do Orkut:

Só mostrar brancos não quer dizer que a escola só é pra eles... assim o preconceituoso está sendo vc. Ngm nem repara mais nessas coisas, só quem tem preconceito e fica querendo "igualdade" até nisso, sendo que se pensar bem, a igualdade vai pela lógica de que o comercial representou a maioria que é branca.

Que absurdo ficar reparando na etnia das pessoas em um comercial. É esse tipo de atitude que leva o preconceito racial adiante! [nota do Alex: pela foto, essa pessoa é negra ou, pelo menos, seria considerada negra em Santa Catarina, onde fica a escola. Sua última frase foi "apoiada" pela maioria dos participantes.]

Concordo com vc Ricardo,nem reparei nisso!Pra que ficar reparando"Lá não tem negro,xii o neguinho tah sendo reprovado..."PLESE

criem cotas para negros em comerciais! Ja tem até em universidade...

Como falaram, mostraram alguns alunos (na real a maioria das pessoas nem reparou nisso só vc)

Gente é só um comercial, e os negros agora antes de ir estudar em uma escola, vão ter ver as propagandas que foram feitas pra escolher o colégio em que vão estudar se tiver uma propaganda com negros tudo bem, se não tiver não vai estudar lá, me poupe, e outra coisa o racismo estão vindo de vcs que ficam achando defeito nos comerciais, não tem mais o que fazer do que fica achando defeito. Não importa a cor da pessoa que ta fazendo a propaganda pois tudos que querem podem estudar no energia, mas são pessoas como vcs que levam o preconceito a diante se vcs pensassem um pouco antes de falar uma coisa dessas.pensem bem antes de falar só um conselho!!!! ME POUPE

Nem reparei nisso..até por que o simples fato de criar um topico só para alertar sobre isso é um tipo de rascismo e preconceito.Podemos dizer que se o Energia colocasse somente UM negro tambem iriam complicar e dizer que estava sendo um fato de simples "obrigaçao".Pessoas como o criador do tópico não tem o que fazer mesmo.Acho que o preconceito esta dentro de você qeriiiido.Tome cuiiidado com isso

Eu sou negão e não me incomodo de nenhum aparecer

Eu também não vi índios e orientais nos comerciais.

Nem mongóis! Já no orkut..

 Utopia Brasileira e os Movimentos Negros Abolicionismo

Para quem faz parte da maioria dominante, a desigualdade é natural. Para eles, um anúncio de escola só com alunos brancos é a coisa mais normal do mundo, algo que eles nem reparam. Anormal, anti-natural, incômodo é quando alguém aponta que essa situação não é nem normal, nem natural e que é muito incômoda para quem foi suprimido. Aí, a reação é imediata:

"nós nem estávamos pensando em termos de raça, estávamos muito felizes no nosso mundo sem raça, onde todos são indivíduos iguais, e você é que veio falar de raça pela primeira vez, você é que levantou o assunto, você é que é o racista!"

De acordo com suas declarações, os jovens acima vivem em uma sociedade justa e meritocrática. Não pensam em raça porque isso não é necessário. No anúncio da escola, não aparecem nem brancos nem negros, só pessoas, só alunos. Sua raça é irrelevante. Quem faz o racismo existir (ou seja, antes ele não existia) são as pessoas que apontam e verbalizam a desigualdade racial - não as pessoas que a criaram ou que se beneficiam dela. O racismo não é a ação de fazer um anúncio sem negros ou a percepção disso como normal, mas sim a articulação desse fato como um problema. Se os racistas somente parassem de falar de raça, poderíamos todos viver no paraíso racial meritocrático de novo, como sempre foi.

Eu gostaria de fazer um teste com esses adolescentes: refilmar o mesmo anúncio da escola, mas só com alunos negros. Ou asiáticos. Será que eles também não iriam perceber? Ou será que dessa vez o "conteúdo racial" do anúncio lhes saltaria aos olhos?

* * *

Opinou o leitor Homero, sobre a polêmica das camisas "100% Negro" e "100% Branco":

Eu já tinha ouvido essa argumentação de que uma camisa 100% Negro é diferente de uma camisa 100% Branco. Talvez nunca de forma tão elegante e articulada como você escreveu, mas já conhecia o argumento. Infelizmente o argumento ainda não me convenceu.... No momento em que as estatísticas começam a classificar as pessoas por raça (essa abstração mal definida) a sociedade está abrindo as portas do racismo. No momento em que a cor da pele é o fator definidor do bem-estar, a mentalidade racista se instalou.

Alguém acha mesmo que as portas do racismo já não estão abertas? Que a mentalidade racista já não está instalada? Que o racismo não se instala no Brasil até que uns negros (agressivos ou se fazendo de vítima) começam a usar camisas "100% Negro" e falar em cotas universitárias? Que foi NESSE MOMENTO que a mentalidade racista se instalou? Sério mesmo?

A mentalidade racista está instalada (e muito confortável, obrigado) desde que se escravizou o primeiro índio. As portas do racismo nunca estiveram nem entreabertas: estão escancaradas há 500 anos.

* * *

Naturalmente, só não repara no racismo quem se beneficia dele. Quem sofre seu peso todos os dias sabe bem do que se trata. O racismo é como se fosse um Contrato Social (na verdade, um Contrato Racial) no qual os membros da raça dominante formam um acordo tácito de, ao mesmo tempo em que garantem para si a maior parte das riquezas/oportunidades/etc da sociedade, também consentem em não ver o próprio sistema, criando assim a "alucinação consensual" de um mundo sem raças, meritocrático e igualitário, que passa a mediar sua interpretação da realidade. Nem todos os brancos são signatários do Contrato Racial, mas todos são beneficiários. (Mills, 11)

Numa sociedade racialmente estruturada e profundamente desigual, as únicas pessoas que são psicologicamente capazes de negar a centralidade do racismo são justamente aquelas que pertencem à raça privilegiada: a raça, para eles, torna-se invisível porque o mundo é estruturado em função deles; eles são a norma em oposição a qual são medidas as pessoas de outras raças ("esses outros tem raça, não eu!"). Assim como o peixe não vê a água, os membros da raça dominante não vêem o racismo. (Mills, 76) Desse modo, como citei ontem, é possível que os membros do sindicato dos ferroviários, sinceramente e de boa fé, neguem acesso aos negros ao comitê de práticas raciais porque eles eram "representantes de uma raça", sem nunca se dar conta de que eles também tinham raça e que também representavam os interesses dela. Pra eles, quem tem raça é sempre o outro.

Em uma sociedade racista e desigual como o Brasil, afirmar não ver raça, não ligar pra raça, que raças não existem, que isso não tem importância, "que besteira você se importar com isso", etc, significa na prática tomar partido racialmente ao se aliar com a hegemonia invisível que *precisa* desse tipo de negação para sobreviver e prosperar.

Não existe neutralidade possível: negar raça já é uma afirmação política que te coloca em um dos lados bem definidos de uma briga antiga. Negar raça já é intrinsecamente racista.

 Casa-Grande e Senzala Sobrados e Mucambos, de Gilberto Freyre

* * * The Racial Contract, de Charles W. Mills

The Racial Contract, de Charles W. Mills, é com certeza o meu livro do ano de 2008. Existem alguns resumos na internet que dão uma boa idéia do conteúdo. Recomendo enfaticamente.

* * *Racismo LLL

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19.12.08


Categorias: Raça

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: tathiana

muito bom esse post. E é incrível a reação das pessoas, argumentando que o racista é quem faz a pergunta!
engraçado que já há algum tempo toda propaganda que eu vejo eu procuro prestar atenção nos atores - se há negros, orientais, índios... saber quais empresas ainda acreditam na hegemonia branca e quais percebem a diversidade...

PermalinkPermalink 19.12.08 @ 00:29



Comentário de: Alexandra · http://guerson.wordpress.com

Excelente o post!

Os comerciais são uma das coisas que eu reparei quando mudei pro Canadá. Uma amiga australiana comentou comigo outro dia que achava os comerciais aqui muito politicamente-correto. Por exemplo, comerciais para escolas, como esse discutido acima, sempre têm crianças de todas as raças. O "jornal nacional" daqui tem reporters brancos mas também asiáticos, negros, indianos...

O racismo existe mas não é uma coisa aceita ou normalizada. E com os anos, cada vez que vou ao Brasil me choco mais e como não se pode nem falar em racismo no Brasil quando ele é tão óbvio. Já tive sérias discussões com o meu irmão sobre isso.

PermalinkPermalink 19.12.08 @ 00:50



Comentário de: Blog Mallmal · http://www.mallmal.blogspot.com

Não sei, não. Acho que a obrigatoriedade nos comerciais, apesar de linda em teoria, se mostra completamente hipócrita na prática. O comercial continua sendo dominado por brancos (ou alguém já viu um comercial da Skol ou da Brahma repleto de belas negras?) com algumas aparições ocasionais aqui e ali pra "cumprir tabela".
Acho que as políticas de erradicação do racismo devem começar pela base e não por correções à la terra brasilis da situação estabelecida.
O meio escolhido, então, é péssimo! Propaganda? 99% das propagandas significativas (no mau sentido da palavra) são sexualizadas. A sexualização da "negra" e do "negro" já é clara e evidente. De que adianta expô-los ainda mais nesse contexto?
Outro ponto pra pensar: Comerciais são voltados única e exclusivamente para o seu mercado consumidor. Se esse é composto por uma grande maioria branca, qual é o drive do publicitário - e mesmo do dono da empresa que deve aprovar o projeto - para incluir etnias que não são seu mercado consumidor? Correção das desigualdades sociais é lindo e maravilhoso, mas será que quando isso mexe no seu bolso continua assim?
Só gerando mais perguntas, mas onde será que podemos estabelecer o limite entre hipocrisia, utopia e a vida real?

PermalinkPermalink 19.12.08 @ 00:54



Comentário de: Karina

Alex, acho que esse é o seu melhor texto na série sobre racismo até agora.

O interessante é que você defende que somente aqueles que são da raça dominante (branca) são capazes de declarar confortavelmente que não ligam para raça, não há racismo, etc, certo? Mas como você mesmo relatou em nota, no caso do fórum do orkut, uma das pessoas que se incomodou com os questionamentos do aluno seria uma negra.

Às vezes acho que as pessoas que não são de raça dominante e que bradam por aí que não há racismo e que nunca discriminação racial não existe estão é desesperadas para que ninguém repare na sua raça.

Isso ocorre comigo quando viajo para a Europa, por ex. Aqui no Brasil eu somente posso ser considerada como branca, mas nos países nórdicos, incomoda-me quando me identificam de cara como uma latina e eu sequer sei explicar o motivo do incômodo. De outro lado, nos países da América do Sul – Peru por exemplo - lembro que eu gostava intimamente de ser identificada como uma estrangeira. Nossa, eu devo ser uma pessoa horrível e recalcada!

Agora lembro de vários amigos que já falaram com muito orgulho que, quando vão ao Rio de Janeiro ou à Bahia, são abordados pelos locais em inglês.

PermalinkPermalink 19.12.08 @ 09:11



Comentário de: Cyntiab

Botando lenha na fogueira da discussão:

http://www.nacaomestica.org/

Movimento Mestiço Brasileiro

Eu nem sabia que existia.

Eles divergem principalmente da idéia de que todo "pardo" ou mestiço brasileiro seja afrodescente e consideram essa posição como racismo do Movimento Negro.

Acham que as políticas públicas brasileiras para a igualdade racial não refletem a situação da Amazônia, p.ex.

E são uma das vozes contra as cotas raciais (são a favor das cotas sociais).

Não concordo com tudo que eles dizem, mas acho que eles têm alguns argumentos que valem ser discutidos aqui.

PermalinkPermalink 19.12.08 @ 09:48



Comentário de: regina

O problema de nao incluir negros (ou outras etnias, mas acho que o caso dos negros e mais grave)em comerciais reinforca a "invisibilidade" de todo um grupo etnico.

Negros nao tomam Coca-Cola? Nao escovam os dentes? Nao tem conta em nenhum banco? Nao tomam cafe? Nao vao ao supermercado? Nao tomam banho? Nao fumam, nao bebem, nao consomem NADA?


PermalinkPermalink 19.12.08 @ 10:47



Comentário de: Andre · http://acimadedeus.blogspot.com

Não entendi. Declarar que não existem raças é racismo??? Bom, cientificamente, negros e brancos não são de raças diferentes (nem orientais, nem índios). A ciência é racista por declarar, com fundamentos, que não existem raças?

PermalinkPermalink 19.12.08 @ 10:48



Comentário de: Breno Kümmel

Raça não é uma divisão científica, é uma divisão social. Nào vivemos de acordo com fatos científicos, vivemos de acordo com costumes sociais.

A ciência pode afirmar que não existem raças, mas é um engano afirmar a partir daí que na sociedade não existem tais divisões, e que políticas para tentar diminuir essas divisões são inválidas porque a ciência diz que não existem raças.

É como a ciência falar que não há diferença entre a inteligência da mulher e a do homem e a partir daí afirmarmos que não há disparidades sociais (salários, cargos importantes, etc) entre os sexos.

PermalinkPermalink 19.12.08 @ 11:15



Comentário de: Guilherme Gaspar

Sobre o professor Wander, ele já teve material nazista recolhido da sua casa. No portal da justiça federal ainda está o texto sobre a decisão de não devolve-lo a coleção.
https://www.trf4.jus.br/trf4/noticias/noticia_detalhes.php?id=2525

Estudei no Colégio Energia de Balneário Camboriú por um semestre, e são muito poucos os negros. Na verdade nem me lembro de algum negro. Não que isso justifique o comercial, mesmo porque o colégio tem várias sedes por Santa Catarina.

Sobre as camisas 100% negro, não acho que elas sejam racistas negativamente, porque não denigrem alguma outra raça. Aliás, tecnicamente, ela não fala em raças. Embora eu não condene usar uma dessas camisas, não acho que seja a melhor maneira de lutar contra o racismo.

PermalinkPermalink 19.12.08 @ 14:57



Comentário de: Juliana Sampaio

Concordo com a Karina. Melhor post da série até agora. Me fez chorar.

PermalinkPermalink 19.12.08 @ 16:09



Comentário de: Neo Ribeiro

Alex,

No sítio Histórias em Projeto há materiais bem interessantes sobre Racismo, sobretudo sobre as aberrações que a sua invisibilidade traz.

Vale conferir


PermalinkPermalink 19.12.08 @ 16:29



Comentário de: Neo Ribeiro

opsss (hoje tá difícil)

o endereço é:
http://historiaemprojetos.blogspot.com/


PermalinkPermalink 19.12.08 @ 16:31



Comentário de: Ricardo Antunes da Costa

A revista Época da semana passada listou as 100 pessoas mais influentes do Brasil em 2008. Sabe quantos negros haviam na lista? ZERO.

Democracia Racial? Faz me rir.


PermalinkPermalink 19.12.08 @ 17:55



Comentário de: Alex Castro Email

Acho que a obrigatoriedade nos comerciais, apesar de linda em teoria, se mostra completamente hipócrita na prática.

hmmm, quem falou em obrigatoriedade aqui??

PermalinkPermalink 19.12.08 @ 19:07



Comentário de: Alex Castro Email

andre,

ninguem esta dizendo q existem racas como conceito cientifico ou biologico... soh os skinheads mais alucinados acham isso... racas existem sim como conceito historico, politico, economico e social...

PermalinkPermalink 19.12.08 @ 19:37



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Alex,

Infelizmente vc esta caindo direitinho nesse mindset esquerdista tao comum nas universidades americanas aonde igualdade overrides liberdade em todos os meios possiveis.

Eu nem sei por onde comecar. Primeiro que racismo existe e eh sem duvida um problema. Mas o racismo que o governo pode solucionar (sem se tornar uma ditadura) eh somente o racismo legal. Aquele em que, no seu exemplo da escola, alunos nao sao aceitos por serem negros.

A partir do momento em que o dono da escola nao tem a liberdade de fazer um comercial aonde ele mesmo escolhe a cor, altura e roupas em que os alunos aparecem a coisa comeca a cair numa slippery slope terrivel.

Sim, porque se for assim, teriamos que ter uma lei que qualquer profissao, qualquer comercial, filme ou o que seja, tem que ter exatamente a mesma proporcao de negros em relacao a brancos que a sociedade no geral tem.

Ja pensou como seria esse mundo? Primeiro que nao seria so um desastre para "a raca dominante", seria um desastre para todos. Ja imaginou se o Google tivesse que demitir asiaticos (que sao muito comuns, muito mais do que os 5% da populacao geral que eles representa,) e comecar a contratar brancos e negros? E a NFL? Teriam que contratar uns asiaticos no matter what?

Eu sei que tudo isso eh bem intencionado e que aqui nos EUA a affirmative action nao acabou em desastre. Mas essa historia de que "o placar esta 10x0 e tudo que os negros querem eh 10x1" eh uma bobagem terrivel.

Deveriamos nos preocupar em acabar com todo e qualquer resto de racismo que exista na legislacao, mas depois disso o negocio eh somente tentar melhorar educacao. O resto eh resto.

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 01:54



Comentário de: Igor

Nunca tinha pensado por esse lado, não é que eu concorde com tudo que você falou, só que são pontos que devem ser observados e a partir de agora não irei ignora-los.

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 02:33



Comentário de: Ivaldo Souza · http://microliteratura.zip.net

Eu não sabia que era possível haver um nível tão alto de inteligência e lucidez na blogosfera como a encontrada em seu blog. Bastou a leitura desse post, excepcional, para colocá-lo no meu Favoritos (do navegador e do meu blog). Voltarei sempre.

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 08:59



Comentário de: Ivaldo Souza · http://microliteratura.zip.net

Reproduzo, abaixo, e-carta enviada ao Nação Mestiça (http://www.nacaomestica.org/):

Assunto: Denominação sob medida

Senhores negros desbotados,

Após a leitura de vosso sítio, concluí: em alguns casos, como o da Nação Mestiça, o termo mulato (repugnado por mim, que sou um mestiço 100% negro) é o mais adequado possível para designar a parcela alienada dos afrodescentes, pois, inegavelmente, pensam e argumentam como mulas (vocês, com certeza, conhecem a origem da categoria mulato).

Aquele abraço.

Ivaldo Souza

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 09:40



Comentário de: Cyntiab

Ivaldo,

Em relação ao termo mulato, até posso concordar com você.

Mas advogo o direito dos mestiços de não se considerarem "apenas" afrodescendentes. E os povos índios que participaram desta mestiçagem? Teriam uma cultura assim tão fraca para serem desconsiderados como ascendência?

Ou será que só a cultura negra é válida e apreciável?

O que essas pessoas querem é não abrir mão do seu passado, mesmo que a mestiçagem tenha sido à força. Ela faz parte do Brasil tão qual ele é, com todas as suas imperfeições. Negá-la em favor de uma dita consciência é perigosamente próximno de esquecê-la e você deve saber muito bem o que acontece com quem se esquece da sua própria história.


PermalinkPermalink 20.12.08 @ 10:06



Comentário de: Ivaldo Souza · http://microliteratura.zip.net

Movimento Nação Mestiça:

Mula(tos)-Sem-Cabeça

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 10:37



Comentário de: Marcos Rezende

A discussão teórica sobre raça no Brasil remonta ao Século xix, no qual diversos teóricos apresentavam proposições acerca da origem, desenvolvimento e inserção das diferentes 'raças' no país e no mundo. A ciência começava a engatinhar no que diz respeito à desmistificação de conceitos extremamente atrelados à religião e a crendices. O que observamos hoje é uma troca de valores éticos e morais, benéfica, mas lenta. Raça só há uma, a Humana e até que a sociedade absorva tal fato transcorrerá um tempo bom...

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 11:44



Comentário de: Milla

Se formos a fundo, é muito engraçada essa discussão sobre racismo no Brasil de afrodescendentes, nipodescendentes, eurodescendentes, enfim, descendentes de tudo e de todos. Como diz a piada, temos sorte de não latir.
Que tal brigar por um ensino de qualidade para todos os tudodescendentes, de forma que todos tenham oportunidades iguais, em vez de ficar beneficiando esta ou aquela raça que, um dia, os euroascendentes escravizaram?
Que tal fazer movimentos em prol de trabalho para todos (e não de casa ou terra ou escola para uns e outros?). Alguém já percebeu que os mestiços pobres, que tiveram o azar de ficar brancos não podem levantar bandeiras sem que sejam chamados de "minoria dominante"? Racismo, e outras formas de diferença, no Brasil têm mão dupla e são armas poderosa na mão dos que se intitulam minorias.

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 11:51



Comentário de: Ivaldo Souza · http://microliteratura.zip.net

Respondendo a Milla:

As suas propostas só poderiam ser implementadas, na melhor hipótese possível, a longo prazo, particularmente a melhoria do ensino público, decadente há décadas.

Entretanto, há um pequeno detalhe, ignorado por aqueles que compartilham a sua posição:

"A longo prazo, estaremos todos mortos".

Justiça Já!

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 12:27



Comentário de: ego

nao existe racismo existe gostos culturas
diferentes opostas´ pensamentos educacao
afinidades sentimentos e falta de senso

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 12:40




putz. que BOM que tem você no mundo escrevendo esses posts, alex.

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 12:43



Comentário de: JÚLIO CÉSAR

Concordo com o autor do texto, porque o racismo no Brasil é invisível mesmo, fingimos não ver que aqui há racismo e ainda quando alguém opina sobre isso, vem um monte de pessoas criticarem. Porque não tentar fazer melhor então, dar idéias que possam ajudar a dissipar esse mal, o racismo, que não é próprio somente dos brancos, mas atinge toda a humanidade, brancos, negros, índios, asiáticos,....etc.

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 13:20



Comentário de: J. Raimundo

Sou Baiano Soteropolitano com 64 de idade, Branco por decendencia Holandesa e Bastilavense, Loiro de olhos Verdes, cutis Branca-Alva, porém fui criado por uma doçura de negra que até hoja guardo maravilhosas lembranças como minha segunda MÃE. Aconteçe que ela em sua grande sabedoria,(meus pais a formaram em PROFESSORA) SEMPRE ME DIZIA : IÔIÔ (como ela me chamava) FIQUE SEMPRE ATENTO PARA UM NEGRO QUE NÃO VENHA ME MALTRATAR! Sabe porque???
A mãe dela foi tirada da AFRICA POR SEUS CONTERRÂNEOS OS CHEFES DAS TRIBOS A QUAL PERTENCIA, E VENDIDA PARA OS TRAFICANTES DE SERES HUMANOS, QUE POR FELICIDADE DELA VEIO PARAR NA FAZENDA DE MEU AVÔ PATERNO COMO ESCRAVA. SÓ QUE EXISTE UM PORÉM: LÁ NÃO TINHA FEITOR, TODA A NOSSA FAMÍLIA COMIAM EMBAIXO DE UMA COBERTURA DE PALHA BEM VENTILADA NA MESMA MESA QUE OS 130 ESCRAVOS PARTILHAVAM. EU MESMO NUNCA NOTEI QUE NA BAHIA A MAIORIA ERA DE NEGROS POIS BEBIAMOS NO MESMO COPO E COMIANA MESMA "TIGELA " NOS MERCADOS DA SETE PORTAS, MERCADO DO OURO , MERCADO DE SÃO MIGUEL DELICIOSOS SARAPATEL FEITO POR "D. MARIA DO SOCORRO ESPOSA DO VELHO TIO MIGUEL" INFELISMENTE APARECEU UMA TURMA DE POLITICOS APROVEITADORES IRRACIONAIS PREGANDO A SEGREGAÇÃO RACIAL DIVIDINDO O PAÍS EM PRETO- E - BRANCO!
PARA FUNDAR AS ONGS QUE NÃO FAZEM NADA PELOS NEGROS NEM POR SEUS DESCENDENTES ESQUECENDO QUE HÁ OS ÍNDIOS TAMBEM. SE ESSES PILANTRAS APROVEITADORES REALMENTE TIVESSE REAL INTERESSE PELA RECUPERAÇÃO DE CIDADANIA DOS NEGROS O QUE PRIMEIO FARIAM??? E-D-U-C-A-R , propocionar MORADIA , SAÚ;DE , é exatamente o que este desgoverno analfabeto de "ARAQUE" PORÉM MUITO ESPERTO, EM SEIS ANOS DE DESGOVERNO NUNCA O FEZ TÃO POUCO O DESGOVERNO DA BAHIA QUE ATÉ HOJE NADA FEZ PELA EDUCAÇÃO NA BAHIA ( CLARO O MESMO É CARIOCA) QUAL SEU COMPROMISSO COM A BAHIA??? SÓ TOMAR "MÉ" E FICAR DE PORRE!!! (AINDA NÃO SE RECUPEROU DA ÚLTIMA RODADA COM O ANALFAMOR AQI NA BAHIA) O INTERESSE É PROVIR SEU PARTIDO DE VERBAS PARA SUSTENTAR A BANDIDAGEM EXPURGADA DAS RODAS POLÍTICAS COMO: (ZÉ DIRCEU(ASSALTANTE DE BANCOS) SILVINHO LAND ROUVER MASCOS VALÉRIO GENUINO( O CAGUÊTE DE ROMEU TUMA) O "PALOCI" E OUTROS BANDIDOS QUE AINDA ORBITA O PARTIDO.
APROVEITO PARA PERGUNTAR: POR QUE OS NEGROS QUE BRIGAM PELA SUA ETINIA, QUANDO GALGAM UM POSTOZINHO ABANDONAM SEUS PARES ÉTINICOS E PROCURAM GERALMENTE UMA LOIRA DE FARMÁCIA PARA SEU CONVÍVIO ??? DISCRIMINANDO AS MULHERES NEGRAS??? EX: ALEXANDRE PIRES - PELÉ - AMARAL - O PITA - NEGRINHO DA BEIJA FLOR (QUE TEM 66% DE SANGUE EUROPEU E DIZIA SER DESCENDENTE DO "REI ZULÚ") - E MUITOS OUTROS BRASIL A FORA.
O PRESIDENTE ANALFABETO COM SUA "BOLSA VOTO" DEVERIA CRIAR O PROGRAMA : "DE VOLTA PARA MINHA TERRA" PARA AQUELES QUE QUEREM SE APROVEITAR DA INÉRCIA DOS GOVERNANTES ENGANADORES E PAGAR A VIAGEM DE VOLTA PARA A AFRICA PARA QUE NÃO INCENDEI O PAÍS PROVOCANDO A DESAGREGEÇÃO DA SOCIEDADE (PURA EM HONESTIDADE DE AÇÕE E PENSAMENTOS AO DIREITO DE TODOS)!!!

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 15:15



Comentário de: Ivaldo Souza · http://microliteratura.zip.net

Respondendo a J. Raimundo, autor do "Samba do Branco Doido", em português castiço, pois não domino o dialeto usado por ele: VÁ ESTUDAR, ANALFABETO FUNCIONAL!

Quando e se aprender a expressar as suas "idéias", se e somente se, chame qualquer pessoa de analfabeto.

Dito de um modo mais simples: quebrou o galho em que você sentou, sob o peso do seu analfabetismo funcional.

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 15:29



Comentário de: mauro tatini · http://mtatini.blogspot.com

Ivaldo Souza wrote: "Entretanto, há um pequeno detalhe, ignorado por aqueles que compartilham a sua posição:

"A longo prazo, estaremos todos mortos"."

que idiotice!! Então voce prega "igualdade" e "justiça", mas só quer pra voce - se os filhos dos nossos filhos se beneficiarem disso, não interessa, right? Isso tira o mérito do que voce diz acreditar - me faz questionar a verdade e sinceridade do que pensa/acha...

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 15:52



Comentário de: mauro tatini · http://mtatini.blogspot.com

meshell ndegeocello (my boss) escreveu em uma música: "... you try to hold on to some Africa of the past, but you must remember that the africans were the ones who helped enslave your ass... (...) ... no longer to I blame white folks for the way that we be, cause niggers need to redefine what it means to be free - ARE YOU FREE?" - essa música é um awakening - procure "dead nigga boulevard" e leiam a letra toda. Ela fala sobre os negros que reclamam sobre o "white man", e se enchem de diamantes (bling) vindos de minas de escravos africanos DE HOJE - nao de "tempos atras". Pense nisso.

Desnecessário o comentário sobre a forma de alguem de expressar as idéias. Minha bisavó nem sabia assinar o nome, nem ler nem escrever, e era a mais sábia das pessoas que eu conheci. Se eu ligasse o "ela nem sabe falar direito, vou ouvir o que ela tem a dizer?" eu seria mais um elitista - que é o grande problema do brasil, by the way.

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 15:58



Comentário de: mauro tatini · http://mtatini.blogspot.com

"no longer DO I blame" - sorry, errei alí. Pra quem nao entendeu: "voce tenta se apegar a uma africa do passado, quando voce deve se lembrar que foram os africanos que ajudaram a te escravizar...(...) Eu já não culpo os brancos pelo jeito que minha vida é - porque nós negros temos que redefinir o que significa ser livre - VOCE é livre?"

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 16:00



Comentário de: David Filho

vejo com temor alguns comentarios aqui registrados quando dizem e afirmam que propaganda´eficiente é aquela feita pra brancos, pois só eles podem comprar, e que escolas devem definir seu padrão de cor, pois negro não estuda e nem pode pagar, amigos desculpem mas realmente é invisivel e inojante o racismo brasileiro, negar o passado de humilhações vivido pelos negros nessa terrinha e sua herança maldita, assinada e regitrada por uma lei aurea, descompromissada com os designios daqueles que prestaram serviços forçados por anos e anos, sem direito a um teto, despejados a mingua, favorecendo a formação de verdadeiros bolsões de mendigos que sem apoio dos governos se perpetram de pai pra filho formando verdeira dinastia de miseraveis, onde alguns poucos conseguiram sobrepujar esta logica, conseguindo se tornar cidadões austeros e respeitaveis, seja através da musica, esporte ou muitos poucos pelo esforço quase inumano da formação academica lhes negada, alguem já pensou se os descendentes desses escravos pudessem ser ressarcidos financeiramente pelos donos hereditarios das grandes fazendas devido serviços prestados por seus ascendentes, ou alguem aqui é contra FGTS, decimo terceiro, multa por demissão sem justa causa, e o que é pior trabalho remunerado? Senhores me desculpem, mas defender seus anseios enquanto pessoas brancas não lhes dá o direito de negar as mazelas sofridas por essa gente negra ou indigena nessa terrinha Brasilis.

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 16:40



Comentário de: Eder Santos Barbosa

Não acho a desconsideração da opinião de J. Raimundo uma opção, mesmo que fôsse o caso somos sim um país de analfabetos não creio que alguém nesse país saiba o que é de fato uma "educação de qualidade".
Mas, não é por conta disso que não darei minhas bordoadas em J. Raimundo.
Em seu texto fica muito claro a tal "invisibilidade" do racismo no Brasil. Quando os negros estão amalgamados a sociedade dominante não há percepção de qualquer problema, porém, a esses mesmos negros não lhes são dadas as condições de sua independência, seguindo o raciocínio de J. Raimundo não há quaisquer diferenças entre ele e os 130 escravos da fazenda do pai dele, porém, quantos desses 130 fizeram universidade? Quantos têm sua própria casa? Quantos se tornaram donos de fazendas? (não estou dizendo que para outras etnias seja fácil conseguir tais coisas na vida, mas, que existem obstáculos para que os negros tenham o mesmo status sócio-econômico).
A resposta a pergunta "porque os negros discriminam a eles próprios escolhendo brancos para se casarem?" é a mesma invisibilidade do racismo, os próprios negros adotam que a "raça dominante" não é a dele, portanto, sendo o jeito (quando há oportunidade) melhorar a sua "raça impura".
E, só educação não basta mesmo... há quantos milênios o discurso que a paz é o melhor caminho existe? Conseguimos algo a esse respeito? "A tolerância só aparece quando há indiferença" (Lawrence Stone a respeito das guerras religiosas na Inglaterra em seu livro Causas da Revolução Inglesa), e, só haverá indiferença quando entendermos que não é só negro que pratica crimes, quando conseguirmos fazer com que os negros possam cumprir o sonho de fazer arquitetura (a UNICAMP se diz contra as cotas usando como exemplo esse curso, como não há procura pelos negros que sentido faz ter a cota?), quando professores ao verem alunos com problemas dêem o mesmo tratamento (conheço muitos que vão chamando logo de "burros" os negros enquanto para os brancos correm em busca de um diagnóstico mais correto), quando tivermos o mesmo tratamento que temos em relação à religião que damos aos budistas, judeus, islâmicos assim como a toda a cultura negra (se observarmos até mesmo ritmos musicais os de origem afro recebem muitos preconceitos, sendo poucos os que não tem tratamento pejorativo, o funk é a bola da vez na manutenção do preconceito a essa raça "impura", como se tudo o que ela fizesse levando-se em conta fôsse ruim e a única chance de não ser impura é adotar a cultura dominante).
Quanto a corrupção é preciso ampliar essa noção de preconceito... existe preconceito também em relação a partidos políticos (não que o PT não pratique corrupção d muitos tipos, mas que se a corrupção é feita pelo PT o peso dado a ela é muito, muito, muito maior, basta lembrar que no governo do Estado de São Paulo são mais de 100 CPIs que os governadores - ao longo de 4 administrações - do PSDB não deixaram ocorrer e como a mídia faz parte dessa relação de dominância cala-se diante dessa impunidade, enquanto que casos no PT são tratados como "maior de toda a história do país", e, se o PT não fizer CPI quer dizer que o PT querdar golpe de estado). Alguns falam que a corrupção está no DNA de nosso país, embora determinista este pensamento está muito longe de ser falso, creio eu que em qualquer detalhe de nossa vida social há corrupção, nos orgulhamos e muito quando conseguimos passar a perna em alguém...

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 16:46



Comentário de: Eder Santos Barbosa

Ah é, quanto a os próprios africanos escravizaram os seus não podemos esquecer que o preconceito se cristaliza de muitas formas, por exemplo, até hoje usamos o mesmo nome que os romanos usavam para todo um grupo os eslavos (com que direito os romanos denominaram povos de uma região inteira de escravos? porque continuamos a chamá-los assim se o Império Romano ruiu a tanto tempo? será que é esse o nome que eles dão a si mesmos?).
Com que direito chamamos achamos que povos de um continente inteiro são iguais? Com que direito condenamos os crimes deles de forma mais pesada que condenamos os nossos?

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 16:54



Comentário de: Ivaldo Souza · http://microliteratura.zip.net

MULA(TOS)-SEM-CABEÇA

Carta-e Aberta ao Movimento Nação Mestiça


Senhores negros desbotados,

Após navegar por vosso sítio, concluí: em alguns casos, como o da Nação Mestiça, o termo mulato (repugnado por mim, um mestiço 100% negro) é o mais adequado possível para designar a parcela alienada dos afrodescendentes, pois, inegavelmente, pensa e argumenta como mulas (quero acreditar que conheçam a origem racista da denominação mulato). Nos casos mais graves, sem cabeça.

PT saudações.

Ivaldo Souza

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 17:51



Comentário de: Marcio E. Goncalves

Ao Ivaldo de Souza:

1) o termo mulato, para designar um mestico, eh anterior ao termo mula p/ designar um animal. Mulato veio do arabe.
Como mestico, eu particularmente acho mulado mais simpatico do que "pardo".
"Pardo" eh uma invencao do IBGE que ninguem usa na vida real.

2) Eh obvio ululante que grande parte dos pardos nao eh apenas (ou nem eh em parte) afrodescendente. Quem conhece o Centr-Oeste e Norte do brasil nao tem duvida nenhuam disso, ja que la os mesticos com indios sao predominantes. Mas mesmo nas outras regioes grande parte dos pardos e "brancos" sao mesticos com indios tb. So que tal mistura eh tao comum aqui que grande parte se classifica como "branco"

3)Classificar pardos como negros eh algo imbecil eh mentiroso, tanto pela realidade cultural brasileira como pelo dados existentes.
E causa um puta prejuizo a luta contra o racismo - cria-se uma situacao ilusoria onde o negro eh a maioria no brasil, o que nao eh verdade.

Grande parte do racismo existente se deve ao obvio fato que eles sao minoria. Quem mor ano Rio e Bahia acaba nao tendo muita nocao disso.

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 20:14



Comentário de: Carlos Eduardo

No Brasil a sociedade civil organizada, como OAB, Sindicatos, Conselhos de Classe, entre outros, não cobra dos governantes que a prestação de serviços como Saúde e Educação sejam feitas de uma maneira universal e equinaname.
Mais do que exigir direitos a um único grupo da sociedade o justo é exigir direitos iguais para todos.
Os serviços públicos são péssimos e isso não atinge unicamente os negros, mas todos os brasileiros. Não adianta exigir cota se a Escola pública continua péssima e se cria um gueto, onde o “não negro” pobre e da periferia fica em desvantagem, apenas por não ser negro

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 20:29



Comentário de: Ivaldo Souza · http://microliteratura.zip.net

Prezado Marcio E. Gonçalves,

És o autor de um primoroso "Samba do Branco Doido". Parabéns!

A pérola que mais agradou-me foi o trecho em que diz serem os afrodescendentes minoria em Salvador, minha terra natal, onde são, indubitavelmente, maioria (do ponto de vista estatístico, mas minoria do ponto de vista social, político, que é o que interessa). A propósito, vale lembrar que, durante o Apartheid, os negros eram oprimidos como uma minoria (social e políticamente).

Espero (sabendo que não) ter sido compreendido.

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 21:10



Comentário de: Ivaldo Souza · http://microliteratura.zip.net

Mulato
Datação
1526 cf. GVicCBeir

Mula
Datação
sXIII cf. FichIVPM

Fonte: Houaiss

Diante dos fatos, calam-se os argumentos!

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 21:17



Comentário de: Hugo · http://aiengineer.blogspot.com

Ivaldo,

Ja pensou em ler ate o final e pensar um pouco, em vez de ficar a distribuir insultos inflamdos?

O Marcio contrapos Rio e Bahia exatamente como casos em que os pretos SAO maioria. Vc leu rapido demais e nao prestou atencao ou tem problema mesmo?



E ainda tem coragem de ir apontar analfabetismo funcional dos outros, petralha do car%lh*!

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 22:04



Comentário de: Ivaldo Souza · http://microliteratura.zip.net

1. Confesso: como suspeitou o comentarista acima, eu tenho um problema sério, a saber, sou um mestiço 100% negro, digno e altivo, o que INSUPORTÁVEL para os racistas, brancos ou aspirantes a capitães-do-mato, os mula(tos)-sem-cabeça (quem não colou nas provas de história sabe que os capitães-do-mato eram, em sua maioria, mula(tos)-sem-cabeça).

2. No Rio e na Bahia, os afrodescendentes são maioria ESTATÍSTICA, mas são oprimidos porque são uma minoria social, política, compreendam-me os mais burrinhos, como designa Millôr.

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 22:31



Comentário de: Ivaldo Souza · http://microliteratura.zip.net

Informação adicional, destinada aos mula(tos)-sem-cabeça, a etimologia da palavra mulato, contida no Houaiss:

Etimologia
esp. mulato (1525) 'macho jovem', por comparação da geração híbrida do mulato com a do mulo, de mulo (1042) 'macho'; ver mu(l)-


PermalinkPermalink 20.12.08 @ 22:36



Comentário de: Kitagawa

Essa questão da mestiçagem... claro que há os mestiços sem ou com pouca ascendencia africana, mas isso não tira a legitimidade do movimento negro, que é ou deveria ser a luta de qualquer individuo que se sinta marginalizado por não ser da raça dominante. Aliás deveria ser a luta de todos nós. Há mestiços e mestiços. O fato é que o mestiço será menos discrimnado quanto mais "enbranquiçado" ele for, quanto mais seu cabelo desenrolar. O mestiço é só um ponto intermediário entre um extremo branco-europeu e o outro negro-africano, os indios aí no meio, sendo que há mestiços que se consideram e são considerados brancos. É claro nem sempre é tão simples definir quando um negro passa a ser mestiço e quando o mestiço passa a ser branco. Mas a tendencia é mais que clara: o sujeito que tem algum sangue negro e/ou indio vai sofrer menos discriminação quanto mais ele adquirir cara de branco, isso segundo as particularidades do padrão brasileiro, que é mais elástico que o americano. É um retrato do que é a nossa piramide social hoje. No meu ano da faculdade, 150 alunos, universidade publica, dois eram indubtavelmente negros. E só! Muitos outros, claro, tinham algum sangue negro e/ou indio, mas nem gradação havia. Eram os dois negros ali e o resto aquele branco algo nuançado - e, claro, alguns orientais.

Eu pessoalmente não vejo com bons olhos essa de "identidade racial". Eu não quero falar como representante dos nipo-brasileiros. Quem me dera todos nós pudessemos desencanar disso e falarmos enquanto iguais, como pertencentes à uma identidade brasileira, uma identidade complexa, vira-lata, mas uma identidade. Acredito que o Brasil como um todo já caminhou numa direção mais positiva no que se refere à tolerancia racial, mas acho que a coisa piorou. E isso não é consequencia daqueles que hoje estão se organizando enquanto identidades raciais, pelo contrário, isso é uma reação a décadas de segregação dissimulada ou explicita mesmo. Paciencia tem limite.
Está na hora dessa mascara de "democracia racial" cair, pois olhando objetivamente um retrato do país hoje é fácil constatar que o resultado dessa "politica" de "não somos racistas" é simplesmente um desastre. Ser racista aqui é muito fácil, não precisa xingar ninguém, não precisa agir de ma fé, não precisa ter ódio nenhum no coração, um simples fechar de olhos já basta para manter as coisas como estão. Vamos dificultar o processo, vamos encarar de frente, vamos falar de negros nas universiades, vamos falar de negros nos comerciais, vamos falar de negros em cargos de chefia. Se voce é mestiço e se sente discrimnado, entra na fila. Se não se sente discrinmnado, tá reclamando do que?

PermalinkPermalink 20.12.08 @ 23:12



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"claro que há os mestiços sem ou com pouca ascendencia africana, mas isso não tira a legitimidade do movimento negro,"

Mas Kitagawa, em nenhum momento questionei a legitimidade do movimento negro!
Quem me conhece pessoalmente, sabe que sou um dos que mais tenta conscientizar" meus amigos curitibanos (sou de la) do racismo contra negros (que em Ctba possui algumas vertentes proprias, ate mais crueis do que no resto do Brasil)

So questiono o posicionamento de PARTE do movimento negro, que fica batendo numa tecla que eh obviamente mentirosa: que os negros sao quase metade da populacao do Brasil.

Nao sao, sao por volta de 7%.

Dai eles vao e somam os pardos - que nao sao em todos mesticos com negros e nem se identificam como tais.

E, por sinal, praticam racismo contra o negro propriamente dito tb, muitas vezes.

Pq o mestico com indio eh tao comum no Brasil que virou branco quase. Como citei em outro post, nao eh a toa que o um dos sinonimos de caipira, pessoa do interior seja "caboclo" e nao "mulato".

Eu acho que se basear em um dado falso eh sempre um erro, mesmo que por boas intencoes. Pode gerar ganhos a curto prazo mas mentira tem perna curta e isso prejudicar o movimento negro.


PermalinkPermalink 21.12.08 @ 01:59



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"Está na hora dessa mascara de "democracia racial" cair, pois olhando objetivamente um retrato do país hoje é fácil constatar que o resultado dessa "politica" de "não somos racistas" é simplesmente um desastre."

Olha, discordo parcialmente de voce pelo seguinte: uma das razoes pela qual acho o racismo contra negros no Brasil um absurdo total eh o fato que as outras racas no Brasil vivem SIM em uma democracial racial.

Nenhuma outra raca sofre preconceito como o negro no Brasil - o que torna o problema ainda mais serio e triste.

Veja como arabes e judeus para todos efeitos sao considerados "brancos" no Brasil - algo inimaginavel aqui em San Francisco onde eu moro. Asiaticos em geral idem, brancos honorarios.
Mesticos com indios tambem se mesclam sem problemas - sao "brancos" amorenados.

Porem o negro fica a parte disso.

Para enfrentar o problema eh preciso entende-lo e nao simplificar. Tem que tentar entender pq todas as outras racas que se matam e nao se bicam em outros lugares do mundo convivem e se mesclam na boa no Brasil e pq diabos ao negro nao eh permitido se encaixar nessa dinamica (como historiador, meu chute obviamente vai em direcao a escravidao).

Mas fazer como o Alex e parte do movimento negro estao fazendo de transportar a realidade americana para brasileira eh bobagem.

Pode gerar trabalhos academicos bonitinhos que 10 pessoas vao ler e uma bolsa de doutorado, mas continua sendo bobagem


PermalinkPermalink 21.12.08 @ 02:06



Comentário de: Ivaldo Souza · http://microliteratura.zip.net

Parabéns, Kitagawa, você "iluminou" a questão. E o que é melhor, partiu de uma nipo-brasileira, sem envolvimento direto nela, sendo fruto, apenas, do seu senso de justiça, o que é raro nesse cruel país.

PermalinkPermalink 21.12.08 @ 06:36



Comentário de: Gustavo Gitti · http://nao2nao1.com.br

Um dos melhores textos que li este ano.

Isto porque a raça não é o maior elemento de preconceito aqui no Brasil. Como já ouvi da filósofa Olgária Matos (com quem tive aula na USP) e concordo, o fator econômico/social é mais importante para definir o valor de alguém atualmente na sociedade brasileira.

Veja, todo mundo admira um negro bem vestido, famoso ou rico, mas quem dá valor para um branquelo todo sujo e pobre?

Ainda assim, se o que você disse vale para o racismo, nossa situação é mais grave pois envolve um preconceito ainda mais invisível: o social/econômico.

Parabéns pelo texto, Alex. E bom fim de ano pra ti.

Abs!

PermalinkPermalink 21.12.08 @ 07:52



Comentário de: Ivaldo Souza · http://microliteratura.zip.net

Eis a última (caso não seja provocado) intervenção minha: a palavra mulato carrega, desde a sua origem, a marca do mais paradoxal racismo, a saber, que brancos e negros pertencem a ESPÉCIES diferentes, não apenas a raças diferentes, como concebe um racista mais moderado, o que é evidenciado ao considerar o mestiço como um híbrido.

Aproveito o ensejo para esclarecer aqueles que de boa-fé afirmam que pertencemos todos à "raça humana" (sic). Nada mais errado. Pertencemos todos à ESPÉCIE HUMANA (homo sapiens sapiens), a qual é subdividida em dezenas de raças e etnias, como africanos, caucasianos, asiáticos, semitas, etc.

PermalinkPermalink 21.12.08 @ 13:03



Comentário de: lucila · http://www.uhbaby.blogspot.com

no forum do Orkut ainda tem um comentário que diz:"e é por isso que acho que não poderíamos aceitar somente 25% de cotas pra negros no próximo vestibular ....
acho melhor dá tudo de uma vez porque assim fica melhor...afinal de contas quem somos nós pobres sulistas, insignificantes não contribuímos em nada para esse extraordinário pais.
já não basta termos que viver nas custas do norte e nordeste do pais sugando seus impostos e recursos enquanto eles pulam carnaval e fazem festa o ano inteiro... e agora ainda iremos roubar o direito de uma vaga na universidade deles??
somos descendentes de europeus, não precisamos de universidades públicas, temos dinheiro suficiente para pagar uma universidade particular..... todos somos filhos de coronéis como lá pra cima do nosso amado país." reiterando o preconceito que o sul e sudeste tem com o resto do país.
Obrigada por essse texto!

PermalinkPermalink 21.12.08 @ 14:23



Comentário de: cottonboy · http://www.fotolog

Eu trabalho na area de publicidade com o publico interno da petrobras e la o que mais se tem preocupacao eh com a identificacao do que eh dito com a forca de trabalho. Por iso la nao se usa modelos magros e caucasianos nas publicidades utilizamos pessoas da propria forca de trabalho nas campanhas e pregamos pela diversidade da empresa que tem desde indios ate orientais passando por polacos, arabes, latinos americanos e etc.

Eu bato palmas para a BR por essa iniciativa e eu me pergunto se a maior empresa do Brasil tem essa postura o que impede as outras de tratar o publico da mesma forma?

O comercial que mais me marcou quanto a essa segregacao foi o das anatomicas da Ipanema. Deveser a propaganda com mais brancos por segundo da historia da publicidade brasileira:

http://br.youtube.com/watch?v=3u7WQ6zc_9g&feature=related

Aparece um negro, por um instante, depois ele eh escondido completamente do comercial. Puseram ali pra ``cumprir`` a funcao social...

sei.

PermalinkPermalink 21.12.08 @ 14:46



Comentário de: Ivaldo Souza · http://microliteratura.zip.net

Minha querida e ignorante (da própria história) Lucila, como todos sabemos (falo dos que não colavam nas provas de história do ensino fundamental e do ensino médio), os europeus que vieram ao Brasil compunham a escória sócio-econômica de seus países, vieram fugidos da fome. Muitíssimo raro foram os casos de "homens de bens", os quais raramente imigram. Como diria um norte-americano, faziam parte do "white trash", o que explica a minha vontade de gargalhar quando deparo-me com a pose (de uso exclusivo dos mais boçais) de aristocrata dos seus descendentes).

Depoimentos como o seu são suficientes para que desconfie que o seu autor é egresso da APAE.

Saudações malês para você.

PermalinkPermalink 21.12.08 @ 15:47



Comentário de: Ivaldo Souza · http://microliteratura.zip.net

Por falar em conhecimento da história do seu povo, é indispensável lembrar que o tão glorificado processo de miscigenação começou pelo estupro de escravas negras pelos seus senhores e feitores.

Como era de se esperar, o que começou tão mal acabou pior ainda: resultou na criação do tipinho mais desprezível (do ponto de vista ideológico e político) da fauna racial brasileira, o mula(to)-sem-cabeça, representado de forma tragicômica pelo Movimento Nação Mestiça.

PermalinkPermalink 21.12.08 @ 15:54



Comentário de: Claudia Bittencourt · http://espectro-de-sonhos.blogspot.com/

Acho que a questão não é perguntar por que de não aparecerem negros na propaganda da escola, mas do por que dos negros não estarem incluídos num sistema de quem tem acesso às escolas particulares, elitizadas, às riquezas e tudo mais, já que "não foram contratados atores" para o comercial. Como disse o "blog do mallmal" nos comentários acima, "para incluir etnias que não são seu mercado consumidor?"

É incrível como as pessoas defendem as idéias anteriores sem nem parar pra pensar, usando os mesmos argumentos falhos e atacando quem discorda, a ponto de dizer "E tomara que vc consiga passar pra USP, UFMG, tem também UFRJ(quem sabe vá estudar lá e ganhe de brinde um tiro)."!

Excelente texto. Queria que as pessoas do tópico do orkut lessem, hehe.

PermalinkPermalink 21.12.08 @ 16:26



Comentário de: Eduardo

A igualdade que se quer fazer no Brasil utilizando-se de cota vem a mostrar o quão preconceituoso a proposta é. Cotas para negro? Isto implica em dizer que o filho de um rico negro terá privilégios sobre o filho de um branco pobre. Que tal então cotas para ricos e pobres? Outra estupidez. Que tal se no lugar de cotas o governo resolvesse o problema da educação básica que atualmente é um lixo? Não seria mais justo? Outra, porque cotas para faculdade e não para o ensino médio/básico?

O Brasil já é um país em que a lei proíbe discriminação. Ai vem um outro problema: Se um branco chamar um negro de negão ou coisa do genero, é crime? E o contrário? Ai é que mora outro problema. A igualdade implica muitas vezes em aceitar que a mesma coisa que você faz e não é crime, se feito por outra pessoa contra você também não será. E ai que existe o conflito.

As pessoas tem achado que negro por ter sido oprimido tem o direito natural agora de oprimir. Quando na verdade não o tem. Exatamente pela igualdade a que existe. E por incrível que pareça o justo é isto. NINGUÉM oprimir NINGUÉM.

De mais a mais, quem é de fato negro? Quem tem a pele preta? Qual o tom é o limite do corte entre negro e não negro?

Outra coisa, a pessoa entrou na faculdade por causa da cota. Ao ser rejeitado em um emprego e ouvir: "veja, não te contrato porque é negro". Isto é discriminação? Afinal a pessoa se disse negra para um benefício, porque será que ela não seria negra para assumir um onus de sua prévia escolha?

PermalinkPermalink 22.12.08 @ 13:54



Comentário de: lucila · http://www.uhbaby.blogspot.com

Ivaldo
desculpe minha ignorância mas eu não entendi seu comentário e suponho que vc tb não entendeu o meu.

PermalinkPermalink 22.12.08 @ 14:17



Comentário de: Daniela · http://historiasdemenina.wordpress.com

melhor post da série.

PermalinkPermalink 22.12.08 @ 14:35



Comentário de: Antônio

Acho curiosíssimo como o Alex, após lançar mão do discurso racialista mais rasteiro, coloque imagens de duas obras chave do Gilberto Freyre, em especial seu "Casa Grande & Senzala". Freyre foi, a seu tempo, uma voz solitária a afirmar o poder democratizador da miscigenação racial no Brasil. Naturalmente, o próprio Gilberto foi posteriormente desconstruído a partir de seu discurso racialista, mas não deixa de ser digno de atenção que você reproduz as tolas assunções do social-liberalismo Americano enquanto homenageia no rodapé de seu post o autor que personifica a antítese deste pensamento.

O Brasil não é o Mississípi, Geórgia ou a Luisiana. O próprio desenrolar da história da Escravidão no Brasil demonstra as diferenças irreconciliáveis entre a dinâmica racial brasileira e o modelo pré-fabricado de análise social que você traz de Nova Orleans.

PermalinkPermalink 22.12.08 @ 19:37



Comentário de: Alexandre

É impresionante como o Ivaldo não consegue de forma alguma ler uma posição discordante como a da nação mestiça sem ter um xilique.
Não é um caso de raça creio e sim de doutrinação. É triste observar que pessoas que já sofrem limitaçoes por causa de sua cor quando buscam um emprego, querem fazer um passeio num certo lugar etc etc permitem que haja um limite tambem para o que podem ler, considerar, que não poderão comparar e contrapor, que irão no fim limitar sua educação a tal ponto que quando surge um contraponto (nesse casa a nação mestiça para o Ivaldo) nem conseguem estudar esse contraponto com seriedade, se assim fizessem não seriam tão agressivos e não importanto se mudassem de posição ou não estariam melhor informados.
Esse Movimento Negro Unido me parece um clube de pensamento unico que por causa da questão racial consegue esconder seu nojento autoritarismo com aqueles que com eles não concordam.
Essa gente é escrava do "one drop rule", coisa que devem ter aprendido de seus primeiros doutrinadores, certamente alguns pseudo-intelectuais franceses que davam aula na universidade local e que como eles jamais sairam de seu mundinho doutrinado tão noçivo a verdadeira educação.

PermalinkPermalink 23.12.08 @ 11:36



Comentário de: rodrigo

Caro Ivaldo,
Quando li sua frase:

"Depoimentos como o seu são suficientes para que desconfie que o seu autor é egresso da APAE".

Fiquei com vontade de conhecer o seu orientador.

Rodrigo

PermalinkPermalink 23.12.08 @ 14:18



Comentário de: lucas

Alex,

Esse post é o cúmulo da argumentação tirada da cartola.

Quer dizer que o racismo brasileiro é pior justamente por ser invisível?!?!?!?

É daquele mesmo tipo de argumento que diz que temos menos liberdade de expressão porque achamos que temos liberdade de expressão. Tá bom...

Credo quiam absurdum est???!!?!?!

Então quanto menos indícios de racismo eu perceber isso só prova que o racismo existe mesmo e é mais hegemonico.

Na boa, você não tem vergonha de escrever essas coisas não? Não acha melhor começar a revisar antes de postar essas maluquices?

Só pra fechar, esse blog definitivamente não tem nada de libertário. É até uma ofensa aos libertários.

PermalinkPermalink 23.12.08 @ 15:20



Comentário de: lucas

nem de liberal.
talvez seja um pouco libertino, daquele tipo bebado chato.

PermalinkPermalink 23.12.08 @ 15:21



Comentário de: Ricardo

Muito bonitinho o texto... pena que você manipulou e omitiu informações ao escrevê-lo com base na discussão do orkut. Nada tendencioso, imagine...

PermalinkPermalink 23.12.08 @ 20:56



Comentário de: Bruno

Estava lendo o texto e seus comentários, algo que me chamou a atenção foi o comentário do Ivaldo Souza em especial do dia 21.12.08.
Primeiramente caro Ivaldo sugiro que você releia o comentário da lucila e fique atento a acentuação que ela colocou em especial as aspas.
Segundo quando você fala que os europeus que vieram para o Brasil eram a "escória sócio-econômica de seus países" onde lá não tinham terras e eram discriminados, pois muito deles eram escravos dos donos da terra que "alugavam", tome eles como exemplo FAÇA ALGO CONSTRUTIVO PARA MUDAR, pois eles vieram para o Brasil e aqui criaram colônias onde eles eram livres e mudaram a situação em que se encontravam .
Por fim para alguém que é contra a discriminação fica meio estranho falar que o indivíduo é da APAE, pois na expressão que você usou deu a entender que você satirizou as pessoas com deficiência.

PermalinkPermalink 24.12.08 @ 00:12



Comentário de: Mulatto Pride

Senhor Ivaldo,
Esta sua postagem só reforça o episódio de agressão racistas sofrida por um mulato no senado, conforme foi denunciado no noticiário do Jornal Nacional.
Ela também escancara uma agressão à lógica que dispensa maiores comentários: "sou um mestiço 100% negro".
É corajosa também esta sua afirmação, "quero acreditar que conheçam a origem racista da denominação mulato". Caso o senhor conheça, informe à ABL, pois até hoje a origem da palavra mulato é incerta, alguns dizendo que deriva de uma palavra árabe que significa mestiço e outros que de uma palavra latina que significa híbrido de qualquer tipo.
Mesmo que fosse, porém, derivada de mula, isto não justificaria deixar de adotá-la, pois, apesar do esforço de certos racistas que odeiam mulatos e buscam fazer com que os mulatos tenham vergonha de ser mulatos, o termo não tem sido usado presentemente com qualquer conotação depreciativa, exceto, é claro, pelos citados racistas.

Sua observação também é corajosa porque embora rejeite ser chamado mulato, aceita ser chamado de negro, apesar desta palavra, diferentemente de mulato, ter COMPROVADAMENTE um histórico depreciativo, no passado, tendo sido adotada na época do escravismo como sinônimo de escravo, o que faz com que seja considerada ofensiva em diversos países, inclusive da África. PROVA disso está há no Diretório dos Índios, de 1755:

"10 - Entre os lastimosos principios, e perniciosos abusos, de que tem resultado nos Indios o abatimento ponderado, * he sem duvida hum delles a injusta, e escandalosa introducçaõ * de lhes chamarem NEGROS; * querendo talvez com a infamia, e vileza deste nome, * persuadir-lhes, * que a natureza os tinha destinado para escravos dos Brancos, * como regularmente se imagina a respeito dos Pretos da Costa de Africa. * E porque, além de ser prejudicialissimo á civilidade dos mesmos Indios este abominavel abûso, * seria indecoroso ás Reáes Leys de Sua Magestade * chamar NEGROS a huns homens, * que o mesmo Senhor foi servido nobilitar, * e declarar por isentos de toda, e qualquer infamia, * habilitando-os para todo o emprego honorifico: * Naõ consentiraõ os Directores daqui por diante, * que pessoa alguma chame NEGROS aos Indios, * nem que elles mesmos usem entre si deste nome * como até agora praticavaõ; * para que comprehendendo elles, * que lhes naõ compete a vileza do mesmo nome, * possaõ conceber aquellas nobres idéas, * que naturalmente infundem nos homens a estimaçaõ, e a honra. *"
Vide http://www.lai.at/wissenschaft/lehrgang/semester/ss2005/rv/files/pombal.directorio.1755.pdf

Por sinal, esta confusão com escravo foi um dos possíveis motivos da palavra 'negro' não ter sido adotada nos censos oficiais nacionais desde o primeiro, em 1872, época em que ainda havia escravos no Brasil. A palavra até hoje adotada é preto.

Sobre a etmologia da palavra, O ativista do movimento afro-americano, Richard B. Moore, associa a palavra a necro, morto, recomendando a adoção do termo 'Afro-American' pelos afrodescendentes dos EUA. Sobre isso, http://www.blackclassicbooks.com/servlet/Detail?no=57

Apesar disso, entendemos que não há problema algum em alguém se identificar como negro pois ninguém atualmente associa esta palavra a escravo ou a morto, sendo isto apenas uma questão mais acadêmica.

Entendemos que alienado é aquela pessoa que vive em função de outra. Os mulatos que não se assumem e vivem em função de identidade que não a sua poderiam, talvez, ser vistos como alienados, mas certamente não aqueles que assumem o que são.

Há algo de muito positivo nos seus comentários, eles revelam o racismo que há em alguns negros contra mulatos, algo que é pouco lembrado:
"Por falar em conhecimento da história do seu povo, é indispensável lembrar que o tão glorificado processo de miscigenação começou pelo estupro de escravas negras pelos seus senhores e feitores."

E no caso dos mestiços cafuzos, foram também resultado de estupro? Como os africanos e descendentes refugiados nos quilombos resolviam o problema da falta de mulheres africanas e pretas?

"Como era de se esperar, o que começou tão mal acabou pior ainda: resultou na criação do tipinho mais desprezível (do ponto de vista ideológico e político) da fauna racial brasileira, o mula(to)-sem-cabeça (...)".
O racismo dessa frase fala por si mesmo.

Na África os mulatos também são discriminados, e não são vistos como negros. Muitos dos que se julgam negros aqui no Brasil reconheceriam o que realmente são se visitassem alguns países africanos.

Três observações finais: antes de haver escravos africanos no Brasil, já havia escravos mestiços e pardos; a população cabocla brasileira possivelmente supera a população preta; a palavra escravo provem de eslavo, que eram brancos e foram escravizados na Europa.

PermalinkPermalink 31.12.08 @ 04:41



Comentário de: will Rez · http://atakcorp.wordpress.com

[...] visitem o blog do alex castro e vejam os cmentarios[..]

PermalinkPermalink 21.01.09 @ 23:08



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  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
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  • 47. Salles, Ricardo. Joaquim Nabuco. Um Pensador do Império. [Brasil, 2002] Jul.
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  • 45. Nabuco, Joaquim. Minha Formação. [Brasil, 1899] Jul.
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  • 43. Gofman, Rosane & Eny Lea Gass. Empregadas e Patroas. Uma Relação de Amor. [Brasil, 1998] Jul.
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  • 34. Brandão, Adelino. Euclides da Cunha e a Questão Racial no Brasil. A Antropologia de Os Sertões. [Brasil, 1990] Jun.6
  • 33. Moura, Clóvis. Introdução ao Pensamento de Euclides da Cunha. [Brasil, 1964] Jun.6
  • 32. Lima, Luiz Costa. Terra Ignota: a Construção de Os Sertões. [Brasil, 1997] Jun.5
  • 31. Bernucci, Leopoldo M. A Imitação dos Sentidos: Prógonos, Contemporâneos e Epígonos de Euclides da Cunha. [Brasil, 1995] Jun.4
  • 30. Lima, Luiz Costa. Euclides da Cunha, Contrastes e Confrontos no Brasil. [Brasil, 2000] Jun.4
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  • 28. Guilherme, Paulo. Goleiros: Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1. [Brasil, 2006] Mai.
  • 27. Krakauer, Jon. Na Natureza Selvagem: a Dramática História de um Jovem Aventureiro. [EUA, 1996] Mai.
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  • 18. Tezza, Cristovão. O Filho Eterno. [Brasil, 2007] Abr.
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  • 15. Rheda, Regina. Pau de Arara Classe Turística. [Brasil, 1993] Abr.
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  • 12. Butler, Octavia. Kindred. [Estados Unidos, 1979] Mar.7
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  • 10. Lispector, Clarice. Laços de Família. [Brasil, 1960] Fev.
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  • 8. Ramos, Graciliano. Vidas Secas. [Brasil, 1938] Jan.
  • 7. Pinto, Fernão Mendes. Peregrinações. [Portugal, séc.XVI] Fev.- (TulBib)
  • 6. Antunes, Antonio Lobo. O Esplendor de Portugal. [Portugal, 1997] Fev.-
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  • 4. Scott, Rebecca J. e outros. The Abolition of Slavery and the Aftermath of Emancipation in Brazil. [EUA, 1988] Fev.
  • 3. Moura, Clovis. O Negro: de Bom Escravo a Mau Cidadão? [Brasil, 1977] Fev. (TulBib)
  • 2. Suassuna, Ariano. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. [Brasil, 1971] Jan. (Releitura)
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