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Meu nome é Alex Castro e tenho 34 anos.
Poderia dizer aqui tudo o que eu já fiz e deixei de fazer profissionalmente, mas aprendi a não mais atrelar meu ego ao meu trabalho. Eu não sou o que eu faço, eu sou o que eu sou.
Hoje, sou só Alex. E olhe lá. E quando me perguntam o que eu faço, adoro quando perguntam o que eu faço, eu respondo que como, durmo e transo. O assunto tende a brochar por aí.
Na verdade, também sou artista, escritor. Ser artista independe de fazer arte, assim como ser romancista independe de escrever romances. Ser artista é uma vocação dos sentidos, uma inclinação à contemplação. Artista não é menos artista se nunca tiver composto uma canção ou escrito um ensaio. A primeira obra de arte do artista é a sua vida. Eu costumava escrever pra ser feliz, mas se já sou feliz sem precisar escrever, vou escrever pra quê?
Quando me dei conta disso, chutei o balde. Larguei minha empresa e fui dar aulinhas de inglês. Casei e separei. Escrevi e rasguei. Chupei e lambi.
Antes não tinha tempo pra nada, agora tenho tempo pra tudo. Faço pão e fumo cachimbo. Beijo pezinhos e brinco com o cachorro. Leio, escrevo e passeio. Exploro, transo e experimento.
Dia a dia, componho minha obra-prima: minha vida. Quando sobra tempo, escrevo. E escrevo melhor do que jamais escrevi.
Hoje, tenho uma bolsa de estudos no exterior e morro de saudades dos amores que deixei no Brasil. Sou feliz.
Meu blog, Liberal, Libertário e Libertino, é sobre o processo de libertação pelo qual venho passando desde que chutei meu balde e abracei um estilo de vida diferente. Atualizado todo dia, com muito humor e literatura.
Meu site pessoal funciona como o arquivo dos meus melhores textos, sobre diversos assuntos. A maioria dos leitores prefere as prisões. Dê uma passeada e veja o que acha. Depois, me conte.
Por fim, se quiser ler mais, considere comprar meus livros Onde Perdemos Tudo (contos, ebook), Liberal Libertário Libertino (crônicas) e Radical Rebelde Revolucionário (crônicas cubanas, ebook). São baratinhos, você paga com cartão de crédito, recebe na sua casa ou por email e vai estar retribuindo a um autor batalhador por todas as suas horas prazeirosas (espero!) de leitura. E eu agradeço.
Um grande abraço,
Alex Castro
Nova Orleans, novembro de 2008
* * *
Esse texto é um dos mais copiados da Internet. Façam buscas por trechos aleatórios que vocês vão ver. Muita gente copia só as frases favoritas. Por exemplo, a busca no Orkut por "atrelar meu ego ao meu trabalho" revela 478 perfis; "poderia dizer aqui tudo o que eu", 726 perfis; "componho minha obra-prima: minha vida", 254, etc etc.
As pessoas não tem noção alguma de ironia. Vejam só, tenho trocentos textos dando opinião sobre tudo. Se o cara lê minha resenha d'O Estrangeiro, adora, concorda e copia pro blog dele, tudo bem, é plágio, é feio, mas eu até entendo. Nesse caso, o universo não ameaça ruir sob o peso de suas contradições.
Mas será que esse povo não vê a profunda ironia de copiar, como se fosse seu, como se falasse de você, um texto sobre ser artista, ser alternativo, ser original, sobre tentar viver a sua vida de modo diferente? Será que não vêem que se fossem minimamente parecidos com a pessoa descrita no texto jamais chegariam perto de copiar algo escrito por outro? Será que copiaram e pronto, como se fosse a coisa mais normal do mundo, sem nunca perceber a gigantesca contradição?
O pior é que entrei em contato com alguns dos outro pseudo-Alex Castro e foi isso mesmo. Ficaram até ofendidos quando mencionei o assunto.
* * *
Pré-FAQ a dois comentários que fatalmente serão feitos:
Pô, Alex, relaxa, e daí que nego copiou seu texto? Você não devia ficar estressado assim...
Ai, eu odeio isso, não sei como você aguenta, eu teria vontade de ir lá esganar esses plagiadores safados sem vergonha, uma vez copiaram um texto do meu blog e eu, ploft!, clang!, soc!, etc etc (esse comentário tende a ser longo, vamos parar por aqui)
Então, pra deixar bem claro, eu não fico nem um pouco chateado. Meu ego de escritor vai às alturas de ter criado algo que ressonou em tanta gente, algo que já virou um fenômeno cultural fora do meu controle. É lindo. Só me espanta um pouco as pessoas não verem a contradição, mas vá lá. O brasileiro não vê a contradição nem de ser católico e fazer oferenda à Iemanjá. Na verdade, eu só queria mesmo era arrumar um jeito de tirar algum dinheiro dessa história. Quando vou comprar pão e tento pagar com o meu talento em criar fenômenos culturais internéticos, o seu Manuel diz que só aceita real.
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