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Domésticas em São Paulo Hoje

Quando falei da questão das domésticas, muitos leitores me acusaram de anacrônico e anedotista. Ao mesmo tempo que diziam que não existiam mais domésticas e que eu estava falando de uma realidade passada, também afirmaram que eu não estava sendo científico, mas somente citando minha "experiência pessoal".

Enfim, para quem tiver interesse, apresento um trabalho de Antropologia Urbana realizado na USP em 2003: Entre a Casa e a Rua: A Relação entre Patrões e Empregadas Domésticas, por Gabriela Renata R. dos Santos, Patrícia Lagun Mesquita e Rafaela de Andrade Deiab. Homens Invisíveis: Relatos de uma Humilhação Social FERNANDO BRAGA DA COSTA

Alguns dos melhores trechos:

Este artigo apresenta os resultados da pesquisa desenvolvida a partir do projeto intitulado originalmente "Projeto para Pesquisa de Campo em Antropologia", que se propunha estudar o trabalho doméstico enquanto uma instituição social brasileira a partir da relação entre empregadas domésticas e patroas. Algumas questões foram levantadas, como: "Por que essa relação existe de forma tão disseminada em nosso país?", "Por que é potencialmente conflituosa?", "Como se reproduz e se reinventa na sociedade brasileira ao longo do tempo?". Para responder estas questões, tomou-se como recorte a relação entre patroas e empregadas na cidade de São Paulo enquanto instituição peculiar, que estabiliza a vida familiar brasileira e situa-se num determinado nicho do mercado de trabalho.

[Comentário do Alex: "tão disseminada"?! As autores não devem ter falado com os meus leitores ou saberiam que essa instituição nem existe mais!]

A partir das falas das empregadas domésticas, pode-se perceber que "ir e voltar" é sempre preferível a "dormir no emprego", principalmente por causa da duração da jornada de trabalho. No segundo caso, a labuta estende-se até a última hora do dia, misturando-se a intimidade do empregado com a da família. O tempo para o descanso é reduzido e os limites entre o tempo do trabalho e o tempo do descanso se diluem. (...)

Quando foi perguntado a Sinhá o que ela achava de dormir no emprego, ela respondeu: "Deve ser horrível! Porque você tira a liberdade dos patrão tudo. Você sempre tá cansado... Acho legal assim: terminar o serviço e ir embora."

[Reparem que a doméstica assume imediatamente o ponto de vista dos patrões, e não o dela, pra justificar sua opiniões. Terá realmente introjetado esse ponto de vista? Ou será porque está sendo entrevistada por duas sinhazinhas? Aliás, o artigo nunca menciona que os nomes das entrevistadas foram trocados, então podemos presumir que Sinhá é o nome verdadeiro da doméstica em questão, pois teria realmente sido demais se as autoras escolhessem logo essa palavra como pseudônimo!]

 Empregados Domésticos  Espancando a Empregada

[Alexandre, o dono da agência de empregos domésticos:] "Geralmente, a grande demanda, principalmente no caso do mercado em geral, não só pelo fato de ser agência, eu acho que é pra dormir no emprego. (...) A maioria [das domésticas] que procura a agência não quer para dormir, porque não pode. Ou porque tem filhos que não tem com quem deixar, ou tem marido, são casadas.... Então é o inverso: a grande procura de empregadas é pra arrumar empregos de ir e voltar. Já as patroas procuram mais a agência pedindo empregadas que dormem. Nós é que temos que destrinchar isso aí, nós temos que recrutar essas candidatas que podem dormir e aí... Eu acredito que procurem a agência justamente por ser mais difícil conseguir fora." (...)

O período de contratação da primeira empregada doméstica geralmente se dá por ocasião do casamento . As patroas passam a exigir da empregada que durma no emprego a partir do momento em que têm filhos, quando trabalham fora, ou porque a presença dela viabiliza idas ao cinema, jantares, ou, ainda, pelo simples conforto de ter uma ajuda a mais nas tarefas da casa, como no caso de Jane, que considera o serviço da empregada doméstica um facilitador que torna a vida mais agradável.

"Ajuda muito a vida da gente, simplifica, mas não sei se 'necessário' é a palavra certa. A gente pode fazer, tantos países não têm empregada e as pessoas fazem o serviço doméstico também, mas ajuda bastante. Torna a nossa vida mais agradável".

Já Laíde considera indispensável, impossível, viver sem uma empregada doméstica:

"Pra mim não dá pra viver sem. É uma pessoa muito importante. Bastante, viu? Naquele trabalho pesado em casa, pois se eu quero produzir alguma coisa, desenvolver algum trabalho fora de casa eu preciso ter alguém que me ajude".

Amanda pensa de modo parecido:

"Não dá para viver sem, hoje, ia implicar no meu desempenho profissional".

É possível pensar que a dinâmica econômica impulsiona mulheres de estratos médios a buscar emprego fora de casa, ao mesmo tempo em que as leva a contratar outras mulheres como domésticas. (...)

[Para muitas mulheres pós-modernas, independentes, profissionais, a empregada acaba sendo aquela vítima que oferecem em holocausto no altar da domesticidade para poderem ter suas vidas próprias. Ao arranjar alguém que assuma as tarefas tradicionalmente femininas, as mulheres podem finalmente invadir o mercado tradicionalmente masculino - damatteando, ao encontrar quem tome conta da casa, podem sair à rua.]

Empregadas e Patroas: uma Relação de Amor Meninas Domésticas, Infâncias Destruídas

A casa é o lugar da família, dos laços de sangue. Nesse sentido, a empregada partilha da convivência familiar no espaço da casa, tornando-se "quase" da família. Contudo, no primeiro caso de desconfiança, quando some algo da residência, a primeira pessoa de quem se suspeita é aquela alheia à família. A empregada, que era "quase da família", torna-se "uma estranha", afinal de contas ela não tem sua origem na casa; ela vem da rua - o lugar do perigo e da inconstância - e talvez venha junto com ela a ameaça ao lar. A mulher do site, depois do acontecido, lamenta ter que contratar uma doméstica, considerando este tipo de trabalho quase um mal necessário: "sempre tive empregadas domésticas em casa, pois trabalho fora e preciso de alguém para me ajudar; mas, francamente, se eu tivesse alguma opção, optaria por nunca colocar uma pessoa estranha em minha casa." (...)

Nessa medida, mesmo as empregadas esperam algo mais do que uma relação formal com as patroas. Para Paula: "Uma boa patroa para mim não é dependente ao que ela me paga, uma boa patroa para mim é aquela que me valoriza (...) se eu precisar, ela estar ali para me ajudar. Quando ela precisar que eu a ajude, sem cobrar nada dela" (...)

[Em seguida, as autores citam várias domésticas que afirmam preferir patroas que pagam menos, mas as tratem melhor. Como diria um economista, as domésticas assim literalmente pagam para ser mais bem tratadas. A presidente do Sindicato é contra:]

"Muitos patrões ainda ficam com aquela de dar roupa velha, roupa usada e dar isso e aquilo e o valor mesmo do trabalho eles não reconhecem. Entende? Como uma troca assim de alimentação, moradia e não vêem que hoje é um trabalho como os outros que tem que ter tudo mais, todos os outros direitos." (...)

Todas as vezes em que lhes foi sugerido se gostariam que seus filhos fossem empregados domésticos, todas negaram, até mesmo Dalva e Sinhá. Acreditam que é um ótimo emprego para quem não tem outra opção, como coloca Dalva: "Eu gosto. E sabe por que eu gosto? Porque eu não sei ler, pra eu arrumar um emprego numa firma... eu não sei ler... não tô arrependida do serviço que eu tô trabalhando, porque eu tô ganhando o meu dinheiro, pra mim fazer dele o que eu quiser. Então, eu tenho inveja assim, porque eu não sei ler. Mas se eu soubesse ler eu tava ni outro lugar." (...)

[A presidente do Sindicato dos Empregadores Domésticos do Estado de São Paulo, Dra Margareth, dá um depoimento apavorante. Reparem como ela acredita viver num país de oportunidades iguais: segundo seu discurso, todo mundo teria chance de chegar onde ela chegou; quem não chegou e precisou ser empregado doméstico, é por ser "indolente".]

"O nosso maior problema chama-se cultura. Muitas pessoas que trabalham, você vê, eu fiz três faculdades, duas especializações, não sendo custeada nem por pai, nem por mãe, nem por ninguém. Eu acho que temos que criar nossas oportunidades. Você é jovem, vai criar todas as suas oportunidades sem dúvida. Eu sempre trabalhei, desde os 17 anos de idade, eu sempre fiz meus horários eu me enfiava em cursos à noite, estudava de madrugada, às vezes eu estava saindo de casa quando eu reparava eu estava de pijama, são aqueles lances que você não dorme direito fica só estudando tal, então ... Eu criei minhas oportunidades, mas tem muita gente que não quer levantar às 4 horas da manhã - como eu levantei - para tomar ônibus, um trem, um ônibus, fazer a faculdade e voltar tomar o trem, o ônibus e outro trem para ir trabalhar. Levar ovo cozido na bolsa para você poder comer - eu fazia isso. Então, tem gente que não gosta de fazer sacrifícios na vida. Então, que que acontece? Não estuda, não procuram progredir, se contentam com o que têm. Então, que que acontece? Acontece que ficam pessoas aí sem cultura, sem condições de disputar o campo de mercado... Então essas pessoas para sobreviver vão bater na porta de um empregador doméstico, se oferecer para o trabalho, muitas vezes o patrão doméstico paga o empregado para ensinar o empregado. Existe hoje, quer dizer desde 72, a categoria do empregado doméstico, mas eles não são profissionais. Você vai mandar para escrever um recado, tomar nota de um recado, não sabe escrever... Infelizmente existe esse pessoal com a própria indolência." (...)

[Dra Margareth também é contra direitos trabalhistas "normais" para domésticas e explica:]

"O Brasil é o único pais do mundo que concede a essa categoria todos os direitos normais. Porque por exemplo na Europa, Itália, onde eu estive alguns meses lá, fazendo pesquisa, eu observei que são altamente qualificadas. Você paga, paga-se bem. Mas, em compensação, você paga, digamos, por uma limpeza, você recebe tua casa esterilizada. Aqui você paga uma faxina e encontra a sua casa muitas vezes deteriorada. Ou seja, quebraram tudo, teu vaso, tuas coisas, teu computador. Aqui, por exemplo, no escritório, quando eu mando vir faxineira, dependendo na faxineira, na segunda feira tem que chamar um técnico para consertar o computador, para ver o que está acontecendo, porque pepinou tudo. Então, quer dizer, não é um pessoal qualificado."

Uma empregadora que desabafou no site "A patroa e sua empregada" pensa da mesma maneira:

"O preparo dessas pessoas é simplesmente de chorar, e não porque o salário oferecido é pouco. No meu caso pago 3 salários mínimos, mais moradia, mais comida, mais INSS e encargos, sem descontar nada. Quando falo em 'preparo' não me refiro simplesmente à escolaridade, mas à capacidade de entendimento do mundo!" (...)

No entanto, ao mesmo tempo em que exigem profissionalismo por parte das empregadas domésticas, as patroas se remetem a um passado idealizado ao dizer que "não se fazem mais empregadas como antigamente". Segundo Jane: "Acho que são os tempos. As empregadas não se submetem mais a serviços, ordens com antigamente."

[Bons tempos aqueles...]

 Casa-Grande e Senzala Sobrados e Mucambos, de Gilberto Freyre

Além disso, as condições de trabalho da categoria dificultam a articulação: muitas domésticas exitam em participar de uma organização política para não terem problemas com as patroas ou por medo de perderem o emprego. O fato de trabalharem separadamente, em casas, muitas vezes dormindo no serviço e tendo só o domingo livre, acentua a condição de isolamento que caracteriza o emprego doméstico, dificultando a comunicação entre suas executantes. Por exemplo, uma moça que foi entrevistada no STDMSP e que dormia no emprego disse: "Falei que ia ao banco para poder vir ao sindicato." (...)

[Como se pode ver pelo comentário acima, não é exagerada a comparação entre uma doméstica e um escravo ou um prisioneiro. Por morar no trabalho e não ter horas livres, a empregada simplesmente não tem (ou não percebe ter, o que dá no mesmo) direito de sair à rua sem precisar justificar suas idas e vindas. No caso, para ir a um lugar que a patroa poderia achar ruim, a moça é forçada a mentir. Ou seja, tudo, em sua postura e em seu discurso, faz lembrar muito mais uma criança, uma escrava ou uma prisioneira, do que uma mulher adulta e independente, desfrutando da sua plena capacidade de negociar com seu patrão.]

A dinâmica da casa é peculiar porque menos permeável à lei, sendo, às vezes, até mesmo hostil a ela. Seu sentido próprio é pautado não pela regra pública e, sim, pelo ritmo da família que a comanda. Daí as empregadas não gostarem de dormir no emprego, pois se sentem coagidas por um regime familiar que não reconhecem como o de sua própria família, tampouco como regime de trabalho formal que idealizam para si ou para os filhos. (...)

Quanto às patroas, elas cobram profissionalismo e maior qualificação, mas ainda têm problemas para lidar com empregadas que possuam tais características, considerando-as, muitas vezes, insubordinadas: "não se fazem mais empregadas como antigamente". Apesar desses conflitos, quase unanimemente afirmam que não dá para viver sem essa mão de obra caso queiram participar elas mesmas do mercado de trabalho. Igualmente versam sobre a intimidade que compartilham com a funcionária, daí a exigência quase obsessiva de confiança e honestidade, enquanto as domésticas reclamam respeito e valorização.

Leia o artigo completo: Entre a Casa e a Rua: A Relação entre Patrões e Empregadas Domésticas, por Gabriela Renata R. dos Santos, Patrícia Lagun Mesquita e Rafaela de Andrade Deiab.

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Racismo LLL

 

01.12.08


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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: leo · http://lmonasterio.blogspot.com

Alex,

Resolvi tirar meia hora e fazer uma tabela com os dados do IBGE 2000 e 2007 para os empregados domesticos residentes.
Está aqui:
http://spreadsheets.google.com/pub?key=pUiZstwteV0w34ayHTyTDXw

A conclusão sobre o quao disseminado e a tendencia do empregado que dorme no servico eh com vc. (Nota: vc nao pode comparar os valores brutos de 2007 e 2000 pq nem todos os municipios foram recenseados na contagem mais recente. O jeito eh olhar para os %);

Leo.

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 09:21



Comentário de: leo · http://lmonasterio.blogspot.com

Alex, estou olhando novamente os dados e nao estou acreditando. Desde o comeco do debate, eu apostava na queda abrupta da relevancia da ocupacao em questao, mas os dados me surpreenderam mesmo. Cair de 0,26% para 0,10% em 7 anos é demais.
Se os dados estao certos (e eu acho que estao), o Brasil viu nos ultimos anos uma sensacional mudanca.

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 09:36



Comentário de: JLM · http://www.jefferson.blog.br

Um caso excepcional em q o preconceito com a doméstica resultou em bons frutos.

"Filha de pais analfabetos, Vanilda conta que sempre gostou de ler, mas não tinha acesso a livros. Aos 14 anos, quando trabalhava como babá para uma família, a patroa a demitiu após ver que ela lia um livro sem autorização. O título da obra? "A Escrava Isaura".

Fiquei chateada, mas aquela situação foi um empurrão para mim." Vanilda, então, comprou, claro, "A Escrava Isaura" e "Éramos Seis". "Eu comprei porque queria terminar de ler o livro!" E não parou mais. No final dos anos 80, ela passou a ajudar crianças da região onde morava com o dever de casa. "Muita gente começou a fazer doações. E o acervo foi crescendo."

Da experiência amarga, Vanilda não guarda nenhum rancor da ex-patroa. "Hoje, ela vem retirar livros aqui e a neta dela é voluntária da biblioteca. O acontecido foi uma lição de vida para mim e para ela"


Fonte: G1 (http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL875443-5604,00-EXCATADORA+DE+PAPEL+MONTA+BIBLIOTECA+COM+MAIS+DE+MIL+LIVROS.html)

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 11:38



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

É difícil entender o q vc tá querendo nesse assunto.

¿Vc só tá observando dados e mostrando tuas observações sem julgar?
¿Acha q o vínculo empregatício da doméstica – tal como se dá em muitos/alguns/poucos casos – é ERRADO?
¿Acha MORALMENTE errado?
¿Não acha q se as coisas acontecem assim é pq, na conjuntura em q estão, não poderiam acontecer diferente?
¿Acha errado q as pessoas procurem tirar vantagem da situação em q se encontram?
¿Não acha q tanto o patrão qto a empregada tão procurando tirar vantagem da situação em q se encontram?

E noutro assunto:
¿Vc acha o racismo moralmente errado? ou apenas socialmente incoveniente e economicamente imprudente?

Note q nenhuma dessas perguntas tem uma resposta clara em teus textos. Às vezes parece q vc tá partindo de uma plataforma MORAL (do tipo justicista), mas qdo alguém pressiona, vc sai por uma tangente, dizendo q é só uma pesquisa sobre escravismo, e qdo alguém pressiona sobre a pesquisa, vc diz q é um livro de contos sobre domésticas; aí falando sobre domésticas, vc linca com racismo e escravidão, embora o linque teja pra lá de contestável (há empregadas domésticas, q eu sei, no Uruguay e Argentina, funcionando igualzinho a aqui, sem tirar nem pôr: só q lá são todas ou da mesma raça q os patrões, ou descendentes de indígenas).

¿Será q o problema mais premente não é o do PATRÃO – esse ser terceiromundista recalcado atormentado por sua inveja do primeiro mundo e por seus patéticos arremedos de imitação?

¿Será q tudo isso (a questão em si e suas infinitas análises) não é apenas uma maneira de o brasileiro se achar peculiar, ou seja, uma maneira de ele se achar especial, de se definir por seus problemas – reais ou imaginados?

E isso em si ¿não seria uma "prisão"? a prisão de rodar e rodar em torno a si mesmo?

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 11:39



Comentário de: Alessandra

Alex, posso dar uma sugestão? Abre um outro blog para falar desses assuntos e deixa o LLL para as coisas legais, vai.

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 14:40



Comentário de: regina

Os meus amigos ingleses sempre ficavam pasmados pq a minha familia tinha live-in domestic help. Na Inglaterra so os aristocratas tem esse tipo de coisa. A classe media tem faxineira uma vez por semana e olhe la. Mas pelo que eu observei, as "patroas" limpam as suas casas de cabo a rabo um dia antes da faxineira vir, pra nao passar vergonha. Ou seja, elas nao precisam de faxineira e sim de self-discipline. Mas nao e uma ocupacao regulamentada. As faxineiras sao todas estrangeiras e trabalham por cash-in-hand. Comparavel a empregada domestica que dorme no emprego e a live-in nanny (baba que mora no emprego). Mas os horarios, responsabilidades, etc, sao combinados de antemao e assinam contratos de trabalho. Existem abusos, mas parece que so na minoria dos casos. Muitas dessas live-in nannys chegavam a ganhar bem mais que o meu marido. Geralmente elas mudam de live-in para live-out quando se casam e tal. Au-pairs tambem podem ser comparadas as domesticas do Brasil: sao jovens estrangeiras que vao para a Inglaterra (e outros paises) para estudar a lingua local. Ganham uma ninharia, poucas sabem negociar horarios etc e tal. Os patroes acham que pq oferecem casa e comida podem pagar mal e explorar bastante. E o trabalho pode ir desde tomar conta de criancas ate cozinhar, passar, limpar etc e tal. Mas o grau de educacao das au-pairs e bem mais alto do que o das domesticas brasileiras, entao elas se deixam explorar por bem menos tempo. Complicado tudo isso... Tem gente disposta a explorar o proximo em todo lugar. O problema no Brasil me parece ser a falta de opcoes devido a uma porcao de fatores socio-economicos (e historicos tambem).

Gosto muito dos seus posts que geram debates inflamados na caixa de comentarios. Quem gosta de ler coisas mais legais pode visitar outros blogs, nao e mesmo?

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 16:46



Comentário de: Karina

Plausível, acho que entendo o que o Alex pretende tanto na série sobre racismo, quanto na série sobre domésticas. Penso que a intenção é que os do outro lado (não negros/empregadores) consigam vislumbrar a real situação do outro lado. Acho que a intenção é a de desvendar algumas hipocrisias (na visão do Alex) a respeito de como as pessoas se vêem (sou isento de preconceitos/minha empregada é parte da minha família e tem a vida que qualquer um pediu a Deus).

Com relação aos linques entre os dois temas, não acredito que um assunto anule o outro, tampouco que um assunto se refira exatamente ao que outro se refere. Há domésticas negras, domésticas não negras e negros não domésticas. Cada um carrega o seu fardo, o fardo de ser o que é. São assuntos que têm algum ponto de contato, mas não se complementam necessariamente. Pelo que entendi, o Alex escolheu dois temas que acha interessantes, mas poderia ter escolhido outros. Poderia falar de deficientes, feios, animais, mulheres...

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 16:50



Comentário de: Hugo · http://aiengineer.blogspot.com

http://spreadsheets.google.com/pub?key=pUiZstwteV0w34ayHTyTDXw
O interssante e que a queda para quase 1/4 no Sudeste e 1/3 no Sul corrobora bem todos os depoimentos na linha de "ja ouvi falar, mas nunca vi", que o Alex achou tao absurdos.

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 17:07



Comentário de: Kitagawa

Sobre o racismo, trecho de entrevista com o Drek Green, vocalista do Sepultura, hoje no Folhateen:

FOLHA - E como foi a adolescência em Nova York?
GREEN - Sempre achei Nova York um lugar com muita gente diversificada, onde sua raça não importa. O racismo existe lá está alguns lugares específicos. O que acontecia, e ainda acontece, era ter dificuldade para pegar táxis, porque sou negro e alto. Muitos taxistas acham que vão ser roubados.

FOLHA - E o tempo na Europa?
GREEN - As pessoas não são tão explícitas lá. O que eu vi mais foi uma xenofobia, comentários preconceituosos contra estrangeiros, imigrantes.

FOLHA - E qual a sua impressão ao se mudar para o Brasil?
GREEN - Antes de vir para o Brasil, me diziam que o país era misturado racialmente, que não existia racismo como nos EUA. Mas, quando cheguei, vi que existe racismo aqui, só que as pessoas não admitem e, muitas vezes, nem se dão conta de que ele existe. Comecei a notar, cada vez que ia aos restaurantes, que nunca havia uma família negra comendo lá. A mesma coisa acontecia nas lojas de shoppings, não via muitos negros fazendo compras. Perguntava aos universitários quantos negros havia nas salas deles e me respondiam "um ou dois".
Fui percebendo que não havia muitos advogados ou médicos negros. Comecei a achar estranho estar em lugares onde sou o único negro. As pessoas ficam dizendo que [a discriminação] é econômica, mas há algo mais de muito errado.

FOLHA - Na sua visão, o Brasil é mais racista que os EUA?
GREEN - Eu diria que qualquer negro tem muito mais chance de fazer o que quer que seja e de crescer se viver fora do Brasil, na Europa e nos EUA.

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 18:20



Comentário de: Kitagawa

Ah, sim, o cara mora em São Paulo há 7 anos.

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 18:21




Kitagawa,

Nos EUA os negros sao realmente minoria numérica. As pessoas costumam de surpreender ao descobrir que eles sao uns 13% da populaçao americana. Porque existem bastante mais negros famosos e bem sucedidos nos EUA que no Brasil. Esse argumento deveria final para convencer alguém de que o problema aqui nao é apenas social. Mas alguém sempre questiona...

Aí precisa vir um gringo pra nos dizer o óbvio.

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 18:45



Comentário de: Kitagawa

Interessante como para o olhar estrangeiro, a simples e superficial leitura da realidade, a constatação da ausencia quase completa de negros no seio da classe média e da elite, já são atestado óbvio, inequívoco de que há, sim, racismo por aqui. Acho que com essa discussão toda aqui no blog, com os depoimentos, isso ficou ainda mais óbvio pra mim. Realmente, me parece impossível que numa sociedade supostamente não-racista não haja pelo menos alguma frequencia mínima de negros advogados, médicos, engenheiros... Seria o natural, não? Mas para alguns isso continua sendo plausivel mesmo numa sociedade "não racista" como a nossa! Acho que para o Alex, e para outros com algum vivencia em outras paradas multirraciais, esse olhar de fora sobre o Brasil parece trazer à tona um obvio ululante para o qual boa parte dos brasileiros continua cega.

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 18:46



Comentário de: Kitagawa

Bem lembrado, D, os negros nos EUA (o que inclui tbm os que chamamos aqui de pardos), são proporcionalmente uma parcela muito menor que aqui no Brasil, o que torna a nossa situação ainda mais absurda.

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 18:49



Comentário de: leo · http://lmonasterio.blogspot.com

Com algum trabalho, Alex, dah para abrir esses dados por cor.
Mais legal ainda,seria fazer o seguinte teste econometrico: ver se controlando por tudo, os lugares que tiveram mais escravidao tem - controlando por outras caracteristicas - uma frequencia maior de empregadas domesticas residentes.

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 19:11



Comentário de: Sheila

Nao tive tempo de ler o texto todo apenas os trechos separados pelo Alex.
O que mais me chocou é que algumas patroas veem as empregadas como alguém inferior, Só faltou dizer que as empregada nao tem "alma", como era dito para justificar a escravidao.
Outra coisa que me chamou atencao é o fato que quase todas afirmam pagar bem as empregadas.
O qué é pagar bem? É pagar mais do que acham que vale o servico?
Claro que a patroa ganha muito mais que a empregada, porque senao nao teria como paga-la. Entao pq afirmam que paga bem? Será que acham que a empregada só precisa suprir as necessidades básicas e nao sabem aproveitar as boas coisas que o dinheiro proporciona?

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 20:38



Comentário de: Alessandra

"O qué é pagar bem? É pagar mais do que acham que vale o servico?
Claro que a patroa ganha muito mais que a empregada, porque senao nao teria como paga-la. Entao pq afirmam que paga bem?"

Claro que esse pagar bem é relativo. Mas é relativo ao tipo de trabalho. Empregadas domésticas em geral ganham mal porque fazem um trabalho muito pouco qualificado, que praticamente qualquer pessoa saudável que estiver disposta é capaz de fazer.

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 21:03



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

¿Tem algum lerdo realmente dizendo q não há racismo no Brasil – assim, com todas as letras?

Posso ter passado por cima de algum comentário, mas qdo alguém diz q "o maior problema do Brasil não é A; é B," ele não tá dizendo q o problema A não existe.

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 21:39



Comentário de: Kitagawa

Dr, o recorrente por aqui é dizer que o preconceito é social, mas não racial. Supostamente somos uma "democracia racial". Esse é o senso comum, e muita gente aqui corroborou isso.

PermalinkPermalink 02.12.08 @ 00:01



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"Nos EUA os negros sao realmente minoria numérica."

"Bem lembrado, D, os negros nos EUA (o que inclui tbm os que chamamos aqui de pardos), são proporcionalmente uma parcela muito menor que aqui no Brasil, o que torna a nossa situação ainda mais absurda."

De novo, essa mistura de pardos e negros. Ao se fazer isso se confunde toda discussao e distorce a realidade

Negros SAO minoria numerica no Brasil - isso explica em parte o racismo. Nao adianta colocar os pardos na mesma classificacao dos negros, simplesmente pq eles nao se consideram negros, possuem preconceito quanto aos negros e sao mais aceitos entre os brancos do que o negro.

Pardos NAO sofrem o mesmo preconceito e racismo que os negros (ate pq parte significativa desses partos nem eh afro, nao) no Brasil.

Quantos NEGROS medicos, professores universitarios, advogados, juizes, delegados, etc... eu conheco no Brasil?
Poucos, da para contar nos dedos.

Quantos PARDOS medicos, professores, universitarios, advogados, juizes, delegados, etc... eu conheco no Brasil?
Uma cambada. Tanto quanto brancos.

PermalinkPermalink 02.12.08 @ 00:14



Comentário de: Ted Tarantula

empregada domestica..o maior furo na canoa
furadissima do feminismo

PermalinkPermalink 02.12.08 @ 00:57



Comentário de: Te

Acho absurdo isso de dizer que a empregada é incapaz por que não sabe coisas como atender o telefone e anotar recados. Ela é empregada, não é secretária (aliás eu detesto esse eufemismo "secretária do lar" pra empregadas domésticas).

Uma alternativa para as empregadas que durmam no emprego é contratar uma empregada para cada turno de 8 horas. Imagina esse povo que chora pra pagar uma empregada reclamando dos encargos trabalhistas se tivesse que pagar três empregadas! A personagem Lynette de Desperate Housewives (cuida da casa e de 4 filhos "pestinhas" sozinha) para as brasileiras deve ser com mais força a imagem do inferno na Terra.

PermalinkPermalink 02.12.08 @ 13:18



Comentário de: Alexandre Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

"Pardos NAO sofrem o mesmo preconceito e racismo que os negros (ate pq parte significativa desses partos nem eh afro, nao) no Brasil."

Como alguém é pardo no Brasil sem ser afro?

PermalinkPermalink 02.12.08 @ 17:29



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"Como alguém é pardo no Brasil sem ser afro?"

Hum...voce realmente esta perguntando isso? Por onde comecar?

Tu sabia que haviam indios no Brasil antes dos portugueses chegarem, suponho?

Ja ouviu falar de caboclo?
Ja andou pelo Centro-Oeste, interior de SP, Norte, etc...?

Pardo diz respeito a cor da pele, nao etnia.

Brasil nao eh Rio e Salvador, onde a maioria dos pardos realmente eh mulato.
Ja morei em varios estados do Brasil - enquanto a quantidade de pardos mulatos eh expressiva caboclos eh bem mais visivel.

Nao vou dizer que sao a maioria, p/ nao tenho dados (ja que o censo nao ajuda, so coloca "pardo"), mas eu diria que pelo menos metade dos pardos sao caboclos (indios+branco) e outras misturas com indio.

Alias, grande parte dos "brancos" tb eh, mas se classificam como brancos pela cor de pele.

So que a mesticagem foi tao intensa entre brancos e indios desde o comeco da colonizacao que o pessoal esquece do detalhe.

O decreto de Pombal no seculo 18 determinando que todos suditos da coroa deveriam ser respeitados independente da cor era voltado a esse aspecto da mesticagem (com indio) por ser elapreponderante na America portuguesa.

PermalinkPermalink 02.12.08 @ 19:15



Comentário de: Marcio E. Goncalves

P.S. Quando eu falo isso tem gente que acha que estou negando a negritude do Brasil. Nada a ver (inclusive EU sou afro-descendente).
So acho que essa distorcao nos numeros atrapalha a discussao e solucao de problemas.
Preconceito sofrido por uma minoria (o que os negros sao no Brasil, pelos nuemros reais) eh diferente do preconceito sofrido por uam suposta maioria (o que os negros seriam, nas visao distorcida daqueles que somam os pardos ao numero, so para fazer pressao).

Nao eh um detalhe qualquer como a D. falou em outro post - eh crucial par entender a questao eh enfrenta-lo.

PermalinkPermalink 02.12.08 @ 19:20



Comentário de: Silvana

Cara Alessandra, algumas perguntas:

-O assunto das domésticas não é "legal"?
Como assim?

"Empregadas domésticas em geral ganham mal porque fazem um trabalho muito pouco qualificado, que praticamente qualquer pessoa saudável que estiver disposta é capaz de fazer."

Então pra que tanta gente "joga dinheiro fora" pagando empregada doméstica?

Já parou pra pensar?

PermalinkPermalink 04.12.08 @ 01:12



Comentário de: Luciana

Totalmente ridiculo esse comentário da Dra. Margareth.
E essa teoria dela sobre as empregadas italianas... Onde é que ela pesquisou? Aqui muita gente trata empregada como escrava. No dia de folga nao deixam as empregadas comer em casa, para nao dar despesa.
Faxineira custa de 8 a 10 euros por hora e quase ninguém pode pagar mais do que 10 hoars de faxina por semana.

PermalinkPermalink 14.12.08 @ 19:02



Comentário de: Asisa do Brasil

Olá!
Ums sábia mulher resolveu a questão da seguinte forma: (3)TRÊS EMPREGADAS -(sálário mínimo) REVESANDO O HORÁRIO DELAS, 24 POR 48 HORAS,COMO DE ENFERMEIRA, MILITARES e, funciona.
Inclusive é o meu objetivo.
Bjs
Asisa

PermalinkPermalink 19.10.09 @ 23:52



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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
  • 73. Diamond, Jared. The Third Chimpanzee. The Evolution and Future of the Human Animal. [EUA, 1992] Set.
  • 72. Suzuki, Daisetz Teitaro. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Set.
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  • 68. Freyre, Gilberto. Casa Grande & Senzala. [Brasil, 1933] Ago.
  • 67. Andrade, Carlos Drummond et al. Elenco de Cronistas Brasileiros. [Brasil, c.1950-2000] Ago.
  • 66. Veríssimo, Luis Fernando. Histórias Brasileiras de Verão. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 65. Veríssimo, Luis Fernando. Novas Comédias da Vida Privada. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 64. Rodrigues, Nelson. O Óbvio Ululante. Primeiras Confissões. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 63. Lispector, Clarice. A Descoberta do Mundo. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 62. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1900-1920] Ago.
  • 61. Alencar, José de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1860] Ago.
  • 60. Machado de Assis, Joaquim Maria. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1870-1900] Ago.
  • 59. Mankell, Henning. The Fifth Woman. [Suécia, 2000] Ago.15
  • 58. Mankell, Henning. The Man Who Smiled. [Suécia, 1994] Ago.10
  • 57. Lindsay, Jeff. Dexter in the Dark. [EUA, 1997] Ago.
  • 56. Couto, Mia. A Varanda do Frangipani. [Moçambique, 1996] Ago.
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  • 54. Albuquerque, Roberto Cavalcanti de. Gilberto Freyre e a Invenção do Brasil. [Brasil, 2000] Ago.
  • 53. Chacon, Vamireh. A Construção da Brasilidade. Gilberto Freyre e sua Geração. [Brasil, 2001] Ago.
  • 52. Araujo, Ricardo Benzaquen de. Guerra e Paz. Casa Grande & Senzala e a Obra de Gilberto Freyre nos Anos 30. [Brasil, 1994] Jul.
  • 51. Schwarcz, Lilia Moritz. O Espetáculo ds Raças. Cientistas, Instituições e Questão Racial no Brasil, 1870-1930. [Brasil, 1993] Jul.
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  • 49. Bosi, Alfredo. Dialética da Colonização. [Brasil, 1992] Jul.
  • 48. Salles, Ricardo. Nostalgia Imperial. A Formação da Identidade Nacional no Brasil do Segundo Reinado. [Brasil, 1996] Jul.
  • 47. Salles, Ricardo. Joaquim Nabuco. Um Pensador do Império. [Brasil, 2002] Jul.
  • 46. Nabuco, Joaquim. O Abolicionismo. [Brasil, 1883] Jul.
  • 45. Nabuco, Joaquim. Minha Formação. [Brasil, 1899] Jul.
  • 44. Weber, João Hernesto. A Nação e o Paraíso. A Construção da Nacionalidade na Historiografia Literária Brasileira. [Brasil, 1997] Jul.
  • 43. Gofman, Rosane & Eny Lea Gass. Empregadas e Patroas. Uma Relação de Amor. [Brasil, 1998] Jul.
  • 42. Graham, Sandra Lauderdale. Proteção e Obediência. Criadas e seus Patrões no Rio de Janeiro, 1860-1910. [EUA, 1988] Jul.
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  • 40. Almeida, Luana Chnaiderman de. Entremeios e Entretempos. Aproximações ao Filme Shoah de Claude Lanzmann. [Brasil, 2006] Jun.
  • 39. Levi, Primo. É Isto Um Homem? [Itália, 1946] Jun.
  • 38. Sartre, Jean-Paul. A Questão Judaica. [França, 1946] Jun.29
  • 37. Costa, Angela Marques da e Lilia Moritz Schwarcz. 1890-1914. No Tempo das Certezas. [Brasil, 2000] Jun.
  • 36. Holanda, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. [Brasil, 1934] Jun.9
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  • 34. Brandão, Adelino. Euclides da Cunha e a Questão Racial no Brasil. A Antropologia de Os Sertões. [Brasil, 1990] Jun.6
  • 33. Moura, Clóvis. Introdução ao Pensamento de Euclides da Cunha. [Brasil, 1964] Jun.6
  • 32. Lima, Luiz Costa. Terra Ignota: a Construção de Os Sertões. [Brasil, 1997] Jun.5
  • 31. Bernucci, Leopoldo M. A Imitação dos Sentidos: Prógonos, Contemporâneos e Epígonos de Euclides da Cunha. [Brasil, 1995] Jun.4
  • 30. Lima, Luiz Costa. Euclides da Cunha, Contrastes e Confrontos no Brasil. [Brasil, 2000] Jun.4
  • 29. Haddon, Mark. O Estranho Caso do Cachorro Morto. [Reino Unido, 2005] Mai.
  • 28. Guilherme, Paulo. Goleiros: Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1. [Brasil, 2006] Mai.
  • 27. Krakauer, Jon. Na Natureza Selvagem: a Dramática História de um Jovem Aventureiro. [EUA, 1996] Mai.
  • 26. Cunha, Euclides da. Os Sertões. Campanha de Canudos. [Brasil, 1902] Mai.
  • 25. Wilder, Thornton. Bridge of San Luis Rey. [EUA, 1927] Mai.
  • 24. João de Patmos. Apocalipse. [Grécia, c.séc.I] Abr.
  • 23. Manzano, Juan Francisco. Autobiografia de un Esclavo. [Cuba, 1836] Abr.
  • 22. Castelnau, Francis de. Entrevistas com Escravos Africanos na Bahia Oitocentista. [Brasil, séc.XIX] Abr.
  • 21. Suzuki, Daisetz Teitaro. Introdução ao Zen Budismo. [Japão, 1934] Mai.
  • 20. Goethe, Johann Wolfgang Von. Faust. [Alemanha, 1832] Mai.
  • 19. Lisboa, Adriana. Rakushisha. [Brasil, 2007] Abr.
  • 18. Tezza, Cristovão. O Filho Eterno. [Brasil, 2007] Abr.
  • 17. Piñon, Nélida, A República dos Sonhos. [Brasil, 1984] Abr.
  • 16. Fanon, François. Black Skin, White Masks. [Martinica, 1952] Abr.
  • 15. Rheda, Regina. Pau de Arara Classe Turística. [Brasil, 1993] Abr.
  • 14. Guillory, John. Cultural Capital. The Problem of Literary Canon Formation. [EUA, 1993] Mar.7-10.
  • 13. Fonseca, Rubem. Feliz Ano Novo. [Brasil, 1975] Mar.11
  • 12. Butler, Octavia. Kindred. [Estados Unidos, 1979] Mar.7
  • 11. Ribeiro, João Ubaldo. Viva o Povo Brasileiro. [Brasil, 1984] Fev.
  • 10. Lispector, Clarice. Laços de Família. [Brasil, 1960] Fev.
  • 9. Veiga, José J. A Hora dos Ruminantes. [Brasil, 1966] Fev.
  • 8. Ramos, Graciliano. Vidas Secas. [Brasil, 1938] Jan.
  • 7. Pinto, Fernão Mendes. Peregrinações. [Portugal, séc.XVI] Fev.- (TulBib)
  • 6. Antunes, Antonio Lobo. O Esplendor de Portugal. [Portugal, 1997] Fev.-
  • 5. Santos, Gislene Aparecida dos. A Invenção do Ser Negro. Um Percurso das Idéias que Naturalizaram a Inferioridade dos Negros. [Brasil, 2002] Fev. (TulBib)
  • 4. Scott, Rebecca J. e outros. The Abolition of Slavery and the Aftermath of Emancipation in Brazil. [EUA, 1988] Fev.
  • 3. Moura, Clovis. O Negro: de Bom Escravo a Mau Cidadão? [Brasil, 1977] Fev. (TulBib)
  • 2. Suassuna, Ariano. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. [Brasil, 1971] Jan. (Releitura)
  • 1. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Clara dos Anjos. [Brasil, 1922] Jan.

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