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Recapitulando a Discussão sobre as Domésticas

Atualmente, estou escrevendo um romance sobre empregadas domésticas, por acreditar que esse tema é delicado, importante e relevante. Numa terra de tantas injustiças e desigualdades como a nossa, talvez seja uma das ocupações mais desiguais, onde a nossa herança escravista se revela mais forte e mais viva.

"É Um Emprego Como Outro Qualquer, Alex! Todo Empregado É Explorado!"

Nem todo mundo concorda, claro. Em primeiro lugar, muitos leitores descartam a importância do assunto dizendo que é um emprego como outro qualquer.

Da mesma forma que vc contrata um vendedor, um garçon, um professor, vc contrata uma empregada domestica ou uma faxineira, é um contrato de trabalho onde a pessoa cotratada sabe qual o serviço que deve ser feito e quanto está ganhando para fazê-lo, acredito sim que seja um contrato de trabalho como outro qualquer, elas não estão fazendo um favor a você e nem você a elas, é uma troca.

 Manual da Empregada Doméstica

Nesse post, explico que, justamente, o que torna o trabalho de empregada doméstica mais próximo da escravidão do que mesmo de um emprego mais humilde (como garçom e operário) é um certo discurso doméstico-familiar traiçoeiro. Ela mora na casa mas não pode trazer amigas ou namorados para o seu quarto, ou mesmo usar as áreas sociais em suas horas de lazer. Ela tem poucas horas de lazer, pois está sempre a disposição. E não pode se recusar a fazer nada (inclusive até, em casos extremos, sexo) porque não tem descrição definida de emprego. Apesar disso, é uma "pessoa da família".

"Na Minha Casa Não Era Assim Não!"

Uma das coisas mais fofas que aconteceram foram os leitores que disseram que não, na casa deles não era assim:

Nao concordo, eu entendo, voce era rico, tinha este tipo de empregada e esta soterrado de culpa, mas nao é em toda casa assim nao. Na casa da minha tia por exemplo, ela pegou uma "menina pra criar", que eu soh fui saber que nao era da familia quando a minha tia morreu... Ela fazia realmente parte da familia, ajudava bastante na casa, mas eu sempre achei que era por cortesia do que obrigaçao (mas eu devo estar errada). Hoje ela mora sozinha na casa da praia da minha tia como caseira e trabalha como faxineira nas outras casas.

Eu sou completamente amoral e sou incapaz de sentir culpa. Mas, mesmo se sentisse, eu sou vítima da mesma cegueira que vocês. Eu também já cheguei a ter dez diferentes empregados domésticos em casa em uma dada época e eu juro por tudo o que é mais sagrado que todos eram felizes, bem tratados, bem pagos e, mais importante, me amavam muito. Eles contavam altas histórias de horror dos outro patrões, aquelas pessoas horríveis, mas ainda bem que lá em casa não éramos assim. Não mesmo. Pôxa, eu tinha nove anos, mas eu me lembraria!

Enfim, essa ilusão reconfortante eu também tenho. A diferença é que eu sei que é ilusão.

Alguns leitores entenderam o que eu quis dizer:

 Domestica

Achei muito bom..... Sabe sempre achei que você exagerava com essa coisa de empregada.... (...) Sua descrição de como funciona a "Live-In Maid" me pareceu muito convincente, e realmente relembra muitissimo a escravidão.... A gente da casa e comida, e ela faz tudo que a gente mandar, e ainda não tem direito a mais vida pessoal do que é conveniente para nós, afinal, ela mora no nosso teto, come a nossa comida, então temos todo o direito de impor limites.....

"Hoje, isso não existe mais. Acontecia em Outra Época/Em Outras Regiões."

Outros levantaram objeções históricas ou geográficas. Disseram que pode até ser que fosse assim, no passado, em outras regiões, mas não existe mais essa doméstica que mora em casa. "Na minha cidade, nunca vi." "Nenhum dos meus amigos têm." "Logo, não existe." (Se eu usar essa lógica, imaginem quanta coisa vai deixar de existir!)

Vc estah retratando as empregadas domesticas dos anos 70-80 no RJ e SP. Foi-se o tempo que as familias de classe media tinham "live-in maid". (Evidencia fajuta: nenhum dos meus amigos 35-45 anos, professores universitarios, tem empregada domestica).

A live-in maid ta em extincao faz tempo, pelo menos na classe media. Escutei casos assim dos pais dos amigos, e de meus pais, mas eu e o pessoal da minha geracao(todos nos 30 atualmente) ja nao tivemos empregada que dormisse em casa, exceto em raros casos. O caso de pegar pra criar, novamente, so de ouvir contar e encontrar as donas de 50 anos que tinham ido trabalhar assim. Nunca conheci uma mocinha do interior que estivesse trabalhando em BH, SP, POA, "pegada para criar"... Mas claro, para agradar esquerdista gringo, essa peca de ficcao e mais interessante. Se voce delimitasse uma janela, algo como 1950-1980(ou ate 90) o texto poderia ficar razoavel.

É grande a ânsia dos leitores de não se sentirem culpados, de poderem lavar as mãos de boa-fé. "Esse problema existiu, mas é do passado." "Ele existe, mas só na sua terra." "Ele existe na minha terra, mas é na casa dos outros!" "Pô, Alex, eu não tenho nada a ver com isso, eu juro." Qualquer coisa pra poderem se sentir limpos, puros, inocentes.

Muitos leitores admitiram que a instituição das domésticas é bastante comum em suas regiões:

O que eu estou notando é que as pessoas que estão comentando aparentemente se referem aos estados do Sul-Sudeste como sendo o padrão no Brasil. Não sei como são as coisas de verdade aí em baixo, mas no meio em que eu vivo, as live-in maids são extremamente comuns. No prédio onde moro, não lembro de um apartamento que não tenha uma empregada doméstica. O caso do "peguei pra criar" também é muito comum. É uma realidade triste e humilhante, é verdade. Para mim, o mais doloroso na hora de pedir desculpas é que não se trata de uma lembrança distante, mas de algo que está acontecendo agora mesmo, enquanto escrevo. E pensar que tem gente comparando limpar privada, lavar roupa suja, arrumar bagunça alheia, trabalhar 12 horas por dia e não poder trazer amigos ou namorados com um bico temporário que exige que a pessoa atenda telefone e carregue caixa com material. Eu, hein...

Sou advogada, pretento escrever um texto sobre o tema empregadas domésticas e as discrepâncias legais entre estas e outros trabalhadores. achei muito interessante as colocações feitas, no entanto, estou espantada em descobri que vivo no século passado, pois não conheço nenhum colega do meu meio social que não tenha empregada doméstisca que durma em casa,aliás a disponibilidade para dormir, é quase que uma condição para a contratação. Moro numa cidade de cerca de 350 mil habitantes, a terceira maior da bahia, e por aqui, como na maioria do Brasil as diaristas, são raras...

Obviamente, o Brasil é um país gigantesco. Eu não conheço o Brasil todo. Eu não sei quais problemas afetam de qual maneira cada cidade do Brasil. Mas eu sei é que essa questão é uma questão válida e importante MESMO se ela realmente não existir na sua cidade.

 Empregados Domésticos  Espancando a Empregada

"Comparar com Escravidão É Forçar Muito a Barra!"

Depoimento de uma leitora:

hoje eu conversei com a minha faxineira e ela me contou que morou/trabalhou numa casa antes de ter a filha e disse que era um saco pois ela era babá e depois que a nenem dormia, ela tinha que ficar só no quarto dela, dai eu perguntei o que ela ficava fazendo e ela disse que depois de um tempo eles colocaram uma tv pra ela, e que as vezes ela lia, mas que era foda pois a crianca ia dormir umas 7 horas da noite e ela ficava esperando até a hora de dormir. dai eu perguntei por que ela nao saia pra dar uma volta, tipo 7 horas ainda esta de dia as vezes, ela podia ir num shopping, cinema, sei lá qualquer coisa, dai ela disse que os patroes nao deixavam ela sair porque tinham medo que ela fosse rendida por algum ladrao quando estivessem entrando no predio. dai eu perguntei se eles nao saiam, ela falou que sim e eu perguntei se eles nunca tinham sido rendidos.

Difícil de imaginar uma história como essa acontecendo em um país sem um forte passado escravista.

A bibliografia (e as histórias que eu escuto) são repletas de empregadas domésticas que são virtuais prisioneiras e escravas. Até hoje, conheço gente que deixa a diarista em casa, sai e tranca a porta, deixando a pobre moça presa até voltar. Nada mais comum do que empregadas que moram no serviço terem seu direito de ir e vir severamente cerceado. Naturalmente, que elas não são realmente escravas nem prisioneiras, e podem exercer muita negociação e resistência sim, mas os escravos e prisioneiros também.

O caso acima não é nem único nem incomum. Querem que eu conte mais um e mais outro? Quantos precisarei contar até se convencerem? Tem algum número mágico?

 Casa-Grande e Senzala Sobrados e Mucambos, de Gilberto Freyre

"Você Está Pegando Meia Dúzia de Casos que Nem Acontecem Mais e Extrapolando pro País Todo!"

Por fim, me acusaram de anacronismo e anedotismo, de falar de uma situação que não existe mais e de não citar bibliografia. Bem, a bibliografia é pouca mesmo, mas existe e eu a consultei quase toda. Nada do que eu falo, nadinha mesmo, vem da minha experiência pessoal - porque, assim como os leitores, eu também acho que na minha casa tudo era perfeito e todos eram felizes.

Infelizmente, é óbvio que não vai existir nenhum estudo sobre a situação das empregadas domésticas em todo o Brasil hoje, agora, nesse minuto. Um dos trabalhos mais recentes, um estudo de campo de Antropologia, é sobre a cidade de São Paulo em 2003, e você sempre pode dizer, "ahh, São Paulo, lá é tudo fudido mesmo, aqui na minha terra não tem isso, e 2003 já faz tempo, muita coisa muda em cinco anos!", mas você só vai estar demonstrando que não entende como funciona um trabalho acadêmico. Outros trabalhos que consultei tratavam de Niterói (2000), Campinas (2001), Vitória (2003, 2007), etc.

Abaixo, estão alguns títulos. Como li, fichei e anotei esses livros, pretendo compartilhar com vocês, ao longo das próximas semanas, algumas das minhas anotações - se ainda houver interesse.

* * *

Empregadas e Patroas: uma Relação de Amor Meninas Domésticas, Infâncias Destruídas

Barbosa, Fernando Cordeiro. Trabalho e Residência. Estudo das Ocupações de Empregada Doméstica e Empregado de Edifício a Partir de Migrantes Nordestinos. Niterói: Editora da UFF, 2000.

Estudo antropológico e sociológico sobre porteiros e empregados de prédio de modo geral, e também domésticas. O trabalho foi feito bastante recentemente, em Niterói, que é uma das cidades com maior IDH do mundo. Ou seja, até mesmo em lugares ricos e bons de se viver, as pessoas têm domésticas... Os porteiros sofrem os mesmos tipos de limitação, moram nos prédios, não tem espaço pessoal, tem que estar eternamente a disposição dos moradores, etc. Também interessante é a questão da masculinidade às vezes exacerbada dos porteiros, muitos migrantes nordestinos, com a natureza doméstica, feminina, servil do trabalho. Homens Invisíveis: Relatos de uma Humilhação Social FERNANDO BRAGA DA COSTA

Costa, Fernando Braga da. Homens Invisíveis: Relatos de Uma Humilhação Social. São Paulo: Globo, 2004.

Literariamente, o melhor. Profundo, lindo, fortíssimo. O autor era aluno de pós-graduação de Psicologia e, como parte de um trabalho para a disciplina de Psicologia Social, teve que exercer algum emprego "humilde" - definido como não exigindo qualquer tipo de treino ou experiência. Tornou-se gari da USP e experimentou na pele a humilhação e a invisibilidade.

Kaufman, Tania. A Aventura de Ser Dona-de-Casa. Rio de Janeiro: Artenova, 1979.

Interessantíssimo. Um manual para patroas sobre como "gerenciar" suas empregadas para elas renderem o máximo. Continua atualíssimo e é apavorante. Lembra muito, às vezes palavras por palavras, uns manuais aqui do Sul dos EUA sobre como gerenciar escravos. A autora é irmã da Clarice Lispector.

Kofes, Suely. Mulher, Mulheres. Identidade, Diferença e Desigualdade na Relação entre Patroas e Empregadas Domésticas. Campinas: Editora da Unicamp, 2001.

Em termos acadêmicos, o melhor. Kofes estuda a relação entre empregadas e patroas em Campinas, especialmente em termos de disputa de feminilidade. Muito bem pesquisado, pensado, argumentado, repleto de entrevistas e estudos de caso.

* * *

Os três artigos abaixo estão disponíveis na internet. Em breve, falarei mais deles:

Brites, Jurema. "Serviço Doméstico: elementos políticos de um campo desprovido de ilusões." Campos (UFPR), Curitiba - PR, v. 03, p. 65-82, 2003.

Brites, Jurema. "Afeto e desigualdade: gênero, geração e classe entre empregadas domésticas e seus empregadores." Cadernos Pagu (UNICAMP), v. 1, p. 91-110, 2007.

Deiab, R. A.; Mesquita, P.; Santos, R. R.. "Entre a Casa e a Rua: a Relação entre Patrões e Empregadas Domésticas." A Graduação em Campo II: Seminário de Antropologia Urbana das Ciências Sociais, 2003, São Paulo.

* * *

Um consolo: pesquiso domésticas faz tempo mas não falo disso sempre por medo de entediá-los até a morte. Entretanto, parece que o tema interessa a muitos leitores. Ainda assim, pra não torrar a paciência de vocês, vou tentar limitar o assunto a um post por semana.

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Racismo LLL

 

27.11.08


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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Danillo Ferreira · http://cafedodom.com.br

A empregada doméstica, de acordo com o que percebo aqui na Bahia, é vista como uma "coitada", alguém digna de alguma compaixão por parte dos seus patrões, uma "necessitada". Lembro dum caso recente em que conhecidos meus ficaram abismados com o fato dum vizinho obrigar sua empregada a usar farda: um sentimento que dá a entender que é vil a profissionalização delas.

Normalmente paga-se menos que o mínimo salário, desrespeita-se os direitos trabalhistas, e o entendimento é que se faz um favor. Nada mais parecido com o ocorrido logo após à libertação dos escravos. Os honorários dessas profissionais(?) são embustes sociais...

PermalinkPermalink 27.11.08 @ 01:55



Comentário de: Monthiel · http://monthiel.blogspot.com

Olá,

E não conhecia esse lado obscuro até mesmo por não ter uma empregada doméstica. Porém não sou cego e vejo como as mesmas são tratadas pela sociedade. Como disse o comentarista acima, é uma "coitada". Infelizmente esse é uma realidade pura e crua que deve ser banida.

Ser empregada doméstica é uma profissão. Se é uma profissão, a mesma tem direitos e deveres. Seus deveres são fazer o que foi paga para fazer e seus direitos é o que a lei ordena. Férias, décimo terceiro, o direito de ir e vir, etc. Enfim, ser tratada como funcionária e não como escrava.

Grande texto o seu, parabéns.

Att,
Monthiel

PermalinkPermalink 27.11.08 @ 08:35



Comentário de: Thiago

"É grande a ânsia dos leitores de não se sentirem culpados, de poderem lavar as mãos de boa-fé. "Esse problema existiu, mas é do passado."..."Pô, Alex, eu não tenho nada a ver com isso, eu juro." Qualquer coisa pra poderem se sentir limpos, puros, inocentes."

Parece a historia daquela turminha que quer mandar em todo mundo por causa de um riponga que viveu a 2000 atrás.

É a história da culpa cristã se repetindo com outras roupagens.

Coitado do Alex ficou traumatizado porque papai tinha 5 empregadas just for the lulz agora acha que todo mundo que não se auto-flagela impuro (é o que tá escrito ali, você é um pecador e vai pro inferno, melhor pegar o chicote e começar a expiar seus pecados)

PermalinkPermalink 27.11.08 @ 09:55



Comentário de: Meg · http://namesadeumbar.blogspot.com

Você ainda está colecionando casos sobre domésticas? Então aqui vai mais um:

Conheci uma certa senhora, bastante neurótica aliás, que tinha muito medo das suas empregadas domésticas. Ela tinha pavor que as moças roubassem suas coisas, então quando tinha uma diarista em casa (ela não admitia ter alguém "para dormir") ela se tornava prisioneira da empregada: não podia sair de casa, não arredava pé nem pra ir na padaria da esquina, só vigiando os passos e os atos da empregada. E ia pra cozinha vigiar se a empregada não cuspia na comida.

PermalinkPermalink 27.11.08 @ 10:37



Comentário de: Meg · http://namesadeumbar.blogspot.com

Continuando: nunca entendi aquilo. Se é pra ficar com medo, constrangida e sem poder sair, porque não fazia ela mesma o serviço?! Ou será que era uma relação de poder que ela tentava exercer sobre a sua empregada , tão doentia assim?

PermalinkPermalink 27.11.08 @ 10:42



Comentário de: Meg · http://namesadeumbar.blogspot.com

Ah, e conheci uma outra dona que fazia o prato da empregada na hora das refeições. Assim, a empregada fazia a comida da família toda e na hora de comer, a patroa punha no prato dela o que achava que ela devia comer de carne, arroz, feijão e o que mais tivessa. Sem direito a repetir!

PermalinkPermalink 27.11.08 @ 10:46



Comentário de: hardy har har

Eu também acho fofo você dar de ombros pra dez comentários que dizem "segundo a minha experiência, no lugar onde vivo, isso quase não acontece mais" e considerar um comentário com relatos terríveis "um depoimento" que "não é único nem incomum". Muito fofo mesmo.

Seu discurso está cada vez mais religioso, tanto no assunto empregadas quanto no assunto racismo. Tem um dogma inquebrantável no topo, cercado de coisas invisíveis mas que paradoxalmente estão em todo lugar; quem não vê está apenas se rebelando contra o mistério, ou então é aliado do mal; com essas pessoas não adianta argumentar, é só balançar a cabeça murmurando "tadinho" e rezar pra que elas um dia vejam a luz; a luz nunca é muito bem explicada, e quem pede explicação ouve que você não está aqui pra explicar, só pra complicar; todo argumento contrário ao dogma é um argumento que reforça o dogma; nenhuma mudança de curso no mundo jamais mudará o dogma, porque ele é instrínseco e também estrutural, é o alfa e o ômega; o dogma nos torna a todos indignos; você não quer se sentir culpado sozinho pelo dogma, por isso se lança na missão de cooptar cada vez mais gente pra se declarar culpada e indigna e ajoelhar com você no milho.

Pensei em outros paralelos também esses dias, mas agora esqueci.

Mais uma coisa: no seu blog eu aprendi que os personagens das novelas do Manuel Carlos existem - são você e seus conhecidos. E eu achando que MC era risivelmente absurdo...

PermalinkPermalink 27.11.08 @ 11:04



Comentário de: Monix · http://duasfridas.wordpress.com

Alex,
Eu tenho uma babá-que-dorme e concordo com você: é uma relação remanescente do sistema patriarcal. Confesso que prefiro evitar a associação com a escravidão porque senão talvez não consiga dormir à noite. :P
Falando sério: por questões de organização da minha rotina, tendo filho pequeno, trabalhando 8 horas por dia, aquele blablabla auto-indulgente todo, simplesmente não vejo outra solução que não essa, pelo menos não no momento. Mas não vou dizer que as carapuças não me sirvam: elas servem, sim. Claro que eu tento amenizar as dificuldades inerentes a essas relação trabalhista totalmente sui generis - não há restrições de comida, nem áreas de circulações explicitamente proibidas na casa. Mas há os acordos implícitos (por exemplo, ela não usa o banheiro 'social' e eu também nunca me dei ao trabalho de dizer que ela pode usá-lo se quiser) e, pior de tudo, a disponibilidade ilimitada. Normalmente quando eu chego do trabalho o "expediente" de trabalho dela está encerrado, mas o fato é que a pessoa continua dentro de casa, então se meu filho quer encontrar um brinquedo que não sei onde foi guardado ele pergunta a ela, que interrompe a leitura ou o programa de TV que está assistindo e vai procurar. E que babá, em são consciência, negaria o pedido de uma criança de seis anos que quer brincar "mais um pouquinho", mesmo que a mamãe já tenha chegado em casa?
Não é muito fácil para mim vestir essas carapuças em público, mas como parece que muitos de seus leitores sinceramente não acreditam que alguém ainda tenha babá-que-dorme em pelo século XXI, acho que vale a pena dizer que sim, gente, para muitas mães trabalhadoras da classe média essa ainda é uma realidade. Eu não sou nenhuma dondoca milionária, sou uma mulher, separada, moradora do Rio de Janeiro, que trabalha fora. Trato minha empregada com dignidade, como tento tratar todas as pessoas com que convivo, mas, como já disse, a relação patroa-empregada é complexa por natureza. Elas conhecem o nosso mundo, nosso estilo de vida, nossa rotina, nossas "necessidades" e nossas fraquezas; nós sabemos o quê da vida delas?
A esse respeito, recomendo a leitura do livro "A Distância entre Nós", de autora indiana, que mostra muito bem a impossibilidade de empatia da patroa pela empregada.
Bjs,
Monix

PermalinkPermalink 27.11.08 @ 11:52



Comentário de: Te

"A distância entre nós" é mesmo uma abordagem excelente da relação patroa-empregada. E da sociedade indiana, com a qual o Brasil tem bastante semelhança.

Outras dicas de textos sobre empregadas domésticas:
- O livro "Correio feminino" da Clarice Lispector (coletânea de crônicas para coluna mulherzinha de jornal que ela escrevia ora como ghost-writter ora assinando um pseudônimo) tem uma crônica que ela ensina bem didaticamente como tratar bem a empregada doméstica. Achei engraçado ela dizendo que deve-se ajudá-la a progredir na vida e pensar no seu bem até na hora em que ela for embora para coisa melhor e você mesma tiver que lavar os pratos;
- Essa crônica da Danuza Leão contando que ela dispensou a empregada por que era antipática e não dava a mínima pra ela:
http://claudia.abril.com.br/materias/3060/?sh=25&cnl=4
Fiquei pensando se numa fábrica ou num escritório também se demite alguém por se r antipático, por melhor profissional que seja. Outro problema da doméstica.

PermalinkPermalink 27.11.08 @ 14:26



Comentário de: Alex Castro Email

Hardy querida...: Eu também acho fofo você dar de ombros pra dez comentários que dizem "segundo a minha experiência, no lugar onde vivo, isso quase não acontece mais" e considerar um comentário com relatos terríveis "um depoimento" que "não é único nem incomum". Muito fofo mesmo.

veja bem: se alguém fala que agressao domestica a mulheres é um problema sério no Brasil hoje e, para mostrar isso, elenca uma série de depoimentos e testemunhos de mulheres agredidas pelos meridos, não prova NADA que outra pessoa chegue e diga "não, que besteira, vc está fazendo tempestade em copo dágua, não conheço NENHUMA mulher que tenha sido surrada pelo marido!" e daí comece a juntar casos e casos de mulheres que nunca levaram nem um tapinha...

não dá pra provar que agressao domestica a mulheres não é um problema simplesmente juntando histórias de mulheres que nunca foram agredidas...

Mais uma coisa: no seu blog eu aprendi que os personagens das novelas do Manuel Carlos existem - são você e seus conhecidos. E eu achando que MC era risivelmente absurdo...

Como eu nunca assisti novela do manoel carlos, vc vai ter q explicar esse comentario... se quiser q eu entenda, claro...

a luz nunca é muito bem explicada, e quem pede explicação ouve que você não está aqui pra explicar, só pra complicar...

alias, entao me diz, como a luz poderia ser explicada pra vc de forma satisfatoria?

PermalinkPermalink 27.11.08 @ 15:41



Comentário de: Tiago · http://curupiraurbano.blogspot.com/

Sobre isso eu tenho uma história interessante.

Morei em Montreal. Lá, por coincidência, fui vizinho de um casal de brasileiros. Eles já moravam lá há algum tempo, e me contaram o problemão por qual passaram assim que chegaram lá.

Eles não foram sós. Foram o casal, dois filhos pequenos e a empregada brasileira. Viajaram todos pro Canadá. A empregada estava na família há anos, tinha sido empregada da mãe, essa história toda.

Um dia a polícia bateu na porta deles. Foram processados. A denúncia? Trabalho escravo. Os outros vizinhos começaram a desconfiar daquela mulher negra, numa casa de casal de brancos, que trabalhava fazendo de tudo e dormia na casa do patrão. Correu o processo e eles foram absolvidos depois de aceitarem um acordo para que ela se encaixasse nas normas trabalhisticas locais. Ela não ficou dormindo mais na casa deles e o governo quebecois deu-lhe um curso de francês.
Ela tinha horários para seguir e faria apenas o trabalho de babá.

Eles disseram achar um absurdo na época e que só depois se tocaram de como aquilo fazia todo o sentido. A empregada entendia menos ainda, chorava e dizia para o Juíz que não era escrava nada, que amava trabalhar para aquela família, e etc., e não entendia como alguém poderia tirar ela de lá sem a sua vontade.

No fim de tudo, ela, que tinha passado 4 anos sem falar uma palavra de francês, sem sair pra lugar nenhum (a não ser nos domingos quando a família a levava ao parque), em menos de 2 anos arranjou outro emprego típico de imigrantes e se mudou para um apartamento tão "bom" quanto os dos antigos patrões. Namorou, casou, e hoje convida os antigos patrões para jantar em sua casa.

Foi lá, depois dessa história que eu desnaturalizei a relação entre patrão e empregada-doméstica pela primeira vez.
Viajar, definitivamente, é muito bom.

PermalinkPermalink 27.11.08 @ 16:57



Comentário de: hardy har har

Primeira parte: você sempre volta à mesma analogia falha. Ninguém está falando que existe zero problema de empregada explorada ou de racismo no Brasil. Só estamos apontando que talvez não seja a norma, a própria cara do país, como você coloca. Neste caso, números são obviamente importantes. Existe problema de gente fdp no país. Pela minha experiência, gente fdp não é a norma, mas sem dúvida nenhuma é um problemão.

Segunda parte: novelas do Manuel Carlos são sempre sobre cariocas ricos e cheios de consciência [pesada] social, que se reúnem pra discutir a última viagem a Paris e os problemas culturais brasileiros. Todos têm empregadas uniformizadas que servem suquinho de laranja a qualquer hora do dia. Quando eu era nova, achava que esse tipo de empregada só existia em novela da Globo. Eu nunca conheci nenhuma. Pelo visto, você conheceu várias.

Terceira parte: eu não busco "uma explicação satisfatória", só acho que você não define suas premissas e nem onde quer chegar. Por mim tudo bem, eu também teria preguiça. Mas não espere que os outros adivinhem, entendam e concordem com o que você sequer explicita.

PermalinkPermalink 27.11.08 @ 17:07



Comentário de: hardy har har

Mas é uma pena que você tenha se prendido à parte da luz. Eu preferia que tivesse se intrigado com o "todo argumento contrário ao dogma é um argumento que reforça o dogma", que ilustra bem seu jeito atual de pensar aqui no blog. O Cruz Almeida tinha um raciocínio bem mais lógico e claro.

PermalinkPermalink 27.11.08 @ 17:17



Comentário de: Thiago

"Foram o casal, dois filhos pequenos e a empregada brasileira. Viajaram todos pro Canadá"

Acho que é essa a definição de vergonha alheia.

Só posso imaginar que encheram a mala de picanha, rapadura e feijão, só pode ser (o que seria muito menos ridículo, diga-se de passagem).

Isso me parece tão nonsense como o pessoal que dizia que a solução de Virginia Tech era os alunos portarem armas na universidade.

Mas é, brasileiro não tem senso do ridículo mesmo. Os filhos do senhor de engenho continuam achando que estão na casa-grande.

PermalinkPermalink 27.11.08 @ 17:24



Comentário de: léo e só · http://dancafragmentada.blogspot.com

já que muitos estão usando o seu ponto de vista para refutar que empregado domestica não é quase um escrava, eu uso o meu ponto pra falar que é:

minha mãe foi empregada na sua meninisse e não suportou 2 semanas. E ela veio da roça, da época que se tirava agua de poço.

dizia que era obrigada a arear panelas, polir taco e o pior, agachar frente à privada e dar brilho, com bombril!

Sério.

Você já se imaginou agachado de frente a sua privada e com as mão limpas, sem luvas, dar brilho usando um bombril?

e em troca receber um prato malemá de arroz feijão e um resto de carne, contadinho. sério, minha mãe não tinha o direito de repetir nada, era o que estava no prato e tá bom!

quase 50 anos se foram, e não mudou quase nada.

agora as empregadas podem repetir o que sobrou do almoço,já que são as últimas a comer.

falo isso de experiência,já que moro em um bairro com muitas empregada, conheço algumas, sou colega de outras e tenho uma boa amiga que trabalhou como empregada.

é dale histórias de "é claro que ela é da família"

Ela é da família mas toma banho no banheiro externo à casa,com chuva ou não!

ela é da família e enxuga o portão depois da chuva. ( atep hoje essa cena me deixa inconformado)

ela é da famíla, mas falta a escola para "fazer o Favor" de me ajudar, já que um dos meus filhos vai prestar vestibular.

ela é da família, mas almoça depois que terminar o trabalho, rapidinho, para que ela possa lavar a louça e ainda acordar meu filho que tá tirando um cochilo.

ela é da família mas dá um brilho na latrina, um espetáculo.

isso, ninguemm me contou. Eu vi.

Esse horror é feito de maneira tão escamotiada, mas tão escamotiada, que patrão e empregado não se tocam da crueldade do que está acontecendo.

Não estou defendendo o patrão. Mas pra ele é super natural essas relações.

eu falo isso da lógica de Taubaté, onde o trabalho de empregada é quase um sinonimo de "tadinha, vamo ajudá-la com um serviçinho". "brigado pelo serviçinho. Veio em boa hora"

Esse conceito é tão enraizado que são poucas as empregadas e raras as patroas que trabalham no regime de carteria assinada. Apenas a minha amiga exigiu e conseguiu. Muitas empregadas não trabalham com carteria, não por medo do emprego, e sim, pela gratidão de receber um emprego, p evitando dar dor de cabeça.

infelizmente, isso também é sério, e eu ouvi, e vi, de pessoas que não precisavam mentir pra mim.

o que escamoteia uma outra relação de poder monstruosa .

Se um empregada doméstica tem o poder de contratar uma menina como empregada doméstica, essa empregada, a contratante, vai agir da mesma maneira que a patroa age com ela. Perpetuando pequenas barbáries veladas, escondidas atrás de um sincero sentimento de gratidão. Sem ironia.

É sério!

Cansei de ouvir história e cansei de ver história de empregada doméstica toda contente por poder dar pra viziínha um "serviçinho" de tomar conta e limpar a casa pagando cinquinho depois.

Meu, não é brincadeira, 5 reais por dia, pra uma menina de 11 ou 12 anos tomar conta de um casa, normalmnte com criança pequena. No meu bairro tá cheio desse exemplos. basta parar pra ouvir.

O que é pior, sem maldade nenhuma. Acreditadno piamente que o que se está sendo feito é o melhor pra menininha.

Realmente, aqui, em Taubaté as empregadas não dormem em serviço, coitadas se dormissem, como diz minha mãe

abs

PermalinkPermalink 28.11.08 @ 00:42



Comentário de: Fabiane · http://megalopolis-blog.com

Às vezes eu tenho alguns períodos de ilusões onde eu fico imaginando um mundo perfeito. No meu mundo perfeito não haveriam garis nem domésticas, porque o serviço realizado por eles hoje seria todo feito pelas máquinas, que seriam incrívelmente inteligentes, mas não a ponto de dominar os humanos. Sem se preocupar com esses "pequenos detalhes", as pessoas seriam livres para realizar outras atividades, como escrever livros, desenvolver mais tecnologia, ler, dormir, transar, etc. É claro que nessa minha sociedade tecnocrata todo mundo teria direitos iguais e seriam felizes.

Mas o mundo é cruel, pessoal. Não é possível que alguém que tem um trabalho cujo único esforço que faz é intelectual, que chega em casa com seu carro, toma banho quente com sabonete líquido e usa computador para comentar em blogs como este acha que carregar peso, ter contato direto com toneladas de lixo todos os dias ou tenha sua liberdade limitada para cuidar de outras pessoas cuja única preocupação com elas é pagar o salário minimamente - ou nem isso - justo, ache que este meio de vida é um trabalho como outro qualquer. Tem que ser muito tapado para achar isso.

Na capital cosmopolita e européia do Paraná, minha tia teve uma empregada que morou com ela por nada menos que dez anos. Isso foi até 2003, mais ou menos. É difícil se colocar no lugar dessa moça, que desperdiçou dez dos seus melhores anos, no auge da juventude e da saúde, limpando pia, desinfetando banheiro e faxinando um sobrado enorme todos os dias, que nem era dela. Nós, com nossas caminhas confortáveis, água quente no chuveiro, happy hour no fim do expediente, e toda a vantagem que uma vida minimamente decente num centro urbano pode proporcionar, será que nós nos disporíamos a trabalhar como essa moça, já que se dedicar desse jeito é "um trabalho como outro qualquer"? Eu tenho certeza que não, nós nem aturamos um prazo apertado no trabalho! Cento e tantas páginas de monografia pra escrever nos suga as forças, como agüentaríamos uma vida miserenta dessas, de dez anos desperdiçados?

Trabalho como outro qualquer mái és!

Eu duvido muito que a civilização que eu imagino venha a existir algum dia. Talvez exista em alguma galáxia distante, onde seres mais evoluídos tenham pensado no assunto. Aqui, não importa quanto esforço se faça para a perpetuação dos humanos, nós vamos desaparecer com toda certeza, afinal a maioria de nós fugiu do monolito e não consegue nem se colocar no lugar do outro para avaliar o quão degradante e humilhante é um "trabalho como outro qualquer".

PermalinkPermalink 28.11.08 @ 03:03



Comentário de: Alex Castro Email

fabiane

Na capital cosmopolita e européia do Paraná, minha tia teve uma empregada que morou com ela por nada menos que dez anos. Isso foi até 2003, mais ou menos. É difícil se colocar no lugar dessa moça, que desperdiçou dez dos seus melhores anos, no auge da juventude e da saúde, limpando pia, desinfetando banheiro e faxinando um sobrado enorme todos os dias, que nem era dela.

alem do modo como o brasil resolveu essa questão, existem muitos outros paises onde as coisas são feitas de modo diferente... não precisamos teorizar sobre dimensões paralelas ou outros planetas... não existe atitude mais provinciana do que achar que o modo como as coisas são na sua terra é o único modo possível como elas poderiam ser...

por exemplo, se sua tia, ao inves de morar na capital do Paraná, morasse na capital da Toscana ou do Arkansas, provavelmente ela teria passado esses dez anos limpando a própria pia, desinfetando o próprio banheiro e faxinando o seu próprio sobrado enorme...

a única diferença é que ela provavelmente não faria isso todos os dias, pq (como qualquer brasileiro na Europa ou EUA vai te dizer) quando temos que fazer o trabalho nós mesmos, a gente sempre acaba percebendo que a casa não precisa ser tão limpa assim, que não é preciso varrer o chão tantas vezes por semana, que temos uma tolerância muito maior a sujeira do que imaginávamos, etc...

PermalinkPermalink 28.11.08 @ 03:33



Comentário de: Thiago

" quando temos que fazer o trabalho nós mesmos, a gente sempre acaba percebendo que a casa não precisa ser tão limpa assim, que não é preciso varrer o chão tantas vezes por semana, que temos uma tolerância muito maior a sujeira do que imaginávamos, etc..."

Perfeito! Infelizmente o pensamente é "meio ambiente e empregados be damned, aqui quero a privada brilhando"

Seria interessante imaginar daonde vem essa história de limpeza excessiva.


PermalinkPermalink 28.11.08 @ 08:54



Comentário de: Fabiane · http://megalopolis-blog.com

Alex, eu não conheço outra realidade, saí poucas vezes do meu estado, então não posso afirmar com certeza como essa coisa toda funciona outros lugares, apenas imaginar ou ter uma noção baseada no depoimento de outras pessoas. Por isso a minha fantasia a respeito de outros planetas e tudo mais, mas não acho que o que eu vejo na minha terra seja o único modo possível, ao contrário.

O que eu quis ressaltar no meu comentário é a ingenuidade das pessoas que (como hardy har har) acham que essa relação patrão-empregado é comuníssima e natural, porque "é um trabalho como outro qualquer".

PermalinkPermalink 28.11.08 @ 12:27



Comentário de: pedro lobato pinto de moura · http://quilombo.blogsome.com

Parabéns por tocar em temas tão importantes, e com tanta coragem. Trabalho numa comunidade favelada em BH, e ao mesmo tempo tenho uma avó de "boa classe" que sempre teve empregada. Ela tem um discurso todo bonzinho mas na prática, empregada pra ela é quase escravo mesmo. Isso existe.

PermalinkPermalink 28.11.08 @ 17:48



Comentário de: K · http://abundacanalha,blogspot.com

eu vivo corrigindo e chamando atenção para o uso corrente do judiar. acho um absurdo, além de expressão de ignorância. assim como do denegrir, aliás.
O que acho difícil de engolir é como alguns judeus que conheço e adoro - estudei no liessin - gostam tanto do semitismo que, na boa, precisam de um certo ar anti-semita para se imporem. desculpa, mas tinha que tocar nesse assunto. ô gente chata, que se acha mais perseguida que todos, peralá! um árabe nauaideis tá muito mais fudido que um cohen, né não?

PermalinkPermalink 28.11.08 @ 23:36



Comentário de: K · http://abundacanalha,blogspot.com

e vai, depois q o colunista da trip confessou o estupro da empregada e o povo achou cool eu acho que eu não entendo mais nada.

PermalinkPermalink 28.11.08 @ 23:38



Comentário de: Vivien · http://www.mejoana.blogspot.com

Quando trabalhei com o curso de Enfermagem, tive uma aluna que descreveu seu primeiro trabalho: "trabalhar em casa de família".
Com 11 anos, limpava, lavava, cozinhava, dormia na casa. Como "pagamento", as refeições e os cadernos para ir par a escola. E o medo do olho comprido do patrão.

PermalinkPermalink 29.11.08 @ 02:22



Comentário de: Cybelle Kostetzer

Acredito que há sim, um ranço de escravidão na
relação patrão-empregada doméstica. Isso é evidenciado pela própria legislação, que NÃO DELIMITA O NÚMERO DE HORAS DE TRABALHO, a exemplo do que ocorre com os demais trabalhadores, e que não prevê o pagamento de horas extras quando, por meio do contrato de trabalho, é fixada a jornada de trabalho. Se todos os trabalhadores têm fixada sua jornada de trabalho, a fim de coibir abusos de seus patrões e garantir sua dignidade, admitir que determinada categoria não esteja abrangida por essa medida é tornar-se cúmplice da exploração.E isso nosso ordenamento jurídico faz abertamente.

No meu ponto de vista, qualquer patrão que contrate uma empregada doméstica sem atentar para para o mesmo limite de jornada de trabalho dos demais trabalhadores, independente de ser legalzinho coom a empregada, de dar-lhe suas roupas usadas, deixa-la usar o banheiro social, permitir que coma seu danoninho, não passa de um belo escravagista.

PermalinkPermalink 29.11.08 @ 23:52



Comentário de: Monix - a escravagista · http://duasfridas.wordpress.com

Bom, tudo bem, cada vez mais me sinto uma sinhazinha de engenho, mas vamos lá.
A Cybelle tem razão, a legislação não estabelece horário de trabalho. Aliás, a própria distinção entre "trabalho doméstico" e o ou "outros trabalhos" já mostra que, de fato, *não é um trabalho como outro qualquer*.
Além dessa, há outras diferenças na legislação trabalhista: o FGTS é opcional (e mesmo assim, depois de muito custo), e as férias são de apenas 20 dias/ano (!!!).
(Só para continuar meu relato pessoal: o primeiro, não pago; quanto às férias, dou 30 dias, acho uma sacanagem tungarem as férias da pessoa.)

PermalinkPermalink 30.11.08 @ 09:23



Comentário de: Cybelle Kostetzer

Monix, eu também sou uma sinhazinha de engenho...E sabe por quê? Porque contratei minha empregada para trabalhar oito horas diárias. Acontece que, quando não há folga no horário de almoço, a jornada de trabalho máxima de um trabalhador é de seis horas. Se trabalhar oito, ganha duas horas extras diárias, e eu não faço isso...

Por outro lado, FGTS opcional é a maior demagogia que o governo fez estourar na bunda do patrão...Como é que você vai recolher FGTS e pagar 40% de multa em cima do saldo de depósitos na hipótese de uma demissão, sem considerar isso uma despesa dedutível no IRPF? Para não perder em arrecadação, o governo determinou que a conta da justiça social ficasse a cargo exclusivamente do patrão, SE ELE ASSIM QUISER...Cara, eu acho isso uma piada...Aliás, outra demagogia é divulgarem que incentivam o registro em carteira de empregada permitindo a dedução apenas do INSS calculado sobre UM SALÀRIO mínimo, mesmo que você pague muito mais do que isso...Ora, se você admitir que uma empregada doméstica é um trabalhador como qualquer outro, com os mesmos direitos, porque o patrão também não tem os mesmos direitos dos outros, e tem reconhecida como despesa dedutível TODO O SALÁRIO PAGO? Afinal,se parte dos seus ganhos (na minha hipótese, esses ganhos são salário, mesmo)se transformam em salário e previdência de outra pessoa, não estou também distribuindo renda e fomentando a economia tanto quanto um industrial?

De qualquer modo, uma pulga que fica atrás da minha orelha é a seguinte: o fato de "precisarmos" de alguém para organizar nossa vida doméstica, significa, por si só, que estamos sob influência de uma cultura escravagista? Se mudarmos o paradigma, colocando nossos filhos em creche, contratando alguém para os serviços mais pesados, e dando conta nós mesmas do resto, teremos uma sociedade mais justa? Onde irão trabalhar essas mulheres?

PermalinkPermalink 30.11.08 @ 10:35



Comentário de: leo · http://lmonasterio.blogspot.com

Alex,
Se alguem nao concorda com vc, vc pensa que eh auto-engano ou contaminacao ideologica. Nao vejo uma consideracao seria das visoes alternativas.
Contudo, como vc faz literatura e nao ciencia, nao tem problema algum nisso.
(Acabei nao indo na strand).
Abracos,
Leo

PermalinkPermalink 30.11.08 @ 12:14



Comentário de: mauro tatini · http://mtatini.blogspot.com

isso não pode ser resolvido de forma simples. O que me incomoda no Brasil é que o legislativo resolve fazer lei sem se preocupar com o efeito. Não pode cobrir de um lado e descobrir outro. É o Itamar franco achando que "a solução é colocar fusca de volta nas ruas". Pois é.
Fiquei chateado com uma amiga minha que morou em NYC por mais de década, e agora mora em SP. Falei que ela tinha que pagar mais a empregada dela, que ela sabe como funciona. E ela "mauro, não bagunça - aqui não dá! Eu ganho 10% do que ganhava cantando em manhattan, como vou pagar?" - ela tem dois filhos pequenos. Eu entendo, mas quando digo "pagar mais" é um pouco, dá pra fazer um sacrifício, não comprar aquela roupa, não sair numa noite, isso já ajuda o salário da pessoa.
Agora, considerar que casa é uma empresa, uma firma, e tentar regulamentar o trabalho que se faz ali dentro, não dá certo. Porque na sua casa, voce nao tem lucro, voce nao vende produto, voce nao fabrica nada - voce só gasta. E já que todo mundo usa o exemplo americano, aqui vai a realidade: realmente muito menos gente tem babá, e faxineira é uma vez a cada duas semanas, pra mesma classe de pessoas que teria alguem todo dia em casa no Brasil (SP). Acontece que se a mulher quiser ficar em casa pra tomar conta dos filhos, o marido ganha o suficiente pra sustentar os dois, mesmo que ele seja office-boy. Se ela for solteira, ela vai trabalhar e o governo paga pra alguem tomar conta do filho. A garota aqui do lado, que ganha 6 dolares por hora pra trabalhar na lojinha, tem um newborn. Ela pediu pra cintia tomar conta do garoto, e disse "não se preocupe, a cidade paga o teu salário". Ela tem que trabalhar pra pagar as contas, aluguel, e é mae solteira - mas o governo não deixa ela na mão. Se o governo brasileiro for fazer isso, então acho que pode mesmo exigir um salário de empresa, e deve. Mas esperar que a menina que tem um filho, que mora perto ou na favela, que precisa trabalhar, pague pra alguem tomar conta do filho dela o mesmo ou mais do que ela ganha, como funciona isso? Não existe solução sem consequencia. Qualquer lei nesse sentido tem que levar em consideração todos esses aspectos.
E ninguem aqui é "registrado". Isso nem existe, na verdade. Voce que se preocupe no final do ano (em abril do ano seguinte, na verdade) pra dizer o quanto ganhou, e pagar imposto em cima disso. (quem trabalha em casa, e também garçons, motoristas de taxi, etc - qualquer "cash money") - claro, se voce exagerar, e disser que ganho "100 dolares" no ano anterior, eventualmente a receita vem atras de voce pra ver como voce vive.
Um pouco de "como é por aqui".

PermalinkPermalink 30.11.08 @ 12:51



Comentário de: aasa

Isso é só a ponta do iceberg. Isso existe,é real.
soluções? não existem.
Mas certamente, falar e divulgar que isto ocorre,ajudará,para quem sabe em 2 seculos,devido a mudanças economicas,isso poderá ser extinto.

PermalinkPermalink 01.12.08 @ 04:48



Comentário de: Monix · http://duasfridas.wordpress.com

Cybelle, demorei um pouco a voltar aqui, mas como a discussão ainda não morreu, acho que vale a pena deixar mais dois vinténs: sua pergunta "Onde irão trabalhar essas mulheres?" também me passa pela cabeça. Da mesma maneira que eu trabalho porque preciso (tá, o feminismo, as conquistas, blablabla, mas as mulheres no Brasil não podem se dar ao luxo de 'optar' por ficar em casa cuidando das crianças, sob pena de nunca mais conseguir voltar ao mercado de trabalho formal - mas isso é outra história), enfim, a babá do meu filho também trabalha porque precisa. É um esquema de trabalho escravizante (eu acho que é mesmo), mas, bem ou mal, é um emprego, com carteira assinada, férias anuais, e, no caso dela, plano de saúde para ela e a filha.
É uma relação extremamente complexa, e a meu ver bastante paternalista. Não engulo essa história de que é um "emprego como outro qualquer", porque não é mesmo não. Por outro lado, a empregada doméstica é uma instituição brasileira por excelência, é uma solução que a sociedade encontrou e que ainda não foi substituída por outra. Acho que a própria discussão sobre o tema vai ajudando, a dinâmica social vai mudando, e pode ser que com o tempo essa estrutura se altere. Enquanto isso, eu continuo sem encontrar outra forma de estruturar minha rotina.
E por falar nisso, estou quase enlouquecida: a babá está de férias. Descobri que sou muito mais dependente dela do que gostaria. Socorro!
Beijos,

PermalinkPermalink 02.12.08 @ 00:27



Comentário de: leo · http://lmonasterio.blogspot.com

Os numeros das empregadas residentes no Brasil (fonte: IBGE)

http://spreadsheets.google.com/pub?key=pUiZstwteV0w34ayHTyTDXw

Repito o link aqui para que os pesquisadores de 2099 nao pensem que os habitantes de 2008 nao gostavam de dados...

PermalinkPermalink 02.12.08 @ 07:44



Comentário de: Paulo Vieira

Daonde sairam esses dados? do ibge que não foi. a spreadsheet apresentada diz que a população brasileira em 2007 era de apenas 108 milhões, e que ela era de 168 milhões em 2000. obviamente o valor de 2007 está errado. o PNAD de 2007 estima que a população brasileira era de 187 milhões.

Alem disso, o mesmo PNAD apontou a existência de 6.782.000 de empregados(as) domésticos(as) em 2007, numero significativamente maior do que os 113 mil apresentados na spreadsheet.

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2007/sintese/tab4_10.pdf

Acho que tem algo de errado com os dados apresentados aqui.

PermalinkPermalink 02.12.08 @ 11:48



Comentário de: leo · http://lmonasterio.blogspot.com

Caro Paulo Vieira,

Vc faz bem em desconfiar, mas os dados sairam do IBGE. A contagem de 2007 nao ocorreu em todos os municipios, por isso os numeros nao sao comparaveis imediatamente com 2000. (Expliquei isso no comentario do outor post. Foi falha minha nao repetir aqui). A PNAD tb eh uma pesquisa por amostragem, mas o dado que vc listou mostras os empregados domesticos como um todo, enquando eu mostrei os que moram nos domicilios (Esse eh, afinal, o objeto da discussao).

Pois eh, combinando os resultados vemos que apenas bem menos de 10% dos empregados domesticos dormem no servico.

A fonte para 2007 eh:
http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/listabl.asp?z=cd&o=17&i=P&c=794

Para 2000 eh:

http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/listabl.asp?z=cd&o=4&i=P&c=1521

Vc tem que escolher no campo "relacao com o responsavel no domicilio" a opcao "empregado domestico".

PermalinkPermalink 02.12.08 @ 18:55



Comentário de: leo · http://lmonasterio.blogspot.com

Esqueci de dizer, qq dificuldade em fazer a consulta ao IBGE, entre em contato. abracos,
LMM

PermalinkPermalink 02.12.08 @ 18:57



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  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
  • 73. Diamond, Jared. The Third Chimpanzee. The Evolution and Future of the Human Animal. [EUA, 1992] Set.
  • 72. Suzuki, Daisetz Teitaro. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Set.
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  • 67. Andrade, Carlos Drummond et al. Elenco de Cronistas Brasileiros. [Brasil, c.1950-2000] Ago.
  • 66. Veríssimo, Luis Fernando. Histórias Brasileiras de Verão. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 65. Veríssimo, Luis Fernando. Novas Comédias da Vida Privada. [Brasil, c.2000] Ago.
  • 64. Rodrigues, Nelson. O Óbvio Ululante. Primeiras Confissões. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 63. Lispector, Clarice. A Descoberta do Mundo. [Brasil, c.1960] Ago.
  • 62. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1900-1920] Ago.
  • 61. Alencar, José de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1860] Ago.
  • 60. Machado de Assis, Joaquim Maria. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1870-1900] Ago.
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  • 58. Mankell, Henning. The Man Who Smiled. [Suécia, 1994] Ago.10
  • 57. Lindsay, Jeff. Dexter in the Dark. [EUA, 1997] Ago.
  • 56. Couto, Mia. A Varanda do Frangipani. [Moçambique, 1996] Ago.
  • 55. Coutinho, Odilon Ribeiro. Gilberto Freyre ou O Ideário Brasileiro. [Brasil, 2005] Ago.
  • 54. Albuquerque, Roberto Cavalcanti de. Gilberto Freyre e a Invenção do Brasil. [Brasil, 2000] Ago.
  • 53. Chacon, Vamireh. A Construção da Brasilidade. Gilberto Freyre e sua Geração. [Brasil, 2001] Ago.
  • 52. Araujo, Ricardo Benzaquen de. Guerra e Paz. Casa Grande & Senzala e a Obra de Gilberto Freyre nos Anos 30. [Brasil, 1994] Jul.
  • 51. Schwarcz, Lilia Moritz. O Espetáculo ds Raças. Cientistas, Instituições e Questão Racial no Brasil, 1870-1930. [Brasil, 1993] Jul.
  • 50. Isfahani-Hammond, Alexandra. White Negritude. Race, Writing, and Brazilian Cultural Identity. [EUA, 2008] Jul.
  • 49. Bosi, Alfredo. Dialética da Colonização. [Brasil, 1992] Jul.
  • 48. Salles, Ricardo. Nostalgia Imperial. A Formação da Identidade Nacional no Brasil do Segundo Reinado. [Brasil, 1996] Jul.
  • 47. Salles, Ricardo. Joaquim Nabuco. Um Pensador do Império. [Brasil, 2002] Jul.
  • 46. Nabuco, Joaquim. O Abolicionismo. [Brasil, 1883] Jul.
  • 45. Nabuco, Joaquim. Minha Formação. [Brasil, 1899] Jul.
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  • 31. Bernucci, Leopoldo M. A Imitação dos Sentidos: Prógonos, Contemporâneos e Epígonos de Euclides da Cunha. [Brasil, 1995] Jun.4
  • 30. Lima, Luiz Costa. Euclides da Cunha, Contrastes e Confrontos no Brasil. [Brasil, 2000] Jun.4
  • 29. Haddon, Mark. O Estranho Caso do Cachorro Morto. [Reino Unido, 2005] Mai.
  • 28. Guilherme, Paulo. Goleiros: Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1. [Brasil, 2006] Mai.
  • 27. Krakauer, Jon. Na Natureza Selvagem: a Dramática História de um Jovem Aventureiro. [EUA, 1996] Mai.
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  • 23. Manzano, Juan Francisco. Autobiografia de un Esclavo. [Cuba, 1836] Abr.
  • 22. Castelnau, Francis de. Entrevistas com Escravos Africanos na Bahia Oitocentista. [Brasil, séc.XIX] Abr.
  • 21. Suzuki, Daisetz Teitaro. Introdução ao Zen Budismo. [Japão, 1934] Mai.
  • 20. Goethe, Johann Wolfgang Von. Faust. [Alemanha, 1832] Mai.
  • 19. Lisboa, Adriana. Rakushisha. [Brasil, 2007] Abr.
  • 18. Tezza, Cristovão. O Filho Eterno. [Brasil, 2007] Abr.
  • 17. Piñon, Nélida, A República dos Sonhos. [Brasil, 1984] Abr.
  • 16. Fanon, François. Black Skin, White Masks. [Martinica, 1952] Abr.
  • 15. Rheda, Regina. Pau de Arara Classe Turística. [Brasil, 1993] Abr.
  • 14. Guillory, John. Cultural Capital. The Problem of Literary Canon Formation. [EUA, 1993] Mar.7-10.
  • 13. Fonseca, Rubem. Feliz Ano Novo. [Brasil, 1975] Mar.11
  • 12. Butler, Octavia. Kindred. [Estados Unidos, 1979] Mar.7
  • 11. Ribeiro, João Ubaldo. Viva o Povo Brasileiro. [Brasil, 1984] Fev.
  • 10. Lispector, Clarice. Laços de Família. [Brasil, 1960] Fev.
  • 9. Veiga, José J. A Hora dos Ruminantes. [Brasil, 1966] Fev.
  • 8. Ramos, Graciliano. Vidas Secas. [Brasil, 1938] Jan.
  • 7. Pinto, Fernão Mendes. Peregrinações. [Portugal, séc.XVI] Fev.- (TulBib)
  • 6. Antunes, Antonio Lobo. O Esplendor de Portugal. [Portugal, 1997] Fev.-
  • 5. Santos, Gislene Aparecida dos. A Invenção do Ser Negro. Um Percurso das Idéias que Naturalizaram a Inferioridade dos Negros. [Brasil, 2002] Fev. (TulBib)
  • 4. Scott, Rebecca J. e outros. The Abolition of Slavery and the Aftermath of Emancipation in Brazil. [EUA, 1988] Fev.
  • 3. Moura, Clovis. O Negro: de Bom Escravo a Mau Cidadão? [Brasil, 1977] Fev. (TulBib)
  • 2. Suassuna, Ariano. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. [Brasil, 1971] Jan. (Releitura)
  • 1. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Clara dos Anjos. [Brasil, 1922] Jan.

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