Finalmente, um pouco de futilidade nesse blog!
Desisti oficialmente de Heroes faz uns três episódios. Os produtores parecem não ter o menor carinho pela própria série. Esquecem personagens sem o menor constrangimento. Passam meses desenvolvendo um personagem somente para fazê-lo agir de forma completamente out of character assim que surge o primeiro beco-sem-saída no enredo. Para poder haver lutas (aliás, ridículas) entre os personagens, eles se comportam de forma pueril, parecendo adolescentes idiotas que não páram pra conversar antes de cair na porrada. Personagens que se conheciam na temporada anterior subitamente se comportam como se fossem completos desconhecidos. Arre! Sério. Não dá. Esse texto resume tudo.
30 Rock é o Seinfeld desse começo de século. A interação entre os criativos e os executivos é impagável. Adoro as sacanagens com os republicanos. Amo a assistente loira gostosa que sabe que é gostosa; sua melhor frase: "Did he just talk to me like I’m ugly?" Na mesma linha, Jack diz para sua namorada quando descobre que ela costumava ser feia mas fez muitas cirurgias plásticas: "I thought you made love like an ugly girl: so present, so grateful!" Sensacional. O último episódio, com Steve Martin, foi dos melhores.
Os Leis e Ordens estão como sempre. SVU nunca é brilhante mas também nunca é ruim. Na série original, pensei que a promoção de McCoy a DA iria mudar alguma coisa, mas continuou tudo igual também. Eu e Fal estamos esperando pela estréia, recém-adiada pra sabe-se lá quando, da nova temporada do nosso favorito, Criminal Intent. Bobby talvez seja o um dos personagens mais interessantes da televisão hoje. E, agora, ainda vai ter Jeff Goldblum, que é sempre divertido.
Por falar em espera, depois de um hiato de um ano, também estou esperando ansioso por Battlestar Galactica (eles juraram que serão os últimos episódios!, que não vão esticar a série ad eternum) e pela sétima temporada de 24, em janeiro. Os dois seriados já foram excelentes mas decaíram. A última temporada de 24 foi a única fraca, mas ainda não desisti. Os produtores prometem que a sétima será a melhor, pois será a única bolada do começo ao fim antes mesmo de começar, ou seja, sem barrigas. Veremos. O telefilme 24 Redemption, ponte entre a sexta e a sétima temporadas, que passou essa semana, foi bobinho: Jack Bauer na África, defendendo os fracos e oprimidos, salvando os pobres neguinhos crianças dos malvados negões adultos que querem usá-los em suas guerras. Ah, se não fossem dos brancos americanos pra resolver os problemas que esses negros causam na África, viu?! Primeiro, Tarzan, depois Fantasma, agora Jack Bauer, em versão ONG. Enquanto isso, o personagem da ONU é um poltrão, medroso, falso, que vende os heróis sem piscar. Sério, bem que a Fox News me avisou que a ONU não presta!
Por fim, Dexter. Dexter é a melhor coisa na TV hoje. A segunda temporada foi fraca em comparação à primeira, tentaram fechar muitas pontas soltas no último capítulo, houve muitas coincidências, ficou corrido e mal costurado, uma desgraça. A terceira temporada está simplesmente sensacional, sem retoques, perfeita. Nunca vi nenhum seriado ou novela conseguir manter no ar tantos enredos e
histórias paralelas sendo que todas são interessantes: Dexter e Miguel, Deborah e Anton, LaGuerta e a advogada, Batista e a policial de costumes, o parceiro da Deborah e a japonesa que o persegue, até mesmo a relação entre Rita e a esposa de Miguel. Menos perfeito só mesmo a historinha do artigo do Masuka. O desenvolvimento, o ritmo, a caracterização dos personagens, tudo perfeito. Faltam três episódios. Queira Shakespeare que não tentem (de novo!) resolver todos as subtramas ao mesmo tempo com um deus ex machina nos últimos quinze minutos do último episódio.
Estou há meses pra escrever um post sobre a surra que Hollywood tem levado da TV em literalmente todos os gêneros. Não houve, no cinema, filme de ficção científica melhor que Battlestar Galactica, comédia melhor que 30 Rock ou Seinfeld, thriller melhor que 24. Enquanto o cinemão de Hollywood está cada vez mais tímido e conservador, com medo de arriscar, definindo o final dos filmes por comitês pra não desagradar ninguém, a TV vem explorando novos formatos e novos estilos, tem sido muito mais ousada e arriscado muito mais.
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