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Pretos, Pobres e Polícia

Quando dizem que as cotas raciais são de difícil aplicação no Brasil ("como saber quem é negro e quem não é em um país tão mestiço?!"), eu respondo que a solução é simples: basta colocar uma blitz na PM na porta da universidade. Quem tomar uma dura está qualificado pra receber o benefício. A comissão julgadora da universidade pode até não saber quem é preto e quem não é, mas a polícia sempre sabe.

Aparentemente, o fato de que a polícia rotineiramente importuna mais negros do que brancos é uma das poucas unanimidades entre os leitores do LLL. Entretanto, em um non-sequitur inexplicável, algumas pessoas acham que isso indica justamente que a polícia NÃO é racista ou que não existe racismo no Brasil. O comentário da leitora Gabi, pra mim, é emblemático de muitas características definidoras do pensamento racial brasileiro contemporâneo:

E, além disso, Alessandra, do teu exemplo poderíamos erroneamente deduzir que o cara é parado EXCLUSIVAMENTE por ser mais escurinho ou negro. Como se o policial que parasse o cara pensasse claramente assim: "preto = criminoso".

A maioria esmagadora dos pobres no Brasil é negra/mulata. Entre os pobres, devido a inúmeros fatores, sabemos que há muitos crimes, principalmente aqueles relativos a roubos. Logo, a pessoa não é parada SOMENTE PORQUE É NEGRA. O raciocínio do PM não é "caralho, pode pegar que COM CERTEZA fez merda PORQUE é preto" e sim "preto = pobre, logo preto = criminoso".

Essa é uma parte de que ninguém fala.

Não quero entrar no mérito do ovo e da galinha, dizer qual a porcentagem de status sócio-econômico e qual a de racismo que entram na equação do problema. Só estou dizendo que ignorar esse fator é o que muita gente aqui anda fazendo. Todo mundo põe a discriminação no saco "racismo" e pronto, se esquecendo (o que eu acho INCRÍVEL!) que a gente no Brasil (e sem dúvida não somente aqui) associa AUTOMATICANTE negros a pobreza, e portanto a pessoas inferiores ou "coitadinhas", na melhor das hipóteses, ou a pessoas de má índole que podem apelar para o crime, na pior das hipóteses.

É como a historinha do cara negro e riquíssimo que foi comprar uma Mercedes, e que todo mundo já deve ter ouvido. O vendedor da loja da Mercedes-Benz veio mostrar um catálogo de caminhões pra ele. E muita gente usa essa historinha para apontar o quanto o cara da loja era racista.

Putaquepariu, é muita cegueira.

O nosso racismo é INFINITAMENTE diferente do que o dono do blog quer nos fazer acreditar. Deixar de lado o fator sócio-econômico é, na minha opinião, algo que ninguém que se diz estudar um assunto a fundo deveria fazer.

Muitos leitores se convenceram de que existe racismo no Brasil não pelos meus textos, mas pelos seus comentários. Por exemplo, na primeira vez em que destaquei o comentário acima, os leitores caíram de pau em mim aqui e aqui. NADA que eu pudesse ter escrito poderia ser tão forte, contundente e indiscutível como essas reações.

Para comprovar a existência arraigada do racismo no Brasil basta ler o que escreveram essas pessoas - todas aparentemente inteligentes e sinceras no seu desejo de entender seu país.

 Discriminação Racial nas Escolas Discriminação Racial: Como Combatê-la

* * *

Uma reação comum quando se fala de racismo no Brasil é dizer que não somos um país racista: nosso problema é sócio-econômico. "A questão é classe, não raça."

Já a moça acima falou o oposto, dizendo que fica angustiada com a "cegueira" de quem "discute racismo deixando de lado o fator sócio-econômico".

Ambos partem da mesma premissa errada: que é possível falar de racismo sem falar de classe. Oras, racismo É um problema sócio-econômico. O que mais vocês acham que o racismo é, meu deus? Um problema literário? Um problema culinário?

Reclamar que alguém "falou de racismo deixando de lado o fator sócio-econômico" é como reclamar que alguém falou de inflação deixando de lado o aspecto econômico. Inflação É um fenômeno econômico: não tem como discutir, debater, estudar, pensar a inflação e, ao mesmo tempo, deixar de lado o fator econômico. Como isso seria possível?

* * *

Comentário da excelente blogueira Eva:

Cara, eu só digo obrigada. Pelos teus textos. Eu nunca tinha percebido o quanto eu era preconceituosa e racista. Eu achava que recismo era lavar a mão com álcool depois de cumprimentar um negro, e ora! eu nunca fiz isso.

Mas o lance de associar negro=pobre=marginal tá suuuper dentro de mim. E graças ao seus textos, agora eu sei e posso refletir mais consciente sobre isso, e posso me desvencilhar disso. E hoje eu sei que essa associação é, sim, racismo.Graças aos seus textos. Obrigada.

Racismo no Brasil: Percepções da Discriminação e do Preconceito Elite da Tropa

* * *

E, por fim, uma pergunta do leitor Homero:

Depende das razões que levam a polícia a parar mais negros que brancos numa Blitz. Se é porque eles aparentam ser pobres, aí é racismo, mas e se tiver um trabalho estatístico mostrando a propensão de uma pessoa cometer mais crimes, aí seria racismo? Vou dar um exemplo hipotético:

De cada 100 carros dirigidos por brancos que a polícia rodoviária federal manda parar numa BR para inspecionar, em média são encontradas drogas em 28 carros. Quando os carros são conduzidos por negros, de cada 100 automóveis inspecionados os policiais encontram drogas em média em apenas 12 carros.

Baseados nessa estatística, se o chefe da inspeção ordena que os policiais diminuam em 30% as inspeções em carros conduzidos por negros e aumentem em 30% as inpeções em carros conduzidos por brancos, há racismo nessa atitude?

PS: parte-se sempre do princípio de que inspeções só podem ser feitas por amostragem, já que inspecionar cada automóvel pararia o trânsito, tornando essa atitude impraticável.

* * *

Na mesma linha, vários leitores já disseram (o comentário abaixo é apócrifo):

Ah, não apela, Alex, isso é o maior preconceito! Se alguém usa uma camisa escrita 100% negro, ninguém reclama, é lindo, mas se eu sair na rua usando uma camisa 100% branco vão fazer o maior alarde, vou ser chamado de nazista, skinhead, preconceituoso, o escambau! Isso é justo, por acaso? É justo?

Uma camisa "100% Branco" é de profundo mau-gosto, ao mostrar quem está por cima celebrando sua hegemonia. "100% Negro", por outro lado, é a celebração de uma identidade subalterna tentando se afirmar contra todas as desvantagens inerentes no sistema. (O texto continua abaixo da imagem.)

Discriminação e Desigualdades Raciais no Brasil
Um dos grandes estudos sobre racismo no Brasil.

* * *

Alguns leitores, no afã de inocentarem a si mesmos e ao Brasil, talvez joguem toda a culpa em cima dos policiais, esses pobres-coitados que, certos ou errados, arriscam a vida todo dia e morrem como moscas, em troca de um salário miserável.

Mas, se a polícia tem culpa, isso não quer dizer que sejam eles OS culpados. Se houvessem esses míticos racistas empedernidos, o problema seria fácil: bastava prendê-los, educá-los, exterminá-los, e o problema do racismo estaria resolvido. Infelizmente, ou somos todos culpados ou não somos. A atitude da polícia é somente um reflexo e um sintoma de nossa atitude generalizada.

Não vou entrar no mérito de se os negros são mesmo a maior parte dos criminosos ou não. Com certeza, são a maior parte dos prisioneiros, o que somente indica que são mais parados pela polícia e mais condenados pelos tribunais.

Mas mesmo se não houvesse preconceito algum, mesmo se os policiais somente parassem mais os negros porque sabem, com certeza absoluta, escorados por dados empíricos inquestionáveis, que a maioria dos criminosos são negros, isso seria somente a prova de que o nosso país mantém parte de sua população na mais abjeta pobreza, na ignorância, na desesperança, no crime.

Ou o país é racista por ter uma polícia sistematicamente racista, que vê o negro sempre como um criminoso, ou o país é racista por ter toda uma estrutura de poder racista que faz com que os negros sejam de fato a maioria dos criminosos.

De um modo ou de outro, como enfiar a cabeça na areia e fugir da conclusão inescapável?

* * *

Sinceramente, se o fato da polícia parar mais negros do que brancos por já presumir que os negros tem mais chance de serem criminosos não é o maior indicador de que o Brasil é um país racista, então eu não sei o que mais pode ser. Se isso não te mostra que o nosso país é racista, não sei mais o que poderia mostrar. Se você usa isso pra demonstrar que o Brasil NÃO é um país racista, então você e eu devemos raciocionar de modos tão opostos que é incrível que a gente consiga se comunicar.

* * *

UPDATE

Crime e Pobreza

Perguntou o André:

Então você acha que há uma relação de causa e efeito entre pobreza e crime?

 Notícias de uma Guerra Particular

Não. As pessoas ricas e branquinhas com quem cresci cometiam regularmente uma série de crimes: compravam e usavam drogas, faziam abortos, dirigiam bêbadas, batiam nas esposas/namoradas, brigavam em ruas ou boates, cometiam fraudes contra seguradoras, roubavam o governo de todas as maneiras possíveis e imaginárias, sonegavam imposto de renda, corrompiam agentes do poder público, cometiam assassinato. Com exceção do último, esses foram apenas os crimes que eu ou testemunhei meus amigos cometerem ou que eles admitiam abertamente, sem culpas nem vergonha. Imagino que também cometessem outros crimes dos quais talvez se envergonhassem.

Como disse Hélio Luz, então chefe de polícia civil do Rio de Janeiro, no documentário Notícias de uma guerra particular (1999):

"A sociedade não quer uma polícia honesta, porque no dia em que a polícia for honesta, o filho do banqueiro e do juiz será preso da mesma maneira que o jovem favelado."

Pra responder sua pergunta: existe uma correlação fortíssima entre pobreza e ser preso por um crime.

* * *

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19.11.08


Categorias: Raça

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: André HP · http://formigueirocomunista.tk

Muito legal a série de artigos sobre racismo. Eu tenho uma opinião um tanto reservada a respeito disso. Creio que seja um reflexo histórico, nas raízes da formação social brasileira.

Enfim... Assista um filme chamado Escritores da Liberdade. Trata o tema junto ao preconceito, super-interessante. Vale apena!

Forte Abraço!
http://formigueirocomunista.tk

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 00:59



Comentário de: Marcus · http://marcuspessoa.net

A minha opinião eu já disse num comentário em um post anterior.

http://www.interney.net/blogs/lll/2008/04/16/um_comentario_que_mereceria_virar_tese/#c128156

Essas pessoas me fazem perder a fé na humanidade. Sentiria nojo de ter uma delas sentada na mesma mesa que eu.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 03:10



Comentário de: Marcus · http://marcuspessoa.net

Não consigo colocar o link. O sistema do Interney me impede de colocar links.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 03:13



Comentário de: Alexandre Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

"Ah, não apela, Alex, isso é o maior preconceito! Se alguém usa uma camisa escrita 100% negro, ninguém reclama, é lindo, mas se eu sair na rua usando uma camisa 100% branco vão fazer o maior alarde, vou ser chamado de nazista, skinhead, preconceituoso, o escambau! Isso é justo, por acaso? É justo?"

Justíssimo. "Branco" não é uma identidade cultural ou étnica, negro é. Você pode falar "100% Alemão" ou "100% Italiano" numa boa, tanto que essas culturas tem tradições fortes mantidas por gente muito orgulhosa, e que não são acusadas de racismo.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 05:01



Comentário de: Andre Carvalho

Bom, então chega-se aonde queria chegar, no problema semântico. Quando você diz:

"racismo É um problema sócio-econômico"

eu, vendo a minha realidade de nortista (que já estou habituado a ver ignorada no estudo do Brasil), vejo assim:

"Discriminação é um problema sócio-econômico"

Pois, como talvez lembre de comentários anteriores, sou manauara, e aqui a situação não é como no Rio ou em São Paulo.

Provavelmente, na maioria do Brasil, negros são sinônimo de pobreza. Contudo, aqui em Manaus, negro é sinônimo de "veio de fora", assim como o branco. Digo isso dos negros puros, cor de ébano, não dos pardos (que aqui tem muito mais a ver com os índios). Os pobres são brancos ou pardos, com uma proporção um pouco maior para os pardos. Contudo, o mesmo acontece com a classe média.


Não sei se lembram que anteriormente comentáva sobre como eu sou meio inocente no sentido de branco/pardo e pardo/negro. Nunca liguei muito para qual a classificação de uma pessoa. Lembro de quando as camisas 100% negro entraram na moda... Eu ficava pensando, mas este rapaz é negro? (quando via alguém pardo usando). Nunca até então tinha parado para pensar nos pardos como uma "raça" diferente (nem tinha a questão da raça em geral delineada na minha cabeça, era algo indiferente, existiam os meus amigos e os que eu não conhecia, e só;). Ricos, pobres amigos ou desconhecidos, entre todos haviam pardos (lembrando que os negros "de verdade" são uma minoria aqui).

Mas confesso uma coisa, muitas pessoas daqui tinham uma discriminação "reversa": Uma certa admiração pelas pessoas que vêem de fora (nos últimos tempos isso tem diminuído). Lembro certa vez, saindo com 2 alunos vindos de Guiné-Bissao, vi eles sendo bem tratados pela polícia, apesar da negritude, justamente por aparentarem ser "de fora", especialmente quando aparentaram ser "gringos". Isto, contudo, é uma característica local que não duvido que não aconteça em outros lugares do país.

Lembro da primeira vez que fui a São Paulo sem ser uma criança: a realidade era muito estranha: ver as pessoas assustadas com outras pelo tom de pele foi muito chocante para mim. Ainda mais quando as pessoas que chocavam me passavam uma imagem de corretude, como só algumas pessoas beatas passam. Senti o mesmo quando recentemente fui a Lisboa: Era visível a reação de algumas pessoas quando negros (a maioria angolanos, pelo que me disseram) entravam no metro.

Contudo, não digo que aqui em Manaus existe uma verdadeira democracia racial, pois não sou dado a mentiras, especialmente as esdrúxulas. Existe uma certa "Elite" que é extremamente preconceituosa. Mas ela é tão elitista, hereditária e formada por idiotas pomposos que nunca tive o "prazer" de interagir socialmente com ela. A polícia meio que evita os brancos "com cara de rico" (já que eu normalmente não sou evitado, pois sou cabeludo e barbudo, logo potencial "fornecedor de drogas" :)).

Como dizia antes (pelo menos era minha intenção dizer): O Brasil tem discrimina enormemente os pobres, é um traço horrível da cultura brasileira. E é inegável que em boa parte do território brasileiro pobre=negro. Logo, BOA PARTE do território brasileiro é extremamente racista (não que o resto não o seja).

Tenho outros pensamentos, mas deixo este post como "testemunho" :). O resto vem separado para uma melhor leitura (e para eu ler os comentarios que ocorreram enquanto eu escrevia).

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 05:46



Comentário de: Andre Carvalho

O Brasil também é racista contra os negros mesmo, em geral, como no caso do policial. Meu problema é em chamar problemas de cunho social-econômico (como a faculdade de medicina) de racistas. Vou dar um exemplo de como este tipo de raciocinio pode levar a conclusões erradas:

Na UFAM (Universidade Federal do Amazonas), a grande maioria dos alunos de Medicina vieram de fora, ao invés de serem manauaras. Isto significa que a universidade é Xenófola? Porque é o mesmo tipo de conclusão que se tira.

Tanto é, que quando foi criada a UEA (Universidade Estadual do Amazonas), tentaram incluir no vestibular cláusulas obrigando a morar na cidade, especialmente no caso dos campi feitos no interior do amazonas.

Isto, o resultado do vestibular, que em nenhum momento "toma conhecimento" de onde vem o aluno, faz do amazonas xenófilo? O governo deveria lutar contra a xenofilia para acabar com isto?

@Alex: Realmente gostaria de ver sua resposta a este respeito (especialmente depois de ter vários comentários ignorados), pois esta é nossa maior divergência: Se existe uma proporção diferente entre negros e brancos na população e na universidade pública, deve-se decretar: RACISMO? Ou verificar por que isto acontece (nem me passa pela cabeça a idéia de "preguiça racial" ou outras que apareceram por ai)? Porque eu vejo ações afirmativas a posteriori como paliativos (e pior, no sistema de cotas, como paliativos contra o sintoma errado).

Cito meu orientador, com tantos anos de universidade: "Nas exatas, o aluno que precisou do sistema de cotas normalmente esta abaixo do mínimo para entrar, já que sem ele boa parte dos que entram normalmente também o estão. Eles terão que pagar as matérias casca grossa dos primeiros períodos, calculos e álgebras, e pela falta de estrutura matemática vão ficar por ali, pelos primeiros períodos. Tudo porque o ensino fundamental e médio é tão desvalorizado neste país"


OFF-TOPIC
Isto me lembra, a alguns anos, quando inventei de me meter em política estudantil, no começo da Universidade Estadual, a UJS veio tentando dominar com uma proposta genérica e pré-pronta, totalmente longe dos problemas do estado. Dentre as propostas, estava uma de sistema de cotas. Discordei, inocentemente eu juro, e dei como contra proposta uma espécie de cursinho de segundo grau completo e gratuito, dado pelos próprios alunos da universidade (valendo créditos como incentivo). A chapa anti-ujs me chamou para vice. Discordei, já que todos eram visivelmente pilantras (à lá roberto jeferson). Aí tudo foi escada abaixo. Fui rechaçado pela UJS, chamado de "indeciso", perguntaram de que partido eu era (e ficavam ultrajados com a minha resposta: "como assim? precisa de partido pra perguntar"). E logo se formou um grande grupo para me linchar. Fugi para não apanhar pois "governo" e "oposicao" queriam me bater.

Contudo, minha proposta vingou (apesar de eu não ter levado crédito, e nem quero): o governo do estado pegou seus melhores professores, e os fez gravar uma espécie de telecurso 2000 para o vestibular. Não era a minha proposta, mas ajuda.

À contragosto dos defensores das cotas que queriam me bater.

OFF-TOPIC

Como eu dizia, existe racismo, por isso deve-se investigar sua origem e propor mudanças, e não cair na facilidade de chamar tudo de racismo (que é detrimental à causa)

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 06:24



Comentário de: Ricardo

Alex, por favor...
pelamordedeus...

inflacao e um fenomeno monetario, nao economico...

isso e coisa de keynesiano...

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 07:30



Comentário de: Pedro Fraga · http://growing-up.blogspot.com

Ah, agora eu entendi.

Racismo é só quando a gente se veste de branco e coloca fogo em um negro em praça pública.

Tirando isso, é só problema sócio-econômico.


;D


PermalinkPermalink 19.11.08 @ 07:31



Comentário de: Ricardo

Minha mae, meu irmao e eu, ao longo dos ultimos 12 meses, fomos assaltados a mao armada no Rio.

No tres perdemos nossos carros.

Em todos os eventos, fomos abordados por vitimas da sociedade armadas de pistolas. Todos os seis assaltantes (dois em cada evento) eram negros.

O meu racismo e uma questao de trauma. Desculpem os anti-racismo, mas quando um negro esta andando perto do meu carro, a noite, num sinal vermelho no Rio eu fico com muito medo.


PermalinkPermalink 19.11.08 @ 07:36




"Cito meu orientador, com tantos anos de universidade: Nas exatas, o aluno que precisou do sistema de cotas normalmente esta abaixo do mínimo para entrar, já que sem ele boa parte dos que entram normalmente também o estão. Eles terão que pagar as matérias casca grossa dos primeiros períodos, calculos e álgebras, e pela falta de estrutura matemática vão ficar por ali, pelos primeiros períodos. Tudo porque o ensino fundamental e médio é tão desvalorizado neste país"

Seu orientador está errado pq quem entra pelo sistema de cotas é considerado APTO a cursar uma universidade. Nao entrou porque NAO HÁ VAGAS. Mas passou, por assim dizer.

Na lista de resultados do vestibular aparece assim: classificado (quem entra), aprovado mas nao classificado por falta de vagas (quem nao entra). Isso pelo menos nas universidades da Bahia (desconheço outras realidades, admito). Mas sei que TODAS as universidades de alto padrao tem o que se chama PONTO DE CORTE. Quem fica abaixo do ponto de corte nao entraria nem se existissem mais vagas disponíveis. Quem está acima do ponto de corte entraria, em caso afirmativo.

Nao sou eu, e sim a universidade que afirma que MUITA gente que fica de fora está APTA a cursá-la.

Esse argumento do seu orientador é uma falácia.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 08:05




E outra coisa. As matérias casca-grossa de exatas eu nao chamaria de matérias casca-grossas, mas de "mentalidade casca-grossa das exatas" que acha que matéria boa é a que reprova muito. Que quem faz exata tem que ter cabeçao mesmo (já ouvi tanto isso dos meus amigos das exatas) senao que se ferre. O objetivo é mais ferrar com o aluno do que ensinar. Pra manter essa aura que cerca as ciências exatas: sao difíceis mesmo e nao é pra qualquer um.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 08:08



Comentário de: Thiago

D. perfeito os comentários sobre a universidade, mas nem toda universidade mostra esse "passou mas não entrou" normalmente é "passou/não passou mesmo"


PermalinkPermalink 19.11.08 @ 09:10



Comentário de: Fabiana

Olá,
Venho acompanhando essa série de postagens com um profundo aperto no coração, porque sou professora e me deparo cotidianamente com todo tipo de racismo - velado e explícito - por parte dos professores e por parte, principalmente, dos alunos.

Alunos que em sua, maioria são pobres e favelados, mas que arranjaram um modo de se diferenciarem entre si, e essa diferenciação se estabelece pelo tom de pele, em forma de brincadeiras - aparentemente inocentes. Tentei levantar o debate inúmeras vezes, mas infelizmente eles não vêem problema, pois dizem que não há maldade em seus comentários.

Sinceramente, não sei o que fazer.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 10:17



Comentário de: Andre · http://acimadedeus.blogspot.com

Alex,

Então você acha que há uma relação de causa e efeito entre pobreza e crime?

Att,

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 10:19



Comentário de: Andre · http://acimadedeus.blogspot.com

Respondendo ao Luis, a respeito do tópico sobre os números...

Luis,

"Não, existe um tratamento para negros e para brancos."

Ah, pelamordedeus... Olha, na boa, dizer isso sem demonstrar é demagogia. Veja, boa parte do que está discutido aqui é mais ou menos assim: um diz que tal coisa existe. Outro pede prova, aí o primeiro ri e diz que o segundo é cego. Parece discussão de ufologia. Veja, o Alex apresentou alguns números, eu demonstrei o pq os considero errados. Agora, de resto, ficar falando isso (o tratamento é diferente, etc.) é puro chute.

"Cara, voce acha que 50% da população são de europeus "puros"?"

É óbvio que não. Aliás, se você quiser ser purista, nem os europeus são europeus "puros". Então esse tipo de discussão não leva a nada. Só a mais demagogia.

"O mais proximo da realidade nao seria uma população maior de pardos ou mestiços?"

Não. O mais próximo da realidade é o que uma pesquisa séria mostra (e nem foi por amostragem hein! São dados do Censo). Então, o mais próximo da realidade é a população como ela é: maioria branca, minoria significativa parda, minoria bem minoria negra. Não é pq eu quero que seja. É pq é. Discutir algo fora desse padrão é ignorar a realidade.

"Por que será que tem tanto brancos e pardos e tão poucos negros?"

Ah, essa é fácil né. Pq SEMPRE houve mais brancos que negros no Brasil. Sempre, em qualquer tempo. Aí a miscigenação vai acontecendo, um negro e um branco geram um mulato, que, com um branco, gera uma pessoa mais pra branco, que, ... branco. Dizer que branco é só o europeu "puro" e todo o resto é negro é burrice. Veja meu caso: eu sou branco, mas tenho antepassados negros. O que eu sou? Negro? Eu deveria ter direito à cota em universidade, já que meus antepassados sofreram blablabla?

"Voce ja foi ao nordeste e outros estados do sudeste?"

Sim. Com toda a certeza (e as estatísticas estão aí pra isso) o percentual de negros dentro da população do Nordeste é maior do que o percentual na população do Sul e Sudeste. Veja: NÃO POR UMA RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO, o percentual de gente mais pobre também está no Norte/Nordeste. Aí vai um espertíssimo dizer que os negros são excluídos da sociedade, ignorando toda a realidade, ignorando que, se há excluídos, são os pobres, não os negros. Repare que seria EXATAMENTE A MESMA COISA que fazer políticas voltadas para as pessoas de pé chato pq a imensa maioria das pessoas de pé chato é pobre. Ora, e os pobres que não têm pé chato???

Att,

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 10:37



Comentário de: Alex Castro Email

André:Então você acha que há uma relação de causa e efeito entre pobreza e crime?

Não. As pessoas ricas e branquinhas com quem cresci cometiam regularmente uma série de crimes: compravam e usavam drogas, faziam abortos, dirigiam bêbadas, batiam nas esposas/namoradas, brigavam em ruas ou boates, cometiam fraudes contra seguradoras, roubavam o governo de todas as maneiras possíveis e imaginárias, sonegavam imposto de renda, corrompiam agentes do poder público, etc etc etc. Esses foram apenas os crimes que eu ou testemunhei meus amigos cometerem ou que eles admitiam abertamente, sem culpas nem vergonha. Imagino que também cometessem outros crimes dos quais talvez se envergonhassem.

Como disse Hélio Luz, então chefe de polícia civil do Rio de Janeiro, no documentário Notícias de uma guerra particular (1999):

"A sociedade não quer uma polícia honesta, porque no dia em que a polícia for honesta, o filho do banqueiro e do juiz será preso da mesma maneira que o jovem favelado."

Pra responder sua pergunta: existe uma correlação fortíssima entre pobreza e ser preso por um crime.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 10:41



Comentário de: Clara · http://www.garotasquedizemni.com

"Uma camisa "100% Branco" é de profundo mau-gosto, ao mostrar quem está por cima celebrando sua hegemonia. "100% Negro", por outro lado, é a celebração de uma identidade subalterna tentando se afirmar contra todas as desvantagens inerentes no sistema."

Falou tudo.

Alex, não sei se você conhece a Frente 3 de Fevereiro. Eles fizeram um documentário, chamado "Zumbi Somos Nós", sobre o racismo no Brasil.

Não sei se isso já foi comentado aqui -- confesso que peguei a discussão no meio e ainda não tive tempo de ler tudo que já foi publicado --, mas, na comunicação da polícia, os suspeitos negros são chamados de "suspeitos da cor *padrão*". Nicolau Sevcenko explica, no filme, que essa é uma herança de uma polícia criada para recapturar escravos fugidos, o que, naturalmente, explica mas não justifica. Como um bocado de coisas que restaram desse passado.

http://www.frente3defevereiro.com.br/

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 11:44



Comentário de: Gerson B

O Alexandre Lemke defendeu a ideia de que usar uma camiseta 100% negro é algo válido. Mas dizer que ["Branco" não é uma identidade cultural ou étnica, negro é.] e citar povos brancos diferenciados não é reduzir a diversidade dos povos negros a uma só categoria?. Já ouvi isso sobre índios, que falar "indio" sem especificar o povo já é racista, etc etc.

Se não se toma cuidado sempre te acusarão de racismo. Mesmo tomando vão te acusar.



PermalinkPermalink 19.11.08 @ 11:49



Comentário de: Thiago

"A sociedade não quer uma polícia honesta, porque no dia em que a polícia for honesta, o filho do banqueiro e do juiz será preso da mesma maneira que o jovem favelado."

A sociedade quem???

Já concluí que quem manda nessa porcaria são "as otoridades", eles tem o direito de carregar armas, de não serem presos, de promover a censura irrestrita da liberdade de expressão, etc

"cometiam regularmente uma série de crimes: compravam e usavam drogas, faziam abortos, dirigiam bêbadas, batiam nas esposas/namoradas, brigavam em ruas ou boates, cometiam fraudes contra seguradoras, roubavam o governo de todas as maneiras possíveis e imaginárias, sonegavam imposto de renda, corrompiam agentes do poder público"

Quem sabe a polícia tivesse mais eficiência se não tivesse que policiar crimes inventados pela igreja católica.


PermalinkPermalink 19.11.08 @ 12:01




off-total:
ficou legal a entrevista sobre dogs no GNT.
abç

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 12:15




"A sociedade quem???"

A sociedade todos nós, Thiago. Nós que somos contra suborno MAS, se é um filho nosso pego numa blitz, a gente vai lá e joga uma conversinha no "seu guarda". Que falamos com todo mundo que a gente conhece, "otoridades" como você disse pra se livrar de uma multa, de um problema, de qq uma dessas coisas que as demais pessoas sao obrigadas a enfrentar.ç


"Quem sabe a polícia tivesse mais eficiência se não tivesse que policiar crimes inventados pela igreja católica."

O único da lista é o aborto né? E os outros?

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 12:26



Comentário de: Ricardo

rapaz,
acho que agora eu concordei contigo em 100%
de fato existe uma correlacao entre cor e ser preso por cometer crime.

concordo tambem com o Helio Luz.
De fato nao quero uma policia honesta, o que eu quero e uma policia que nao me roube.

enquanto eu estiver acima da linha da negritude estou assegurado, depois disso eu viro renegado como voce (nao me leve a mal)

acho que o fenomeno que esta acontecendo contigo e parecido com o que acontece com outros expatriados.
o cabolco vai pra fora, bate de frente com os anglos e vai lutar contra o "racismo" e o preconceito...

eu estou passando com o mesmo problema. so que hoje meu problemas sao arabes e anglo-franceses... odeio os dois.

acho que um dia todo mundo vai perceber que todas as outras racas soa despresiveis, inclusive a nossa.

ai vai ver que nao vale lutar por nenhuma delas.

...tu ne cede malis

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 12:52



Comentário de: Thiago

"A sociedade todos nós, Thiago. Nós que somos contra suborno MAS, se é um filho nosso pego numa blitz, a gente vai lá e joga uma conversinha no "seu guarda"."

Pois é, educação começa em casa. Se tenho uma coisa de que me orgulho é que meu pai nunca pagou nem recebeu propina de ninguém.

Infelizmente primeira coisa (por exemplo) que as pessoas fazer quando recebem uma multa pelo correio é tentar se livrar dela.

"O único da lista é o aborto né? E os outros?"

Na verdade eu considero o das drogas também, mas só estava me referindo a esses dois também.


PermalinkPermalink 19.11.08 @ 13:12



Comentário de: Carlos

"Ou o país é racista por ter uma polícia sistematicamente racista, que vê o negro sempre como um criminoso, ou o país é racista por ter toda uma estrutura de poder racista que faz com que os negros sejam de fato a maioria dos criminosos.

De um modo ou de outro, como enfiar a cabeça na areia e fugir da conclusão inescapável?"

Justamente. Isso é a falácia da questão complexa. Em termos lógicos, não há muita diferença entre a escolha acima e a pergunta "você continua batendo na sua mãe?". Nõa há resposta possível, porque os termos são colocados de modo tal que qualquer resposta vai estar refirmando o que o perguntador quer.

Racismo é algo que depende de uma categorização. Nos EUA - cujo "pacote" fascista e racista vc parece ter comprado, para decepção de alguns de seus leitores antigos, como eu - ela é totalizante e unívoca: ou se é preto, ou se é branco, e isso só tem *efeitos* sociais. No Brasil essa categorização não existe, e a cor da pele é um dos fatores pelos quais se identifica a posição social, que é muito mais importante que nos EUA. Ao tratar da "raça" como categoria unívoca e totalizante, todos os aspectos negativos da pobreza, da ausência de proteção legal, etc., são ressaltados e atribuídos aos pretos por serem pretos, não aos pobres por serem pobres (como o com cara de índio em Manaus ou com cara de "baiano" em SP).

Pior ainda: no Brasil, introduzir artificialmente esta categorização (essa "identidade negra" que só faz sentido em um país em que a separação de fato é tão grande que dá para saber a cor da pele pelo sotaque, como os EUA) faz com que surja racismo verdadeiro, categorizante. Gente que simplesmente não levaria em consideração a cor da pele de um médico ou advogado vai passar a ter medo de que ele tenha conseguido o diploma por caus da cor da pele, etc.

"Sinceramente, se o fato da polícia parar mais negros do que brancos por já presumir que os negros tem mais chance de serem criminosos não é o maior indicador de que o Brasil é um país racista, então eu não sei o que mais pode ser."

Pode ser um país desigual em que a polícia só pode parar pobres, e no qual em algumas regiões (principalmente o Sudeste) grande parcela dos pobres é descendente de escravos. Trata-se de uma sociedade em que a mobilidade social vertical é tolhida por vários mecanismos, fazendo com que o filho de alguém importante praticamente não tenha chance de cair na miséria e ir morar na favela, e o filho de alguém pobre tenha pouquíssima chance de subir na vida. A cor da pele entra aí só pelo fato de que, com esta pouca possibilidade de ascensão, se o bisavô estava na senzala o bisneto está na favela, querendo passar no concurso pra gari.

" Se isso não te mostra que o nosso país é racista, não sei mais o que poderia mostrar. Se você usa isso pra demonstrar que o Brasil NÃO é um país racista, então você e eu devemos raciocionar de modos tão opostos que é incrível que a gente consiga se comunicar."

Cara, vc comprou aí nos EUA um pacote pronto, com uma listinha de coisas certas e erradas e de categorias pelas quais ver o mundo. Lamento muito, mas recomendo (não sei se adianta) que vc pare um pouco para pensar e perceba que entrou em um modo de ver o mundo tipicamente americano, em que o pacote de opiniões que vc comprou é o certo, e quem discorda dele é [i]a priori[/i] burro ou mal-intencionado.

Em última instância, não há a menor diferença entre o pacote da esquerda americana, que vc comprou, e o pacote da direita paliniana que tanto te assusta: eles tbm acham que vc é burro ou mal-intencionado, e nenhum dos dois consegue dialogar ou colocar-se no lugar do outro para entender seu raciocínio.

É uma pena. Eu gostava de ler o que vc escreve, mas agora virou uma versão requentada do Alternet. Lamento. Se vc está curtindo e isso te garante um emprego, vai em frente, mas é um senhor desperdício de potencial.

Ah, e peço de novo: bota RSS pros comentários, vai.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 13:36



Comentário de: Alex Castro Email

Carlos

Os comentarios jah tem RSS. O link estah na coluna da direita:

http://feeds.feedburner.com/libertariocomentarios

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 14:10



Comentário de: mauro tatini · http://mtatini.blogspot.com

esse assunto não tem fim - as pessoas vão achar o que elas querem achar, em alguns casos, infelizmente. Ainda se discute que o caso da Bruna (que roubou o filho dela do marido americano, dizendo que ia passar férias no rio, e nunca mais voltou) não é sequestro - "afinal, ela é a mae!". É sequestro sim.
Quanto a racismo versus "classismo", isso é bem mais complicado. Quotas para educação e tudo mais já se provou anti-produtivo, aqui nos estados unidos. A última estória é de um advogado que tentou usar como defesa que seu cliente, negro, matou POR CAUSA das quotas. Ele virou jornalista, mas era medíocre como escritor. Mas a comunidade negra dava festas pra ele por ser alguem tao importante, vindo de um background tão simples. Ele começou a comprar artigos pra manter a aparencia. Quando o ghost writer dele resolveu que ia bocar a boca no trombone, ele matou o cara. O argumento do advogado foi: "por causa das quotas, um negro e um não-negro de capacidades diferentes cursam a mesma faculdade, se formam baseado na quota de também formar negros/minorias, arranjam emprego no mesmo hospital como cirurgião, afinal, o hospital também tem uma quota mínima de minoria pra contratar. Na hora que sua filha estiver prestes a morrer pelo que quer que seja, e só uma operação delicada pode salvá-la, voce não vai pensar duas vezes antes de colocá-la nas mão do "produto das quotas"? Sem quotas, voce SABE que o negro e o branco tem a mesma capacidade, ou similar. Com as quotas, voce não tem como saber se ele é medíocre no que faz, ou não."
Claro que ele foi condenado mesmo assim, a defesa era idiota. Mas o argumento não: quotas não funcionam, e ponto.
"ah, mas como faz, então, quem nunca teve dinheiro pra frequentar colégio bom, vai reverter esse quadro como?"
Com vontade. E estudo. Não tem outro jeito, "mais fácil" não rola.
Minha tia Irene faz 90 anos agora em janeiro. Quase italiana, nasceu aqui depois que os pais chegaram, minha bisavó grávida dela. Meu bisavo foi assassinado numa emboscada, e tudo roubado dele (minha bisa não sabia ler, e assinou todos os papéis que a cidade mostrou pra ela quando ele morreu). Minha tia, com uns 10 anos, mudou com a mae e os dois irmãos mais novos pra Sao Paulo. Trabalhou pra sustentar todo mundo em 3 empregos. Depois de decadas, resolveu que ia terminar o colégio. Fez supletivo à noite, estudou em biblioteca pra não pagar pelos livros, dormia 3 horas por noite. Isso com mais de 50 anos de idade. Passou na São Francisco, e se formou entre os primeiros da classe. E nunca foi dona de um carro, nunca teve dinheiro que não foi pra sustentar a família, a mae.
Não foi quota por ser minoria - foi trabalho duro. TODO MUNDO pode fazer, desde que queira. Mas querer é uma coisa, trabalhar pra isso é outra.
Quanto a racismo, é simples: aqui nos estados unidos, se voce é negro, voce pode ser famoso, rico, o que for: quando voce casar com a loira de olho azul de kennebunkport, Maine, NINGUÉM vai achar bonito. No Brasil, se voce é negro e pobre e é exatamente como o Ronaldo Fenomeno, voce é negro e pobre. Quando voce vira famoso e rico (exatamente como o Ronaldo), voce é OK. Se voce casa com a loira, a família dela acha lindo!
Se alguem disser que isso é mentira, eu sou todo ouvidos pra explicação. Como não é, o brasil é um país classista, placist, acima de tudo.
Agora, racismo e preconceito existe no mundo todo, sempre existiu, sempre vai existir. Nao existe lugar que é 100% racism/prejudice free. Mas usar isso como argumento é não querer ver o problema principal. No pais onde Pelé namorou a Xuxa (a mulher mais branca do brasil, e segundo o Chico Buarque, a única branca) e todo mundo achou bonito, digam: se pelé fosse pobre, o que voces achariam? Pois é...

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 14:22



Comentário de: Alex Castro Email

Mauro,

que eu saiba isso que vc contou eh um episodio de Lei & Ordem. Vc tem o link do caso verdadeiro?

Sua percepcao sobre as cotas estah bastante errada. Todos os dados e estudos feitos sobre isso indicam que os cotistas tem desempenho acima da media. Nao vi nenhum estudo indicando o oposto, acusando as universidades de formar incompetentes. Isso eh lenda urbana.

"Quotas para educação e tudo mais já se provou anti-produtivo, aqui nos estados unidos."

Eu tb nao sabia disso. Que eu saiba, os numeros e estudos apoiam que as cotas, nos EUA, sao um sucesso absoluto. Nao apenas houve maior inclusao de negros e diminuicao da desigualdade, como nao se ouviu falar de ninguem morrendo operado nas maos de medico cotista ou predio feito por engenheiro cotista caindo. alias, soh essa ideia jah eh extremamente preconceituosa, de tachar esse rotulo no cara (como se fosse vergonhoso!) e fazer ele carrega-lo por toda a vida. Pq vc acha que as cotas nao deram certo?

Vou falar mais do seu exemplo de casamento interracial, mas ele soh prova que, no Brasil, brancura estah a venda e que o racismo das pessoas cai com a melhor oferta.

abracos e beijos no bebe,
alex

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 14:34



Comentário de: Dana

Não sei se vcs lembram uma reportagem de capa da Veja há algum tempo mostrando que dois irmãos gêmeos idênticos fizeram vestibular da UnB e somente um passou nas cotas, o outro, que tinha pontuação tb, não passou. A família era rica, claro.
Outra coisa: aqui em Bsb no Plano Piloto quanto mais o seu carro é caro e carinha de filho-de-papai vc tem, mas vc é parado em blitz. Os PMs procuram até achar qualquer coisa que vc ou o seu carro estiver fora da lei.
Por último, sobre cotas: até onde eu sei o Obama estudou em Harvard por cotas. Não para negros, e sim para pobres.
É isso
beijos

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 16:10



Comentário de: aline · http://ateaquitudobem.blogspot.com

Oi Alex

Acho que esse post, sobretudo essa frase "Pra responder sua pergunta: existe uma correlação fortíssima entre pobreza e ser preso por um crime" dão um passo muito importante e fazem a conversa avançar bastante. Está mais claro, como ainda não tinha ficado ao longo das outras caixas de comentários, como é possível descontruir essa relação imediata entre cor da pele e tendência à criminalidade. Mesmo eu, que já concordava antes com as coisas que vc diz por aqui, vou notando uma ordenação maior dos meus próprios pensamentos. Menos intuição de que as coisas estão erradas, e mais argumentos.
Obrigada.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 16:57




"Pois é, educação começa em casa. Se tenho uma coisa de que me orgulho é que meu pai nunca pagou nem recebeu propina de ninguém."

Eu tb tive esse tipo de educaçao, mas vc sabe que nossas famílias sao exceçoes, né? A maioria das pessoas quer ser dar bem, nao importa como. MAIS, elas querem se dar bem EM CIMA de alguém. Assim elas provam a esperteza. E sempre com a desculpa de "todo mundo faz. Se nao for eu vai ser outra pessoa", "Ah, sonegar imposto, eu sonego, já pago demais e o governo rouba tanto da gente..pititi patatá...". E outras racionalizaçoes do tipo...

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 17:00



Comentário de: Alexandre Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

"O Alexandre Lemke defendeu a ideia de que usar uma camiseta 100% negro é algo válido. Mas dizer que ["Branco" não é uma identidade cultural ou étnica, negro é.] e citar povos brancos diferenciados não é reduzir a diversidade dos povos negros a uma só categoria?. Já ouvi isso sobre índios, que falar "indio" sem especificar o povo já é racista, etc etc."

Não, não é. Eu não estou "reduzindo" nada, pq não fui eu quem criei os termos nem sou eu quem categorizo como isso ou aquilo. São identidades culturais/sociais/étnicas/etc, não termos científicos.

O racismo estaria em eu dizer "vc é negro [ou índio, ou europeu, etc]", mesmo que vc não se identificasse assim. Outra é vc dizer "eu sou negro", independente da minha opinião. Daí é identificação.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 17:56



Comentário de: Kitagawa

"Então você acha que há uma relação de causa e efeito entre pobreza e crime?"

Há relação entre pobreza e determinados tipos de crime. Pra que diabos um cara de classe média vai sair armado pra roubar um celular e uns trocados se ele pode simplesmente dar um calote de milhares de reais no cartão de crédito? E se a classe média adere a crimes, sua formação e sua capacidade de acesso lhe permite roubar sem ter que chegar perto de uma arma. Estou falando de crimes pela internet, fraude de cartão, esquemas mais sofisticados. Já a classe alta pode se apropriar de verbas publicas, fraudar a previdencia... A proporção de criminosos no congresso com certeza é muito mais alta do que em qualquer favela. Aliás, dias desse me chegou a estatística de que apenas 0,3% dos favelados do Rio estão de alguma forma ligados ao tráfico. Devemos refletir sobre essa situação: uma minoria da minoria dos negros pobres adere ao crime. Mas acredito que a maioria acaba em algum momento sendo tratado como potenciais criminosos, pela polícia ou por outros cidadãos. E como isso de certa forma pode induzir alguns a se tornarem criminosos, já que nem todo mundo tem fé exacerbada na humanidade. Sim, a polícia pára mais negros para averiguação do que brancos. O problema é que já não é só questão "estatística": honestos ou não, pobres ou não, brancos e negros sempre recebem tratamento diferenciado pela polícia. O policial é capaz de tar tapas na cara de um negro que não fez nada mas ser totalmente cordial com um branco em flagrante delito.
O preconceito não é só "socio economico", pois os preconceitos não são racionalizados dessa forma. O preconceito é resultado de uma massaroca de dados mal processasdos na cabeça do sujeito, até virar intuição, quase instinto, pois nós humanos somos assim, não passamos de cachorros que abanam o rabo quando ouvem a sineta. Felizmente temos o poder de parar e pensar. Os racistas convictos, daquele tipo que faz questão de alardear e explicar o por que do seu racismo, esse é o menos danoso. O racismo que devemos temer é aquele praticado por nós, pessoas que não se acham racistas, que não percebem a maneira como a socieade como um todo e ela s proprias dispensam um tratamento diferenciado a quem tem mais melanina.
Discordo do Alex em achar que a sociedade pode simplesmente ser considerada racista só pelos dados estatiticos que apontam as disparidades. Isso acab sendo até contra producente, pois quando se diz que todos somos culpados significa que ninguem é culpado. Mas acho que a sociedade de fato é racista, não só pelos dados, mas porque acredito que se os pobres não fossem na maioria negros/pardos/indios haveria muito, muito mais empenho em dizimar a pobreza. Investimento maciço em educação publica e gratuita teria se tornado prioridade há muito tempo. Os competentes filhos da classe média estariam muito mais dispostos a dar aula em escolas publicas. Quem sabe no dia que a calsse média branca começar a decair e ser obrigada a frequentar escolas publicas a coisa melhore. Mas como não são, isso não é prioridade. É o que eu acho, sinceramente.
Lmebro que há muto tempo, saiu uma reportagem não lembro onde, sobre moradores de rua. Numa foto, uma mulher dá banho numa criancinha bem pequena, num latão, no meio da calçada. Um amigo meu confessou que ficou comovido com a foto (e ele não era dado a esse tipo de coisa). "Dá mó pena". Eu olhei a foto e falei: "você só sentiu pena porque a criança é branca, quase loira. Se fosse negra, você não estaria nem aí, como aliás nunca está". Ele parou e reconheceu "é verdade, que coisa!". COnfesso que instintivcamente isso aconteceu comigo tbm. Horrível!

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 18:54



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Ótimos comentários de todos.

Ninguém se dá conta do problema principal.

Há poucas palavras e muitas coisas. Logo, cada palavra designa várias coisas diferentes.

Outro problema:

A palavra é digital, a realidade é analógica. A palavra é fixa, o humano é orgânico. Logo, nenhuma palavra acerta o alvo.

Mas é divertido ficar discutindo, né? Qdo vcs resolverem os problemas aí, me avisem q eu vou tomar um suco ali.

[liga não; às vezes eu penso essas coisas]

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 22:28



Comentário de: tatiana

Tenho acompanhado sua série sobre racismo com muito interesse. São questões que ampliam a discussão, pois não dá para negar que existe racismo no Brasil. Aqui está um depoimento de quem sofre com o racismo diariamente. Racismo não é só alguém te chamar de preto ou de macaco. Não é ser seguida em qualquer loja pelos seguranças. O racismo existe nas expectativas que as pessoas tem de você a partir da primeira vez que te olham. As escolas são uma grande fonte de racismo nesse sentido. Racismo é perceber que numa turma de trinta pessoas, menos de cinco são negras. E que isso se repete em toda a sua vida acadêmica, da alfabetização até a faculdade. É ver que os professores sempre elegem os mais brancos como os queridos. É ser colocada atrás numa apresentação da escola para que a menina mais bonita possa ficar na frente, sendo que a beleza sempre tem a ver com a cor da pele. É você ter que provar com suas notas que não é burra e perceber que seus professores só te reconhecem e sabem seu nome depois da prova em que você tirou dez. E ficam surpresos com seu dez, porque você deveria ser burra. Racismo é em qualquer vitória, pessoal ou profissional, as pessoas se mostrarem surpresas com suas conquistas, como se você não fosse capaz. Esse tom surpreso é que entrega o que as pessoas realmente pensam de pessoas negras, que são incapazes, burras, sem educação. Racismo é ouvir as pessoas dizerem que você não é negra, pois tem a pele morena e se espantarem em você insistir em se declarar negra. Afinal, se dá para disfarçar, quem é que vai querer dizer que é negra? Racismo é você morar num prédio há muitos anos, e sua família, composta de negros, ser a única em que todos têm curso superior completo, ser a única a separar o lixo, ser a única que não se mete nos barracos alheios do edifício e mesmo assim ser apontada como causadora de problemas. Qualquer coisa errada no prédio, a portaria que é esquecida aberta, a lixeira que entupiu, o jornal que sumiu, o bilhete anônimo reclamando do síndico, os olhos se voltam inicialmente para seu apartamento. Nunca ninguém me xingou de macaca nem me pediu para entrar pela porta de serviço. Mas isso não significa que não sofri com o racismo. É uma coisa que se encontra em qualquer lugar, em qualquer olhar.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 22:29



Comentário de: jeison calheiros

falacia! falacia! falacia! meus parabêns pelas bobagens que escreve. e ainda, me admira muito, sendo o pai racista, você nao sê-lo também.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 22:34



Comentário de: Andre Kenji · http://www.andrekenji.com.br/weblog

O problema é que racismo e preconceito social são duas coisas que se misturam. Uma não pode ser entendido sem o outro. Tanto que a raça que é mais abertamente criticada é a dos tais dos "nordestinos".

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 23:09



Comentário de: Andre Kenji · http://www.andrekenji.com.br/weblog

"Afinal, se dá para disfarçar, quem é que vai querer dizer que é negra? "

Não é. Acho que foi o Morgan Freedman que disse que essas etiquetas "branco", "negro" que colaboram para o racismo.

“How are we going to get rid of racism? Stop talking about it!”

Freeman believes the labels “black” and “white” are an obstacle to beating racism. “I am going to stop calling you a white man and I’m going to ask you to stop calling me a black man,” he says. “I know you as Mike Wallace. You know me as Morgan Freeman. You wouldn’t say, ‘Well, I know this white guy named Mike Wallace.’ You know what I’m saying?”

Se alguém me pergunta se sou japonês respondo friamente que sou brasileiro.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 23:16



Comentário de: Hugo · http://aiengineer.blogspot.com

"Pra manter essa aura que cerca as ciências exatas: sao difíceis mesmo e nao é pra qualquer um"

Nao sao mesmo. A taxa de corte e de 30 a 40%; so que quem nao consegue 70% nas materias especificas no vestibular tem um desempenho sofrivel nos cursos de exatas. Se o cara nao consegue nem dar conta dos calculos, nao deveria perder tempo fazendo computacao, engenharia e cia. Cansei de ver as cavalgaduras que entraram nos cursos de taxa de corte "efetiva" (nota minima do ultimo colocado)baixa nao darem conta das materias basicas de matematica que os alunos dos cursos de taxa de corte alta tiravam de letra.

Nao, matematica avancada nao e para qualquer um. Assim como a universidade e os estudos superiores.

PermalinkPermalink 20.11.08 @ 00:24



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Morgan Freeman falando com Mike Wallace:

http://www.youtube.com/watch?v=FO214IFRW1M

Bem a propósito. Amanhã em São Paulo é feriado: Dia da Consciência Negra.

Hoje eu troquei umas palavras com um cara num velório. De repente, o celular dele tocou. Ele simplesmente pegou o celular no meio de uma frase minha e atendeu. Terminada ligação, ele se virou pra duas pessoas q tavam conversando ao lado dele e entrou na conversa. Me ignorou totalmente.

Me perguntei, puts, ¿será q é pq sou branco róseo com tons amarelados e ele era branco cinzento meio puxado pro salmão? Só pode ser, né? ¿Vai ser por quê mais?

PermalinkPermalink 20.11.08 @ 01:10



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"Mas acho que a sociedade de fato é racista, não só pelos dados, mas porque acredito que se os pobres não fossem na maioria negros/pardos/indios haveria muito, muito mais empenho em dizimar a pobreza."

Nao sei nao. Na minha cidade natal (Curitiba) tem mais branco nas favelas do que negros e nao vejo nenhum grande empenho em dizimar a pobreza.

Vejo sim, desde que sou pequeno, um grande empenho em manter o centro da cidade uma beleza artificial de "Primeiro Mundo" enquanto a miseria da cidade fica confortavelmente fora do alcance dos olhos da classe media e classe media alta.

(Existem mais brancos na favela do que negros, porem vc encontra mais negros nos bairros pobres do que nos ricos, isso nao ha duvida. Ainda estamos falando de Brasil)

Mas eh um fato que viver em uma cidade onde existem favelados e catadores de rua loiros de olhos azuis me faz ter uma visao diferente do assunto do que um Carioca como o Alex tem.

E me impede de aceitar o argumento simplorio de que essas diferenca social que ele mostra por estatisticas seja resultado mais do racismo do que dos problemas estruturais brasileiros (que vao desde do passado escravista e a libertacao sem reparacao, aos problemas economicos, burocracia, pseudo-capitalismo-estatizante, falta de educacao, etc...)

P.S. Curioso que na minha faculdade (UFPR) normalmente eu fazia o papel que o Alex ta fazendo agora, tendo que provar par ao pessoal que existe racismo no Brasil (e em Curitiba).

A diferenca eh que eu nao comprei o discurso americano e tentei transportar para a Terra Brasilis.

PermalinkPermalink 20.11.08 @ 01:50



Comentário de: Arthur

Marcio, o que o Alex quer dizer é que o Brasil é um pais racista exatamente por causa desses problemas estruturais.

Pela abolição do jeito que foi e todo o sistema publico de ensino que impede os negros de subir na vida...

O que ele chama de racismo não é o pais achar que negro é pior. É o pais não deixar negro subir na vida.

Apesar de não concordar com a adoção do sistema de cotas para negros, não da pra dizer que negro no Brasil tem a mesma chance que branco de subir na vida. Exatamente por eles serem em geral, bem mais pobres.

Claro que existe muito branco pobre, e variações regionais....E a divisão entre negros e brancos é bem mais tenue do que nos EUA....

Por isso mesmo, acho que se o estado fizesse sua obrigação e desse ensino publico de qualidade, e talvez cotas para a população mais pobre, estaria dando oportunidades iguais para os negros, sem os inumeros problemas que o sistema de cotas tem....

PermalinkPermalink 20.11.08 @ 02:40



Comentário de: Homero

Denunciar a existência de racismo por todos os cantos não seria também uma forma de racismo?

Aí vai um link: http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/450832

PermalinkPermalink 20.11.08 @ 03:08



Comentário de: Alex Castro Email

Homero,

desculpa, eu nao entendo bem como é que denunciar um problema pode ser igual ao problema. Isso é como dizer que investigar um assassinato é um assassinato, não faz muito sentido pra mim.

PermalinkPermalink 20.11.08 @ 03:48



Comentário de: Andre Carvalho

Alex,

O que o Homero queria apontar, provavelmente, é o cômodo uso do racismo que alguns fazem (uma minoria, mas existênte). É aquela pessoa que acusa "racismo!" quando qualquer coisa não é favorável à ela.

É como no caso da fábula de Esopo do Pedrinho e o Lobo. Quando o Lobo chega de fato, ninguém acredita.

Reitero, novamente e esperando ser ignorado (se bem que estou sendo injusto: mesmo sendo ignorado individualmente os posts estão indo para o rumo que queria): A ótica "tudo é racismo" é prejudicial, pois acaba insensibilizando as pessoas para o racismo mais pernicioso, que é o individual, do dia-a-dia. Estratégias de choque extremo acabam deixando as pessoas imberbes ao que não é extremo, que é o dia-a-dia. O Brasil é racista? Com certeza! Qualquer coisa onde negros tenha uma desvantagem é racista? Se for, isso é RUIM para o movimento negro em geral, pois iguala o racismo filhadaputa kkk e etc com o "Puxa, passaram mais brancos que negros" que conscientização é feita com isso? que avanço esta abordagem traz?

PermalinkPermalink 20.11.08 @ 08:18



Comentário de: Wanderson Uchôa · http://wanlima.blog.terra.com.br

Estou aprendendo bastante com o Alex e com os comentários (inclusive os racistas) sobre o racismo no Brasil e sobre o racismo que existe em mim e naqueles que me cercam. E sobre essa questão da polícia eu realmente sempre ficava na dúvida, tentava me esconder em estatísticas, em amostras de quantidade de presos, em pobreza, e nunca havia atentado de forma clara que o que está por trás disso é o racismo... o que leva termos mais presos negros, mais pobres negros, uma estatística que condena o negro foi o racismo que criou e que continua criando.. que aquilo que eu buscava como uam forma de negá-lo é o que mais fortemente confirma que ele existe.. Ainda aprendendo, mas me convencendo de bastante coisa que me ferava dúvidas.. abraços

PermalinkPermalink 20.11.08 @ 12:26



Comentário de: Andre · http://acimadedeus.blogspot.com

"As pessoas ricas e branquinhas com quem cresci cometiam regularmente uma série de crimes: compravam e usavam drogas, faziam abortos, dirigiam bêbadas, batiam nas esposas/namoradas, brigavam em ruas ou boates, cometiam fraudes contra seguradoras, roubavam o governo de todas as maneiras possíveis e imaginárias, sonegavam imposto de renda, corrompiam agentes do poder público, cometiam assassinato."

Alex, vc não sabe que, excetuando o último, todo o resto nem é mal visto, e veja bem, NEM SÓ PELOS RICOS, MAS POR TODA A SOCIEDADE?
Excetuando o último, todo o resto são crimes cometidos diariamente por ricos, pobres, e gente de classe média, e ainda acham bonito. Isso talvez seja outro assunto. Jeitinho brasileiro, espertalhões, por aí... E não é só rico que não vai preso por isso não. Nem rico, nem pobre, nem ninguém. Ou melhor, apenas alguns que acabam aparecendo (por exemplo, os que foram presos durante a cobertura da mídia no início da lei seca. Agora, ninguém mais vai preso...). Lembrando que estou falando sobre esses crimes que você citou, exceto o último.

Gostaria mesmo que no Brasil todos os que cometessem esses crimes (e incluo um simbólico aí, que é a TV a gato) fossem presos e/ou pagassem pelo que fizeram. Mas aí acho que não sobraria nem metade dos brasileiro soltos...

Apenas como curiosidade: eu trabalhei no ano passado na prefeitura de São Paulo, na Secretaria de Habitação. Ninguém imagina o número de pessoas que frauda o sistema de pagamento de indenização quando o morador sai de uma favela. E não é gente rica, políticos, não. São as próprias pessoas que moram na favela... E ninguém vai preso. A gente, que trabalhava com sistema, tinha que ficar inventando mil formas de impedir isso, mas sabe como é a criatividade brasileira pra dar golpe né...

PermalinkPermalink 20.11.08 @ 18:04



Comentário de: Andre · http://acimadedeus.blogspot.com

Kitagawa,

Numa boa, continuo pensando a mesma coisa: DUVIDO que um policial dê um tapa na cara, pra usar sua acusação, em um negro com um terno caro.
Por curiosidade, você acha que, estatisticamente, existem mais brancos mal vestidos levando tapa na cara de policiais do que negros de terno caro?
Explicando melhor minha pergunta e já aproveitando o gancho: no seu exemplo/acusação, qual dos dois está melhor trajado? O negro ou o branco?

Att,

PermalinkPermalink 20.11.08 @ 18:13



Comentário de: Talita

Alex, viu esta notícia?

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL857733-5605,00-ESTA+TUDO+DESTRUIDO+DIZ+IRMA+DE+JOVEM+MORTO+EM+LOJA+EM+SP.html

lembrei de um comentário em um dos post sobre ser um suspeito "com a cor padrão".

PermalinkPermalink 20.11.08 @ 19:02



Comentário de: Talita

O link saiu meio truncado; aqui vai novamente:


http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL857733-5605,00-ESTA+TUDO+DESTRUIDO+DIZ+IRMA+DE+JOVEM
+MORTO+EM+LOJA+EM+SP.html

PermalinkPermalink 20.11.08 @ 19:06



Comentário de: Homero

É o seguinte Alex,

No momento em que alguém vota no Obama por ele ser negro, oferece um emprego a um candidato negro só por causa da cor da pele do candidato, ou resolve ser atendido por um médico negro apenas por essa característica étnica do médico, essa pessoa está fazendo escolhas baseadas apenas na cor da pele. Isso não seria racismo?

As cotas ou qualquer tipo de preferência racial geram uma desumanização do indivíduo: "Eu não votei num candidato capaz e competente, votei em alguém pela cor da pele. Eu não dei um emprego para o melhor candidato, mas porque fiquei com pena daquele candidato. Eu não escolhi aquele médico por achar que ele é o melhor de todos o médicos, mas porque eu quero incentivar os médicos negros."

Quando o critério racial passa a ser levado em consideração, quem está sendo avaliado nunca vai saber ele é uma pessoa qualificada, ou se só conseguiu alcançar o objetivo por condescendência da sociedade.

Será que essa condescendência não seria a pior forma de racismo? Como tratar os negros como crianças?

PermalinkPermalink 21.11.08 @ 15:55



Comentário de: Victor Barone · http://escrevinhamentos.blogspot.com/

"Oras, racismo É um problema sócio-econômico. O que mais vocês acham que o racismo é, meu deus? Um problema literário? Um problema culinário?"

Este conceito eu não conhecia Alex. Que eu saiba, racismo é a convicção de superioridade de uma raça sobre outra. Se você classifica como racismo todas as as discriminações, então este debate não tem como prosperar.

PermalinkPermalink 22.11.08 @ 11:40



Comentário de: Alex Castro Email

Homero: As cotas ou qualquer tipo de preferência racial geram uma desumanização do indivíduo:

eu acho q o racismo desumaniza os individuos e que cotas e acao afirmativa ajudam a corrigir isso, veja só vc...

PermalinkPermalink 22.11.08 @ 13:43



Comentário de: Alex Castro Email

Que eu saiba, racismo é a convicção de superioridade de uma raça sobre outra. Se você classifica como racismo todas as as discriminações, então este debate não tem como prosperar.

Todas as discriminações, não. O racismo vai muito mais além da discriminação e é toda uma estrutura socioeconomica.

PermalinkPermalink 22.11.08 @ 13:49



Comentário de: Yara Fortuna

Caraca, Alex!

Teus posts são uma cacetada na cabeça de todos nós...

Eu também sempre raciocinei assim, como você... Houve um tempo em que desenvolvi um trabalho na rua, com os estigmatizados "meninos de rua"... Sabe o que eu notei? Eram todos negros! Ahã, novidade!

Meu raciocínio? Só pode mesmo haver uma espécie de mecanismo histórico muito perverso neste Brasilzão de meu Deus que perpetue a condição escrava do negro em nossa sociedade... Porque é assim mesmo que o negro permanece, não é? Senão, vejamos: crianças negras, abandonadas na rua, esmolando, humilhadas, numa condição verdadeiramente subhumana... Does the bell ring to anyone else here???

HELLOOOO!!! O estigma da pele permanece!!!

PermalinkPermalink 25.11.08 @ 12:31



Comentário de: Alex

O ser humano tem medo de tudo que seja diferente, e se tem medo ele o odeia por não entender. Odiamos as pessoas por sua cor, opção sexual, religião, classe social,deficiência fisica, idade e nacionalidade. Prova disso são os inumeros conflitos mundiais, até mesmo entre povos da mesma etnia. No Brasil o racismo é velado. Temos muito medo das pessoas que achamos diferentes, julgamos primeiro a aparência, a primeira impressão sempre determina como devemos nos comportar.
Não devemos apenas tolerar as diferenças e julgar as aparências, devemos respeitar as diferenças. Os alemães toleravam os judeus até que o holocausto aconteceu.

PermalinkPermalink 26.11.08 @ 18:45



Comentário de: exvítima

Não acho que o mecanismo perverso seja exclusividade do Brasil. Pode ser encontrado do outro lado, na Àfrica. Existe uma questão biológica: se vc ve na tv ou por experiencia propria que a maior parte dos assaltantes de rua é negra ou mulata, é normal que passe a ter reações automáticas, é um condiconamento que em tempos idos salvou nossa espécie. Confesso que o que me faz apressar o passo qdo acho que estou sendo seguida tem mais a ver com oolhar e a postura da pessoa, e é claro que existem assaltantes de rua brancos também. Existem pobres brancos no Brasil, no Ceará, em Sta. Catarina, no Rio Grande do Sul... gostaria de saber se lá também a maior parte dos encarcerados é negra... aí sim poderíamos arriscar outros palpites. Mas não sei e só posso dizer que hj li matéria no site terra onde um estudo aponta que o cérebro de crianças de baixa renda é diferante, no lobo pré frontal, daqueles das crianças classe média ou alta. Tem menos atividade. Os especialistas sugeriram que se conversasse mais com as crianças... a estruturaçao da família é importante.

PermalinkPermalink 13.12.08 @ 14:15



Comentário de: antonio jesus silva

REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA !

Manifesto em solidariedade, liberdade e desenvolvimento dos povos afro-ameríndio latinos, no dia 01 de maio dia do trabalhador foi lançado o manifesto da Revolução Quilombolivariana fruto de inúmeras discussões que questionavam a situação dos negros, índios da América Latina, que apesar de estarmos no 3º milênio em pleno avanço tecnológico, o nosso coletivo se encontra a margem e marginalizados de todos de todos os benefícios da sociedade capitalista euro-americano, que em pese que esse grupo de países a pirâmide do topo da sociedade mundial e que ditam o que e certo e o que é errado, determinando as linhas de comportamento dos povos comandando pelo imperialismo norte-americano, que decide quem é do bem e quem do mal, quem é aliado e quem é inimigo, sendo que essas diretrizes da colonização do 3º Mundo, Ásia, África e em nosso caso América Latina, tendo como exemplo o nosso Brasil, que alias é uma força de expressão, pois quem nos domina é a elite associada à elite mundial é de conhecimento que no Brasil que hoje nos temos mais de 30 bilionários, sendo que a alguns destes dessas fortunas foram formadas como um passe de mágica em menos de trinta anos, e até casos de em menos de 10 anos, sendo que algumas dessas fortunas vieram do tempo da escravidão, e outras pessoas que fugidas do nazismo que vieram para cá sem nada, e hoje são donos deste país, ocupando posições estratégicas na sociedade civil e pública, tomando para si todos os canais de comunicação uma das mais perversas mediáticas do Mundo. A exclusão dos negros e a usurpação das terras indígenas criaram-se mais e 100 milhões de brasileiros sendo estes afro-ameríndios descendentes vivendo num patamar de escravidão, vivendo no desemprego e no subemprego com um dos piores salários mínimos do Mundo, e milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, sendo as maiores vitimas da violência social, o sucateamento da saúde publica e o péssimo sistema de ensino, onde milhões de alunos tem dificuldades de uma simples soma ou leitura, dando argumentos demagógicos de sustentação a vários políticos que o problema do Brasil e a educação, sendo que na realidade o problema do Brasil são as péssimas condições de vida das dezenas de milhões dos excluídos e alienados pelo sistema capitalista oligárquico que faz da elite do Brasil tão poderosa quantos as do 1º Mundo. É inadmissível o salário dos professores, dos assistentes de saúde, até mesmo da policia e os trabalhadores de uma forma geral, vemos o surrealismo de dezenas de salários pagos pelos sistemas de televisão Globo, SBT e outros aos seus artistas, jornalistas, apresentadores e diretores e etc.
Manifesto da Revolução Quilombolivariana vem ocupar os nossos direito e anseios com os movimentos negros afro-ameríndios e simpatizantes para a grande tomada da conscientização que este país e os países irmãos não podem mais viver no inferno, sustentando o paraíso da elite dominante este manifesto Quilombolivariano é a unificação e redenção dos ideais do grande líder zumbi do Quilombo dos Palmares a 1º Republica feita por negros e índios iguais, sentimento este do grande líder libertador e construí dor Simon Bolívar que em sua luta de liberdade e justiça das Américas se tornou um mártir vivo dentro desses ideais e princípios vamos lutar pelos nossos direitos e resgatar a história dos nossos heróis mártires como Che Guevara, o Gigante Osvaldão líder da Guerrilha do Araguaia. São dezenas de histórias que o Imperialismo e Ditadura esconderam. Há mais de 160 anos houve o Massacre de Porongos os lanceiros negros da Farroupilha o que aconteceu com as mulheres da praça de 1º de maio? O que aconteceu com diversos povos indígenas da nossa América Latina, o que aconteceu com tantos homens e mulheres que foram martirizados, por desejarem liberdade e justiça? Existem muitas barreiras uma ocultas e outras declaradamente que nos excluem dos conhecimentos gerais infelizmente o negro brasileiro não conhece a riqueza cultural social de um irmão Colombiano, Uruguaio, Venezuelano, Argentino, Porto-Riquenho ou Cubano. Há uma presença física e espiritual em nossa história os mesmos que nos cerceiam de nossos valores são os mesmos que atacam os estadistas Hugo Chávez e Evo Morales Ayma,Rafael Correa, Fernando Lugo não admitem que esses lideres de origem nativa e afro-descendente busquem e tomem a autonomia para seus iguais, são esses mesmos que no discriminam e que nos oprime de nossa liberdade de nossas expressões que não seculares, e sim milenares. Neste 1º de maio de diversas capitais e centenas de cidades e milhares de pessoas em sua maioria jovem afro-ameríndio descendente e simpatizante leram o manifesto Revolução Quilombolivariana e bradaram Viva a,Viva Simon Bolívar Viva Zumbi, Viva Che, Viva Martin Luther King, Viva Osvaldão, Viva Mandela, Viva Chávez, Viva Evo Ayma, Viva a União dos Povos Latinos afro-ameríndios, Viva 1º de maio, Viva os Trabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil e de todos os povos irmanados.
O.N.N.QUILOMBO –FUNDAÇÃO 20/11/1970
quilombonnq@bol.com.br



PermalinkPermalink 10.03.09 @ 00:16



Comentário de: camila

é muito legal esse site mesmo as pessoas são muito preconceituosas , eu sou negra por dentro e branca por fora como todos nós somos !!!!!!!!!
rascismo é crime
e um desgosto para nosso PAÍS
E ALEM DE TUDO É FEIOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

PermalinkPermalink 16.11.09 @ 18:46



Comentário de: camila

NÃO É PQ NO NOSSO PAIS TEM PESSOAS NEGRAS
BRANCAS , AMARELAS QUE ESSAS PESSOAS TEM QUER TER PRECONCEITO
NÓS TODOS SOMOS NEGROS DISSO VC PODE TER CERTEZA

PermalinkPermalink 16.11.09 @ 18:48



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  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
  • 89. Eiró, Paulo. Sangue Limpo. [Brasil, 1861] (ILL) Out.
  • 88. Pinheiro Guimarães, Francisco. História de uma Moça Rica. [Brasil, 1861] Out.
  • 87. Teixeira e Souza, Antonio. O Filho do Pescador. [Brasil, 1843] (TulBib) Nov.6
  • 86. Almeida, Julia Lopes de. A Viúva Simões. [Brasil, 1897] (TulBib) Nov.6
  • 85. Ignatiev, Noel. How the Irish Became White. [EUA, 1995] (TulBib) Nov.
  • 84. Thompson, E. P. The Making of the English Working Class. [Reino Unido, 1966] (TulBib) Nov.
  • 83. Telles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. [EUA, 2004] Nov.
  • 82. Macedo, Joaquim Manuel de. As Vítimas-Algozes. Quadros da Escravidão. [Brasil, 1869] Out.18
  • 81. Cuenca, João Paulo. O Dia Mastroianni. [Brasil, 2007] Out.
  • 80. Gorak, Jan, ed. Canon vs Culture. Reflections on the Current Debate. [EUA, 2001] Out. (TulBib)
  • 79. Morrissey, Lee, ed. Debating the Canon. A Reader from Addison to Nafisi. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 78. McKinney, Karyn. Being White. Stories of Race and Racism. [EUA, 2005] Out. (TulBib)
  • 77. Lund, Joshua et al. Gilberto Freyre e os Estudos Latino-Americanos. [EUA, 2006] (TulBib)
  • 76. Branche, Jerome. Colonialism and Race in Luso Hispanic Literature. [EUA, 2005] (TulBib)
  • 75. Falcão, Joaquim et al. Imperador das Idéias. Gilberto Freyre em Questão. [Brasil, 2001]
  • 74. Döpp, Hans-Jurgen. Sadomasochism: On the Ecstasies of the Whip. [Alemanha, 2003] Set.
  • 73. Diamond, Jared. The Third Chimpanzee. The Evolution and Future of the Human Animal. [EUA, 1992] Set.
  • 72. Suzuki, Daisetz Teitaro. The Zen Koan as a Means of Attaining Enlightenment. [Japão, 1950] Set.
  • 71. Skidmore, Thomas E. Black into White. Race and Nationality in Brazilian Thought. [EUA, 1974] Set. (TulBib)
  • 70. Peter Pauper Press. Zen Buddhism. [EUA, 1959] Set.
  • 69. Ventura, Roberto. Estilo Tropical. História Cultural e Polêmicas Literárias no Brasil, 1870-1914. [Brasil, 1991] Ago. (TulBib)
  • 68. Freyre, Gilberto. Casa Grande & Senzala. [Brasil, 1933] Ago.
  • 67. Andrade, Carlos Drummond et al. Elenco de Cronistas Brasileiros. [Brasil, c.1950-2000] Ago.
  • 66. Veríssimo, Luis Fernando. Histórias Brasileiras de Verão. [Brasil, c.2000] Ago.
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  • 62. Lima Barreto, Afonso Henriques de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1900-1920] Ago.
  • 61. Alencar, José de. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1860] Ago.
  • 60. Machado de Assis, Joaquim Maria. Crônicas Escolhidas. [Brasil, c.1870-1900] Ago.
  • 59. Mankell, Henning. The Fifth Woman. [Suécia, 2000] Ago.15
  • 58. Mankell, Henning. The Man Who Smiled. [Suécia, 1994] Ago.10
  • 57. Lindsay, Jeff. Dexter in the Dark. [EUA, 1997] Ago.
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  • 54. Albuquerque, Roberto Cavalcanti de. Gilberto Freyre e a Invenção do Brasil. [Brasil, 2000] Ago.
  • 53. Chacon, Vamireh. A Construção da Brasilidade. Gilberto Freyre e sua Geração. [Brasil, 2001] Ago.
  • 52. Araujo, Ricardo Benzaquen de. Guerra e Paz. Casa Grande & Senzala e a Obra de Gilberto Freyre nos Anos 30. [Brasil, 1994] Jul.
  • 51. Schwarcz, Lilia Moritz. O Espetáculo ds Raças. Cientistas, Instituições e Questão Racial no Brasil, 1870-1930. [Brasil, 1993] Jul.
  • 50. Isfahani-Hammond, Alexandra. White Negritude. Race, Writing, and Brazilian Cultural Identity. [EUA, 2008] Jul.
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  • 36. Holanda, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. [Brasil, 1934] Jun.9
  • 35. Villa, Marco Antonio. Canudos. O Povo da Terra. [Brasil, 1995] Jun.7
  • 34. Brandão, Adelino. Euclides da Cunha e a Questão Racial no Brasil. A Antropologia de Os Sertões. [Brasil, 1990] Jun.6
  • 33. Moura, Clóvis. Introdução ao Pensamento de Euclides da Cunha. [Brasil, 1964] Jun.6
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  • 30. Lima, Luiz Costa. Euclides da Cunha, Contrastes e Confrontos no Brasil. [Brasil, 2000] Jun.4
  • 29. Haddon, Mark. O Estranho Caso do Cachorro Morto. [Reino Unido, 2005] Mai.
  • 28. Guilherme, Paulo. Goleiros: Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1. [Brasil, 2006] Mai.
  • 27. Krakauer, Jon. Na Natureza Selvagem: a Dramática História de um Jovem Aventureiro. [EUA, 1996] Mai.
  • 26. Cunha, Euclides da. Os Sertões. Campanha de Canudos. [Brasil, 1902] Mai.
  • 25. Wilder, Thornton. Bridge of San Luis Rey. [EUA, 1927] Mai.
  • 24. João de Patmos. Apocalipse. [Grécia, c.séc.I] Abr.
  • 23. Manzano, Juan Francisco. Autobiografia de un Esclavo. [Cuba, 1836] Abr.
  • 22. Castelnau, Francis de. Entrevistas com Escravos Africanos na Bahia Oitocentista. [Brasil, séc.XIX] Abr.
  • 21. Suzuki, Daisetz Teitaro. Introdução ao Zen Budismo. [Japão, 1934] Mai.
  • 20. Goethe, Johann Wolfgang Von. Faust. [Alemanha, 1832] Mai.
  • 19. Lisboa, Adriana. Rakushisha. [Brasil, 2007] Abr.
  • 18. Tezza, Cristovão. O Filho Eterno. [Brasil, 2007] Abr.
  • 17. Piñon, Nélida, A República dos Sonhos. [Brasil, 1984] Abr.
  • 16. Fanon, François. Black Skin, White Masks. [Martinica, 1952] Abr.
  • 15. Rheda, Regina. Pau de Arara Classe Turística. [Brasil, 1993] Abr.
  • 14. Guillory, John. Cultural Capital. The Problem of Literary Canon Formation. [EUA, 1993] Mar.7-10.
  • 13. Fonseca, Rubem. Feliz Ano Novo. [Brasil, 1975] Mar.11
  • 12. Butler, Octavia. Kindred. [Estados Unidos, 1979] Mar.7
  • 11. Ribeiro, João Ubaldo. Viva o Povo Brasileiro. [Brasil, 1984] Fev.
  • 10. Lispector, Clarice. Laços de Família. [Brasil, 1960] Fev.
  • 9. Veiga, José J. A Hora dos Ruminantes. [Brasil, 1966] Fev.
  • 8. Ramos, Graciliano. Vidas Secas. [Brasil, 1938] Jan.
  • 7. Pinto, Fernão Mendes. Peregrinações. [Portugal, séc.XVI] Fev.- (TulBib)
  • 6. Antunes, Antonio Lobo. O Esplendor de Portugal. [Portugal, 1997] Fev.-
  • 5. Santos, Gislene Aparecida dos. A Invenção do Ser Negro. Um Percurso das Idéias que Naturalizaram a Inferioridade dos Negros. [Brasil, 2002] Fev. (TulBib)
  • 4. Scott, Rebecca J. e outros. The Abolition of Slavery and the Aftermath of Emancipation in Brazil. [EUA, 1988] Fev.
  • 3. Moura, Clovis. O Negro: de Bom Escravo a Mau Cidadão? [Brasil, 1977] Fev. (TulBib)
  • 2. Suassuna, Ariano. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. [Brasil, 1971] Jan. (Releitura)
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