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"O Brasil Não É Um País Racista! Nosso Problema É Econômico!"

Conheci um angolano na UFRJ que dizia que sempre sonhou em vir conhecer a democracia racial do Brasil. Que pensava que aqui, onde conseguimos solucionar o problema das raças, ele encontraria também a solução para os problemas raciais de Angola. Desembarcou no Galeão cheio de esperanças e foi almoçar no Centro da cidade. Suas esperanças não sobreviveram ao almoço.

No restaurante, todos os clientes eram brancos e todos os garçons eram negros.

Acho que só saindo do Brasil e voltando, pra gente conseguir entender como essa cena é insólita. E racista.

Preto no Branco: Raça e Nacionalidade no Pensamento BrasileiroEspetáculo das Raças

* * *

Não é preciso muitos dados e gráficos. Se você chega numa cadeia ou no fórum, e todos os juízes e advogados são brancos, e todos os réus são negros; se você chega num hospital, e todos os médicos são brancos, mas todos os faxineiros são negros; se você chega numa empresa e toda a diretoria é branca, mas a moça do café e o rapaz da xerox e o ascensorista são negros; então esse é um país racista.

Invenção das RaçasHumanidade Sem Raças?

* * *

Eu sei. Você vai dizer: não, Alex, não é um país racista. O problema é sócio-econômico.

Então vamos pensar assim. Pra simplificar, suponhamos um país de 100 habitantes, 50 negros e 50 brancos.

Digamos que algumas profissões e ocupações nesse país se distribuam assim:

10 médicos, sendo que 9 brancos e 1 negro.
10 advogados, 9 brancos e 1 negro.
10 executivos, 9 brancos e 1 negro
10 faxineiros, 1 branco e 9 negros.
10 garçons, 1 branco e 9 negros.
10 presos, 1 branco e 9 negros.

Como explicar essa discrepância?

Hipótese 1, vocacional: ora, negros simplesmente não têm vocação, tino ou vontade de seguir essas carreiras, tipo assim, que pagam mais ou têm mais prestígio. Eles gostam de limpar o chão, servir mesa, roubar, essas coisas.

Hipótese 2, capacidade: ora, vamos ser honestos. Se existe a mesma quantidade de brancos e negros, mas quase todos os médicos são brancos, é porque os negros de fato não têm capacidade de ser médicos. Ou advogados. Ou executivos. São burrinhos, coitados. Limpar o chão é tão mais fácil...

Hipótese 3, racismo: esse país é racista pra caralho.

 Freud: Raça e Sexos Raça, Ciência e Sociedade

Podemos descartar a Hipótese 1, pois a probabilidade de um grupo de seres humanos só ter vocação pra trabalhos sujos e pesados, e outro grupo, só para trabalhos limpinhos em ambientes refrigerados é muito baixa. Aliás, somente considerar esse cenário possível já é, por si só, racista.

Racista é também a hipótese 2. Racista e hipócrita. Hipócrita porque sugere um ponto de partida igual, como se negros e brancos tivessem, já de cara, as mesmas chances de cursar medicina. Racista porque, presumindo condições iguais, acha que os negros, esses burrinhos, simplesmente não têm capacidade de se formar médicos ou advogados.

Se os negros são 40% da população do Brasil mas somente 5% dos médicos (números chutados), só existem duas explicações: ou os negros são mais burros e não conseguem se formar médicos, ou o Brasil é um país racista, onde toda uma estrutura, desde a saúde até o ensino, funciona no sentido de barrar seu acesso dos negros à essa (e outras) carreiras de prestígio.

Qual é sua opinião?

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Atualização
Uma Sociedade Racista sem Racistas

O leitor Marx escreveu:

Eu tenho uma quarta hipótese: O principal fator que determina a probabilidade de alguém se tornar médico ou faxineiro é a qualidade da educação formal recebida por esta pessoa, desde criança. A qualidade do ensino público brasileiro, e mesmo de muitas instituições privadas, é péssima. Por isso, o nível econômico da família em que o indivíduo nasceu se torna a principal variável que influenciará a qualidade de sua educação. Sabe-se que, no Brasil, a posição econômica de famílias compostas por brancos tende a ser maior que a de famílias compostas por negros. Logo, quem nasce em uma família cujos pais são brancos tem uma probabilidade maior de seguir uma profissão melhor qualificada, mas a correlação não é necessariamente 100% direta.

Imagine que, no seu país hipotético, começamos com uma população de 10 indivíduos brancos com muito dinheiro e 90 indivíduos negros vivendo na miséria. (Acho que não é difícil fazer uma analogia entre esta situação e a maneira como a população negra iniciou sua história no Brasil). Mesmo que não existisse racismo, é difícil imaginar que, mesmo após 10 ou 15 gerações, um equilíbrio entre as proporções raciais e econômicas seria atingido espontaneamente. Existindo racismo, claro, esse equilíbrio se torna ainda mais difícil.

Obviamente, a quarta hipótese do Marx-o-leitor está inserida na minha terceira. O Brasil é um país racista pois ele sistematicamente mantém sua população negra sem acesso a boa educação, o que por sua vez os coloca sem acesso a bons empregos, etc.

A sociedade hipotética do Marx-o-leitor é um non-sequitur. Como pode não ser racista uma sociedade com 90% de negros miseráveis e 10% de brancos ricos? Essa é praticamente a definição de uma sociedade racista. Não precisa nem sabermos mais nada sobre ela.

Os brancos ricos vão se perpetuar no poder, guardando para si as universidades de medicina, o tribunal das contas da união e o congresso nacional, e os negros miseráveis serão faxineiros e garçons, e seus filhos, que também não poderão estudar e não terão acesso às vantagens dessa sociedade, serão os faxineiros e garçons da próxima geração de brancos ricos, e assim indefinidamente, a não ser que alguém, em algum ponto da história, tome alguma medida que quebre esse ciclo - revolução popular, adoção de cotas universitárias, dilúvio universal, etc.

Do jeito que o Marx-o-leitor narra, parece que é possível pegar uma sociedade com 10% de brancos ricos e 90% de negros pobres, apertar pause, eliminar o racismo e dar condições iguais pra todos, apertar play de novo e esperar pelas 15 gerações até que a desigualdade termine.

Infelizmente, não existe esse ponto mágico. A história nunca começa em nenhum ponto, ela é um contínuo. Hoje é o dia depois de amanhã, e assim por diante. A falácia aqui é a ilusão liberal de que é possível criar uma linha de partida imaginária de onde todos os cidadãos partiriam, com oportunidades radicalmente iguais, em sua corrida em direção à fortuna. Mas uma sociedade com tamanha desigualdade (90/10) tenderia a ficar mais desigual, não menos. Na década de 50, Florestan teorizou que com a industrialização e enriquecimento do Brasil, o fosso social entre as raças diminuiria, mas aconteceu o oposto: ficamos mais desiguais, a renda se concentrou mais, os negros ficaram ainda mais pobres.

O país hipotético do Marx-o-leitor é racista por definição, e não teria como não ser. Ele é estruturalmente racista.

Mesmo que se eliminasse magicamente todo o preconceito e discriminação raciais dessa sociedade, a elite continuaria preferindo se manter no poder e os faxineiros e garçons continuariam sem acesso a educação. Um homem branco e rico hipotético dessa sociedade tão desigual, mesmo se tivesse fé absoluta que seu faxineiro preto e pobre tem rigorosamente o mesmo valor humano que ele, ainda assim pagaria colégio particular, plano de saúde integral e viagens à Europa para o SEU filho e não para o filho do faxineiro. Trinta anos mais tarde, o filho do branco provavelmente seria juiz e o filho do negro provavelmente seria garçom, e assim sucessivamente - mesmo, pasmem!, com todos tendo uma fé religiosa e sincera na igualdade absoluta entre as raças...

Uma sociedade com 90% de negros miseráveis e 10% de brancos ricos, mesmo se nenhuma dessas pessoas for "racista", mesmo se todos acreditarem completamente na igualdade absoluta entre as raças, ainda assim será estruturalmente e intrinsecamente uma sociedade racista.Racismo LLL

* * *

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Não Somos Racistas

 

17.11.08


Categorias: Economia, Raça

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Comentário de: MarcosVP

Alex, eu confesso que o mais divertido de ler o seu blog é tentar achar a coisa certa para colocar nos comments (como se isso fosse possível ou existisse, mas vamos supor...). Depois de ler esse post e depois de ter finalmente entendido que "a liberdade total dos comentários é parte inerente, integrante, essencial do processo pedagógico do LLL", eu tive ganas de comentar que, sim, o Brasil é mesmo a porra de um país racista e que (mesmo depois de ler aquele poema sobre o holocausto que vc postou o link) basicamente eu tô pouco me fudendo com isso porque eu sou branco, louro e bonito e esse problema não é meu. Mas, vá lá, melhor dizer que o Brasil é um país racista mas que eu não posso fazer sobre isso mais do que eu já faço, que é respeitar, proteger e cuidar dos negros que fazem parte da minha vida - alguns que eu nem conheço, inclusive - , porque mais que isso está além do meu alcance. Mas ainda achei pouco. Eu devia dizer que o Brasil é um país racista mas tem mulatas e negras lindas e eu facilmente namoraria com uma negra, casaria e teria filhos com ela e os levaria pro parque e cantaria e contaria histórias para eles e que enfiaria a porrada sem meias medidas em quem ousasse discriminá-los. Com efeito, eu faria isso mesmo e tudo isso aí em cima, mal ou bem, é verdade. Mas sei lá... acho que o me sobra mesmo é de dizer que nos EUA as coisas também devem ser difíceis, afinal, por exemplo, nos seriados médicos, tipo House, ER e Grey's Anatomy, os médicos negros sempre são minoria.

É uma bosta de mundo. E sinceramente, eu não tenho solução para isso.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 00:49



Comentário de: Marcio E. Goncalves

Minha opiniao eh que vc vestiu a camisa de uma explicacao rasteira para o problema, tao boba quanto a criticada " o problema eh so economico".

Se vc viesse a Curitiba no comeco do seculo 19, viria que todos os "polacos" (termo generico pejorativo para ucranianos, poloneses e outros imigrantes brancos e loiros) so trabalhavam em servicos inferiores e a elite era dos brancos ibericos (portugueses, etc...).

Sera que eles estavam naquela situacao por puro racismo ou pq eram recem-imigrantes nao-adaptados, procurando como se encaixar nessa sociedade? Veja que nesse caso tb existia o racismo (yep, polaco era um xingo feio em Curitiba), mas nao era fator predominante para essa situacao economica social.

Na caso dos negros eh evidente que eles nao vieram para ca como imigrantes no seculo 19, mas sim desde o inicio da colonizacao. Mas temos que lembrar que so foram libertos um pouco antes da chegada dos mesmos - que por sua vez foram trazidos para branquear e substituir os negros. Ou seja, so houve real chances dos negros se estabilizarem nessa sociedade a partir de 1888. Um seculo e pouco, nao eh muito.

Oras, se para os imigrantes foi preciso geracoes para se mesclarem ao resto da sociedade, o que dizer de uma populacao que foi escravizada e depois libertada sem reparacao nenhuma e com a implicita vontade de que sumissem e ou morressem para nao sujar o pais?

Meu ponto nao eh que nao ha racismo no Brasil, mas sim que o que explica a situacao que vc diz "provar" o racismo (discrepancia de resultados, nao de oportunidades) na verdade e consequencia dessa situacao historica complexa.

MESMO se o racismo desaparecesse da noite para o dia no Brasil (seja o racismo mesmo, de achar o negro inferior, ou o estetico, de achar o negro feio), essa situacao economica AINDA se manteria.

A "elite" no Brasil nao eh formada por grandes empresarios como ocorre nos EUA. A elite brasileira eh formada por funcionarios publicos federais (do qual meus pais fazem parte). Os grandes empresarios existentes aqui invariavelmente tem que seguir a cartilha dessa elite.

Nao eh a toa que o DF tem a maior renda per capita do Brasil, maior do que SP - uma distorcao so explicada pelo inchaco do governo federal e seus absurdos salarios maiores do que os equivalentes americanos (em conversao direta, sem correcao por PIB).

Pois bem, a entrada para tal elite se da unica e exclusivamente por um sistema confusiano de concursos publicos. Ninguem deixa de entrar para esse elite pq alguem olha e fala " ah, nao, negao aqui nao". Simplesmente pq o sistema nao permite fazer isso (o cara pode ser reprovado na OAB por ser negro, ate existe a possibilidade. Mas em um concurso para Juiz, Receita, PF, etc...nao).

Pq sao raros os negros nessa elite?

Oras, por consequencia da estrutura historica que citei, que nao permitiram que os negros tivessem uma solida base cultural, comunitaria, etc... da mesma forma que os imigrantes europeus e japoneses. Somado a desigualdade de oportunidades em outras areas da sociedade brasileira (o sistema de ensino, da parte basica a universitaria sendo um dos principais pontos).

Sim, foi o racismo que criou essa situacao, mas um racismo historico misturado com eugenia que nao existe mais no Brasil (e, afinal, o que foi a Republica senao um golpe militar racista em reacao a abolicao?).

Mas achar que esses numeros e descrepancias que vc mostra sao resultado de alguem achar cabelo pixaim feio, ha uma distancia gigantesca.

E nao levam a uma solucao pratica nenhuma.
E sempre tento ver a questao pelo lado de causa-efeito-possivel-solucao (sim, zoei com a RioGringa, mas eu sou assim tb. Nao eh a toa que voltei para os EUA).


PermalinkPermalink 17.11.08 @ 00:52



Comentário de: Blog Mallmal · http://www.mallmal.blogspot.com

Cara, tá certo que você deve estar vendendo ou comissionando bem esses livros furrecas de professores de universidades públicas, mas chega de ser monotemático! Você está ficando chato! Arrume outros livros pra vender!

O ser humano É racista e xenofóbico. Isso é um fato. Podemos fingir, maquiar nossas pobrezas de espírito? Claro que sim! Mas sejam pretos, amarelos, vermelhos ou lilases, sempre teremos grupos sociais discriminados em qualquer sociedade.

Chega de fingir que está atacando ferozmente esse moinho de vento! Como disse, arrume outros livros pra vender. Seu público é seleto e inteligente e vai ficar de saco cheio dessa bateção adsense/submarinóide na mesma tecla!

Abra um blog paralelo para caçar pára-quedistas anti-"racistas"!

Abraço e volte à velha forma anterior, que era bem melhor! :)

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 01:04



Comentário de: Marx

Oi Alex, sou leitor de longa data do seu blog, mas é a primeira vez que escrevo.

A terceira hipótese é verdadeira. Sim, existe racismo no Brasil. Todos os outros fatores sendo iguais, uma pessoa negra ainda enfrenta mais barreiras à sua ascensão econômica que uma pessoa branca de qualificações equivalentes. Mas acredito que a lógica que você seguiu não sustenta a conclusão à qual chegou. A hipótese 3 explica parte do quadro, mas não o quadro inteiro, ou sequer a maior parte dele.

Eu tenho uma quarta hipótese:

O principal fator que determina a probabilidade de alguém se tornar médico ou faxineiro é a qualidade da educação formal recebida por esta pessoa, desde criança. A qualidade do ensino público brasileiro, e mesmo de muitas instituições privadas, é péssima. Por isso, o nível econômico da família em que o indivíduo nasceu se torna a principal variável que influenciará a qualidade de sua educação. Sabe-se que, no Brasil, a posição econômica de famílias compostas por brancos tende a ser maior que a de famílias compostas por negros. Logo, quem nasce em uma família cujos pais são brancos tem uma probabilidade maior de seguir uma profissão melhor qualificada, mas a correlação não é necessariamente 100% direta.

Imagine que, no seu país hipotético, começamos com uma população de 10 indivíduos brancos com muito dinheiro e 90 indivíduos negros vivendo na miséria. (Acho que não é difícil fazer uma analogia entre esta situação e a maneira como a população negra iniciou sua história no Brasil). Mesmo que não existisse racismo, é difícil imaginar que, mesmo após 10 ou 15 gerações, um equilíbrio entre as proporções raciais e econômicas seria atingido espontaneamente. Existindo racismo, claro, esse equilíbrio se torna ainda mais difícil.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 01:22



Comentário de: Alex Castro Email

Marx,

A sua quarta hipótese está obviamente inserida na minha terceira. Racista é um pais que mantém sua população negra sistematicamente sub-educada, de modo que só tem acesso aos piores trabalhos, etc etc.

"Imagine que, no seu país hipotético, começamos com uma população de 10 indivíduos brancos com muito dinheiro e 90 indivíduos negros vivendo na miséria. (...) Mesmo que não existisse racismo, é difícil imaginar que, mesmo após 10 ou 15 gerações, um equilíbrio entre as proporções raciais e econômicas seria atingido espontaneamente."

Sua frase me soa como um non-sequitur. Como pode não existir racismo em um país com 90 brancos ricos e 10 negros miseráveis? Uma sociedade como essa é racista por definição. Os brancos ricos vão se perpetuar no poder, nas universidades de medicina e no congresso, e os 90% de negros miseráveis vão ser os faxineiros e garçons, e os filhos deles, subeducados e sem acesso às vantagens dos 10% mais ricos, tb... Uma sociedade assim é uma sociedade de castas e vai continuar assim indefinidamente a não ser que alguem, em algum ponto da historia, tome uma medida drastica... Ou será que vc acredita que, em algum dado momento mágico, uma sociedade com 90% de negros miseráveis e 10% de brancos ricos se tornará igualitária e todos terão oportunidades iguais de cursar medicina? Sério mesmo?

O meu argumento aqui é justamente que, se vc olha para uma situação como essa q vc descreveu, de uma sociedade com 90% de negros miseráveis e 10% de brancos ricos, essa sociedade é racista por definição. Não tem como não ser. Vc nem precisa de outros dados. Aliás, com uma discrepância tão grande (10/90), provavelmente mais que racista, é uma sociedade de castas.

Minha pergunta entao é: me explica como uma sociedade assim divida pode não ser racista?

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 01:41



Comentário de: Andre Carvalho

Minha opinião é que o que foi feito neste post foi uma simplificação muito exagerada. Foi propositalmente ignorada a hipótese socioeconômica (que está no título). A discrepância nos dados pode ser explicada por uma hipótese:

De cada 10 pessoas ricas ou classe média alta, 9 são brancas e 1 é negra.

A maioria das pessoas matriculadas em medicina são ricas ou pobres? E em direito? Quantos filhos de ricos viram garçons? Tentar "provar" o racismo brasileiro através desta hipótese não levará muito longe (e o racismo brasileiro nem precisa ser provado, dada a quantide de fatos do dia a dia que mostram isso).

Uma hipótese muito mais importante é: por que isso ocorre? Por que os negros são mais pobres e os brancos mais ricos. Bom, neste sentido você é muito mais "autoridade" do que eu. Mas acredito que ascenção social é um processo gradual, que leva gerações (salvo as famosas excessões de gente que se deu bem na vida). E em tempos passados acredito que o racismo fosse bem mais institucionalizado e aceito que hoje (convenhamos, hoje o racismo é muito mais velado, como o elefante na sala que ninguem discute). Pais pobres tem mais dificuldades de terem filhos ricos do que pais classe média ou alta, pois as oportunidades são menores. Isso gera o ciclo vicioso de pobreza que acomete boa parte da população negra. Ou seja, isso só mudará quando decidirem investir na educação de base das populações pobres. Isso me lembra o meu maior problema com o sistema de cotas raciais: Vendo na universidade onde leciono, a maior parte dos aceitos no sistema de cotas são as pessoas negras de classe média, que fizeram cursinho, e que estavam em igualdade de condições com as que foram aceitas fora das cotas, enquanto os que realmente necessitavam eram apenas um ou dois no máximo, quando cotas sociais seriam muito mais justas: Já que a maioria dos pobres é negra, as cotas afetariam justamente as pessoas que mais precisam, as que tiveram menos chance na vida. Na faculdade, estudava comigo um grande amigo meu, filho de um fiscal da receita, e negro. Se na época existisse o sistema de cotas raciais, ele estaria tirando a vaga de alguém que realmente necessitava desta ajuda para entrar no vestibular. Justamente por casos assim que defendo as cotas sociais ao invés de raciais.

Racismo existe sim, e é um problema sério. A policia é racista. Lojas são racistas. Pessoas são racistas. E o racismo atrapalha a ascensão social sim, quando um advogado é preterido por ser negro, ou um médico. É quando ele tem condições de ser rico, mas a sua cor explicitamente o atrapalha.

O Brasil é sim, um país racista. A pergunta importante é: Por que? Não acredito que seja por razões supremacistas. Então qual é a razão?

No Brasil, e isto é basicamente uma opinião baseada nas minhas experiências, especialmente quando analisando também lugares onde a proporção de negros na população não é tão grande, acredito que a FONTE do racismo seja social. Se vocês visitarem outras regiões do Brasil, onde as proporções são diferentes, vocês verão que o preconceito muitas vezes é contra outras classes que não os negros. Por exemplo, quando fui a São Gabriel da Cachoeira, os negros eram muito bem tratados, pois eles geralmente eram do exército, ou médicos, ou dentistas, vindos de Manaus. Em contrapartida, os ribeirinhos as vezes eram discriminados.

Não se pode negar o racismo no país. Mas deve-se tomar cuidado para não deixar a visão racialista impregnar toda a análise que se faça do Brasil: às vezes, o problema não é a cor da pessoa. Não fazer isso pode acabar levando a conclusões erradas sobre os problemas brasileiros, ou pior, soluções erradas para os problemas errados.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 01:43



Comentário de: Alex Castro Email

"O Brasil é sim, um país racista. A pergunta importante é: Por que? Não acredito que seja por razões supremacistas. Então qual é a razão?"

Eu não falei de razões supremacistas, não. E não houve simplificação nenhuma. O racismo é um problema sócio-econômico. Vc descreveu exatamente como o racismo brasileiro funciona para manter os negros e pardos em situação de inferioridade.

"Pais pobres tem mais dificuldades de terem filhos ricos do que pais classe média ou alta, pois as oportunidades são menores. Isso gera o ciclo vicioso de pobreza que acomete boa parte da população negra." etc etc etc

Por algum motivo estranho, vc não chama isso de racismo. Mas descreveu perfeitamente o processo, o sistema, a estrutura racistas...

Vc discorda exatamente do que?

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 02:19



Comentário de: Marcio E. Goncalves

" O Brasil é um país racista pois ele sistematicamente mantém sua população negra sem acesso a boa educação, o que por sua vez os coloca sem acesso a bons empregos, etc."

Isso seria verdade se este problema fosse unico e exclusivo dos negros - o que nao eh o caso, comos e sabe muito bem. A falta de oportunidades e educacao eh geral no Brasil. Quer ver favela e miseraveis loirinhos? Passe em Curitiba quando eu estiver de ferias que eu te mostro.

Se a falta de oportunidade eh generalizada, eh evidente que um grupo que historicamente comecou em desvantagem (escravizado, desaculturado e depois libertado sem reparacao, etc....) vai ficar atras dos outros. Digamso que o pobre branco tem o problema A a enfrentar, e o negro o A e B.

"Viu sociedade racista!!!"

Eu diria insensivel aos problemas raciais. Nao eh eufemismo.

Sinceramente, vc nao consegue ver diferenca entre o cara da KKK e alguem que nao entende o contexto historico dos negros no Brasil? A diferenca entre o cara que acha um absurdo morar no bairro com negros e o cara que protesta contra cotas pq se considera prejudicado?

Nao vejo o que se ganha partindo dessa posicao americana.

E...pelo amor de Deus..."falacia liberal"? Eh, ainda bem que eu me afastei do meio academico...rs



PermalinkPermalink 17.11.08 @ 02:37



Comentário de: Alex Castro Email

"E...pelo amor de Deus..."falacia liberal"? Eh, ainda bem que eu me afastei do meio academico...rs"

essa por acaso é a maior de todas as falácias liberais (de que é possível todos saírem do mesmo ponto de partida e terem oportunidades iguais) mas pode ficar certo que existem muitas falácias marxistas, comunistas, cristãs, conservadores, etc etc.

esse blog já descascou tantas falácias marxistas que acho que posso falar tb das falácias liberais sem medo de morder a língua...

ou será que só os liberais não tem suas pequenas falácias e ilusões e "wishful thinkings"?

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 03:13



Comentário de: Alex Castro Email

"Sinceramente, vc nao consegue ver diferenca entre o cara da KKK e alguem que nao entende o contexto historico dos negros no Brasil? A diferenca entre o cara que acha um absurdo morar no bairro com negros e o cara que protesta contra cotas pq se considera prejudicado?"

mas onde vc me viu falando algo que se aproxima disso, meu deus? alias, onde vc me viu, em qualquer momento desse blog, apontando meu dedinho que a terra há de comer pra *qualquer* pessoa e acusando-a de racista? ou, pior ainda, apontando pra dizer que A é mais racista que B, mas menos que C?

nao acusei ninguem de ser racista, nem mesmo o carinha da KKK... estou dizendo que nossa sociedade é racista... e tem muito leitor correndo pra vestir carapuças...

sério, minha boca já é cheia das minhas próprias palavras, por favor não coloquem mais palavras....

alias, se for pra comparar, eu comparo sociedades e não pessoas. depois de 3 anos nos EUA, morando em uma cidade historicamente negra, tendo passado pelo quase genocídio de negros q foi o Katrina, não resta dúvida na minha cabeça que o Brasil é absurdamente mais racista que os EUA - em grande parte, por não admitir o problema, tornando-o assim muito mais grave e difícil de resolver.

quanto a isso, pode me citar.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 03:20



Comentário de: Andre Carvalho


"Pais pobres tem mais dificuldades de terem filhos ricos do que pais classe média ou alta, pois as oportunidades são menores. Isso gera o ciclo vicioso de pobreza que acomete boa parte da população negra." etc etc etc

"Por algum motivo estranho, vc não chama isso de racismo. Mas descreveu perfeitamente o processo, o sistema, a estrutura racistas..."

Aí é que mora o problema: Se você ver bem, o processo se refere a um problema de dificuldade de ascensão social, que per se não é um problema racial (como citou muito bem o Marcio Gonçalves, em curitiba existem miseráveis brancos e louros). Essa dificuldade de ascensão social é um problema de políticas públicas de vários governos brasileiros. É um problema "do sistema" (nem acredito que escrevi isto, me sinto um líder de centro acadêmico). O problema que descrevi é a política para a pobreza. Para esta política ser considerada racista, subentende-se que se o cenário fosse diferente (por exemplo, se a maioria dos pobres do brasil fossem os brancos ao invés dos negros) estas políticas seriam diferentes? As políticas são diferentes em cidades onde a pobreza tem outra cor? Pois elas existem, e as pessoas pobres continuam pobres, e seus filhos continuarão pobres.

O que chamo de racismo é a discriminação de uma pessoa baseada em sua raça. Quando a polícia vai em um bar e revista unicamente os negros (o que eu já presenciei), ISSO é racismo. Agora, por exemplo, acesso a universidade pública per se não é racista, pois se a pessoa é negra e teve uma boa preparação, ela possui as mesmas chances de uma pessoa branca com a mesma preparação (assim como o branco mal preparado possui menos chances de ser aceito). Para qualquer sistema ser racista, ele deve possuir alguma dificuldade específica para membros de alguma raça, ou ter sido desenhada para se aproveitar de alguma dificuldade deste. Problema racial é um problema que atinge uma raça (como o racismo por exemplo). Um problema que atinge uma classe social que possui mais membros de uma classe que outras (e qual classe não?) não é racial, mas social. Existe um problema racial muito mais sério (a discriminação entre pessoas, ao invés de um eventual "sistema" x pessoa), e acredito que este foco não é o mais produtivo para a conscientização da população.

O ponto onde queria chegar é este: Existe uma CORRELAÇÃO entre cor da pele e nível de renda, o que não necessariamente configura racismo. Para haver racismo, seria necessário haver CAUSALIDADE. A pessoa não é pobre por ser negra (senão não haveriam negros ricos, e existem).

"o racismo brasileiro funciona para manter os negros e pardos em situação de inferioridade"

Essa é uma frase perigosa. Dá a impressão de que existe uma "conspiração racista" nas políticas públicas quando o que há é ineficiência, incopetência e corrupção. Simplificar o problema educacional de base brasileiro como uma forma do "racismo brasileiro" impedir os "negrinhos" de ficarem ricos e serem iguais é ignorar todos os problemas do governo brasileiro e o problema da pobreza no Brasil, que é mais do que racial.

Um adendo: Pode parecer que sou um daqueles pára-quedistas que lêem um páragrafo e já vão reclamar, mas na verdade leio o blog faz um bom tempo. Nunca comentei (mesmo depois de discordar de alguns pontos) porque geralmente nunca o faço mesmo. Desta vez aproveitei um writer's block e comentei. Desde já peço desculpas se fui rude em algum momento; não foi minha intenção. E agradecer pelo tempo gasto respondendo a leigos como eu.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 04:00



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"ou será que só os liberais não tem suas pequenas falácias e ilusões e "wishful thinkings"? "

Mas eh claro que eles possuem - eu mesmo posso citar varias falacias em autores liberais que gosto, de Ayn Rand a Friedman (se eu entrar nos anarco-capitalistas como o Rothbard, pela qual tenho simpatia, poderia fazer um livro sobre as viagens dele.)

Mas o que vc citou nao eh uma falacia "liberal" somente - simplesmente pq eh algo defendido por sociais-democratas, "liberals" americanos e outros esquerdinhas tb, oras.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 04:06



Comentário de: Marx

Oi Alex, para mim é uma honra aparecer na página principal do LLL logo em meu primeiro comentário :)

Não entendi onde você encontrou o non-sequitur. No seu parágrafo que começa com "Os brancos ricos..." você disse praticamente o mesmo que eu, usando outras palavras. Sua definição de racismo é que parece ser um pouco mais ampla que a minha. Realmente, se "sociedade racista" for simplesmente definida como aquela em que há desigualdades sociais estatisticamente relacionadas a raças, o Brasil é racista por definição mesmo, e a discussão acaba aqui.

Entretanto, de acordo com a minha definição (e, imagino, da maioria das pessoas que usa o termo), uma pessoa racista é aquela que crê na superioridade de alguma raça em relação a outra, ou age de maneira discriminatória em relação às pessoas com quem lida, de acordo com a alguma percepção racial. Uma sociedade racista seria, por extensão, aquela em que o racismo está presente de alguma forma significativa. Note que esta definição não implica que o Brasil não seja racista -- mas, se o for, não é pelos motivos descritos no post, e este era o meu ponto principal.

Você só distorceu minha argumentação em um ponto fundamental, quando escreveu: "Do jeito que o Marx-o-leitor narra, parece que é possível pegar uma sociedade com 10% de brancos ricos e 90% de negros pobres, apertar pause, eliminar o racismo e dar condições iguais pra todos, apertar play de novo e esperar pelas 15 gerações até que a desigualdade termine."

Releia minha penúltima frase, e você verá que eu escrevi exatamente o oposto disso.

Respondendo à sua pergunta: "me explica como uma sociedade assim divida [(10/90)] pode não ser racista?". De fato, é impossível imaginar a formação desse tipo de sociedade sem que houvesse racismo. Mas, como você mesmo concordou, salvo acontecimento extraordinário, essa divisão tende a continuar no longo prazo, mesmo que o racismo deixe de existir (não que eu acredite, claro, que este tenha sido o caso no Brasil).

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 04:14



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"nao acusei ninguem de ser racista, nem mesmo o carinha da KKK... estou dizendo que nossa sociedade é racista... e tem muito leitor correndo pra vestir carapuças...
"

Ai que esta - eu nao acredito em sociedades desprovidas de individuos. Eh impossivel uma sociedade ser classificada de racista sem os individuos tambem serem.

E o resultado do seu argumento eh esse - em uma sociedade nao racista, se por acaso todas as racas nao tiverem o mesmo resultado, tal sociedade NECESSARIAMENTE eh racista.

Eh como dizer que um grupo de pessoas eh carnivoro apesar de todos integrantes desse grupo serem vegetarianos.

E engracado, eu ja morei nos EUA em duas cidades, NY e San Francisco. Teoricamente cidades mais liberais e tolerantes.

E eu eu acho que ambos os paises sao bem racistas, mas em elementos diferentes e nao como vc esta colocando.

Se por um lado o brasileiro possui um racismo velado que tem que ser combatido e um preconceito estetico foda, alimentado por uma midia que nao se toca da responsabilidade nisso, por outro lado nos EUA temos uma nocao muito estranha de nao ser racista, onde eh ok as pessoas viverem em guetos separados, nao cogitarem a ideia de se casar com alguem de outra "Raca" e, pasmem, acharem racista a ideia das pessoas se misturarem e ou nao deram bola para sua dita heranca cultural (ja ouvi um professor dando serman em uma "latina" pela fato dela nao falar, nem querer falar, espanhol. Aff...).

O proprio fato de que todo mundo nao anglo-saxao eh "algo"-american, enquanto os wasp sao so "american", mastra que a coisa nao eh muito melhor por aqui.

Negros e outras racas tem muito mais chances de subirem na vida e se darem bem aqui nos EUA?

Mas eh evidente!

Mas isso nao esta ligado ao pais ser menos ou mais racista, mas muito mais ao fato de ser um pais capitalista, desenvolvido e meritocratico, enquanto o Brasil ainda esta em uma situacao pre-capitalista, com uma aristocracia-burocratica que suga os recursos do pais.

Existem poucos paises mais racistas do que o Japao (apesar de ser um racismo extremamente educado) - mas mesmo assim estrangeiros vao para la e se dao muito bem na vida.

Pq? Pq eh um pais desenvolvido e capitalista (muito menos capitalista do que os EUA, super regulado e protecionista, mas perto do Brasil parece uma utopia Randiana)

Na sua visao, o Japao nao seria racista e o Brasil sim. Mas por acaso vc encontra bares com plaquinhas "proibido estrangeiros" no Brasil? Nao ne?
Sua relacao causa-efeito eh para la de simploria e acaba entrando numa discussao sobre o significado do termo racismo.

P.S. Mas na real tb acho que tanto a minha visao quanto a sua dos EUA pode estar bastante distorcida - nos dois moramos em cidades atipicas dos EUA. Talvez fosse preciso morar, sei la, em Ohio ou coisa do genero, para ter uma visao melhor da coisa.

P.S. O tal Marx por acaso eh o Leo Marx?


PermalinkPermalink 17.11.08 @ 04:23



Comentário de: Alex Castro Email

Márcio: "Ai que esta - eu nao acredito em sociedades desprovidas de individuos. Eh impossivel uma sociedade ser classificada de racista sem os individuos tambem serem."

André: Dá a impressão de que existe uma "conspiração racista" nas políticas públicas quando o que há é ineficiência, incopetência e corrupção."

O problema é que vocês estão "personalizando" minhas palavras. Não existe conspiração racial no Brasil. Não existe uma sala em Brasília onde malvados homens brancos planejam as melhores maneiras de manter os negros incultos e submissos. Existem muito poucos desses míticos racistas que não apertariam a mão de um negro. Seria muito fácil se houvesse. Seria muito fácil se pudéssemos identificar os racistas, prendê-los ou educá-los ou exterminá-los, e acabar com o problema. Essa definição restrita e exagerada do racismo é muito cômoda, pois nos dá a ilusão de sermos inocentes, de que o problema reside em outro lugar, em outras pessoas.

Mas, pelo contrário, o problema é sério porque ele é estrutural, disseminado, amplo, inerente. E todos somos cúmplices. O que não quer dizer que todos sejamos racistas.

Meu objetivo maior aqui é justamente expandir essa definição simplista e cômoda de racismo.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 04:45



Comentário de: Ricardo

Alguem ja foi a Angola?
Querem saber o que e racismo?

Va a Angola... vc vai ver como o governo, policia, populacao locar trata o que eles chamam de amarelos...

ninguem e santo.

eu sou semi-branco/meio moreno/meio branco/meio esverdiado... sou considerado amarelo por eles (os brancos nao-europeus)

Va a Angola, visite a africa e vcs verao o que e racismo.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 05:36



Comentário de: Andre Carvalho


Vou fazer uma confissão: sempre tive uma dificuldade enorme dever o limiar para branco/pardo/negro. Explico. Nasci e passei boa parte da minha juventude em Manaus. Em Manaus, o que poderiamos chamar de "negão" (termo que falem o que falar, não vejo como perjorativo), isto é, as pessoas com a cor de pele ébano, são muito raras, logo eu enquanto criança não criei nenhum juizo sobre este fenótipo. Em contrapartida, as pessoas com uma tonalidade de pele meio "índia", entre o marrom e jambo, são bastante comuns, tanto que, quando criança, achava isto um tanto normal. Tanto é que eu demorei bastante para "ver" a discriminação pessoalmente (lembro que me foi muito chocante, como que se meu mundo caisse: veio da minha mãe, reclamando de um amigo que eu trouxe em casa, isso aos 12,13 anos de idade). Por isso, e pelo fato de que onde cresci e me criei a pobreza não ter uma cor tão definida assim, pois as pessoas não-brancas (que provavelmente seriam negras em outros lugares) não estão só entre os pobres em manaus, mas muito mais bem divididas, pertencendo a minha classe social e até sendo muito mais bem sucedidas, tenho certa dificuldade em ver as coisas pelo mesmo ângulo racialista. Tudo o que passa por mim é que os ricos no Brasil não ligam para os pobres. O que tem que mudar é a discriminação mesmo.

Entendo o seu ponto de vista, mas continuo discordando: O Problema é a pobreza, e a pobreza, principalmente em lugares do Brasil não "na moda" Não é tanto uma questão de raça.

Pelo que pude ver, esta é uma discussão muito mais semântica do que qualquer outra coisa. Continuo discordando de seu ponto de vista. Inclusive acho que este é um ponto de vista prejudicial para a luta contra o verdadeiro racismo, isto é, contra a discriminação de pessoas pela sua raça, já que nesta definição o racismo é o capitalismo como um todo, o que não é tão simples assim de se combater.

A questão não é comodismo, mas sim não fazer o inverso: ver qualquer relação entre pessoas de raças diferentes como racista.

O texto deve estar mal redigido e redundante, mas estou com sono demais para revisar vai assim mesmo :)

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 05:55



Comentário de: isabel

Queria que alguém me apontasse qualquer sociedade humana que tenha se livrado de qualquer ideologia de hegemonia.

A social-democracia em países nórdicos conseguiu erradicar esse tipo de pensamento exclusivista pois parte de uma base bastante homogênea, mas no entanto prepara os seus sistemas sociais (não necessariamente as pessoas) para abrigarem diásporas diversas resultantes de conflitos globais. Isso é uma forma de criar um sistema inclusivista, o que cria menos tensões sociais, mas a questão da convivência social entre raças (que consigo trazem seus idiomas, religiões, tradições e culturas distintas) ainda é um ponto a ser trabalhado social e economicamente. Me refiro á Suécia que nos anos 70 acolheu centenas de chilenos, e mais recentemente nos anos 90 acolheu centenas de curdos, muitos deles muito bem capacitados profissionalmente, e trabalham constantemente em questões de integração social, principalmente pelo mercado de trabalho. Lembrando outro exemplo europeu é a Alemanha que após a segunda guerra precisou reconstruir o país inteiro, e grande parte da mão de obra era turca imigrada. Lá residem milhares de turcos que só agora, após 50 anos conseguem ter qualquer tipo de representatividade cultural ou social. Um diretor teuto-turco de berlin tem feitos filmes ótimos sobre justamente essa translocacão cultural importante naquele país.

POrque cito a Europa? Porque a Europa está tentando lidar com essa questão do "outro" na era pós-colonial com poucos acertos e muitos erros. Todos os governos europeus estnao preocupados com essa hibridez social e não sabem bem como fazê-lo, vide os guetos nos arredores de Paris, Amsterdã, etc. O racismo é terrível (franceses e algerinos não se entendem tão bem assim), existem partidos supremacistas de extrema direita, e por pouco o Le Pen não ganhou a eleição na França uma vez, lembram-se?

Na Ásia a questão é bastante diversa - e bota racismo nisso. As hierarquias na Ásia, embora particulares a seu modo, são fortíssimas e existe uma enorme separação social que é, muitas vezes, aceita como o "destino" de cada um. A miscigenação é verdadeiro tabu e as políticas raciais trmemendas. Em Singapura, onde vivo, o racismo é proibido por lei para evitar confrontos públicos entre raças e credos (porque na ásia toda a raça carrega consigo também uma religião), é proibido emitir comentários racistas, e nego dedura quem burlar essa lei. A paz entre as raças se faz por força, e depois de 1 ou 2 gerações, as pessoas acabam se acostumando e aceitando a diferença. mas por mais que essa'igualdade' seja forçada, os diferentes grupos étnicos (75% chineses, 10% indianos, 10% malaios, e 5% de brancos - ei, sou minoria!) não se misturam tanto assim, e inclusive a divisão racial se sobrepõe à divisão por setor econômico. nas classes mais pobres, cada um tem a sua seara e ali se mantêm. No entanto a dominância chinesa é óbvia, inclusive com um governo de maioria chinesa que promove campanhas nacionais de "Aprenda Mandarim" (Singapura tem 4 idiomas oficiais:inglês, mandarim, tamil e bahasa malaysia) com a desculpa de que 'temos que nos preparar para fortalecer e fazer mais negócios com a china). Quando fiz trabalhos de consultoria para o governo deste país, metade das reuniões era em mandarim, mesmo o standard para business e governo ser um inglês. Racismo ou simplesmente uma decisão pela maioria?

Nunca fui minoria em lugar nenhum - branca, olhos azuis protótipo 'branco' brasileiro, sangue escandinavo com mistureba mediterranea - mas aqui na Ásia eu sou. Se eu sinto o racismo aqui? Sim. Os brancos em Singapura têm os melhores empregos, nossos contratos de trabalho são superiores aos dos locais, e os locais se perguntam o que de tão incrível nós temos que eles não podem ter. Todos me acham com cara de inglesa, resquícios do período colonial em que branco=inglês filho da puta. No coffee shop da esquina, ás vezes a atendente finge que não ouve ou passa os outros na minha frente até o momento onde eu não posso mais ser evitada. Sim, sou parte da elite aqui também, mas o modo asiático não é um modo agressivo, é um modo não-confrontacional muito sutil, difícil de perceber. Eles simplesmente não te exlcuem, mas também não te incluem. Resultado, os brancos acabam convivendo dentro das suas comunidades brancas.

Outro episódio: há uma polêmica intensa em Singapura no que diz respeito ao que fazer com os milhares de peões de obra importados do sul da Índia - o cheap labor force que constroi os shopping centers e condomínios dos [chineses e brancos] ricos da ilha-nação. Todo mundo quer condomínio novo, shopping novo, mas ninguém quer conviver com os chamados "guest workers". A estes trabalhadores que passam 1 a 2 anos na ilha (depois são expulsos para que não possam se assentar aqui) e que são de uma etnia indiana de pele muito escura [os negros da Índia] o tratamento é completamente diferenciado. Eles são transportados em "open lorries' ou pick-ups abertas [carro conversível!] sem qualquer medida de segurança, enquanto nós somos multados em 500 dólares se formos pegos sem cinto de segurança.

A questão do momento é onde erguer alojamentos para esses milhares de trabalhadores. O governo sugeriu antigas casernas militares do ingleses que ficam perto de um bairro de classe alta em Singapura. A primeira reação foi 'que horror! essa gentalha vai 'sujar' o meu lindo jardinzinho!" e agora já estão na 15a. sugestão para construção desses alojamentos e cada municipalidade arruma um jeito de detonar os trabalhadores para outro canto. Só que, hipocritamente, todos querem que Singapura seja um lugar moderno que ofereça do bom e do melhor e que avancem a especulação imobiliária para que todos nós [os chineses e brancos] fiquem cada vez mais ricos. Mas ninguém quer 'sujar' as mãos ou a 'paisagem'.

Os indianos por enquanto estão amontoados aos 40 ou 50 por apartamento de 4 quartos, vivendo como ratos e ainda explorados por locatários [chineses] que os exploram e sem que o governo nnao faça grande coisa a respeito. Existe legislação que os proteja? A lei trabalhista de singapura abarca todos MENOS duas classes de trabalho: as domésticas filipinas/indonésias e os peões indianos. QUando há maus-tratos (tem cheio de empregada cometendo suicídio e peão fugindo daqui de barco!) não existe lei que os proteja. Racismo ou determinismo evolutivo? No entanto, lembrem-se é ILEGAL sob pena de CHIBATADA falar sobre racismo aqui publicamente. Os jornais são completamente maquiados, e quando um dos "open lorries' colide nas estradas em que pipoca peão indiano para tudo quanto é lado, vocês acham que a nota no jornal do dia seguinte sequer identifica as vítimas?

Quer dizer, o mesmo país que torna o racismo ilegal (porque senão isso aqui se tornava uma bagunça de tão pequeno) é hipócritamente racista quando explora uma mão de obra de um povo/raça considerado 'inferior'. E como esta cultura justifica isto? Que as pessoas são pobres 'porque querem' e que cada um tem o seu lugar na sociedade com a desculpa de que todos têm uma função a cumprir. Logo, racismo é politica hegemônica. Mas o marketing racista é péssimo - vivemos todos em sociedades lindamente multi-culturais em que a diversidade é única! (assim diz o lema oficial desta ilha.)

O problema, do modo como eu vejo é de representatividade. Por um lado, a cultura e seus modos de expressão tem o poder duplo tanto de justificar a hegemonia étnica/intelectual/econômica e manter tudo como está quanto o de mudar a cabeça das pessoas para políticas culturais de inclusão. Do mesmo modo é imprescindível que haja representatividade política e jurídica para proteger estes grupos 'desfavorecidos' para que seja integrados de forma pacífica em qualquer sociedade e com ferramentas concretas para poderem se organizar articular e defender os seus direitos. Na ásia a representatividade cultural e/ou política é tratada com viés darwinistas - "se vocês não se expressam ou não se representam politicamente o problema é de vocês que são fracos e não sabem aproveitar o lindo sistema que construímos para TODOS [demagogia]. Além do mais, vocês não têm grandes coisas a dizer - olhem a pocilga de onde vocês vieram!"

No brasil, por mais filho da puta sejam as pessoas, a corrupção dos po´ e os preconceitos culturais, existem sim modos de representatividade política, ferramentas jurídicas, políticas de inclusão que podem ser melhoradas. No Brasil, divisão racial não é decreto (para isso serviu uma abolição da escravatura, certo?), e nós temos uma imprensa livre que pode denunciar, ninguém vai pra cadeia por se organizar politicamente (como em singapura) e todo mundo PODE ter uma voz. Com esses instrumentos no lugar, falta educar para que todos conheçam seus direitos, e depois articular todo mundo para que esse 'racismo da alta burguesia' seja mais bem educado. No mínimo no Brasil temos, mesmo que no papel [o que já é um começo] algo chamado direitos humanos, ainda que tenhamos um enorme caminho para chegar a qualquer tipo de humanidade. A democracia é um caminho para isso, mesmo que pareça caótica e desordenada. Senão, a opção é linha-dura, decreto pra todo lado, e a exploração legalizada de tudo e todos. É isso que vocês vislumbram para o brasil?

O problema é que a burguesia branca no Brasil é profundamente ignorante e detesta a palavra "diferença". O rico brasileiro viaja para se deslumbrar com o que ele pode vir a ser, europeu, americano, chique sofisticado, rico. Ele sai do seu país para se deparar com aquilo que é "o mesmo" de si. Brasileiros não são bons viajantes simplesmente porque não sabem como lidar com a diferença cultural ou social, já que não o praticam em casa. Não somos conhecidos pelas nosso espírito humanitário, mas sim pelo nosso espírito consumista, resquício de povo colonizado.

A meu ver, o brasil é um país em profunda negação desse confronto diário com o que é 'distinto e diferente'. No entanto nos gabamos da nossa miscigenação e nossas raízes musicais que se fizeram sem muito sangue - tudo na paz e na amizade...Isso é mito ou realidade? Porque não fazer socialmente e politicamente o que acontece na nossa música, na cultura? Falta de representatividade? Eu tenho um sobrinho de 13 anos, branco, louro que dança funk nas festinhas em Ipanema - isso é apropriacão cultural de um estilo musical ou é uma medida de inclusão cultural?

O problema é que o Brasil é um país tão escrotinho que só reconhece o negro como mito quando se torna a glória nacional - como músico ou jogador de futebol.

Um Obama brasileiro vai demorar (se bem que o FHC dizia que tinha um pé na cozinha, e o Lula até onde se sabe, é de origem indeterminada...).

Mas agora vai ser moda todo mundo dizer que é misturadinho feito Obama na nova era dos Seres Híbridos (quando fomos puros? só adolf acreditava nisso). Mas sem obâmetro de black and white american-style, please.

E, por último, cadê o coração nessa discussão toda? Tá tudo muito frio, racional! O Brasil pratica amor ao próprio ou amor ao próximo? Em que país vocês querem viver? Como você querem viver?

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 08:04



Comentário de: Thiago

O problema do Alex é que ele acha que o Brasil é o Rio de Janeiro.

Vou dar uma dica de lugar legal pra conhecer: Manaus.

E ainda não está explicado como fica a questão dos brancos pobres na escola pública. Acho que a sociedade racista na certa paga uma escola melhor pra ele, não??




PermalinkPermalink 17.11.08 @ 08:17



Comentário de: isabel

sim, em singapura, parte da política hegemônica é ter um povo muito bem-educado. Mas sendo professora de universidade em Singapura, te digo que educação sim, tem. mas em muitos casos, aprendem a decorar o material para 'fazer bonito'. Crítica e reflexão só a forceps, pois não são educados para criticar, mas sim para obedecer.

No brasil, o problema maior é o da alimentação e o da educação. Enquanto a educação não for resolvida, não haverá possibilidade de revolução mental no brasil. Agora, os governos querem botar tudo antes da educação porque ignorância é rentável...

falta de crítica também é rentável...

o que fazer então?

Educar de qualquer modo. A crítica a gente ensina depois, se precisar.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 08:29



Comentário de: Andre Carvalho

@Isabel: Em Singapura a Universidade é pública? Você têm entre os alunos filhos dos indianos "mal-amados" pelo país?

Se tiver, isso não fará diferença no futuro?

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 09:09



Comentário de: isabel

Oi, sim há universidades públicas e privadas, o governo dá ajuda sob forma de empréstimos, contanto que fiquem no país após se formarem. Mas há também muitos programas universitários co-sponsored com universidades internacionais tipo INSEAD e muitas parcerias com univeridades técnicas.

A maioria da população vai a centros politécnicos pré-universitários onde se habilitam com diplomas vocacionais que os preparam para a força de trabalho, ou, se quiserem continuar, vão para a universidade.

A política é igualitária em termos de raça, mas a discriminação é totalmente na questão do mérito, o que significa que há um certo determinismo educacional. Quem se dá bem na escola, tem direito a buscar acesso nas melhores universidades ou 'polys', mas quem não tiver nota boa em toda a carreira escolar fica na faixa do meio nas escolas piores.

Não existe vestibular, ou uma prova qualificatória em que esses alunos 'ruins' possam ter uma chance de entrar para um faculdade de elite. Essa talvez seja a vantagem dos nossos cursinhos e vestibular/provão pois isso equaliza a entrada na universidade.

Como eu dou aula em faculdade de arte e design acabo pegando desde alunos ótimos que querem ser designers por convicção, mas também aqueles alunos médios e ruins que não têm outra opção pois suas notas são ruins demais para entrarem em cursos de business our engenharia. Então eu vejo de tudo.

Sim, decerto todos têm educação, todo mundo é alfabetizado, mas existem discrepâncias no sistema. Sim, é bem melhor que no Brasil e os professores são bem-pagos e todos treinados no Instituto Nacional de Educação onde aprendem a cartilha do estado.

Na sala de aula eu vejo uma diferença entre os alunos sim, por conta de dados étnicos, sociais, e também observando essas diferenças de desempenho.

Os indianos são os que falam mais e são mais vocais no seu engajamento. Os chineses, na sua grande maioria, não fazem quase nenhuma pergunta na sala de aula, os malaios têm mais senso de humor e molejo e têm desempenho variável.A maioria é bem silenciosa e pouco questionadora por 2 motivos: é uma cultura quieta, as pessoas aqui não são vocais e falam pouco e baixo - código cultural. Eu fico louca porque não participam e são bem apáticos e passivos, pois questionar a matéria ou o professor é sinal de profundo desrespeito (lembremos que estamos falando de uma sociedade altamente hierárquica). É sinal de que o aluno está questionando a competência do professor (incrível - fiquei boba quando saquei isso), e isso é inadmissível. Nas escolas, os alunos nunca falam, nunca são convidados a participar e aprendem tudo na decoreba.

Os alunos sempre me pedem para dar o máximo de instruções possível para que não 'errem', visto que o 'erro' nesta sociedade é sinal de falência, e falência significa vergonha e "perder a cara", o que é o equivalente asiático à culpa cristã. Logo, acabo falando a aula toda sem ter um termômetro se a coisa pegou ou não.

Tenho também muitos alunos da região do sudeste asiático, do vietnã, indonésia, tailandia, malásia e índia, principalmente. E tenho 3 ou 4 europeus, a maior parte escandinavos, que vêm se aventurar por aqui.

Os indianos, como falei, são seguros e vocais, mais filosóficos e com os vietnamitas, são os únicos que sorriem o tempo todo. Os singaporeanos são bastante lentos e ponderados e precisam de entretenimento constante, senão dormem em sala de aula sem o menor constrangimento. Só que quando eles engatam numa coisa, sai de baixo, são competentíssimos, mas sem muito charme. Os indonésios ainda não consegui sacar qual é a deles, são mais ou menos os baianos da região. Os vietnamitas são de longe os alunos mais criativos e com estética incrível, e sorriem o tempo todo, brincam, dançam, umas jóias. Os chineses da china são completamente diferentes dos chineses de singapura, com mais garra e com ironia (o que falta in all of the above). Por último os europeus que não estão nem aí, falam pra caramba e dinamizam a sala de aula com participação e iniciativa - o que é ótimo pra chacoalhar os outros todos.

Agora, voltando à sua pergunta - a maioria esmagadora é de etnia chinesa.

Outra diferença grande, e interessante: os alunos que falam inglês em casa, escrevem e se articulam melhor. Aqueles que falam outra línguas em casa são pouquíssimo articulados em inglês, mesmo que esta seja a sua língua-pátria também. É como se você tivesse nascido no bairro japonês em São Paulo mas falasse português muito mal, mesmo tendo estudado português a vida inteira...

Mas sim, o sistema de educação aqui é porreta. Mas são 5 milhões de habitantes e com renda per capita de 30 pau (dólar)...mole, né?


PermalinkPermalink 17.11.08 @ 10:13



Comentário de: JLM · http://www.jefferson.blog.br

"Como pode não ser racista uma sociedade com 90% de brancos ricos e 10% negros miseráveis?"

Alex, acho q vc inverteu as porcentagens aí, não seria o contrário?

E concordo plenamente com o teorema das profissões racistas, até num cabaré, se vc olhar tem 90% de brancas e o restante de negras. Isso só pode ser racismo! Até pra fud** o povo é preconceituoso. Aff

É claro q isso é uma brincadeira. Se fosse sério, seria assim, cabarés de luxo, 90% brancas, cabarés estilo Tia Preta, 90% negras.


1 abraço.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 10:13



Comentário de: JLM · http://www.jefferson.blog.br

kkk, antes q não entendam a referência, é pq na minha cidade tem um cabaré xinfrim famoso com esse nome, não foi nenhuma conotação racial intencional. Se bem q o nome já indica algum racismo, né?

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 10:16



Comentário de: isabel

ah - mas nos programas de habitação tem cota racial baseado na porcentagem de cada etnia no país. 80% da população mora em edifícios de habitação pública (equivalente a um prédio de classe média na barra da tijuca/recreio), só que todos os edifícios são cotizados. A menos que o edifício seja localizado em um bairro dominado por determinada etnia, por exemplo, no bairro indiano, as cotas favorecem a etnia do lugar. E por aí vai. Mas detalhe - gringos e não-cidadãos não podem sequer alugar apartamentos nesses complexos que são naturalmente mais baratos, fazendo com que a opção de aluguel para a minoria branca seja limitada aos condomínios de alto luxo onde o aluguel é CARISSIMO.

Só que 40 anos atrás antes disso aqui ser um país era cheio de favela e a galera imigrava da china e formava vilarejos bem básicos, quase favela. Só que sairam da favela e foram direto pro condomínio racionalista e modernista, assim neutralizando um pouco essas diferenças culturais....

e outra coisa - se num prédio de BNH deles a cota de tal etnia não for preenchida, eles deixam os apartamentos vazios! rárá

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 10:22



Comentário de: Dr Plausível · http://tinyurl.com/5t899y

Alex,
Entre várias outras, vc tá deixando de lado minha hipótese, aquela q aventei no linque acima e q explica, situa e diagnostica não só a situação dos negros e pardos no Brasil, como tbm o próprio racismo (em dois sentidos) contra não-europeus. E não só isso, é a única hipótese positiva, q prevê como se dará o fim do problema.

Acho q vc prefere ignorar essa hipótese pq se vc a admitir q I have a point, então todo o raciocínio por trás de tua série de posts sobre o racismo vai ficar abalada. Tbm ignorou a conversa q tive com o Kitagawa nos comentários daqui, em q demonstro como é furado esse papo de políticas de educação, ramificações sócio-econômicas, &c.

Noto tbm q vc ignora sistematicamente todo comentário q traz um pouco de racionalidade ao debate. Ainda não entendi o porquê, mas tou matutando.

(Uma interpretação interessante, derivada de Hegel, é q qdo há um conflito entre A e B q é solucionado por C, haverá partidários de A e partidários de B q NUNCA ficarão satisfeitos com C pq SE BENEFICIAVAM da mera existência do conflito anterior; ou seja, quem transforma o conflito em meio de vida no fundo não quer q ele seja solucionado. Pense nisso.)

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 10:42



Comentário de: isabel

enquanto nos United States of Obama.....

According to a 2001 report on graduation rates conducted by the Education Policy Center of The Urban Institute, “The national graduation rate is 68 percent, with nearly one-third of all public high school students failing to graduate. Tremendous racial gaps are found for graduation rates. Students from historically disadvantaged minority groups (American Indian, Hispanic, Black) have little more than a fifty-fifty chance of finishing high school with a diploma. By comparison, graduation rates for Whites and Asians are 75 and 77 percent nationally. Males graduate from high school at a rate 8 percent lower than female students. Graduation rates for students who attend school in high poverty, racially segregated, and urban school districts lag from 15 to 18 percent behind their peers. A great deal of variation in graduation rates and gaps among student groups is found across regions of the country as well as the states. This study provides the most compelling evidence to date that the nation finds itself in the midst of a serious, broad-based, and (until recently) unrecognized crisis in high school completion.”

- Urban Institute (The), Education Policy Center, "Who Graduates? Who Doesn't? A Statistical Portrait of High School Graduation, Class of 2001," The Urban Institute, February 25, 2004.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 10:43



Comentário de: Monix · http://duasfridas.wordpress.com

Alex, e o pior é que a possibilidade de se ir a um restaurante cujos garçons são todos negros, infelizmente, já é um avanço! Até recentemente, era raro encontrar garçons negros, pois havia uma interdição não-dita baseada na idéia de que os clientes não iam gostar de ver um negro manuseando sua comida. O racismo à brasileira é de arrepiar, não é não?
Beijocas

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 11:13



Comentário de: Victor Barone · http://escrevinhamentos.blogspot.com/

Concordo com o Marx. O preconceito no Brasil é de classe. A hipótese 4 sugerida Por ele fecha a questão. Os exemplos que o Alex dá são rasteiros, me perdoe o colega.

Diz o Alex: “Se você chega numa cadeia ou no fórum, e todos os juízes e advogados são brancos, e todos os réus são negros; se você chega num hospital, e todos os médicos são brancos, mas todos os faxineiros são negros; se você chega numa empresa e toda a diretoria é branca, mas a moça do café e o rapaz da xerox e o ascensorista são negros; então esse é um país racista.”
Não necessariamente. Este pode ser o retrato de um país que não privilegia a educação de uma imensa camada da população, composta de negros, brancos e mestiços.

Diz o Alex: “Se os negros são 40% da população do Brasil mas somente 5% dos médicos (números chutados), só existem duas explicações: ou os negros são mais burros e não conseguem se formar médicos, ou o Brasil é um país racista.”

Não necessariamente. Este pode ser o retrato de um país que não privilegia a educação de uma imensa camada da população, composta de negros, brancos e mestiços.

Dizer que a hipótese do Marx está inserida na terceira proposta do Alex é simplificar a questão e forçar barra ao extremo.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 11:53



Comentário de: Ricardo

Caro blogueiro: se o preconceito no Brasil é RACIAL, como você explica que outros grupos étnicos, que são verdadeiramente minoritários, conseguem se destacar? EXEMPLOS: Judeus e asiáticos. Os asiáticos, principalmente os japoneses, são o maior exemplo de que o preconceito é sócio-econômico e não racial. Se fosse assim, como explicar a quantidade anormalmente desproporcional de japoneses nas universidades públicas? Sim, pois não é preciso ter dados estatísticos na mão para se concluir que eles se encontram nas universidades, empresas e funcionalismo público numa proproção muito maior do que sua proproção na população. Mas eles representam um grupol étnico diferente. Se o preconceito é RACIAL, como explicar o sucesso atingido por eles. Dos judeus então, nem vou falar muito. Os números e a história falam por si. Talvez tenham sido o povo mais perseguido e massacrado da história da Humanidade. E onde estão os judeus hoje? Nas posições mais influentes da sociedade, não só no Brasil mas também no mundo.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 12:19



Comentário de: Ricardo Arini

É interessante notar que, quando se reivindicam cotas para negros nas universidades, os negros utilizaqmo discurso do preconceito racial. Isso ocorre porque a idéia das cotas embute um desejo de revanchismo. Daí a necessidade de cotas para negros e não para pobres. Assim, os brancos pobres servem para os negros exercerem a sua política revanchista("são pobres, mas são brancos, então eles que se fodam!). No entanto, como vc bem disse, a maior parte dos presos é composta de negros e mestiços. Pois bem, se eu disser a qualquer negro que esses presos são marginais porque são negros, tenho certeza que a resposta será prontamente: "Isso é um absurdo! Eles não são bandidos porque têm a pele negra. Essa situação é resultado de um problema sócio-econômico!" É incrível como, de acordo com o interesse dos negros, preconceito racial se transforma rapidinho, rapidinho em preconceito sócio-econômico, não?

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 12:33



Comentário de: Renato

Esse artigo é uma péssima leitura das estatísticas, bem ao gosto do populismo barato que faz um baita sucesso nessas nossas latitudes tropicais.

Claro - é muito mais fácil dizer que o problema está no caráter da população do que trabalhar e fazer a escola pública funcionar direito. Escola pública que é cara e ineficiente, formadora de analfabetos funcionais, pouco importando a cor do indivíduo.

Vamos mudar o universo amostral e ver o que sobra dessa teoriazinha?

Não estou dizendo que o racismo não exista. O que não existe é uma ação institucionalizada para manter a população negra na marginalidade, a exemplo do que ocorreu em muitos estados da América.


PermalinkPermalink 17.11.08 @ 13:06



Comentário de: léo - o racismo já começa na cadeira da escola, no 1o. dia de aaaula

o racismo já começa no primeiro dia da escola, quando a criança começa a estudar, ela começa a estudar uma língua de homem branco, que é o português, de um modo colonialista e imperialista, dando a vitória final sempre ao português. a questão das línguas é periclitantes, com tantos negros índios ciganos e judeus no país até hoje não se oficializou o ensino na língua deles, pois se tem que a língua deles é de sub-humano, inferior, subgente subraça. pela língua que você fala, você mostra quem é. eu, por exemplo nasci ouvindo rock, pois nasci nos anos 50, então eu considero a minha primeira língua o inglês, daí para se tornar um germanista germanófilo foi fácil, eu conheço hoje por alto todas as principais línguas germânicas da europa, com seus dialetos, mas tenho dificuldades com as românicas. então, meu modo de pensar é totalmente germanista, o que é um traumaua muito grande para mim, pois eu vivo numa típica província latina do submundo capitalista, que é at ribo tupiniquim.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 13:09



Comentário de: Baxt · http://www.baxt.net/blog

Eu ia falar e esperar para ser apedrejada, mas parte do que eu ia dizer o Ricardo aih em cima ja disse. Eh logico que o Brasil eh racista, bla bla bla. Mas existe sim uma questao cultural. Como foi que os japoneses chegaram com uma mao na frente e outra atras e hoje dominam as universidades? Na familia da minha sogra (japonesa, criada no brasil), sao 8 filhos, de pais agricultores. Quase todas mulheres, por volta de 70 anos hoje. TODAS elas tem faculdade, algumas com phd, dando aula na USP.
Na minha familia, toda branca europeia (alemaes, italianos, portugueses, espanhois), NINGUEM na casa dos 70 tem faculdade. O povo mais novo tem, eh logico, senao estariamos todos na miseria.
Soh quero dizer eh que sera que alem da questao da escravidao, do racismo e que tais, nao existe uma parcela cultural? Afinal, quais sao os valores mais importantes para brancos, negros, orientais, arabes, judeus, etc? O que eles priorizam? Qual a relacao entre essas prioridades e a renda? Alguem ja fez uma pesquisa seria sobre isso? Eu adoraria ver!

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 13:25



Comentário de: Justo

Exatamente o ponto;Minha esposa e eu somos tbm descendentes de minorias imigrantes de longa data no pais.Nossos avós sofreram muito para sobreviver e mais ainda para dar Educação a alguns de seus filhos ,não sendo possivel dar isso a todos pois,os primeiros tiveram q sacrificar-se,para q os mais novos pudessem ter esse beneficio.Entre nós Arabes e Japoneses a cultura do autosacrificio e abnegação rigida e total,em busca de um objetivo distante,mesmo que esse objetivo vise a melhorar a vida apenas de nossos bisnetos,é normal,não sendo vista nem mesmo com louvor.Esses mesmos valores culturais citados aqui por mim neste pequeno post,são tbm valorizados nas familias afro descendentes? Estou perguntando,apenas por não conhecer o seio dessas familias,e como,dentro desses nucleos,se trata deste tipo de questão.Estas familias valorizam o sacrifio individual ou veve-se o Carpe-Dien?
Onde o mais importante e viver bem o seu dia,aproveitar cada minuto do seu presente,usufruir tudo q se pode hoje ,não importando o futuro?

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 13:54



Comentário de: Brasil

cara, seus posts são um mais ridículo que o outro... que espécie de marxistazinho de blog é vc? daqui a pouco vc vem defender a maconha haha...
deus me livre... o ig ta com uma merd@ de colunistas...

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 14:23



Comentário de: Alessandra

"Caro blogueiro: se o preconceito no Brasil é RACIAL, como você explica que outros grupos étnicos, que são verdadeiramente minoritários, conseguem se destacar? EXEMPLOS: Judeus e asiáticos. Os asiáticos, principalmente os japoneses, são o maior exemplo de que o preconceito é sócio-econômico e não racial. Se fosse assim, como explicar a quantidade anormalmente desproporcional de japoneses nas universidades públicas?"

Porque tanto judeus como orientais sempre tiveram, culturalmente, um foco muito grande na educação. Mesmo pais pobres e com educação limitada tinham como clara a importância do estudo para os filhos. Jisuis, no caso dos judeus, alfabetização é inclusive essencial para um garoto sair da infância!

No caso de negros, fica difícil você criar e/ou manter uma cultura desse tipo quando seu trisavô era escravo e analfabeto de tudo, inclusive e principalmente de direitos.

Mas Alex, admito que também não tenho gostado da definição que você tem usado de racismo. Na verdade, eu tenho problemas com qualquer tese que diz que a culpa é do sistema. Racismo é uma atitude vinda de pessoas, ou não é nada.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 14:26



Comentário de: Ricardo Arini para Alessandra

Então o problema não é RACIAL, é CULTURAL, como vc mesma acabou de escrever...

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 14:31



Comentário de: isabel

ué, e a ginga do nosso futebol não veio de uma adaptação do jogo do negro contra o branco em campo? vocês sabiam que lá no início do século 20 o negro não podia tocar o branco em campo, mesmo se fosse do mesmo time, senão era expulso? por isso eles desenvolveram o que acabou se tornando o nosso estilo único de futebolear...

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 14:33



Comentário de: isabel

riam isso daqui - de um anúncio de singapura...

Singapore Chinese Peasant Seeking White Guy - 20

Hey there .. I’m actually a Singaporean Chinese girl who wishes I was white so I really want to date white guys. Have been in a relationship with 1 German Guy 1 New York guy…but I have never been outside of Asia. And they are great .. Well, about me, I have really small eyes, crooked teeth and my favorite food is fried noodles and chicken feet.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 14:35



Comentário de: isabel

o comentário do futebol veio tarde, deu pau no comp e esqueci ele ali por horas - não tem nada a ver com a conversa séria de vocês. e vou calar-me sobre ásia e coisas assim - porque podemos aprender muito com o que acontece em outros países.

mas enfim.

Agradeço a dialética de Hegel ter aparecido por aqui. Enfim, filosofia!

Alex - tendo a concordar com o povo - seu conceito está um pouco raso...já tivestes dias melhores.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 14:42



Comentário de: léo - povos escravos

nem só os negros africanos foram escravos, os juduesus também foram. mas, olhem a diferença os negros que só recentemente foram escravos, a partir da colonização d'américa, desenvolveram uma mentalidade escrava e dela não se libertaram até hoje, no entanto, como por exemplo, eu que sou judeu, desenvolveram, o cristianismo, o judaísmo, o sionistmo, o estado de israel, e a mentalidade libertária, independentista, apátrida de ser judeus, bem semelhante à dos chineses. então, onde você encontra um judeu, ele não dirá, eu pertenço atal pátria, eu sou nacional de tal país, ele dirá, eu sou judeu israelita, cosmopolita cidadão do mundo, e olha que os judeus são escravos desde há quatro mil anos, e são considerados, nem por isso, o povo mais inteligente do mundo, inclusive todo mundo lê a bíblia, que é o livro principal da religião deles, que os nazistas chamavam de juedisches luegebuch, o livro de mentiras dos judeus, quem não tem uma bíblaa em casa?

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 15:49



Comentário de: Anton

Racismo se refere a que? Raças, ultimamente vejo uma hipocrisia e dizer-se que não há raças entre humanos, como se fossemos ETS neste planeta. Somos seres biológicos iguais a centenas de milhares de espécie que populam o planeta. Somos sim humanoides, primatas da espécie humana.
Cavalos, cahorros, gatos e por aí vão tem raças porque nós abençoados pela divindade patética que criou essa divisão com objetivo de dominação das raças incultas e em evolução?
Existem sim raças nome antigo usado para diferenciar os individuos dentro de sua espécie isso é ponto pacífico. O que acontece que somos seres pensantes e atuamos na natureza e procuramos entende-la e dar rótulos ao que não conhecemos, apenas a Ciencia pode de alguma forma alargar o conhecimento.
Se somos racistas, sim somos a centenas de milhares de anos está em nossa cosntituição genetico-ideologico-mental, não se muda algo que tem milhares de gerações em um , dois ou mesmo tres séculos, muitos morrerão e muitos e muitos anos se passarão para que isso mude.
Infelismente que construção da sociedade baseada em valores ocidentais judaico-cristão formou-se esse conceito de superioridade branca e na exploração milenar de tribos ainda na idade da pedra em escracos potenciais, isso são conceitos que os romanos exploraram durante centenas de anos com maestria.
Ainda, apesar de todo progresso tecno-científico nossas mentes ainda orbitam o mundo romano, que ainda não foi igualado em sagacidade e engenhosidade.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 15:59



Comentário de: Rafael

Continuando no quarto caso, o que faz da sua sociedade "estruturalmente racista" nao ser tao racista assim, é o fato de que um branco pobre, filho de pais brancos pobres, terá exatamente a mesma oportunidade na vida que um preto pobre, filho de pais pretos pobres.

Veja bem, a sociedade brasileira nao é esse quarto caso, obviamente. Mas, acredito que a disparidade na distribuicao de riqueza em relaçao ao tom de pele é em maior parte devido a um fator histórico-econômico (quarto caso) do que devido ao racismo no tempo presente (terceiro caso).

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 16:01




"Soh quero dizer eh que sera que alem da questao da escravidao, do racismo e que tais, nao existe uma parcela cultural? Afinal, quais sao os valores mais importantes para brancos, negros, orientais, arabes, judeus, etc? O que eles priorizam?"

No mínimo essa mente iluminada quer dizer que enquanto os brancos como ela valorizam os bancos escolares, os livros e as letras, os negros como eu valorizam a rede na sombra, a cerveja e a lei do menor esforço.

E raça nao tem nada a ver com isso. É só que os negros sao só assim mesmo preguiçosos e nós brancos somos trabalhadores.

Jesus, isso aqui piora a olhos vistos.

Alex, ler sua caixa de comentários pode prejudicar a saúde.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 16:06



Comentário de: wilson

Sim, existe racismo no Brasil - Ponto.
Não tem como dizer que não existe racismo no Brasil, isto é inegável, tanto na percepção individual (vc no restaurante) como a análise científica (estatísticas).
Mas o que vai definir se o pais (O BRASIL e não os indivíduos brasileiro) é racista ou não é o que nos fazemos em relação a isto.
Se a sociedade como um todo aceita o racismo então somos um pais racista,mas se a sociedade se mobliliza para mudar isto então somos um pais com racismo (situação dinâmica/mutante) e não um país racista (situação estática).
Isto não significa aceitar qualquer coisa para a integração, temos que decidir que país queremos ser, queremos uma integração paralela como a americana (um pais com brancos e negros) ou preferimos uma integração miscigenante (formação de um povo mulato/cafuzo/mameluco culturalmente).
Eu pessoalmente prefiro o multiculturalismo em que não é simplesmente o caso de incluir os excluídos, e sim reconstruir o pais com a participação de todos, reespeitando a cultura de todos num projeto de civilização e não só de pais.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 16:10




"é o fato de que um branco pobre, filho de pais brancos pobres, terá exatamente a mesma oportunidade na vida que um preto pobre, filho de pais pretos pobres"

Ohh, jura que vc acredita nisso?? Pq os empregos para pobres que podem ser considerados melhorzinhos(recepcionistas, vendedores, telemarketing e etc) tao cheios de negros, né?

Sabe onde tá cheio de NEGROS pobres e NAO de brancos pobres? Limpando a rua e faxinando. Porque ATÉ nos empregos para pobres os brancos ficam com os melhores.

Brancos ricos levam vantagem no mercado de trabalho sobre negros ricos (os poucos que existem e isso é estatística, e nao achismo). E os poucos brancos pobres levam vantagem sobre a imensa maioria negra (idem) ficando com os melhores empregos.

Nao admitir isso é mais do que ingenuidade. É falta de honestidade argumentativa.


PermalinkPermalink 17.11.08 @ 16:12



Comentário de: Fran

Nunca comentei aqui antes (embora acompanhe há um bom tempo), mas resolvi dar a minha contribuição. Por tudo que eu tenho visto até agora, minha opinião é que esse nosso racismo não é exclusivamente econômico não. Penso por exemplo na minha família: meus avós chegaram em Curitiba como tantos outros polacos, sem nada. E todos os netos estão cursando a universidade. Porque eu não vejo isso acontecendo com as famílias negras e pobres? Da comunidade japonesa pode se dizer o mesmo: não que tenham enriquecido, mas vê-se muitos da geração atual tendo acesso a uma boa educação e uma boa colocação no mercado.
Estou no último ano de medicina e como estudante, minha vivência é a do sistema público de saúde. Quando passamos campanha de vacinação nas favelas, as famílias negras quase sempre estão numa situação mais conturbada, pq existe hierarquia em favela sim, e eles têm que ficar no fim da fila. O nível educacional de uma forma geral é pior, o que é um efeito dominó em se tratando de saúde. As crianças desnutridas em sua maioria são negras, as que tem pneumonia todo inverno também, e por aí vai. Até no serviço de pediatria dá para ver que o loirinho recebe a papinha antes do neguinho ao lado. Todos são pobres, e sofrem o racismo dirigido ao pobre. Mas não é o único tipo de racismo que nós temos.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 16:22



Comentário de: ANDRÉ LUIZ GARCIA

Conheço profundamente a população carcerária do Estado de São Paulo,que corresponde a 80% do total nacional, e posso afirmar que homem de raça negra é minoria, portanto vejo que vc é mais um daqueles que não sabem o que fala e sai alardeando fartos conhecimentos, porém não passa de um sofista. como diria Sergião Mota "isso é pura masturbação sociológica".
Quando escrever sobre algum tema tenha em mãos pesquisas e dados corretos e não apenas suposições. lamentável...

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 17:03



Comentário de: ANDRÉ LUIZ GARCIA

Conheço profundamente a população carcerária do Estado de São Paulo,que corresponde a 80% do total nacional, e posso afirmar que homem de raça negra é minoria, portanto vejo que vc é mais um daqueles que não sabem o que fala e sai alardeando fartos conhecimentos, porém não passa de um sofista. Como diria Sergião Mota "isso é pura masturbação sociológica".
Quando escrever sobre algum tema tenha em mãos pesquisas e dados corretos e não apenas suposições. Lamentável...

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 17:05



Comentário de: Alex Castro Email

Dani: "Jesus, isso aqui piora a olhos vistos. Alex, ler sua caixa de comentários pode prejudicar a saúde."

Ah, Dani, seja generosa com meus leitores, poxa. Tudo bem, rolam uns absurdos aqui que são duros de ler. Os comentários dizendo que não existe racismo porque, afinal, as universidades estão cheias de japoneses me fez rir e até chamei minha colega de sala pra ver pq ela não acreditou. Estou esperando pra ver se alguém responde a esse absurdo.

Mas, enfim, mesmo os comentários mais absurdos (e uma das pessoas que falou dos japoneses é uma querida amiga) são feitos de boa-fé, por pessoas que estão sinceramente tentando pensar uma coisa nova (e, logo, dificil) e tentando entender melhor o Brasil. Não me parece que tem ninguém chutando o balde, ou zoando.

Se vc reparar tb, os primeiros comentários são melhores, pois são feitos pelos leitores habituais do blog. Depois dos primeiros 30, o post saiu na capa do iG (e com uma chamada que diz o oposto do texto) e começou a chegar um novo tipo de leitor...

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 17:18



Comentário de: Dr Plausível · http://tinyurl.com/5t899y

Imaginem a Indonésia.

¿Imaginaram?

Pergunta:

¿Um indonésio pobre é pobre pq tem mau gosto ou tem mau gosto pq é pobre? Nada a ver, né? Tem rico de bom gosto e pobre de mau gosto. Só q, em geral, mau gosto é barato e bom gosto é caro. Tem coisas caras de péssimo gosto. Mas, em geral, se rico de bom gosto, o indonésio poderia melhor EXERCER seu gosto. Mas mesmo assim, ¿será impossível afirmar q o cara é pobre pq tem mau gosto – não sabe se vestir, não sabe falar, não sabe se comportar, &c? ¿Será impossível afirmar q ele tem mau gosto pq é pobre – não tem acesso à "boa" informação, não tem "boas" companhias, não tem oportunidade de melhorar, &c?

E ¿o q são "bom" e "mau" gosto senão categorias subjetivas, questões de preferência? ¿Existe algum critério objetivo q diga q um Sangue de boi é *melhor* do q um Château Lafite?

E aí? Esse questionamento todo ¿parece racional, realista – tipo, tirei uma foto da realidade e mostrei, "taqui ó"?

Claro q não. No mundo não existem apenas "pobres" e "ricos", "bom gosto" e "mau gosto", "negros" e "brancos", "racismo" e "pluralismo", de modo q saindo de uma categoria vc entra instantaneamente na outra. Pelo contrário, há milhões de gradações e, francamente, cansa bastante discutir esse assunto no protocolo "ciências sociais digitalizadas", dividindo todo um país entre "positivo" e "negativo", "negro" e "branco", tal coisa "é racismo", tal coisa "não é racismo".

As coisas são matizadas, cheias de tonalidades, ambigüidades e sutilezas – em suma, *o humano é orgânico*. Todo juízo de valor é inválido; sempre se pode provar o contrário.

A afluência do mundo como um todo a longo prazo e a predominância de princípios europeus vão tender a desafricanizar o negro, assim como está desasiatizando o amarelo. Uma crise mundial de proporções gigantescas q leve o mundo de volta à idade média já é impensável; mas caso aconteça, o racismo volta a predominar igualzinho a antes. A educação se faz um a um.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 17:26



Comentário de: Victor Barone · http://escrevinhamentos.blogspot.com/

O leitor léo sustenta que “o racismo já começa no primeiro dia da escola” e que “quando a criança começa a estudar, ela começa a estudar uma língua de homem branco, que é o português, de um modo colonialista e imperialista, dando a vitória final sempre ao português”. É incrível. As crianças deveriam aprender a falar Guarani, Iorubá? Esta é para quem gosta de chamar negro de afro-brasileiro. Recomendo a leitura do artigo “Caetano Veloso, afro-isso, afro-aquilo, escravos, judiação, tietagem e Hermano Vianna”, publicado dia 13 de novembro lá no Imprensa Marrom (http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/).

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 17:36



Comentário de: Franco

Sinceramente,

Poucas vezes vi uma opiniao tao direcionada.

Acorda!!

Primeiro vai descobrir o que é preconceito de raça, depois vem analisar se o Brasil é racista.

Aqui surgiu a Klu Klux Khan, o Nazismo, e outros movimentos que pregavam a supremacia branca!
Se o brasil é racista é no sentido que os negors discriminam os brancos. TENTE sair com uma camisa escrita 100% BRANCO e veja se nao sera criticado, mas 100% NEGRO ode, porque sera?

Abs

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 17:36




Alex, eu consigo rir de alguém que chama os negros de racistas pq usam uma camisa 100% negro.

Agora que digam que "nossa cultura branca valoriza os estudos e a cultura negra nao, por isso os negros sao miseráveis e presidiários enquanto nos somos intelectuais e CEOs" deixou de ser piada pra mim há tempos.

Esse argumento é de uma crueldade e de um cinismo ímpar porque essas sao justamente as pessoas que sao contra cotas raciais.

Agora tenho que dar meu braço à torcer, porque com os habituais aqui do blog dá pra manter uma conversa em bom nível mesmo que eu nao concorde com uma linha.


PermalinkPermalink 17.11.08 @ 17:53



Comentário de: Etnoracionau

O problema é basicamente político, porque a esquerda procura manter isso tentando sabotar a sociedade capitalista...eles sucateam os mecanismos sociais que deveriam ser ajustadores para essas distorções, eles patrocinam o crime e as drogas para manter mais ainda o sucateamento e abrir espaço para corrupção dos que trabalhem neste sistema, ou para que eles morram se não se submeterem a isso...e finalmente usam a ignorancia e vulnerabilidade dos negros para usar eles de soldados nesta sabotagem social...o problema é politico e o nome é comunismo

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 17:54



Comentário de: Thiago

Sugiro a leitura da tese da Michelle Obama http://www.snopes.com/politics/obama/thesis.asp

Aliás, sugiro não, isso tinha que ser impresso e distribuído a todos.

Infelizmente a tradução automática do google é ruim e não achei material em português sobre isso.


PermalinkPermalink 17.11.08 @ 17:58



Comentário de: Ricardo Arini

Prezado Alex Castro: por que, ao invés de dizer que o exemplo dos japoneses te faz rir, você não expeimenta argumentar com coisas mais sólidas? Desqualificar a opinião alheia com esse tipo de afirmação é típico de broxa de neurônio...Talvez vc não tenha mesmo argumentos, pois está "esperando alguém responder a esse absurdo", como vc mesmo disse...Precisa falar pela boca dos outros? Quanto ao "outro tipo de leitor", vê-se claramente a falta de respeito com a opinião alheia. Quer dizer que o leitor bom é aquele que, ou concorda com vc, como sua amiguinha "D", ou é aquele que discorda, mas com argumentos fracos, fáceis de serem rebatidos, que só fazem com que vc se sinta mais senhor da razão?
Ao invés de dizer que determinado argumento "te faz rir", experimente combatê-lo com idéias, ao inve´s de sarcasmo...
A propósito, os judeus também foram citados. Mas esse argumento não ter fez rir, não é? Garoto esperto...

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 18:13



Comentário de: D.Riccy

Você julga a historia abaixo como quiser,
Quando o Fernando Meireles, diretor de Cidade de Deus, terminou seu longa na favela homonima, convidou dois de seus participantes para virem para São Paulo, para trabalhar, os dois eram negros, envolvidos com o trafico,e com poucas pespectivas na vida.
Foram morar em um apartamento cedido por Fernando em Pinheiros, e trabalharam em sua produtora de filmes, depois de algumas semanas um deles foi mandado embora por roubar a motocicleta de um colega de trabalho, voltou para a favela, o outro embora não trabalhe mais na produtora, continua morando no apartamento, prestou vestibular, foi aprovado, esta cursando o 2º semestre, e quando perguntado sobre voltar ao RJ, ele diz, nunca mais.
Vejamos, os dois tiveram as mesmas oportunidades, mas só um soube aproveitar, não será porque é preciso querer mudar?, progredir,sair da situação em que se encontra?, não basta ter a oportunidade.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 18:14



Comentário de: Ricardo Couto

Quando você diz:

"O Brasil é um país racista pois ele sistematicamente mantém sua população negra sem acesso a boa educação"

Da a entender que enquanto o Brasil mantém a população negra sem boa educação, a população branca gosa de uma educação linda. Sabemos que isso não é verdade.

Tirando sei lá, uns 20% da população branca que pode pagar por uma boa educação, os outros 80% da população branca usufrui a mesma educação que os negros.

Ou seja, você divide a sociedade entre negros e brancos, quando na verdade deveria ser dividida em brancos ricos e o resto.

Mas eu entendo o porque de você simplificar o problema ao máximo ;)

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 18:21



Comentário de: jefferson lopes

A primeira coisa a fazer é acabar com as
universidades públicas (só estuda filho de
rico. A segunda é co-financiar as universidades
particulares para que os menos favorecidos
possam estudar. A terceira é mudar as leis que
só servem para desestimular o ensino. Sou
professor mas atualmente não leciono, não é
somente pelo baixo salário, mas acho o ensino
totalmente fora da nossa realidade(sou
progressista demais para nossa época). Os livros
são ultrapassados (li alguns livros há mais de
30 anos e meus filhos também estão lendo estes
livros - tenho vergonha disto). Sou pardo e
nunca fui discriminado.Penso que a maioria da
população brasileira é mestiça e não vejo
tanta discriminação assim. O problema não é
a cor, é a determinação.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 18:23



Comentário de: Alexandre Pierotto

Me deixa muito incomodado questoes desse genero sendo debatidas na propria midia por jornalistas e curiosos sem uma presença negra. O pior é que o pessoal nem se toca desse detalhe. Que pobre...

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 18:28



Comentário de: Alex Castro Email

Ricardo Arini: "por que, ao invés de dizer que o exemplo dos japoneses te faz rir, você não expeimenta argumentar com coisas mais sólidas?"

pra comecar, pq nao, ue. te prometi alguma coisa? te devo satisfacoes ou explicacoes? soh me faltava essa agora...

nao cabe a mim dar respostas pra ninguem, nem encerrar a discussao, mas sim deixa-la aberta... quero justamente saber o que os leitores vao achar e o q vao dizer... serah que vao concordar? serah q vao discordar? com que argumentos? etc

"Quanto ao "outro tipo de leitor", vê-se claramente a falta de respeito com a opinião alheia. Quer dizer que o leitor bom é aquele que, ou concorda com vc, como sua amiguinha "D", ou é aquele que discorda, mas com argumentos fracos, fáceis de serem rebatidos, que só fazem com que vc se sinta mais senhor da razão?"

todos os leitores sao bons, desde que pensem nas questoes e as respondam de boa feh... por enquanto, parece que todos estao fazendo isso...

respeito a opiniao de todos os leitores, concordando ou nao... rindo ou nao... rio por ser uma reacao nervosa e automatica quando leio certas coisas, apesar de as respeito enquanto opinioes validas e dignas de serem articuladas... mas rio, ue. como nao rir do argumento dos japoneses da universidade? serio. nao consigo. mas respeito e aceito.

"Desqualificar a opinião alheia com esse tipo de afirmação é típico de broxa de neurônio..."

Se broxar, use a lingua e o dedo. nunca falha.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 18:29



Comentário de: Alex Castro Email

Alexandre Pierotto: "Me deixa muito incomodado questoes desse genero sendo debatidas na propria midia por jornalistas e curiosos sem uma presença negra. O pior é que o pessoal nem se toca desse detalhe. Que pobre...

quantas premissas, meu deus! de onde vc tirou a presenca de jornalistas e a ausencia de negros, por exemplo? estou lendo os comentarios todos e, sinceramente, tirando um ou outro comentarista que os menciona, nao tenho como saber suas profissoes ou suas cores, se sao negros ou jornalistas, advogados ou judeus...

e, no entanto, que incrivel!, vc parece saber tudo isso, pois fica incomodado de ver jornalistas falando de raca sem negros presente... extraordinario! eh percepcao extra-sensorial?

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 18:35



Comentário de: Eliana · http://www.trintolina.blogspot.com

Eu tenho faxineira. Ela não é negra, nem parda, é branca e pobre. Não toma banho quando chega, nem quando sai. Almoça comigo à mesa, come o mesmo que eu, mas não arruma minha cama, nem mexe nas minhas gavetas ou guarda roupa. Pelo simples fato que eu não gosto que ninguém mexa nas minhas roupas, nem minha mãe ou minha irmã. Eu gostaria de adotar uma criança negra, justamente para poder fazer alguma diferença na vida dela. Por outro lado, confesso que se estou na rua e vejo um mulato e um branco, os dois correndo, meu primeiro impulso seria dizer que o mulato está correndo do branco, que foi por ele assaltado. Acredito que como muitos outros vícios, deixar o racismo de lado é um exercício diário, e que levará muitos anos para desaparecer da sociedade (e de cada um de nós, em maior ou menor grau).

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 18:36



Comentário de: Ricardo Arini para Alex Castro

Se a sua risada é uma reação automática quando lê certas coisas é porque, de cara, você não tem respeito por elas...É um direito seu, mas guarde essa opinião sarcástica para si. Dizer que determinadas opiniões te fazem rir é sim uma falta de respeito. É a mesma coisa que dizer que o outro falou uma enorme bobagem. Se você achou uma enorme bobagem, diga isso claramente e use argumentos para rebater a "bobagem". Agora. se vc acha que não deve satisfação a ninguém, não se meta nos comentários...Limite-se a ler e dar as suas risadas com sua colega de sala.
E.T.: quanto ao argumento da língua e do dedo, pelo visto vc tem precisado usá-los mais do que o normal, hein? (rsrs...)

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 18:39



Comentário de: ALL

Na minha forma de ver o nosso problema é sócio econômico sim!
Vejamos mais um exemplo, chega em um restaurante um negro e um branco. O negro chega vestido de Armani em uma Ferrari, o branco vestido de calça jeans e camisa de malha em um fusca, você acha que quem será melhor atendido? Eu não tenho dúvidas que será o negro, e vc?
Eu nasci pobre, cresci pobre e acordava às 04:00h da manhã todos os dias para ajudar a minha mãe, que apesar de branca, trabalhava feito uma escrava, ela fazia salgados e eu os entregava em um determinado local às 05:30h, era a minha rotina diária, menos aos domingos.
Mas a minha mãe e eu tinhamos o pensamento que só através dos estudos eu poderia mudar esta realidade, mesmo ganhando pouco ela pode me manter uns 03 anos em uma escola particular, assim que terminei o primeiro grau recebi uma proposta de um tio de me levar para morar e estudar na capital, mas com uma condição, caso eu perdesse um ano eu retornaria para o meu interior, mas antes teria que passar em um vestibular na Escola Técnica Federal, pois bem, estudei muito, pois não tinha base e graças a Deus e aos meus esforços eu passei e me formei em eletrotácnico, fiz um concurso em uma grande empresa onde estou até hoje, depois de muito tempo cursei economia e conclui, hoje faço Arquitetura em uma Universidade Federal.
Pois bem, não foi por ser branco, ou quase branco, que eu cheguei onde cheguei e sim porque me esforceie por ter estudado em uma escola que me deu a base necessária para enfrentar os desafios em minha vida.
O sistema de cotas nunca vai funcionar a contento se não houver uma reestruturação do sistema de ensino fundamental, pois esta sim deveria ser a luta maior e principal, pois desta forma as cotas não fariam mais sentido.
Outra coisinha, tenho chefes negros em minha empresa, e aqui tem muitos negros com uma boa condição financeira e muito melhor do que a minha.
Portanto, creio que o nosso problema é sócio- econômico, pois quase todos temos uma diversidade enorme de raças distintas em nosso sangue, afinal somos brsileiros!

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 18:44



Comentário de: Alex Castro Email

Ricardo Arini

ai, crianca, que cansativo. isso eh um blog. nao eh uma democracia. eu posso rir do que eu quiser. nao preciso guardar pra mim. posso postar MEU sarcasmo a vontade no MEU blog. jah o seu comentario nao tem direito de existir, ele pode ser apagado a qualquer momento... essas coisas... se vc nao gosta, vc tem varios direitos, tipo nao voltar aqui nunca mais, fazer seu proprio blog, etc... eh assim que funcionam os blogs, nao fui eu q inventei...

e cresca. esse negocio de referencias a broxadas eh muito infantil. jah escrevi ateh post sobre as minhas, nao tenho medo de questionarem minha masculinidade, pode deixar... eu sou adulto, sabe? nao dou risadinha quando alguem fala "pinto"... ai ai...

e, por fim, nao fui sarcastico. eu so ri e pronto. nao tem sarcarmo nisso. pior foi vc, que nem me fez rir, soh me entediou...

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 18:49



Comentário de: Alex Castro Email

ALL: "Na minha forma de ver o nosso problema é sócio econômico sim! (...) Portanto, creio que o nosso problema é sócio- econômico, pois quase todos temos uma diversidade enorme de raças distintas em nosso sangue, afinal somos brsileiros!"

nao consigo bem entender esse tipo de formulacao. dado que o racismo eh um problema socio-economico, dizer que o problema eh socio-economico nao quer dizer nada, ainda mais se dito pra refutar a afirmacao de que o brasil eh um pais racista...

claro que o problema eh socio-economico, oras. afinal, o racismo eh um problema o que? filosofico? culinario? artistico? naturalmente, o racismo eh um problema socio-economico, logo, o nosso problema eh socio-economico....

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 18:54



Comentário de: Cyntiab

E por falar em africanos e japoneses, fica a dica: http://www.wafrica.jp/

Kimonos japones feitos com tecidos africanos. Lindos.

Pra aliviar o climão e mostrar que o que as culturas podem fazer quando misturadas de forma saudável.

Depois eu volto aqui, pra pitacar de verdade, por que o assunto tá bom.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 18:54



Comentário de: Osvaldo Dos Santos Andrade Junior

Parabens a todos as pessoas que expressaram suas opiniões sobre o racismo. Lembrando a todos que quando a lei "Aurea" foi promulgada não foi dada aos negros condições para sobreviverem estes foram jogados no mundo somente com seus nomes para honrrarem. Os negros de hoje são reflexo dos de outrora, pois os de outrora eram guerreiros e lutaram por dias melhores. Reis e rainhas negras foram transformados em escravos por uma sociedade branca hipocrita, e corrupta.
Mas o que nos resta hoje? Mudou alguma coisa com relação os de outrora? Quero sim fazer parte do regime de cotas mas tambem quero ter o prazer de conquistar. Como os
meus antepassados fizeram, obrigado a todos.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 19:22



Comentário de: Ricardo Arini para Alex Castro

Ô nenêm, te entediei é? Que judiação...Prometo não ter incomodar mais com meus posts, tá bom nenêm?

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 19:33



Comentário de: jose claudio adao · http://uaimundo.blogspot.com

Quando abriu o primeiro shopping em BH, (zona sul), não havia negros nem como seguranças. Agora já tem. Estava pegando mal. Tem muitos na segurança e na faxina. Uns dois ou três nas vendas, mas sempre supervisionados por um branco pronto a correr-lhe à frente caso não fique bem às vistas de um bacana.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 19:54



Comentário de: jose claudio adao · http://uaimundo.blogspot.com

Quando abriu o primeiro shopping em BH, (zona sul), não havia negros nem como seguranças. Agora já tem. Estava pegando mal. Tem muitos na segurança e na faxina. Uns dois ou três nas vendas, mas sempre supervisionados por um branco pronto a correr-lhe à frente caso não fique bem às vistas de um bacana.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 19:55



Comentário de: Trad

Penso que a partir do momento que um casal sem qualquer estrutura familiar e educação tenha como único projeto de vida "ter filhos" já explica o fato de ter uma quantidade maior de indivíduos que vivam a beira da sociedade e sem a mesma probabilidade de aperfeiçoamento cultural e econômico.
A maior racismo do Brasil é aquele contra ele mesmo. A síndrome de coitado e "vitimismo".
A cota para faculdade deve ser para aqueles menos abastados e não para aqueles de cor de pele diferente.
Se hoje de todos os negros apenas 5% são médicos (exemplo) então não considero o Brasil racista e sim que temos 95% dos negros acomodados e esperando cair do céu a solução para seus problemas.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 20:06



Comentário de: Raimundo

Srs. na minha opinião, o coisa é muito mais simples do que parece. quer queira, quer não queira, vivemos o tempo todo observando julgando e procurando nossos iguais, inclusive por questão de sobrevivência, ou seja, cada um procura conviver com sua tribo, torna-se muito dificil, mesmo inconsciente, dar preferência para alguém onde o comportamento e valores são diferentes, se por acaso não gosto de samba, simplesmente não vou procurar conviver com grupo que vive tocando samba. se não admiro música de osquestra, não vou assistir a um concerto, se queremos ser aceito em uma tribo, teremos que aceitar e assimilar seus valores, o futuro é consequência, quem não tem estudo, dá muito pouco valor ao estudo, e seus herdeiros não se dedicarão aos estudos por não ter exemplos na familia, independente da situação financeira a situação de educação é muito mais importante, educação de familia, valores, e não de escola.
Tudo o que temos hoje, é resultado de ( POUPANÇA DE TRABALHO ), ou seja trabalho executado e não consumido o seu produto, todo trabalho intelectual, é convertido em poupança, e ao passa-los para nossos filhos, parte desta poupança é passada para os netos e assim por diante, os meus valores mais morais que economicos, são herança de meus antepassados, e minha capacidade de produção, está muito mais ligada aos valores morais, de familia do que a educação de banco de escola, se o meu pai é um famfarrão, e nã me esplicar as consequencias disso, tenho que lutar muito para não ser um também, e quando for procurar um serviço, todo o meu comportamento será julgado, mesmo que inconscientemente.
Mesmo o racismo sendo um crime, não é possivel obrigar alguém a simpatizar com outro com comportamento e valores estranho ao seu.
E mais cômodo a convivência com dentro das normas que conhecemos, não se consegue jogar truco com peças de xadrez, e nem mesmo suas regras poderá ser utilizadas.
Todos nós somos discriminados, basta estarmos no meio de uma tribo diferente da nossa, e não adianta reclamarmos, pois isto é inconsciente.

PermalinkPermalink 17.11.08 @ 20:16



Comentário de: aline · http://ateaquitudobem.blogspot.com

Oi Ricardo

Eu queria comentar seu post, tão polêmico.

Em primeiro lugar, judeu não é raça, nem etnia. É um grupo religioso, como os católicos, os espíritas, os budistas e os pastafaris. Dá até pra se converter ao judaísmo, veja só. Agora, ninguém se converte à negritude.

Depois, o que explica a quantidade de japoneses nas universidades? Uma questão racial, oras: eles são tímidos, concentrados e tem facilidade pras exatas. Então eles tem disposição genética pra não perderem tempo com putaria e tv, estudam e passam na fuvest. É por isso que a poli bomba de japoneses e chineses, ué.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 01:27



Comentário de: Leo · http://lmonasterio.blogspot.com

Alex,
A distincao entre 3 e 4 eh fundamental.

Po, e nao diga que "negros ficaram ainda mais pobres" desde os anos 50. Isso nao eh verdade para o Brasil.

Leo, sem tempo para debater.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 01:39



Comentário de: Alex Castro Email

nao hah distincao entre 3 e 4 pq sao iguais, uma estah contida na outra...

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 01:48



Comentário de: Andre Carvalho

@Alex:

"nao hah distincao entre 3 e 4 pq sao iguais, uma estah contida na outra... "

Bom, chegamos ao cerne da discussão inicial. 3 e 4 serem iguais é uma conclusão que você chegou, que era justamente o ponto da discussão ontem. Gostaria de ouvir seus argumentos de porque é tão "claro" que 3 e 4 são iguais (isto é um pedido, não uma tomada de satisfação :)), de preferência em outro post, para evitar a poluição dos comentários que apareceu de ontem pra hoje (aliás, vou te contar hein, cada coisa que foi escrita desde a última vez... Parece até o discurso de um encontro neonazi com a kkk... Afinal, "No Brasil, as pessoas são pobres porque são vagabundas, não se esforçam. Se todos se esforçassem, todos seriam ricos e o Brasil seria o melhor país da história")

Gostaria de ver seus argumentos sobre isso. Quem sabe eu mudo de idéia :)

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 04:27



Comentário de: léo

Não, não basta aprender nagô, iorubá, tupiguarani, xerente, rumani, esperanto, interlíngua, isso eu acho pouco, deveria também se introduzir a libra, o alfabeto morse, o braile, e outros códigos internacionais, pois se há conflito nas salas de aula é que os alunos aprendem que o homem branco é superior ao outro, e que outras raças, e que pessoas com anomalias físicas, por exemplo, como o cego, devem ser discriminados, oprimidos e mortos, pois a professora disse assim, no seu discurso imperialista e colonialista de mulé branca. como eu disse eu sou judeu poliglota, e além das línguas do mundo, estudei evidentemente todos os alfabetos do mundo, inclusive os especiais, como o braile, e sou linguista, antropólogo e filólogo internacional, pois eu me correspondo com o mundo inteiro também e esta reclamação vem sempre nas minhas cartas, especialmente quando escrevo para ásia ou áfrica, ou entro em contacto com um deficiente

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 05:29



Comentário de: Cyntiab

Aline,

O povo X( que não deve ser citado aqui, pois, como disse o próprio Alex, pode causar problemas pra ele com a Justiça) não é só uma religião. Eles são um povo, uma "raça" ou etnia E uma religião.

Ou seja, vc pode se converter à religião deles, sim. Mas existem representantes do povo X que são ateus. O Freud, por exemplo, era do povo X e era ateu. Ele não renegava sua origem, muito pelo contrário, mas não acreditava na religião professada pelos seus antepassados, pela sua etnia.

Puxa, Alex, é muito difícil discutir racismo e preconceito no Brasil sem citar o povo X!

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 09:37



Comentário de: Paulo Vieira

Vejamos mais um exemplo, chega em um restaurante um negro e um branco. O negro chega vestido de Armani em uma Ferrari, o branco vestido de calça jeans e camisa de malha em um fusca, você acha que quem será melhor atendido? Eu não tenho dúvidas que será o negro, e vc?


O seu experimento acima é viciado, e não serve como argumento na discussão. Se voce quer provar que a raça do sujeito não influencia, voce tem que manter todas as outras variáveis constantes.

Usar o restaurante também pode influenciar o resultado, porque o garçom tem interesse econômico em tratar todos bem, por conta da potencial gorjeta.
O exemplo perderia o vício se a pessoa atendendo não tivesse nenhum estimulo em tratar bem ou mal o cliente. Por exemplo, um caixa bancário.

Outro fator importante seria a raça do atendente em comparaçao a raça das pessoas.

Considerando isso tudo, o seu cenário deveria ser construído assim:

Duas pessoas vestidas com calças jeans, camiseta branca e tênis identicos entram no banco para pagar uma conta. Os dois chegaram num pálio 1.0. Um deles é negro e o outro é branco.

A agência não está lotada e não tem nenhum gerente mala nem cliente chato buzinando no ouvido do caixa. O caixa está em seu humor normal, não estando estressado. (essa parte é importante para assegurar que o caixa não vai tratar mal toda e qualquer pessoa que cruze a porta rotatória do banco)

Quem é tratado melhor, considerando que o caixa é branco? E se o caixa for negro?

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 10:09



Comentário de: Thiago

Deviam perguntar pro André Matias (é, do tropa de elite) o que ele acha de tudo isso

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 10:25



Comentário de: Baxt · http://www.baxt.net/blog

Caramba, a discussao aqui esta ridicula. Alex, se vc escreveu o post para que concordem com vc, pois bem. O Brasil eh um pais racista.

Na verdade, acho que ninguem discordou disso.

Sobre a "D" (blogdemenina ou algo assim), nao entendi porque vc achou minha pergunta tao ofensiva. Na verdade, isso eh algo que me tira do serio. A mania de impedir as pessoas de perguntar a achar que todas as perguntas sao na verdade uma afirmacao. Repito: foi uma PERGUNTA.

Gostaria de ver pesquisas cientificas serias sobre o assunto.

Eh por isso que esse assunto (racismo) nunca vai para frente. Ninguem tem coragem de fazer as perguntas. De pesquisar. Eu nao estou supondo que negros so querem saber de rede e agua de coco. Eu nao suponho nada, como vou saber? Conheco alguns pretos, alguns brancos, alguns judeus, alguns japoneses. Nao eh uma amostra expressiva para supor nada.

Por favor, pesquisem, em vez de ficar "supondo". Que as pessoas sao racistas e nao gostam de preto e dao os empregos melhores para os brancos a gente ja sabe. Agora eu quero saber por que, e como reverter isso!

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 10:37



Comentário de: Blog Mallmal · http://www.mallmal.blogspot.com

Como já falei lá no comecinho dos comentários, essa série de posts tem um único objetivo. Vender livros (Olha o tamanho do livro do Ali Kamel ali em cima!!! Livro muito bom, por sinal). Eu mesmo já comprei um.

É óbvio que ao chamar todo mundo de racista e fazer um discurso tão maniqueísta e falacioso (anfibolia e declive escorregadio imperam), o Alex quer que as pessoas se sintam ultrajadas e rebatam tal acusação. O debate gera interesse. Interesse gera busca por informações e... GENTE, vocês viram que coincidência??? Tem um MONTE de links de livros pra comprar sobre o tema! hehehehehehehehe

O que está cansando é a insistência no tema. Faz mais de um mês que não vira o disco! Monotonia total, especialmente pelo fator "sexo dos anjos" do assunto escolhido... Pelo jeito as vendas devem estar à toda!

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 11:04



Comentário de: Alex Castro Email

Oi Barbara, tudo bem? ;)

Não entendi bem sua pergunta. O assunto já foi pesquisado a exaustão. Existem trocentas pesquisas científicas a respeito. Não fico citando aqui os estudos pq, afinal, estamos num blog, não? O que vc quer saber?

Recomendo que vc dê uma olhada no meu post sobre os números do racismo, e faça o download do relatório da UFRJ sobre desigualdades raciais:

http://www.interney.net/blogs/lll/2008/11/15/alguns_numeros_do_racismo/

E recomendo esses dois livros, um sobre racismo contra negros no Brasil e outro sobre imigração não-negra não-branca no Brasil (ou seja, japoneses, chineses e árabes). Os dois são interessantes e repletos de números:

http://books.google.com/books?id=YwJoyyXm7ZkC&dq=%22race+in+another+america%22&pg=PP1&ots=cR9sRMLeDv&source=bn&sig=pKJdeRev5DY9tkRnCYxMcSiv1CU&hl=en&sa=X&oi=book_result&resnum=4&ct=result

http://books.google.com/books?id=8g_NduoKW3MC&dq=Negotiating+National+Identity.+Immigrants,+Minorities,+and+the+Struggle+for+Ethnicity+in+Brazil.&pg=PP1&ots=UrPQJRxdQy&source=bn&sig=i0JgL7w8kqJu72jPZsEblp_0fDQ&hl=en&sa=X&oi=book_result&resnum=4&ct=result#PPP1,M1

PS: tem muita gente aqui negando que o Brasil seja um país racista sim - e fazendo argumentos racistérrimos pra provar isso... basta ler os comentários...

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 11:13



Comentário de: Baxt · http://www.baxt.net/blog

Alex,

Obrigada, eu queria exatamente indicacoes de trabalhos e pesqusias. Vou ler os livros que vc indicou, ate porque o assunto eh tao importante que sinto falta de ter uma base mais solida para discutir com pessoas mais chatinhas.

Mas caramba, o ponto eh que eu odeio quando pessoas ou grupos se poem na condicao de vitimas. Sejam mulheres, judeus, negros, brasileiros, etc. O preconceito e o racismo existem, mas isso nao eh razao - na MINHA OPINIAO - para ninguem se colocar de vitima, se jogar no chao e espernear.

ATENCAO, pessoas chatinhas, nao estou dizendo que todos os negros, judeus brasileiros, mulheres, facam isso. Alguns fazem, e eu nao gosto. Opiniao pessoal, oquei?

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 11:20



Comentário de: Alex Castro Email

Leo,

Po, e nao diga que "negros ficaram ainda mais pobres" desde os anos 50. Isso nao eh verdade para o Brasil.

Os dados estão vem do livro "Race in Another America", linkado acima. Dá uma olhada nessa resenha do Elio Gaspari: http://www.sscnet.ucla.edu/soc/faculty/telles/Gaspari.pdf

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 11:23



Comentário de: Alex Castro Email

Bárbara,

Namorada (copyright Barbara Axt, mas vou passar a usar pra mim), enfim, Namorada acha que as pessoas negam tanto o racismo por desconhecer sua realidade. Ela também era meio assim, até eu começar a lhe dar uns livros sobre escravidão e ela perceber a pauleira que foi. Ela tb é branquinha, olhinho claro, familia rica, não experimentou isso. Quem conhece o racismo de ouvir falar não sabe a pauleira que é ser vitima, isso mesmo, vitima disso todo dia.

E o pior de ser vitimizado todo dia, consistentemente, em casa, na escola, no trabalho, na rua, é que começa a introjetar isso e começa a se sentir como vitima, e isso é horrível.

Mas é impossível ler a história brasileira com cuidado, pesquisar o racismo com cuidado, ouvir os casos escabrosos de racismo diario com cuidado, e nao concluir q o negro é a grande vitima do Brasil...

Eles não se fazem de vítimas, eles são vitimados mesmo....


PermalinkPermalink 18.11.08 @ 11:30



Comentário de: Alex Castro Email

Mallmal

Ai, criança. Você é meio distraindinho, né? Todos os posts desse blog tem mil links de livros sobre o tema do post. É assim que eu pago meu aluguel...

Agora, se o assunto não está agradando, link externo serventia do blog...

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 11:32



Comentário de: Victor Barone · http://escrevinhamentos.blogspot.com/

Mais uma digna de nota, desta vez da leitora D. • (http://historiasdemenina.wordpress.com)
Diz ela: “Alex, eu consigo rir de alguém que chama os negros de racistas pq usam uma camisa 100% negro.“
Tenho certeza que você não riria vendo alguém usando uma camiseta 100% Branco...

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 11:40



Comentário de: Baxt · http://www.baxt.net/blog

Mas calma, eu nao disse que nao sao vitimas. Acredito que os negros sao vitimas no Brasil sim. Mas pelo menos na minha opiniao, a maneira de vc sair dessa posicao de vitima eh nao se comportando como vitima.

Posso falar do preconceito contra mulheres (ja que sou branca, classe media alta, bla bla bla, e nao posso falar de raca). Esse preconceito existe para caramba, mas eu posso me fazer de coitadinha ou lutar contra ele. Acho a segunda opcao mais digna.

Vc entendeu que eu nao tou questionando o racismo? Tou questionando porque ele existe. E o que fazer a respeito. No Brasil eu nao vejo preconceito contra arabes (se existe, nao eh nem perto do que eh contra negros). Aqui na Inglaterra, ele eh bem forte. Por que a diferenca?

Esses assuntos tem que ser questionados e esmiucados, ate a gente conseguir resolver.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 11:43



Comentário de: Alex Castro Email

Barbara,

vc pode falar do que vc quiser, juro. Só estou dizendo que pra entender de racismo, vc vai ter que pesquisar, ou conversar com quem sofre, pq vc nao vai *ver* nem *sentir*...

A questao eh que eh dificil nao se comportar como vitima enquanto se eh vitimizado todo dia. eh como vc dizer para uma vitima de estupro que o melhor modo de ela nao ser mais estuprada é ela parar de se comportar de forma tao "estuprável"....

a gente já teve 120 anos de tentar fingir que racismo não existe, e aparentemente nao deu certo... está na hora de tentarmos uma outra alternativa...

brancos imigrantes, árabes, japoneses, chegam no Brasil e em duas geracoes já estão (como disse um) lotando as universidades não pq o racismo não existe (como disse outro) mas pq o racismo brasileiro não é voltado contra eles, ue. as razoes sao historicas. na australia, que nao tem negros mas tem muito chines imigrante lavando privada, o preconceito racial é contra o chines, nao contra o negro... etc

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 11:56



Comentário de: Alex Castro Email

Vitor,

Diz ela: “Alex, eu consigo rir de alguém que chama os negros de racistas pq usam uma camisa 100% negro.“
Tenho certeza que você não riria vendo alguém usando uma camiseta 100% Branco...


É risível mesmo alguém chamar de racista a camisa "100% negro", pois é um gesto de revolta, a celebração de uma identidade subalterna tentando se afirmar contra todas as desvantagens inerentes no sistema. É uma atitude inerentemente anti-racista.

E com certeza não tem nada de engraçado em alguém usando uma camiseta "100% branco", um gesto no mínimo ignorante, profundamente racista, insensível e de mau-gosto, ao mostrar quem está por cima celebrando sua hegemonia.

O post que escrevi sobre isso está aqui:
http://www.interney.net/blogs/lll/2008/04/16/ser_da_raca_certa_parte_ii_de_iv/

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 12:01



Comentário de: Baxt · http://www.baxt.net/blog

Eu nao disse que era facil nao se comportar como vitima. E acho que o seu exemplo do estupro nao tem nada a ver com o que eu quis dizer. So disse que tem gente que age de uma forma revanchista que so aumenta a polarizacao. Tem branco que sofre preconceito de negro. Vc pode ate argumentar que eh justo. Mas nao ajuda, so cria mais polarizacao, mais raiva de um pelo outro.

Enfim. Esse eh um assunto infinito, teria muito mais a dizer mas acho melhor ficar por aqui. Abracos!





PermalinkPermalink 18.11.08 @ 12:07



Comentário de: Alex Castro Email

Barbara

Eu nao disse que era facil nao se comportar como vitima. E acho que o seu exemplo do estupro nao tem nada a ver com o que eu quis dizer. So disse que tem gente que age de uma forma revanchista que so aumenta a polarizacao. Tem branco que sofre preconceito de negro. Vc pode ate argumentar que eh justo. Mas nao ajuda, so cria mais polarizacao, mais raiva de um pelo outro.

mas veja só. o que vc está falando é muito problemático. se vc admite que uma pessoa ou um grupo é vítima de algo, ou seja, que sofre um crime ou uma agressão contra ela, e ao mesmo tempo você diz que eles não podem ou não devem se comportar como vítimas (ou seja, reclamar e exigir punicao dos culpados), pq seria revanchismo, ou pq criaria mais raiva, entao vc está de fato culpando a vítima, vc está vitimizando ele de novo.

O cara é vitimizado uma vez pela agressão inicial e é vitimizado de novo, quando tenta reclamar e mandam ele calar a boca, nao se comportar como vitima, nao ser revanchista, nao gerar raiva.

Isso é o que muitas mulheres se sentem quando sao estupradas. Elas se sentem violentadas por seus agressores e, depois, mais violentadas ainda por todo mundo que fala pra ela deixar disso, que meninos sao assim, que foi ela que pediu, que nao deveria estar usando aquela saia, etc.

usando suas palavras, vc tb poderia dizer que uma vitima de estupro que se comporta como vitima e busca punir seu estuprador está sendo revanchista.... que besteira, minha filha... deixe de revanchismo... o passado é passado... assim vc só vai fazer ele ficar com raiva de vc...

mas e daí? eu tb ficaria com raiva se tentasse vitimizar alguem, discriminar alguem, estuprar alguem, e o safado, ao invés de aturar quieto e ficar calado, fosse causar o maior rebu, viesse reclamar, tentasse me punir...! claro que eu ficaria com raiva de uma vitima dessas que nao sabe o seu lugar... claro que a vitima lutar contra o crime é uma forma de revanchismo e gera raiva no agressor...

eu me pergunto é se isso é uma coisa ruim, ou se essa raiva não é um indicador de que as coisas estao funcionando...

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 12:21



Comentário de: Monix · http://duasfridas.wordpress.com

Bem, é realmente difícil entrar nessa discussão, já que os argumentos seguem em direções tão diversas... Mas para o pessoal que está comparando japoneses e judeus aos negros (no caso específico do Brasil), vai só uma pergunta: vocês percebem a diferença entre IMIGRAÇÃO e ESCRAVIDÃO, certo? Acho que é um bom começo para botar o raciocínio que se segue em seu devido lugar.
Bjs

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 12:47



Comentário de: Baxt · http://www.baxt.net/blog

Pombas, Alex, mas e aih? Onde isso vai acabar?

O que eu quero dizer eh mais ou menos o seguinte, nao sei se vou conseguir explicar. Existem homens machistas que acham que mulher eh uma "coisa". Ja trabalhei em um lugar cheio de homens assim.

Eu posso reagir a isso achando que todos os homens sao um horror e tendo odio deles. Ou eu posso lembrar que existem homens legais e outros babacas, e simplesmente exigir respeito.

Eu tive um chefe que ofereceu um "bonus pro primeiro da equipe que me comesse." Eu so soube disso meses depois, eh logico. De acordo com o seu raciocinio, eu deveria fazer todo o esforco possivel para ferrar ele, do mesmo jeito que ele me ferrou (e me ferrou de fato, o ambiente naquele lugar era horrivel e me prejudicou em varias coisas). Mas sei la, deixa ele, eh um babaca mesmo. Hoje eu sou mais forte e mais esperta, soh isso.

Por outro lado, acho que as pessoas devem combater anuncios de cerveja que mostram mulheres como coisas (como sao os anuncios no Brasil). Porque isso eh uma atitude pratica. Ou ensinar as maes de meninos que eles devem ser tratados da mesma forma que as meninas.

E nao querer que a proxima geracao de criancas inverta a situacao, colocando os meninos para lavar louca enquanto as meninas jogam videogame. Isso seria revanchismo. Acho sinceramente que devemos tomar atitudes positivas, que ajudem a sociedade a melhorar, e nao criar mais odio ou polarizacoes.

Uma camiseta 100% negro para mim eh revanchismo. Primeiro porque eh imbecil, ja que ninguem tem como saber se eh 100% negro ou branco. Segundo porque se uma camisa 100% branco seria uma coisa agressiva e patetica, porque a 100% negro nao eh? Por que o negro eh uma vitima, coitadinho? Isso eh "patronising", na minha opiniao. O que vale para um devia valer para outro.

(mas enfim, minha opiniao nao importa, ja que eu nao concordo com o povo aqui...)

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 12:47




E ninguém lembra que os negros nos EUA só alcançaram o que alcançaram, sendo 13% da populaçao e com uma visibilidade INCRIVELMENTE superior a que os negros do Brasil tem PORQUE protestaram duramente, até violentamente, contra o racismo institucionalizado.

Aqui a gente NEM pode reclamar. NEM pode dizer que temos sido vitimizados.

Porque isso só vai gerar ódio. Essa situaçao de calma, paz e tranquilidade a quem interessa?

Tem uma música d'O Rappa que diz "paz sem voz nao é paz, é medo".

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 12:56



Comentário de: Alex Castro Email

Barbara

Eu já coloquei num comentario pouco acima do seu o que eu penso dessas camisas e meu post sobre isso.

A situacao que vc enfrentou no trabalho é séria. Em qualquer lugar do mundo, vc tem direito de processar esse chefe e essa empresa. Se vc quiser decidir nao fazer isso, tudo bem. Mas acho que seria muito insensivel da minha parte chegar pra vc, que *passou* por isso, e dizer que é besteira, pra vc esquecer isso, que nada!, nao se comporte como uma vitima na empresa, é só uma brincadeira entre amigos, etc etc.

se é crime e se é seu direito processar a empresa, entao a escolha é sua... ninguem está propondo um ataque a todos os homens, ou mesmo a todos os homens da empresa, ou raiva e revanchismo contra todos os homens, mas somente contra o babaca em questão....

eu só nao entendo pq vc acha que as vitimas de crimes, seja assedio sexual ou racismo, nao reclamarem e ficarem quietinhas é uma atitude positiva que faz do mundo um lugar melhor...

eu diria que torna o mundo um lugar pior, onde agressores (como o seu chefe) confirmam mais e mais que podem fazer o que bem entendem e nada acontece...

levado ao extremo seu argumento, talvez devessemos abolir a policia e os tribunais, pois cada vez que uma vitima procura justica isso gera mais conflito... na verdade, duplica o conflito! o crime jah aconteceu, infelizmente, é passado... pq criar um novo conflito? nao é melhor a vitima ter uma atitude positiva e esquecer tudo?

ou entao, talvez a gente devesse fazer uma lista de crimes que a vitima pode reclamar e que nao pode... olha, se vc assim for roubado ou assassinarem alguem da sua familia, vc pode reclamar, agir como vitima, buscar justiça, ser "revanchista" contra o criminoso... se vc for vitima de estupro, assedio sexual ou discriminacao, ahh, serio, esquece, tenha uma atitude positiva, menina!, que besteira isso de se comportar como vitima....!, bola pra frente!

barbara, eu juro q te adoro e nao to zoando de vc, mas soh quero te mostrar que esse seu argumento é perigoso e até onde ele leva....

nosso sistema juridico e filosofico (q alias é cheio de defeitos) tem como base que cada crime deve ser punido... se vc comeca a criar um grupo de crimes cujas vitimas nao devem reclamar, ou que nao eh bom que reclamem, isso já fode tudo.... como vamos distinguir os crimes cujas vitimas podem reclamar sem ninguem achar feio e os crimes cujas vitimas devem ficar quietinhas e ter uma atitude positiva nao-revanchista?

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 13:15



Comentário de: Baxt · http://www.baxt.net/blog

Ai meu deus, eu sabia que minha resposta ia complicar tudo...

O que eu quero dizer eh o seguinte: eu nao quero ser maltratada por nenhum negro revanchista porque o meu tataravo escravizou o tataravo dele! Eu nao tenho nada a ver com isso!

Se eu for racista com ele, brigue comigo, me processe. Se eu nao for, nao me encha o saco.

Aqui em Londres ja vi umas duas vezes uma pessoa negra fazer alguma coisa errada (furar fila, jogar lixo no chao, essas besteiras) e quando chamada a atencao, dizer que eh racismo. Nao eh racismo, vc fez uma coisa errada! Pessoas brancas tambem fazem coisas erradas e ouvem reclamacao! Nessas situacoes sempre tem uma outra pessoa negra que nao tem nada a ver com a situacao morrendo de vergonha. Agora me explica: esse tipo de situacao beneficia a quem?

Quando eu vou no Home Office e a atendente negra me atende de ma vontade e soh sossega quando ve que meu marido nao eh branco, concluindo entao que eu nao seja nazista? Eu fico puta com essas situacoes.

(Sobre o tal babaca, concordo o fato de eu nao fazer nada so perpetua a situacao. Mas eu nao posso fazer nada. Eh a minha palavra contra a dele, e quem ia sair prejudicada nessa historia seria eu, nao ele. Entao eu acho melhor nao pensar muito no assunto para nao me irritar, e usar o que eu aprendi para tentar conscientizar outras pessoas.)

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 13:32



Comentário de: Thiago

"O cara é vitimizado uma vez pela agressão inicial e é vitimizado de novo, quando tenta reclamar e mandam ele calar a boca, nao se comportar como vitima, nao ser revanchista, nao gerar raiva."

Existem protestos e protestos.

Se eu só sei falar "mimimimi sou um coitado, sou oprimido, mimimimi" aí é desculpa, é choramingação e vitimismo. Entrar com recurso jurídico, por exemplo, seria diferente, e adequado (sempre tem o pessoal do deixa disso, mas enfim)

Agora que tal fazer diferente?

Que tal uma entidade que ofereça assistência jurídica a quem sofre de preconceito? Que tal ter programas de incentivo ao emprego de negros? Se o racismo é tão permeador e dissimilado, seria bom que o 'anti-racismo' esse sim fosse explícito.

E com certeza tem lugares do país menos preconceituosos do que o RJ, ah com certeza.

"PORQUE protestaram duramente, até violentamente, contra o racismo institucionalizado."

Bom, contra algo institucionalizado tem que protestar mesmo, não tem jeito.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 13:39



Comentário de: Thiago

"nosso sistema juridico e filosofico (q alias é cheio de defeitos) tem como base que cada crime deve ser punido... se vc comeca a criar um grupo de crimes cujas vitimas nao devem reclamar, ou que nao eh bom que reclamem, isso já fode tudo"

Pois é né, ainda bem que isso não existe no RJ.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 13:40



Comentário de: Alex Castro Email

o assunto eh complicado mesmo, barbara, mas o bottom line eh que acho que ninguem tem direito de te dizer que vc nao DEVE ou nao PODE processar o seu chefe escroto.

o que ele fez eh crime tipificado na lei, a vitima foi vc, quem sofreu na pele foi vc, quem sabe o peso e o custo disso na sua vida é vc, a decisao é sua. ninguem a nao ser vc tem como mensurar isso. seria muito canalha e insensível alguem sentar ao seu lado e te falar pra deixar disso, pra ser positiva, pra nao ser revanchista, e pra nao fazer nada pq ele pode ficar com raiva de vc....

é só esse o meu ponto. quem sabe da ofensa eh o ofendido.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 13:41



Comentário de: Alex Castro Email

Thiago, eh isso mesmo. o sistema eh todo podre - mas pelo menos a teoria é bonitinha... na pratica, a gente sabe que morre uma menininha pretinha, nem aparece no jornal... se for loirinha de olhos azuis, rende uma semana de manchetes... existem crimes e crimes, vitimas e vitimas...

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 13:44



Comentário de: Alex Castro Email

Se eu só sei falar "mimimimi sou um coitado, sou oprimido, mimimimi" aí é desculpa, é choramingação e vitimismo.

hmm.. talvez eu esteja andando na turma errada... pq eu nao conheco ninguem assim... mas conheco muitas pessoas muito revoltadas e cheias de raiva e dispostas a exigir seus direitos e enfrentar o sistema... nenhuma delas choraminga: elas gritam, gritam alto e, pelo contrario, assustam muito.

seria tao mais facil se elas ficassem choramingando nos seus cantos, fazendo mimimi buá-buá, sendo positivas e nao-revanchistas, mas parece que mudaram de tática, infelizmente!

alias, pelo visto, isso é justamente o que parece assustar tanto os leitores do blog...

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 13:48



Comentário de: hardy

A comparação com estupro é uma extrapolação inadequada. Quando você diz "eh dificil nao se comportar como vitima enquanto se eh vitimizado todo dia" você está dizendo que pessoas negras sofrem um ou vários estupros diários? Acorda, vai à escola pública, estupro. É desdenhado numa loja, estupro. Não consegue um emprego, estupro. É chamado de nêgo, estupro. Volta pra casa, não vê negros na novela, estupro. Acho que não, né? Pausa para refletir.

Me parece que você vê racismo muito simplesmente como 'obstáculos'. A comparação correta (mas muito menos dramática), portanto, seria com as mesmas dificuldades cotidianas que as mulheres enfrentam (cada vez menos, assim como os negros): menos acesso a instrução, mais limitações no mercado de trabalho, desconfianças quanto a sua capacidade, piadas de mau gosto, etc, etc. O simples caminhar da história e um movimento feminista muito mais assertivo do que lamentoso, muito mais voltado pro futuro do que pro passado, muito mais "vou atrás" do que "não me deixam", dão conta de mudar as coisas de dentro pra fora. Vitimização e políticas de reparação podem trazer uns frutinhos a curto prazo, mas a longo prazo não mudam nada, porque não caminham na direção da igualdade. Muito pelo contrário, precisam afirmar e reafirmar a desigualdade pra poderem sustentar sua existência.

O Brasil não tem racismo *institucionalizado*, façam-me o favor. Cadê nossos bebedouros separados, casamentos inter-raciais proibidos, lugares públicos segregados? Cadê nosso apartheid, nossas políticas públicas racistas? Isso seria *racismo institucionalizado*, sejamos mais precisos. A lei brasileira inclusive PROTEGE os indivíduos contra racismo e discriminação. São crimes. Já seria um avanço pensar menos com o coração e mais com a cabeça.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 13:55



Comentário de: Baxt · http://www.baxt.net/blog

Alex e Thiago,

Quando estamos falando de casos claros e objetivos, nao tem o que discutir. Se alguem foi abertamente racista ou preconceituoso, vc tem o direito de ir lah e processar, ou reagir.

Outra coisa eh ser revanchista em geral, ser mulher e ter raiva de homens, ser preto e ter raiva de brancos. Ou ser um revanchista que choraminga e faz "mimimi" como disse o Thago. Isso nao ajuda em nada.

Ninguem pode me dizer se eu devo ou nao processar aquele mane (nao, nao posso, sejamos praticos). Mas e se nao fosse uma frase especifica de uma pessoa especifica? Se fosse o machismo generalizado no mundo? Contra quem eu vou reclamar? Quem eu vou processar?

Ninguem! Nao tem quem processar, por isso nao adianta bancar a vitima! O machismo existe, e o que eu posso eh tentar evitar que ele fique mais forte. Prestar atencao nas pequenas atitudes do dia a dia e exigir respeito. Ser PRATICA, e nao virar uma criatura raivosa e reclamenta. (agora substitua "machismo" por "racismo" e entenda o que eu quero dizer)


PermalinkPermalink 18.11.08 @ 13:55



Comentário de: Thiago

"na pratica, a gente sabe que morre uma menininha pretinha, nem aparece no jornal..."

Como a Eloy??

"mas conheco muitas pessoas muito revoltadas e cheias de raiva e dispostas a exigir seus direitos e enfrentar o sistema..."

Wow, revoltas e gritos, nossa! Vamos fazer barulho! Passeata! Pra mim é choramingação do mesmo jeito. (Já o exigir os direitos é importante)

E olha, não é privilégio de nenhuma raça, classe social, sexo, infelizmente.

Mas vá, notícias fresquinhas sobre o assunto

http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL866241-5606,00-DUDU+NOBRE+E+ADRIANA+DAO+QUEIXA+DE+RACISMO+CONTRA+COMISSARIO+DE+BORDO.html

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u468918.shtml

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 14:02



Comentário de: Baxt · http://www.baxt.net/blog

Gritar e gritar alto, Alex, nao eh nada mais que se fazer de vitima. Reclamacoes objetivas, reacoes especificas a atitudes racistas, isso sim pode mudar as coisas.

Se vc disser o que, de objetivo, as pessoas que vc conhece estao fazendo (essas, as que gritam alto), ai talvez eu possa entender.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 14:17



Comentário de: Baxt · http://www.baxt.net/blog

Soh mais uma coisa (eu jah devia ter calado a boca ha tempos)

Vc diz: "alias, pelo visto, isso é justamente o que parece assustar tanto os leitores do blog..."

Nao posso nem comecar a entender como "assustar" pessoas pode ser uma boa parte dessa historia. Entao eh bom que brancos tenham medo nos negros, "soh para variar"? Ou "para ver o que eh bom para tosse?"

Eu nao QUERO que os negros se deem mal. Para grande parte dos branco nao eh BOM que os negros sejam prejudicados.

Do jeito que vc e algumas pessoas aqui falam parece que os brancos passam o dia inteiro pensando em como ferrar os negros, que isso melhora a nossa situacao, por alguma razao, quando nao eh nada disso. A maior parte dos heterossexuais nao passa o dia pensando como vai ferrar os gays, ou os homens como vao dominar as mulheres. Nao existe uma INTENCAO de ferrar ninguem, na maioria dos casos (nao todos, eh logico).

O que eu ganho com um monte de negros pobres por ai? NADA ora bolas, o que eu poderia ganhar? Queria que todos tivessem bons empregos, assim como os brancos tambem, para nao existirem pobres ou gente sofrendo no mundo. Se todas as pessoas de todas as cores tivessem uma vida boa, nao haveria crime ou desigualdade. Nao seria melhor para MIM?

Eu hein, que ideia perversa, achar que (a maioria dos) brancos querem manter os negros no seu lugar por alguma razao... Se existe essa razao, me explique porque eu sou muito ingenua.


PermalinkPermalink 18.11.08 @ 14:29



Comentário de: Alex Castro Email

barbara, o primeiro e principal trabalho é de conscientização.

não se resolve um problema endêmico em um país que vive sob a ilusão de que ele não existe, ou tomado por uma ideologia do "deixa disso" que prega que, se não fizermos nada e nao falarmos nada, o problema some... infelizmente, se essa tatica nao funcionou nos ultimos 100 anos, nao vejo pq funcionaria nos proximos 100...

como o racismo no brasil é velado e estrutural, mas nao eh institucional, nao existe nada que possa ser *feito*... mais e mais leis que nao serao seguidas nao ajudam ninguem.... nao existem organizacoes racistas contra quem lutar, nao existem leis segregacionistas pra derrubar... e apesar disso, o racismo eh endemico, terrivel, fortissimo - e, para quem nao o sofre na pele, invisivel... a unica solucao eh tentar educar a populacao de que o problema *existe* e que eh obrigacao de todos ajudar a resolve-lo...

a principal tarefa dos militantes negros é justamente pedagógica e informativa. eu nao sei quanto aos outros, mas estou fazendo minha parte com essa serie de posts, que já convenceu muita gente (inclusive eu) que o racismo é um problema muito, muito maior do que eu imaginava...

engraçado que o melhor livro sobre racismo no Brasil, aquele que lhe indiquei, começa afirmando que hj ninguém mais acredita na ideologia racial, que todos os brasileiros sabem que o racismo é um grande problema, etc, mas o autor foi muito muito otimista....

toda essa serie de posts comecou com um post inocente meu, sobre o uso da expressao "nego", que eu *achava* que era inocente mas que os proprios comentarios dos meus leitores (dizendo que era!) me convenceram que nao era...

eu nunca, nunca imaginei que o Brasil fosse um pais tao racista, ou que o problema fosse tao serio. como disse a dani, algumas coisas ditas nessa caixa de comentarios sao de embrulhar o estomago, de fazer chorar...

mas acho importante serem ditas pq, assim como eu, muitos leitores estao percebendo, através dos comentários, que o brasil é um pais mais racista do que eles imaginavam, que o problema é mais serio do que pensavam...

criar essa conscientização é a minha parte nessa luta.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 14:36



Comentário de: Thiago

"não se resolve um problema endêmico em um país que vive sob a ilusão de que ele não existe"

Talvez seja porque em cada região o problema é diferente, se apresenta de uma maneira diferente e com intensidades diferentes.

Você já explicou várias vezes aqui como é a coisa no RJ.

Será que é da mesma maneira em Recife? Manaus? Salvador? Curitiba? Porto Alegre?

Não digo que não existe, mas sorte minha que nunca vi discriminação em empresas/escolas que trabalhei/estudei (tive colegas de trabalho negros sim, trabalhando na mesa do lado, com o mesmo cargo, tive professores e colegas de faculdade negros).




PermalinkPermalink 18.11.08 @ 14:52




As pessoas que gritam, e gritam alto, sao as que conseguiram que um Estatuto da Igualdade Racial fosse criado, sao as mesmas que conseguiram que cotas raciais fossem implantadas. E, indo mais longe, as pessoas que falam a respeito conseguiram produzir perólas como Navio Negreiro e Vozes da África.

Mas se vcs acham que DISCUTIR o assunto nao provoca reflexao, nao muda mentalidade e que é mudando a mentalidade que conseguimos mudança de atitudes, aí realmente...fica difícil.

Nem sei qual o sentido de toda essa discussao aqui.

Aliás, a mesma coisa que se diz do MN já se falou, a seu tempo, do movimento feminista. E, veja você, hoje eu sei ler e escrever.

Respeito quem acha que a melhor maneira de lutar é ficar caladinho pq "se falar demais, eu sou quem mais tem a perder". Mas acho que outras formas de resistência (a de quem acha que tem que falar, gritar e reclamar) devem ser respeitadas.

E quem nao quer ajudar, faz favor de nao atrapalhar e - principalmente - nao encher o saco. A gente agradece :)

E sobre os brancos que nao querem ferrar com os negros, Martin Luther King já disse que "o que mais me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons".

Nao reclamar qdo, de alguma forma, mesmo que nao planejada, a situacao resulta confortável pra vc é muito, muito fácil.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 14:53



Comentário de: Diogo Slov

Não sei se alguém já mencionou, porque eu me perdi, mas parece que não. A condição dos japoneses no Brasil é relacionada ao preconceito contra os negros. Calma...

Depois da Abolição tinha aquele papo de deixar o Brasil mais branco. Com isso trouxeram hordas de italianos pro Brasil.

O Império também cogitou trazer outra mão de obra barata pra substituir os negros nos cafezais: chineses. Teve um histórico de maus-tratos aos chineses e esse programa foi abortado ainda na fase experimental.

Mas o Japão estava passando por problemas internos (população crescendo, poucos recursos, terremoto em Tokyo no começo do XX), estavam em situação parecida com a da Itália em termos de precisarem se livrar de gente e passaram a estimular a emigração. Dois dos meus avós vieram do Japão: minha avó veio do sul e plantou café até os 18 anos, meu avô veio do centro e foi ser tintureiro na Liberdade.

Esse movimento migratório se encaixava com a necessidade do Brasil de não querer contratar os negros para trabalhar nas mesmas lavouras de café em que trabalhavam como escravos. Taí uma das raízes da marginalização do negro no Brasil.

Sobre a educação em si, ela tem um valor muito forte para o asiático. Não sei como é em outras famílias, mas na minha casa era quase uma coisa protestante: "só o estudo salva". Não fiz faculdade pública e eu podia contar nos dedos a quantidade de gente de olhos puxados que eu via na minha faculdade (PUC-SP), ao contrário da turma de amigos da minha namorada (USP), por exemplo.

No mais, Alex, um palpite que eu te dou é você dar uma olhada na vida do Senador Vergueiro. Parece que ele chegou a libertar negros antes da abolição, contratá-los para trabalhar em suas lavouras de café, etc etc. Pelas datas, acho que foi senador no fim do segundo império. E salvo engano, a Rua Vergueiro na zona sul de SP (7km de extensão) é a antiga fazenda de café dele.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 14:58




bom, a paráfrase é minha pq o que ele disse exatamente foi:

"O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons"

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 15:03



Comentário de: Baxt · http://www.baxt.net/blog

D, querida, se eu tou te enchendo o saco, nao leia.

Alex, oquei, eh importante conscientizar as pessoas qde que o racismo existe. Mas se ele nao eh institucional, sera que solucoes institucionais vao resolver o problema?

Aqui em Londres eu pego o metro com negros bem vestidos, trabalho com (poucos) negros dentro do mesmo escritorio. No Brasil, eu so via negro como garcom, faxineiro, motorista. O Brasil eh assustadoramente racista sim.

Mas aih vem uma pessoa como essa D, que parece ser uma chata. Muita gente que tem um pezinho no racismo ouve esse discurso militante, chato e reclamento e se convence: "eh, esses militantes sao uns pentelhos mesmo".

Nao estou dizendo que todo militante seja chato, mas alguns sao um pe no saco. O que a D fala pode ate estar certo (e a maioria do que ela disse faz sentido, de fato). Mas que discursinho.

Eu nao tenho que ser acusada de nada! Eu nao escravizei ninguem, eu nao chamo ninguem de macaco, nao dou o direito de ninguem dizer que eh "conveniente" para mim manter o racismo, ou que eu tou atrapalhando. Conveniente por que, cara palida?

Afe, que saquinho.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 15:08



Comentário de: Dana

Em relação ao comentário do Márcio Gonçalves, sobre o serviço público no DF, olhem os dados de um artigo de hoje (18/11)no Correio Brazliense: http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_1/2008/11/18/noticia_interna,id_sessao=1&id_noticia=49701/noticia_interna.shtml
Na última frase da reportagem ele fala: "Na outra ponta, dentre os funcionários públicos com ensino superior, 45,7% eram negros e 54,3% não-negros."

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 15:15



Comentário de: Cassio

Acho estranho esse racismo etéreo, "velado", que se propaga sem propaganda, que se aprende sem ninguém ensinar, que todos afirmam não praticar, condená-lo até, mas ser de prática geral que ninguém vê. Que a gente pega respirando o ar. Que está nas "estruturas", como átomos cuja existência só são confirmadas pelos seus efeitos, por métodos indiretos de verificação, quando em outros lugares é só ver como uns tratam os outros.

A gente tem o país mais miscigenado do mundo - brancos odeiam negros mas são capazes de casar e ter filhos uns com os outros como em nehuma outra terra. Não existe um grupo sequer que se reúna pra promover a superioridade branca, ou pra atacar a inferioridade negra. Não há publicações - não venham falar de grupelhos insignificantes sem qualquer apoio. Não há nem foram propostas em um século leis que desfavoreçam negros (pelo contrário, e aliás elas são a única manifestação de racismo institucional aqui). Não há manifestações públicas orquestradas. Qualquer ação - sempre individual e pontual - de desprezo pela cor da pele é repudiada com estardalhaço por todos (como no caso do zagueiro Antônio Carlos). Posicionem-se a favor da discriminação racial em um grupo, numa festa, num bar ou em sala de aula e imaginem qual seria a reação.

Mas assim mesmo somos racistas - por dentro todos concordamos, mesmo que não saibamos, somos hipócritas. Porque a tese do Brasil racista é a única explicação possível - pra quem descartar as outras possibilidades - pra situação econômica de negros, e isso prova nosso racismo, mesmo que eles tenham partido de um ponto muito inferior na história do país. Como disse um intelectual, cito de memória, combatendo uma das teorias de Marx, pra provar a tese de que só há bolas vermelhas numa sacola, retira-se dela previamente todas as de outras cores.

Engraçado, mas os únicos que eu vi abertamente serem humilhados foram os CDFs que acabaram entrando nas melhores universidades (e eu estudei com negros em escola do estado). Vi um até apanhar e ir parar no hospital porque tinha passado direto de ano (a gente tinha 11 anos!). Mesmo então que negros fossem ostensivamente depreciados, não é esse fato que justificaria uma situação sócio-econômica, já que ela não foi suficiente pra deter o outro grupo. De forma sutil, como se acusa, então teria um efeito ainda menor. Questão de lógica: eles fizeram os mesmos testes, receberam a mesma aula.

Quando dói no bolso, quando se trata de querer resultados, as pessoas querem competência, não cor da pele. Como boa parte dos negros é pobre, e a educação a que eles tiveram acesso é péssima, e como o esforço extra em educação é raro (em todas as classes sociais), as coisas estão como estão, grande parte não está preparada pra assumir trabalhos mais complexos, que remuneram melhor. Vejam a ascenção dos orientais, que são a exceção - é dedicação, é sacrifício com olho no futuro. Eles vão ganhando as melhores vagas porque se prepararam pra isso (e chegaram ao Brasil com uma mão na frente e outra atrás), não porque sofrem racismo a favor. E se sofressem, só a competência os sustentaria em suas vagas ou lhes garantiria promoção.

O discursos da vítima e da identidade racial deve ser substituído pelo do esforço pessoal. Porque o primeiros são injustos, contra-produtivos e acirram rivalidades, como os estudos do professor negro Thomas Sowell mostram.

É claro que há racismo. Há em todos os países. Mas o racismo de uns poucos não faz desse um país racista. Já temos muitos defeitos pra levarmos injustamente mais um. Queria era ver apontado um país menos racista que o nosso.



PermalinkPermalink 18.11.08 @ 15:20



Comentário de: hardy

Obrigada, Cassio, por esse comentário.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 15:31




é conveniente por exemplo, Barbara, nao ter que dividir as vagas das universidades com os negros. Nao por acaso muitos protestos contra cotas raciais eram num tom "roubaram a minha vaga" e coisa do tipo. Pq as vagas tinham dono e eram todos brancos. E é sim muito conveniente ir pra uma entrevista de emprego sabendo que se vc for o único branco entre os candidatos a chance da vaga ser sua cresce apenas porque vc tem "boa aparência". Só pra citar dois exemplos.

Se o racismo nao fosse de algum modo conveniente para alguém, nao duraria tanto tempo.

E isso pra mim é bastante óbvio.

Ah, e eu leio sim. E discordo. E você me acha chata e eu acho que vc enche o saco. Achar ainda é um direito. Concorde eu ou nao com o que vc acha :)

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 15:55



Comentário de: Marcio E. Goncalves

Dana,

Obviamente que para se chegar a esse numero eles calcularam os "pardos" como negros, o que eh uma bobagem que esta invalidando - para qualquer um com um minimo de nocao - todas as pesquisas sobre o assunto no Brasil.

Tenho certeza que se olharmos 45,7% de "negros" vamso ver que a maioria eh de pardos (e muitos deles nao mesticos com negros).

Se por um lado pessoas como a D. acham que distorcer as estatisticas impondo uma classificacao norte-americana aqui fortalece o movimento negro, por outro tal acao pode ter um efeito inverso e deleterio ao movimento negro: usando o numero de pardos mais negros e classificando todos como "negros" vc pode maquiar as estatisticas e mostrar que os negros estao em melhor situacao do que estao na realidade.

Pois o preconceito e racismo contra o "pardo" (aspas pois esse eh um termo irreal por si so, que so existe pro IBGE, nao no dia-a-dia) nao eh o mesmo que o contra o negro.

Ex: Dado o meio profissional dos meus pais, sempre convivi com Delegados, Advogados, Juizes, etc... Tem "pardos" (mulatos, caboclos, etc...)ai? Sim, um monte, diria metade ou mais, apesar de varios se classificarem como brancos. Tem negros? Da para contar nos dedos.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 15:58



Comentário de: Thiago

"é conveniente por exemplo, Barbara, nao ter que dividir as vagas das universidades com os negros"

Prova é cega, não vê a cor, sexo ou religião de quem está preenchendo (ainda bem, diga-se de passagem), ao contrário da entrevista de emprego.

O que não quer dizer que cotas não sejam uma boa. Mas o problema tem que ser corrigido cedo, no primeiro, segundo grau.

E o vestibular é fichinha perto do resto da universidade.

"Se o racismo nao fosse de algum modo conveniente para alguém, nao duraria tanto tempo."

Nunca atribua a malícia o que pode ser explicado pela estupidez.


PermalinkPermalink 18.11.08 @ 16:16



Comentário de: Marcio E. Goncalves

D.

Primeiro deixa eu dizer que sou a favor de cotas (apesar de por razoes provavelmente diferentes as suas).

Mas achar que todo mundo que critica as cotas eh um racista safado com raiva por ter perdido seu privilegio eh uma bobagem.

Como nunca eh demais dizer, o Brasil nao eh so o RJ ou Bahia.

Como ja disse em outro post, em Curitiba ha uma grande quantidade de pessoas pobres brancas (loiras, olhos azuis, mais brancas que o dito "branco" no resto do pais), em geral descendentes de poloneses (mas tambem alemaes, ucranianos, etc...)

Quando essas pessoas com muita dificuldade conseguem chegar a uma faculdade federal, nao eh a toa que parte delas se sinta injusticada com as cotas.

Eh evidente que por pior que fosse a situacao dos poloneses em Curitiba (e nao era boa) ela nao se compara ao sofrimento e consequencias nefastas da escravidao nos negros.

Mas, de qualquer maneira, sofreram ainda assim e eh um simplismo taxa-los de "racistas reclamoes".

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 16:26



Comentário de: Alex Castro Email

cassio e hardy

entao vcs nao acham que o brasil é um pais racista? ou que o racimo é um dos maiores problemas do brasil? serio mesmo?

quem mais pensa assim?

vamos lá. levantem a mao. quero saber quem nao acha que o brasil é um pais racista.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 16:50




"E o vestibular é fichinha perto do resto da universidade".

Eu perdi o segundo ano do ensino médio por causa de química. Sempre fui um desastre nas exatas.

E jamais tomei sequer um 9 na universidade. Nunca tomei menos que 10. E química foi absolutamente desnecessária pra mim lá. E continua sendo hoje. Se eu tiver alguma dúvida que envolva química, eu lerei artigos de quem estuda química. E nao mais preciso estudá-la. Esse seu argumento é muito usado contra quem acha que as cotas vao fazer cair o nível da universidade.

Só pra mim a experiência da universidade NADA teve a ver com o ensino médio, por exemplo?

***

Marcio,

Eu desconheço iniciativas de cotas que sejam APENAS raciais. Acho que isso foi feito na Uerj e logo retificado. Nao sou contraria a cotas sociais. Mas acho que as cotas apenas sociais nao resolvem porque dentre os pobres os negros sao os mais pobres e como sabemos que a estrutura da vestibular favorece quem pode se preparar melhor, os brancos pobres (menos pobres e, portanto, com mais recursos para se preparar) acabariam sendo os únicos favorecidos.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 17:14



Comentário de: Marcio E. Goncalves

Posso ser chato e nao levantar a mao, mas falar que o Brasil eh racista sim mas so com os negros e, apesar de parecer um absurdo, isso eh ao mesm tempo um avanco (em relacao as outras racas) e perverso (em relacao ao negro)?

Quando se discute se isso aqui eh ou nao um Democracia Racial, se pensa logo na dicotomia branco-negro e eh evidente que nesse ponto o pais nao esta nem perto de ser uma.

O racismo contra negros esta presente em todos os aspectos da sociedade, como nao poderia deixar de ser em uma ex-sociedade escravista.

Mas um mito nao se mantem por tantas geracoes se nao tiver alguma base pelo menos na realidade. Se a tal "Democracia Racial" eh defendida por tantos a tanto tempo, mesmo que nao seja verdadeira, alguma base essa nocao deve ter. Qual seria ela?

O fato eh que no que tange as relacoes das outras "racas", tirando o negro, o Brasil esta ha milhoes a frente do que EUA, Europa e Asia em geral.

Nordicos, caucasianos, mediterraneos, asiaticos, arabes - todos se mesclaram na curiosa classificacao de "branco" aqui (hoje em dia japones so eh japones no Brasil quando quer).

Em todos os outros lugares do mundo as pessoas vivem separadas por raca e/ou religiao. Tem sempre a Chinatown, a Japantown, etc...

Mesmo em cidades mais liberais e tolerantes como San Francisco isso existe. Tem gente que viveu a vida inteira dentra da Chinatown, so fala mandarin e nao connhece nada alem disso (eh, meu deus, apesar de chinatown se fantastica ela eh menor que meu bairro minisculo em Curitiba...rs)

Os bairros "etnicos" no Brasil nunca duram - bairro da Liberdade, teoricamente japones, se lota de chineses. O bairro judeu do Bom Retiro vira coreano e, logo, logo, boliviano, etc...

Veja como o conceito de "inter-racial marriage" parece bobo no Brasil - eh so um casamento e pronto.

Sim, pessoas ainda olham estranho para o casamento de um negro e uma loira. Mas nao de descendente de arabe com uma descendente de portugues. Ou uma descendente de japones com um descendente de indio.

E qualquer um desses eh considerado coisa excepcional nos EUA, por exemplo. Em certas partes da Asia entao, coisa unheard of.

Ou seja, talvez o racismo contra o negro no Brasil seja ainda mais perverso EXATAMENTE pelo fato de que existe sim uma harmonia maior entre as outras racas/etnias do que em outros lugares do mundo, mas isso nao se aplica a ele - que sofre toda a carga de racismo como em outros lugares.

E nao eh dificil detectar qual o elemento diferencial do negro em sua posicao no Brasil: eh o unico elemento que foi escravizado, desaculturado e trazido aqui a forca.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 17:19



Comentário de: Caio

Concordo com o Slov e acrescento:

Uma coisa é deixar o Japão e chegar ao Brasil com uma promessa de trabalho, trazendo consigo sua família e com ela seus valores e cultura preservados.

A outra é ser arrancado de sua terra, ser trocado por dinheiro, ser submetido a trabalho forçado e etc.

Qual grupo teria melhores condicoes de resistir moralmente ao preconceito?

Qual grupo teria condicoes de se recuperar socio-economicamente de maneira mais rápida?

Com certeza nao foi um início fácil, mas havia no que se ancorar... por isso nao me espanta o grande numero de orientais na Poli já na 3a. geraçao.


PermalinkPermalink 18.11.08 @ 17:21



Comentário de: hardy

Eu acho que existe racismo e burrice em tudo que é lugar do mundo - gente é gente - mas, não, eu não classificaria o Brasil como um *país racista*. Logo, também não acho que racismo seja um dos maiores problemas do Brasil. Pobreza é um, péssima educação é outro, e malandragem, ética enviesada, imediatismo, falta de visão, tudo isso.


PermalinkPermalink 18.11.08 @ 17:22



Comentário de: Blog Mallmal · http://www.mallmal.blogspot.com

Quanto à resposta do Alex, chamar de criança é um ad hominem que eu não esperava... Decepcionante...


Agora estão discutindo uma questão interessante. O negro é ou não vítima no Brasil?

Em minha opinião o negro FOI vítima. Hoje em dia o que temos são filhos, netos, bisnetos de vítimas.

Vou dar uma de Alex e apenas fazer perguntas para gerar discussão:
Até quando vai durar essa condição de vítima? Até qual geração? A partir de qual momento as mazelas do negro serão, junto com as dos brancos e demais raças, decorrentes dos problemas de má distribuição de renda, baixa escolaridade e desemprego que assolam o país?

Quando o negro vai "entrar no bolo" dos problemas sociais e parar de se escudar atrás do tatatatataravô escravo?

Um negro brilhante o suficiente para comandar uma boca de fumo e tornar-se rico é vítima do racismo?

:)



PermalinkPermalink 18.11.08 @ 17:31



Comentário de: Thiago

"Só pra mim a experiência da universidade NADA teve a ver com o ensino médio, por exemplo?"

Não é só pra você não :)

Mas normalmente na hora do vestibular se equilibra, por exemplo, vestibulandos de direito vão mal em matemática, vesitbulandos de engenharia não tiram aquela coisa de nota em geografia, etc.

Infelizmente acidentes acontecem.

"Esse seu argumento é muito usado contra quem acha que as cotas vao fazer cair o nível da universidade."

Não tenho dúvida de que isso vai acontecer (ou melhor, na média geral não vai). Mas será que isso é ruim?? Eu acho que é bom.

Como o seu exemplo da química, o pessoal perde anos nas escolas públicas por uma imprevisibilidade e exigências muitas vezes descabidas em certas matérias. As matérias mais exigentes, que reprovam muita gente, na minha faculdade, posso contar nos dedos quem usa. Mesma coisa do seu caso de química, que diferença vai fazer?


PermalinkPermalink 18.11.08 @ 17:31




a negaçao do racismo

a negaçao do racismo é uma das atitudes incluídas na apresentaçao positiva dos membros do grupo. [...] Consequentemente, até mesmo o discurso racista mais explícito encontrado em nossos dados, costumeiramente, apresenta negaçoes ou pelo menos mitigaçoes do racismo. De modo interessante, descobrimos que exatamente o discurso mais racista tende a incluir ressalvas e outras formas de negaçao. Isso sugere que os usuários da língua que proferem coisas negativas sobre minorias estao bem conscientes do fato de que podem ser interpretados como infratores da norma social de tolerância e aceitaçao.

as negaçoes do racismo e formas semelhantes de auto-apresentaçao positiva apresentam tanto uma dimensao individual como social. A maioria dos falantes brancos nao somente se sentem ofendidos por serem individualmente percebidos como raciastas, mas também, e de forma mais importante, tais estratégias podem ao mesmo tempo visar a defesa do grupo como mum todo: "nao somos racistas"; "nao somos uma sociedade racista".

Enquanto a primeira forma de negaçao, a individual, é característica das conversçoes informais do dia-a-dia, a segunda é típica do discurso público (...) essa é forma de negaçao que se torna mais influente e, por consequência, também mais perniciosa: é o discurso social da negaçao que persuasivamente contribui para a construçao do consenso branco dominante. Poucos membros do grupo branco teriam motivo ou INTERESSE de duvidar ou, muito menos, de se opor a tal alegaçao.

(...)

A preservaçao de faces e a auto-preservaçao positiva sao fenômenos bastante conhecidos na pesquisa em psicologia social, sociologia e comunicaçao e fazm parte de uma estratégia global de gerenciamento de imagem.

(...) ser categorizado como racista ou mesmo como intolerante pressupoe uma característica pessoal mais duradoura, tratando-se, portanto, de um julgamento particularmente mais ameaçador das faces. Daí que quando os falantes enfatizam "nao terem nada contra negros", tais ressalvas concentram-se em uma atitude mais permanente e nao em uma opiniao (negativa) específica que esteja expressa a respeito de um determinado membro de outro grupo (como dizer que negros nao sobem na vida porque nao se esforçaram o suficiente e se vitimizam. ADENDO MEU).

Teun Van Dijk. Discurso e Poder. Sao Paulo. Editora Contexto. 2008

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 17:34



Comentário de: Victor Hugo P.C.

Quem foi que caçou, prendeu, escravizou, e vendeu negros como escravos no mercado negro? Foram os brancos? Não. Foram os próprios negros de diferentes etnias que comandavama áfrica. Agora me diga. É melhor ser negro discriminado morando nas américas, ou é melhor ser negro morando na áfrica? Sendo discriminado pela sua etnia? Se o Brasil é foi um país racista e ainda sobram vastos resquícios de racismo, existe algum lugar mais racista que qualquer país africano? Eu diria que no Brasil existe menos racismo que nos USA, e que nos USA existe menos racismo do que na África inteira. Aqui não há racismo só contra os negros, nordestino também é discriminado, é paraíba é sinônimo de porteiro de edifício. O caipira também é discriminado. O índigena é discriminado. O ribeirinho é discriminado. Ora, toda minoria onde quer que esteja, é discriminada. Mesmo assim temos um ministro do supremo negro, e temos um presidente nordestino. Ou seja, há sim, racismo, mas se ele não ajuda, tampouco atrapalha os mais esforçados. Há uma elite nordestina tanto quanto há uma elite negra. O problema maior do Brasil é o elitismo, e não o racismo. Já na África...

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 18:20



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"Quem foi que caçou, prendeu, escravizou, e vendeu negros como escravos no mercado negro? Foram os brancos? Não. Foram os próprios negros de diferentes etnias que comandavama áfrica"


Na verdade foram ambos. Os europeus tanto fizeram "raids" na Africa para capturar escravos como compravam de africanos.

Mas so pq os Africanos tambem praticavam escravidao nao quer dizer que os europeus sao bonzinhos. E o carater mercantilista da escravidao, a total "coizificacao" do escravo, so surgiu com o trafico europeu de negros. Um mercado so existe com uma demanda - e a demanda aqui era europeia.

Antes disso o carater da escravidao na Africa era mais semelhante a servidao na europa (nao que isso seja bom tambem.)

E como o cara que compra o radio roubado - eh tao criminoso quanto o cara que roubou.


PermalinkPermalink 18.11.08 @ 18:31



Comentário de: Renato

A leitura das estatísticas aqui é tão torta... E o curioso é que o único propósito é isentar a péssima atuação do estado na formação do cidadão e do aluno.

Os políticos adoram usar essas estatísticas porque transferem a culpa, isentam um dos piores welfare states do mundo (dos mais caros e mais ineficientes do mundo) e jogam a responsabilidade num suposto problema de racismo - que existe, mas nem de longe é responsável pela aberração da disparidade social no Brasil. O racismo no Brasil causa desconforto, situações vexatórias, mas nem de longe é o responsável pela aberração social que vivemos. Essa responsabilidade tem um dono e chama-se social democracia brasileira, incapaz de gerenciar um carrinho de pipoca, que dirá um sistema de saúde, escolar, de infra-estrutura...

Isso é leitura mal feita de estatística. Pura e simples.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 18:36



Comentário de: Victor Barone · http://escrevinhamentos.blogspot.com/

Alex, eu realmente discordo.

Dizer que alguém possa usar uma camisa 100% Negro e outra não podem usar uma camiseta 100% Branco é uma das afirmações mais racistas que eu já ouvi em minha vida. É o velho ditado popular: pimenta no r... dos outros é refresco”. Esta postura “vitimista” nunca vai levar ninguém a lugar algum, pelo contrário. É típica do nosso paternalismo.

O grande problema deste debate é que quando você diz que a sociedade brasileira é racista você fala da regra, não da exceção. Ao falar da regra você sugere que a maioria dos brasileiros adota posturas racistas no seu dia a dia, o que não é verdade. Pelo contrário. A maioria dos brasileiros convive tranqüilamente com a diferença racial. (Por isso qualquer comparação entre a questão racial no Brasil e no estados Unidos é descabida).

Há racismo no Brasil? É claro que há. Há preconceito religioso no Brasil? Sim. Há preconceito de gênero. É claro que há. Mas estes preconceitos podem ser atribuídos como regra? Podem ser classificados como um padrão comportamental do brasileiro enquanto povo? Duvido.

Ao pinçar a exceção e atribuir a ela qualidades de regra você desvirtua o debate para a direção que prefere e isso, no mínimo, te induz ao erro.

Este é um debate no qual as pessoas geralmente adotam posições maniqueístas. O cara é contra cota de negros para as universidades: RACISTA! E por aí vai...

É um discurso pequeno, que não olha o todo e não resolve a questão da exclusão social que – esta sim – afeta milhões de brasileiros.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 18:38



Comentário de: jeison calheiros

Certamente, seu amigo não estranhou a guerra civil em angola. negros matando negros, realmente não se trata de racismo. Mas vamos ao que seu amigo falou a despeito do clientes brancos e garçons negros, fosse o contrario certamente não seria um pais racista. Imagino, fosse 50% dos clientes e 50% dos garçons brancos e a outra metade de negros se daria a tão sonhada “igualdade racial”. Uma utopia, não?
Observo que também existem dados e gráficos desmentindo aqueles que insistem na “fantasia” do racismo no Brasil. mas lógico que você não os viu; Acho até interessante o seu exemplo. 100 pessoas, 50 negros e 50 brancos. Sendo um pais racista como você quer fazer parecer, acho que não se deixariam entrar um único negro que fosse nas profissões de prestigio, não é mesmo? Quanto ás hipóteses, elas são mesmo maravilhosas. existindo outras, melhores até, estariam excluíadas, pois, que, não justificam o racismo, certo? E esse numero que os negros são 40% no país, mais uma falácia?!


PermalinkPermalink 18.11.08 @ 18:42



Comentário de: Luis

Alguém viu a materia da band sobre o conflito de organizadas do grêmio? alguém viu que torcedores foram ameaçados de morte por terem idolos gremistas pretos?

precisa dizer também da torcida do juventude? alguém viu a reportagem sobre o dudu nobre a bombom? da família de ronaldo que queriam expulsar do predio? eu preciso dizer sobre as minhas experiências? e das dos meus amigos? como disse alex, tem um número mágico?

sério. eu não entendo essa negação toda.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 20:04



Comentário de: Katherine

O Alex sempre me pareceu ter um sério problema em aceitar a vaga possibilidade de a outra pessoa não ser o que ele está a acusando de ser, mas o que custa tentar, né?

Eu chuto que 70% das pessoas que passam numa faculdade tenham feito cursinho. Inclusive, é muito mais provável que alguém que pagou duas vezes - a escola particular e o cursinho - consiga notas num sistema fraco e porco de seleção do que alunos de uma escola pública ou de uma particular ruinzinha.

Nas faculdades federais existem perguntas que professores de cursinho suam frio pra resolver. Tem gente que faz o curso extensivo duas, três vezes pra passar. Existem questões que você faz duas, três, cinco vezes, com dois livros do lado e fica "como assim é A? É impossível que seja A". Muitos dos que passam, inclusive os primeiros lugares, passaram, a bem dizer, raspando. Não são vestibulares para admitir pessoas, são para excluir pelo menos 650 dos candidatos a cada curso. E, claro, nisso aí se ferra qualquer um que não tenha tido dinheiro para pagar.

Botar isso apenas - atenção, eu disse apenas - nas costas do racismo me parece uma solução muito simplista. Claro que o fato de a maior parte da população negra ser pobre - e vice-versa - tem uma estreitíssima ligação com racismo; mas quantos médicos de origem humilde você conhece? Eu nunca ouvi falar de muitos. Nunca ouvi falar de quem fizesse Medicina ou Direito sem um ano de cursinho (o que não é nada barato) e uma excelente escola de ensino médio. Aliás, ultimamente, eu mal ouço falar de quem tenha passado numa federal sem esses requisitos. Parece que na UFRGS só se vê carrão estacionado, praticamente. Lógico que tem aluno que mal tem dinheiro pra voltar pra casa, mas é um em cada dez... a proporção citada no post.

Sem contar que, mesmo na escola particular, o que a gente ouve desde que entra no ensino médio é: nem tentem, vocês não vão conseguir. Imagina na escola pública. Eu passei oito anos numa escola pública e o que ouvi era sempre: nem tentem, vocês não vão conseguir. Os últimos três, numa particular (a bem dizer, uma pública que tem boleto no fim do mês. O ensino é justamente comparável - e eu posso fazer a comparação), e o que ouço é: nem tentem, vocês não vão conseguir. Vai ter alguém com mais dinheiro do que vocês pra pegar a vaga que vocês merecem mais. Aí você é pobre, já te tacham de marginal (aliás, um adendo, não é só negro pobre que é tachado de marginal. Em muitos lugares, basta você ser pobre e morar num lugar ruim), o teu ensino já é uó, e tu cresce ouvindo que a faculdade que foi aberta POR TUA CAUSA... não é pra ti, vai pro monte de riquinhos que podiam tranqüilamente fazer a PUC sem sofrer nenhum dano econômico.

Não estou dizendo que não existe racismo, só quero dizer que aplicar ABSOLUTAMENTE TUDO a ele fica forçado em certo ponto.

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 21:58



Comentário de: Gerson B

Estive lendo parte dessa ampla discussão. No geral, concordo que existe racismo, mas tambem que ele se tornou uma desculpa conveniente para outras coisas. É mais fácil dar uma canetada e colocar cotas que dar um bom ensino básico.

P.S.--Será que a questão cultural não conta? As culturas judaica e japonesa enfatizam a disciplina e o estudo. Até onde vejo, a cultura negra enfatiza o lúdico, o prazer. Numa sociedade complexa, não-tribal, esses valores não impedem o progresso material? É tudo culpa "dos outros"(brancos)?

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 22:15



Comentário de: Alex Castro Email

Comentário do Gerson, mas ecoando diversos outros comentários feitos hoje:

As culturas judaica e japonesa enfatizam a disciplina e o estudo. Até onde vejo, a cultura negra enfatiza o lúdico, o prazer.

aemeodeos, vcs falam essas coisas sério? não ficam nem corados? não releem antes e veem o absurdo, ou acham que é isso mesmo?

no seculo XIX, nos debates no senado imperial, os senadores que diziam coisas assim eram tachados de racistas. estamos em 2008, como é que alguém ainda pode achar isso? e, pior, dizer uma coisa dessas como parte de um argumento pra demonstrar que o país não é racista?

aqui, nos eua, país que os brasileiros gostam de idealizar como super-racista em comparação à nossa democracia racial, quem falasse isso seria linchado em praça publica...

será que vcs nao percebem que esses estereótipos (negros são ludicos e alegres, preguicosos e sexuais, bons em samba e futebol, etc) são a própria essencia do racismo?

um país onde comentarios como esse fossem feitos discretamente, por gente que tem medo de sofrer represálias se for ouvido, seria racista velado. um país onde esse tipo de coisa se diz abertamente e todos concordam e ninguém acha um absurdo, é um país escancaramente racista...

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 22:29



Comentário de: Gerson B

Alex, conheço negros que não apresentam esse padrão de comportamento. Eles progridem e tem um padrão de classe média.

E conheço brancos que não se preocupam com o futuro, tem filhos sem pensar que não podem sustentar, e não progridem.

Estou falando de cultura, e isso afeta estatísticas. Ciganos (estou falando de um padrão cultural, lógico que há exceções individuais, como em todos os povos) negam o valor do estudo, isso é falso? Judeus incentivam os filhos a estudar, isso é falso? Há alguam conspiração secreta que faça os nisseis terem um índice de aprovação maior que os brancos ou eles são mais disciplinados?

Não estou dizendo que não há racismo, nem que ele não atrapalha o progresso social. Ou seja, não estou argumentand que o pais não é racista, como outros aqui que discordam de você tambem não negam. Nem estou fazendo juizo de valor sobre os povos. Um alemão disciplinado e organizado mas que só consegue se soltar se entupindo de cerveja não faz o meu ideal de sanidade mental. Mas é eficiente para produzir na nossa sociedade.

Tenho negros na minha família e observo na prática aquilo que descrevi. Como conheço judeus de anedota, e portugas quase. E conheço os que não se enquadram, mas geralmente ficam meio isolados em suas comunidades.

Você acha que não existe influência da cultura que grupos tem no destino desses grupos?

PermalinkPermalink 18.11.08 @ 23:10



Comentário de: Bear

Oi Alex,
É inegável que existe racismo ainda hoje no Brasil, mas alguém teria que provar que ele ocorre com a maioria da população para que eu aceitasse a generalização de que o Brasil é racista.

O que temos é um povo reacionário, satisfeito ou acomodado. Racista é minoria.

O que explica a grande desigualdade econômica entre negros e brancos é que ao assinarem a Lei Áurea, nada se fez para inserir o negro recém-liberto na sociedade e no mercado. A motivação para este 'esquecimento' foi e continua sendo econômica, não de preconceito: ninguém quis (e continua não querendo) abrir mão de uma parte do que tem (não só em bens) para igualar o jogo com os negros.

Aliás, a meu ver, a própria escravidão ocorreu apenas por fatores econômicos. O preconceito surgiu (foi muito bem plantado nas mentes e corações) apenas para 'justificar' a exploração. O negro é inferior, então eu posso escravizá-lo.

É isso.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 00:17



Comentário de: Leo Cabral

Caí de paraquedas aqui e me senti lendo um texto do Jabor: reclama e não oferece solução alguma.

Escreva o que escrever, mas pelo menos disserte. Não fique só no muxoxo; caso contrário, coloque algum "miguxês" no texto para ficar mais atual.
Sim, existe racismo aqui ou em qualquer país do mundo. Sim, nossos intelectuais são monotemáticos e lambe-botas dos franceses no quesito "Vamos escrever uma crítica a esmo?". (E sim, esses livros estão velhos e desatualizados.) A questão fundamental e que traria realmente algum valor argumentativo ao texto é perguntar aos brasileiros negros que são juízes, advogados, médicos e clientes dos restaurantes (oras, porque não?) como eles chegaram onde estão. Qual foi o preço pago para ser um negro bem sucedido no Brasil. E o que eles têm de diferente do resto da população. Será que eles foram escolhidos na massa para servirem de atração? Acho que não.

Soa prolixismo pedante da esquerda do champanhe escrever tudo isso e dar a entender aos leitores que o racismo no Brasil não foi visto com os olhos de quem sofre o racismo e sim da visão do intelectual debruçado na janela de casa.
Abraço.

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 10:08



Comentário de: Rachel · http://riogringa.typepad.com

Holy crap look at all the comments!

All good points. I also think that history plays one of the main roles in racism in Brazil, because it seems to me that very little has changed since slavery. The US has a similar problem, though not quite as severe. When a country is founded on the concept that blacks are inferior and are responsible for doing the shitty jobs, that concept is quite difficult to shift. Keep trying though!!

PermalinkPermalink 19.11.08 @ 13:33



Comentário de: fafy

racismo existe tanto no brasil como em qualquer parte do mundo ,vivi minha infancia tendo de aguentar as pessoas na sua ignorancia e burrice me chamar de turca,turco e aquele que nasce na turquia somente ,,arabe nao e turco e arabe mesmo eu sofri muito com isso na escola e tentava explicar mas nada ..ate a professora de geografia nao sabia diferenciar... isso para mim e racismo ..so vou dar minha opiniao sobre o comentario do rapaz chamado leo..admiro seu povo por ter superado tantas atrocidades mas vale lembrar que seu estado ,o de israel foi fundado a partir do massacre e expulsao de um povo chamado palestino please visitem a palestina e vejam que beleza de racismo e apartheid
somos livres para opinar ne?



PermalinkPermalink 19.11.08 @ 13:58



Comentário de: fafy

racismo existe tanto no brasil como em qualquer parte do mundo ,vivi minha infancia tendo de aguentar as pessoas na sua ignorancia e burrice me chamar de turca,turco e aquele que nasce na turquia somente ,,arabe nao e turco e arabe mesmo eu sofri muito com isso na escola e tentava explicar mas nada ..ate a professora de geografia nao sabia diferenciar... isso para mim e racismo ..so vou dar minha opiniao sobre o comentario do rapaz chamado leo..admiro seu povo por ter superado tantas atrocidades mas vale lembrar que seu estado ,o de israel foi fundado a partir do massacre e expulsao de um povo chamado palestino please visitem a palestina e vejam que beleza de racismo e apartheid
somos livres para opinar ne?



PermalinkPermalink 19.11.08 @ 13:58



Comentário de: Leo · http://lmonasterio.blogspot.com

"Po, e nao diga que "negros ficaram ainda mais pobres" desde os anos 50. Isso nao eh verdade para o Brasil.

Os dados estão vem do livro "Race in Another America"...

Alex, o trecho Gaspari nao diz que a pobreza dos negros aumentou. Estou na gringolandia e amanha vou na strand ver se encontro o livro. Eu ainda bato o peh e duvido que o sujeito mostre que os negros ficaram mais pobres . (Florestan - mais uma vez- estava certo).
Ainda: quando vc diz que 3 e 4 estao contidas uma na outra, vc quer dizer que existe uma interseçao entre as explicacoes, neh? Pois eh, isso eu concordo, mas a distincao eh util entre 3 e 4 ateh para entender os fenomenos da desigualdade racial/racismo e ter politicas adequadas para combate-los.

PermalinkPermalink 20.11.08 @ 04:03



Comentário de: Alex Castro Email

Leo, compra esse livro q ele vale a pena sim, e dá um abraço na The Strand pra mim. Amanha faço um post sobre o *unico* dado desse livro que me surpreendeu... sobre casamentos interraciais...

PermalinkPermalink 20.11.08 @ 04:15



Comentário de: Sonia Santana

Gostei da sua visao muito real do racismo no Brasil.Essa historia de afro-brasileiro è uma camuflagem. O negro brasileiro nao gosta de ser chamado de negro e por ai vai. E tem mais... Ridicula è a definiçao "moreninho", "escurinho", "bem moreno", jà ouviu essas?Hà quem nao use o termo "negro" pois considera ofensivo e coisa e tal. Absurdo quem o pensa assim pois demonstra ter preconceito. Por que seria ofensivo chamar "begro" quem o è? Se se parte deste principio entao è ofensivo dizer que Bruna Lombardi è branca? No Brasil nao se "alisa" cabelo, mas se "relaxa"!!!!!!!!!!!!!!!! Uma vez, elogiei uma moça que havia alisado os cabelos dizendo-lhe: "Que linda vc ficou com os cabelos alisados!!" Ela: "Fala baixo, eu relaxei...! (RSRSRS). Deus meu! Que vergonha tive da sua ignorancia. Bom, tudo bem que a primeira-dama(futura) dos EEUU è negra, mas os cabelos dela e das filhas sao alisados , isto é, refletem a busca(?) do padrao de beleza nao-negra! Nao entendo e nem entenderei essas coisas. E' isso aì!! Abraços...

PermalinkPermalink 22.11.08 @ 16:10



Comentário de: Sonia Santana

P.S. Ah, iai me esquecendo... Ouvi tambem um negro que ao lhe perguntar qual seria a sua cor, ele assim me respondeu: "Sou moreno-escuro"!Existe essa cor? NO COMMENTS.

PermalinkPermalink 22.11.08 @ 16:15



Comentário de: TACIANE PIRES

APROVEITEI O TEXTO P\ TRABALHOS ESCOLARES.....

PermalinkPermalink 25.11.08 @ 11:45



Comentário de: Alex

O negro não tem que discutir nada. Ele já vive nessa realidade. Quem tem que se encaixar nessa realidade é o branco. Muito se fala e muito pouco se faz para tentar mudar a situação.

PermalinkPermalink 29.11.08 @ 14:57



Comentário de: Miguel Angelo · http://www.fleex.com.br

Sabe... na verdade eu acho que se todos fechassemos os olhos, e de repente não houvesse mais distinção por cor, ainda assim quando 30 anos depois, abrissemos os olhos novamente, o que veriamos? A mesma coisa! Sabe porque? Por que ainda assim, os branco ainda teriam o poder... e apesar de não poderem distinguir pela cor, ainda o poderiam, pelos laços familiares. O poder, o dinheiro, a fortuna em geral, o estatus social, é assunto de família meus amigos, e como isso = oportunidades, e oportunidades = dinheiro... onde é que alguém pode me dizer um ponto de entrada para os negros... eu sou contra esse negócio ai de cotas e tal, mas é um ponto de entrada não é? Sabe o que vai acontecer depois... vão haver brancos e pretos, cujas famílias vão ser deixadas marginalizadas, mesmo que nessas famílias existam gênios brilhantes... e então o que mudou. SERES HUMANOS! não é a igualdade racial que importa, mas sim o fato de que as famílias (digam-se amigos próximos também) perpetuam-se em suas posições, mesmo que seus entes queridos sejam os mais burros e imbecis. O grande problema da humanidade é amar mais ao ente querido assassino, que a um negrinho que mereça o mundo.

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 23:09



Comentário de: Steffanye

Bom,na minha opiniaao esse Paais é muiito maais do quee RACISTA !!!
Alguem que eeu conheço é racista ...
Agoraa as Hipoteses que eeu li lá em ciima é uum absurdoo tremeendo !!!
Eu te nojo de gnt racista...
Nao sei porque isso foi existii !!!
Eu so braanca mais minha irma é beem moreninhaa e mina tia e prima quase negraa!!!
Eu abraço elas, normaal como se fossem de meeu sangue mesmo !!!
No Brasil existee muiito racismoo SIIM !!!
E se eu pudesse mudaria isso num piscar de olhos !!!
Boom eu dei minha opiniao de coração mesmo !!
E gostaria que todos que lessem esse comentario e que for racista .. MUDE !!!
Poois o Pais naao é feito so de brancoo mais siim tbém de NEGROS !!!
E teria orgulho de ser negra apesar de nao seer !!!
Bjs *

PermalinkPermalink 02.03.09 @ 12:50



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Diário de Leituras 2008

  • 100. Roediger, David R. The Wages of Whiteness. Race and the Making of American Working Class. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 99. Roediger, David R. Colored White. Transcending the Racial Past. [EUA, 2002] Nov.25 (TulBib)
  • 98. Roediger, David R. Towards the Abolition of Whiteness. Essays on Race, Politics, and Working Class History. [EUA, 1991] Nov.26 (TulBib)
  • 97. Mills, Charles W. The Racial Contract. [EUA, 1997] Nov.22 (TulBib)
  • 96. Machado, Ubiratan. A Vida Literária no Brasil Durante o Romantismo. [Brasil, 2001] Nov.22 (ILL)
  • 95. Buruma, Ian & Avishai Margalit. Occidentalism: the West in the Eyes of its Enemies. [EUA, 2004] Nov.20
  • 94. Alencar, José. Lucíola. [Brasil, 1862] Nov.13
  • 93. Achebe, Chinua. Things Fall Apart. [Nigéria, 1959] Nov.12
  • 92. Matheson, Richard. I Am Legend. [EUA, 1954] Nov.11
  • 91. Alencar, José. O Tronco do Ipê. [Brasil, 1871] Nov.10
  • 90. Morrison, Toni. Playing in the Dark. Whiteness and the Literary Imagination. [EUA, 1992] (TulBib) Nov.7
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