Vendemos Problemas, Não Soluções - Atualizado com Sustança

O(a) leitor(a) que assina com o pseudônimo Cam escreveu:

Ok, os problemas já foram apontados. Abuso, submissão, humilhação... E agora, como resolvê-los? Qual é a sua proposta? Alguém tem alguma sugestão?

Quando apontei que o LLL só vende problemas, nunca soluções, veio a resposta:

A cômoda postura acadêmica... Muito bem. Lança-se a questão, cria-se a polêmica, cada um conta como é em sua casa e faz um mea culpa ou não, conforme o caso. Muito produtivo. Era somente essa a proposta?

Era. Isso mesmo. Só isso. Você acha pouco? Eu acho que é uma tarefa hercúlea - como dá pra ver pelos comentários do LLL.

Se eu somente conseguir que alguns leitores enxerguem problemas que antes não conheciam, que vejam o mundo um pouco diferente, que descubram que as coisas não são tão simples quanto parecem, que percebam que o caminho mais trilhado não é o único e talvez nem o melhor, que o modo como as coisas aconteceram não é o único como poderiam ter acontecido, uau!, eu já vou me considerar vitorioso.

Não sou pai, professor nem salvador da pátria de ninguém. Não me propus resolver nada, não prometi soluções, então ninguém tem o direito de se sentir fraudado. Se você acha que, usando as palavras de Cam, "apontar problemas" e "lançar questões" é uma "cômoda postura acadêmica" e que não é "produtiva", então eu só posso lamentar.

Não só Cam. Muitos leitores fazem os mesmos questionamentos. Na universidade, em aulas de humanas, como aluno e como professor, já vi muita gente manifestando a mesma preocupação: depois de horas discutindo profunda e frutiferamente algum assunto complexo, eles levantam a mão, às vezes ansiosos e confusos, outras, desafiadores e arrogantes, e perguntam:

"Mas, afinal, professor, E então? E aí? O que fazemos? Qual a SOLUÇÃO?"

E dá vontade de suspirar e jogar a toalha:

"Meu filho, será que você não entendeu nada?"

O objetivo de uma boa educação (e também do LLL, blog escrito por um professor que adora lecionar) é estimular o pensamento crítico e ensinar o aluno/leitor a pensar por si mesmo, de modo que possa descobrir suas próprias soluções para os problemas que encontre.

As soluções cabem a cada aluno/leitor, em seus papéis de pai/mãe de família, cidadão, eleitor, trabalhador, artista. Se propor soluções coubesse somente ao professor, então as soluções seriam somente tão boas quanto ele: mas a responsabilidade da solução é de todos e, portanto, a qualidade da solução será uma soma do potencial de todos nós.

Tenho medo dessas pessoas que procuram soluções ou respostas, seja em salas de aulas ou blogs, em igrejas ou palanques políticos. Eu posso ter até frustrado uma busca infantil hoje, mas amanhã, na próxima esquina, quem sabe?, podem acreditar na solução que lhes vende um pastor evangélico ou um traficante de drogas, na resposta dada por um salvador da pátria operário de nove dedos ou negro carismático e cheio de esperança.

As maiores tragédias da história foram perpetradas por pessoas que buscavam respostas e, um dia, encontraram. Muito, muito medo.

Um conselho: nunca confie em ninguém que queira te vender soluções - especialmente se forem simples e à prova de idiotas. (Quem acredita que existe algo à prova de idiotas é um deles.) Mas sei que é um conselho desperdiçado: se você é um ser pensante, já sabia disso; se não é, não adianta.

Pessoas inteligentes não buscam respostas, elas buscam perguntas. Não buscam soluções, buscam problemas.

 Promoção Submarino  especial Obama  Promoção Submarino

* * *

Muitos leitores me pedem sugestões de leitura. Por isso, meus livros recomendados estão sempre ali na coluna da direita. Mais especificamente, esses são os que sugiro para qualquer um que queira abrir sua cabeça, expandir seus horizontes, ser mais livre. Fiquem avisados: além de não darem respostas, esses livros vão estragar as respostas que você achava que tinha:

Sem Tesão Não Há Solução ROBERTO FREIREOn the Road, de Jack Kerouac Tropico de Câncer HENRY MILLERFolhas de Relva = Leaves of Grass, de Walt Whitman Discurso do Método RENE DESCARTES  Insustentável Leveza do Ser, A Milan KunderaWalden ou a Vida nos Bosques e a Desobediência Civil, por Henry David Thoreau Homens Invisíveis: Relatos de uma Humilhação Social FERNANDO BRAGA DA COSTA  Pedagogia do Oprimido

* * *

Por falar em livros, a lista de leituras, ali na coluna da direita, está atualizada.

* * *

Atualização

Sobre Leitores Anônimos, Caça às Bruxas, Liberdade de Debate & Objetivos Pedagógicos

A leitora Cyntia escreveu:

"O que tenho visto aqui são os tais dedos apontados. Gente que se acha no direito de criticar os outros simplesmente pq a pessoa assume que tem uma empregada doméstica. E se o patrão cumpre com suas obrigações de empregador e trata a doméstica com o respeito e consideração que qualquer ser humano merece? Continua a ser vilão?"

Não sei que dedos foram esses. Eu não vi ninguém acusando ninguém pessoalmente de ter domésticas, ou presumindo que todos têm domésticas, ou dizendo que todas as pessoas que têm empregadas são escrotas. Estou vendo muitos leitores discutindo os problemas de modo geral, e alguns leitores contando histórias pessoais. Uns contam histórias pessoais de horror, de empregadas exploradas e maltratadas, e outros contam histórias de como "lá em casa não tínhamos domésticas", ou "tínhamos, mas eram super bem tratadas", etc. Mas nenhuma acusação pessoal, ou dedos apontados, ou caça às bruxas.

Agora, claro, ninguém é responsável pelas carapuças que os leitores colocam. Pelo contrário, a impressão que tenho é que o assunto gera tanta culpa e ansiedade que a maioria dos leitores corre desesperada pra se inocentar, pra dizer que não, que não tem domésticas, que o problema não existe, na minha cidade ninguém tem, na minha casa éramos todos felizes, eu juro que sou uma pessoa boa!, etc.

Perguntem a algum psicólogo o que ele acha de tantos protestos.

E tb percebi, como o Hardy e outros aqui, que qualquer evidência que coloca a questão em perspectiva é imediatamente descartada. ... Mas qualquer outro tipo de comentário aqui que não concorde plenamente com o discurso vigente é descartado. ... E acho que essa pequena caça às bruxas está sendo estimulada pelo autor do blog, que modera apenas o que vai de encontro ao pensamento pronto dele.

Aliás, a leitora Hardy também escreveu hoje:

"Essa bobagem de implicar com pseudônimo em bons comentários também é indicativa de um desapreço pelas idéias. Compra-se a etiqueta, não o conteúdo."

Cyntia, só pra você saber, O Hardy é A Hardy. Ela também é mulher, assim como a Cam. E como eu me reservo o direito de não dialogar com gente que não assina o próprio nome, eu só comecei a responder aos comentários delas quando ambas me escreveram pessoalmente e se "revelaram". Reparem que eu nunca desqualifico quem não se identifica - essas pessoas é que se pré-desqualificam. Todos comentam livremente e sem restrições, mas, como indivíduo livre e independente que sou, me dou ao direito de somente dialogar com quem eu quero. E, sinceramente, quando o Tuca1982@bol.com.br aparece no meu blog, seja pra dizer que sou feio e bobo ou pra fazer um longo e elaborado comentário, eu prefiro não responder.

Em segundo lugar, fiquei muito curioso sobre várias expressões no seu comentários.

Por exemplo, "descartar". O que você chama de descartar? Apagar, censurar? Algum comentário foi descartado, apagado, censurado do LLL? Qual? E o que seria o NÃO-descartar? Concordar com você? Se você fala e eu discordo, isso pra você quer dizer que "descartei" seu comentário?

Outra coisa: "caça às bruxas", via de regra, é uma busca histérica por culpados, mas como não vi ninguém acusando ninguém de nada ("você tem domésticas que eu sei!", "todos que têm domésticas são maus!" etc) fica meio difícil de entender a comparação. Como pode haver caça às bruxas sem acusações específicas a indivíduos específicos? Você poderia esclarecer?

Por fim, "moderar". Suas outras reclamações eram genéricas, poderiam se referir aos leitores de modo geral ou a mim, mas essa foi específica comigo ("o autor do blog modera...").

Moderar, em internet, quer dizer só aprovar alguns comentários e não permitir a publicação de outros. É prática muito comum na internet, perfeitamente aceitável e qualquer blogueiro tem o direito de fazê-lo. Eu, entretanto, nunca fiz. Que moderação é essa que você menciona? O que foi moderado no LLL? Tem alguém por aí dizendo que comentou aqui e eu apaguei? Muito, muito estranho.

Em suma, perdi aqui um tempo na minha manhã escrevendo esse adendo porque estou me divertindo muito. Acho que esses comentários são mais uma manifestação da ansiedade crônica que acomete os brasileiros quando se fala de um assunto tao incômodo. De fato, a maioria dos leitores diz que se convenceu de que o racismo ainda existe no Brasil, ou que a questão das domésticas ainda é um problema, não por causa dos meus textos, mas por causa dos comentários.

Fica difícil ler uma mulher esclarecida dizendo que acha prático e razoável pedir para uma empregada tomar banho antes de começar a trabalhar e não ver nisso uma indicação do fosso que divide os patrícios dos intocáveis nessa nossa sociedade de castas. Fica difícil ler uma leitora dizendo que não é racista a polícia parar mais negros do que brancos, porque os negros tendem a ser mais pobres e os pobres tendem a se envolver mais com criminalidade, logo os policiais estão certos, e não concluir que o nosso país não só é racista, como não aceita o seu próprio racismo.

Ninguém foi acusado de nada, não se apontaram dedos, não se descartaram opiniões, não moderei comentários. Todos falaram livremente e publicamente e cada um é responsável por sua opinião - daí serem problemáticos os comentários anônimos, mesmo se bem escritos e elaborados, pois são uma fuga da responsabilidade inerente à expressão pública de uma opinião. Entretanto, mesmo com as minhas reservas, esses comentários não são nem descartados nem moderados.

Acho muito interessante quando os comentários parecem reclamar do excesso de liberdade dos comentários. As pessoas que assinam com pseudônimos e não se responsabilizam por suas opiniões são as mesmas que reclamam dos dedos apontados das outras. Como disse, não vi nenhum dedo apontado, nem nenhuma acusação pessoal, mas, se visse, podem ficar certos que não apagaria. Só apago comentários que ofendem pessoas que eu mesmo expus. O resto é liberado.

A brincadeira aqui é um debate livre e democrático. Todos podem falar. Inclusive os que discordam ferozmente de mim. Inclusive os que assinam Kiko6969@hotmail.com. Ninguém é descartado nem moderado.

Se você não gosta disso, se acha que não aguenta, se ficou incomodado, se queria que eu censurasse esses bárbaros que ousam discordar de você, então eu só posso lamentar. A liberdade total dos comentários é parte inerente, integrante, essencial do processo pedagógico do LLL: sem isso, se fosse só eu falando sozinho, não adiantaria nada.

 

13.11.08



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(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: Ariane

olha só, vc acaba me transformando em algo que ainda não fui nesta vida: fã.
o que me agrada aqui é justamente o fato de você não acenar respostas, mas lançar (ótimas) perguntas.

'Pessoas inteligentes não buscam respostas, elas buscam perguntas.'

Perfeito.


PermalinkPermalink 13.11.08 @ 00:45



Comentário de: Marcus · http://marcuspessoa.net

Grande texto. Nem tenho o que comentar, só lhe dar parabéns.

PS: comprei a Bíblia do Peregrino, e está sendo fantástico reler o texto sagrado através dela.

Infelizmente não deu pra comprar no seu link, porque o Submarino está sem ela há meses! Só tem a versão menor, com o Novo Testamento. Mas eu devo comprar alguma coisa na loja nesse final de ano e uso um link seu.

Abração.

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 00:52



Comentário de: dra · http://drambrosini.blogspot.com

também gostei muito do texto. um dos melhores dos últimos tempos por aqui.
mas eu passei mesmo só pra te perguntar o q vc achou das últimas matérias do seu jornal preferido...
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac277023,0.htm
abs,

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 08:48




mais do quem vende soluções, me assustam os que a doam.
abç.

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 09:49



Comentário de: Deborah · http://arealidadeelouca.blogspot.com

Alex, como sempre, ótimo texto. Concordo com a Ariane, não costumo ser fã de ninguém, mas a cada dia você tem me cativado mais com as discussões pertinentes e opiniões diferenciadas que apresenta aqui.

Sobre perguntar e responder, pode ser que eu tenha me interessado por filosofia muito cedo (tinha, sei lá, uns 12 anos), mas sempre me pareceu que perguntar era a verdadeira arte. Não tem nada mais difícil do que encontrar a pergunta certa - a resposta, essa pode ser 42.

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 10:06



Comentário de: Jasão · http://www.esvaziarnuvens.blogspot.com

hehehe

é por isso que desconfio do livro do Tezza: não consegui encontrar UMA CRÍTICA que apontasse falhas do livro... isso me parece maniqueísta... pode ser mesmo infantil meu posicionamento Alex, mas sou muito, muito desconfiado... não duvido que o livro seja bom, só acho estranhíssimo ele ter ganhado tantos

prêmios e de ter colhido tantas loas... rsrsrs

sou um pirracento querendo ser cético, porque

o ceticismo movimenta o pensamento, e um livro

que só colhe elogios não movimenta NADA em

mim... abraço, camará!

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 10:11



Comentário de: hardy

O que ando vendo por aqui é discurso e missão, não estímulo ao pensamento crítico. Quando surgem pensamentos críticos que vão de encontro ao discurso, eles são descartados, lamentados e/ou ridicularizados. Isso me leva a crer que o discurso já está prontinho, amarradinho e impermeável a ele, sim, ao valioso pensamento crítico. O discursador já encontrou A VERDADE, não consegue sair dessa bolha, muito menos ver que "as coisas não são tão simples como parecem" e "o caminho trilhado não é o único".

Essa bobagem de implicar com pseudônimo em bons comentários também é indicativa de um desapreço pelas idéias. Compra-se a etiqueta, não o conteúdo.

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 10:55



Comentário de: Cyntia

Pegando carona no comentário do Hardy:

Pois é, quando eu falei no outro post que não estava vendo ninguém discutir soluções aqui, não estava pedindo uma iluminação da parte do Alex. Achei que tinha ficado claro que eu me referia à caixa de comentários, em não ao blog em si.

O que tenho visto aqui são os tais dedos apontados. Gente que se acha no direito de criticar os outros simplesmente pq a pessoa assume que tem uma empregada doméstica. E se o patrão cumpre com suas obrigações de empregador e trata a doméstica com o respeito e consideração que qualquer ser humano merece? Continua a ser vilão?


Tive o desprazer de ver uma leitora descascando a outra pq a menina teve uma empregada quando engravidou aos 15 anos. Praticamente falou "teve filho pq quis", o que pra mim uma das piores coisas que se pode dizer pra alguém que engravidou sem desejar.

E tb percebi, como o Hardy e outros aqui, que qualquer evidência que coloca a questão em perspectiva é imediatamente descartada.

Como já disse antes, o problema do tratamento de muitas domésticas no Brasil é grave e deve mesmo ser discutido. Mas existe tb em outros países e em outras profissões (já pensaram na discriminação pelas quais passa uma prostituta ou um coveiro?).

Mas qualquer outro tipo de comentário aqui que não concorde plenamente com o discurso vigente é descartado. E não, não estou falando dos malucos que acham que empregada tem que ficar guardada no quartinho, limpinha e pronta pra servir a qualque hora do dia.

E acho que essa pequena caça às bruxas está sendo estimulada pelo autor do blog, que modera apenas o que vai de encontro ao pensamento pronto dele.

Sim, Alex, tá ficando chato e no mau sentido. E esse seu último post foi extremamente infeliz, pq acho que quem fez críticas, como eu, não estava atrás da sua iluminação. Vc distorceu o sentido dessas críticas a seu favor.

Sempre a favor do diálogo, me despeço.

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 11:40



Comentário de: Filipe

Concordo com o Alex no ponto em que diz não estar propondo soluções. Mesmo pq questões polêmicas só o são, realmente, justamente por não apresentarem soluções concretas que coloquem todas as outras opiniões por água abaixo.
Só alguém "muito bem" desinformado se diz completamente a favor ou contra o aborto, por exemplo. A questão é complexa demais e só um pretencioso maior do que ela poderia chegar numa única conclusão.
Uma solução deve ser proposta individualmente, mas pensada no e para o coletivo.
E como isso traz uma enorme responsabilidade, daí advém o que disse o Alex, mente aberta sempre em busca das perguntas.

Já a Cyntia não afirmou devermos PROPOR soluções, mas discutir as já existentes. E eu pergunto: Discutir os problemas já não seria uma forma de debater as soluções?

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 12:39



Comentário de: Te

Não são soluções, são alternativas que talvez precisem de melhorias para o problema da empregada doméstica maltratada: as leis trabalhistas e o estatuto da criança e do adolescente para as menores de idade. Amigos seus "pegaram uma menina pra criar"? Uma empregada do seu prédio foi humilhada por que usou o elevador social? Vão até elas e digam os seus direitos. Mas assumindo os riscos de comprar briga com os outros e ser chamado em tom de chacota de defensor dos frascos e comprimidos. Vão encarar ou preferir não se indispor com os outros? (Perguntas retóricas)

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 13:14



Comentário de: Fernanda Figueiredo · http://fifolina.blogspot.com/

Acho que se você tivesse proposto soluções haveria também várias pessoas dispostas a questioná-las e criticá-las. Tem gente que adora ser do contra.

Contudo, o problema não é só quem gosta de ser do contra. É mais profundo do que isso, na minha opinião.

No Brasil as crianças são ensinadas a aceitar e obedecer. Lêem a história do Brasil e do mundo nos livros de um mesmo autor por 2,3,4 anos. As crianças não são estimuladas a ler outras versões, conversar, questionar discutir. Aí o resultado é esse: adultos que se sentem incomodados com questões complexas e que procuram um caminho fácil sugerido por alguém.

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 13:41



Comentário de: Renato

O problema é a forma do ensino, que deixa todo mundo bitolado. É sempre o mesmo formato - para uma questão, uma resposta.

Na vida, como vocês mesmo mostraram, o problema nunca vem estruturado - é a pessoa que tem que identificar algo como problema. Não existem enunciados.

E, para cada problema, geralmente existem várias respostas. Esse formato "a resposta certa" cria depois essa legião de advogados de uma só tese, engenheiros de uma só solução, médicos de um só diagnóstico. Ou seja, o cara se contenta ao encontrar a primeira resposta - "oba, achei a resposta. Próximo!" enfim, a mediocridade, em todo o seu esplendor.

Triste, muito triste.

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 14:41



Comentário de: Brisa

O que mais falta no Brasil é uma educação que faça os alunos pensarem, discutirem e encontrarem soluções.É esse o papel de um verdadeiro professor, fazê-los pensar!
Definitivamente quem espera por uma solução mágica em uma bandeja de prata não tem mais nada pra fazer se não comentários inúteis apontando defeitos em um blog que, até então, só exerceu o papel importantíssimo de estimulante para nossas cabecinhas.

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 15:33



Comentário de: Carol

para os que ainda buscam soluções:
Lisbon Revisited (1923), do Fernando Pessoa.
(http://pt.wikisource.org/wiki/Lisbon_Revisited_(1923))
beijo, Alex

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 15:36



Comentário de: Fantasma das estepes

" As pessoas usam roupas tentando cobrir o que elas tentam desperadamente encobrir"

Quer seja o seu problema psíquico ou não, ou um defeito moral, um vestido espalhafatoso de ultima moda, a melhor grife não irá encobrir uma alma prostíbula.( marco antonio miranda)

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 17:05



Comentário de: Cyntia

Alex,

Moderar tb pode ser imputar sentimentos de culpas aos outros, apenas para diminuir as opiniões deles.

Pode ser recortar de um comentário apenas a parte que lhe interessa, com os mesmos fins descritos acima.

E tb ridicularizar, expor, e, principalmente, distorcer o conteúdo dos comentários alheios.

Em relação à leitora Hardy, eu realmente não sabia que se tratava de uma mulher. Eu leio o comentário e não o gênero do comentarista. E o aprecio ou não pelo seu conteúdo.

Em relação à tal "caça às bruxas", ela foi percebida não só por mim, mas por outros leitores e nós demos exemplos concretos em alguns dos comentários do outro post. Mas vc fez questão de pinçar apenas o que lhe interessava dos meus comentários e não tratar do que estava sendo discutido ali.

Fez questão tb de atribuir angústias das quais não compartilho com o intuito de diminuir minhas críticas.

Se vc leu todos os meus comentários deve ter percebido que em nenhum momento eu defendi a discriminação, o racismo e muito menos a tentativa de varrer pra debaixo do tapete esses problemas vergonhosos do nosso país. Só apontei a necessidade de enriquecer a discussão com outros exemplos, de práticas empregatícias de outros países e épocas. Mas numa espécie de leitura seletiva, tudo o que eu disse foi esquecido.

Claro, vc não apagou nenhum dos comentários, até onde eu sei, mas só "deu corda" para os que se posicionam a seu favor.

E, por fim, escreveu um post destinado aos leitores mais fiéis onde descrevia uma tentativa de busca de soluções fáceis, da parte de leitores de "mente preguiçosa". Todos vieram defender o blog, claro.

Vc diz que se diverte com tudo. Acho que além de se divertir tb consegue muitas comissões do Submarino com a venda de livros para os bem-pensantes classe média cheia de culpas pequeno burguesas. Uma missão pedagógica, como vc mesmo diz.

Vc perguntou por um psicólogo, e aqui eu me apresento. Sou psicóloga e esse tipo de conversa nao cola comigo, sabe. Sou analisada o suficiente pra conhecer minhas culpas e medos e não me impressiono quando alguém tenta imputar algo a mim que eu simplesmente não sinto.

No todo, achei sua argumentação tendenciosa. Para um dito libertário, vc tem usado técnicas no mínimo estranhas de retórica.

Pena.


PermalinkPermalink 13.11.08 @ 18:44



Comentário de: Alex Castro Email

A leitora Cyntia escreveu:

"O que tenho visto aqui são os tais dedos apontados. Gente que se acha no direito de criticar os outros simplesmente pq a pessoa assume que tem uma empregada doméstica. E se o patrão cumpre com suas obrigações de empregador e trata a doméstica com o respeito e consideração que qualquer ser humano merece? Continua a ser vilão?"


Não sei que dedos foram esses. Eu não vi ninguém acusando ninguém pessoalmente de ter domésticas, ou presumindo que todos têm domésticas, ou dizendo que todas as pessoas que têm empregadas são escrotas. Estou vendo muitos leitores discutindo os problemas de modo geral, e alguns leitores contando histórias pessoais. Uns contam histórias pessoais de horror, de empregadas exploradas e maltratadas, e outros contam histórias de como "lá em casa não tínhamos domésticas", ou "tínhamos, mas eram super bem tratadas", etc. Mas nenhuma acusação pessoal, ou dedos apontados, ou caça às bruxas.

Agora, claro, ninguém é responsável pelas carapuças que os leitores colocam. Pelo contrário, a impressão que tenho é que o assunto gera tanta culpa e ansiedade que a maioria dos leitores corre desesperada pra se inocentar, pra dizer que não, que não tem domésticas, que o problema não existe, na minha cidade ninguém tem, na minha casa éramos todos felizes, eu juro que sou uma pessoa boa!, etc.

Perguntem a algum psicólogo o que ele acha de tantos protestos.

E tb percebi, como o Hardy e outros aqui, que qualquer evidência que coloca a questão em perspectiva é imediatamente descartada. ... Mas qualquer outro tipo de comentário aqui que não concorde plenamente com o discurso vigente é descartado. ... E acho que essa pequena caça às bruxas está sendo estimulada pelo autor do blog, que modera apenas o que vai de encontro ao pensamento pronto dele.


Aliás, a leitora Hardy também escreveu hoje:

"Essa bobagem de implicar com pseudônimo em bons comentários também é indicativa de um desapreço pelas idéias. Compra-se a etiqueta, não o conteúdo."


Cyntia, só pra você saber, O Hardy é A Hardy. Ela também é mulher, assim como a Cam. E como eu me reservo o direito de não dialogar com gente que não assina o próprio nome, eu só comecei a responder aos comentários delas quando ambas me escreveram pessoalmente e se "revelaram". Reparem que eu nunca desqualifico quem não se identifica - essas pessoas é que se pré-desqualificam. Todos comentam livremente e sem restrições, mas, como indivíduo livre e independente que sou, me dou ao direito de somente dialogar com quem eu quero. E, sinceramente, quando o Tuca1982@bol.com.br aparece no meu blog, seja pra dizer que sou feio e bobo ou pra fazer um longo e elaborado comentário, eu prefiro não responder.

Em segundo lugar, fiquei muito curioso sobre várias expressões no seu comentários.

Por exemplo, "descartar". O que você chama de descartar? Apagar, censurar? Algum comentário foi descartado, apagado, censurado do LLL? Qual? E o que seria o NÃO-descartar? Concordar com você? Se você fala e eu discordo, isso pra você quer dizer que "descartei" seu comentário?

Outra coisa: "caça às bruxas", via de regra, é uma busca histérica por culpados, mas como não vi ninguém acusando ninguém de nada ("você tem domésticas que eu sei!", "todos que têm domésticas são maus!" etc) fica meio difícil de entender a comparação. Como pode haver caça às bruxas sem acusações específicas a indivíduos específicos? Você poderia esclarecer?

Por fim, "moderar". Suas outras reclamações eram genéricas, poderiam se referir aos leitores de modo geral ou a mim, mas essa foi específica comigo ("o autor do blog modera...").

Moderar, em internet, quer dizer só aprovar alguns comentários e não permitir a publicação de outros. É prática muito comum na internet, perfeitamente aceitável e qualquer blogueiro tem o direito de fazê-lo. Eu, entretanto, nunca fiz. Que moderação é essa que você menciona? O que foi moderado no LLL? Tem alguém por aí dizendo que comentou aqui e eu apaguei? Muito, muito estranho.

Em suma, perdi aqui um tempo na minha manhã escrevendo esse adendo porque estou me divertindo muito. Acho que esses comentários são mais uma manifestação da ansiedade crônica que acomete os brasileiros quando se fala de um assunto tao incômodo. De fato, a maioria dos leitores diz que se convenceu de que o racismo ainda existe no Brasil, ou que a questão das domésticas ainda é um problema, não por causa dos meus textos, mas por causa dos comentários.

Fica difícil ler uma mulher esclarecida dizendo que acha prático e razoável pedir para uma empregada tomar banho antes de começar a trabalhar e não ver nisso uma indicação do fosso que divide os patrícios dos intocáveis nessa nossa sociedade de castas. Fica difícil ler uma leitora dizendo que não é racista a polícia parar mais negros do que brancos, porque os negros tendem a ser mais pobres e os pobres tendem a se envolver mais com criminalidade, logo os policiais estão certos, e não concluir que o nosso país não só é racista, como não aceita o seu próprio racismo.

Ninguém foi acusado de nada, não se apontaram dedos, não se descartaram opiniões, não moderei comentários. Todos falaram livremente e publicamente e cada um é responsável por sua opinião - daí serem problemáticos os comentários anônimos, mesmo se bem escritos e elaborados, pois são uma fuga da responsabilidade inerente à expressão pública de uma opinião. Entretanto, mesmo com as minhas reservas, esses comentários não são nem descartados nem moderados.

Acho muito interessante quando os comentários parecem reclamar do excesso de liberdade dos comentários. As pessoas que assinam com pseudônimos e não se responsabilizam por suas opiniões são as mesmas que reclamam dos dedos apontados das outras. Como disse, não vi nenhum dedo apontado, nem nenhuma acusação pessoal, mas, se visse, podem ficar certos que não apagaria. Só apago comentários que ofendem pessoas que eu mesmo expus. O resto é liberado.

A brincadeira aqui é um debate livre e democrático. Todos podem falar. Inclusive os que discordam ferozmente de mim. Inclusive os que assinam Kiko6969@hotmail.com. Ninguém é descartado nem moderado.

Se você não gosta disso, se acha que não aguenta, se ficou incomodado, se queria que eu censurasse esses bárbaros que ousam discordar de você, então eu só posso lamentar. A liberdade total dos comentários é parte inerente, integrante, essencial do processo pedagógico do LLL: sem isso, se fosse só eu falando sozinho, não adiantaria nada.

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 18:45



Comentário de: Igor · http://umfevereiro.wordpress.com

Alex,

O livro está em http://umfevereiro.wordpress.com.

Um abraço!

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 18:54



Comentário de: Alex Castro Email

cynthia,

duas coisinhas: meu texto foi em resposta ao seu comentário, mas estava falando a todos os leitores, e não somente a vc, e nem SOBRE vc. eu nao te acusei de nada, nem fiz nenhuma reclamacao sobre sua conduta. vc nao precisa se defender pra mim, dizer que "nunca defendeu o racismo" e tal. eu sei que nao. eu li o que vc escreveu.

o que nos traz ao ponto dois. sim, eu li com cuidado tudo o q vc escreveu, seus comentarios sao inteligentes e articulados, mas discordo, discordo, discordo.

o que mais vc quer de mim exatamente?

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 18:58



Comentário de: Cyntia

Ufa, Alex, por um momento achei que vc tinha virado adepto da técnica copy & past de resposta!

E achei sim que muito do seu post foi direcionado a mim. Afinal, vc pegou partes do meu comentário e depois respondeu se dirigindo à minha pessoa. Eu sei que era pra outros leitores tb, mas eu senti que precisava dar uma resposta particular.

Agradeço o que vc disse sobre os meus comentários e folgo em saber que foram lidos na íntegra.

Não quero nada de vc a não ser o diálogo. Acho o LLL um blog interessante e único em sua proposta. Sou leitora antiga, apesar de pouco comentar.

O meu problema maior aqui foi com um comentário específico, que eu já citei no outro post. Achei injusto e continuo achando.

Vc discorda e discorda e eu tb e tb. Mas continuamos a conversar. Que bom, né?

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 19:39



Comentário de: Clara

Alex, você já leu esse artigo?

"Margarida é parte da família – pelo menos é isso que ela e dona Ana dizem. Por outro lado, admite que sente falta de sua família verdadeira. Aos 23 anos, e sem trabalho, ela deixou a filha de 8 meses na Bahia e veio para São Paulo. De ano em ano a visitava. A relação de Gaída na casa hoje é tão familiar que há mais de um ano ela não recebe o salário devido, R$ 500, e continua trabalhando. Por conta de uma crise financeira da família há mais de um ano, ela ganha de R$ 50 a R$ 100 por mês, valor bem distante dos R$ 410 correspondentes a um salário mínimo. “A Margarida não recebe direito faz tempo, mas ela dá força pra gente”, confirma dona Ana, por telefone. Sem dinheiro para comprar nada, e vivendo num apartamento avaliado em R$ 600 mil, ela realmente dá força para a família, diariamente, das 6h às 21h. E ainda “entende a situação” e vai levando a vida."

Daqui ó:
http://revistatrip.uol.com.br//158/empregadas/01.htm

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 20:39



Comentário de: ana p.

Estou matando aula da faculdade e não posso fazer um comentário mega articulado. Só queria dizer que você deve ser dos blogueiros mais felizes que podem existir: tanta discussão acalorada acerca do que vc escreve ou comenta ou comenta nos comentários... uma hora cada um encontra a sua solução!

Adorei a primeira parte do post. E não, não tenho nada contra não apresentar soluções. Já tinha ouvido algo mto parecido com isso há mtos anos, na primeira faculdade que eu tentei frequentar!

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 20:51



Comentário de: Henrique Cartaxo · http://poetamorto.blogspot.com

Sobre problemas e soluções: Eu sinto que a humanidade carece de um projeto, de algum objetivo por que lutar, coletivamente e publicamente. A constatação de tantos e tantos problemas torna o mundo público deveras desagradável, a reclusão ao mundo privado é muito mais confortável.

Não havendo perspectivas de melhora, não há muito motivo para entrar em contato com tantos assuntos incômodos. A não ser que a nós pretensos intelectuais entretenha afundar a cabeça em questões cada vez mais complexas, como que para desafiar nossa capacidade de elucidar as coisas.

Te perguntei no msn outro dia se você se envolvia pessoalmente, além de pesquisar o tema, se sentia a dor. Não sei se você entendeu bem a minha pergunta, mas sua resposta foi 'não', e eu acho mesmo complicado que uma pessoa que, como você fez, se posiciona claramente diante de um tema sociopolítico e não atua sociopoliticamente de acordo com esta posição.

Eu acredito que se dar ao diálogo e publicar estas coisas, tendo o certo público que você tem, já é uma forma de atuação política. Acredito que qualquer mudança que tenha que ocorrer deve mesmo que começar pelos "corações e mentes" das pessoas.

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 23:25



Comentário de: Cyntiab

"O Brasil não é um país para iniciantes"

(Frase atribuída a Tom Jobim)

PermalinkPermalink 14.11.08 @ 10:05



Comentário de: Ricardo

Ok, eu aceito...
Tenho empregada, ela mora em casa, e uma semi escrava.

Nao sou branco, nem negro. Sou "cor de rio", mas sou considerado branco no Brasil.

Minha empregada ganha o suficiente pra ter "uma senhora que ajuda em casa"... e uma menina de 15 anos que cuida de um dos filhos dela.

Quer dizer, somos dois "pardos", semi-brancos, escravizando e escravisados.

Acho que a questao racial esta posicionada conforme um range de renda.

Negro eh o mulato mais pobre. Os outros sao morenos

nao ha problema de racismo no Brasil, pq como tudo no Brasil o racismo foi totalmente assimilado.. tipo a inflacao foi assimilada com a correcao monetaria.

Foi tudo assimilado pelo comportamento medio brasileiro e deixou de ismo e virou cultura.


cena 1:
peido no elevador...

a culpa e delegada pela ordem.

1- Mais negro (combinando a equacao:
N=R^(alpha)*C^(1-alpha),

dado que alpha esta entre zero e um, N=negritude, , C= Cor efetiva

2-Mais pobre, supondo N similares

3- Mais Gordo Suado

...

claro que o Gordo vem logo depois do mais petro. Afinal... gordo e complicado.

...

Por falar em gordo...

Li uma pesquisa em que a Catho (aquele site enganacao de emprego) entrevistava empregadores.
O nivel de preconceito contra gordo e maior de que contra homosexuais e negros.

Entao vale mais a pena se viado e preto do que gordo.

Sou pela cota dos gordos. Eles nao pediram para ser assim. Os sao descrimidados... ai ai ai.

Qual foi o ultimo presidente gordo (verdadeiramente)???????




PermalinkPermalink 14.11.08 @ 10:45



Comentário de: Victor Barone · http://escrevinhamentos.blogspot.com/

“As soluções cabem a cada aluno/leitor, em seus papéis de pai/mãe de família, cidadão, eleitor, trabalhador, artista. Se propor soluções coubesse somente ao professor, então as soluções seriam somente tão boas quanto ele: mas a responsabilidade da solução é de todos e, portanto, a qualidade da solução será uma soma do potencial de todos nós.”

Muito bom. Estamos (para generalizar) sempre em busca de alguém que resolva os nossos problemas, que decida por nós, que aponte saídas, que nos pegue pela mão e nos guie até a terra prometida onde correm rios de leite e mel. Dá trabalho pensar. Por estas e por outras é que uma visão libertária do socialismo não prosperou. Somos (enquanto raça) muito, muito preguiçosos.

OBS: Postei este comentário equivocadamente no
post acima.

PermalinkPermalink 14.11.08 @ 10:52



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"O nivel de preconceito contra gordo e maior de que contra homosexuais e negros.
"

Na verdade, o maior preconceito atualmente existente, silencioso (pq as pessoas que sofrem tem vergonha de falar) e, por incrivel que parece socialmente aceitavel (eh o unico preconceito ainda aceito por quase todas sociedades, mesmo as politicamente corretas - eh ok tirar sarro dessas pessoas)eh contra os "homens baixos" (sim, especificamente homens).

Viu, posso ate sentir a risadinha interior de quem leu isso (o q explica muito o preconceito), mas eh um fato.

E sim, existem estudos academicos serios sobre isso. Nao so os baixos ganham menos, como tem mais depressao, dificuldade de relacionamento, casam menos e sao esnobados por mulheres, mesmo menores que eles (uma pesquisa mostrou que uma mulher considera a altura do homem contra a media dos outros homens, nao dela mesma).

E o cara baixo que supera tudo isso ganha o que? "Ah, ele tem complexo de Napoleao, eh arrogante". O que eh uma virtude em um cara normal ou alto, iniciativa/autoestima, eh defeito em um baixo.

Anyway, existem varios outros preconceitos alem dos raciais. No caso especifico do Brasil eh melhor ser um mulato alto do que um baixo branco, pode ter certeza.

PermalinkPermalink 14.11.08 @ 14:07



Comentário de: Rachel · http://riogringa.typepad.com

Marcio,

Para a sua informacao, ja estou puta da vida aqui e ja planejo voltar para EUA, se Deus quiser em muito menos de cinco anos. Nunca falei que pretendo resolver os problemas do Brasil, senao problemas. Quero voltar a estudar para poder tratar de problemas serios no mundo inteiro, nao so no Brasil ou nos EUA.

Mas voltando ao tema, o problema que o Alex explica aqui, apesar de ser complexo, se resolve so com a boa vontade das pessoas. O problema e falta de vontade.

PermalinkPermalink 14.11.08 @ 14:45



Comentário de: Alex Castro Email

Rachel,

eu acho que vc nao me entendeu entao. eu não disse que nao devemos tentar solucionar os problemas do mundo. pelo contrario, eu disse que as solucoes sao responsabilidade de todos. o que eu disse que não devemos fazer é exigir ou esperar que outros nos deem soluções ou respostas prontas...

E confesso que pensei a mesma coisa que o marcio: "oh my, brazil will break her problem-spirit soon enough..."

PermalinkPermalink 14.11.08 @ 15:29



Comentário de: Rafael · http://www.thequestlog.blogspot.com/

É por isso que eu dou meio ponto na prova pros meus alunos que fazem boas perguntas, ao invés de dar ponto pra quem dá a resposta certa. =)

PermalinkPermalink 14.11.08 @ 15:48



Comentário de: Homero

"Fica difícil ler uma leitora dizendo que não é racista a polícia parar mais negros do que brancos, porque os negros tendem a ser mais pobres e os pobres tendem a se envolver mais com criminalidade, logo os policiais estão certos"

Depende das razões que levam a polícia a parar mais negros que brancos numa Blitz. Se é porque eles aparentam ser pobres, aí é racismo, mas e se tiver um trabalho estatístico mostrando a propensão de uma pessoa cometer mais crimes, aí seria racismo? Vou dar um exemplo hipotético:

De cada 100 carros dirigidos por brancos que a polícia rodoviária federal manda parar numa BR para inspecionar, em média são encontradas drogas em 28 carros. Quando os carros são conduzidos por negros, de cada 100 automóveis inspecionados os policiais encontram drogas em média em apenas 12 carros.

Baseados nessa estatística, se o chefe da inspeção ordena que os policiais diminuam em 30% as inspeções em carros conduzidos por negros e aumentem em 30% as inpeções em carros conduzidos por brancos, há racismo nessa atitude?

PS: parte-se sempre do princípio de que inspeções só podem ser feitas por amostragem, já que inspecionar cada automóvel pararia o trânsito, tornando essa atitude impraticável.

PermalinkPermalink 14.11.08 @ 16:00



Comentário de: Caio

Acredito que a resposta definitiva ou um grande plano simplesmente nao tem como.
O Alex e todos que comentaram contribuíram com a questao. A resposta, sem a urgência dos dias atuais, virá para cada um quando ao nos depararmos com situacoes peconceituosas, levarmos em conta (ou nao) o que foi lido por aqui.
O único preconceito que posso combater é o meu. Comecarei por ele.

O mundo só acontece ao nosso redor.


PermalinkPermalink 14.11.08 @ 17:44



Comentário de: Paulo Vieira

"De cada 100 carros dirigidos por brancos que a polícia rodoviária federal manda parar numa BR para inspecionar, em média são encontradas drogas em 28 carros. Quando os carros são conduzidos por negros, de cada 100 automóveis inspecionados os policiais encontram drogas em média em apenas 12 carros."

Bom, considerando que racismo significa de acordo com o google "preconceito ou discriminação baseada na raça de um indivíduo", ao fazer as estatísticas de crimes divididas por raça a policia está sendo racista.

Ok, a razão da policia parar mais negros do que brancos pode até estar baseada em estudos científicos, e pode até ser mais eficaz, do ponto de vista do objetivo teórico da policia que seria nesse caso apreender drogas. Mas não deixa de ser racista.

PermalinkPermalink 14.11.08 @ 18:16



Comentário de: Homero

Preconceito é diferente de conceito.

O preconceito é firmado sem nenhuma informação que o justifique. Já o conceito é baseado em informações sólidas.

"A água da chuva é seca" é um preconceito porque foi uma afirmação sem base ou observação.

"A água da chuva é molhada" é um conceito porque surgiu depois da afirmação e da constatação das características da água.

No exemplo hipotético, eu propositadamente criei dados afirmando que a maioria dos crimes é cometida por brancos e não por negros para que o argumento fosse analisado com o cérebro e não com o estômago. Pelo jeito, a argumentação não foi lida da forma em que ela está escrita.

PermalinkPermalink 14.11.08 @ 21:00



Comentário de: Alex Castro Email

homero,

seu argumento tem umas vinte premissas furadas, inclusive essa questao do preconceito vs conceito. se fosse assim, por exemplo, só poderiam ser preconceituosas contra negros pessoas que nunca conheceram nenhum negro...

se pudessemos provar que 90% dos criminosos sao negros, e que é por isso que a polícia pára mais negros do que brancos, eu posso imaginar poucos cenários que seriam MAIS racistas do que isso.... uma ação racista ancorada em fatos indiscutíveis não é menos racista por causa disso...

vc parece ser do tipo que compara as camisas "100% negro" e "100% branco"...

PermalinkPermalink 14.11.08 @ 21:15



Comentário de: Beatriz

Homero, eu não imagino como seja possível fazer a estatística a que você se refere.
Quem é branco e quem é preto no Brasil? Como disse o Ricardo, a cor depende muito da renda. Conforme a pessoa enriquece ela "embranquece" socialmente. Negro rico só se for pretão mesmo, porque aí não dá mesmo para simplesmente chamar de moreno. O mesmo vale para branco pobre.É uma sutileza que não dá para colocar em estatística.
Quanto ao comentário do Alex
"Fica difícil ler uma leitora dizendo que não é racista a polícia parar mais negros do que brancos, porque os negros tendem a ser mais pobres e os pobres tendem a se envolver mais com criminalidade, logo os policiais estão certos" Eu me lembro quando a leitora comentou isso, e eu fiquei pensando depois que ela provavelmente estava pensando nos crimes que violam a propriedade diretamente, em que há o contato da vítima com o criminoso e a consciência da ocorrência do crime no momento. Um assalto, por exemplo. Um crime de pobre. Os crimes de pobre são mais fáceis de serem perseguidos, é mais fácil de mostrar serviço. De qualquer forma, ainda que não seja possível colher provas robustas contra o pobre é sempre mais fácil de condená-lo, seja porque eles têm menos meios de se defender, seja porque os crimes de que são acusados são os que afetam a classe média, a classe dos juízes e dos promotores, que tendem a inconscientemente agir de forma a defender a classe social. E tem o racismo, mas ainda assim eu acho que a lógica da polícia é muito mais a lógica do despreparo e do comodismo do que de racismo propriamente dito. Como geralmente os pretos são pobres eles tendem a sofrer mais com isso, então mais negros são presos, e fica marcada a imagem de negros presos e isso tende a alimentar o preconceito.
Eu não estou dizendo que não existe racismo na persecução penal, mas que existe uma questão econômica muito forte até porque a cor de uma pessoa no Brasil depende muito da classe social.








PermalinkPermalink 15.11.08 @ 01:03



Comentário de: Homero

Você me compreendeu perfeitamente, Alex. Eu acho que usar uma camisa escrita 100% Negro é tão racista (e ignorante do ponto de vista biológico, pois todos nós somos vira-latas) quanto usar uma camisa onde está escrito 100% Branco.

Se você diz que existe racismo no Brasil porque há indivíduos racistas, então não há nenhum lugar do mundo livre de racismo. Isso nos levaria ao absurdo de igualar a África do Sul atual à África do Sul da época do Apartheid. Tanto agora quanto antes há indivíduos racistas no país.

Meu ponto de vista é que uma sciedade só pode ser chamada de racista quando há leis, regras, intituições, normas, usos e costumes formais separando as pessoas por raça. Isso não ocorre no Brasil atual.

Desde que a escravidão foi abolida e a república instituída, nós nunca tivemos racismo institucionalizado, embora sempre, como em qualquer país do mundo, tenha havido indivíduos racistas no país.

PermalinkPermalink 15.11.08 @ 02:03



Comentário de: Alex Castro Email

Homero, os posts de hoje, da proxima segunda e da proxima quarta sao exatamente sobre isso. Por favor, leia e depois me conte o que acha.

Enquanto isso, sobre a camisa 100% Branco, dê uma olhada nisso aqui:
http://www.interney.net/blogs/lll/2008/04/16/ser_da_raca_certa_parte_ii_de_iv/

PermalinkPermalink 15.11.08 @ 02:26



Comentário de: Paulo Vieira

"Desde que a escravidão foi abolida e a república instituída, nós nunca tivemos racismo institucionalizado, embora sempre, como em qualquer país do mundo, tenha havido indivíduos racistas no país."

Se a instituição não é racista, como voce justificaria a existência de estatísticas sobre crimes segregadas por raça? Se voce não é racista, isto é, voce não tem nenhum preconceito em relação a raça, isto é, voce acha que raça não influencia na probabilidade de um individuo cometer um crime, porque diabos voce encomendaria uma pesquisa sobre criminalidade segregragando os resultados por raça?

A partir do momento que se cria estatísticas com o objetivo de verificar se a determinada raça é mais "isso ou aquilo" que outra, e se "isso ou aquilo" for encarado pela sociedade como algo ruim, isso é racismo. não tem como negar.

Se eu fui assaltado 10 vezes nos ultimos 20 dias por 10 negros, e a partir dai eu passar a evitar todo o contato com negros, atravessar a rua quando eu ver um negro, e achar que todos os negros são bandididos e etc. eu serei um racista. Dicionários passariam a me utilizar como ilustração do verbete "racista". Minhas atitudes estarão baseadas em estudos científicos ("10 em 10! A margem de erro é menor do que epsilon igual a 0.05 porcento, se considerarmos que a distribuição de bandidos por raça é uma normal-gama com parâmetros phi e theta!"), eu certamente sofrerei menos assaltos no futuro (ok. eu admito. eu sou racista.), e ainda assim eu continuo sendo racista.

Invertendo os papeis, se uma organização de orgulho negro faz uma pesquisa científica com o objeivo de provar que os negros são mais (ou menos) "isso" do que os brancos, de forma provar que os negros são melhores que os brancos, essa associação estará sendo racista.

Basicamente, se voce trata uma pessoa de uma raça de forma diferente de que voce trataria ela se ela fosse de outra raça ceteris paribus, voce está sendo racista.

A minha única dúvida são os judeus. Ser judeu é raça ou religião? Se eu tiver preconceito contra judeus, é preconceito racial ou religioso ou os dois? Se são os dois, existe uma hierarquia? Seria preconceito racial antes de ser religioso ou o contrário? Eu sempre fico em dúvida em relação aos judeus. malditos judeus....

PermalinkPermalink 15.11.08 @ 03:11



Comentário de: Alex Castro Email

paulo...

as vezes eu fico pensando se vcs nao escrevem algumas coisas só pra me assustar....

PermalinkPermalink 15.11.08 @ 04:01



Comentário de: Paulo Vieira

é mais divertido assim alex.

PermalinkPermalink 15.11.08 @ 05:18



Comentário de: Homero

Alex, eu já tinha ouvido essa argumentação de que uma camisa 100% Negro é diferente de uma camisa 100% Branco. Talvez nunca de forma tão elegante e articulada como você escreveu, mas já conhecia o argumento. infelizmente o argumento ainda não me convenceu.

Concordo com o Paulo quando ele diz que no momento em que as estatísticas começam a classificar as pessoas por raça (essa abstração mal definida) a sociedade está abrindo as portas do racismo.

No momento em que a cor da pele é o fator definidor do bem-estar, a mentalidade racista se instalou.

PermalinkPermalink 15.11.08 @ 12:29



Comentário de: Alex Castro Email

"Concordo com o Paulo quando ele diz que no momento em que as estatísticas começam a classificar as pessoas por raça (essa abstração mal definida) a sociedade está abrindo as portas do racismo. No momento em que a cor da pele é o fator definidor do bem-estar, a mentalidade racista se instalou."

Homero, as portas do racismo estao escancaradas há 500 anos e nunca estiveram nem entreabertas... A mentalidade racista está instalada e confortável há 500 anos... o que se está fazendo é uma tentativa de corrigir isso...

vc acha mesmo que as portas do racismo nao estavam abertas antes? que antes nao havia mentalidade racista no brasil? como assim?

se vc acha que o racismo não existia até que se começou a fazer camisas "100% negros" e falar de cotas, entao em que mundo da fantasia você vivia? conta pra mim....

PermalinkPermalink 16.11.08 @ 12:59



Comentário de: Shikus N. Dismeni

Respostas existem; o problema é que quando uma se apresenta logo aparece alguém para jogar areia. E uma que satisfaça todo mundo é praticamente impossível, logo... dançamos.

PermalinkPermalink 07.10.09 @ 14:02



Comentário de: Bruna lemos · http://bruna site

Eu sou gay,já transei com a minha irman e com
várias garotas os meus pais estao prestes a descobri
e também eles tem preconceito oque eu fasso?

PermalinkPermalink 05.04.10 @ 13:36



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