Dúvidas de Uma Leitora sobre a Questão das Domésticas

Alex,

Você (ou qualquer outro aqui) saberia me explicar (e pra todos os outros) quem fazia os serviços domesticos nos países onde nao havia escravidão e como era a relacao destes com seus patroes?

Tipo, uma vez eu li um livro sobre o Henrique VIII e fiquei perturbada em saber que, na corte, um dos cargos de maior prestigio era o de "funcionário do penico", um carinha que limpava a bunda do rei, essa pessoa era a pessoa mais intima do rei. Esse cargo era sempre dos nobres que frequentavam a área intima do palácio e eles tinham titulos importantes, tipo Conde e tal e eram meio que lobistas.

E também me pareceu que algumas pessoas que serviam à corte podiam frequantar festas e eventos dentro dentro palacio, mas eu nao consegui entender se era assim pra todo mundo, quem podia fazer o que e nem o que essas pessoas recebiam em troca. Eu supus que os filhos dos nobres faziam mais os serviços de quarto dos reis, mas nao sei quem fazia comida ou lavava as roupas por exemplo.

Mas quando uma filha de algum nobre era chamada pra servir de acompanhante da rainha, ela recebia um salario? Ou estar na corte já era um privilegio tao grande e uma abertura da infinitas oportunidades de vida que ja era o suficiente.

E isso era na corte, mas e nas casas desses nobres, quem fazia o que? Quem eram os serviçais?

Eu pergunto isso pois nunca aprendi nada a respeito, nao sei se essas coisas se aplicam apenas à essa época e lugar ou se eram assim em todos os lugares e principalmente para entender de onde surgiu a ideia de usar escravos nas colonias. Tipo, se eles não tinham em casa, por que resolveram fazer na rua.

Como eram os escravos gregos? Eles ficavam confinados também? Todas as escravidões são iguais?

Como funciona em outras culturas a situaçao onde a empregada mora no trabalho? Alguém sabe? É sempre um imigrante que fica com o serviço domestico?

Desculpe a pergunta ingenua, mas acho que se você ou alguém soubesse responder, todo mundo poderia pensar em termos relativos.

Eu entendo que você nao está dizendo que todos nós tratamos nossas empregadas como ecravos, mas de certa forma está colocando todo tipo de caraminholas e questionamentos na nossa cabeça.

Eu fiquei pensando e já te disse antes que eu entendo a maioria dessas restrições impostas à empregada como uma coisa de origem prática por exemplo:

Eu não acho errado nao deixar a empregada trazer ninguém em casa, tipo eu nao tenho como controlar com quem ela se relaciona e me sinto muito desconfortável com estranhos em casa, se uma amiga aparece na minha casa com uma amiga dela que eu nao conheço, eu me sinto muito desconfortável.

Eu não acho errado pedir pra empregada tomar banho quando chega de manhã antes de começar o serviço. Cara, ela pode ser a pessoa mais limpa do mundo, mas e as outras cem mil que vem espremidas no trem com ela? (Fulaninho acordou as 4 da manha pra ir pra obra e nem deu tempo de tomar banho e limpar os fluidos do sexo da noite anterior) Ela vai chegar e mexer nas minhas coisas, arrumar a minha cama, dobrar a minha roupa limpa toda melada de suor (e sabe mais lá o que)de terceiros? Eu tomo banho quando chego da rua, por que nao pedir que ela faça o mesmo?

Até que ponto é errado querer um pouco de privacidade na sua própria casa? Querer comer de pijama na cozinha ou andar pelada pela casa? Se a empregada ficar livre pra circular, você nao pode ficar tao a vontade.

E se você gosta muito de comer uma coisa que custa caro, dai voce compra um pouco, e até dá pra ela um pouquinho pra nao ficar com agua na boca, mas é errado reservar o resto só pra você? Pensa bem, você nao faz isso com as outras pessoas da casa? Não tem um chocolate ou sei lá um queijo que é só seu e nao é pra ninguem pegar? por que com a empregada é ofensa? Tipo se sua roomate come seu chocolate belga, ela pode comprar outro e repor no dia seguinte, mas será que a empregada pode fazer o mesmo?

E pensa bem, quando você mora na casa de outra pessoa (alguém aqui fez intercâmbio?) você nao tem que viver sob as regras dela? É injusto que o dono da casa imponha as regras de acordo com os seus costumes?

Eu entendo que essa origem prática pode tomar proporçoes sádicas, mas até que ponto elas nao são legitimas e justas?

Eu optei por nao ter empregada que dorme. Acho um saco tirar a liberdade dos outros, mas também nao vejo muito como nao tirar numa situaçao dessas.

Só pra você saber, em muitos dos projetos de casa que faço, eu coloco uma salinha intima com copa pras empregadas perto do quarto delas.

 Promoção Submarino  especial Obama

 

11.11.08



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Comentários:


Comentário de: Natokun

Um ótimo termômetro de bom senso é o bom e velho "gostaria que fizessem isso com você ?".

Isso filtra muitas frescuras de pré-concepções de cor, raça, etnia, partido, religião e outros rótulos que o pessoal adora classificar e hierarquizar.

É só imaginar como seria tal comportamento com um amigo, ou em um local de trabalho (um cubículo padrão da sociedade moderna)

Creio que ninguém gostaria que seu tempo de uso do banheiro (nem que fosse para esitcar as pernas e sair do cubículo) fosse contado como hora não trabalhada ou tivesse o tempo cerceado (e a dor de barriga, como fica? Desconto no cheque ?)

Mas escutei que o pessoal de telemarketing tem um tempo maximo de uso.

Se alguém no ambiente de trabalho faz um agrado e traz algo gostoso para os colegas, mas não dá para você, pode desdenhar o quanto quiser, dizer que não importa, que fulano é chato, mas ser humano (homo sapiens sapiens) ainda vem com a bagagem genética e psíquica semelhante, e vai se sentir chateado(a) sim por não fazer parte do bando social.

Se um dia seu carro quebrou no caminho ao trabalho, e por algum acaso estava sem dinheiro para o taxi e teve que pegar um ônibus (ai que horror, muitos poderão dizer), e ao chegar no trabalho alguém jocosamente ou não diz que você poderia usar um desodorante, você vai se sentir incomodado(a) sim. Isso é claro, se o stress e a revolta do dia ter dado uma merda não ofuscar completamente esse sentimento.

Ressalto o que disse anteriormente. Empatia. Coloque-se no sapato dos outros.

As respostas da vida são todas "depende".

É adequado comer algo sozinho e não oferecer ?

Depende ué. Tem dia que quero comer um pote de nutella sozinho e que se danem os outros. Mas sei que quem está ao meu redor gostria de dividir comigo em outra ocasião.

Antes de encaixar uma pessoa em um conceito a priori que foi aprendido ao longo da vida, faça esse simples check de realidade.

"E se fosse comigo?"

Pode te tirar de muita confusão.





PermalinkPermalink 11.11.08 @ 08:02



Comentário de: mauro · http://mtatini.blogspot.com

"e se fosse comigo?" não se aplica aqui, sorry. Existe uma diferença grande entre situação social, e trabalho. Numa sociedade capitalista, eu (o operário) tenho que chegar na hora certa, comer na hora certa, sair na hora certa. O Chefe já tem mais regalias que isso. O dono, então, nem se fala. É o preço de fazer business. A vida do dono da empresa pode parecer perfeita pra quem está do outro lado da moeda (a grama sempre é mais verde do lado de lá;) - mas ele resolveu correr esse risco, colocou grana no negócio, emprega (e paga as contas, de certa forma) uma dezena de pessoas, e é responsável por esse business. A outra moeda é que na hora do décimo terceiro ou das férias, não importa se a companhia rendeu o suficiente, ou como vai ficar quando voce sair os 30 dias pra viajar ou ficar em casa com sua família. Se a firma está com problemas, quem tem que chegar mais cedo, sair mais tarde, trabalhar fins de semana e não ter tirado férias em anos não é o operário.
E esse negócio de "dividir" no trabalho é bullshit, I'm sorry. Eu posso até tentar ter um relacionamento amicável na firma, mas amigo a gente escolhe, não é escolhido por nós. Trabalho não é clube (como diria minha esposa, que teve uma agencia de modelos de sucesso em sao paulo por mais de década) - é pra trabalhar. Se voce gosta do que faz e das pessoas que trabalham com voce, isso é bônus, e só. Eu vejo muito isso aqui em NYC: todo brasileiro quer ser teu amigo. E depois se decepciona quando o outro/outra pisa na bola, e resolve soltar a frase super original aqui: "brasileiro nos estados unidos é tudo filho da puta!". E eu tento mais uma vez explicar que no brasil, TODO MUNDO fala portugues. Nem por isso todos sao meus amigos. Por que aqui isso seria motivo pra fazer amizade? "ah, voce fala minha lingua - nós temos isso em comum, vamos ser amigos?" - e a decepção vem de termos abaixado o nosso padrão - viramos amigos de pessoas que no brasil só seriam conhecidos, e olhe lá.
Acho exagerado esse nova "consciencia" que as pessoas começaram a achar sobre as empregadas domésticas. Claro, tem exageros. Mas newsflash, esse exagero existe em todos os lugares, pra tudo - desde o cara que trabalha na cozinha do seu restaurante favorito, até a secretária do patrão que não sabe ter limites, e ela aguentando pra nao perder o emprego. Usar os exemplos extremos pra fazer um ponto não vale, e não ajuda a situaçao. Daqui a pouco vai ter um monte de doméstica sem emprego, pois as pessoas vao fazer um esforço e não contratar, já que agora entram as mesmas regras de quem tem uma empresa e contrata um funcionario. Uma dona de casa com filhos no colégio e marido que mal recebe pra pagar as contas não vai poder arriscar ser processada por uma doméstica - e aos poucos, as pessoas vao começar a entender que isso é luxo, e que vao ter que se virar sozinhas (como acontece nos USA - poucas pessoas tem quem trabalhe em casa, só quem é rico mesmo) - e aí? Será que essas domésticas vão gostar dos "novos direitos"? Quanto tempo até aparecer aquela que vai dizer "não, nem precisa de carteira, eu trabalho pra senhora sem essa preocupaçao"...
É fácil achar que o problema pode ser resolvido assim, com uma lei, e pronto. Mas quem essa lei está realmente ajudando?

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 08:33



Comentário de: blogdofilipe

brasil é um país autoritário

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 09:59



Comentário de: Thiago

Acho que depois de tanto blábláblá sem sentido ali no fim descobriu-se a luz.

Tem muitas empresas que tem funcionários que dormem no serviço, mas a situação é COMPLETAMENTE DIFERENTE.

Eles não tem sua privacidade ou sua liberdade limitada (com raras exceções das quais eles estão completamente cientes e porque escolheram essa profissão - como plataformas de petróleo, etc).


PermalinkPermalink 11.11.08 @ 11:06



Comentário de: Carla · http://www.enfim.org

Eu tive "doméstica" por dois anos. Ela chegava às 8h e saía às 16h.

Detalhe: eu tinha 15 anos e morava sozinha. Digo, só com o pai da minha filha, sem pais / avós / etc pra me ajudar com a bebê. Ele trabalhava a partir das 8h30, e era sempre uma briga pra ele ficar com a bebê por 45 min até a empregada chegar. Eu tinha aula das 7h30 ao meio dia e fazia cursinho de tarde - ou melhor, pretendia fazer... Mas não podia, porque o horário dela era inegociável. Nem pagando hora extra.

A Ivone ainda tinha horário de almoço, carteira assinada, ganhava mais que o salário mínimo e trabalhava menos de 8h / dia.

Quando ela disse que um casal de senhores havia oferecido mais dinheiro a ela, querendo que eu cubrisse a oferta, disse que sentia muito e que ela ficasse a vontade. Com o dinheiro que eu pagava a ela, poderia contratar uma faxineira 1x semana e deixar a minha filha em escola de turno integral, podendo ficar até 12h fora de casa, fazendo meu cursinho, estudando, trabalhando. Melhor negócio que já fiz.

Até hj ela não conseguiu emprego e me liga pedindo pra voltar... Sou má? Não, ela que inventou história de que tinha gente querendo contratá-la, como eu ia adivinhar que era apenas barganha?

Sinceramente, Alex, vcs não tem noção do tipo de pessoa que precisa de empregada pra cuidar dos filhos pequenos e trabalhar e/ou estudar o dia todo. Fico feliz é que as escolas brasileiras finalmente se deram conta da realidade e fornecem escolas integrais. Depender de doméstica nunca mais!!

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 11:54



Comentário de: Ana

Putz eu nao conheço ninguém no CANADA e nos EUA e nem na FRANÇA que tenha empregada pra cuidar de filho...nesses paises pobres infelizmente o pessoal nao tem grana pra isso... menina de 15 anos que tem filho ou fica em casa cuidando, ou pede ajuda pra mae, ou manda pra creche, jah que quem faz escola secundaria nao tem emprego geralmente e nao pode se dar ao luxo de pagar um serviçal. O resto das pessoas dessa idade que tem filhos, se viram simplesmente.

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 12:56



Comentário de: JLM · http://www.jefferson.blog.br

Só para constar: O Profissão Repórter da Rede Globo exibe um programa sobre as empregadas domésticas no Brasil.

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 13:39



Comentário de: Natalia Guimarães

Pois é JLM, vou assistir ao programa.

A moça do post trouxe mais um questionamente pertinente.

Porque veja bem, Alex Castro, a maioria dos empregos o trabalhador ganha um salário mínimo com o qual vai pagar todas as suas despesas, inclusive sua COMIDA e sua MORADIA. No trabalho doméstico (correto) a doméstica vai ganhar o mesmo salário e vai ganhar (quando dorme no emprego) moradia de graça, sem pagar pelo espaço, energia, luz... e também ganha sua alimentação.

Portanto o dono da casa dá todas as condições de vida para essa empregada, e no quesito alimentação ele vai fornecer a comida pra ela, e tudo o mais... Mas se ele comprou alimentos requintados, ou mesmo nada requintados mas que ELE gosta... Será que ele tem mesmo que dividir com a empregada, será que ele não pode ficar chateado se a empregada consumir aquilo?

Ora, o patrão paga a empregada e dá sua alimentação diária, ele tem obrigação de incluir nisso lanches doces e etc?

Eu acho que nao, acho que essas coisas superfluas e de gosto pessoal, a empregada deve comprar com o salário que ganha e manter no seu quarto assim como o dono da casa mantem na sua geladeira.

Estar na geladeira da MINHA casa equivale ao mesmo nível de "reservado para mim" do que o que a empregada comprou e guardou no armário do seu quarto, não é mesmo? Afinal se a casa é minha a geladeira da cozinha é a extensão do meu armário do quarto.

O ideal seria que toda dependência de empregada tivesse quarto, armário, televisão, som e frigobar. Assim com o proprio salario a empregada compraria SEUS produtos à vontade, mas se isso não é possivel na maioria dos lares brasileiros, ela tem o direito de desrespeitar a privacidade do dono da casa?

Abrir a geladeira e comer o que quiser, na minha opinião, equivale a entrar no quarto de uma filha do pratão e usar as maquiagens dela pra sair sem pedir. Uma empregada fez isso aqui em casa e eu fiquei muito chateada, afinal ela não me pediu! Se uma amiga convidada na minha casa tivesse feito isso eu teria me chateado tambem, imagina a pessoa que arruma minhas coisas. Agora como eu posso saber se ela nao usa todas as minhas coisas quando eu nao estou em casa?

Entende o problema? O patrão tem que ser muito gentil e educado, mas a empregada tem que respeitar toda a liberdade que o dono da casa tem o direito de ter em seu lar.

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 14:02



Comentário de: Cyntia

Ana,

Fácil pisar nos calos dos outros quando não se provou os mesmos sapatos.

E nos EUA, Canadá e França existem domésticas, sim. A maioria é de imigrantes ilegais, mas na França e outros países da Europa é comum o sistema "au pair", que contrata babás de outros países pra estudar e cuidar das crianças. Uma espécie de intercâmbio com trabalho de babá incluido.

Na realidade muitas famílias se aproveitam da situação dessas meninas dos programas "au pair", principalmente das oriundas do Leste Europeu, pra exceder as funções e obrigar as moças a trabalhar como domésticas tb.

Ou seja, a menina vai com a promessa de cuidar das crianças e poder estudar, mas na verdade acaba trabalhando como doméstica 24h, já que dorme no serviço. Além disso não recebem pelo trabalho extra, já que o serviço da babá não é especificado no contrato.


PermalinkPermalink 11.11.08 @ 14:44



Comentário de: Sheila

Complementando o que a Cyntia falou o programa au pair nao é so na europa nao, nos EUA e Canada também tem.
Assim como tem diaristas, babas e empregadas que moram no servico ou nao.
Há uns meses atras eu vi um anuncio no jornal aqui nos EUA em que se procurava uma babá pro cachorro.
A dona trabalha o dia inteiro e o cachorro nao gosta de ficar sozinho...entao.

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 16:42



Comentário de: Kitagawa

Lembro quando era criança, passava
o dia na rua com os amiguinhos.
Um deles, o Paulo, costumava cagar
em qualquer canto que desse, terrenos
baldios, obras ou mesmo na rua...
"po, Paulo, que porco, vc fica cagando
por aí... e nem se limpa!"
"Ué? Mas vou limpar com o quê?!?!"

Enfim, esse texto aí em cima parece
até ficção, mas supondo que seja
verdeiro, levanta um falso problema.
A questão não é "vou limpar com o que?",
o problema é cagar na rua.

Empregadas que prestam serviço, com
horario definido, que tem sua propria
casa e autonomia para ir e vir nas
horas em que não trabalha, não tem
problema.
O problema é esse regime de semi-escravidão, onde a empregada
mora no trabalho e não tem liberdade
para circular no local onde mora,
a não ser num quartinho de 2x2.
Isso é desumano, é anti
civilizatório, ponto.
Quem se propôe a comparar com a situação
de quem trabalha em cubiculos em
algum escritorio, deve estar de
sacanagem, né? Por acaso você, depois
da horario de serviço é obrigado e
se trancafiar no almoxarifado e sair
de lá só quando solicitado?
E mesmo que você seja "obrigado" a
ficar até mais tarde, a lei o protege,
se quiser meter a empresa no pau
por não ter recebido hora extra,
voce tem grande chance de ganhar.

A questão da empatia é fundamental.
Mas algumas pessoas se acham em outro
patamar. "Se vc estivesse no lugar
dela, você acharia justo uma situação
dessas?". Uma pergunta que não lhe faz
sentido, pois ela nunca estaria numa
situação dessas, pois ela é rica,
branca, bem educada. Imagine!

Mas o que principalmente leva a
uma situação dessas é a má
distribuição de renda.
São Paulo, por exemplo,inchou nos
anos 70/80, uma
cacetada de gente veio morar aqui e
não tinham lá grande qualificações,
nem tanto assim prs fazer.
Numa situação, dessas, é natural
que um grande nuemro de pessoas aceite
condições de trabalho degradantes e
a um baixissimo salario. A classe
média ficou ate mal acostumada.

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 19:04



Comentário de: alex castro

olha, se eu nao *soubesse* q o kitagawa existe, eu juro q até eu iria achar que ele é um alter-ego meu, que esses comentários dele sou eu que escrevo, assim num estado de transe e sonambulismo, mais claro e lucido do que normalmente sou, e depois que acordo nao me lembro de nada....

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 20:38



Comentário de: Ana

Cyntia, eu morei no Canada 10 anos e nunca conheci uma familia que tivesse au pair, baba ou doméstica. Me desculpe, mas nao é comum mesmo, se alguem te disse que é coisa normal, tah te mentindo. Jovem que tem filho em idade de ir no college, se vira, dah um duro danado, trabalha por fora.

E trabalho ilegal no Canada existe, mas é rarissimo. Au pair existe na Europa e tem doméstica latina nos EUA, mas estudante de 15 anos e estudante de college nao tem grana pra pagar esses serviços colega, acorde.

Eu vejo blog de brasileiros vivendo na Europa, onde o casal tem 2 filhos e tem au pair...cada um com um otimo emprego, MBA e essas coisas. Ter uma serviçal desse tipo estah longe do alcance de qualquer mortal, se você pensa que nao é assim estah redondamente enganada. É muitoooooo diferente do Brasil, do México e outros paises latinos.

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 20:59



Comentário de: Sheila

Ana,

Quantas pessoas vc conhece que tem empregada live in no Brasil? Também nao é muito comum, certo?
A questao nao é a quantidade, é como essas pessoas vivem.
Eu conheco au-pairs brasileiras que moram nos EUA, Canada e Alemanha. Procure a comunidade dessas meninas no orkut e veja o que elas falam.
Aqui nos EUA pra quem tem a partir de 2 filhos, sai o mesmo preco contratar babá ou colocar no Day Care (creche).
E sobre a menina de 15 anos com a filha, é claro que quem pagava a empregada nao era ela, provavelmente o pai da crianca, talves com a ajuda da familia.


PermalinkPermalink 11.11.08 @ 21:41



Comentário de: alex castro

sheila, a questao eh justamente essa... nos eua e na europa ocidental, lugares onde conheco muita gente, nao há praticamente ninguem que tenha empregada dormindo em casa, as vezes nem os podres de ricos... no brasil, eh muito, muito comum, as vezes ateh na classe media mais baixa... essa eh justamente a diferenca....

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 21:52



Comentário de: Ana

Só pra encerrar a minha contribuição ao post...a pessoa tem filho porque quer e depois vem choramingar no blog "ai você nao sabe o que é isso", me poupem por favor. Se eu achasse que ter filho é moleza, engravidava ou adotava uma criança, sei que nao é facil mesmo, no Brasil, na China, nos States, mas quis ter filho, guenta o tranco e não torra a paciência de quem não tem. Beijosmefui.

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 22:05



Comentário de: FlaviaQ

Ai, alguém aqui já viu aquele filme Espanglês? É o mesmo pricípio. Nele a empregada não vive em condiçoes desumanas, mas se percebe sem controle de sua vida, que acaba controlada pela familia para quem trabalha.
Aliás, o que é mais desumano:
Viver sem liberdade fisica ou sem liberdade emocional?


PermalinkPermalink 11.11.08 @ 22:58



Comentário de: FlaviaQ

Eu estou chegando a conclusao que o problema nao é de leis, costumes ou distribuiçao de renda.

É um problema do ser humano. Pelo que entendo, em todo o mundo tem alguém explorando ou sendo explorado.

Se nao for no trabalho domestico, é nas fábricas na China ou sei la onde.

Vai ver, pro mundo funcionar, tem que ser assim mesmo, uns ganhando e outros perdendo. Se existisse alguma maneira real e justa de todo mundo ter os mesmos direitos, teriamos algum exemplo historico disso.

Desde sempre o homem esteve envolvido em lutas e conquistas com o propósito de obter mais. É da natureza humana ser escroto.

Uma vez no GNT teve um programa em que duas familias de mesmo nivel passavam uma semana trabalhando pra outra. Sempre dava merda, a familia que trabalhava na primeira semana sempre se sentia humilhada pela familia patroa e resolvia aloprar na vingança na semana seguinte ao invés de dar algum exemplo e a familia que sofria a vingança, muitas vezes ficava sem entender nada.

Ou seja, quando você tem o poder nas mãos, a coisa sempre muda de figura.

Talvez o mais inteligente a fazer é aceitar isso, assumir que nao é uma culpa pessoal sua e tentar a qualquer custo ficar do lado dos mais fortes, bem no estilo cada um cuida do cu que tem. Ou vocês já souberam de alguma caracteristica humana universal que tenha sido domesticada?

E há de ter alguma coisa de bom nisso.

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 23:28



Comentário de: Ana

Tanto viver sem liberdade fisica como viver sem liberdade emocional sao coisas absolutamente humanas...

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 23:43



Comentário de: Alex Castro Email

"Talvez o mais inteligente a fazer é aceitar isso, assumir que nao é uma culpa pessoal sua e tentar a qualquer custo ficar do lado dos mais fortes, bem no estilo cada um cuida do cu que tem. Ou vocês já souberam de alguma caracteristica humana universal que tenha sido domesticada?

E há de ter alguma coisa de bom nisso."

falar isso sendo a patroa que manda a empregada tomar banho antes de trabalhar é fácil... resta saber o que a empregada acharia desse discurso...

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 00:18



Comentário de: Cyntiab

Ana,

Olha só um post que pesquei de uma comunidade de au pairs brasileiras nos EUA:

"Será q a minha (família/host) está exagerando????

Weekly Tasks

To Vacuum Upstairs and Downstairs
To Wash Floors Upstairs and Downstairs
To Damp Dust all Surfaces Upstairs and Downstairs
To Fully Clean each Bathroom
To Empty & Was all Bins
Change Bed Linen on all Beds
Ensure that all clothes are washed, ironed and put away
To Clean all Kitchen countertops, oven, fridge & sink.

To do Laundry (wash, dry, iron and store clothes away)

Any other general cleaning to be carried out as is necessary e.g.:
Bathrooms
Vacuuming of floors downstairs
Dusting of Surfaces
Cleaning of Kitchen Surfaces, Sink etc.

E fazer a janta TODOS OS DIAS.

Essa parte da janta eu vou conversar serio com ela, pq eu não sei e to achando muito....
obs: vou ganhar pouco 80 por semana.

O que vcs acham??? (na real eu nem entendi todas os serviços, não consegui traduzir todos)"

Tirei daqui: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=3818566&tid=2467348010926172211&na=3&nst=21&nid=3818566-2467348010926172211-2473568263876144773

Os problemas com o programa au pair existem e eu ouvi da boca de uma brasileira no metrô de Paris o que ela estava passando com a família francesa. É claro que esses casos não são maioria, nem de longe. Mas os tratamentos desumanos que vemos algumas empregadas domésticas brasileiras passarem tb não.

E só pq a gente nunca ouviu falar de alguma coisa, não quer dizer que ela não exista.

E, por favor, comentários irônicos não fazem a discussão avançar. Apenas baixam o nível.

Não estou falando isso pra ser agressiva, apenas estou tentando manter um diálogo razoável por aqui (se é que tala coisa é possível numa caixa de comentários de blog).

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 00:19



Comentário de: Cyntiab

Alex,

E o caso das Irmãs Papin, hein?

Tô insistindo pq acho que seria tãaao interessante pras pessoas conhecerem a realidade de domésticas de outros países. Mesmo que seja a realidade da França do começo do séc. XX.

Brancas francesas matando brancas francesas por conta de condições humilhantes de trabalho doméstico.

Fica a sugestão de novo.

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 00:22



Comentário de: Alex Castro Email

ai ai... é como eu falar que o rio tem uma taxa de homicidios enorme e vc me falar que conhece um cara que foi esfaqueado 48 vezes em estocolmo... acontece de tudo no mundo inteiro... mas, em alguns lugares, alguns comportamentos absurdos são a regra e, em outros, eles são a exceção....

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 00:33



Comentário de: FlaviaQ

Alex, mas é realmente disso que eu estou falando, é muito dificil se colocar no lugar de outra pessoa com a realidade completamente diferente da sua.
É muito dificil esquecer todo o seu background e enxergar apenas com os olhos do outro, imaginando um conjunto de vivencias que voce nao tem.

Eu nao acho que é certo humilhar o outro, mas eu também nao sei como deve ser feito.

Quer dizer, eu sei o que eu faço, mas nao sou capaz de julgar se ainda estou agindo errado, entende?

Eu acho que nao humilho ninguém (pelo menos, eu - com a minha vivencia - nao me importaria de trabalhar nas condiçoes em que a minha empregada trabalha), mas vai saber?

Eu gostaria de descobrir qual é a soluçao justa pra todos os lados.


PermalinkPermalink 12.11.08 @ 00:53



Comentário de: Natokun

Estou achando extremamente interesante o fator de que "Se eu coloquei o dinheiro, posso tratar como quero" de algumas pessoas.

Imagino os donos de fábrica do Sec XIX reclamando dos funcionarios que perderam dedos nas fábricas gritando "Você estragou minha máquina, saia daqui!"

Bom, seja o "bom senso" como qualidade humana em geral, ou qualquer nome pomposo que se dê em um curso de gerenciamento de recursos humanos como qualidade administrativa, o respeito ao ser humano existente nunca é impedido em função do cargo exercido.

"Assédio moral" é uma palavrinha que a lei, na sua cegueira dogmática, pode usar nesses casos.

Mas ao mesmo tempo tem ótimas respostas, que apesar de não estarem num caminho que querem, ainda tem o desejo de mudança!

E querer é o primeiro passo para fazer =)

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 07:50



Comentário de: Cyntiab

Alex,

Hum... essa realidade das domésticas na França não era exceção não.

De novo eu recomendo o Le Guillant. Foi um dos primeiros trabalhos sociólogicos que associaram condições de trabalho ao adoecimento dos operários/trabalhadores.

Depois ele tb estudou as condições das telefonistas francesas.

E quanto às au pairs na França, realmente é uma exceção. Lá eles só discriminam de verdade o pessoal do Magreb e muçulmanos em geral. As babás estrangeiras são maltratadas apenas por esporte.

Caramba, eu não tô dizendo que não existe racismo no Brasil ou que as domésticas aqui são todas super bem tratadas. Mas acho que é preciso a perspectiva do acontece em outros lugares pra melhor compreender o que se passa por aqui.

É, como eu já disse antes, pra enriquecer o debate, não uma questão de cegueira social.

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 09:00



Comentário de: Cam

O Comentário é enorme, e escrevi logo quando você fez um dos primeiros posts sobre o assunto. Mas vai lá.

Você tem uma boa tese. Mas olha, sou de família gaúcha-fluminense, nasci no Rio, vivi dez anos em Brasília e moro há cinco anos no Maranhão. A realidade do MA se reduz ao fato de que existem as famílias ricas e pobres. As famílias pobres servem e são protegidas pelas ricas, e elegem esses ricos para os membros da classe política. A esfera doméstica é uma pequena parcela de algo que acontece na sociedade inteira, mais nitidamente no interior do estado. Quando os membros das famílias ricas vão morar no "sul", levam seus fâmulos consigo, como você aponta, e pelo visto, restringe as suas observações a esse grupo.
Só que aqui isso é absolutamente natural, inclusive na cabeça dos empregados, que acredita que é assim mesmo que deve ser. Como você mesmo diz, resquício cultural da escravidão, para ambos os lados.
Quando chegam no "sul" vêem que as coisas podem ser diferentes, e aí começa o conflito e a angústia. Mas dificilmente alguém quer voltar, porque os salários são maiores, assim como a qualidade de vida.
Essa, porém, pode ser a realidade de SP ou RJ, mas dificilmente a do "Nordeste". Até porque o próprio esquema arquitetônico daqui é diferente. A maioria da população, especialmente essa, à moda antiga, vive em casas grandes. No interior, especialmente nas casas dos políticos, a casa é aberta, e sempre tem comida na mesa pra quem entra. Há um batalhão de empregados, vivendo, cozinhando para todos, familiares e visitantes que venham beijar a mão do "senhor". Eu já presenciei esse tipo de coisa, e confesso que achei surreal. Havia inclusive músicos na varanda, mães com filhinhos vindo pedir um remedinho, para o que o "senhor" tirava ostensivamente o dinheiro do próprio bolso - que naturalmente era da prefeitura destinado aos gastos com o sistema de saúde. Essas famílias, quando vêm para a capital devem trazer suas crias, mas confesso que já não entro no mérito porque realmente não tenho intimidade com essa prática. Todos os serviços decentes de saúde e educação estão na capital, então é um vem e vai de gente do interior pra capital que você não imagina. Mas o que eu sei é que persiste a relação de compadrio, e acho que a exploração mesmo fica mais pra quem vai pro sudeste, por causa do isolamento a que estão submetidos. Quem é nordestino mesmo, e vive nesse sistema por aqui, ainda que use os serviços e não pague nada, dificilmente vai entrar numa prática de humilhação, até porque se trata de famílias com sobrenomes, que são em sua maioria políticos e isso significaria perder votos. As relações de trabalho são muito mais fluidas do que você pode pensar, empregados, motoristas, ajudantes, damas de companhia, cozinheiras, são trocados, vão pra uma casa, vêm para outra, conforme as senhoras ou senhores determinam, para se ajudarem uns aos outros. E para os pobres, já é uma vantagem estar a serviço dessas famílias, porque como já disse, isso significa proteção na hora do aperto, mediante favores, como por exemplo, conseguir internação em hospitais públicos. Mais do que escravidão, é um sistema feudal. Lembrando que aqui é muito forte a presença de libaneses, turcos, e é bem mais nítida do que a de descendentes de portugueses, como é no RJ. Então me parece que o sistema familiar daqueles povos do oriente médio é muito mais inclusivo, eu diria mesmo generoso. Existem clãs, e ou você está a serviço de um ou de outro, conforme a situação.
...
Com relação às menores de idade a serviço da classe média no sudeste, me parece que há um componente português aí no meio, e bem mais escravocrata. Lá sim, é bem mais aparente a relação de dominação pela violência, que subsiste na agressão psicológica que você coloca na relação patroa-empregada. Facilitada pelo isolamento das meninas-empregadas, que estão fora do seu meio, e pela necessidade de auto-afirmação da classe média.

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 10:19



Comentário de: Cam

Agora, com relação ao post propriamente dito, é notório que o excesso de higiene é uma coisa brasileira. Você pode acrescentar na sua teses que o nível de exigência em relação à limpeza da casa no Brasil é muito grande. Aqui as pessoas tomam banhos todos os dias, várias vezes, trocamos de roupa com muita frequencia, tiramos o pó da casa o tempo todo e varremos o chão diariamente. As janelas vivem abertas entra poeira, suamos por causa do clima, etc.
Duvido que antigamente na Europa, no frio do inverno, alguém vá abrir janelas, tomar banho, trocar de roupas ou se preocupar com poeira.
Quando eu era criança, havia no máximo uma su[ite por apartamento, nos prédios mais normais. Hoje você vê apartamentos com 4 suítes!!! Quem vai limpar isso tudo? Essa estrutura já não pressupõe empregados?
Sei que alguns ascendentes meus eram empregados em algum castelo/casa rica na Prússia, lá pros idos de 1850. Empregados sempre existiram, a questão se resume à transposição da estrutura escravocrata - senzala - para um apartamento de dois ou três quartos.
Eu moro numa casa grande, no MA. Mas por causa dese tipo de dores de consciência, nem a empregada nem meu caseiro dormem por aqui. Têm suas casas, para onde vão no final do expediente. Ela de 7:30 às 5, ele até às 7.

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 10:32



Comentário de: Sheila

Alex,
Parece que vc está esquecendo do seus proprios exemplos:
"se eu te mostrar 1 mulher que foi estuprada e vc me mostrar 100 que nao foram, isso nao quer dizer que estupro nao é um problema grave".
As Au-Pairs sao um bom exemplo de exploracao, é parecido com o "peguei pra criar" do Brasil.
As meninas e meninos vao pra estudar com a promessa que farao parte da familia e muitos sao explorados, alem de perder a liberdade e passar por humilhacoes.
Aí vc completa:
"nos eua e na europa ocidental, lugares onde conheco muita gente, nao há praticamente ninguem que tenha empregada dormindo em casa, as vezes nem os podres de ricos..."
Ora...nao é pq vc e seus amigos nao fazem que nao existe, né? Nao foi vc mesmo que disse isso?
A cyntia deu um bom exemplo de uma au-pair brasileira sendo explorada nos EUA.
Morei uns meses na Alemanha e conheci 2 au-pairs, a comunidade delas no orkut é bem organizada e com muitos depoimentos. Se tiver interesse: http://www.orkut.com/Main#Community.aspx?cmm=545593

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 12:30



Comentário de: Malkhut

Na verdade, eu acho que todo o tipo de trabalho assalariado, onde as pessoas vivem sob o "domínio" de um patrão, é apenas uma leve evolução do trabalho escravo, mesmo que elas possam ir para suas casas às 7 horas da noite.

Um escravo, no Brasil, trabalhava sob o estalo do chicote, ganhava casa ruim e comida ruim. Com a abolição foram "demitidos", e continuaram com casa ruim e comida ruim.

Um trabalhador, pelo menos no Brasil, trabalha, ainda, sob o estalo do chicote, em troca de casa ruim e comida ruim. Claro, hoje o estalo do chicote ganhou novos contornos, como ameaça de demissão, "assédio moral", cara feia do patrão que ainda se acha um senhor de engenho, etc.

"Ah, mas o trabalhador tem liberdade", vocês vão dizer. Liberdade para quê, cara-pálida? Para mofar num coletivo três horas pra ir e três horas para voltar, comer o feijãozinho com arroz, juntar o salário no fim do mês, pagar as contas e com o que sobrar escolher entre o arroz quirela e o tipo 5? Ah! Sim! Claro, eles podem escolher entre olhar o Faustão ou o Gugu no domingo.

Me perdoem se esqueci que uns 20% dos trabalhadores têm uma qualidade de vida um pouco melhor. Perdão mesmo.

A relação patrão-empregado evoluiu muito pouco da relação senhor-escravo, muito pouco mesmo.
Isso nos leva a um tipo de relação que dificilmente vai dar certo. Os dois lados sempre se tratam como inimigos. Um faz corpo mole para pagar, o outro para trabalhar. O patrão vê o empregado como apenas uma pessoa estranha, a quem deve pagar um salário no final do mês e o empregado vê o patrão como apenas mais um explorador.

De um empregado-colaborador depende a minha qualidade de vida, pois ele é pago para resolver um problema que eu tenho e que não estou disposto a resolver, me deixando mais tempo para eu colocar onde eu acho mais importante. No caso de uma empregada doméstica, ela resolve problemas que me tomariam muito tempo, como limpar e organizar a casa, cuidar da cozinha, das coisas que precisam ser compradas, etc. etc. etc. Sem ela, nossa vida vira um inferno.

Na nossa casa, a primeira conversa que tenho com uma "candidata" é sempre a mesma: "Eu tenho um problema para resolver. Você pode resolvê-lo e quanto você me cobra por isso?"


PermalinkPermalink 12.11.08 @ 12:35



Comentário de: Cam

Ok, os problemas já foram apontados. Abuso, submissão, humilhação...
E agora, como resolvê-los? Qual é a sua proposta?
Alguém tem alguma sugestão?

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 13:04



Comentário de: Bruno · http://lembrancaeterna.wordpress.com

A última empregada da casa dos meus pais, que saiu tem pouquíssimo tempo, era irmã da penúltima, que se juntou com um nobre rapaz, teve um lindo filho (meu novo afilhado) e saiu. Tinha terminado o colégio lá pras bandas do interior de Sergipe e veio pra cá tentar o vestibular e outras oportunidades que não existem lá pra cima.

Pois bem, eis que no final do ano ela recebe uma proposta de emprego ótima, avisa sua saída e conta seus planos de estudar num cursinho ano que vem e fazer faculdade. Minha mãe, que sempre reclamava dela para quem quisesse (ou não) ouvir, começa com as frases de 'depois de tudo o que fiz por você - te dei casa, comida, amizade... e é assim que você me trata!'

A resposta dela, pelo que soube depois, foi a melhor, e vou tentar reproduzir aqui: 'Por isso agradeço muito, Dona Fulana, mas não posso achar nessa vida a concretização do que quero pra mim. Vou, agradecida pelo seu carinho e hospitalidade, mas em nenhum momento em dívida com a senhora, pois trabalhei pelo espaço e teto que tive, e em nenhum momento fugi das minhas responsabilidades. Vou trabalhar onde acho que posso evoluir e crescer como pessoa.'

Porra, vai dizer, simplesmente demais, né?

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 13:32



Comentário de: Cyntia

Sheila,

Acho que as evidências do Alex só funcionam a favor dos argumentos dele.

A conversa toda é muito interessante, mas não progride para além dos dedos apontados.

Como perguntou o Cam aí em cima, cadê as sugestões pra resolver o problema?

Vamos demitir todas as empregadas em prol da diminuição das nossas culpas pequeno burguesas! Só me expliquem o que faremos com os milhões de desempregadas, sem outra qualificação profissional, com filhos pra cuidar e casa pra manter.

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 13:56



Comentário de: alex castro

"Como perguntou o Cam aí em cima, cadê as sugestões pra resolver o problema?"

a casa nao vende solucoes, somente problemas.

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 14:05



Comentário de: alex castro

"Como perguntou o Cam aí em cima, cadê as sugestões pra resolver o problema?"

a casa nao vende solucoes, somente problemas.

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 14:08



Comentário de: Cyntia

ORLY?

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 14:17



Comentário de: Cam

A cômoda postura acadêmica...
Muito bem. Lança-se a questão, cria-se a polêmica, cada um conta como é em sua casa e faz um mea culpa ou não, conforme o caso. Muito produtivo. Era somente essa a proposta?
Só tenho uma crítica ao seu trabalho de pesquisa: esclareça que o seu recorte refere-se à classe média, carioca ou paulista, descendente de portugueses escravocratas. Não cometa o erro de tratar o assunto generalizando como "Brasil", porque se quiser olhar a fundo, a exploração que existe no Nordeste tem caráter totalmente diferente da que existe no Sudeste, e é com certeza diferente da que acontece no Rio Grande do Sul, por exemplo. Empregadas presas em quartinhos é coisa típica de poucas cidades grandes e de uma mentalidade muito específica.
Isso acontece em cidades pequenas? Em casas? Em subúrbios? Ou é típico da Zona Sul carioca?
Sugiro que...
Bom, deixa pra lá. O trabalho é seu, faça como quiser que isso não é da minha conta.
Como já sei qual será a sua postura, só desejo boa sorte no seu trabalho, e felicitar o seu cachorro, que parece ter um bom dono.

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 16:48



Comentário de: Alex Castro Email

Cam,

você confunde "comodismo" com (odeio essa palavra) humildade.... não sou arrogante que dizer como as pessoas devem viver suas vidas ou resolver seus problemas... tb não é pra isso que serve a "academia", pelo menos não as ciencias humanas....

eu me dou por muito satisfeito de conseguir somente levantar problemas e questões que muita gente, talvez, ignorava... nesse ponto, o blog tem sido feliz, pois recebo muitos comentários de leitores que nunca tinha pensado em algumas questões e agora estão mais (tb odeio essa palavra) conscientes...

não me propus solucionar nada, não sou salvador da patria, nem pai de ninguém... não considero que, ao nao propor solucoes, "fraudei" alguém ou que a discussão foi inútil...

se as pessoas querem alguém que lhes diga o que fazer e que ofereça respostas prontas e fáceis, deve ir à igreja da sua preferencia, nao ao LLL ou à nenhuma aula de humanas em uma boa universidade...

como eu disse, a casa não vende soluções, só problemas...

quanto ao seu último ponto, obviamente, se fosse uma pesquisa academica, ela teria que ter um recorte especifico espacial e temporal e eu diria que estou falando das empregadas no leblon no ano de 1987, e nada mais, nem nada menos, mas onde foi que vc viu que isso é uma pesquisa academica, meu deus??

isso é um post num blog, tá? exigir critérios academicos de um post em um blog é como exigir notas de rodapé em uma conversa de bar, cruzes...

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 17:08



Comentário de: Alex Castro Email

teste

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 17:17



Comentário de: Cam

Tá bom, desculpa, tive a impressão, por causa de alguns post anteriores sobre esse assunto, que você estava escrevendo a respeito disso para algum trabalho de doutorado. Desde o post sobre Casa Grande &Senzala. Parece que me enganei e confundi as bolas, lamento. Retiro então a crítica quanto à postura acadêmica. Houve um mal-entendido.

Confundo comodismo com humildade? Não vejo relação, poderia explicar melhor?

Rabugice de lado, admito que é louvável trazer à luz esses questionamentos, realmente é preciso pensar a respeito das relações humanas, para que elas melhorem.
A minha implicância com a "acadimia" é a quantidade de gente que passa descrevendo e transcrevendo questiúnculas, citando autores e mais autores, por fim totalmente afastados dos problemas que se propõem a trabalhar. É tanto trabalho feito sem consequência ou utilidade, nem mesmo teórica.
Discussões estéreis me emputecem. Mas não deixa de ser engraçado como nós chegamos aqui e contamos uma atrocidade qualquer que fazemos com nossos empregados apenas para legitimar essa atitude.
Pra não chatear muito fico por aqui.
Codiais saudações...

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 18:11



Comentário de: Cam

...coRdiais...

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 18:14



Comentário de: Alex Castro Email

cam,

minha pesquisa academica é sobre escravidao nas literaturas do brasil e de cuba no sec xix.

vc disse:

"A cômoda postura acadêmica...
Muito bem. Lança-se a questão, cria-se a polêmica, cada um conta como é em sua casa e faz um mea culpa ou não, conforme o caso. Muito produtivo. Era somente essa a proposta?"

e eu respondi:

"você confunde "comodismo" com (odeio essa palavra) humildade.... não sou arrogante que dizer como as pessoas devem viver suas vidas ou resolver seus problemas... tb não é pra isso que serve a "academia", pelo menos não as ciencias humanas....

eu me dou por muito satisfeito de conseguir somente levantar problemas e questões que muita gente, talvez, ignorava... nesse ponto, o blog tem sido feliz, pois recebo muitos comentários de leitores que nunca tinha pensado em algumas questões e agora estão mais (tb odeio essa palavra) conscientes...

não me propus solucionar nada, não sou salvador da patria, nem pai de ninguém... não considero que, ao nao propor solucoes, "fraudei" alguém ou que a discussão foi inútil...

se as pessoas querem alguém que lhes diga o que fazer e que ofereça respostas prontas e fáceis, deve ir à igreja da sua preferencia, nao ao LLL ou à nenhuma aula de humanas em uma boa universidade...

como eu disse, a casa não vende soluções, só problemas..."

Ou seja, não se outorgar o solucionador dos problemas do mundo, nem sair por aí propondo soluções, pra mim, é uma posição de quem não se acha no direito de impor sua visao ao outro, nao de quem é comodo... ainda mais se o pretenso comodo passa meses e meses levando porradas publicas no seu blog por dizer absurdos como 1) existe racismo no brasil, 2) a instituicao das domesticas que dormem no emprego é barbara e escravista, etc....

eu poderia dizer que mais comodo é quem assina comentarios com pseudonimos e se exime da responsabilidade por suas opinioes....

cordiais saudacoes,
alex

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 18:21



Comentário de: Cyntia

Errr, Alex, quando eu perguntei "cadê as sugestões pra resolver o problema?", eu me referia às discussões que estão acontecendo aqui, na caixa de comentários.

Achei tão óbvio que não estava cobrando uma solução da sua parte, que te mandei um ORLY (tá trollei um pouquinho mesmo). Blog não é igreja e nós não somos seus seguidores, jebus me livre!

Mas, puxa vida, a coisa aqui não anda pra frente!

O que mais vejo aqui é gente que vem pra reprovar os outros que cometem o pecado terrível de ter uma empregada doméstica. E não adianta a pessoa explicar que tem doméstica sim, mas paga salário direitinho, assina carteira, trata a doméstica como um empregado qualquer, ou seja, dentro do que determina a lei. Sem abusos.

Mas, nãaaao, pessoas que têm domésticas são criaturas terríveis! Devem ser achincalhadas, como foi a menina ali atrás que contou que tinha empregada quando engravidou na adolescência. Só faltou ouvir um "engravidou pq quis", o que é uma das coisas mais injustas que se pode dizer pra uma mulher que engravidou sem desejar.

E exemplos de outros lugares, outras épocas, não valem. "Lá é diferente, aqui é muito pior" e pronto.

Ficamos dando voltas como hamsters na gaiola.

Acho que já é consenso dos leitores daqui que as empregadas domésticas brasileiras sofrem muito e devem ser tratadas com respeito, dignidade e correção. Pra falar a verdade, desde a mudança das leis que regulam a categoria, essa tem sido a realidade na maioria dos lares brasileiros. Ninguém quer ir parar na Justiça do Trabalho, que geralmente dá ganho de caso pra doméstica.

Sem mais, espero continuar lendo coisas instigantes por aqui, pq aprecio muito o blog.

A série sobre as doméstica foi toda muito boa. Rendeu muito assunto.

No mais, me despeço. Só volto mesmo quando o tema mudar.

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 19:43



Comentário de: Alex Castro Email

Cynthia,

"ORLY"? Eu juro que não entendi nada. Pra mim, Orly era um dos aeroportos de Paris. É a única coisa a qual essa palavra remete. Era pra significar outra coisa? Acho que esse internetês eu não conheço...

"Mas, nãaaao, pessoas que têm domésticas são criaturas terríveis! Devem ser achincalhadas..."

Eu não falei isso não. Mas acho importante as pessoas que têm domésticas que dormem em casa se conscientizarem na natureza estranha e problemática dessa ocupação.

"Acho que já é consenso dos leitores daqui que as empregadas domésticas brasileiras sofrem muito..."

Consenso? acho que vc não andou lendo os comentários... a maioria dos leitores acha que é uma profissão como qualquer outra, que o q eles passam no escritório é a mesmíssima coisa e, aliás, pra que se preocupar com algo que não existe mais?

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 19:56



Comentário de: Cam

Chamei de cômoda a postura acadêmica, que se ocupa em somente em descrever, e não propõe solução nenhuma para os problemas sobre os quais se debruça. E continuo com a mesma opinião, embora reconheça o valor de uma boa discussão.
Já pedi desculpas e retirei a crítica, no comentário anterior.
Quanto ao pseudônimo, isso não significa eximir-se da responsabilidade por opiniões. Existe uma razão para eu omitir meu nome verdadeiro diante do público em geral, que você não pode adivinhar. Entretanto, você dispõe dos registros de comentários anteriores, meu email, e estou ao seu alcance para qualquer cobrança de responsabilidade quanto às minhas opiniões.
O dia que eu te encontrar na universidade, ou for a um lançamento de livro seu, eu digo que acompanho seu blog há anos, que meu nome é tal, e que comentava com tal nome. Enquanto isso não acontece, não faz diferença o que minha certidão de nascimento registra.

O seu blog é sério, bem feito, respeitável, e apenas acompanho porque gosto das suas posições políticas mais do que suas preferências literárias. Volta e meia me pergunto porque ainda assino o seu feed, mas é porque tem coisas que valem a pena, como a questão do racismo, e esta das domésticas também.
Qualquer um que exponha as suas opiniões vai apanhar. Sempre. Depois de tanto tempo de blog você ainda se aborrece com isso?

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 22:02



Comentário de: Alex Castro Email

Cam,

vc é homem ou mulher, pra começar? Já seria um bom começo, e uma delicadeza, especialmente numa língua como a nossa, vc revelar seu gênero, nem que apenas para facilitar falar com vc...

obrigado pelos elogios.

o post de amanhã, que vai ao ar a meia noite, será um comentário sobre o seu comentário. veja bem, nao sobre vc, mas sobre essa sua reclamacao generica do "muito papo e pouca solucao". se vc tivesse sido a primeira a falar isso, não valeria um post, mas o post é pq essa reclamação é muito comum, não só de leitores, mas tb de muitos universitários, colegas e alunos, que chegam na academia e ficam frustrados pela falta de resposta e de solucoes... acho que cabe uma resposta mais articulada a uma ansiedade tao disseminada....

Quanto a sua ultima pergunta...

"Qualquer um que exponha as suas opiniões vai apanhar. Sempre. Depois de tanto tempo de blog você ainda se aborrece com isso?"

Não. Nunca, ué. Nem hoje e nem quando comecei. Se me aborrecesse minimamente que fosse, não teria blog. Ou teria, mas sem comentários.

Pelo contrário, faço tudo o que posso pra fazer as pessoas falarem, comentarem e se sentirem livres, inclusive, pra discordar veementemente de mim. E, obviamente, não faria isso se fosse pra me aborrecer.

abraços,
alex

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 22:11



Comentário de: Cam

Para Rachel:

Tratar a moça como você gostaria de ser tratado. significa dividir tudo o que você tem, comida e roupas, dentro do seu ambiente mais íntimo que é o seu apartamento. A empregada doméstica, pra quem tem dinheiro reduzido, é alguém com quem se disputa comida e espaço.

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 22:35



Comentário de: Cam · http://www.decamomila.blogspot.com

Tá bom, Alex, sou mulher. Optei esta semana por fazer uma experiência. Li num blog feminista que os comentários femininos eram menos respeitados do que os masculinos, então optei por deixar o sexo em aberto, para ver se isso de fato acontecia. Era uma experiência. Meu pseudônimo é Camomila, por questões de segurança. Mas já falei com você antes, reclamando via e-mail de um post que você fez e que achei infeliz, citando um estupro como recurso humorístico. Naquele momento, que para mim era realmente sério, usei meu nome verdadeiro, e falei pessoalmente com você. Não estou fugindo de reponsabilidade pelas opiniões. Isto é apenas um blog, e a internet é cheia de armadilhas.
...
Então no post novo eu deixo pra comentar exatamente porque desisti do mestrado em políticas públicas.

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 22:48



Comentário de: Alex Castro Email

eu lembro da sua reclamacao e do seu pedido. achei meio exagerado, mas respeitei, e obedeci seu pedido de apagar o seu comentario.

seu experimento é interessante. infelizmente, a humanidade quase sempre nos decepciona.

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 22:56



Comentário de: Rachel · http://riogringa.typepad.com

Cam,

Empregada domestica e pessoa, nao cachorro. Voce nao disputa comida com ela, voce compartilha. Mas se voce tem o dinheiro de pagar ela, deveria ter para comprar comida separada ou a propria geladeirinha para ela. Realmente me impressiona sua atitude, e o tipo que sempre me choca neste pais.

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 23:47



Comentário de: Cam

Rachel, meu comentário era mais longo e mais explicado, cortei o excesso e ficou desse jeito, parecendo que eu defendo essa postura. Eu não estou defendendo essa atitude, estou explicando como isso acontece na cabeça de muitas pessoas que eu vejo. Quem é generoso, fica numa boa. Quem não é, fica com essas dúvidas a respeito de liberar ou não o bolo de chocolate pra empregada. E normalmente corta uma fatiazinha e coloca num pratinho separado. Eu visito a casa de algumas pessoas e vejo fazerem isso com frequencia. É uma maneira de estabelecer o limite, dizendo: toma, isso aqui você pode comer. Não acho certo, mas é uma realidade que acontece em um monte de lugares.
Pessoalmente eu me sinto muito mal com isso, por isso não há nada separado em minha casa, nem a louça.
Também já vi em algumas casas as pessoas separarem a louça dos empregados. É horrível, é uma droga, é humulhante. Mas é assim que acontece às vezes, e como o Alex está apontando fatos, eu também apontei um.
Não preciso dizer que sou diferente, minha consciência está tranquila em relação ao pessoal aqui de casa, mas vou dizer para minha defesa, que aqui onde moro os meus empregados são chamados de funcionários públicos.
É uma maneira de dizer que eles têm muitas "regalias", que na verdade, são nada mais do que os direitos assegurados por lei, junto com um tantinho de bom-senso. Mas isso é tão raro que vira motivo de piada, e como patroa sou bastante criticada por isso, primiero por dar "mau exemplo" para os empregados das casas vizinhas, que vão passar a exigir suas folgas também, e a ameaça quando dizem que quando eu precisar deles de verdade, eu não vou tê-los.

Apontei o dilema da classe média, que quer ter empregados, mas não tem muito o que dividir, então acaba disputando comida, num ambiente cheio de mesquinharia.

PermalinkPermalink 13.11.08 @ 11:34



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