Um Blog Cada Vez Mais Estraga-Prazer

Eu sei, esse blog sempre foi chato, mas agora está ficando cada vez pior.

Como disse L., antigamente o LLL falava de liberdade individual e esfregava na cara dos seus leitores que eles não eram tão livres e abertos, libertários e libertinos, quanto poderiam ser, que suas vidinhas eram chatas, monogâmicas, previsíveis.

Hoje, o LLL deu uma guinada à esquerda (ainda segundo L.) mas continua falando de liberdade (apenas agora coletivamente) e continua esfregando na cara dos seus leitores que eles vivem em denegação, que não enxergam os problemas do Brasil, que são racistas e classistas, que viveram vidas privilegiadas e que deveriam se sentir culpados quanto às suas empregadas ("esse problema não existe mais, Alex!"), quanto às suas palavras ("neguinho tá sem noção") e até mesmo quanto às suas preferências estéticas ("pô, Alex, eu não sou racista, eu só acho que preto é feio e cabelo pixaim é áspero, oras!").

Enfim, a gente aqui tranquilão, gozando a nossa democracia racial, fazendo pouco dos americanos (que, além de burros, são racistas) e lá vem o mala estragar a nossa festa.

Chato, chato, chato.

* * *

  Escravos, Os   Racismo à Brasileira: uma Nova Perspectiva Sociológica

Tudo isso foi pra apresentar o comentário da Ariane:

Não sou lá muito esperta, talvez não tenha entendido realmente o teor de algumas mensagens, só sei que quando leio/ouço que o Brasil não é um país racista, fico louca da vida.

Vivemos num mesmo Brasil? Já estou em dúvida...

E quando partem para essa coisa de que as negras alisam o cabelo por isso são racistas?...que irritante! Pra começo de conversa, toda mulher quer mudar a droga do cabelo que tem, independente de ser branca, negra, japonesa. Já viu mulher contente com o próprio cabelo? Eu já alisei, enrolei, pintei de todas as cores do arco-íris, já fiz loucuras e não sou negra. Os salões estão lotados toda semana de mulheres de todas as cores que se torturam horas para sairem diferentes. Limitar a questão à esse tipo de coisa, francamente, acho que é fugir do foco.

Cabelos de Axé: Identidade e Resistência

De mais à mais, o que vocês querem? Que as negras se amem e amem sua aparência quando a propaganda, massivamente, empurra o padrão 'pele alva, cabelos lisos, olhos claros'. Todas as princesas dos contos de fadas são moças loiras ou brancas como a neve. Onde estão as heroínas negras? Onde estão as fadinhas, bonecas, misses, deusas? Onde estão os filmes norte americanos para adolescentes que infestam a Sessão da Tarde com histórias romanticas protagonizados por negras? E em nossas novelas? E nos comerciais de tv? Em nenhum lugar eu vejo as negras brilharem como mulheres lindas! Aqui, só no carnaval parece que era permitido apreciar a beleza da negra, nos desfiles de escolas de samba, e digo era por que de alguns anos para cá as atrizes e aspirantes a alguma coisa, loiras e brancas, tomaram os lugares das negras como rainhas de baterias ou destaques. Só sobrou a tal Globeleza que, como já ouvi, 'é bonita por que tem feições de branca'. Além de martelar incessantemente um padrão de beleza totalmente fora da realidade brasileira, ainda querem que as negras se amem e se adorem e não mudem um fio do cabelo....Quem nos representa lá fora no quesito beleza? Não é a Gisele? Pois é, ela é a cara do Brasil, né?

[Comentário do Alex: o próximo desenho animado da Disney terá uma "princesa" negra e será passado em Nova Orleans. Mas o próprio escarcéu sobre o filme demonstra seu pioneirismo...]

Engraçado, lembrei agora que quando eu era bem pequena, ganhei da minha mãe de natal uma boneca negra. Coisa que não é comum nem hoje (já se passaram 30 anos desde então...), acho que não foi sem propósito. E eu nunca questionei, ou estranhei, nem nada. Normal. Minha primeira amiguinha, na primeira série da escola, era (era não, é. Ela era minha amiga) negra. A gente estudou juntas até a oitava série e a tia dela era nossa professora. Éramos muito amigas, frequentávamos a casa uma da outra e tal. Muitas vezes eu ouví os meninos chamando ela agressivamente de macaca, nega, preta...ela sorria um sorriso amarelo, fingia que não ouvia. Eu achava aquilo tão revoltante, imoral, escroto. Pqp, aquela gente não recebia educação não? Os professores fingiam que não ouviam, merda pior. Ela tinha que aguentar, desculpar mil vezes ou se sentir culpada por ser negra? Ninguém fazia nada? O engraçado é que era uma escola publica, estudavam alí crianças de familia de classe média até miseráveis (um garoto ia de chinelo havaiana pra escola, eu me lembro)e meninas da FEBEM (naquele tempo ainda existia FEBEM e era um programa de integração, eu acho)e a minha amiga era a única do colégio todo que gozava de um padrão superior à todos os outros: andava com roupas caras, ia de carrão pra escola, era a única que levava dinheiro pra escola, morava numa casa enooorme e tal e só estudava alí por que a tia dela trabalhava lá. Mas era também a única negra.

E outro garoto com quem estudei, foi tão esculachado, tão maltratado (negro, óbvio). Colocaram um apelido grotesco nele, infernizaram o moleque até que ele deixou a escola.

Trabalhei alguns anos como auxiliar administrativa de uma pizzaria em são paulo (eles tem um total de 12 restaurantes) e certa vez abriu uma vaga para atendente e eu fui chamada para ajudar na seleção. Apareceu um monte de meninas sem nenhuma qualificação, nem sabiam falar direito, mascando chicletes como ruminantes. Aí apareceu uma moça com um curriculo espetacular: falava vários idiomas, entendia de informática, mil experiências, faculdades e tal. Ela estava muito acima do pretendido, o cargo não fazia juz aos talentos dela. Estava passando por uma crise e aceitava qualquer trabalho. Enfim, a moça era uma lady, falava super bem, ótima dicção, minha escolhida. Falei pra minha chefe quando a moça se foi: É ela, nem precisa entrevistar mais ninguém. Então eu ví a cena mais absurda da minha vida; minha chefe rasgou a ficha da moça e disse: Tá brincando né? Não vou colocar uma neguinha aqui na recepção.

Juro. Ela rasgou a ficha da moça SÓ por que a moça era negra.

Mas olha, preconceito no Brasil não existe, viu? Eu é que deliro...

 Denegação e Retorno

Quantos imbecis pastam por esse mundo rasgando fichas e fechando portas para os negros? Não tenho idéia do número exato, mais creio que são muitos. E pqp, estas coisas se aprendem em casa, não? Pq na minha casa eu nunca, jamais ouvi meus pais se referirem pejorativamente à quem quer que fosse e daí que quando eu e meus irmãos nos deparamos com preconceito racial no colégio, ficamos confusos e abismados. E meus pais tiveram que nos explicar o racismo....

Já cansei de ouvir coisas do tipo 'É um baita de um negão...mas é gente fina, viu?' como quem diz: APESAR de ser negro ele é boa gente, não é uma ameaça, não se preocupe.

Tenho uma tia (a vergonha da familia, por sinal) que se refere aos negros como se eles ainda fossem escravos. Tenta justificar seu preconceito generalizando defeitos imaginários, do tipo 'mas os negros são todos isso e aquilo'. Nem o fato de uma vizinha negra ter sido a única pessoa na face da terra que a ajudou quando estava passando necessidade, mudou as 'opiniões' dela sobre os 'negrinhos'.

Quem nunca ouviu, nem que tenha sido no colégio, as frases estupidas 'Negro parado é suspeito, correndo é ladrão'. 'Se negro não caga na entrada, caga na saída'. 'Só podia ser preto mesmo!'? Não pode ser que só eu ouvi estas coisas! Eu não fui criada em outra dimensão!

[Comentário do Alex: acho impossível alguém nunca ter ouvido isso. A explicação mais provável (presumindo boa fé, claro) é que, para um absurdo desses não destruir a ilusão do cara de viver numa democracia racial, ele se convence de que é só uma piada, oras, nada de mais, quem se irrita com isso é que é chato, defensivo, ô gente mal-humorada sô!]

   Casa-Grande e Senzala  Guerra e Paz: Casa-Grande e Senzala e a Obra de Gilberto Freyre nos Anos 30

Minha filha tem tres anos e este ano começou a frequentar a escolinha. Ela me perguntou essa semana por que a tia (professora) tinha a 'cara marrom'. Meu, não é muito fácil explicar as coisas para uma criança de tres anos, você deve imaginar. Que eu ia dizer? Pensei um pouco e ví o vaso com flores do campo na cozinha. Apontei o vaso e disse: As flores não são diferentes? Cada uma tem uma cor, tá vendo? Não são todas lindas? Então, as pessoas são assim também. E como as flores, as pessoas também são todas lindas.

Ela gostou da resposta, esqueceu o assunto e tocou a vida. Mas, eu sei que não é tão simples. Um dia ela vai querer saber mais, vai me fazer novas perguntas e o exemplo das flores não bastará. O difícil não será explicar as diferenças de cores, será explicar as diferenças de tratamentos. Terei que explicar pra ela que as pessoas são estupidas e que apesar de estarmos vivendo a era gloriosa das descobertas e da tecnologia, o homem ainda é o flagelo do homem. E espero que o racismo a deixe muito chocada, como me deixou um dia. (...)

Ah, antes de ir, lembrei uma coisa. Sabe o que eu penso? Que Deus e o mundo achincalha a Preta Gil não por que ela é gordinha (como querem fazer parecer, óh hipócritas!), mas por que ela é uma negra que ousa ser bonita, sensual e principalmente, confiante. Negra (e ainda gordinha) ousando ser confiante? Esfola! Tá cheio de atriz por aí fazendo merda e queimando o filme, mas nunca vi pegarem tanto no pé de alguém como dessa moça.

No Brasil, mulher negra tem que ficar piano, não pode ficar 'se achando' de jeito nenhum.

Ou sou eu que enlouqueci?

Racismo LLL

* * *

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  Caetana Diz Não: Histórias de Mulheres da Sociedade Escravista     Ser Escravo no Brasil

 Utopia Brasileira e os Movimentos Negros  Defeito de Cor, Um

 

03.11.08


Categorias: Comportamento, Raça


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Comentários:


Comentário de: Ju Dacoregio

Não, ela não elouqueceu. Ótimo texto, ótimas constatações. Infelizmente é bem desse jeito.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 05:51



Comentário de: Sblargh · http://sblargh.blogspot.com

Excelente o texto dela.
Aliás, eu dei uma guinada pra esquerda também nos últimos tempos (e continuo apoiando o DEM, ó céus, esse menino não aprende). A verdade é que ser liberal, no sentido que essa gente de direita se diz liberal, se tornou boboca.
Eu estou aprendendo, aos poucos, mas certamente, que os esquerdistas norte-americanos não "roubaram" a palavra liberal como diz a propaganda. Quanto muito foram os alemães do XVIII e do XIX que se debruçaram em cima da questão e perceberam isso que você disse. Liberdade não é algo que você carrega dentro do seu crânio, em algum "eu" esquisito que não fica em parte alguma. É uma construção coletiva. Como conciliamos isso com a propriedade privada? Bom, é o que o mundo inteiro quer saber e tenta fazer faz um século. Não é uma questão fácil. Mas enfim, a gente faz isso, vai pensando.
-
Já o que você faz aqui nesse blog considero um puta serviço à democracia. Eu adoro como você usa esse conceito de democracia racial. Mostrando que não estamos lá. Mas que é algo que nós, como brasileiros, desesperadamente queremos. Tanto que nos iludimos pensando que já estamos. Sinceramente, acho uma forma brilhante de pôr as coisas. É algo do tipo: "se gostamos tanto de pensar em nós mesmos como pessoas que não são racistas. Então porque resistimos agir como pessoas que não são racistas?"
Se perguntar isso é ser chato, Alex; então é seu dever mesmo como liberal ser o sujeito mais chato da blogosfera.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 06:34



Comentário de: Thiago

Acho que o comentário sobre a Preta Gil foi completamente desnecessário. Foi um "play the race card" tão preconceituoso quanto o idiota que rasgou a ficha da moça.

E esse tipo de cretino que rasga a ficha na certa é o mesmo que não vota no Gabeira porque é "bicha e maconheiro", etc, etc

Acho que a única coisa a se fazer seria apontar o ridículo da situação (além de um boletim de ocorrência, de resultados duvidosos)

Mas fazer o quê, né...

Acho que o Alex ainda não consegue entender como que o pai dele contratava 5 funcionários para a casa dele e o absurdo disso...

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 08:52



Comentário de: Caio

Caramba Alex, seu blog mudou meio jeito de pensar.

Depois dessa série sobre racismo, passei a refletir muito mais sobre diversas coisas.

Muito Obrigado!

Como "pagamento", sempre que eu compro algo no submarino eu passo aqui para pegar seu número de franquia :P


PermalinkPermalink 03.11.08 @ 09:56



Comentário de: Veridiana Serpa · http://www.30ealguns.com.br

excelente post e excelente idéia com esses posts... uma ótima semana!

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 10:44



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Eu não acho isso chato, Alex. Acho divertido.

Afinal, temos ou não liberdade de opinião? Não temos, não. Liberdade de opinião inclui liberdade para o racismo, que afinal é uma opinião.

Por que nada há de errado em fulano dizer que não gosta de cristãos, mas é um crime abominável silcrano dizer que não gosta de negros?

Pessoalmente, se tivesse que casar casaria com uma negra. São mais submissas que as brancas e têm bunda maior.

Outra coisa: porque condenar racismo de branco contra negro? O racismo que mata no Brasil é de índio contra todas as outras raças. Poucos anos atrás, os índios de Rondônia, os cinta-largas, massacraram garimpeiros de várias raças, por um motivo: não eram da etnia deles e entraram nas terras deles.

Um crime que vai ficar impune.

Outra coisa: racismo de branco contra negro existe e é ruim. Mas pior, muito pior, e qualquer pessoa que passear pelo Brasil e conversar com o povo sabe, é o racismo de mulatos e cablocos, e outros escurinhos, contra os negros.

Nunca vi você condenar racismo de mulato contra negros.

Quando você fala de racismo, sempre têm dois erros. Um de opinião: ninguém tem direito de ser racista. E outro de interpretação: só brancos são racistas.

Os pobres negros estariam mal, se os brancos não os protegessem dos mulatos, dos cablocos e dos índios (e até de negros de outras raças. Procure saber quantos negros mataram uns aos outros na Africa do Sul, depois que a canalha branca deixou o poder).

O Brasil é racista sim, todos os países são racistas porque em todos os países há gente que sempre achará que quem é da raça dele presta e quem é de outra raça não presta. Isso é uma variação daquela história: quem é como eu presta, quem não é não presta. Todos nós pensamos assim. Alguns mais inteligentes e cultos, e de bom coração, tentam superar esse sentimento. A maioria da humanidade não tem nem inteligência nem bom coração e, em um Estado realmente democrático, nada farão para tentar superar esse sentimento, que será bajulado por qualquer demagogo, tipo Hitler, Mussolini, Chávez, etc.

Pessoalmente, acho que o mundo estaria melhor se todos os países fossem racistas como o Brasil.

Aqui, o casamento entre raças é mais comum, e os negros podem ter a esperança de terem filhos mais claros do que eles. E eles acham ótimo quando conseguem mulher branca por esse motivo. Quem duvida disso não conhece os negros. E nem a natureza humana.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 11:24



Comentário de: Theo

maravilhoso o comentário da Ariane, claro. Mas, céus, podia ter terminado sem citar a filha do ex-ministro. Se a luta contra o racismo no Brasil depender de figuras como essa (a Preta, não a Ariane, por favor), tamos roubados...

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 11:43



Comentário de: Ariane

Comentário do Thiago :
'Acho que o comentário sobre a Preta Gil foi completamente desnecessário. Foi um "play the race card" tão preconceituoso quanto o idiota que rasgou a ficha da moça.'

Thiago, como escrevi no começo do texto, não me julgo muito esperta e não entendo algumas coisas que leio nos comentários. Realmente não entendi o seu comentário (até por que não entendo inglês) e gostaria mesmo que você me explicasse por que minha observação sobre a Preta Gil é preconceituosa ou idiota. Por que se há preconceito em mim ou nos comentáios que faço, eu quero enchergá-lo e removê-lo. Preconceito é coisa de gente preguiçosa, penso eu. abraço!

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 11:48



Comentário de: Ariane

'enxergá-lo' ,foi mal :-)

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 12:46



Comentário de: Alexandre Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

Dá pra iniciar uma série: "Como conheci o racismo".

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 12:59



Comentário de: Norrin Kurama

Nada a ver o comentário sobre a Preta Gil mesmo. Não vejo ninguem sacaneando a Tais Araujo, Isabel Fillardis, Maria Ceiça, Zezé Mota (nos tempos antigos), Adele Fátima (tempos mais antigos) etc etc etc. Não tem a ver com a raça dela. Mas com ela bancando a gostosíssima sem ser. (nem a acho tão feia, ela até é uma gordinha sexy, mas quer bancar a boazuda-e ainda responde à provocações).

Lembra da Wilza Carla em programas humorísticos? Acho que é mais por ai.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 13:01



Comentário de: Thiago

"Realmente não entendi o seu comentário (até por que não entendo inglês) e gostaria mesmo que você me explicasse por que minha observação sobre a Preta Gil é preconceituosa ou idiota."

Acho que o comentário da Norrin Kurama explica bem o que eu quis dizer.

"play the race card" significa "trazer a questão racial para algo que não tem nada a ver com o assunto". Exemplo:

Imagine uma pessoa qualquer que faz algo que vai provocar uma reação negativa das pessoas. Pode ser jogar papel no chão, fazer alguma coisa ruim, etc

Fosse uma pessoa qualquer a crítica seria absorvida de algum jeito.

Mas se fosse uma pessoa negra, poderiam usar do expediente: "ah, só tá reclamando porque é negro" sendo que não tem nada a ver!

Jogar papel no chão é coisa de porco, não importa se é "Branco" ou "Negro".

Se alguém ver um negro jogando papel no chão e fala "tinha que ser preto mesmo" é o racismo claro e comum infelizmente.

Mas se defender dizendo de alguém que apenas reclamou do papel no chão só reclamou por causa da raça é racismo também.

E TODA celebridade é motivo de piada, chacota, etc. Principalmente pelos motivos apresentados pela Norrin: "Mas com ela bancando a gostosíssima sem ser" (e levando a sério isso)

Carolina Dickman, Sandy, etc, etc, etc todo mundo é motivo de piada.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 13:23



Comentário de: Ariane

Thiago, pode até ser e eu não tenha percebido por esse angulo. Vou pensar sobre. Obrigada pela resposta.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 14:20




O melhor comentário.

E concordo totalmente sobre a Preta Gil. Fiz um comentário semelhante sobre o assunto com uns amigos no fim de semana.

Inclusive a própria Preta Gil citou as "mulheres-fruta" e colocou fotos-comparação dela x as "frutas" em seu blog. A diferença é pouca, beemm pouca. Mas as frutas são gostosas, a Preta é gorda. Por que? Bem, a Preta é preta. Com redundância.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 14:21




"Pessoalmente, se tivesse que casar casaria com uma negra. São mais submissas que as brancas e têm bunda maior."

É.Melhor ler isso do que ser cega.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 14:27



Comentário de: Thiago

"Mas as frutas são gostosas, a Preta é gorda. Por que? "

Marketing. "As frutas" tem uma empresa por trás que as "vendem" assim.

E das fotos que vi das frutas, são de um tom bem brasileiro de pele, certo? Também dá pra citar a Tiazinha, a "Globeleza".

Também há controvérsias sobre as frutas serem gostosas. Não é porque um programa bocó de TV disse pra eu gostar de algo que vou gostar.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 14:31



Comentário de: Ismael Grilo · http://cavalo-verde.blogspot.com

Texto muito bom, mas com uma consideração infeliz no final. Essa da Preta Gil não tem muito sentido, a meu ver, e o Tiago e o Norrin explicaram bem.

Sobre o comentário da D:

Inclusive a própria Preta Gil citou as "mulheres-fruta" e colocou fotos-comparação dela x as "frutas" em seu blog. A diferença é pouca, beemm pouca. Mas as frutas são gostosas, a Preta é gorda. Por que? Bem, a Preta é preta. Com redundância.


Bom, problema é dela se ela se acha que gostosa. Eu é que não vou começar a achar só pra não ser chamado de racista. E se ela se comporta como uma criança(essa da comparação aí foi ridícula), claro que vão continuar pegando no pé dela por isso. Qual a melhor forma de irritar uma criança? Repetindo aquilo que ela não gosta. Ou seja, é só continuar chamando a Preta de feia, chata, boba e cabeça de melão que ela vai dar uma resposta ridícula e vai continuar sendo motivo de chacota.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 14:37



Comentário de: Alex Castro Email

"E das fotos que vi das frutas, são de um tom bem brasileiro de pele, certo? Também dá pra citar a Tiazinha, a "Globeleza".


eu moro fora e não sei quem sao as tais frutas, mas presumo que é melhor nao saber... só fiquei aqui quebrando a cabeça pra saber o que será o tal "tom bem brasileiro de pele"....

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 14:39




Eu li N críticas à Preta Gil. Acompanho mesmo o que se fala dela. E de qualquer outro artista negro. E as críticas as Preta Gil SEMPRE tiveram menções subreptícias (ou nem tanto) à raça . Uma hora era o "nariz de preto", outra o pé chato...

E se engana (ou nos engana?) quem diz que NUNCA existiram críticas de conteúdo racial à Taís Araújo ou a Isabel Filardis. Não existem HOJE, mas existiram. Falaram e muito da raiz do cabelo "ruim" aparecendo no mega hair da Taís, por exemplo... Se falam isso sem o menor escrúpulo na minha cara, eu que sou negra, não posso acreditar que mais ninguém tenha ouvido.

Pode não ter percebido, mas aí é outra coisa...

E chamar a Preta de chata, feia e boba não é racismo. Dizer que ela tem um "nariz de preto" horroroso, é.

É tão difícil perceber a diferença?


PermalinkPermalink 03.11.08 @ 14:49



Comentário de: Ismael Grilo · http://cavalo-verde.blogspot.com

Não, D, não é difícil perceber a diferença. Agora você tá dando um exemplo de racismo. Mas no exemplo anterior, o seu exemplo foi equivocado, porque você disse que as pessoas não consideram a Preta gostosa porque ela é preta. Eu não a acho nem um pouco bonita, nem um pouco sensual, e como disse, não vou passar a achar só pra não ser suspeito de racismo.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 15:05



Comentário de: Thiago

"E chamar a Preta de chata, feia e boba não é racismo. Dizer que ela tem um "nariz de preto" horroroso, é."

Exatamente! :) Mas é como o Ismael fala.

"E se engana (ou nos engana?) quem diz que NUNCA existiram críticas de conteúdo racial à Taís Araújo ou a Isabel Filardis."

Eu não tinha conhecimento destes fatos, e realmente é lamentável. A Cinthya Rachel também contou que sofreu com episódios de preconceito.



PermalinkPermalink 03.11.08 @ 15:25



Comentário de: Norrin Kurama

Dizer que há pouca diferença entre as mulheres frutas e a Preta é desconhece-las totalmente. A Melancia até é gorda (e muita gente, inclusive eu, não a considera bonita). Mas ela ainda tá mais curvilínea que a Preta, a um passo de ser só gorda, se engordar mais. As outras então nem se comparam, são bem mais esguias. A da capa da Playboy era até magrinha. E a maioia delas é bem "moreninha". Acho que só a maçã que é loura (provavelmente de H2O2).

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 15:47



Comentário de: Pedro Fraga · http://growing-up.blogspot.com

A diferença é o público alvo das mulheres-fruta e o público alvo que a Preta Gil "quer alcançar": a filha do ex-ministro não quer ser calendário de borracharia.

Além dela ter um sobrenome a "zelar" (e usar como carteirada).

As duas coisas nem tem comparação ...




PermalinkPermalink 03.11.08 @ 16:14



Comentário de: Alexandre Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

Acho que a questão de perseguição com a Preta Gil nem é tanto racismo, mas mais machismo mesmo. Existe uma idéia de que mulher, quando está feliz consigo mesma, "se acha", é arrogante. Não basta ter que seguir o padrão estético, tem que seguir um padrão comportamental, ser submissa.

Eu vi o mesmo tipo de reação à felicidade de Martha Suplicy quando arranjou um marido. Ela tava feliz com um novo marido? Arrogante!

Por outro lado, quando Flávia Alessandra de fato "se acha" e diz que é gostosa (como tipo de beleza, não como sinônimo), não vejo os mesmos que caem de pau na Preta Gil caírem de pau nela.

Mas a Flávia Alessandra é branca e magra... (que coisa)

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 16:33



Comentário de: Ariane

por que não se vê mulheres negras em capas da Playboy? Achei um blog com uma coleção imensa de capas da Playboy, só sete estampam na capa fotos de negras: http://ascapasdaplayboy.blogspot.com/2008/07/as-capas-de-playboy-com-negras.html

De todas as ex-BBB's, nenhuma negra foi capa: http://ascapasdaplayboy.blogspot.com/2008/07/as-musas-do-bbb.html


PermalinkPermalink 03.11.08 @ 16:53



Comentário de: Julio

Outro dia cpnversando sobre mulheres gostosas um amigo meu disse que não gostava de negras. Chamei ele de racista e ele retrucou "Ué, se eu dissesse que não gostava de ruivas tudo bem, seria questão de gosto, mas quando não gosto de negras eu sou um racista filho da puta?"

Muito ridiculo. É por causa de pessoas assim que este pais não melhora.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 17:24



Comentário de: Dr Plausível · http://tinyurl.com/5t899y

Q: Mas e aí? Ao perceber q tua chefe era uma racista de marca maior, ¿vc se demitiu instantaneamente?
A: Não, mas me deu vontade, viu?
Q: Então, por tabela, vc tava tirando emprego de negros.
A: Também não é assim, né? Eu tbm preciso trabalhar. E eu nem fiquei muito tempo naquela empresa depois daquilo
Q: Ah.

...e a caravana passa.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 18:11



Comentário de: Marcio E. Goncalves

Todo esse papo sobre a Preta Gil ser gostosa ou nao (e a relacao desse gosto com o racismo) ignora o fato que um homem pode ser escrotamente racista e ainda achar uma negra linda e gostosa.

Ou vcs acham que os Senhores de Engenho que abusavam das escravas nao eram racistas?

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 18:24



Comentário de: Karina

Nao achei o comentário sobre a Preta Gil impertinente. Já ouvi críticas de conotação racisca contra ela, sim. Mas o mais assustador de tudo é o comentário do tal Nunca exprimir preconceito racial, religioso e sexual em tão pouco espaço. Às vezes acho que o Alex joga uns comentários absurdos falsos só pra testar a reação dos leitores.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 20:15



Comentário de: Karina

esqueci o nome do amigo. Mais acima me refiro ao "...comentário do tal João Nobre...".

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 20:17



Comentário de: Alex Castro Email

karina, quem me dera, quem me dera...

na verdade, acho que meu trabalho aqui é só deixar o campo aberto pro povo falar... como já disseram muitos leitores, o q os convenceu fatalmente que o racismo existe e é forte no nosso país não são os meus débeis argumentos, mas simplesmente as reações nos comentários....

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 20:20



Comentário de: Kitagawa

Po, meu comentario ao posta anterior não tá aparecendo. Vou tentar por aqui:

"os caracteres culturais de narigodos e narigudos passam de geração a geração através da formação do inconsciente individual – ou seja, são em grande parte impermeáveis a controles exógenos."

Dr, me desculpe o patrulhismo, mas agora voce foi meio racista, pois sugere que o comportamento de um determinado individuo está inexoravelmente ligado à sua cultura ancestral, assim, como inexoravel é a cor da sua pele. Assim como sugere que a responsabilidade pelo racismo é só dos negros e algum tipo de comportamento que voce tenta imbuir a eles. Discordo desse determinismo. Isso pode ser superado, mas não depende de um lado só.
Vejamos, é claro que a ascendencia cultural imediata influi na formação do individuo. Eu sou descendentes de japoneses, os japoneses vieram aqui trazendo nas costas o estofo de uma cultura milenar em processo de secularização. Sabiam ler e escrever, dominavam tecnicas diversas e vieram na condição de homens livres e empreendedores. Não vieram aqui pra sererm escravos (apesar de terem trabalhado em regime de semi escravidão). No momento que foi possível, arrumaram de serem donos de sua propria força de trabalho e mais tarde mandaram os filhos pra faculdade. Negros eram escravos. O fato de vierem de tribos realtivamente primitivas não é a condicionante principal, mas sim o fato de terem sido escravos, nascidos e criados para serem escravos, na base da porrada. E quando libertos foram tratados como pária. A escravidão e esse tratamento são de responsabilidade dos brancos. Se o estigma da escravidão ainda persiste na nossa sociedade, isso não é só da responsabilidade dos individuos negros, não depende só deles, é principalmente da sociedade que continua tratando-os de maneira diferenciada, que insiste em bater a porta em suas caras como no tempo da abolição. O que estamos fazendo aqui é apontar que existe, sim, esse tratametno diferenciado. Nisso até voce concorda. E que não há motivo para que isso não seja superado. Japoneses foram considerados de aspecto repugnante há um século. E se alguém ainda acha, problema dele. O fato é que, num lugar como São Paulo, os japonese foram já assimilados, sem problema. Sim, em parte porque os japoneses que aportaram aqui há pouco tempo, já traziam um background que deu, em relação aos negros, uma "vantagem" incomparável.
Enfim, não sou fatalista como você, não cola esse papo de que o racismo é inevitável, portanto devemos mudar de assunto e discutir coisas mais importantes. Se esse papo todo é inutil, então pra que voce tem um blog?

(de resto, dê uma olhada no documentario "blue eyed" que likaram por aí;)

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 20:24



Comentário de: Gui Losilla

Cara to meio sem tempo e não li os comentários, mas queria comentar uma coisa!
O texto dela é ótimo, mas o que mais me chamou a atenção foi o começo! Como é um assunto muito complicado temos que tomar cuidado para não chamar de racismo questões que não o são!
Uma mulher de cabelo liso que faz cachos é o que? racista contra brancos?? Claro que tem a influencia toda, que o liso é mais bonito, e o crespo é feio, mas generalização é sempre burra!
Já passei por situações bem complicadas com relação a racismo. Tenho um amigo preto, e chamamos ele assim, de Preto, sem nenhuma conotação ruim (bom talvez até tenha, mas juro que creio que não!) e uma vez ele estava longe e tive que gritar para chamá-lo, ai uma amiga virou pra mim e falou "Não fala assim com o coitado!" Fiquei chocado na hora! Mas ele virou e falou, "Ué mas a minha cor é essa, qual o problema?" E ela ficou um pouco chocada com a postura dele!
Conheço uma pessoa que tem uma grande rede de lanchonete. Ela estava no caixa de uma de suas lojas pois a funcionária estava no banheiro, atendeu uns 3 clientes. Quando a funcionária voltou, ela cedeu o lugar, mas a próxima da fila era uma negra, que afirmou que aquilo era racismo, entrou na justiça e ganhou uns bons reais. Detalhe, a funcionaria era negra!
Racismo existe, e muito, mas nem sempre!
Abraço!

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 22:15



Comentário de: Alex Castro Email

Gui, eu não entendi muito bem... vc citou dois exemplos de racismo flagrante... essa ideia de que o liso é sempre mais bonito q o crespo... o pobre sujeito gostando de ser chamado de preto "super na boa"... e depois usa isso pra dizer que "racismo existe mas nem sempre"? nao entendi nada... aliás, sobre a terceira historia nao deu pra entender nada mesmo, nao fez sentido algum...

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 22:41



Comentário de: Helvécio

O texto é ótimo, parabéns.

PermalinkPermalink 03.11.08 @ 23:49



Comentário de: Alexandre Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

"Conheço uma pessoa que tem uma grande rede de lanchonete. Ela estava no caixa de uma de suas lojas pois a funcionária estava no banheiro, atendeu uns 3 clientes. Quando a funcionária voltou, ela cedeu o lugar, mas a próxima da fila era uma negra, que afirmou que aquilo era racismo, entrou na justiça e ganhou uns bons reais. Detalhe, a funcionaria era negra!"

Gostaria de ver o documento da decisão do juiz. Me arranja?

PermalinkPermalink 04.11.08 @ 00:10



Comentário de: Alex Castro Email

mas Alexandre, vc conseguiu entender o q houve?

PermalinkPermalink 04.11.08 @ 00:18



Comentário de: Henrique

Sobre contos de fada com protagonistas negros... Tem um desenho animado francês muito legal, chamado Kiriku e a Feiticeira (kirikou and the sorceress), baseado em uma lenda africana e com uma estética planar com uso de cores fortes (influenciado, suponho, pela arte primitiva da África).

A história é sobre um bebê-prodígio que simplesmente decide nascer (é assim mesmo, "mãe, quero nascer"), sai da barriga da mãe já andando, falando e fazendo todo tipo de pergunta sobre o mundo. Kiriku descobre que sua tribo é dominada por uma feiticeira cruel, e o filme mostra sua jornada para livrar seu povo da feiticeira, tendo como armas sua inteligência, ingenuidade e boa-fé.

Uma animação genial, das melhores que vi nos últimos tempos. Li em algum lugar que é uma espécie de variação sobre a fábula do leão com espinho na pata, mas achei o filme de uma originalidade digna de um hiyao miyazaki.

PermalinkPermalink 04.11.08 @ 00:46



Comentário de: Henrique

Alex, quanto ao episódio no supermercado que o gui mencionou, o que entendi pelo comentário foi que a mulher negra interpretou que a caixa havia dado a vez à outra (que havia voltado do banheiro) porque não queria atendê-la.

PermalinkPermalink 04.11.08 @ 00:49



Comentário de: Alexandre Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

Alex, entender eu entendi. Mas duvido que tenha acontecido. Ou é boato, ou é história mal contada. Tá cheio disso por aí. Mas eu posso estar errado, por isso pedi a decisão.

PermalinkPermalink 04.11.08 @ 01:38



Comentário de: Ismael Grilo · http://cavalo-verde.blogspot.com

Karina:
Nao achei o comentário sobre a Preta Gil impertinente. Já ouvi críticas de conotação racisca contra ela, sim.
__________________________________________

Que já tenha havido manifestação de racismo contra a Preta Gil eu não duvido. Mas dizer que ela não é considerada bonita e sensual e gostosa porque é negra é forçar.

O foda é que dizer que o comentário sobre Preta Gil, especificamente no que diz respeito à beleza, tá sendo interpretado por algumas pessoas como negação da existência do racismo em geral ou de racismo contra ela em particular.

Serve até pra tirar a credibilidade das pessoas que denunciam o racismo, já põe no mesmo saco situações que são totalmente diferentes.

PermalinkPermalink 04.11.08 @ 03:18



Comentário de: Carlos · http://www.hsjonline.com

Olha, o meu problema com a "guinada" do LLL é bem diferente.

Vc diz que:

"Hoje, o LLL deu uma guinada à esquerda (ainda segundo L.) mas continua falando de liberdade (apenas agora coletivamente) e continua esfregando na cara dos seus leitores que eles vivem em denegação, que não enxergam os problemas do Brasil, que são racistas e classistas, que viveram vidas privilegiadas e que deveriam se sentir culpados quanto às suas empregadas ("esse problema não existe mais, Alex!"), quanto às suas palavras ("neguinho tá sem noção") e até mesmo quanto às suas preferências estéticas ("pô, Alex, eu não sou racista, eu só acho que preto é feio e cabelo pixaim é áspero, oras!")."

Ora, isso não uma guinada "à esquerda". Se fosse, já seria lamentável. É uma guinada para o pior coletivismo fascista (sim, eu sei, fascismo é uma forma de esquerdismo em determinadas classificações, etc., mas eu não estou falando de direita vs. esquerda, estou falando de fascismo, mesmo).

Não vejo nenhuma diferença essencial entre o fascismo Democrata (usarei o "D" maiúsculo para me referir ao pensamento que os americanos chamam de "liberal") e o fascismo dos que defendem a supremacia branca. Ambos são coletivistas, ambos defendem uma "identidade coletiva" em que uma determinada forma limitadíssima de pensamento, com listas prontas de imperativos morais categóricos deve ser aceita ou rejeitada em bloco, etc.

O título do outro post ("Meus Leitores Acham que Racismo Não Existe...") é um perfeito exemplo disso. É de um reducionismo absurdo, que parte da premissa básica do pensamento moral americano de que quem não aceita a *sua* listinha de imperativos morais categóricos ou é burro ou é mal intencionado. Parece um Republicano (mesma explicação para o "R" maiúsculo) do Texas dizendo que os Democratas não entendem o perigo da imigração ilegal pq não têm que lidar com imigrantes no dia-a-dia.

O problema não é o racismo ou sua ausência. O problema é o pensamento coletivista, os conjuntos prontos de certos-e-errados que fazem com que "racismo" seja uma coisa a identificar e combater, independentemente da conformação da sociedade. É sair em busca de monstros e, pior, identificar em uma mesma categoria absoluta um sem-número de fenômenos completamente distintos.

Isto, vindo de um Democrata americano qualquer, seria normal. Vindo de um cara que, como já disse, estava redescobrindo a filosofia helenística por conta própria e sem ler os originais, é lamentável. É triste. É ver um Beethoven em potencial se dedicando à música de churrascaria.

Consegue ser pior que ver o Olavo de Carvalho virando Republicano; ele sempre foi paranóico, sempre gostou da brincadeira. Vc não.

Quanto à questão do "racismo" propriamente dito, o que me parece estar rolando neste blogue é uma confusão de termos, uma categorização indevida. Vc está aplicando uma categoria "racismo", definida de uma maneira culturalmente específica e desenvolvida dentro de um modo de pensamento moral kantiano, a situações em que ela absolutamente não se encaixa.

Para começar, a categorização Democrata que vc engoliu com anzol e chumbada parte de um pressuposto igualitário, absolutamente alheio à cultura brasileira. Só com isso, vc já retira o quadro de referência legítimo de qualquer interação social ocorrida com a participação de brasileiro, seja ela considerada (por ele ou por outros) racista ou não. Nenhum brasileiro se considera igual a todos os outros; pelo contrário, a percepção da posição dele em uma sociedade desigual é extremamente nítida e dela dependem todos os atos dele, em público e/ou em relação a outras pessoas.

Além disso, a sua categorização pressupõe um conceito de alteridade absoluto, decorrente do igualitarismo, em que a pessoa é ou preta ou branca. Por exemplo, um traço étnico mais para africano já torna o sujeito membro do conjunto "raça negra" quando é tomado em consideração negativamente, e a tendência é que o seja: a preferência nacional por um traseiro redondo - que normalmente exige ancestralidade africana - é percebida como redução da mulher negra a objeto sexual, enquanto a preferência por cabelos louros e/ou lisos é a negação do valor da mulher negra, por exemplo. Ora, isso é ainda mais delirante qdo aplicado ao contexto brasileiro, em que a explicitação da alteridade é um tabu (é "feio" considerar explicitamente o outro "outro"; o "certo" é fingir que ele é amigo, "de casa", etc., pelo menos enquanto dura a interação. É isso o que leva muitos estrangeiros a achar que têm muitos amigos brasileiros e a rodar bonito quando precisam dos supostos amigos).

Para piorar a situação, esta categorização pressupõe um sistema de valores morais kantiano, com imperativos morais categóricos dos quais só se escapa por burrice ou má intenção. O resultado é que qualquer suposta incongruência interna no suposto sistema (que não é, em absoluto, o sistema moral brasileiro) se torna objeto de denúncia e "conscientização". É um julgamento feito pelos critérios de um sistema moral estranho (o que não é em si tanto um problema: cada um julga como gosta... a não ser que se adira a um sistema universalizante de base kantiana!), com o pressuposto de que uma denúncia contra algo que é incoerente dentro deste sistema estranho leve a uma resposta gerenciada pelos parâmetros deste mesmo sistema. Mutatis mutandis, é como reclamar que um programa feito para Windows não roda no Mac e ainda querer resolver o problema apertando Ctrl-Alt-Del. :)

O sistema moral brasileiro é de base personalista, em que a obrigação é diretamente proporcional à proximidade e o respeito é devido a alguém em função da posição que ela ocupa na sociedade, dos amigos que tem, etc.: enganar um amigo é feio, enganar a mãe é monstruoso (mas ela vai perdoar, pq foi o filho...), enganar um argentino é quase uma virtude.

Não estou dizendo que não existam as coisas que vc percebe como sintomas de racismo; afirmo, sim, que o que não existe no Brasil é o "racismo" que vc acusa, o conjunto pronto de relações de percepção de alteridade anti-igualitarista informada por uma percepção moral "ready-made" kantiana. Não existe a percepção coesa de alteridade (e portanto de superioridade "de grupo"), não existe a base igualitária da qual o racismo seria um afastamento e negação, não existe o sistema de imperativos morais contendo pressupostos igualitaristas que faria serem "errados" alguns atos e "certos" outros.

A diferença entre o mau tratamento dado a um cara que é preto e a um cara que se chama Valdercleysson é de grau e de oportunidade, não de essência. O Valdercleysson tem um nome que o identifica como "pobre", e o preto tem uma cor da pele que o identifica como "pobre" ("pobre" = pessoa sem padrinhos, mero "indivíduo", que não tem como dizer "vc sabe com quem está falando?"). O Valdercleysson pode se fazer chamar de "Val" e escapar disso, se fizer um dinheirinho. O preto, não; vai precisar de muito mais dinheiro, ou de amigos muito mais poderosos, pq a percepção da cor da pele dele não vai mudar tão facilmente.

Contudo, a origem dos problemas de um e de outro é a percepção imediata de qualquer membro da sociedade brasileira de que dificilmente um deles será alguém que tem pais importantes, que é amigo de gente influente, que é alguém, em suma, que tem uma teia protetora pessoal rica e influente.

Já vc, com seu jeito de classe-média alta e seu nome "normal", seria identificado imediatamente como alguém que tem esta rede, mesmo que não a tivesse mais. Tanto faz se vc, por pruridos éticos, nunca fosse dizer "vc sabe com quem está falando?": para o guardinha na esquina, é provável que vc possa dizer isso, e é provável que o pretinho não possa. É por isso que ele vai crescer para cima do pretinho e não para cima de vc.

O mesmo vale para um sotaque hispânico vs um sotaque americano, etc.

O que gera os fenômenos que vc vê como sintomas evidentes de "racismo" não é uma categorização de alteridade negando um igualitarismo de base e a ser denunciada em um parâmetro moral kantiano, mas sim a percepção de um fator importante dentre muitos outros na posição da pessoa em termos de relações sociais.

Não é algo simples, como "preto é pobre e branco é rico", mas de uma situação em que um cara que seria preto se fosse pobre passa a ser branco quando fica rico (aconteceu com o Ronaldinho, aliás). A riqueza (logo as roupas, o tratamento da pele e das unhas, as amizades, lugares em que anda, etc.) influencia a percepção da cor da pele, e vice-versa.

E, como cereja do bolo, a questão do fascismo: toda esta aplicação de peças quadradas em buracos redondos acima descrita conduz a uma "polícia de pensamento", a uma exigência colocada sobre os outros, não sobre si mesmo. Exigir, ou deixar de exigir, de si mesmo é algo que decorre da liberdade de cada um. Exigir dos outros já é outra coisa.

Querer impor uma categorização completamente alheia a uma cultura, sem se dar conta das profundíssimas diferenças culturais entre o modelo igualitário, de alteridades absolutamente conceituadas e de padrões morais kantianos que a definem, e o modelo sutil, cheio de nuances e baseado na relação personalista entre diferentes da sociedade brasileira, é simplesmente fascismo.

Fascismo é justamente a imposição de um sistema simplista a toda a sociedade, mudando a sociedade por ela não se adequar a teoria ao invés de mudar a teoria por ela não se adequar à realidade. É negar as nuances e tratar tudo em preto e branco, fazendo generalizações e querendo mudar ou coibir o que pensam as pessoas. É muito tentador, por um lado: fica tudo simples, nítido, fácil de entender.

Este tipo de pensamento sempre atraiu especialmente os jovens, que por terem pouca experiência passaram por menos situações que mostrariam as incoerências do sistema simplificador da realidade. Por outro lado, é o ovo da serpente. É exatamente este tipo de raciocínio que fez do século passado o século do genocídio. Mudar o sinal e acusar o "racismo" a partir do mesmo sistema de pensamento que o abrigou não muda o perigo de base, que é a percepção de que é a realidade que deve se dobrar à teoria, não a teoria que deve ser julgada pela realidade.

Isto só poderia acontecer no Brasil pela força, e mesmo assim seria difícil (como é tabu levantar-se contra o oficialmente "certo" no Brasil, todo mundo apoiaria em público e fingiria que não existe em particular).

Ah, e vê se bota feed RSS pros comentários, vai.

PermalinkPermalink 04.11.08 @ 13:37



Comentário de: Dr Plausível · http://tinyurl.com/5t899y

Hear, hear!

PermalinkPermalink 04.11.08 @ 14:27



Comentário de: Gui Losilla

Eu sei que ficou confuso, mas o ultimo caso NÃO foi racismo!!! Ela saiu do caixa pq essa não era a função dela!
E infelizmente, para a pessoa que pediu, não tenho documento nenhum, é uma conhecida da minha mãe, mas não tão próxima!
E Alex, que disse que o preto da história é pobre????? Eu não falei isso em momento algum! Vc que chegou a essa conclusão sozinho!
Sobre o cabelo, não acho que alisar seja necessariamente alguma conseqüência do racismo! Pode ser, mas pode não ser!

PermalinkPermalink 04.11.08 @ 17:59



Comentário de: Gui Losilla

Vamos lá!
A DONA de uma rede de lanchonetes (tipo a Dona de todos os BOBS da cidade!) estava no caixa de uma de suas lojas pois a pessoa que trabalha nessa função estava no banheiro! Ela atendeu umas 3 pessoas, e quando a funcionaria voltou ela saiu do caixa e deixou a outra exercer a função dela! A próxima pessoa da vila, que era negra, achou que ela saiu do caixa porque não queria atender uma pessoa negra! Entrou na justiça e ganhou! Alguma dúvida?

PermalinkPermalink 04.11.08 @ 18:03



Comentário de: Norrin Kurama

Até concordo no geral com o comentário do Carlos, mas no Brasil tambem existem racistas "puros", que não gostam de negros ou de brancos, de índios, amarelos, ou mestiços.

PermalinkPermalink 05.11.08 @ 23:35



Comentário de: Adam Victor Brandizzi · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Bem, fui lá ver o blog "Adventures of a Gringa in Rio" e, juntando http://riogringa.typepad.com/my_weblog/2008/10/the-race-question.html com seus recentes posts sobre racismo, lembrei desse seu post: http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/2007/04/comentrios-esparsos-sobre-tragdia-na.html

Quando li esse post, eu mesmo senti um tom racista no texto, ao caçoar do nome do assassino, mas acabei ignorando e tal. Agora, porém, com a discussão sobre racismo, achei interessante perguntar: não seria seu próprio post racista?

A Rachel se sentiu ofendidíssima pelos outros devido à propaganda, para mim inócua, da novela. Seu post, porém, humilha o assassino não só pelos seus atos, mas pelo seu nome coreano também. São seria isso racismo? Como você acha que isso seria visto nos Estados Unidos, por exemplo? Será que aqui ninguém mais tem a minha visão?

Não estou tentando te jogar contra a parede ou desqualificar a discussão sobre racismo, que stá ótima. É uma dúvida sincera, mesmo.

Até!

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 10:58



Comentário de: Alex Castro Email

oi adam! eu acho que vc nao entendeu entao o item 4 do post....

PermalinkPermalink 11.11.08 @ 13:10



Comentário de: Katherine

Concordo, mas:

1. É forçação de barra dizer que a Preta Gil só é tão provocada porque é negra. Thaís Araújo, que tal? Negra, nunca vi ninguém falar nada dela. Só que ela, curiosamente, é magra... não creio que o caso da Preta Gil tenha a ver com a cor dela, tem a ver é com peso mesmo. Que eu imagino ser ainda pior. Porque peso todo mundo ainda diz que a gente tem que perder. Com a cor os outros se conformam. Não dá pra perder cor. Gordo tem que se livrar logo desse cancro que é o excesso de tecido adiposo.

(Só citei a Thaís porque foi a única de que me lembrei. Não, não é porque não existem atrizes negras aclamadas. É porque eu sou ruim de memória e não vejo novela, de atriz loira brasileira só consigo lembrar da Mariana Ximenes mesmo.
E vou falar a verdade, até ler esse post NUNCA tinha me ocorrido a cor da Preta Gil. E eu só me atentei às cores das princesas da Disney depois de ler comentários a respeito - comentários que ignoravam a Esmeralda, a Mulan, a Pocahontas e a Jasmine, deixando só [do que consigo me lembrar agora] Branca de Neve, Bela, Aurora e Cinderella, mas tanto faz.
E eu sou loirinha e tenho a pele mais clara que já vi em alguém que não sofresse de albinismo ou fosse o Michael Jackson.)

2. Eu já vi essas coisas de rasgar ficha acontecer, mas também já vi casos de a pessoa ser inferior à vaga, não ser contratada e sair gritando que era porque era negra. Numa comunidade de um time de futebol veio uma mulher reclamar que não havia negros na direção e isso era racismo. Um time do sul do país, onde negros são, de fato, minoria. Um time onde muitos dos jogadores - as estrelas maiores, ao contrário da direção - são negros. E não há diretores por racismo? Será que não é porque coincidentemente os mais competentes tinham a pele branca? Por uma questão de probabilidade matemática, não creio ser justa a acusação de racismo.

3. Não sei se é porque sou branca, mas acredito que não. Eu não consigo me sentir master ofendida com _piadas_ que ofendem a inteligência, integridade ou qualquer coisa de mulheres - coisa que sou -, loiras - coisa que sou -, gaúchos - coisa que sou - ou adolescentes - coisa que eu sou. Claro, loiros, gaúchos e adolescentes não sofrem a terrível opressão que negros sofreram por séculos (e hoje sofrem suas conseqüências), nem o sexismo que vitima mulheres há milênios (e homens também, sejamos justos. Só que em esferas e níveis diferentes). Sei lá, eu rio. De piada com ateu, de piada com judeu, se o desfecho é engraçado eu rio da graça. Uma vez me contaram uma piada muito cruel com crianças e eu ri por um bom tempo, não me senti nenhum monstro com isso.
Quando alguém diz "é coisa de preto" sério, me enoja. Se é desfecho de piada, eu não vejo problemas em rir. A comunidade que mais me fez rir no orkut se chama Serviço de Branco, e a descrição é "se não metralha na entrada catequiza na saída" ou algo do gênero. Genial. Mesmo que, se formos analisar, generalize todos os brancos como escravocratas assassinos.

4. Assim como o sexismo atinge homens e mulheres dependendo do lugar e da situação, assim como a discriminação com orientação/opção/reação sexual atinge homossexuais e heterossexuais dependendo do lugar e da situação, assim como todas as formas de preconceito atingem todos os lados, existe negro racista - contra negro e contra branco. E existe branco racista - contra branco e contra negro. Só que fica foda se a gente sair atribuindo TUDO a preconceito. Talvez não tenham deixado de me contratar porque eu era mulher. Talvez tenha sido porque o cara que foi chamado no meu lugar passou dois meses em outro país. Eu preciso levar isso em consideração. Ou talvez tenha sido porque sou mulher e ele é homem, sim, é possível. Mas cada caso é um caso, não dá pra sair generalizando.

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 17:07



Comentário de: Katherine

(Errata:

Um, era "me lembrar da".
Dois, quando eu digo que nunca notei a cor da Preta Gil não tem nada a ver com "perdoá-la por ser negra" ou qualquer coisa assim. Tem a ver com eu, ao vê-la, nunca ter registrado se era branca, preta, amarela. Assim como, ao ver a Bela Adormecida, não registrava se ela era loira ou tinha cabelo pixaim.)

PermalinkPermalink 12.11.08 @ 17:40



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