Meus Leitores Acham que Racismo Não Existe...

... porque nunca sentiram na pele.

A maioria das pessoas tem uma dificuldade absurda de se colocar no lugar do outro. Dizem (com inocência perversa) que ser chamado de "branquelo" é o mesmo que ser chamado de "neguinho". Acham (com ingenuidade criminosa) que racismo não existe só porque seus amigos negros nunca lhes falaram disso.

Mas esquecem que os amigos negros ficam de boca fechada porque, numa cultura que foge do conflito como a nossa, contar quantas vezes a polícia te humilhou na rua é pedir pra ser chamado de chato, criador de caso, ou até mesmo (pasmem!) racista.

Felizmente, existem os blogs. Esse aqui é meu novo favorito:

Menina nasceu numa família inter-racial que se dividiu cedo.

Menina cresceu sonhando em ter longas madeixas lisas iguais às de suas priminhas do único lado da família com o qual mantinha contato regular.

Menina cresceu vendo programas de televisão que eram um mundo de “-etes” e “-itas” de sobrenome europeu e carinha idem.

Menina aprendeu, a duras penas, a valorizar sua herança genética, seus ancestrais africanos, em aproveitar sua estética pra criar visuais interessantes. Menina aprendeu a amar seu cabelo crespo, a valorizar a praticidade das tranças africanas, a combater preconceitos, a jogar no time do “mundo melhor”.

Menina se orgulha (sem modéstia ou arrogância) de suas conquistas profissionais, de sua veia política super desenvolvida, de ser bem informada, culta, estudiosa, batalhadora, vencedora. Menina desconfiava, porque ela é mesmo desconfiada, de que, no país que valoriza tanto a cor e textura do cabelo e a (não) flacidez da bunda, isso não é o que realmente importa.

Menina deixou a cidade mais africana do mundo para trás e veio morar em Paraíso feliz da vida com suas tranças no cabelo. Menina achou estranho, numa cidade com uma população negra e/ou afro-descendente bastante respeitável, não encontrar ninguém usando o mesmo tipo de penteado.

Mas menina já descobriu o porquê.

Menina tirou suas próprias tranças e adotou o visual black enquanto não encontrava o salão de cabeleireiros adequado. Mas também porque Menina adora seu cabelo black (apesar da praticidade das tranças). Menina imaginou que ficaria uns dois meses com o cabelo black e então o trançaria. Ali pelas festas de fim de ano, talvez.

Menina agora sabe que vai manter seu cabelo “eu-sou-negona” pelo máximo de tempo que puder. Tratamento de choque.

Porque menina ficou horrorizada ao ser alvo das manifestações de seus alunos frente ao seu cabelão black: que foram da curiosidade ao choque, do susto à ridicularização. Menina teve que ouvir que seu cabelo é um couve-flor, um alface, que ela parecia uma macumbeira (sic).

Menina viu-se obrigada a dedicar uma aula em cada turma a falar do preconceito racial e religioso travestido de preferência estética. Menina ficou REALMENTE chocada. Porque, vindo da cidade mais africana do mundo (mesmo que preconceito racial também exista lá, e forte!), Menina não estava preparada para isso. Não mesmo.

E se Menina fica chocada com os alunos, que dizer dos digníssimos colegas educadores (sic) que debatem suas ascendências européias enquanto corrigem provas e, ao mesmo tempo, se dedicam a falar do cabelo ruim, mas ruim mesmo (sic), que fulaninho tem. Ou de como seus irmãos ou filhos se sentem tristes por não terem um cabelo tão bom (sic) como os seus.

Menina promete se meter na conversa alheia na próxima ocasião e dizer que ruins são as pessoas que fazem o mal. E que boas são as pessoas que fazem o bem. E que o cabelo crespo dela nunca fez mal a ninguém e, portanto, de ruim não tem nada. Menina vai falar isso sim!! Ah, se vai!!

E Menina também já avisou que dispensa indicações de-um-creme-alisante-ótimo-que-eu-conheço.

Leia o blog: Histórias de Menina

* * *

Update

Sobre Estética, Racismo e Preconceito Contra Si Mesmo

O Márcio escreveu:

Pior que eu acho que eh preconceito estetico mesmo, nao racial. Senao eu teria que considerar as americanas negras racistas contra elas mesmas, ja que 90% delas alisam os cabelos. ... Digo que eh preconceito estetico mesmo, pq eh bem longe do que racismo quer dizer nos EUA/Europa.

E eu respondo o seguinte:

E tem mais aqui: Why Black Girls Still Prefer White Dolls

* * *

     Racismo na História do Brasil: Mito e Realidade       Psicologia Social do Racismo

Outros posts sobre racismo:

Usos do Nego
Quem Sabe da Ofensa é o Ofendido
Ser da Raça Certa I: Você É da Raça Certa?
Ser da Raça Certa II: 100% Branco
Ser da Raça Certa III: De que Cor É o Personagem?
Ser da Raça Certa IV: O Critério EliminatórioRacismo LLL

* * *

Veja todos os posts sobre Raça do LLL e acompanhe a conversa, assinando o RSS dos comentários. Para divulgar toda a série, use esse link ou o botão ao lado.

 

29.10.08



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Menina, vou cuidar de você
Repercussăo da Série sobre Racismo

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Comentários:


Comentário de: Sblargh · http://sblargh.blogspot.com

Velho, tenho que dizer, essa sua série de posts é excelente e o modo como os comentários retratam exatamente o problema que você fala é ótimo também.
Você me "converteu". Eu era um desses brancos que achava que racismo no Brasil não era "bem assim" e tal. Bom, depois de ler os posts (e, principalmente, os comentários) eu mudei de idéia.
Existe, de fato, muito racismo no Brasil e, de fato, nós brancos não percebemos, nem um pouco.

Aliás, nós brancos, heterossexuais, de classe média, percebemos muita pouca coisa. Uma coisa que me pega sempre é o "amigo gay". Porque eu sou muito próximo de umas amigas lésbicas (muito muito próximo, melhores amigas) e eu odeio quem fala do "amigo gay" (mesmo que eu meio que esteja fazendo isso agora) porque eu vejo ela passando por dificuldade que demoro muito em compreender, fico indignado que ela passa pra, no fim, ela dizer que é normal, chateia, mas é normal. Agora, a amizade que eu tenho com ela não tenho com nenhum negro (o que, por si só, é um sinal de racismo, dada a porcentagem altíssima de negros no Brasil... mas pra tentar livrar minha barra, a amizade que tenho com ela, também não tenho com nenhum branco heterossexual ou ser humano em geral). Então só dá pra imaginar, bem de longe (e imaginar mesmo, porque conhecer só sendo), o que eles passam.
-
O problema é que agora fico naquela aflição de recém convertido pra qualquer coisa. Por exemplo, esse meu post deve estar nojento em níveis que nem imagino.
Vou parar de escrever então, mas de qualquer modo, obrigado pelos posts.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 03:29



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"Menina viu-se obrigada a dedicar uma aula em cada turma a falar do preconceito racial e religioso travestido de preferência estética."

Pior que eu acho que eh preconceito estetico mesmo, nao racial.

Senao eu teria que considerar as americanas negras racistas contra elas mesmas, ja que 90% delas alisam os cabelos.

Quem eh branco eh tem cabelo crespo ou muito encaracolado tambem tem que ouvir as merdas desde pequeno, como sempre foi meu caso.

Em Curitiba eu cresci ouvindo que eu tenho "cabelo ruim". Uma amiga, branquela, mas com cabelo bem afro (pai negro, mae polaca, so puxou o cabelo do pai), teve que ouvir de seu chefe que ela deveria alisar pq senao ela nao passaria uma "imagem seria".

Digo que eh preconceito estetico mesmo, pq eh bem longe do que racismo quer dizer nos EUA/Europa. Aqui nos EUA e na Europa raca nao eh so visual, eh uma cultura/etnia/jeito de ser. Quando o cara "odeia negros" ele nao odeia so o visual, ele odeia o conceito de negro como cultura tambem, ou ate mais que o visual.

Nao preciso lembrar que os Judeus sofrem preconceito "racial" sendo que nao sao de racas diferentes, esteticamente sao iguais aqueles que os atacavam (ibericos no caso dos sefardis, etc...).

Uma Halle Barry sofre racismo nos EUA, mas dificilmente sofreria no Brasil, devido a seus tracos mais caucasianos.

O simples fato de existir historicamente uma maior integracao do mestico negro/branco na sociedade, mostra que o tal "racismo" no Brasil tem uma conotacao estetica - quanto mais "branco", "mais aceitavel" e menos preconceito sofre.

Nao estou dizendo que esse racismo estetico eh melhor ou menos odioso que o "racismo classico" que rola nos EUA e na Europa.

Mas o primeiro passo para combate-lo e entender sua peculiaridade e nao tentar ficar importanto formulas e conceitos que nao fazem sentido para o brasil.

P.S. Estou ciente que em menor grau nos EUA tambem havia um preconceito estetico interno entre os negros, onde os mais claros excluiam os mais escuros. Mas como os brancos definiram o conceito de negro com a "one drop rule", este preconceito estetico interno nunca se propagou ao resto dos EUA. Vide que para um americano o Obama nao eh mulato, eh negro.




PermalinkPermalink 29.10.08 @ 03:45



Comentário de: Alex Castro Email

Marcio,

Pra começar, muito obrigado por estar acompanhando os textos, se deixando engajar por eles e respondendo de forma pensada.

Dito isso, deixa eu corrigir:

preconceito estético É preconceito racial, ainda mais quando a estética reflete as características de uma raça. Quando o padrão estético é o branquinho, loirinho, de olhos azuis, óbvio que esse padrão estético é completamente racista, pois ele coloca tudo o que é intrinseco às outras raças (que não a dominante) no lado do feio.

Como no exemplo que vc deu da Halle Barry, ela é vista como mais bonita justamente porque se aproxima mais do padrão branco. Pensa em todas as negras que são universalmente consideradas bonitas. Talvez você em uma ou outra exceção, mas todas as que eu pensei aqui são mulheres que tem cara de branca e a pele um pouco mais escurinha...

E, por fim, segunda coisa, vc escreveu:

"O simples fato de existir historicamente uma maior integracao do mestico negro/branco na sociedade"

Não ficou bem claro o que você quer dizer com "maior integração histórica do mestiço negro/branco na sociedade", no Brasil em oposição aos EUA, mas se for o que eu estou pensando, eu discordo veementemente. quantos médicos negros você conhece no Brasil? E nos EUA?

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 03:58



Comentário de: Luis

"Senao eu teria que considerar as americanas negras racistas contra elas mesmas, ja que 90% delas alisam os cabelos."

Mas é pra considerar.

Acho que eu faço parte dessa coisa de não criar caso. Talvez por arrogancia, talvez só por preguiça mesmo.

Além de ser negro, eu sou vegetariano. E é dificil eu me "meter na conversa alheia na próxima ocasião e dizer que ruins são as pessoas que fazem o mal".

Mas entre amigos, é diferente.. Talvez por achar que vale a pena.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 03:59



Comentário de: Alex Castro Email

sblargh, obrigado. a vida é assim, um leitor de cada vez.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 04:01



Comentário de: Alex Castro Email

Marcio,

alias, mais uma coisa: justamente por causa dos padrões estéticos dominantes, que enfiam na cabeça dos outros desde cedo que eles são feios e que o cabelo deles é ruim e que o nariz deles não é como deveria ser, etc, o racismo contra si mesmo é a coisa mais normal do mundo. e é o sintoma mais perverso da disseminação do racismo na nossa cultura.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 04:04



Comentário de: Leo · http://lmonasterio.blogspot.com

Teste para saber se há racismo em uma sociedade: tudo mais igual, você seria indiferente entre nascer preto ou branco em X?

Se X for o Brasil, acho brabo alguém dizer que seria indiferente.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 09:07



Comentário de: Thiago

Olha, até concordo que o preconceito estético pode ser uma manifestação do preconceito racial, mas sempre há um jeito de casar as feições do negro com uma estética bonita sem descaracterizá-las.

Pois afinal Beavis e Butt-Head são 100% caucasianos e feios feito o capeta.

O que acho é que com vitimismo/passividade ou agressividade a questão não se resolve.

Precisamos é de mais Rosa Parks e de mais Obamas.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 09:10



Comentário de: Ana

Preconceito estético e nao racial, agora caí da cadeira... é por causa desse tipo de cegueira que a coisa tá assim.

O mais incrível disso tudo, é que essa história se passa com crianças e adolescentes e no Rio de Janeiro !

Beijocas

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 09:44



Comentário de: tathiana

que dor me deu vendo o video.. torcendo para não ver o que eu sabia que estava ali...
ler alex castro faz muito bem para abrir sua cabeça.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 10:57



Comentário de: Hugo

Concordo INTEGRALMENTE com o Márcio E. Gonçalves.
Suas colocações são lúcidas, isentas e oportunas.
O exemplo dos judeus, então, foi perfeito!

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 10:59



Comentário de: Hugo

Querem fazer crer que o fato de alguém não gostar
de cabelo crespo é uma demonstraçao de racismo, o qual teria sido incutido desde a infância, e
não de preferência estética ou de simples
preferência mesmo.
Ora, ora, vocês preferem um travesseiro ou um edredom macio e sedoso ou um áspero?
Mal comparando, acham mais bonito uma roupa passada ou uma roupa amarrotada? Sejamos razoáveis !
Por outro lado, os negros têm mesnos ataque cardíaco, são melhores em diversos esportes, normalmente têm um físico e uma saúde mais privilegiadas, não aparentam a idade que têm, e por aí vai.
Cada qual com suas vantagens e desvantagens! Os negros talvez sejam os maiores racistas. É compreensível, mas não é por aí.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 11:15



Comentário de: Victor Barone · http://escrevinhamentos.blogspot.com/

Sinceramente acho este papo de racismo no Brasil uma balela. O que há no Brasil é preconceito de classe. O brasileiro adora um “complexo de coitadinho” e boa parte deste papo racial acaba caindo neste nicho. Pior ainda são as estratégias traçadas pelo “movimento negro”, um amontoado de idiossincrasias importadas do movimento na América do Norte, que de modo algum se aplicam a nossa realidade. O conceito de “afro-brasileiro”, por exemplo... Por favor... O preconceito nasce aí. Somos brasileiros, isso sim, e olhe lá. Brasileiros com sangue misturado, com raças mescladas formando um tal balaio de gatos racial que não se pode, de fato, dizer: sou 100% negro ou 100% branco. Este é mais um dos nossos debates enviesados.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 11:58



Comentário de: homem Universal

Acho sim que todo preconceito estético é racismo! Quem senti na pele sabe como é difícil ser diferente neste mundo !!! Se você é negro sofre preconceito, se é magro demais sofre preconceito, se é gordo demais sofre preconceito, se é branco demais sofre preconceito, se tem pelos no corpo sofre preconceito, se é homossexual sofre preconceito, se usa piercing sofre preconceito, se tem tatuagem sofre preconceito, se é .... sofre preconceito ! Que sociedade ESPARTANA é esta que vivemos ! Não estar nos padrões da mídia é muito duro hoje em dia !!!!

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 12:04



Comentário de: aline · http://ateaquitudobem.blogspot.com

muito bom, alex.
acho esse um tema muito, muito importante, etc.
Existe sim racismo no país. E tenho a impressão de que os termos são trocados entre Brasil e EUA: os americanos, me parece, aceitam mais facilmente que há preconceito racial arraigado em sua cultura. Aqui no Brasil não se fala de preconceito racial, mas econômico. Travestem a coisa no pobre, sobrepondo dois comportamentos preconceituosos fortes, sufocantes, mas distintos. Se é de classe, porque a atriz Taís Araújo alisou o cabelo pra fazer o papel de uma negra rica na novela das oito? Não basta ser rica pra ser gente? Pense num assaltante e diga lá que cor ele tem. Agora um médico. E assim por diante...
Acho que as pessoas vêem o que querem ver. E ver racismo num país tão miscigenado nos torna muito contraditórios. E quem é que aceita suas próprias contradições???


Hugo, segundo seu comentário eu posso inferir que vc goste muito mais de mulher gorda, porque entre uma almofada vazia e uma cheia, as pessoas gostam da cheia e fofinha, né?
Acorda, rapaz, que gente não é objeto pra ser "avaliado" de acordo com as texturas!


(alex, apaga o primeiro comment q saiu errado pf?)

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 12:12



Comentário de: Hugo

Aline,

A sua inferência está obviamente equivocada.
Acho que a maioria entedeu o que eu quis dizer.
A propósito, nós somos avaliados por texturas sim! Não apenas, mas também !
O áspero, via de regra, não é agradável ao
toque. O sedoso, via de regra, é.
São fatos ! Lamento se você não
os aceita.



PermalinkPermalink 29.10.08 @ 12:49



Comentário de: Maurício

Ninguém pode ser julgado, classificado, discriminado, por algo que não escolheu... Seja cor da pele, textura do cabelo, etnia ou seja lá o q for... A ditadura estética é criminosa e ridicula... É a forma mais vil de segregação. Vemos claramente isso quando a sociedade se comove e se mobiliza com a morte violenta de uma criança branca de olhos claros e sequer fica sabendo das centenas de crianças negras que morrem todos os dias... Quando ocorre um terremoto ou incêndio em Los Angeles onde 2 ou 3 celebridades perdem suas casas e nem ligamos pra 30.000 mortos num terremoto na India... É claro q o oposto tbm é verdade... Ninguém pode ser discriminado por atender os padrões aceitos de beleza... Mas vida é vida... Gente é Gente... Todos deveriam ter o mesmo valor...

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 13:14



Comentário de: Marcus

Sou da opinião que: quem tem cabelo crespo NUNCA deveria alisar, pois fazendo isto está sem dúvida alguma menosprezando sua própria aparencia. O que é um grande erro. Por incrivel que pareça é a grande maioria da população, logo a moda seria cabelos crespos.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 13:20



Comentário de: Hugo

Concordo plenamente, no que se refere ao julgamento, discriminação, etc. Mas não se trata, no caso do cabelo, de ditadura estética e sim de senso estético que é uma coisa instintiva.
Ditadura estética é dizer que careca, gordo, pele preta, suvaco cabeludo em mulher, são feios por
não atenderem ao chamado "padrão" de beleza.
Sou meio gordo e meio careca, não gosto de ser, mas não vou ficar acusando os outros de serem preconceituosos por preferirem quem tenha cabelo e seja esbelto (até porque eu concordo com eles, hehehe)

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 13:28



Comentário de: Alex Castro Email

"Mas não se trata, no caso do cabelo, de ditadura estética e sim de senso estético que é uma coisa instintiva."

Parafraseando meu amigo o Dr Plausivel: HHAHAHAHAHAHHAHAHHAHAA

Eu fico até sem graça de ter que dizer isso, mas vai lá, vou incorporar o professor:

o senso estético não é instintivo, ele é construído. tanto que existem sociedades em que o belo é o gordo, ou o baixo, ou quem tem anéis no pescoço, ou etc ou etc,

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 13:35



Comentário de: Hugo

Ignorância.
Aquilo que se é constrói é a ditadura estética, a
partir de padrões que variam de uma sociedade para outra.
Senso estético é outra coisa, que quem não tem, ou então é recalcado, confunde com ditadura estética.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 13:43



Comentário de: Carol

na escola da minha filha não tem negro nem mulato estudando, nem professora, nem diretores. negros e mulatos só há entre os assistentes e pessoal da limpeza.
fico sempre besta de ver que não há negros nas festas que eu frequento, que faço casamentos para mais de 300 pessoas e nenhum convidado é negro.
tudo bem que a escola não é racista nem proíbe a entrada de negros, tudo bem que os noivos fofos que me contratam não são (na maioria)racistas, mas é certo que há, sim um grande muro de preconceito separando as raças, impedindo a uma o acesso a tudo de que a outra desfruta.
acho ótimo que você escreva sobre esse tema, Alex. Tem muita gente mesmo acreditando que o Brasil não é um país racista.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 13:43



Comentário de: aline · http://ateaquitudobem.blogspot.com

bom, contra [quem pensa que só lida com] fatos, não há argumentos.

a comparação entre cabelo e edredon é engraçada. e estranha. e falha.

cabelo crespo nem é "áspero"... =)

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 13:44



Comentário de: Hugo

É...
É sedoso.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 13:47



Comentário de: Lalís

MAURICIO, VC ESTA COMPLETAMENTE CERTO... PRECONCEITO EXISTE E MUITO, COM MUITA COISA, EU MESAMA JA FUI CONFUNDIDA COM A BABA DO MEU FILHO , PQ? mEU MARIDO NAO E BRANCO E MISTURADO, E EU NEGRA, E MEU FILHO , CLARO COMO O PAI, E ME PERGUNTARAM SE ME PAGAVAM BEM, ISSO JA E O SUFICIENTE PARA SER PRECONCEITO , ENTAO NEGRO NAO PODE TER FILHO E ANDAR NA PRAÇA? TEM Q SER BABA? QUANTOAS BRANCAS O SAO? PRECONCEITO COM CLASSE, RELIGIAO,BAIXO, ALTO, GORDO MAGRO, E PRECONCEITO...PRECISAMOS MUDAR A CABEÇA E DAR VALOR A NOIS MESMOS , E SE MOSTRAR, NADA DE FICAR QUERENDO SEGUIR PADROES.SE VC NAO SEGUI-LOS, VC ESTA COM CERTEZA, SENDO DICRIMINADO

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 13:57



Comentário de: Cassio

Essa história de "valorização das origens" é uma bobagem, no mínimo, e um perigo, no limite. Qualuqer que seja essa origem. Afinal, viemos ou não na verdadeira origem de uns poucos indivíduos? Isso só leva à divisão e ao conflito, à identidade que separa do diferente.

Quanto ao racismo, jovens machos brancos são mais parados pela polícia do que negras velhas, mesmo não estando em "atitude suspeita".

Conitnuo achando o Brasil o país menos racista que eu conheço. Um lugar onde, espontaneamente, africanos, asiáticos, nativos da América e europeus se misturaram. Vejam os relatos dos jogadores de futebol brasileiro em toda a Europa, e pensem se isso aconteceria aqui. Leiam uma reportagem recente sobre os Brasileiros negors nos EUA. Um disse textualmente "Aprendi o que é o racismo aqui nos EUA". Não existe um bairro negro em nenhuma cidade daqui, como nos EUA, por exemplo. Existe bairro pobre, onde convivem em boa harmonia brancos e negros. não há uma característica cultural, seja música, religião que seja atributo de negros ou brancos aqui. Ainda bem. Mas o que tem de gente do MovimentoNegro , e brancos também comprando essas teses, querendo criar animosidades é uma grandeza. E uma tristeza. Lembro de uma vez, um rapper dum grupo chamado, acho, Naçao do Islam, no programa livre do Serginho Groissman. Ocara, todo metido a politizado, disse abertamente que nao se casaria com uma branca. Não porque achasse elas em geral mais feias, por exemplo, o que seria uma questão de gosto estético e não-racista. Disse que era por causa do que a raça branca havia feito para a raça negra (comos e negros não escravizassem negros na África - e aqui também - e ganhassem dinheiro negociando-os coma América). O cara simplesmente ignorou o conceito de responsabilidade individual, como se qualquer um de nós respondesse por alguém que não nossos filhos menores de idade, e defendeu a responsabilidade grupal, base dessas políticas de reparação.

Eu estudei em escola do estado 80% do meu período escolar. Posso dizer que dá pra contarnos dedos de uma mão só qualquer tipo de insinuação racista direcionada aos negros, e nada muito agressivo. Mas vi, muito, nerds, gordos, gordas e desajeitados sociais serem abertamente ridicularizados por turmas, a ponto de uma classe inteira bater palma gritando "chora! chora!"até que ele caísse em lágrimas. Ou na quinta série, alguns alunos saírem em patrulha pegando os colegas que haviam passado direto pra bater neles. Um tomou uma rasteira, quebrou o braço e deslocou um nervo, tendo de ser operado. E esses caras entraram na USP.

Outra coisa engraçada é esse raciocínio: empresários só pensam em ganhar dinheiro, e muitos recorrem a métodos desonestos pra coneguí-lo. Ao mesmo tempo, não contratam um negro porque, daí, bem, daí, o princípio de manter o racismo incrivelmente se sobrepõe à ganância. A contradição é evidente. Aquele, de qualquer cor de pele que estiver preparado e trouxer resultados vai ascender materialmente.

É preciso parar com o discurso da vítima e da reparação (minha família veio pro Brasil depois da abolicao da escravatura, e veio pra trabalhar nas mais simples profissões, que raio tenho eu de pagar por algo que não fiz?). É necessário voltar o discurso pra necessidade do esforço pessoal. Nos EUA, de novo, em certas comunidades negras, estudar é visto como "acting white" (agir como branco). Com esse tipo de cultura, que grupo social vai progredir?

Pesquisem, por exemplo, quem é Thomas Sowell, sua história e o que ele pensa disso tudo. Ou o pessoal da Issues & Views.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 14:00



Comentário de: CELIA/RJ

O PRECONCEITO QUE EU CONHEÇO NO BRASIL, É
SE O SUJEITO É POBRE OU RICO, SE O SUJEITO É
FEIO OU BONITO, ENTÃO O PRECONCEITO É QUANTO
A POBREZA E A FEIURA, NÃO IMPORTANDO SE O SUJEI-
TO É BRANCO OU PRETO, SENDO BRANCO OU PRETO,
ELE TEM QUE SER RICO, BONITO, E NÃO SER "GAY".

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 14:52



Comentário de: Celia Lima

Preconceito é estético: contra o cabelo ruim,contra o branquelo, o gordo, o narigudo, o "feio" e por aí vai.

Preconceito racial no Brasil é brincadeira, o preconceito é sócio-econômico, é preconceito de classe. Basta ser rico e tá tudo certo.

Tem gente que não gosta de japonês, numa visão absolutamente redutiva e tem um monte de negro que odeia branco. Mas são pessoas odiando pessoas. Todo mundo tem suas preferências em todos os assuntos da vida, inclusive estéticas.

O que não dá pra falar é que o POVO aqui seja preconceituoso. Algumas pessoas sim, mas o POVO... meu deus! Olhem pra esse país, pra miscigenação abundante, para o caldo de cultura que é isso aqui!

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 15:53



Comentário de: Celia Lima

E mais uma coisinha: a cultura do preconceito é mais uma cultura importada, como a do Halowin. Isso não é nosso. A porcaria da midia faz questão de enfiar isso na cabeça fraca de muita gente.

A luta do negro por um lugar ao sol é igualzinha à luta da mulher, do homossexual. Ao invés de ficar reclamando que não me aceitam, melhor seria arregaçar as mangas e buscar união ao invés de entrar na ladainha do "coitadinho de mim". Somos todos iguais, o que faz a diferença é quem tem mais ou menos dinheiro. Pelé e Ronaldinho Gaúcho que o digam!

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 15:59



Comentário de: Sheila

Lalís,
Se vc fosse branca e seu filho negro aposto que te perguntariam se faz tempo que vc adotou ele. É a dura realidade.

Quanto aos cabelos, eu acho lindo cabelos crespos, mas sei que exigem cuidados diários para ficarem bonitos.
Faco escova progressiva e chapinha pela praticidade de poder acordar, passar os dedos e sair. E nao acho que isso seja uma forma de racismo.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 16:38



Comentário de: Vera

Como a maioria das coisas no Brasil, o preconceito aqui é um mix,ou seja, as pessoas têm um pouco de vários preconceitos, que se aplicam em casos diferentes.
Creio que o preconceito estético perspassa os demais, há pessoas que se incomodam muito com a aparência dos outros,sentem-se pertubados pela diferença.
Mas, como alguns comentaram aqui, eu também não gosto de rótulos - já tive atritos com amigos que me censuram por eu ser "afrodescendente" e não gostar de determinados alimentos, comemorações, ritmos atribuídos a essa cultura.O que eu sempre argumento é que nasci no Brasil, nordeste,então eu gosto das coisas daqui(Brasil - aqui é o meu lugar!). Por que eu teria que me vestir, comer, comportar de acordo com a cultura de um lugar(África) com o qual eu não tenho nenhuma ligação a não ser o fato de alguns ancestrais meus terem vindo de lá? Ah, tenho origem indígena também e branca, sou a miscigenação em pessoa, e aí? A pele é morena, o cabelo é liso, o quadril é avantajado, gosto de frio ao invés de calor, e por aí vai....
Acho esses movimentos uma violência contra a individualidade de cada um;gosto de coisas da minha origem nordestina(forró, farinha,etc), mas gosto de rock, mpb,pagode, feijoada,churrasco,chocolate quente,uma infinidade de coisas dos quatro cantos do país e do mundo com as quais cresci.
É o direito de pertencer a várias origens e ao mesmo tempo não ser totalmente de origem nenhuma que eu defendo.O resto, é conversa...

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 16:41



Comentário de: Lilibeth · http://www.naosouvitima.com.br

Compreendo que existe o preconceito e que ele precisa ser combatido sem dó ou piedade. Preconceito este complexo, secular e o pior de tudo, disfarçado em "país do futuro".
Mas vamos combinar uma coisa: NADA DE VÍTIMAS, ok? No máximo, vítima é nominação para quem não consegue se defender, como por exemplo, crianças.
Sou a única mulher do meu time de analista de sistemas. Se eu combater com lamúrias toda agressão que me aparece é melhor entrar para a Opus-Dei e começar a se auto-flagelar.
Sempre vai existir alguém para dizer uma besteira, mas isso NÃO É PROBLEMA SEU. No meu caso, é porque o meu cabelo é vermelho e, ao que me parece, "mulher" não apresenta uma ameaça. Alguns dias vou me sentir mal, na maioria deles vou ignorar e quando isso não for possível, vou passar como um trator em cima do(a) infeliz.
Porque eu não nasci pra vítima.
E você também não!
Mas enquanto você chora, eu piso duro.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 16:48



Comentário de: Sblargh · http://sblargh.blogspot.com

Aliás, não sei se entra no assunto; mas esses dias vi atrás de um ônibus um cartaz da turma da Mônica incentivando a adoção e era um casal branco feliz de braços abertos e um menininho negro correndo feliz na direção deles.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 17:20



Comentário de: Marcio E. Goncalves

Bom, deixa eu fazer um disclaimer aqui antes de responder ao Alex:

1) Eu NAO faco parte daqueles que acham que nao existe racismo no Brasil e que acham que o movimento negro esta reclamando por nada. Existe racismo sim, os seculos de escravidao seguidos por uma libertacao sem assistencia criaram uma situacao horrivel que se perpetua ate hoje, ainda que em menor grau. O que eu nao concordo eh tentar importar a dicotomia e solucoes americanas para uma situacao diferente, ainda que com pontos em comum.

2) Dito isso o "racismo" aqui nao se configura como o que ocorre nos EUA ou Europa e muito do que se diz como Racismo aqui para mim eh preconceito estetico. Racismo, no conceito americano/europeu de raca como uma cultura/etnia/estilo-de-vida eh quando o cara fala "Todo negro eh vagabundo. Todo negro eh burro.". O cara achar cabelo crespo feio eh diferente, eh preconceito (ou mesmo pos-conceito) estetico.

3) Partilho da gargalhada do Alex quanto a estetica: padroes esteticos sao aprendidos e refletem sua cultura, midia, grupo/sociedade onde vc nasceu. Nao eh preciso ir muito alem - eh so comparar a estetica das modelos dos anos 90 para ca (anorexicas)com as modelos dos anos 80 ("gostosas" por assim dizer...rs). Indo mais longe, se alguem dos anos 30 visse uma modelo atual acharia que a coitadinha estava passando fome por causa da Grande Depressao.

4) Mas essa estetica tambem tem origens culturais profundas que nao sao facilmente mudadas pela midia e/ou governo. Ali em baixo vou citar o que ocorre na India e na Asia em geral, quanto a isso. Mas vale lembrar tb que, mesmo com a imposicao das modelos anorexas como modelo de beleza, homens continuam achando as mulheres com mais corpo "gostosas" - ou seja, tem um elemento inerente ai na estetica. Ainda que eu ache que isso possa ser dominado pela influencia externa.

Bom, fim do Disclaimer.

Olha Alex, seu video so confirmou o que eu falei: que eh um preconceito estetico, nao racial, ja que os proprios negros o possuem. Nao acho que isso seja racismo contra a si mesmo. Se voce me mostra rum video dessas criancas dizendo que nao querem ir para escola pq sao negras, logo burras e selvagens e nao vao aprender mesmo, dai eu posso concordar que seja racismo contra a si mesmo.

De onde sai esse preconceito estetico? Como vc disse grande parte da midia e da cultura em si, onde as caracteristicas caucasianas sao colocadas como o apice da beleza.

Mas isso EH diferente de racismo - voce mora nos EUA e sabe que racismo aqui conota muito mais do que uma estetica.

Vc escreveu:

"preconceito estético É preconceito racial, ainda mais quando a estética reflete as características de uma raça."

I beg to differ, mas deixa eu elaborar.

Ja citei os judeus, mas posso citar os irlandeses nos EUA , que tambem sofriam preconceito racial, mesmo sendo esteticamente "iguais" e/ou semelhantes.

Mas agora a parte mais interessante: preferencia estetica por pele branca e preconceito com aqueles que tem pele escura eh algo predominante da Africa, passando pela India ate a Asia.

No Ocidente normalmente se ouve falar do preconceito por castas na India, mas mesmo dentro da mesma casta e grupo racial, pode existir uma grande variacao de cor de pele, indo do claro ao bem escuro. E o que ocorre?

Principalmente entre as mulheres, aquelas de tez escura sofrem um preconceito do cao, tem dificuldade, para casar, etc...

O caso eh tao serio que existe toda uma industria de cremes para clarear a pele - e feitos por multinacionais, que nunca ousariam lancar tais produtos nos EUA (ou mesmo Brasil).

Esse eh um problema de racismo? Ja vi muitos americanos falarem que sim, que os Indianos estao negando o obvio.

Mas como eh racismo se ocorre dentro da mesma raca e da mesma casta?

Isso ocorre tambem na Africa e na Asia em geral. Taiwaneses e Japoneses em particular tem horror de ficarem morenos e aqueles que nascem com pele mais morena (pq a uma grande variacao entre eles tb) sao vistos como mais "feios" (quem quiser um exemplo desse preconceito no Japao por um vies pop eh so ler o manga Peach Girl)

O que estou articulando aqui eh que a base desses preconceito estetico nao pode ser simplificada, enquadrada e igualada a racismo simplesmente.

Como um "afro-descendente" (apesar de branquelo de pele, logo nao identificado como negro) que cresceu em uma cidade que finge ser Alema ou do Leste Europeu (Curitiba) eu analiso isso desde pequeno, pq sinto na pele o preconceito estetico e/ou racismo mas anos morando la me derem a percepcao para diferenciar ambos.

Alem disso tem o fato de eu ser um cara baixo em uma cidade de pessoas altas, o que me da uma perspectiva, em mais um aspecto estetico, bem clara desses diferentes tipos de preconceitos.

E existe diferenca sim, nao eh a mesma coisa.

Infelizmente nao posso te citar nenhum autor para articular isso pq nunca li nada que se foque nesse ponto de preconceito estetico - ou ficam numa definicao de racismo americana/europeia ou caem na balela de que so existe preconceito social/economico.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 17:52



Comentário de: Aimee

Pois bem, falava tanto em racismo pela cor mas existem outros tipos...
Já pensaram nos gordos? Não adianta nada ter pós-graduação, falar N linguas, ser inteligente, refinado, ter bons amigos, se vestir bem, ser um amor de pessoa e etc, etc etc... Sempre será o gordinho...

Vão esperar sempre aquele bom humor, aquele ser compreensivel e blablabla... Mas será sempre O gordinho...
Isso é, ao meu ver tb é racismo... Preconceito, pre-conceito mesmo... descarado.

Somos uma sociedade completamente pre-conceituosa... infelizmente.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 17:59




Alex,
Vou dizer uma coisa pra vc, viu. Sempre fui branquelo. Nesta terra de culto ao sol, nunca fui de mostrar a ele a pele. Pernas branquelas, braços branquelos, barriga branquela. Se eu disser q depois de uma vida inteira tendo gente tirando sarro (sarro mesmo, gargalhos, piadas públicas, &c) de meu corpo, ainda hoje penso duas vezes antes de sair de bermuda na rua, ¿vc acredita? Não ligo mais pra sarro, agora rio junto; mas eu jamais jamais jamais ccondenaria as piadas chamando-as de preconceito estético, racismo, &c. O q faziam comigo era só HUMANOS SENDO HUMANOS, gente sendo gente. Grande novidade q gente é cruel.

E qto idealismo teu achar q um dia isso pode acabar, e q vc tá dando teus 10 centavos pra acabar. Se TODOS os seres humanos do mundo fosse IDÊNTICOS em tudo, exceto q metade tivesse o nariz meio centímetro mais longo, haveria guerras entre os narigudos e os narigodos. Gente é ruim por natureza. Se não fosse o racismo, haveria outra desculpa pra estigmatizar "o outro" (alías, há uma infinidade delas).

Se há uma solução pro racismo é deixar q continue acontecendo o q já tá acontecendo: todas as sociedades tão se pluralizando, se diversificando, se complexificando. Não vai ser por falar, mas por fazer. Daqui a 30mil anos, talvez a cor da pele não carregue o estigma "África subdesenvolvida".

¿É uma merda? É. Mas note q teu afã por endireitar as coisas é IDÊNTICO ao afã do racista por ENORTAR as coisas. São só opiniões, moralizações, racionalizações. O objetivo é TER UM AFÃ.

Nem tou atacando o q vc faz. Acho q vc tá CERTÍSSIMO. Só acho meio self-serving. ¡MEIO!

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 17:59



Comentário de: Permafrost

Sorry: ENTORTAR

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 18:02



Comentário de: Marcio E. Goncalves

AH, quanto a sua questao historica:

"Não ficou bem claro o que você quer dizer com "maior integração histórica do mestiço negro/branco na sociedade", no Brasil em oposição aos EUA, mas se for o que eu estou pensando, eu discordo veementemente. quantos médicos negros você conhece no Brasil? E nos EUA?"

Olha, o fato de poucos negros serem medicos no Brasil esta mais ligado a forma de como ocorreu a libertacao dos escravos (sem assistencia posterior nenhum, seguida da chegada dos imigrantes para "substitui-los", mais cretinas politicas de branqueamento "cientificas", etc...) do que qualquer coisa a ver com o que estamos discutindo aqui (mais especificamente "eh racismo achar cabelo crespo e pele escura feios?)

O meu ponto de "maior integracao historica" eh simplesmente o fato de que o mulato podia (estamos falando do passado) ascender socialmente no Brasil, mesmo com trocentos obstaculos, de forma que era impossivel nos EUA.

E o que contava muito nessa possivel ascencao do mulato? O quanto mais "branco" ele parece oras - me parece haver ai um germe do preconceito estetico que permanece ate hoje.

Aceitar o fato de que o preconceito e racismo no Brasil era mais flexivel e menos preponderante dos que nos EUA/Europa nao eh o mesmo do que negar sua existencia. Mas repito que sem entender essas diferencas fica dificil combater o problema.

Compare o fato de que desde a long time ago in a galaxy far far away Machado de Assis, um mulato, eh considerado o grande escritor brasileiro.

Enquanto na Franca, o Alexandre Dumas Pai, apesar de ser o autor frances mais famoso e adaptado do mundo, so teve o devido valor reconhecido pelo governo em...2002! Pq? Pq ele era mulato! Tal fato foi reconhecido pelo Presidente Chirac na ocasiao da homenagem em 2002.




PermalinkPermalink 29.10.08 @ 18:26



Comentário de: Ricardo

O preconceito no Brasil e no mundo é muito mais sócio-econômico do que racial. E eu já sei que você vai dizer que não. Mas vamos pensar: há alguns anos atrás, a Revista Veja fez uma reportagem-teste, colocando três homens, bem vestidos, para fazer compras. Um negro, um branco e um japonês. O único que foi discriminado foi o negro. E porque? Porque o negro, mesmo estando bem vestido, é sempre associado à pobreza. Se o preconceito fosse RACIAL, o japonês deveria ter sido discriminado também. E olha que eeles realmente são uma MINORIA no Brasil!

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 18:44



Comentário de: Alex Castro Email

Ricardo,

espera aí. Pára tudo. Deixa eu ver se entendi.

Mostraram a foto de três pessoas de três raças, "só" o negro foi discriminado... e isso é a prova de que o racismo não existe?

Vocês falam essas coisas só pra me fazer rir?

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 18:58



Comentário de: aline · http://ateaquitudobem.blogspot.com

Ricardo

que conclusão tortuosa, essa a da Veja. Pois se os 3 estão bem vestidos e mesmo assim o negro é alvo de alguma discriminação, então isso é racismo, caramba. Ou as pessoas que o discriminaram disseram algo como "não gosto desse aí não, pq mesmo bem vestido ele tem cara de pobre". Tipo, alegar preconceito de classe apesar dos indícios aparentes de riqueza é fo-da.
Além disso, me parece ingenuidade igualar os negros e os orientais quanto à recepção de suas raças na cultura brasileira. Os japoneses e descendentes tem uma comunidade culturalmente muito bem definida, valorizada, sua identidade é muito respeitada aqui dentro. Eles tem a imagem ligada à dedicação, ao sucesso, à capacidade intelectual, científica, matemática... E os negros? Qual afro-descendente tem acesso às suas origens? De que país africano (estamos falando de um continente, não de uma ilhazinha) vieram os bisavós, trisavós dos negros do país? Qual era o nome deles, onde e como viviam antes de serem escravos no Brasil? Ninguém sabe. Não há registro, museu, arquivo do estado pra esses imigrantes. Pq eles nunca chegaram a ser imigrantes. No mais, (e no máximo) as pessoas ressaltam as qualidades físicas dos negros, atribuindo-lhes melhor saúde, resistência, pele (ou voz e coordenação para a dança e o esporte) - mas nunca capacidade intelectual.
Isso parece até o comecinho do "Admirável mundo novo": há os indivíduos Alfa, os Ipsilones...


confesso meu assombramento com o tom de alguns comentários.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 19:14



Comentário de: aline · http://ateaquitudobem.blogspot.com

"espera aí. Pára tudo. Deixa eu ver se entendi.

Mostraram a foto de três pessoas de três raças, "só" o negro foi discriminado... e isso é a prova de que o racismo não existe?

Vocês falam essas coisas só pra me fazer rir? "



..... ufa.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 19:15



Comentário de: paulo · http://ateaquitudobem.blogspot.com

Olha, pensando vejisticamente, nem os alemães nazistas eram racistas, pq eles tbm eram super simpáticos com os japoneses...

¬¬

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 19:27



Comentário de: Ricardo

Prezada Aline: em primeiro lugar, a conclusão não foi da Veja, foi minha. E os argumentos que vc utilizou, para os japoneses só vêm reforçar a tese de que o preconceito realmente não é racial, é sócio-econômico -cultural, ou o nome que vc quiser dar para isso. .As pessoas discriminam o negro NÃO PORQUE ELE É NEGRO, mas porque o negro está intimamente ligado à pobreza. Quanto ao negro bem vestido ter sido discriminado, isso não muda nada. É perfeitamente normal as pessoas estranharem um negro andando de carro importado, por exemplo. EU DISSE ESTRANHAR, NÃO É ACHAR QUE NEGRO NÃO PODE TER CARRO IMPORTADO !! Afinal, para que os negros querem cotas? Não é para poderem ter acesso à Universidade e progredir e GANHAR DINHEIRO? Ora, se eles mesmos dizem que são um bando de fudidos, como é que eles não querem que os outros estranhem quando eles aparecem de roupa de grife ou de carro importado.Mais uma vez:ESTRANHAR NÃO QUER DIZER QUE OS BRANCOS NÃO ACHEM QUE UM NEGRO NÃO PODE SER UM PROFISSIONAL BEM SUCEDIDO!!!

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 19:55



Comentário de: Ricardo

Continuando: você mesma disse que os japoneses têm uma imagem positiva porque trouxeram uma bagagem cultural de sua terra.Então vc concorda comigo: o preconceito é social, cultural. Aliás, vc deve saber que os negro que foram trazidos para o continente americano pelos mercadores brancos, foram capturados e vendidos, lá na África, por outros negros, de tribos mais fortes.; Assim, os próprios negros têm culpa nesse processo escravagista. Ou vc acha que os brancos europeus desembarcavam na costa da África e iam entrando no meio da selva assim, numa boa, prá capturar os negros?

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 20:01



Comentário de: Ricardo

PARA TERMINAR: o fato dos japoneses, italianos e outros europeus terem sido imigrantes não significa muita coisa. Os imigrantes chegaram ao Brasil atraídos por uma falsa propaganda de "Terra da Oportunidades". Chegando aqui, a conversa era outra. Trabalhavam num regime de semi-escravidão, eram obrigados a comprar seus mantimentos na própria fazenda e por preços absurdos, e muitos foram assassinados ao tentarem escapar.Portanto, essa história de que o negro é o coitadinho da História do Brasil e os imigrantes chegaram e foram recebidos de braços abertos, é PURA BALELA !!! Vá estudar um pouco de história....

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 20:09



Comentário de: Juliana

Até que enfim alguém escreve algo que é sensato
e coerente!
Para mim já acertou no começo: "Meus Leitores Acham que Racismo Não Existe...
... porque nunca sentiram na pele."
Só um negro (a) como eu que sabe realmente o que
é racismo.

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 20:22



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"Para mim já acertou no começo: "Meus Leitores Acham que Racismo Não Existe...
... porque nunca sentiram na pele."
Só um negro (a) como eu que sabe realmente o que"

Really? Apesar de em geral nao ser classificado no Brasil como negro, lmebro bem da frase dito pelos meus melhores amigos (ambos polacos) da pre-escola quando os reencontrei (depois de dois anos fora de curitiba) na adolescencia:

"Nossa, voce nao eh o Marcio? A gente era bem amigo, lembro que voce era meio preto!"

Ou seja:

1) Para eles eu sou/era negro.

2) Logo, afirmacao de "so quem eh negro" sabe o que eh preconceito complica em um pais onde vc pode ser negro em uma regiao e nao em outra.

3) Tem gente que interpretaria tao frase como uma afronta. Mas o pior eh que eles falaram numa boa, todos felizes da vida por me reencontrarem.

De novo, acho que o pessoal simplifica de ambos os lados. Eh evidente que o pessoal que nega o preconceito ou fica nessa de que eh so socio/economico (se fosse, negros de classe media nao seriam mais parados pela policia do que brancos) eh mais irritante, mas quem quer enquadrar pela otica americana tambem nao esta querendo enxergar a questao em todas sua nuances.

Bom, deixa eu voltar a minah modelagem aqui...

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 20:32



Comentário de: Luis

Acho incrível essa galera que acha que no brasil o que há é o preconceito de classe. É ser cego demais, não é possível. Eu poderia citar zilhões de exemplos, mas me lembrei de uma entrevista agora: A TVE Bahia fez uma daquela serie de entrevistas na ruas, em lugares de transito de gente e tal. Nao lembro bem da pergunta, mas era algo do tipo "qual artista baiano voce mais gosta?", um mulher respondeu "gosto do caetano só." daí a reporter retrucou, "e do gil, não gosta?" a mulher: "gil? eu não! aquele macaco!"

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 21:38



Comentário de: exvítima

existe preconceito estético e ele começou quando nasceu a primeira pessoa branca. só havia negros no início e nasceu uma pessoa branca! prá ela ter sobrevivido e gerado tantos descendentes só mesmo tendo sido, ela seus descendentes, preferidos para reproduzir. seleção sexual. tenho certeza que no dia que inventarem uma terapia genética que evite cabelos crespos do tipo afro NENHUMA MULHER VAI QUERER TER CABELOS AFRO. em homens, ao estilo rasta, fica até legal, mas prá mulher é mesmo difícil. nem na áfrica se usa o cabelo estilo bola. raspam, trançam, zipam de alguma forma, sou branca e tenho cabelos crespos, a la débora bloch antes da escova. e sempre de chamaram de cabelo bombril. felizmente inventaram uns livin que resolveram meu drama...

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 22:01



Comentário de: regina

Ricardo: vc diz que preconceito socio-economico nao tem nada a ver com racismo. Entao me diga: por que o negro e automaticamente associado a pobreza e o branco e o japones nao sao? Por que tem tanto negro pobre no Brasil? Por escolha? Acho que nao. Se nao existe racismo no Brasil, como e que vc explica o isolamento socio-cultural dos negros numa sociedade "tao" integrada?

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 23:02



Comentário de: Kitagawa

Perguntinha pra refletir:
POR QUE NINGUEM SE PREOCUPA EM ALISAR OS PENTELHOS, JÀ QUE SUPOSTAMENTE "CABELO CRESPO È INERENTEMENTE FEIO E RUIM?"

PermalinkPermalink 29.10.08 @ 23:41



Comentário de: Kitagawa

Ricardo disse:
"As pessoas discriminam o negro NÃO PORQUE ELE É NEGRO, mas porque o negro está intimamente ligado à pobreza."

Veja, o preconceito se fundamenta exatamente nessa mistura de alhos com bugalhos, em associações levianas que afrontam a individualidade da pessoa. O caso que voce cita, o da VEja, é o caso clássico de racismo, puro. Quer dizer que, mesmo estando bem vestido, continuaram a associar o negro a um sujeito pobre que não deveria estar lá? Racismo, sem aresta. O tipo de racismo que faz perdurar essa situação branco/rico, negro/pobre, o que aliás faz da questão do racismo contra negros mais grave que outros tipo de preconceito aos quais gostam de comparar.
O permafrost diz que já foi chamado de branquelo e não ve problema nisso. Mas essa brincadeira lhe teria outra conotação se vivessemos num mundo onde a sua minoria branquela vivesse concentrada em favelas, fosse barrada em determinados lugares, parada pela policia constatmente, enfim, sofresse discriminações de toda espécie que impediriam ele e todos da sua raça de sairem estigma da pobreza. Daí vem um sujeito na rua e começa, "olha lá, haha, o branquelo". Soaria bem diferente.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 00:14



Comentário de: Kitagawa

Engraçado é que esse cabelo liso, comprido, sedoso, que alguns acham ser o padrão de beleza universal, nos anos 80 era considerado coisa feia e sem graça.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 00:24



Comentário de: Sblargh · http://sblargh.blogspot.com

Eu não gosto muito de entrar nessa discussão exatamente por causa do tema do post: eu não sei o que é racismo. Pois nunca senti na pele. Então prefiro deixar falar quem sabe o que é racismo. Pois sentiu na pele.

Mas como estudante de filosofia, meu lado que passou dois anos estudando lógica está profundamente ofendido com o Ricardo.

Então desculpa gastar caixa de comentário, mas quero analisar as premissas dele:

Premissa 1: Não é discriminação racial. Pois discriminação racial é QUANDO E APENAS QUANDO alguém discrimina o negro apenas pelo fato dele ser negro.
Se alguém discrimina o negro porque "o negro está intimamente ligado à pobreza", então não é discriminação racial pois há o elemento econômico supera o elemento racial.

Falácia: mesmo aceitando a premissa, a conclusão é falsa. Pois se racismo é quando e apenas quando alguém discrimina o negro apenas por ele ser negro. Logo, ao comparar um negro e um oriental cuja variável econômica é igual (ambos estão bem vestidos); a discriminação deveria ser igual. No que as variáveis idênticas se anulam e o negro ainda é discriminado, o sujeito está sofrendo preconceito por e apenas por ser negro.

Corolário: que identifiquem o negro com pobreza apesar da roupa é prova de discriminação racial. Pois a raça está "intimamente" ligada à pobreza prova que ela é fator suficiente para discriminação.

Premissa 2: Os negros se dizem um bando de fodidos. Logo as pessoas os vêem como tal. Logo estranham negros ricos. Porém isso não significa que não acreditem que o negro não pode ser bem sucedido.

Falácia: Ao mesmo tempo que as pessoas (aceitando a premissa que é por culpa do marketing negro) estranham um negro bem sucedido, isso não significa que não acreditam em negros bem sucedido. Só que é estranho. Mas porque seria estranho? Oras, porque não acreditam em negros bem sucedido. Se acreditassem, porque seria estranho? Logo. As pessoas estranham. Mas não estranham.

Cláusula de caridade: Não é que negros não podem ser bem sucedido. É só que é raro. Mas dizer que toda uma raça é, em geral, má sucedida, salvo raros casos não seria discriminação racial. Mas isso leva à premissa 3.

Premissa 3: Discriminação racial é quando e apenas quando considera-se impossível que todo e qualquer negro seja mal sucedido. Se é apenas raro o suficiente para causar estranhamento, então não é discriminação racial.

Falácia: É visto com estranhamento um negro rico. Logo assume-se que ele deveria ser pobre. Logo, mesmo o negro rico é visto como alguém que deveria ser mal sucedido. Mas que por alguma acontecimento anormal não é. Logo mesmo a suposta exceção faz parte da norma. Logo todo e qualquer negro é visto como alguém que deveria ser mal sucedido. Logo é discriminação racial.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 00:44



Comentário de: Sblargh · http://sblargh.blogspot.com

Premissa 4: Discriminação racial é quando e apenas quando todas as raças são discriminadas. O japonês e o negro ambos são não-brancos e apenas um é discriminado. Logo o preconceito se dá por outro motivo. Além disso, negros ajudaram no processo que criou o racismo. Logo o motivo da escravidão não era apenas a negritude. Logo não é discriminação racial. Pois discriminação racial é quando e apenas quando o critério é a raça.

Falácia: Todos são discriminados. O japonês é visto como alguém inerentemente bom em matemática, assim como o judeu é visto como alguém inerentemente rico e o negro é visto como alguém inerentemente pobre.
O que o branco é inerentemente? Nada. É possível a um branco ser rico, pobre, bom em matemática ou em futebol sem que nenhum desses caminhos cause estranhamento.
Logo, todos os de uma raça que não a européia tradicional são discriminadas racialmente e que a discriminação varie de raça para raça em nada afeta que há discriminação racial.
Além disso, que negros tenham colaborado com a escravidão não muda o fato que todos os escravos eram negros e se ser negro é a única variável necessária (mesmo que não suficiente) para ser escravo. Logo a escravidão tinha um motivo racial.

=

Sério, eu nem acredito que escrevi tudo isso. Mas enfim, foi uma brincadeira. Logicamente Ricardo é um troll. Mas no fim acho que foi um exercício interessante porque, bem, preciso fazer meu TCC e estou com preguiça.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 01:03



Comentário de: Vinicius

Eu sou negro, se não por estética por teimosia...

Minha mãe é branca e meu pai negro, um tio japonês, desde cedo tentaram me ensinar que o que vale é a parte branca. A vida é mais fácil assim. Me elogiam com a frase "mas você não é preto", não me agrada nem ofende, eu só tento tirar o melhor das duas coisas. Mesmo assim, se você é meio a meio sofre racismo 2 ou 3 vezes mais...

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 01:23



Comentário de: Vinicius

Outro detalhe interessante é que se digo algo inteligente é porque de alguma forma minha parte branca predomina, se não, posso culpar minha cor e origem humilde. Ninguém repara.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 01:34



Comentário de: Vampira Dea · http://deaeomundo.blogspot.com

Ai! Ufa...realmente difícil. Sou negra, meu pai é negro e minha mãe descendente de indios e negros.Nasci com a pele mais clara, o cabelo liso.Era discriminada por isso. Me chamavam de amarela e fraca e na minha certidão vinha escrito, cor: parda. Parda me dá logo a imagem daquele papel horroroso.Cresci sou uma senhora e me declaro negra, mas vou dizer uma coisa, pode ser até ignorância minha, mas raça humana não é uma só? "Raça Humana".Porque essa coisa de raça negra, raça branca,raça amarela? E que história é essa das pessoas falarem sou branco? Pra mim aqui no Brasil branco somente que é descendente direto de estrangeiros sem misturas com o nosso povo.Aqui somos uma delicia de mistura, não de raça mas sim de diversidade.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 01:41



Comentário de: Emanuel D · http://www.youtube.com/watch?v=KSmR41_tbq0


Vejam o link que coloquei !

Agora que ser negro dá lucro, a afrodescendentada não vai gostar dessa ídéia de que raças não existem.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 07:28



Comentário de: Meg · http://namesadeumbar.blogspot.com

Uia, tá pegando fogo isso aqui!

Deixa ver se entendi a argumentação da galera:

No Brasil, o negro não é discriminado por ser negro. É discriminado apenas por ser feio, pobre, ter cabelo ruim, ter pouca cultura, baixa escolaridade e se fazer de vítima. De onde se conclui que não há racismo no Brasil, cqd.

HAHAHAHHAHA!

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 09:29



Comentário de: Pedro Fraga · http://growing-up.blogspot.com

Caraca, que falta de lógica essa "teoria" do preconceito ecônomico. Ou excesso de tentativa de racionalizar, pra achar um alvará pra dizer "não sou racista! tenho preconceito com pobre, é diferente".

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 09:49




Jesus era cinza, e pobre.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 09:50




Vou tentar usar a lógica também.
Nunca sofri preconceito racial. Sou Branco.
Logo existe racismo sim. Me parece mais do que lógico.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 09:55



Comentário de: Rita · http://Săo Paulo

O racismo estético não existe só o racismo étnico.É uma questão cultural, educacional, social.
Outro dia num programa infantil estavam fazendo um concurso de paródias e é claro, a negra era feia, gorda, preguiçosa, etc etc..Imagine o que as crianças que assitem a estes programas não vão associar aos negros na vida real.
Uso meus cabelo certas vezes liso e certas vezes em cachos e em todas as vezes que vou ao Shopping da minha cidade sou "perseguida" pelos seguanças...Então tanto faz o cabelo... o que importa é a cor da pele...
Há objetos que não podemos usar e coisas que não podemos fazer: usar bolsa grande, parar na frente de joaleria para namorar alguma jóia, pesquisar preços sem levar nenhum objeto...
Para as pessoas que afirmam não existir racismo no Brasil eu posso afirmar a seguinte premissa: onde o nível de escolaridade é baixo há diversos tipos de preconceito e não só o racial. Só a educação crítica consegue modificar padrões seculares de ignorância. E há que se considerar também os escolarizados que são analfabetos diplomados sem pensamento crítico nenhum.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 10:06



Comentário de: Luiz · http://www.buracodafechadura.com

Alex, Muito legal sua preocupação.
Concordo em gênero, número e grau.
Sugiro un documentário americano chamado "Blue Eyes"
Mudou minha percepção quanto ao Racismo escondido em nossas palavras e ações.
Boas sorte.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 10:09



Comentário de: Lalís

Olha, costumo dizer...O Brasl nao tem raça e multiracial, pq? pq ele tem negros, indios, japoneses, amarelos, brancos, morenos, pardos, branquelos, neguinhos...Mas o aqui, nois nao chamamos "carinhosamente " neguinhos, e sim chamamos pra depreciar, isso torna tudo um racismo, sujo, insuportavel. Concordo com varios comentarios , quanto a cor, racismo, quanto a classe, racismo, quanto ao peso , racismo, quanto a cultura, racismo, enfim, enxergarmos certas coisas como normal, como uma pessoa branca querer ter tranças de negras e uma negras fazer chapinha, isso e troca de cultura, mas aqui , isso e arma para racismo, aqui , Brasil, tbm e racistamuitas verzes nao assumidos, como nos Estados Unidos, mas temos nosso grau de racismo sim,sou negra, gorda, e cabelo encaracolado, tenho 3 filhos, 2 bem mais claros q eu, meu avo era descendente de indios, o outro portugues, minhas avos tinham sangue de indio e de negros, enfim, que raça sou? me digam...Pois eu digo: RAÇA HUMANA, MISTURADA, LINDA, COMO TODOS DEVIAM SER, LINDOS, HUMANOS, NAO SO NO NOME MAS NAS ATITUDES.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 10:32



Comentário de: Carlos Henrique · http://www.sobresites.com

Cara, vc tem recebido meus e-mails? Me escreve de volta. Se escreveu, não recebi. Abraços.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 11:37



Comentário de: kleber

Existe o preconceito estético sim...
mas o engraçado é que os politicos roubam milhões usando terno e gravata (esteticamente corretos)...

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 11:40



Comentário de: kleber

Pra quem disse que o preconceito é social aqui no Brasil...eu discordo.
Eu termino engenharia de produção ...e nas ruas mesmo estando vestido "esteticamente correto" vão sempre me lembrar que sou negro , que ali não é o meu lugar, mesmo tendo faculdade. Alias tem um amigo meu na minha sala , que é negro, ele tem boa condição financeira , mas para nossos amigos ele continua sendo "o negão".

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 11:48



Comentário de: aline · http://ateaquitudobem.blogspot.com

Pois é Meg, vc entendeu e sintetizou a parada toda dos nossos colegas Hugo/Ricardo/Rita (que deveriam jogar truco juntos de tão parecidos que são seus argmentos, raciocínios e estilo de escrita).


Ah, vc esqueceu de mencionar a nova versão da máxima de Protágoras: "o edredon sedoso é a medida de todas as coisas."

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 11:55



Comentário de: Cla

O preconceito estético é também racial e no Brasil agravado pelo preconceito social. Concordo com muitos posts, qualquer diferença por aqui é passível de preconceito. Na verdade, mesmo com pesquisas cientificas atestando que não existem raças humanas diferentes, até mesmo diferenças religiosas, políticas etc geram preconceitos.
Eu acredito que a riqueza do Brasil consiste exatamente na miscigenação entre indios, brancos e negros, que gerou este povo sorridente, trabalhador,ético e lindo, como em nenhum outro país.
O questão social fala alto. Eu desconheço uma grande empresa sequer que tenha o presidente negro, ou indio. Por outro lado na Europa vi loiros de olhos azuis pedindo esmolas me grandes cidades. Atualmente, com a já decadente globalização, o capitál, ou a falta dele é o parâmetro para a discriminação.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 12:20



Comentário de: paula

Bárbaro o texto, Alex! Fui no blog dela, fantástico.

Uma pergunta muito simples para quem pensa que não existe preconceito racial no Brasil: por que, quando me candidatava a um emprego, mandando currículos para mil e uma empresas, amigas minhas, negras, com as mesmas competências que eu, tendo estudado nos mesmos colégios que eu, feito os mesmos cursos, não eram chamadas e eu sim?

(Eu sempre detestei esse negócio de ter que preencher "raça" em currículo. Não sei se hoje ainda existe, mas há 10 anos os modelos de currículos eram assim. Que é que tem a empresa de saber a minha cor se a minha cor não vai mudar em nada o que vou oferecer para a empresa enquanto profissional?)

Se é uma coisa social, ligada apenas à pobreza, quer dizer que as empresas só querem contratar pessoas ricas? Para começar, eu podia não ter a pele negra, mas estava escrito POBRE em letras garrafais na minha testa.

Veja então: se para mim já foi difícil, pior ainda se eu tivesse a pele negra.

Já aconteceu de eu ter sido chamada para um emprego, mas como tinha mandado currículos para muitos lugares, quando fui chamada já tinha conseguido um outro emprego. Mas mesmo assim fui lá, para agradecer, mas não só por isso, mas porque queria ajudar uma amiga, ela também tinha se candidatado para esse emprego e não tinha sido chamada. Aí eu conversei com eles, disse que já tinha conseguido um emprego, agradeci, e acrescentei que recomendava uma amiga para o tal emprego, que ela tinha as mesmas competências que eu, tínhamos estudado juntas, etc., etc., etc. Só que tem um detalhe, algo que não devia ser um detalhe mas que para eles era: ela é negra. Não preciso dizer que ela não foi chamada, preciso?

Sinceramente, eu não posso dizer que é coisa social ou que preconceito racial não existe.

Veja bem, em zona, bordel, p*teiro - eu não sei para quê tantos sinónimos se toda gente sabe do que estou falando, risos - eu já vi muito preconceito racial.

Veja só, na maioria dos bordéis a prostituta raramente tem escolha. O homem pagou, não tem jeito, a gente tem que ir mesmo.

É verdade, isso é bem verdade, que em p*teiro a mulherada sai correndo para o colo dos homens mais ricos, ficam ali babando o ovo deles.

Todavia, me lembro bem de um dia, quer dizer, noite. Não era um dia muito movimentado no bordel, aqueles homens que estavam ali a gente conhecia, pagavam sempre o "preço de tabela" pelo programa.

Aí chegaram uns africanos, todos de pele negra - dizendo isso para esclarecer, porque afinal há muitos africanos que não têm a pele negra - e que iam pagar em dólares.

Naquela época - isso já foi há muito tempo atrás - o dólar estava muito valorizado, ou seja, mesmo se eles pagassem o mesmo que a gente pedia em euros, naquela semana a gente já estava no lucro por causa da cotação.

Mas naquele bordel a gente tinha um "truque" com todos os homens, todos os que entravam, independente de seja o que for. A gente tinha um "preço de tabela", mas podíamos cobrar o que quiséssemos, desde que fosse acima desse preço de tabela.

Agente estimulava, claro, que o homem pagasse o valor mais alto, e não o mais baixo. Aí tinha aquele homem que aceitava, e havia também aquele que ficava pechinchando.

Se um homem conhecido já paga um valor, não tem jeito, vai ser muito difícil convencê-lo a, numa próxima vez, pagar um valor mais alto. E não tem essa coisa de convencer com a beleza não. Pode estar a mulher mais linda do mundo ali no bordel, ele pode querer ir com ela - e pagar o valor mais alto que ela possa vir a pedir - apenas uma vez, mas, regularmente mesmo, ele vai preferir estar com aquelas com o valor mais baixo. Não é nem por não poder pagar, mas simplesmente porque, em bordel, o que o homem procura na maior parte das vezes é o resultado. Ou seja, que importa estar sempre com a mulher mais linda se as outras também vão lhe proporcionar a ejaculação? Tinha uma menina que trabalhava no preço mais baixo que todas nós, estava sempre drogada, toda picada no braço, a cara estranha, parecia sempre que tinham dado dois socos na cara dela, não conversava, xingava e bebia muito, e nem por isso deixava de ser uma das que mais tinham clientes, inclusive bons clientes, aquele que quem olhasse pensava assim: "não acredito, não acredito que aquele homem está indo com aquela menina".

Então, quando entrava um desconhecido - porque só os desconhecidos cairiam na nossa conversa - geralmente a gente pedia um preço mais alto, só se ele não topasse que a gente pedia o real preço da tabela. (E claro, risos, se ele não topasse nem o valor real da tabela, não tinha como, o valor mínimo era aquele mesmo).

Bem, então, com um número enorme de meninas no bordel, quantas foram nos africanos? Eu e mais uma. Só.

E olha, foi uma dificuldade arranjar menina que quisesse ir.

Todas foram inventar que estavam ocupadas, foram logo para as mesas dos homens que afinal já tinham "subido" ao quarto, ou seja, muito possivelmente não iam de novo, continuavam no bordel só para ocupar mesa mesmo.

Ou seja, preferiam ficar ali nas mesas dos homens que já não iam pagar mais nada do que ter que ir com um negro para o quarto, do que ter ganhar dinheiro de um negro.

Entre os homens que estavam ali no bordel, havia também homens porcos, homens nojentos, homens arrogantes e estúpidos. Mas eram brancos.

A gente não podia escolher cliente, mas no que toca ao facto de ser negro, logo foram para outras mesas, porque mulher que tiver em outra mesa com algum cliente não pode ser escolhida.

E aí nem era questão de dinheiro - neste caso pobreza - porque afinal eles iam pagar mais que o valor da tabela.

Eram homens educados - tão educados que, antes de pensarem em fazer o programa, perguntaram se ali no bordel aceitavam dólares; tem muito homem que podia ficar engambelando a gente sem saber as condições antes -, cheirosos toda a vida, lindos. Mas, pelos vistos, preferiam ir com alguns homens podres, aquele homem que você vai lavar o p*nto dele e quase vomita vendo aquele queijinho em volta da cabeça do pa*, ... mas ir com um homem negro? Não, não queriam...

Eu já tinha falado com elas, o valor já tinha sido acertado, eles já tinham combinado pagar aquele valor que sempre pedíamos a mais para os desconhecidos. Olha, Alex, nem isso as convenceu, e olha que prostituta adora dinheiro, ninguém passa a noite dentro de um bordel apenas para passar o tempo, se a gente está lá dentro é para ganhar dinheiro mesmo.

Te juro, Alex, dava vontade de dar um soco na cara de algumas colegas minhas só pela carinha de nojo que faziam. Eles não eram tipos atrevidos. Chegaram no bordel, ficaram no balcão, eu fui ter com eles, conversamos, e eles não foram até às mesas, mas me perguntaram se eu podia lhes apresentar umas amigas.

Então por isso que fui eu à caça delas, dizendo que tinha uns clientes querendo ir para o quarto, falando que toparam o valor da tabela mais alta para os desconhecidos. Aí Alex, quando me perguntavam quem eram os clientes, já felizes pelo valor mais alto, e eu apontava o dedo para eles... Olha, era aquela cara de nojo. Mudava tudo, pelo simples facto de serem negros.

Teve até quem me dissesse: "Paula, eu não gosto de negros". E eu ouvi isso até de uma menina que tinha a pele tão negra quanto a deles.

Homem que chega com o amigo no bordel tem mania de ir na mesma hora ao quarto, signifique isso ir para o mesmo quarto ou não. A questão é que, se chegaram juntos, querem ir embora juntos também. Se um for ao quarto uma hora, e outro for para o quarto com uma menina só depois, quer dizer que depois vai ter que ficar esperando o amigo "terminar".

Então por isso eu tinha que arranjar alguém, porque se um não for, o outro não vai também.

Enfim, com muito custo, consegui que uma menina aceitasse.

Eu sei, tem também aquela coisa do tamanho do p*nto, que mete medo em muita menina, afinal raramente uma menina de bordel gosta de homem com p*nto grande, afinal a gente não faz sexo com um homem só numa noite, mas com dezenas, e se pegarmos um homem com um p*nto muito grande, depois temos menos resistência para os próximos. Mas eu - infelizmente, risos - já tinha feito sexo com tantos homens brancos com o p*nto grande, por que com um negro ia ter que ser diferente?

Afinal descobri que essa coisa de que todo homem negro tem o p*nto grande era mito. Porque o rapaz que foi comigo era deliciosíssimo na cama, e tinha o p*nto médio (eu não ia achá-lo deliciosíssimo se tivesse o p*nto grande, esta é a verdade, mas esta verdade independe da cor da pele da pessoa).

Veja só... Cara delicioso, simpático, educado, p*nto médio do jeito que eu gosto, pagou um valor bem acima da tabela, ainda me deu também em dólares uma boa gorjeta no quarto... Como era bom se todo dia tivesse homem assim no bordel. Mas para elas isso não interessava, apenas porque eram negros.

Sabe o que eu achava mais engraçado? Nós, por estarmos num bordel, por ali sermos prostitutas, também fazíamos parte de um grupo marginalizado. Ou seja, sofríamos preconceito também, por sermos prostitutas. Claro, de forma alguma quero comparar o preconceito com prostitutas com o preconceito racial. Apesar de a maioria das meninas que conheço não terem "escolhido" ser prostituta - optado sim, mas escolhido não - pelo menos houve uma opção. Se nasci com uma pele negra ou branca, não foi porque eu optei por ter uma pele negra ou branca, ou seja, é muito pior o preconceito racial, que é pelo simples facto de eu ter nascido com a pele com uma determinada cor. Não é o que a pessoa faz que incomoda, mas o simples facto de ela ter aquela determinada cor, ou seja, é muito pior esse preconceito, nem se compara. É como por exemplo o preconceito que via no bordel contra deficientes físicos. Nenhum deficiente escolheu ou optou por ser deficiente, escolheu ou optou por perder uma perna ou braço, logo jamais poderia comparar dizendo que são preconceitos iguais, porque não são. Todavia era estranho isso, fazermos parte de um grupo que também sofre o seu preconceito e que nem por isso deixa de ser preconceituoso com o outro.


PermalinkPermalink 30.10.08 @ 12:21



Comentário de: paula · http://amanteprofissional.com/blog

Esqueci de falar do cabelo. Acho que qualquer pessoa pode ter o cabelo do jeito que quiser. Afinal, se o corpo é meu, posso fazer dele o que eu quiser, ninguém tem nada a ver com isso.

Todavia, é preciso notar que, se eu pinto o meu cabelo de loiro, ou de vermelho, ou de azul, se faço escova, se aliso... ninguém vai dar tanta importância assim para isso. Excepto se pinto de azul ou rosa, pouca gente vai notar ou me criticar por isso.

Mas vai uma negra usar cabelo loiro ou alisar o cabelo? Se ela não alisa, começam a xingar o cabelo dela. Se ela alisa, acusam-na de ter preconceito com a sua raça.

Não é no mínimo então 'estranho' - por estranho leia-se preconceituoso - saber que eu, por ter a pele branca - eu não acho que é branca, mas todo mundo diz que é - posso fazer o que bem entendo com o meu cabelo sem ser ridicularizada ou chamada de racista, mas que uma negra não terá a mesma liberdade?

Mulher, quase toda mulher, está sempre insatisfeita ou não completamente satisfeita com o seu visual. Pode até estar satisfeita, e mesmo assim decidir mudar, experimentar um corte novo, um novo penteado, um novo tom para o cabelo. Não fosse isso - esse comportamento - ninguém ia no salão, ninguém fazia unha, ninguém nada. Todavia, a mulher branca tem essa liberdade, a mulher negra tem uma liberdade limitada, ditada.

Será só então um preconceito estético? O simples facto de saber que eu, por ter a pele branca, não serei tão criticada como uma negra pela liberdade que tenho de fazer o que quiser com o meu corpo e com o meu cabelo, será só preconceito estético? Não me parece.

Adoro usar trancinhas, e ninguém me critica por causa disso. Ninguém diz que devo ter o "cabelo ruim" e que por isso uso trancinhas. Ninguém xinga o meu cabelo, apesar de a tintura ter transformado ele numa coisa muito pior do que era quando ele foi natural. Mas se uma negra faz qualquer coisa com o cabelo, é sempre criticada, como se eu tivesse direito pelo meu cabelo e ela não tivesse direito sobre o dela.

Agora imagina uma pessoa passar a vida toda sendo xingada pelo seu cabelo, sendo ditada sobre o que deve fazer para "resolver o problema do seu cabelo" como se o seu cabelo fosse a coisa mais importante do mundo, querer viver a sua vida tranquilamente quando, afinal, mesmo se ela for a pessoa mais perfeita do mundo, nunca a vão achar assim, apenas, simplesmente, em função do seu cabelo?

É de surtar.


PermalinkPermalink 30.10.08 @ 12:45



Comentário de: Marcio E. Goncalves

Um ponto a favor da existencia em separado do preconceito estetico (nao apenas como resultado do preconceito racial, como diz o Alex)eh o fato que no caso especifico dos negros, as mulheres sofrem MUITO mais do que os homens.

Em termos de EUA, nos temos caras como o Will Smith e Denzel Washington - dois astros de maior calibre que atraem multidoes de todas as racas e sao sexy symbols. E ao contrario do que ocorre com as negras mais famosas, eles NAO POSSUEM tracos caucasianos - o visual negro estereotipo esta la: cabelo etnico (nem crespo, pixaim mesmo), beicao, nariz mais largo, etc... E mesmo assim eles geram suspiros multi-raciais e o Denzel Washington eh colocado como par romantico da Angelina Jolie, que seria o supra-sumo da beleza da raca dominante no momento.

Se o preconceito fosse so racial e o preconceito estetico so um resultado desse, isso nao ocorreria. O peso do preconceito seria o mesmo para ambos os sexos e so fariam sucesso fora do nicho afro-americano aqueles atores mesticos mais "caucasianos". Mas nao eh o caso.

E veja que nos EUA o predominante MESMO eh o racismo, aqui o preconceito estetico fica um segundo ou terceiro plano (ja que ser negro aqui eh muito mais do que no Brasil: eh um jeito de falar, de andar, costumes, etc..)


PermalinkPermalink 30.10.08 @ 13:26



Comentário de: Dayvan Cowboy · http://dayvancowboy.org

Bem, nos EUA uma pessoa praticamente branca, como a Mariah Carey ainda é considerada negra. De fato, já houve regras de descendência -- se você tivesse uma fração tal de "sangue negro" era negro.

O que existe no Brasil é diferente. Uma filha de uma mulher negra e um homem branco que fica com a pele clara é branca. O que existe é uma espécie de "colorismo" -- a pele do europeu, que por inúmeras inferências inválidas mas compreensíveis é associada a características superiores.

Eu não sou brasileiro e conheço o meu pedigree direitinho. Tem mais ou menos metade de "sangue" de índios dos Andes e metade de espanhóis -- que já são mais morenos que o europeu mediano. É 100% seguro que não há nada de negro sobre mim e ninguém diria que eu pareço negro, mas dá pra notar uma diferença de comportamento em portarias e similares no inverno, quando a minha pele fica quase branca e no verão, quando a minha pele escurece muito com o sol.

Isso é racismo contra que raça? A minha raça não existe, man.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 16:02



Comentário de: exvítima

sim um legista tiver que analizar um esqueleto ele vai dizer direitinho a que raça, ou a que etnia provavelmente pertencia o indivíduo. as raças são 3. caucasiana, amarela e preta. branco: face orotgnata, nariz proeminente, cabelo ondulado. amarela: olhos puxados, maças do rosto salientes. preta: poucos pelos, prognatismo, nariz de base larga e dorso convexo. a maiorparte das pessoas hoje em dia exibe características de 2 ou mais raças. os meios de transporte levam o homem a percorrer o sentido inverso: vão ficar cada vez mais parecidos entre si, como no início. cabelo crespo (pinxaim) é uma droga. homem casa bem com visual rude, mulher não aguenta o visual cotonete de elefante por muito tempo. mas ainda assim, os alunos de menina nao deveriam criticar o penteado da professora. é falta de educação comentar sobre a aparência das pessoas.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 17:16




Alex, obrigada por comentários tão generosos sobre meu blog e meu post.

E fico feliz de ver que sua série tem, no míniumo servido como ponto de partida de um debate tão importante, estopim de reflexão para algumas pessoas e, mais importante de tudo, mudança de opiniões e de pensamento.

Eu sempre achei uma perda de tempo discutir racismo no blog pq ia ter que ler os comentários de sempre: "racismo no Brasil é social" e outros lugares comuns igualmente irritantes pra uma pessoa como e eu (tive más experiências no passado discutindo cotas). Fico muito feliz de ver que estive todo esse tempo enganada.

Um abraço

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 17:26




Digo, PRECONCEITO no Brasil é social, bla bla bla

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 17:27



Comentário de: stella cavalcanti · http://www.telinha.blogspot.com

sobre racismo, lembro de um ditado que até hoje é dito em pernambuco: "branco é ouro, negro é besouro"

"besouro" é como eram chamadas as bijouterias douradas que logo oxidavam.

:(

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 19:52



Comentário de: Daniel · http://www.danielaraujo.net

esses posts do Alex sobre racismo são fantásticos, a caixa de comentários sempre vira um espetáculo à parte. Ele devia criar um blog separado só para armazenar os posts, ou dar um jeito de fazer tudo isso virar livro, sei lá. Mas o material é muito rico para ficar apenas em uma mídia que pode dar um engasgo e sumir com tudo de repente.

Sobre "racismo consigo mesmo": certa feita, vagando pelo Orkut, encontrei o perfil de um cara que era NEGRO e NEONAZISTA! Um cara super articulado e inteligente (até onde podemos considerar neonazistas inteligentes). Nos scraps tinha um monte de gente apontando a contradição da situação dele (como se ele não tivesse reparado) e as respostas dele, super bem escritas, eram o "racismo contra si mesmo" personificado, o ápice do paradoxo. Ele não via contradição, realmente achava que pessoas como ele atrasavam o mundo e atrapalhavam a vida dos arianos. E não pretendia ter filhos, para que o "atraso" que ele representava não se perpetuasse. Muito bizarro. E ao mesmo tempo, dentro da lógica maluca que ele expunha tão bem, fazia todo sentido.

O "racismo contra si mesmo" existe e é muito cruel, por ser um mecanismo inconsciente. Mas no caso desse cara do Orkut era totalmente consciente, aceito e ainda por cima fundamentado com um monte de argumentos filosóficos.

O mundo, ou pelo menos o Orkut, é um lugar muito estranho.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 20:17



Comentário de: Daniel · http://www.danielaraujo.net

Dizem que o preconceito no Brasil não é de raça, é sócio-econômico.

Mas, se é assim, por quê ligam o negro à pobreza, como alguém disse nos comentários? Pobre = ruim. Negro = pobre.

E qual é a proporção de negros prá brancos na classe AAA, aquela da Daslu?

E na DDD ou mais prá baixo?

E ainda tem aquela história do Dudu Nobre, que um dia foi numa concessionária de jipes e ao perguntar o preço de um deles ouviu do vendedor "Não é pro seu bico, negão". Aí só de raiva ele comprou no ato e à vista o jipe que ele nem queria comprar quando entrou na loja.

Pode até ser que, quando sabem que o negro é rico, tratem ele bem. Mas na real não vão dar nem chance de um negro conseguir mostrar que é rico. Vão pedir prá ele se retirar antes de conferir o extrato bancário dele.

PermalinkPermalink 30.10.08 @ 20:23



Comentário de: Glauber K

Eu adoro assuntos polêmicos, eles trazem a lume os argumentos mais coerentes:

I Argumento do Preconceito Socioeconômico
Todo curitibano é burro, é ladrão e é sujo. No entanto, isso não é um preconceito contra curitibano, é preconceito contra pobre. Mas já que a maioria dos curitibanos são pobres...

II Argumento do Preconceito Estético
Não existe preconceito racial, nós só não curtimos ter cabelo crespo pois ele não passa uma imagem "séria".
Não existe nada contra pele negra, até porque senão todo branco seria racista contra ele próprio, afinal, 90% dos brancos vão a praia se bronzear.

III Argumento de Lógica Profunda
O preconceito social já atinge o mundo todo. Na Alemanha eu vi mendigos loiros, de olhos azuis, fluentes em alemão, pedindo esmola nas ruas.

"Havia uma pesquisa que mostrava a foto de três caras de terno e só o negro..." (desculpem-me, aqui eu não consigo continuar com a ironia, pois o argumento desse indivíduo já era uma piada)






PermalinkPermalink 30.10.08 @ 21:27



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"II Argumento do Preconceito Estético
Não existe preconceito racial, nós só não curtimos ter cabelo crespo pois ele não passa uma imagem "séria".

Por favor, nao seja mane e leia direito o que eu escrevi.
Em momento nenhum eu neguei a existencia de racismo.
Se eh para participar da discussao pelo menos leia os posts.


PermalinkPermalink 30.10.08 @ 23:38



Comentário de: Leonardo · http://manfreedo.blogspot.com

Discriminação existe mesmo...Ninguém tolera o que é diferente daquilo que nos é ensinado como aceitável...Só que o preconceito contra os negros é paradoxal, pelo fato deles serem maioria, pelo menos em muito maior número que os arianos, loirinhos dos olhos claros.
Acredito que tudo isso se deve a colonização Européia perante aos africanos, eles levaram cativos os negros, que não tinha nem tecnologia nem união suficiente para resistir a dominação européia.
Tiveram como destino um lugar longínquo, além mar, os índios possuíam grandes chances de escapar das garras portuguesas, como exemplo, já que havia um certo conhecimento do território, mas os negros, sozinhos em uma terra desconhecida o que puderam fazer?
Não bastaram terem escraviza-los, maltratarem, estuprarem suas mulheres, os europeus deixaram como herança o racismo, que sistematicamente nos ensina, geração por geração.
A igreja nos mostra um messias loiro dos olhos claros, quando muito, ruivo, seus anjos são loiros de cabelo encaracolados, as histórias infantis com gravuras são de pricesas brancas, a um personagem inclusive na qual seu nome é branca de neve. Todos os nossos bandidos são negros, segundo o imaginário popular,endossada pelo cinema, em nossas novelas, negro aparece ostensivamente em histórias de época, como escravo, nas novelas atuais são empregadas, as escravas na época contemporânea, quando aparece com algum destaque é em uma novela que mostra alguma imagem de pobreza, sim doutrinados estamos a considerar o negro eternos escravos.
Dizem que futebol é esporte para negro, de fato é, de todas as nacionalidades, embora o melhor jogador de futebol da história ser negro(Pelé;), assim como de basquete também ser negro(Michael Jordan), reparou que o melhor jogador de golfe, esporte da elite, dos homens brancos, também é negro? (Tiger woods)
O provável campeão de fórmula 1 desse ano é negro, o melhor boxeador da história também é negro( Mohamed ali), não só nos esportes, pois digo que na literatura brasileira o melhor escritor é negro, Machado de Assis, e na música, aqui no Brasil Milton Nascimento, Djavan, Martinho Da Vila, todos os mestres do samba, diria que o melhor guitarrista é Negro, Jimi Hendrix, até Michael Jackson, quando negro parecia ser um melhor artista rs ...Sei que citação é algo vazio, é a típica coisa que não gosto de fazer, porém achei necessidade para tornar claro que, por mais que há negros extraordinários, a doutrinação do racismo ainda é mais forte.

Houve inclusive um corredor negro que venceu uma prova de velocista tendo como testemunha Hitler, fazendo este se sentir humilhado, mesmo assim o racismo no mundo inteiro continua inalterado.
Confesso que me deixei levar também por essa doutrinação, tive uma namorada negra, e não continuei com ela por causa de racismo, preferi correr atrás de uma branquela que não queria nada comigo. Todos nós reparamos o negro pela sua cor,
esta é a única raça que nos chama a atenção, infelizmente para ultrajá-los.
Ps: desculpe, errei o lugar onde deveria colocar o comentário, deve ser o sono, por favor, apague o de cima.

PermalinkPermalink 31.10.08 @ 04:15



Comentário de: Pedro

Fascinante o post, Alex!
Bem que vc podia entrevistar pessoas no Brasil sobre o tema (talvez crianças negras?). Daria um material fascinante (lembre-se que quem escreve aqui é a classe média alta "educada").

Cenas corriqueiras no Brasil, impossível nos EUA:

- Ouvir gritos de "Crioulo, filho da puta!" num estádio
- Ouvir um negro dizendo que não quer ir a certo lugar porque "lá tem muito preto"
- Brancos com tara por mulatas (Na cabeça de um americano branco nem passa ficar com uma negra)
- Ouvir pessoas dizendo: "Nesse país não existe preconceito racial"



Cenas corriqueiras nos EUA, impossível nos Brasil:

- Churrasco de trabalho: mesas de negros, mesas de brancos
- Reconhecer por telefone a raça da pessoa
- Uma boite ao lado da outra: Numa só tem branco, na outra só tem negro
- Ver um branco tratar um negro melhor do que o normal para não se sentir racista


PermalinkPermalink 31.10.08 @ 04:50



Comentário de: Dr Plausível · http://tinyurl.com/5t899y

Toda geração faz as mesmíssimas descobertas e discute as mesmíssimas interpretações da mesmíssima maneira. Passar-se-ão 10mil anos e ainda haverá discussões se o racismo é social ou econômico ou biológico ou estético ou se é apenas ruindade.

A verdade é q a vida é muito monótona.

PermalinkPermalink 31.10.08 @ 08:38



Comentário de: Veridiana Serpa · http://www.30ealguns.com.br

dificilmente um negro com dinheiro diz que o preconceito é social, porque mesmo tendo dinheiro você continua sendo discriminado em vários lugares, tendo que se impor diversas vezes, sei porque essa é a minha realidade.
O preconceito no Brasil é racial, é totalmente ligado a cor da pele, seja para denominar alguém preto ou nordestino, basta notar que dificilmente quando as pessoas vem um porteiro caucasiano vão chamá-lo de paraíba ou baiano, mas se a pele for mais escura, vai ouvir...
Só sabe mesmo como é quem passa diariamente por essas situações o resto é suposição.
Em relação ao cabelo alisado ou escovado, não tem nada haver com não aceitar a raça, caso contrário na década de 80 todas as mulheres que faziam permanente queriam ser negras?
Muitas vezes as pessoas falam sem pensar... excelente post e muitos comentários bons...um ótimo final de semana.

PermalinkPermalink 31.10.08 @ 09:12



Comentário de: Karina

Os comentários estão realmente fascinantes. Também vou deixar o meu. Como o Sblargh, eu imaginava que o preconceito racial no Brasil existia, mas que era pouco, restrito a uma minoria de desinformados, bem longe do meu convívio. Coisa de gente antiga, de gerações mais próximas à escravidão. Até que casei com um negro. Ele não é pobre ou socialmente marginalizado. Pelo contrário, tem mais bens e diplomas que eu. Fala muito mais idiomas que eu, viajou mais que eu, etc. Meus amigos e familiares parecem adorar o meu marido. Todos têm ótimo convívio e a questão racial nunca foi sequer assunto entre nós. Eu realmente pensava que o nosso convívio social contrariava a sua teoria de ser “da raça certa”, já que tanto eu (considerada branca no Brasil) como ele (negro) nunca tivemos que pensar sobre a nossa raça no convívio social. No entanto, alguns dos mesmos amigos e familiares que adoram o meu marido e têm excelente relação com ele já insinuaram que eu deveria pensar bem antes de ter filhos porque meus filhos – provavelmente mulatos - certamente sofreriam pela vida. E tenho certeza que se eu chamasse tais pessoas de racistas, elas ficariam surpreendidas e ofendidas. Elas sinceramente não se consideram racistas.

PermalinkPermalink 31.10.08 @ 09:16



Comentário de: Pedro Fraga · http://growing-up.blogspot.com

Alias,

preconceito estético existe: Seria eu, branco, entrar numa loja de artigos de luxo, com o cabelo desgrenhado e com a barba mal feita, cara de quem não dormiu, all-star todo sujo no pé, calça velha cheia de furos, tentando achar sinal no meu nokia tijolão de 1998. Ao mesmo tempo, entrar um yuppie de terno armani, cabelinho certinho, barba aparada com sabre-de-luz, falando no seu Iphone 16gb. Se me expulsarem da loja ou me olharem torto, é preconceito estético.

Meteu a cor de pelo no meio, tá colocando fator racial, querendo o brasileiro ver que existe racismo ou não.

PermalinkPermalink 31.10.08 @ 09:38



Comentário de: Menina Eva Email

Uaaaaauuu, valeu a dica pra eu vir ler essa caixa, Alex!

Cara, eu só digo obrigada. Pelos teus textos. Eu nunca tinha percebido o quanto eu era preconceituosa e racista. Eu achava que recismo era lavar a mão com álcool depois de cumprimentar um negro, e ora! eu nunca fiz isso.

Mas o lance de associar negro=pobre=marginal tá suuuper dentro de mim. E graças ao seus textos, agora eu sei e posso refletir mais consciente sobre isso, e posso me desvencilhar disso. E hoje eu sei que essa associação é, sim, racismo.Graças aos seus textos. Obrigada.

(Eu também sou cheia de machismos. Mas isso não vem ao caso.)

PermalinkPermalink 31.10.08 @ 12:25



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"O preconceito no Brasil é racial, é totalmente ligado a cor da pele"

Vc acabou de entrar numa contradicao que volta ao meu ponto principal, coisa que ninguem esta entendendo, talvez pq nunca visitaram os EUA.

Deixa eu elaborar melhor:

Raca nos Eua (e na Europa tambem) NAO ESTA LIGADO SO A COR DE PELE. Na real, a cor de pele acaba sendo um elemento de baixa prioridade para se definir a raca de alguem aqui (quando falo "aqui" to falando dos EUA, ja que moro aqui).

Outros posts ja deram exemplos de "negros" que parecem branco para muitos brasileiros, como a Mariah Carey.

Nos Eua, Raca eh uma cultura em si, por isso que nos formularios manes sempre tem um parte para vc colocar sua "raca/etnia" (veja a contradicao: colocam as duas palavras, para lembrar que sao coisas diferentes, mas sempre no mesmo lugar, juntas; ou seja, para eles eh tudo igual na verdade).

Nos EUA existe um jeito "black" de falar - isso nao existe no Brasil.

Minha discussao aqui acaba sendo semantica talvez, mas o problema eh que o "racismo" no hemisferio norte eh bem diferente do "racismo" do hemisferio sul. Essa diferenca precisa ser compreendida para o mesmo ser combatido.

Talvez a minha insistencia em usar o termo "preconceito estetico" de a impressao que estou fazendo pouco caso do que os negros sofrem no Brasil, o que definitivamente nao eh o caso. Talvez se eu usar um termo como "colorismo" fique mais claro minha posicao.

Se nao ha uma compreensao dessa diferenca ocorre o que esta ocorrendo no Brasil hoje em dia, onde esta se importanto politicas diretas dos EUA sem parar para pensar se fazem sentido em nosso contexto.

Durante minha aulas de pedagogia na faculdade de Historia tive que fazer um paper sobre a decisao do MEC de incluir Historia da Africa no curriculo.

Bom, os textos do MEC eram um absurdo atras do outro, escritos com uma logica obviamente importada dos EUA (nao me espantaria de saber que tivessem sido copiados diretamente).

Falavam coisas do tipo "temos que valorizar e respeitar a cultura dos negros, assim como respeitamos a nossa"

"Cultura deles-Cultura Nossa"

Entendem o absurdo? Isso faz algum sentido nos EUA, no Brasil nao! Onde ate na minha-linda-cidade-metida-a-europeia-fake (Curitiba) as loiras correm para bailes funk, adoram um pagode e fazem oferenda para Iemanja no fim de ano, falar de "cultura deles, dos negros" como algo a parte eh ridiculo.

So o fato da definicao de negro no Brasil ser exclusivamente VISUAL (cor de pele, textura de cabelo, formato de labios e nariz, mais precisamente) ja mostra que, consequentemente, o "racismo" aqui EH diferente de um lugar onde ser "negro" encontra mais correspondencia em algo como "ser italiano", "ser judeu".

Se vamos chamar isso de "preconceito estetico", "colorismo", "racismo a brasileira", eh de menos.

Mas a diferenca nao pode ser ignorada.


PermalinkPermalink 31.10.08 @ 14:30



Comentário de: Kitagawa

Sim, Marcio entendo o que vc está
querendo dizer.
O Chris Rock explica em parte isso:
http://br.youtube.com/watch?v=oz6nsGZZdjE

Sim, há uma diferença entre o racismo à brasileira e o americano, mas o mecanismo é o mesmo. Digo, o problema é a cor da pele ser encarado como um estigma, levar o "racista" a fazer associações pre concebidas. Nos EUA, pode ser associar a cor da pele a um certo tipo de comportamento, de cultura, que ele, o racista, não aprova, não quer por perto. Aqui, associar a cor da pele à uma incapacidade intrínseca ou até mesmo ao um "não direito" genético de se inserir em certas rodas de domínio exclusivo dos brancos. Na verdade o problema é que é mais complicado que isso. Quando se confunde comportameto com caracteristica fisica, caractersitica fisica com comportametno, e de repente a coisa vira uma só: racismo. Em vez de odiar ou ter repulsa por certos comportamentos que na cabeça do racista são associados a um determinado tipo fisico, ele passa a odiar as pessoas que tem essa caracteristica fisica. Para que essa caracteristica fisica passe a ser considerado um padrão estético inaceitável e não desejável é um pulinho. Pois, vc sabe, o padrão estético é construido culturalemnte e age no nosso subconsciente (ou algo assim, não sei se tecnicamente estou falando merda).

O problema do cabelo pode ser dividido em várias partes. O problema de alguém achar o cabelo crespo dos negros feio ou não é o menos grave e de certa forma nem é problema. Cada um tem seu gosto particular e isso é direito fundamental. O problema aparece, por exemplo, quando esse gosto se manisfesta como patrulhismo estético. "Não pode ter cabelo assim", "não quero cabela assim perto de mim", "não quero ninguém com cabelo assim trabalahando na minha empresa", etc. Mas, pqp, o cabelo dos negros é naturalmente assim. Exigir, cobrar o alisamento contra a vontade do negro é quase tão (ou tão mesmo) atroz quanto exigir e cobrar que ele passe póde arroz pra branquear a pele. Ou que alguém me pedisse pra abrir os olhos com esparadrapo.;)

PermalinkPermalink 31.10.08 @ 19:11



Comentário de: Kitagawa

Imagine se o mercado exigisse que eu usasse alguma parafernalia na cara pra ficar com cara de ocidental. Eu dava uma banana e virava traficante de drogas.

PermalinkPermalink 31.10.08 @ 19:15



Comentário de: Kitagawa

Enfim, negros que alisam cabelo, ou até mesmo branqueiam a pele como O M Jackson, não vejo problema moral nenhum, cada um faz o que quer com seu corpo. Tem até homem que bota peito, e eu com isso? O problema começa quando a "sociedade", o "mercado", os "meios de comunicação" começam a exigir isso, deixando os individuos sem opção, uma chantagem perversa que tem que ser combatida.
Poderia fazer um paralelo com pessoas que tem tatuagem e por isso tem problema pra arrumar emprego. Sim, se empregadores que rejeitam tatuados por preconceito ("deve ser maluco, drogado, perigoso, enfim, o cara é tatuado!"), isso deve ser combatido, sim. Agora, imagine a situação do negro, que é como se ele já tivesse nascido tatuado...

PermalinkPermalink 31.10.08 @ 19:27



Comentário de: exvítima

alguém aí em cima falou em preconceito cultural. é verdade. tudo em nossa sociedade tem razão de ser. sim, o cabelo crespo é "selvagem", a feição das pessoas negras puras lembra tempos antigos quando terríveis lutas aconteceram. li num livro afrocentrista que as culturas da áfrica eram matriarcais. cabelos loucos, calendário lunar, sucessão matrilinear porque muitas vezes o nome do pai "não consta". o clã africano, razão de todo o atraso da áfrica transportou se para as favelas brasileiras. essa vida caótica é tudo que o ocidental organizadinho não quer. ele é até capaz de viajar nas férias, e fazer um curso de capoeira ou dança do ventre... mas não mudará seus valores. às vezes acho que o hip hop, o rap e o funk carioca fazem parte de uma conspiração orquestrada por brancos invejosos. depois de little richard, chuck berry, nat king cole, steve wonder, todas as maravilhosas cantoras negras, depopis de tanta humilhação engendrou se uma campanha midiática para que os membros da comunidade afro que estão atrás das grades ocupem as paradas de sucesso... afinal, precisamos daquele excedente populacionalzinho que aceita trabalhar por baixos salários... e Joss Stone e Amy precisam valoroizar o blues...

PermalinkPermalink 31.10.08 @ 21:13



Comentário de: Gustavo B. · http://www.youtube.com/watch?v=o_pS05t7liw

Putz, assim como na série anterior comentários extremamente elucidativos e que explicam muita coisa da nossa sociedade.
Sinceramente, muito melhores que o post. Nenhum escritor NUNCA conseguiria inventar esses personagens.

Alguém já sugeriu aí, mas reforço: vejam Blue Eyes, tem no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=o_pS05t7liw)

PermalinkPermalink 31.10.08 @ 22:29



Comentário de: Ariane

Não sou lá muito esperta, talvez não tenha entendido realmente o teor de algumas mensagens, só sei que quando leio/ouço que o Brasil não é um país racista, fico louca da vida.

Vivemos num mesmo Brasil? Já estou em dúvida...

E quando partem para essa coisa de que as negras alisam o cabelo por isso são racistas?...que irritante! Pra começo de conversa, toda mulher quer mudar a droga do cabelo que tem, independente de ser branca, negra, japonesa. Já viu mulher contente com o próprio cabelo? Eu já alisei, enrolei, pintei de todas as cores do arco-íris, já fiz loucuras e não sou negra. Os salões estão lotados toda semana de mulheres de todas as cores que se torturam horas para sairem diferentes. Limitar a questão à esse tipo de coisa, francamente, acho que é fugir do foco.

De mais à mais, o que vocês querem? Que as negras se amem e amem sua aparência quando a propaganda, massivamente, empurra o padrão 'pele alva, cabelos lisos, olhos claros'. Todas as princesas dos contos de fadas são moças loiras ou brancas como a neve. Onde estão as heroínas negras? Onde estão as fadinhas, bonecas, misses, deusas? Onde estão os filmes norte americanos para adolescentes que infestam a Sessão da Tarde com histórias romanticas protagonizados por negras? E em nossas novelas? E nos comerciais de tv? Em nenhum lugar eu vejo as negras brilharem como mulheres lindas! Aqui, só no carnaval parece que era permitido apreciar a beleza da negra, nos desfiles de escolas de samba, e digo era por que de alguns anos para cá as atrizes e aspirantes a alguma coisa, loiras e brancas, tomaram os lugares das negras como rainhas de baterias ou destaques. Só sobrou a tal Globeleza que, como já ouvi, 'é bonita por que tem feições de branca'. Além de martelar incessantemente um padrão de beleza totalmente fora da realidade brasileira, ainda querem que as negras se amem e se adorem e não mudem um fio do cabelo....Quem nos representa lá fora no quesito beleza? Não é a Gisele? Pois é, ela é a cara do Brasil, né?

Engraçado, lembrei agora que quando eu era bem pequena, ganhei da minha mãe de natal uma boneca negra. Coisa que não é comum nem hoje (já se passaram 30 anos desde então...), acho que não foi sem propósito. E eu nunca questionei, ou estranhei, nem nada. Normal. Minha primeira amiguinha, na primeira série da escola, era (era não, é. Ela era minha amiga) negra. A gente estudou juntas até a oitava série e a tia dela era nossa professora. Éramos muito amigas, frequentávamos a casa uma da outra e tal. Muitas vezes eu ouví os meninos chamando ela agressivamente de macaca, nega, preta...ela sorria um sorriso amarelo, fingia que não ouvia. Eu achava aquilo tão revoltante, imoral, escroto. Pqp, aquela gente não recebia educação não? Os professores fingiam que não ouviam, merda pior. Ela tinha que aguentar, desculpar mil vezes ou se sentir culpada por ser negra? Ninguém fazia nada? O engraçado é que era uma escola publica, estudavam alí crianças de familia de classe média até miseráveis (um garoto ia de chinelo havaiana pra escola, eu me lembro)e meninas da FEBEM (naquele tempo ainda existia FEBEM e era um programa de integração, eu acho)e a minha amiga era a única do colégio todo que gozava de um padrão superior à todos os outros: andava com roupas caras, ia de carrão pra escola, era a única que levava dinheiro pra escola, morava numa casa enooorme e tal e só estudava alí por que a tia dela trabalhava lá. Mas era também a única negra.

E outro garoto com quem estudei, foi tão esculachado, tão maltratado (negro, óbvio). Colocaram um apelido grotesco nele, infernizaram o moleque até que ele deixou a escola.

Trabalhei alguns anos como auxiliar administrativa de uma pizzaria em são paulo (eles tem um total de 12 restaurantes) e certa vez abriu uma vaga para atendente e eu fui chamada para ajudar na seleção. Apareceu um monte de meninas sem nenhuma qualificação, nem sabiam falar direito, mascando chicletes como ruminantes. Aí apareceu uma moça com um curriculo espetacular: falava vários idiomas, entendia de informática, mil experiências, faculdades e tal. Ela estava muito acima do pretendido, o cargo não fazia juz aos talentos dela. Estava passando por uma crise e aceitava qualquer trabalho. Enfim, a moça era uma lady, falava super bem, ótima dicção, minha escolhida. Falei pra minha chefe quando a moça se foi: É ela, nem precisa entrevistar mais ninguém.
Então eu ví a cena mais absurda da minha vida; minha chefe rasgou a ficha da moça e disse: Tá brincando né? Não vou colocar uma neguinha aqui na recepção.

Juro. Ela rasgou a ficha da moça SÓ por que a moça era negra.

Mas olha, preconceito no Brasil não exite, viu? Eu é que deliro...

Quantos imbecis pastam por esse mundo rasgando fichas e fechando portas para os negros? Não tenho idéia do número exato, mais creio que são muitos. E pqp, estas coisas se aprendem em casa, não? Pq na minha casa eu nunca, jamais ouvi meus pais se referirem pejorativamente à quem quer que fosse e daí que quando eu e meus irmãos nos deparamos com preconceito racial no colégio, ficamos confusos e abismados. E meus pais tiveram que nos explicar o racismo....

Já cansei de ouvir coisas do tipo 'É um baita de um negão...mas é gente fina, viu?' como quem diz: APESAR de ser negro ele é boa gente, não é uma ameaça, não se preocupe.

Tenho uma tia (a vergonha da familia, por sinal) que se refere aos negros como se eles ainda fossem escravos. Tenta justificar seu preconceito generalizando defeitos imaginários, do tipo 'mas os negros são todos isso e aquilo'. Nem o fato de uma vizinha negra ter sido a única pessoa na face da terra que a ajudou quando estava passando necessidade, mudou as 'opiniões' dela sobre os 'negrinhos'.

Quem nunca ouviu, nem que tenha sido no colégio, as frases estupidas 'Negro parado é suspeito, correndo é ladrão'. 'Se negro não caga na entrada, caga na saída'. 'Só podia ser preto mesmo!'? Não pode ser que só eu ouvi estas coisas! Eu não fui criada em outra dimensão!

Minha filha tem tres anos e este ano começou a frequentar a escolinha. Ela me perguntou essa semana por que a tia (professora) tinha a 'cara marrom'. Meu, não é muito fácil explicar as coisas para uma criança de tres anos, você deve imaginar. Que eu ia dizer? Pensei um pouco e ví o vaso com flores do campo na cozinha. Apontei o vaso e disse: As flores não são diferentes? Cada uma tem uma cor, tá vendo? Não são todas lindas? Então, as pessoas são assim também. E como as flores, as pessoas também são todas lindas.

Ela gostou da resposta, esqueceu o assunto e tocou a vida. Mas, eu sei que não é tão simples. Um dia ela vai querer saber mais, vai me fazer novas perguntas e o exemplo das flores não bastará. O difícil não será explicar as diferenças de cores, será explicar as diferenças de tratamentos. Terei que explicar pra ela que as pessoas são estupidas e que apesar de estarmos vivendo a era gloriosa das descobertas e da tecnologia, o homem ainda é o flagelo do homem. E espero que o racismo a deixe muito chocada, como me deixou um dia.

Eu podia contar mil histórias e dar mil exemplos de racismo que presenciei em meus 35 anos. Mas vou poupá-lo :-)

Desculpe o comentário enorme e se escrevi muita besteira, desculpe também.

Adoro seu blog, assino e recomendo. Abraços!

Ah, antes de ir, lembrei uma coisa. Sabe o que eu penso? Que Deus e o mundo achincalha a Preta Gil não por que ela é gordinha (como querem fazer parecer, óh hipócritas!), mas por que ela é uma negra que ousa ser bonita, sensual e principalmente, confiante. Negra (e ainda gordinha) ousando ser confiante? Esfola!
Tá cheio de atriz por aí fazendo merda e queimando o filme, mas nunca vi pegarem tanto no pé de alguém como dessa moça.

No Brasil, mulher negra tem que ficar piano, não pode ficar 'se achando' de jeito nenhum.

Ou sou eu que enlouqueci?

Ah, mais uma coisa: ia responder no post sobre empregadas e acabei deixando passar:tenho mil histórias sobre o assunto também (sobre como muitas delas é que talvez devam desculpas aos meus pais) mas não cabe aqui. Se tiver interesse, mando por e-mail, talvez sirva de inspiração :-)


PermalinkPermalink 03.11.08 @ 02:39



Comentário de: NELSON DE AQUINO · http://www.internetey.net

AS PESSOAS QUE ACHAM QUE O RACISMO É UMA FARSA,E QUE SAO CONTRA AS COTAS SÃO PESSOAS QUE NAO CONHECEM A VERDADEIRA HISTORIA DO NEGRO E QUE OBRASIL TEM UMA DIVIDA COM OS NEGROS. EU CHAMEI ATENÇÃO DE DOIS PROFESSORES UM ERA CONCURSADO SERA QUE MERECIA ESTAR NO ESTADO?E A OUTRA ERA DE BIOLOGIA EU DISSE A ELAS QUE DEVERIA CONHECER MELHOR A HISTORIA.SERA QUE É ESSES TIPO DE PROFESSORES QUE O ESTADO TEM CONCURSADO ROTULANDO NOSSOS ALUNOS?

PermalinkPermalink 17.01.09 @ 09:18



Comentário de: Tai · http://aslunatikas.blogspot.com

É verdade, aqui no Brasil o preconceito é mais estético. O negro é considerado feio por ter seus traços diferentes do padrão caucasiano, tipo: nariz mais largo, cabelo crespo,etc. Acho que ele só será bem aceito se usar roupas e acessórios "exóticos".

PermalinkPermalink 29.03.09 @ 08:22



Comentário de: Manuel

preto tem q morre msm!

PermalinkPermalink 10.04.09 @ 00:44



Comentário de: Ana Carolina

dfgdhfgdjy

PermalinkPermalink 04.06.09 @ 12:36



Comentário de: Ana Carolina

VOCÊ QUE TEM QUE MORRER SEU IDIOTA

PermalinkPermalink 04.06.09 @ 12:37



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